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Tempo psicanalitico

versão impressa ISSN 0101-4838versão On-line ISSN 2316-6576

Tempo psicanal. vol.48 no.1 Rio de Janeiro jun. 2016

 

ARTIGOS

 

Narrativas do excesso: a potencialidade da palavra em psicanálise1

 

Narratives of excess: the potential of the word in psychoanalysis

 

 

Paula KeglerI, II, III*; Mônica Medeiros Kother MacedoIII**

IUniversidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS - Brasil
IIFaculdades Integradas de Taquara - FACCAT - Brasil
IIIPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC-RS - Brasil

 

 


RESUMO

A palavra constitui-se como elemento substancial da teoria e prática psicanalíticas, tanto em seu potencial enunciador como em suas possibilidades elaborativas. Frente ao domínio devastador da pulsão de morte e da impossibilidade de representação do excesso pulsional, tem-se o impasse de (im)possíveis narrativas. Este artigo tem o objetivo de problematizar a função da palavra no trabalho psíquico de captura e ligação das intensidades pulsionais. A narrativa se mostra como uma via possível de contenção e criação de historização do vivido. Logo, a posição ativa do sujeito frente à palavra pronunciada possibilita (re)compor enlaces e produzir caminhos associativos, evocando construções psíquicas produtoras de significação que rompem o predomínio tanático da repetição. As experiências narrativas se transformam, portanto, em resistência necessária e vital frente ao danoso da irrepresentabilidade pulsional.

Palavras-chave: narrativas, psicanálise, pulsão de morte.


ABSTRACT

The word is a substantial element in the psychoanalytical theory and practice, both as an enunciating potential and its elaborative possibilities. Given the devastating domain of the death instinct and the impossibility to represent the instinctual excess, the impasse of (im)possible narratives appears. This article aims to discuss the role of the word in the psychic work by capturing and bonding the instinctual intensities. The narrative shows to be a possible path for containment and creation of the historicizing from the lived. Then, the active position of the subject before the word pronounced enables to (re)compose links and to produce associative paths. This way, it becomes possible to evoke psychic constructions producers of significance which blocks the thanatic prevalence of the repetition. Therefore, narrative experiences turn into a necessary resistance and vital before the harmful of instinctual unrepresentability.

Keywords: narratives, psychoanalysis, death instinct.


 

 

O que está em questão para a psicanálise são as
condições de sua própria práxis, cuja constituição
remonta à possibilidade de apalavrar o mal-estar.

(Canavêz & Herzog, 2011, p. 113)

 

Introdução

A palavra, a partir de seu valor para a psicanálise, pode ser considerada um elemento balizador do singular acesso às produções do inconsciente. Sintomas, atos falhos, chistes e sonhos são produtos psíquicos que, mediados pela palavra, mostram como ela não apenas oferece a revelação de um sentido oculto, mas, também, pode favorecer a criação de sentidos. Kupermann (2012) discorre sobre a palavra como ferramenta central na constituição do corpus teórico e técnico da Psicanálise. Para o autor, o campo psicanalítico é constituído pela palavra sob três perspectivas: de quem fala, do que se fala e a quem se fala. No processo que envolve essas três dimensões se dá o surgimento da terapêutica freudiana, sendo, portanto, imprescindível reconhecer o potencial enunciador e elaborativo da palavra.

Nesse sentido, a indicação da palavra como instrumento substancial da prática psicanalítica se faz presente no texto freudiano "Tratamento psíquico (ou anímico)" de 1905. Esse artigo revisita as articulações que Freud (1905/1996) construiu entre palavra e Psicanálise, reconhecendo que o tratamento de padecimentos psíquicos encontra-se, fundamentalmente, mediado pelo discurso. Referindo-se, inicialmente, ao uso sugestivo da palavra o autor descreve, na sequência, seu desapontamento com a técnica hipnótica, ao mesmo tempo que reafirma a magia das palavras e seu poder curativo. Nesse texto podem-se encontrar subsídios iniciais para a concepção de que é a palavra do sujeito e não a do analista que detém um saber sobre o seu próprio sofrimento.

