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Contextos Clínicos

Print version ISSN 1983-3482

Contextos Clínic vol.10 no.2 São Leopoldo July/Dec. 2017

https://doi.org/10.4013/ctc.2017.102.08 

ARTIGOS

 

As dimensões da comunicação na obra freudiana

 

The dimensions of communication in the Freudian work

 

 

Cidiane Vaz Melo; Andrea Seixas Magalhães; Terezinha Féres Carneiro; Rebeca Nonato Machado

Pontifícia Universidade Católica do Rio. Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea, 22430-060, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. cidianevaz@gmail.com, andreasm@puc-rio.br, teferca@puc-rio.br, recanm@gmail.com

 

 


RESUMO

A noção de comunicação na teoria psicanalítica apresenta-se ampla, abrangente e de difícil delimitação, tornando pertinentes reflexões e aprofundamentos acerca dessa temática. A comunicação traz em seu escopo a questão da intersubjetividade, uma vez que se origina, se mantém e se desenvolve no vínculo com o outro. Neste trabalho, tem-se por objetivo discutir as ideias de Freud relacionadas com a comunicação, buscando explorar as construções tecidas por ele sobre esse tema, desde um ponto de vista eminentemente intrassubjetivo até considerações que apontam para os primórdios de uma teoria da intersubjetividade. Para tanto, foram destacados artigos da obra de Freud nos quais a temática da comunicação foi abordada. Da investigação teórica dos textos freudianos, emergiram categorias de análise dentre as quais, para a apresentação neste trabalho, foram selecionadas as seguintes: a comunicação como apelo ao outro; a comunicação entre instâncias; a comunicação no tratamento e a comunicação como trabalho psíquico intersubjetivo.

Palavras-chave: comunicação, intersubjetividade, psicanálise.


ABSTRACT

The concept of communication in the psychoanalytic theory presents a broad, comprehensive and difficult delimitation, making reflections and insights on this topic relevant. Communication brings in its scope the issue of inter-subjectivity, as it originates, is maintained and developed in connection with the other. This study aims to discuss Freud's ideas related to communication, seeking to explore his ideas on this subject from an eminently intra-subjective perspective to considerations related to the beginnings of a theory of inter-subjectivity. For this purpose, articles of Freud's work in which the communication issue was addressed were highlighted. From the theoretical investigation of Freudian texts, analysis of categories emerged, and for the purpose of presentation in this paper, the following were selected: communication as a call to the other; communication between instances; communication in the treatment and communication as inter-subjective psychic work.

Keywords: communication, inter-subjectivity, psychoanalysis.


 

 

Introdução

Na obra de Freud, a questão da comunicação é tratada, costumeiramente, em caráter secundário, havendo poucas menções diretas a ela. Também não há nos textos freudianos um único sentido atribuído à comunicação, mas vários, dependendo do ponto de vista adotado pelo autor. De acordo com Delouya (2002), a ideia de comunicação sequer atingiu, na obra de Freud, a notoriedade de um conceito e a atenção a ela, enquanto processo ou fenômeno, não ganhou maiores considerações, exceto em menções esparsas.

A palavra "comunicação" é derivada do termo latino communicare, que significa partilhar, participar algo, tornar comum. A partir dessa definição, observa-se que a comunicação é um fenômeno fundamentalmente relacional e de caráter intersubjetivo, estruturada em uma rede sobre a qual se articulam as relações e as trocas de elementos conscientes e inconscientes. Cabe ressaltar que o conceito de comunicação, muitas vezes, pode se assemelhar ao de transmissão psíquica, que se refere aos conteúdos psíquicos transmitidos, sobretudo nas relações familiares (Freud, 2003n [1914]; Kaës, 1997). Contudo, a noção de comunicação parece ser mais adequada para pensar o que ocorre "no entre", na intersubjetividade, levando em conta a bidirecionalidade própria dos processos comunicacionais. Essa concepção de comunicação encontra-se influenciada por uma perspectiva intersubjetiva que não reflete, necessariamente, o pensamento freudiano, ficando evidente a necessidade de investigações que analisem os textos do próprio autor. Na obra de Freud, a comunicação e a intersubjetividade não foram temas desdobrados por ele, entretanto, observa-se que ao longo de seus trabalhos, ambas vão ganhando consistência a partir de desenvolvimentos cada vez mais complexos.

No texto de 1913, intitulado "O interesse da psicanálise para as ciências não psicológicas", Freud faz uma ampliação do termo fala, incluindo a linguagem dos gestos e todos os outros métodos de expressão, por exemplo, a escrita, relacionando-o a uma das operações que permitem a expressão da atividademental, que se destaca como o ponto mais importante da comunicação. Como postulado por ele, as vias de expressão da atividade mental podem ser verbais e não verbais. Cabe salientar que o tipo de comunicação que Freud buscou compreender se limitou ao âmbito do tratamento de pacientes neuróticos, pois acreditava que a psicanálise não era um método adequado ao tratamento de sujeitos psicóticos (Freud, 2003o [1916]; Esnal, 2001).

Destaca-se essa diferenciação, tendo em vista os modos de comunicação profundamente distintos, tanto em termos de qualidade quanto de intensidade, produzidos no âmbito das neuroses e das psicoses. Considera-se que nos estados psicóticos o processamento primário é hegemônico, enquanto nos quadros neuróticos o processamento secundário predomina. No processo primário, evidenciado no sonho (Freud, 2003d [1900]), há a primazia do inconsciente atemporal, bem como um deslizar constante de sentidos que não se atêm à realidade, mas que buscam subvertê-la, através de modalidades alucinatórias sob o domínio do princípio do prazer. Já o processo secundário constitui uma modificação do processo primário, havendo a primazia do sistema pré-consciente-consciente. A energia psíquica se liga a representações investidas de modo mais estável e é escoada de modo mais controlado. A satisfação é adiada e está submetida ao princípio de realidade. Nesse sentido, os processos comunicacionais, referidos por Freud, em relação a pacientes neuróticos, se dão basicamente pela via do processo secundário. Tendo em vista o funcionamento neurótico, o conflito psíquico tem um papel central, podendo ser manifesto ou latente, e se exprimir de forma deformada, por meio dos sintomas e atos falhos. Assim, as diversas expressões da atividade mental que formam a comunicação serão abordadas ao longo da obra freudiana, tendo como referencial o conflito psíquico e as neuroses (Laplanche e Pontalis, 2008).