A importância da mudança técnica freudiana, essencialmente marcada pelo abandono definitivo da hipnose, é reconhecida por Macedo e Falcão (2005) no sentido da valorização de uma posição ativa do sujeito frente à palavra pronunciada no processo de análise. As autoras percorrem a história do método psicanalítico e, assim, constatam uma dupla função das palavras: "produzem primeiro descargas e depois associações" (Macedo & Falcão, 2005, p. 65). É essa transformação da função da palavra no cenário clínico que permite, também, acompanhar a complexidade teórica da Psicanálise. Assim, desde uma concepção de psiquismo no qual impera a busca pela descarga, no modelo de arco reflexo, a outra, mais complexa, em que a intensidade pulsional é capturada e transformada mediante importante trabalho psíquico, a palavra e sua função no espaço clínico acompanha importantes transformações metapsicológicas.

Essa concepção original do psiquismo movido por ações de descarga no objetivo único de redução da perturbadora força das excitações leva à dominância do princípio do prazer como regulador do funcionamento psíquico. Na apresentação e aprofundamento sobre a temática das pulsões, Freud (1915/2004) inaugura importante produção textual sobre os conceitos metapsicológicos. A complexidade da temática da pulsão vai tendo desdobramentos nos ensaios metapsicológicos posteriores cuja pujança, também, conduz a importantes alterações em relação à proposição de aparelho psíquico.

Mediante consequências nefastas e frente à produção de fenômenos singulares, como os sonhos traumáticos e as neuroses traumáticas, por exemplo, devido ao impacto atroz da Primeira Grande Guerra, uma nova teoria do dualismo pulsional é formulada por Freud (1920/1996). A partir dessas novas considerações, ele constata que a ação pulsional se dá para além do princípio do prazer e expressa, assim, a impossibilidade de este princípio dar conta da dinâmica pulsional. Logo, o conceito de pulsão de morte impõe-se e tensiona tanto o campo teórico, quanto a técnica e a clínica psicanalíticas.

Na leitura sobre esse segundo dualismo pulsional na obra freudiana, Asnis, Werlang, Macedo e Dockhorn (2012, p. 24) sublinham que a virada pulsional de 1920 traz o confronto com o efeito traumático do excesso de intensidades e a dimensão destrutiva e agressiva do humano. Os autores indicam que "Freud demarca a contraposição dessa pulsão [a pulsão de morte], às pulsões de vida, que tendem a agregar-se, contemplando o princípio da ligação, gerando complexizações". Tal afirmativa, a partir da compreensão dos autores, principia o entendimento das modalidades pulsionais autônomas, as quais, por serem independentes da condição representacional, operam de forma invisível e silenciosa.

Sendo o aparelho psíquico concebido por Freud na complexa articulação entre intensidades e representações e compreendendo o acesso à palavra como um investimento psíquico na representação, questiona-se: há possibilidades narrativas frente ao impacto da força da pulsão de morte? Diante do excesso da lógica traumática, onde se localizam os limites do discurso? Quais as condições necessárias para operar uma transformação no caráter disruptivo próprio das manifestações da pulsão de morte? É possível constituir uma narrativa do excesso? A partir dessas indagações e de uma proposta de ampliação da capacidade enunciadora e produtora de sentido da palavra para além do campo clínico, este artigo tem o objetivo de problematizar o status da palavra em Psicanálise e sua função narrativa como importante condição de resistência ao danoso aspecto da irrepresentabilidade pulsional.

 

O excesso pulsional e suas (im)possibilidades de representação

Pode-se afirmar que uma das grandes descobertas de Freud no desenvolvimento da Psicanálise foi constatar a complexidade das forças impulsionadoras que colocam o psiquismo em movimento. Na obra freudiana, parte-se de uma leitura sobre os estímulos externos, sua relação com o organismo e as possibilidades de evitação destes para, cada vez mais, explorar o que é da ordem de uma excitação interna e da qual não se pode fugir. Birman (2009), ao fazer um percorrido na teoria freudiana das pulsões, enfatiza a diferenciação entre excitações exógenas e endógenas. Freud (1915/2004) demarca, em seu texto sobre as pulsões, que as excitações fisiológicas são estímulos externos e causam um impacto momentâneo cuja eliminação se dá sempre de forma única: via descarga pela ação reflexa. As pulsões, no entanto, são excitações provenientes de marcadores, tanto somáticos como psíquicos, que insistem e persistem na pressão, exercendo uma força de tamanha intensidade que exige modalidades mais complexas de satisfação (Birman, 2009).

Assim, a tarefa do aparelho psíquico é lidar com os estímulos, ou seja, dar conta das excitações pulsionais enlaçando-as a representações e afetos e sujeitando-as ao campo dos sentidos e da linguagem. Birman (2009) aponta que nessa perspectiva freudiana encontram-se as condições de enunciar como finalidade do psiquismo o domínio e a captura das excitações pulsionais de modo a inscrevê-las como representantes psíquicos. Essa trajetória leva à construção de novas vias teóricas e técnicas que permitem relacionar a palavra ao circuito pulsional.

Para compreender o trabalho de ligação da pulsão, faz-se necessário abordar a temática da representação. Nesse sentido, não parece possível acompanhar o desenvolvimento freudiano sobre aparelho psíquico sem fazer referência à representabilidade da pulsão. Sabe-se que, inicialmente para Freud, o funcionamento psiquismo encontra-se regido por um imperativo de descarga frente ao acréscimo de tensão ocasionado por excitações que não admitem formas de escape. No complexo e gradativo processo de construção do aparelho psíquico, descargas intensas e imediatas - regidas por processos primários - vão cedendo espaço à possibilidade de remanejar e postergar a descarga/satisfação - via processo secundário. Tal evolução atesta que o psiquismo tem o trabalho de processar a pulsão que é pura intensidade, de modo a transformá-la em representantes da pulsão (Birman, 2009).

Ao propor uma discussão sobre a questão da representabilidade, Macedo, Werlang e Dockhorn (2008) indicam o fato de a representação exercer uma função de contenção. Ou seja, o imperativo de descarga pulsional, ao ser passível de representação, é contido e sua tramitação oportuniza o trabalho de ligação da pulsão a um representante, conduzindo a novos e mais complexos caminhos de investimento da energia pulsional. As autoras assinalam que "as representações pulsionais são, assim, a possibilidade que o aparelho psíquico tem, de alguma forma, de lidar com as pulsões e suas intensidades" (Macedo, Werlang & Dockhorn, 2008, p. 75).

Nessa perspectiva, distintos modos de organização das representações vão conduzindo a arranjos psíquicos e representacionais mais complexos, dando origem ao campo simbólico. Steffen (2012, p. 86), numa discussão sobre a pulsão e seu percurso, compreende que "não ocorre apenas uma ligação da energia pulsional à representação, fixando a carga a determinadas representações, mas também uma ampliação e interligação do conjunto psíquico". Esse trabalho de conexão da pulsão a uma representação, produto da metabolização psíquica das intensidades, relaciona-se à capacidade enunciativa do sujeito que profere a palavra. Para Macedo, Werlang e Dockhorn (2008, p. 79) "as intensidades precisam ser nomeadas para que possam, posteriormente, ser enlaçadas e capturadas pelo universo da palavra". O sujeito psíquico passa a ser pensado, então, como enunciador de palavras que ao serem proferidas traduzem o desejo que pulsa e pode ser desconhecido ao próprio enunciador. A constante força pulsional e a impossibilidade de fuga diante desta introduzem importantes elementos no campo psicanalítico: a exigência de trabalho imposta pela pulsão ao psiquismo e a demanda à capacidade de simbolização.