Neste trabalho, tem-se por objetivo discutir as ideias de Freud relacionadas à comunicação, buscando explorar as construções tecidas por ele sobre esse tema, desde um ponto de vista eminentemente intrasubjetivo até considerações que apontam para os primórdios de uma teoria da intersubjetividade. Algumas categorias foram estabelecidas com base em pesquisa prévia sobre o tema da comunicação nas "Obras Completas de Freud". Da investigação teórica na obra freudiana, destacam-se, para apresentação neste trabalho, quatro categorias intituladas: a comunicação como apelo ao outro; a comunicação entre instâncias; a comunicação no tratamento e a comunicação como trabalho psíquico intersubjetivo.

 

A comunicação como apelo ao outro

A primeira menção à noção de comunicação na obra de Freud aparece no artigo "Projeto para uma psicologia científica" (Freud, 2003 [1895a]). Nesse artigo, a comunicação é relacionada ao estado de desamparo primordial do bebê, à sua necessidade absoluta do outro e à rememoração por parte do adulto das experiências de seu próprio desamparo. Para ele, a comunicação está no ponto de origem do mundo psíquico.

Nesse sentido, Delouya (2002) ressalta que a comunicação é entendida como constituindo o ponto de origem do processo de interação entre os sujeitos, bem como do próprio Eu. De acordo com ele, Freud é muito claro ao apontar o desamparo de origem como sendo o que favorece a comunicação. Para aquele autor, a comunicação desencadeia uma via de alterações internas no adulto e o seu próprio desamparo, favorecendo as identificações do adulto com o bebê e o tornando solidário aos apelos infantis. Para Freud (2003b [1895]), não é o desamparo em si que convoca a sensibilidade atenciosa do adulto, mas aspectos associados ao desamparo vivido pelo adulto e experiências decorrentes das vivências de dor.

O contato entre o bebê e o adulto, permeado pela dor, dispara o encadeamento das primeiras vias de facilitação, inscrições que serão associadas à ação específica proporcionada pelo adulto. Assim, para Freud (2003b [1895]), a comunicação é um processo que se retroalimenta: a provisão das necessidades do bebê torna-se possível pela identificação por parte do adulto com o estado de desamparo, levando-o a responder aos gestos espontâneos do bebê de modo eficaz. Essa resposta, por sua vez, ficará associada às vivências de dor e satisfação experimentadas pelo bebê, formando os protótipos para as relações objetais e os caminhos a serem percorridos pelas pulsões. No desamparo, o bebê chora, experimenta sua impotência e necessita que esse outro esteja atento a ele e corresponda aos seus apelos, estabelecendo com ele uma comunicação. Sobre a comunicação, Freud (2003b [1895]) assinala:

O organismo humano é, a princípio, incapaz de promover essa ação específica. Ela se efetua por ajuda alheia, quando a atenção de uma pessoa experiente é voltada para um estado infantil por descarga através da via de alteração interna. Essa via de descarga adquire, assim, a importantíssima função secundária da comunicação, e o desamparo inicial dos seres humanos é a fonte primordial de todos os motivos morais (Freud, 2003b [1895], p. 370).

A origem da comunicação, segundo a citação acima, encontra-se no valor de apelo que o estado de desamparo exerce sobre o outro. O apelo é o protótipo da compreensão mútua, desde que o outro responda. A partir do desamparo, experiência fundamental do humano, e da assistência prestada ao bebê pelo adulto, observa-se o processo de aquisição de recursos de comunicação e linguagem, que favorecem a construção do Eu e as mediações com o meio externo (Ravanelo et al., 2010). A noção de comunicação como apelo ao outro será melhor desenvolvida por D.W. Winnicott.

 

As instâncias psíquicas e a dinâmica da comunicação

A organização do aparelho psíquico em instâncias ganha na obra de Freud grande notoriedade por se constituir como um dos alicerces da metapsicologia freudiana. Segundo o autor, as instâncias fazem referência à estruturação do aparelho psíquico do ponto de vista tópico, dinâmico e econômico. A relação entre as instâncias psíquicas e a noção de comunicação é traçada na obra de Freud de maneira bastante interessante, evidenciando não apenas as possibilidades de comunicação do paciente com o analista, mas, sobretudo, a comunicação de determinados conteúdos no interior do próprio aparelho psíquico. Nesse sentido, a organização do aparelho psíquico em instâncias insere-se numa perspectiva explicativa sobre como determinados conteúdos são tratados no interior do aparelho psíquico, o que mantém estreita relação com as possibilidades de comunicação evidenciadas na fala, nos silêncios, nos esquecimentos e nos sintomas (Silva, 2014).

Cabe salientar que a concepção de instâncias passou por revisões, que foram explicitadas na primeira tópica, em "Interpretação dos sonhos" (Freud, 2003d [1900]), e na segunda tópica, no artigo "O Ego e o Id" (2003t [1923]). Na primeira tópica de Freud, o aparelho psíquico é composto por três sistemas: o Inconsciente (Ics), o Pré-consciente (Pcs) e o Consciente (Cs), organizados a partir de uma perspectiva fortemente verticalizada. Nessa perspectiva, os sistemas do aparelho psíquico possuem qualidades e funções distintas e a mobilidade dos conteúdos psíquicos, do Consciente ao Inconsciente e vice-versa, devem seguir sempre caminhos preestabelecidos. Já na segunda tópica, o modelo do aparelho psíquico será pensado a partir de três instâncias compostas pelo Eu, pelo Isso e pelo Supereu, que se entrelaçam em seus aspectos conscientes e inconscientes. Apesar das modificações quanto ao paradigma de aparelho psíquico, o modelo esquemático da primeira tópica não ficou invalidado pelo modelo da segunda tópica. Seu estudo mantém sua importância tanto em termos históricos, por tratar-se das primeiras formulações para a compreensão das condições neuróticas com particularidades em termos de funcionamento e economia, mas também para a compreensão das primeiras propostas de tratamento que culminaram na criação da Psicanálise. Apesar de a questão ser abordada do ponto de vista histórico, a psicanálise nunca abandonou totalmente o modelo da primeira tópica. As relações entre Inconsciente e Consciente pensadas então, bem como a concepção sobre o funcionamento do Inconsciente, seguem vigentes, mesmo que tenham sido propostas outras instâncias psíquicas.

A comunicação ganha espaço nessa discussão à medida que se relaciona aos motivos inconscientes, ligados a realidades psíquicas que não podem ser reconhecidas pelo sujeito. Tanto na primeira, quanto na segunda tópica, a comunicação se mantém sujeita ao princípio do prazer. Nesse sentido, a comunicação só pode acontecer se internamente houver no sujeito disposição para tal, ou seja, a comunicação só pode se dar na medida em que o sujeito for capaz de encarar certas verdades sobre o seu próprio desejo. Essa afirmação será ratificada muitos anos depois por Freud (2003v [1937]), quando o autor assinala que "a relação entre analista e paciente se baseia no amor à verdade - isto é, no reconhecimento da realidade - e isso exclui qualquer tipo de impostura ou engano" (2003v [1937], p. 282), o que marca também uma postura ética.

Na articulação freudiana acerca da comunicação entre as instâncias psíquicas, o artigo "As neuropsicoses de defesa" (Freud, 2003a [1894]) pode ser destacado, pois neste trabalho o autor lança mão das primeiras hipóteses explicativas sobre os processos mentais e sobre as possibilidades de se empreender procedimentos terapêuticos nos quadros neuróticos, especialmente os histéricos. Para Freud (2003a [1894]), na histeria haveria uma divisão na consciência, acompanhada da formação de grupos psíquicos separados. A separação do conteúdo da mente resultaria de um ato voluntário do paciente, cujos motivos relacionam-se à tentativa de manter afastadas da consciência certas representações inadmissíveis.

Em conjunto com Breuer, Freud (2003c [1895]) assinala que a divisão da mente é favorecida por estados semelhantes ao sonho, os estados hipnoides. "As representações que emergem nos estados hipnoides são excluídas da comunicação associativa com o resto do conteúdo da consciência" (p. 54). Assim, há certas representações que são isoladas, pois impõem contradições ao Eu. Essas representações saem da Consciência – são esquecidas – e os afetos a elas relacionados associam-se a algo do campo somático (conversão): "[...] na histeria, a representação incompatível é tornada inócua pela transformação de sua soma de excitação em alguma coisa somática" (p. 56). A partir das formulações sobre o mecanismo psíquico da histeria somos colocados em contato com dois pontos importantes: (i) existe um processo de isolamento, defensivo, de certas representações que não podem se comunicar com as representações conscientes, instalando uma divisão entre os conteúdos da mente; (ii) o sujeito é profundamente ativo na instauração e na manutenção do processo.

Esses dois pontos relacionam-se diretamente a um dos processos subjetivos mais fundamentais que é o recalque, em seu aspecto defensivo, e abrem margens para o questionamento acerca das resistências do próprio paciente em seu processo terapêutico através da análise. A resistência foi caracterizada, ao longo de toda a obra freudiana, como uma força que se manifesta como obstáculo à análise e, principalmente, contra toda e qualquer mudança ou transformação subjetiva decorrente do tratamento analítico (Ventura, 2009). Esse último ponto leva Freud a questionar se não seria a Psicanálise um fazer impossível (Freud, 2003v [1937]).

Seguindo os argumentos de Freud (2003a [1894], 2003d [1900], 2003e [1901]), a comunicação só se dá na medida em que não envolva pensamentos inconciliáveis para o Eu. Entretanto, esse processo que visa impedir a comunicação não passa incólume, pois a representação insiste em encontrar uma via de expressão e difusão através de fenômenos como sintomas, atos falhos, lapsos, esquecimentos, parapraxias, dentre outros que serão abordados posteriormente.

Freud (2003h [1910]) assinala que o conteúdo manifesto que representa a comunicação do paciente é o substituto deformado dos pensamentos inconscientes e essa deformação é obra das forças defensivas do Ego. O sintoma seria uma formação de compromisso entre as partes da mente e sua função seria a de comunicar de forma distorcida certos conteúdos e mantê-los, ainda assim, inconscientes.

Tendo em vista as conclusões freudianas, restava a questão de como fazer retornar à consciência do paciente, ao campo do comunicável, tais representações inconciliáveis para o Eu. Era a esse objetivo que o tratamento catártico se propunha, com base na ideia de que o tratamento poderia reconduzir a excitação somática à esfera psíquica, promovendo a resolução da contradição por meio do pensamento e da descarga de excitação através da fala. Do método catártico à Psicanálise, um longo caminho foi percorrido por Freud, que teve como norte suas considerações teóricas estimuladas pelo contato com seus pacientes, dentre os quais, Anna O., cunhando o termo talking cure (cura pela fala), referindo-se aos efeitos terapêuticos da comunicação verbal do paciente ao analista. Nesse sentido, cabe tecer considerações sobre a comunicação no tratamento proposto por Freud.