O texto freudiano sobre as pulsões especifica, inicialmente, que a atividade psíquica se encontra submetida à lógica do princípio do prazer, mediante a qual um aumento das excitações causa sensações desprazerosas enquanto o prazer advém de sua redução. Freud (1915/2004, p. 149) ainda constrói a hipótese "de que todas as pulsões são qualitativamente da mesma espécie e de que as diferenças de seus efeitos se devem às magnitudes de excitações que cada pulsão veicula ou, talvez, a certas funções dessa quantidade". Observa-se, então, que o autor já considerava a dimensão econômica do psiquismo, questionando-se sobre o destino singular do excesso pulsional.

A esse respeito, Fortes (2010) indica que o entendimento freudiano do princípio do prazer como descarga enfatiza a presença desconfortável de grandes quantidades de estimulação demandantes de alívio. Para a autora, "o aparelho psíquico tem como função primordial a dominação dos estímulos, constituindo-se como um sistema de captura do excesso pulsional" (Fortes, 2010, p. 18). Fortes (2008) relaciona tal captura às possibilidades psíquicas de ligação desse excesso pulsional e assinala que esse processo nunca é totalizante, de modo que o excedente exige do psiquismo, de forma contínua, exercer um trabalho de ligação. Nessa perspectiva, o processamento da pulsão por parte do aparelho psíquico ocorre via ligação da energia circulante de modo a torná-la assimilável.

A atenção freudiana dedicada ao excesso pulsional e sua exigência ao psiquismo possibilita a abertura para construções teóricas posteriores que enfatizam cada vez mais, desde um ponto de vista econômico, o efeito de tanáticas intensidades pulsionais no psiquismo. Nesse sentido, o ano de 1920 pode ser considerado uma data marcante na história da Psicanálise. Com a publicação de "Além do princípio do prazer", Freud (1920/1996) estabelece uma nova compreensão da dinâmica do aparelho psíquico ao admitir a existência de demoníacas forças pulsionais, sem representação, que estão sob a égide de um funcionamento não mais regido pelo princípio do prazer. Nesse texto, o autor descreve a existência de pulsões que, de tão intensas, não se submetem à lógica prazer-desprazer e escapam ao campo representacional, revelando o potencial mortífero e destrutivo da pulsão.

Assim, a partir de 1920, os subsídios sobre o excesso pulsional marcam a amplitude da noção de trauma ao convocar outros elementos à discussão. Trata-se da imperativa inserção da noção de pulsão de morte e do fenômeno da compulsão à repetição no corpo teórico psicanalítico, indicando a existência de intensidades no campo pulsional que não se deixam representar e que demandam à escuta complexas e singulares modalidades de padecimento psíquico.

O debate acerca da capacidade representacional do psiquismo convida, portanto, a pensar sobre os recursos psíquicos frente ao excesso pulsional, bem como sobre as configurações patológicas decorrentes do predomínio de conteúdos desligados. Nessa perspectiva, a proposta freudiana de compreensão do psiquismo a partir do modelo da vesícula viva, cuja membrana exerce uma função de camada protetora, aponta para uma dimensão traumática causada pela quantidade excessiva de estímulos que rompem a proteção e penetram no aparato psíquico de modo a paralisar o princípio do prazer, revelando, dessa forma, o despreparo da vesícula em conter o intenso afluxo de energia. Freud (1920/1996, p. 40) descreve, portanto, "como 'traumáticas' quaisquer excitações provindas de fora que sejam suficientemente poderosas para atravessar o escudo protetor". Diante da insuficiência psíquica de fazer frente ao impacto traumático, produz-se uma falha na possibilidade de inscrição psíquica das intensidades pulsionais. Assim, a urgência em livrar-se da tensão ocasionada pelo excesso de excitação demarca desdobramentos traumáticos decorrentes da não captura da intensidade no universo representacional.