 

A comunicação no tratamento

O tratamento analítico tem como base a comunicação entre analista e paciente e parte do pressuposto que as comunicações do paciente permitem a emergência de conteúdos inconscientes, que podem ganhar significações a partir da escuta e da interpretação do analista. Trata-se de um método fundamentado nas possibilidades de comunicação entre paciente e analista, que produz efeitos em ambas as subjetividades. Conforme enfatizado por Silva (2014), a proposta de tratamento introduzida por Freud, inicialmente, centrava-se na palavra e sustentava-se em técnicas que pudessem favorecer as comunicações verbais do paciente e superar os silêncios, vistos como resistências ao processo analítico. Favorecer as comunicações do paciente com o analista e com seus próprios estados internos torna-se, então, um desafio ao (no) processo de análise. No contexto do tratamento, o analista também precisa estar disponível para acolher as comunicações de seu paciente e entrar em contato com pensamentos, sentimentos e sensações nem sempre agradáveis. Caso contrário, corre o risco de refugiar-se em uma teoria, engessar-se e sucumbir ao risco das atuações (Bion, 1967; Steiner, 1997; Ogden, 2013). Freud (2003j [1912], 2003k [1913]), ao abordar formas de comunicação no tratamento, destaca alguns pontos indissociáveis: a livre associação e a atenção flutuante, a transferência, a contratransferência e as inter pretações do analista.

Sob a perspectiva do tratamento analítico, um primeiro ponto explicitado por Freud sobre a comunicação se detém na associação livre, considerada a regra de ouro da psicanálise. De acordo com Freud (2003j [1912]), a livre associação baseava-se na instrução dada aos pacientes para que dissessem tudo, ainda que determinada ideia lhes pudesse parecer absurda ou sem importância. A regra da associação livre encontrava-se alinhada aos objetivos de Freud, que consistiam em tornar claro e comunicável pensamentos e sentimentos inadmissíveis à Consciência e, portanto, recalcados (Freud, 2003f [1904]; Foster, 2010). Para Freud (2003i [1912]), as comunicações verbais do paciente eram fundamentais, uma vez que era a partir dessas comunicações e da escuta do analista que o significado latente dos sintomas poderia ser revelado. Para Freud (2003a [1894]), os sintomas, ao mesmo tempo em que mantinham secretos e inacessíveis certos pensamentos e sentimentos, comunicavam-nos de modo distorcido e cabia ao analista colocar-se disponível para acolher essas comunicações (Freud, 2003a [1894]).

Visando estabelecer uma comunicação efetiva com seus pacientes, Freud (2003i [1912]) se dá conta de que um correlato à livre associação deveria se dar por parte do analista, ao que nomeou de atenção flutuante. Segundo ele, a atenção flutuante objetiva permitir ao analista entrar em sintonia com o paciente, o que poderia favorecer a comunicação entre ambos: "Ele (o analista) deve dirigir em direção ao inconsciente transmissor do doente seu próprio inconsciente como órgão receptor, colocando-se, com relação ao analisado, como o receptor do telefone com relação ao transmissor" (Freud, 2003j [1912], p. 175).

De acordo com Laplanche e Pontalis (2008), não há na metáfora do receptor e do transmissor uma necessária recomendação por parte de Freud para que se faça uso de qualquer forma de "comunicação de inconsciente a inconsciente" (p. 75). Apesar de tais autores argumentarem quanto à inviabilidade dessa forma de comunicação, apontam que, como o próprio Freud indicou, a suspensão das 'representações mentais' conscientes só poderia ter como efeito a substituição por representações mentais inconscientes. Seguindo esse raciocínio, Coelho Junior (2002) questiona se as motivações inconscientes não podem ser afetadas por motivações inconscientes de um outro: será que o determinismo pressuposto na teorização freudiana exige que a direção do determinismo seja sempre de "dentro" para fora? (Coelho Junior, 2001, 2002). Sobre essa questão, observam-se, atualmente, desdobramentos postulados, sobretudo, por autores pós-freudianos e atuais que enfatizam as chamadas formas infraverbais de comunicação e as diferentes possibilidades de se conceber percepções inconscientes (Heimann, 1950; Bion, 1967; Coelho Junior et al., 2012). Tais aspectos da comunicação mantêm-se estreitamente ligados a uma concepção do psiquismo como sendo fundamentalmente intersubjetivo, envolvendo aquilo que é vivido por várias mentes conforme será abordado mais adiante.

A comunicação no tratamento também é abordada por Freud a partir do conceito de transferência-contratransferência, que se constitui como um dos fundamentos do método analítico, produzindo ligações e compartilhamentos de afetos e estados mentais entre paciente e analista. A transferência na obra de Freud é abordada pela primeira vez no texto "Estudos sobre a histeria" e subentende a conservação de uma forma relacional e a fidelidade a uma relação antecedente conservada no Inconsciente. Será abordada em vários textos do autor considerados de extrema relevância (2003g [1905], 2003h [1910], 2003i [1912], 2003k [1913], 2003l [1914], 2003m [1914], 2003p [1916]). De acordo com Freud, a transferência é necessariamente ocasionada durante o tratamento e, a partir dela, o paciente incluirá o analista numa série psíquica pronta por antecipação.

Tendo por qualidade o caráter repetitivo, a transferência permite ao analisando comunicar ao analista seus clichês e modos de se relacionar com os objetos através das palavras, vivências afetivas e dos atos (Freud, 2003i [1912], 2003q [1920]). Nesse sentido, a parte da vida afetiva que o paciente não pode mais lembrar é revivida na relação com o analista e, para Freud (2003h [1910]), há na neurose uma fixação ainda maior nesses modelos afetivos e é dessa forma que o indivíduo dirige-se ao analista.

Assim, torna-se um desafio para o analista transformar, por meio das interpretações, a repetição em rememoração, ou seja, as repetições e os atos em palavras. Destaca-se que, apesar de conter aspectos relacionados à pulsão de morte, a compulsão à repetição também se estabelece para o analista como uma forma de expressão e de comunicação de aspectos primitivos do analisando. É a partir da compreensão dessas manifestações, por parte do analista e do analisando, que podem ser introduzidos novos elementos nesse circuito repetitivo conforme destaca D'Ávila Lourenço (2005). Para tanto, mostra-se fundamental que resistências sejam superadas e que o paciente possa levar em consideração as comunicações do analista (Freud, 2003k [1913]).

Como correlato da transferência, a contratransferência também pode vir a se constituir como instrumento de comunicação e norteador da escuta analítica, particularmente no atendimento a pacientes que vivenciam situações que envolvam segredos e não ditos (Melo et al., 2014). A contratransferência foi descrita pela primeira vez por Freud em 1910, no texto "As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica", como sendo uma espécie de resistência do analista provocada por conflitos inconscientes, relacionados ao conteúdo do relato do paciente. Ele acreditava que a contratransferência era proveniente de aspectos neuróticos residuais do analista que não haviam sido suficientemente analisados e que, portanto, deveria ser reconhecida e dominada. Era vista, portanto, como um obstáculo a ser superado pelo analista através do autoexame (Sandler et al., 1986). De acordo com Zimerman (1999), essa abordagem freudiana da contratransferência mostrava-se bastante justificada, uma vez que chegaram ao conhecimento de Freud os envolvimentos sexuais que estavam ocorrendo entre analistas e suas pacientes.

Vista de modo particularmente negativo por Freud, a contratransferência não foi explorada em seu potencial para favorecer as comunicações no tratamento. Entretanto, com os trabalhos de Racker (1948) e Heimann (1950, 1960), a contratransferência passou a ser entendida como um modo privilegiado de comunicação entre paciente e analista, tendo como conceito base a noção de identificação projetiva. A identificação projetiva foi formulada por Klein em 1946 e diz respeito a um mecanismo que se traduz por fantasias nas quais o sujeito introduz a sua própria pessoa, totalmente ou em parte, no interior do objeto para lesar, para possuir ou para controlar (Laplanche e Pontalis, 2008). Apesar de a identificação projetiva ser entendida por Racker e Heimann como um fenômeno complexo e útil em termos teóricos e técnicos, a própria Melanie Klein não compartilhava esse ponto de vista, entendendo a identificação projetiva como algo a ser controlado (1981).

A contratransferência, conforme abordada por Freud, instiga-nos a refletir sobre as dificuldades de manejo desse fenômeno suscitado na relação entre analista e analisando, uma vez que produz impactos na comunicação que possa vir a ser estabelecida entre eles. Quando Freud afirma que a contratransferência deve ser dominada, sua preocupação parece ser direcionada aos efeitos, particularmente mobilizantes, que poderiam ser produzidos na relação entre analista e analisando, e aos riscos de atuações por parte do analista que poderiam colocar em perigo não apenas o tratamento empreendido, mas também a própria psicanálise enquanto método científico. As recomendações freudianas quanto ao manejo da contratransferência alertam para as mobilizações que o encontro de duas subjetividades pode produzir, mas também para a postura ética a ser sustentada frente a esse encontro.

Apesar de Freud não ter explorado o fenômeno da contratransferência em seus aspectos favoráveis ao tratamento, ele abriu caminhos para que outros autores pudessem desenvolver o conceito, ampliando os horizontes teóricos e técnicos da psicanálise. De suas contribuições ao tema, podemos destacar o cuidado de Freud ao ressaltar que, caso não fosse controlada, poderia levar a prejuízos na comunicação entre analista e paciente e para o próprio tratamento.

Dessa maneira, salientam-se as interpretações do analista, durante o tratamento, como mais um ponto em que a comunicação é abordada por Freud. As mesmas se apoiam sobre alguns pilares que lhes fornecem sustentação e efetividade. O primeiro deles é que a comunicação do analista ao paciente é profundamente marcada pelos fatores afetivos, e não os racionais como poderíamos supor inicialmente. Nesse sentido, Freud (2003i [1912]) chega à conclusão de que não basta traduzir o Inconsciente, atribuindo sentido às suas manifestações através de explicações sobre o funcionamento mental. É necessário que uma relação se estabeleça para que o paciente possa encontrar disposição e apoio para entrar em contato com aspectos rechaçados por meio de defesas.

Freud logo abandonou a perspectiva racionalizante, pois entendeu que os impedimentos para a comunicação, para o conhecimento e para o contato se dão por motivos que são defensivos. Assim, não se trata mais de oferecer informações ao paciente sem que antes tenha se estabelecido uma transferência positiva e sem que as resistências tenham sido superadas. Cabe enfatizar também a importância dada por Freud (2003i [1912]) à relação e à ligação entre paciente e analista que se estabelecem e se consolidam à medida que a transferência se instala. Sobre uma postura afobada por parte do analista, Freud (2003k [1913]) assinala que "[...] na verdade, quanto mais verdadeiro for, mais violenta será a resistência. Via de regra, o efeito terapêutico será nenhum, mas o desencorajamento do paciente quanto à análise será definitivo" (p. 155).

A partir dessa perspectiva, deve-se ter em mente que o momento de comunicar deve se dar "[...] somente após uma transferência eficaz ter-se estabelecido no paciente, um rapport apropriado com ele" (Freud, 2003k [1913], p. 154). Por mais que algumas falas do analista possam ser verdadeiras ao captar certos aspectos do paciente, a comunicação entre ambos só se dará se não houver obstruções, que são de caráter fundamentalmente afetivo, e se houver, por parte do paciente, uma disposição interna favorável ao contato com certos aspectos aflitivos ou angustiosos. Destaca-se que, as comunicações do analista só produzem efeitos se os obstáculos da transferência e das resistências forem superados, evidenciando que a comunicação, na perspectiva de Freud, só acontece quando o analista passa a ser incluído pelo paciente em sua vida mental através da transferência.