O fracasso nas tentativas de ligação e de tradução das forças pulsionais obriga o psiquismo a repetir conteúdos que nunca estiveram sob a regência do princípio do prazer e que não puderam ser simbolizados, submetendo o sujeito ao domínio da compulsão à repetição. Santos e Fortes (2011, p. 761) situam tal repetição em "uma região psíquica onde não há possibilidade de ligação" e, portanto, se faz ausente a condição de representação e de produção de sentido. A complexidade teórica revelada em 1920 alterou a visão de sujeito psíquico e instigou a produção de estudos posteriores sobre a pulsão de morte e seus destinos clínicos e sociais. Se, por um lado, observam-se críticas e polêmicas sobre a conceitualização freudiana da pulsão de morte, faz-se necessário reconhecer sua presença e sua incontornável contribuição à abordagem contemporânea do padecimento humano (Asnis, Werlang, Macedo & Dockhorn, 2012).

 

Do ato à palavra: a narrativa do trauma e a criação de sentidos

Observa-se que a temática do excesso segue convocando a Psicanálise a teorizar acerca de suas manifestações nos modos contemporâneos de subjetivação. Gaspar, Lorenzutti e Cardoso (2002) contribuem com essa discussão indicando que o impacto traumático, produto de uma vivência de excesso, tende a se apresentar e não a se representar. Tal constatação refere-se às manifestações decorrentes da derrocada do trabalho psíquico de representação e de tradução das intensidades pela via da palavra, encenando-se no ato. Fortes (2008) discorre sobre a dimensão do excesso no sofrimento contemporâneo, reconhecendo neste a presença de sintomatologias ligadas a uma descarga que se atualiza no corpo, o que denota a carência de condições de elaboração psíquica.

Ao produzir reflexões sobre o sujeito na contemporaneidade, Birman (2012) apresenta a concepção de que a trama social atual é composta por individualidades marcadas pelo excesso, dimensão que presentifica a dor e o trauma. Para o autor, "o excesso está no fundamento do mal-estar contemporâneo" (Birman, 2012, p. 96), no qual se observa uma diminuição da capacidade de regulação psíquica das intensidades e a consequente materialização do excesso no corpo e na ação. Assim, o sujeito contemporâneo é considerado um sujeito impelido a agir de forma repetida numa tentativa de isolar e controlar desesperadamente a irrupção pulsional, tendo sua conduta marcada pela compulsão à repetição. Birman (2012) considera a passagem ao ato como um protótipo do padecimento dos tempos atuais, indicando-a como resultado da fragilidade e, muitas vezes, da ausência dos processos de simbolização. Tal modalidade de mal-estar é fruto, segundo o autor, do colapso dos registros do pensamento e da linguagem, considerados registros mais nobres do psiquismo, sendo que a linguagem perde seu poder simbólico e de mediação das intensidades.

Nessa perspectiva, Rocha, Paravidini e Silva Júnior (2014, p. 809) apontam a passagem ao ato como uma modalidade defensiva frente ao transbordamento pulsional. Para os autores, o sujeito contemporâneo é empobrecido de linguagem porque "age incessantemente, mas não produz história. O psiquismo transborda pelas bordas do corpo, que, em contrapartida, passa a agir desenfreadamente", demarcando o terreno da compulsão à repetição. Diante de tais sofrimentos caracterizados por falhas na capacidade de representação de um psiquismo que pouco elabora, observa-se o triunfo do ato sobre a palavra. Anteriormente, Birman (2003, p. 27), já havia anunciado sua preocupação com a ausência de mediação psíquica e discursiva das intensidades, afirmando que "a linguagem se empobrece a olhos vistos [...]. Com efeito, o registro metafórico daquela se faz cada vez mais pobre, na medida em que a dimensão informacional do discurso esvazia a sua dimensão simbólica".

Sendo o ato considerado uma expressão de dor psíquica, o efeito devastador da compulsão à repetição convoca a Psicanálise a construir intervenções na busca de resgatar o sujeito submerso na produção de atos. A pertinência de tais intervenções sustenta-se no necessário contraponto entre o excesso produtor de uma condição de devastação e a potencialidade narrativa como via de contenção de intensidades disruptivas. Assim, é no estímulo às condições que favorecem e inauguram a representabilidade da dor que a função narrativa adentra o cenário e resgata o sujeito do aprisionamento compulsivo ao ato. Nessa perspectiva, Maldonado e Cardoso (2009, p. 50) destacam que "para que esta narrativa seja possível, é preciso que seja feita a partir de algo que pôde ser conservado da experiência traumática". Essa alusão à condição de conservar algo da experiência pode ser relacionada ao proposto por Maia (2003) acerca da dupla face do traumático, a saber, a produção de efeitos subjetivantes ou dessubjetivantes.

Assim, na direção dos argumentos apresentados neste artigo, constata-se que o trauma, a partir de seus efeitos, evidencia também duas possibilidades como destino: a devastação que extingue o sujeito em sua função ativa de produção de atos versus a contenção narrativa que maneja intensidades e cria condições de atribuição de sentido ao experenciado. Assim, recupera-se a afirmativa de Maia (2003, p. 4) sobre o fato de que "o episódio traumático se dá no limite das possibilidades de narrativa". Ao fomentar o recurso à narrativa, expande-se o limite e dá-se maior possibilidade de que a intensidade, ao invés de rompê-lo, passe a ser contida por ele. As palavras revestem as intensidades na medida em que cumprem a função de " apalavrar o mal-estar" (Canavêz & Herzog, 2011, p. 113). Logo, a relação entre conteúdos não representáveis e sua necessária inscrição psíquica via linguagem assinala um impasse: as narrativas do excesso são impossíveis e, ao mesmo tempo, altamente necessárias (Maldonado & Cardoso, 2009). Impasse este que a Psicanálise não se furta a enfrentar.

Esse paradoxo que indica a necessidade de instaurar tentativas de nomear o inominável é explorado por diversos autores (Conte, 2014; Maia, 2003; Maldonado & Cardoso, 2009; Moraes & Macedo, 2011; Perrone & Moraes, 2014; Seligmann-Silva, 2008), os quais assinalam tanto a dimensão traumática do excesso decorrente de uma modalidade de sofrimento indizível como as possibilidades de intervenção nessas condições. Na situação traumática, o sujeito se vê incapaz de empreender ações para dominar a excitação, revelando sua condição de passividade (Laplanche & Pontalis, 2001). As marcas psíquicas decorrentes dessa incapacidade de reação evocam a noção de exclusão subjetiva, indicando que o sujeito "sai de cena quando é tomado de assalto por uma vivência de trauma" (Fonseca, 2007, p. 233). O enlace entre trauma e passividade permite pensar que a saída da condição traumática se encontra na tomada de uma postura ativa do sujeito frente ao impacto do excesso.

Assim, instigar no sujeito a ação de implicar-se no efeito psíquico do excesso viabiliza o necessário processo psíquico de simbolização, no qual o assujeitamento dá lugar a uma nova temporalidade que lhe permite incluir o evento traumático ao fluxo corrente dos demais acontecimentos da vida, conforme apontamentos de Seligmann-Silva (2008). O autor considera que, frente a uma vivência radical de violência desencadeante de uma privação da capacidade de narrar, a prática do testemunho, enquanto veículo de compartilhamento de experiências, se apresenta como qualidade requerida para a sobrevivência subjetiva. Nessa perspectiva, para Moreno e Coelho Junior (2012) o trauma impõe ao psiquismo uma demanda de trabalho. Os autores indicam que o trabalho do trauma tem, essencialmente, o mesmo ofício da pulsão: realizar um trabalho de ligação. Assim, uma condição atuante frente ao excesso do trauma envolve a possibilidade de falar. A palavra possibilita a realização de conexões criativas e subjetivantes, possibilitando a promoção de diferentes modos de resolução do traumático.