Outro ponto relevante para a compreensão das dificuldades que possam se dar na comunicação do analista ao paciente diz respeito à realidade psíquica, expressão utilizada por Freud para designar aquilo que no psiquismo do sujeito apresenta coerência e resistência comparáveis às da realidade material. Laplanche e Pontalis (2008) afirmam que a realidade psíquica é fundamentalmente relacionada ao desejo inconsciente e às fantasias conexas a ele. Pode-se inferir que as distorções das palavras do analista efetuadas internamente pelo paciente decorrem de sua realidade psíquica, conforme assinala Faimberg (2001) quando aborda o conceito de escuta da escuta. Freud (2003q [1920]) virá a dizer que a única realidade à qual o sujeito realmente dá crédito é sua realidade psíquica - e, assim como assinalam Almeida-Prado e Féres-Carneiro (2005), isto vale para paciente e para analista, devendo haver, especialmente por parte do último, cuidado para que uma comunicação verdadeira com seu paciente possa ser mantida.

 

A comunicação como trabalho psíquico intersubjetivo

Até o momento, observamos que a comunicação vem sendo abordada por Freud como um fenômeno que favorece o compartilhamento de conteúdos entre o analista e o paciente e entre este e seu próprio mundo interno, ainda de um ponto de vista bastante individualizado. A ênfase dada por Freud parte da preocupação para descrever o funcionamento psíquico, especialmente o inconsciente, com seus movimentos e forças atuantes no interior do aparelho psíquico.

De acordo com Freud, o Inconsciente utiliza-se de vários processos a fim de manter-se preservado e oculto e, ao mesmo tempo, revelar-se. Dentre os vários processos, que fazem parte da vida cotidiana, encontramos o esquecimento de nomes, os lapsos de linguagem e escrita, a perda de objetos e a incapacidade de encontrá-los; os enganos quanto a assuntos conhecidos, assim como certos gestos e movimentos habituais, os sonhos e os sintomas. Apesar da estranheza, incoerência e, por vezes, absurdo dos mesmos, acabam frequentemente por revelar as intenções ocultas daquele que fala. Nesse sentido, tais fenômenos são frutos de processos inconscientes que buscam manter certos conteúdos recalcados, mas, ao mesmo tempo, comunicá-los. Observamos, então, um paradoxo que é central à comunicação na perspectiva freudiana: a comunicação ou a expressão de pensamentos e sentimentos parece ser uma necessidade humana, entretanto a comunicação direta de certos conteúdos não é tolerável ao Ego, havendo a necessidade da distorção defensiva do material psíquico por meio da censura (Freud, 2003k [1913]).

Entretanto, cabe salientar, conforme o próprio Freud, que há situações em que o aparelho psíquico de um indivíduo não consegue dispor dos processos defensivos normais a fim de comunicar, ainda que de modo distorcido, os conteúdos recalcados. De acordo com ele, nessas situações, o sujeito precisa contar com um outro que disponha de seu aparelho psíquico e que não se encontre submetido às mesmas disposições defensivas, a fim de favorecer o processo de comunicação do material recalcado. Apesar de Freud (2003g [1905]) não esclarecer como essa parceria se dá, caberia dizer que, para o autor, a comunicação abarca a ideia de um trabalho psíquico intersubjetivo, pois demanda do outro empenho na elaboração conjunta de determinados aspectos recalcados e que não poderiam adquirir outra qualidade não fosse sob essa condição. A utilização de outro psiquismo para favorecer a comunicação e a expressão de verdades psíquicas que não podem ser realizadas pelo seu detentor é explicitada na obra freudiana na teorização acerca dos fenômenos do sonho, do chiste e da telepatia.

O sonho, definido por Freud (2003d [1900]) como o guardião do sono, apresenta-se, por suas características, como importante via de expressão e comunicação do Inconsciente no processo analítico. Segundo Freud, os sonhos permitem a satisfação disfarçada de desejos recalcados no estado de vigília pela via regressiva (alucinatória). O trabalho do sonho, cuja base é a censura, só permite a satisfação dos desejos de modo disfarçado. Em um primeiro momento, sob a égide do processamento primário, utiliza os processos de condensação e deslocamento para permitir a representação de certos pensamentos inadmissíveis à Consciência. Entretanto, sua lógica permanece a do Inconsciente atemporal, que ignora a contradição.

Do ponto de vista da comunicação, os sonhos utilizam uma linguagem própria aos moldes da escrita pictográfica, segundo um modo de expressão arcaico e que abarca uma enorme quantidade de ambiguidades, ficando dependentes do contexto, da entonação e, principalmente, de quem interpreta para que sejam compreendidos. Apesar de os sonhos nem sempre serem contados a alguém, quando o são, verifica-se que a comunicação depende não apenas do locutor, mas do interlocutor que ouve e sensivelmente interpreta. Por mais que haja a expectativa de tradução de qualquer linguagem desconhecida, esta não pode se dar sem uma inter-relação que permita determinar um ou outro significado (Freud, 2003d [1900]; Laplanche e Pontalis, 2008).

A comunicação nos sonhos torna ainda mais relevante a presença do outro para que algum sentido seja apreendido. Freud (2003o [1916]) assinala que "[...] os idiomas e escritas antigos destinam-se, fundamentalmente, à comunicação; ou seja, por qualquer método e com qualquer recurso se destinam à comunicação. Já um sonho, não é veículo de comunicação; pelo contrário, destina-se a permanecer não compreendido" (p. 232). Dessa forma, o trabalho do sonho pode se apresentar como marcado pelo paradoxo de comunicar e, ao mesmo tempo, manter ocultos certos conteúdos inconscientes. Do ponto de vista egoico, um sonho bem-sucedido é aquele de que nem nos lembramos, entretanto, mesmo sob o trabalho das defesas, algo dos conteúdos do sonho insiste em chegar à consciência, favorecendo sua lembrança e comunicação a quem possa acolhê-los e interpretá-los. É interessante pensar que no tratamento analítico um sonho só pode ser interpretado na relação transferencial, na qual o analista o utiliza como um recurso de comunicação do Inconsciente. Nesse sentido, o papel do analista com sua escuta sensível se mostra fundamental na superação das barreiras que a censura impõe à comunicação inconsciente.

Outro fenômeno importante que demanda o trabalho psíquico de outro é o chiste, definido por Freud (2003g [1905]) como uma mensagem verbal tendenciosa que, ao descarregar sua energia psíquica, oferece ao ouvinte um ganho de prazer. Trata-se de mais um fenômeno estreitamente relacionado à comunicação e seus paradoxos, que se situam entre as tendências a comunicar e de a não comunicar. O chiste aparenta-se ao sonho, mas deve levar em consideração o seu público e a capacidade do ouvinte para corrigir as deformações graças às quais o sentido se comunica, paradoxalmente, através do sem sentido (Mijolla, 2005). Os chistes têm por objetivo produzir prazer e apenas algumas pessoas têm esse recurso a seu dispor em função de maior capacidade de simbolização.

Os determinantes do chiste são os mesmos das doenças neuróticas e têm por objetivo dar expressão a certas representações conflituosas, mas de modo deslocado. De acordo com Freud (2003g [1905]), a expressão dos chistes envolve, frequentemente, pensamentos críticos e agressivos que por esses motivos não podem ser expressos: "[...] sua importância parece consistir no fato de que a pessoa envolvida considera difícil a crítica e a agressividade na medida em que estas sejam diretas, sendo possível apenas ao longo de trajetos tortuosos" (p. 137). Freud assinala que o chiste só ganha sentido e só cumpre o seu papel de comunicação se puder ser compartilhado. Trata-se de um fenômeno que só ganha sentido na presença do outro: "Se alguém acha alguma coisa cômica, pode divertir-se consigo mesmo. Um chiste, pelo contrário, deve ser contato a mais alguém" (Freud, 2003g [1905], p. 138, grifo nosso).

Frente à observação do imperativo de superar o recalcamento e comunicar algo a outro que o chiste traz, Freud formula a hipótese de que é possível que a necessidade de comunicar o chiste relacione-se à gargalhada que produz. Segundo ele, essa gargalhada é negada, pelo recalcamento, ao produtor do chiste, mas se manifesta em outra pessoa, sendo o prazer do chiste mais evidente na segunda pessoa que em seu criador. Nessa passagem, a reciprocidade do fenômeno parece ser destacada: por um lado temos um sujeito fazendo uso do psiquismo alheio a fim de expressar conteúdos recalcados e, de outro, alguém que obtém satisfação a partir da elaboração do material proveniente do primeiro.

Destaca-se que a ideia da utilização, por um sujeito, do psiquismo de um outro a fim de realizar um trabalho psíquico que nele se encontra impossibilitado pela ação das defesas nos instiga a pensar na própria natureza do trabalho psíquico exigido do analista durante o tratamento analítico. Apesar de Freud não desenvolver a ideia de uso do psiquismo por um outro, como destacado no fenômeno do chiste, essa concepção parece ter sido aprimorada pelos escritos de Racker (1948), Heimann (1950) ao abordar a noção de identificação projetiva e de Winnicott (1968) ao teorizar sobre o uso de objeto. Esta proposição é desenvolvida também por Eiguer (1995), quando aborda o manejo da contratransferência. Nesse sentido, enfatiza-se também a contribuição de Coelho Júnior e Figueiredo (2012), quando afirmam que todo trabalho psíquico exige empenho e dor a fim de produzir transformações, evidenciando a árdua tarefa do analista em sua função.

Dentre as várias condições que Freud assinala serem necessárias para que se estabeleça a relação envolvida no chiste, talvez a mais importante seja um acordo psíquico; uma sintonia entre pelo menos duas pessoas, em que uma delas, mais sujeita aos mecanismos defensivos, pode utilizar o psiquismo de outra a fim de driblá-los:

É essencial que esta esteja em suficiente acordo psíquico com a primeira quanto a possuir as mesmas inibições internas, superadas nesta última pela elaboração do chiste. [...] todo chiste requer seu próprio público: partilhar o riso diante dos mesmos chistes evidencia uma abrangente conformidade psíquica (Freud, 2003g [1905], p. 144, grifo nosso).

A ideia de um acordo psíquico estabelecido entre sujeitos, de modo inconsciente, traz consigo a premissa de uma comunicação inconsciente, que se estabelece entre os sujeitos. Esta ideia se assemelha, pelo negativo, ao conceito de pacto denegativo cunhado por Kaës (1997). De acordo com o autor, o pacto denegativo é um mecanismo defensivo presente nos grupos, inclusive no grupo familiar e implica um acordo inconsciente sobre aspectos do vínculo que deverão ser apagados, recalcados ou negados. Trata-se de renúncias que devem ser feitas para que se possa contar com espaços psíquicos comuns. O que se evidencia na dinâmica do chiste é que a obtenção do prazer só alcança seu fim a partir da relação entre sujeitos e pela conjunção de seus psiquismos, em torno de um objetivo comum: tornar conscientes e comunicáveis certos pensamentos e obter, com isso, satisfação: "Quando faço alguma pessoa rir,, contando-lhe meu chiste estou de fato utilizando-a para suscitar meu próprio riso" (Freud, 2003g [1905], p. 149, grifo nosso). As considerações de Freud sobre o chiste abrem espaço para se pensar as intersecções entre os psiquismos de um sujeito com o outro ou os outros a fim de obter, a partir da relação, apoio na realização de tarefas psíquicas. Dentre tais tarefas destaca-se a comunicação, especialmente quando se dá na família e nos grupos (Kaës, 1997, 2005).

A telepatia é outro fenômeno abordado por Freud que permite pensar a questão da comunicação como trabalho psíquico intersubjetivo. Freud, no texto "Psicanálise e Telepatia" (2003r [1921]), aborda a telepatia como um tipo de comunicação bastante peculiar que produz questionamentos sobre as possibilidades de comunicação de Inconsciente para Inconsciente. Ao abordar a telepatia, Freud questiona-se sobre como o conhecimento de uma pessoa pode ser comunicado à outra, ainda que não se conheçam previamente, nem tenham trocado informações. Nessas condições, qualquer conhecimento comunicado de uma pessoa a outra ganha aparência de algo inédito, como se fosse proveniente de forças místicas e ocultas. De acordo com Mijolla (2005), dá-se o nome de telepatia a uma transmissão de pensamento sobre cuja natureza Freud formulou diversas hipóteses, vendo nela um modo arcaico de comunicação entre os indivíduos.

Freud (2003s [1922]), ao comentar a abordagem de uma suposta profetisa com um de seus pacientes que nutria desejos edípicos em relação à irmã, observou que entre eles houve algum método desconhecido de comunicação que excluiu os meios que nos são familiares, levando a inferir que existe algo como a transmissão de pensamento. Conforme assinalado, tais possibilidades de transmissão relacionam-se a uma receptividade psíquica, para que certas comunicações possam ser captadas. Para tanto, torna-se necessário, por parte de quem acolhe certas comunicações, conseguir desviar suas próprias forças psíquicas para empregá-las a serviço do outro (Freud, 2003s [1922]).

Comentadores desse texto, como Bernardino (2004), dirão que tal comunicação é possível pela existência de um desejo inconsciente, extremamente poderoso, de entrar em contato com o outro, que conta com alguém cuja consciência possa estar a serviço da recepção de suas comunicações. A autora destaca que esse fenômeno comunicativo acontece entre as mães e seus bebês. Para a autora, Freud retira um fenômeno do campo do ocultismo para tentar analisá-lo à luz de suas descobertas sobre o Inconsciente, sobre o desejo e sobre a transferência. Sobre a ideia de um aparelho psíquico que não visa apenas à descarga pulsional, mas, sobretudo, à relação, citamos Balint (1987). Para ele, a disposição para o contato se estabelece para além das projeções e descargas pulsionais; a presença real do analista realmente importa para que haja possibilidades de comunicação entre a dupla paciente e analista.

Freud, em 1933, ainda trabalhando sobre a temática da comunicação inconsciente, no artigo "Sonhos e ocultismo", define a telepatia como um "ato mental que se realiza numa pessoa e que faz surgir o mesmo ato mental em uma outra pessoa" (2003u [1933], p. 72), fazendo uma analogia com a comunicação telefônica. Torna-se interessante notar que, apesar de Freud não apresentar uma perspectiva claramente intersubjetiva em sua obra, ele deixa entrever a marca relacional que envolve o vínculo entre os humanos, levantando a hipótese de que se trata "de um método original, arcaico, de comunicação entre indivíduos" (2003u [1933], p. 72), o que foi desenvolvido por Bion (1967), anos mais tarde, com a ampliação do conceito de identificação projetiva.

 

Considerações finais

Constata-se, no percurso desenvolvido neste artigo, que a comunicação, apesar de não ter sido destacada na obra freudiana, apresenta-se como conceito presente no decorrer do trabalho de Freud, acompanhando a evolução do seu pensamento ao longo de sua obra. Cabe salientar que, a partir de apontamentos iniciais trazidos por Freud sobre a comunicação, noções correlatas puderam ser desenvolvidas posteriormente por outros autores, como a questão da intersubjetividade e a noção de uso do psiquismo de um outro, visando à realização de tarefas psíquicas impossibilitadas pela ação das defesas.

Apesar de Freud enfatizar os aspectos intrapsíquicos, a questão da intersubjetividade se faz destacar, pois a todo momento a comunicação vem sendo pensada a partir da relação e do contato com o outro, com o analista e com os próprios conteúdos internos. Outro ponto a ser realçado é que a comunicação, na perspectiva freudiana, é profundamente marcada por aspectos afetivos que envolvem as resistências, a censura e a própria realidade psíquica, além das possibilidades de cada um para manter contato mais ou menos realístico com a realidade interna e externa.

Cabe salientar, a partir desta pesquisa, o pioneirismo de Freud ao se deparar com um campo de conhecimento em construção, que contava com muitas resistências quanto à sua cientificidade. Assim, em vários momentos do trabalho de Freud, é possível observar os conflitos, as ambivalências e as dificuldades para manter-se conectado ao trabalho do/com o Inconsciente e, ao mesmo tempo, permanecer num campo que pudesse corresponder aos ideais de cientificidade da época. Apesar disso, notamos nos textos de Freud um esforço para compreender o funcionamento psíquico, desenvolvendo técnicas que pudessem favorecer as comunicações de conteúdos inacessíveis à consciência, favorecendo a sua expressão.

A pesquisa empreendida permitiu a realização de um mapeamento das noções relacionadas à comunicação, na obra de Freud, que fornecem elementos importantes para o estudo dos primórdios da noção de intersubjetividade. Ao abordar a comunicação na teoria psicanalítica, sinaliza a necessidade de desenvolvimento de novos estudos a fim de auxiliar na compreensão deste fenômeno tão complexo, especialmente no âmbito das psicoterapias de família, nas quais a questão da comunicação e da intersubjetividade se apresenta de forma particularmente relevante.

 

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Submetido: 07/05/2016
Aceito: 30/09/2016

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