O questionamento levantado por Perrone e Moraes (2014) sobre como produzir vias de criação na repetição intima a pensar nas condições do psiquismo para encontrar novas possibilidades de (re)compor enlaces e viabilizar a transformação do indizível em testemunho. A concepção psicanalítica apresentada por Hornstein (2013) do aparelho psíquico como um sistema aberto e complexo, capaz de sofrer transformações e se complexificar a partir de influências provenientes tanto da história pretérita, quanto dos acontecimentos atuais auxilia na compreensão dessas proposições. Hornstein (2013) indica que um sistema aberto tem a capacidade de transformar intrusões desorganizantes em reorganizações de maior complexidade. Na perspectiva do autor, a complexidade do aparelho psíquico é definida pela sua capacidade de converter traumas em informação. Nesse sentido, o impacto do excesso pode produzir novos caminhos associativos de modo a preservar a vitalidade do aparelho psíquico. Para o autor, levar em conta a complexidade dos fenômenos humanos e da própria constituição psíquica significa seguir o legado freudiano de valorizar deslocamentos e inconstâncias como produtores de sentidos inéditos e, consequentemente, de complexificação.

Pode-se, portanto, evidenciar a elasticidade do aparelho psíquico nas ocasiões em que uma vivência de excesso traumático convoca à narrativa e evoca construções psíquicas operantes produtoras de sentido e significação (Maia, 2003). Com base nos apontamentos de Garcia-Roza (1999), Asnis, Werlang, Macedo e Dockhorn (2012, p. 29) indicam, na pulsão de morte, uma dimensão intensiva de criação: "a pulsão de morte com seu princípio disjuntivo deve ser concebida, também, como potência criadora, uma vez que desfaz as formas constituídas, permitindo a emergência - se houver recursos psíquicos para tal - de novas organizações". Nesse sentido, Rodrigues e Martinez (2014, p. 864) apontam a necessidade de um trabalho de tradução do traumático, acreditando que, "há sempre, em algum nível, algum tipo de tradução possível, pois, do contrário, uma paralisação do psiquismo impediria a criação de qualquer narrativa". Tal tradução possibilita constituir uma nova posição subjetiva, uma quebra do assujeitamento instaurado diante do excesso, uma tomada de si como sujeito enunciador, reafirmando a sinalização freudiana acerca das indissociáveis articulações entre a palavra e a Psicanálise.

 

Recurso à narrativa: a atividade da palavra

Estudos sobre narrativas (Ferreira & Grossi, 2002; Lo Bianco, Costa-Moura & Solberg, 2010; Pires, 2014; Vieira, 2001) apontam para uma perspectiva interdisciplinar na compreensão das tessituras entre os conceitos de experiência e linguagem. O principal ponto de convergência entre esses dois elementos situa-se na afinidade entre construção narrativa e conhecimento (Pires, 2014). A narrativa é compreendida, nesse sentido, como possibilidade de acesso ao conhecimento, pois, ao ultrapassar a mera produção de um relato, a narrativa veicula o conhecimento de si. A partir dessas considerações, compreende-se que a linguagem oportuniza construir e reconstruir uma experiência, pois, além da capacidade de realizar a transmissão de um acontecimento, a narrativa transforma o acontecimento em experiência (Lo Bianco, Costa-Moura & Solberg, 2010).

As narrativas, para Ferreira e Grossi (2002, p. 121) "mobilizam um outro universo, emaranhado portador de memória e de experiência do vivido. Criam disponibilidade para o encontro e a presença. Asseguram o vínculo entre o sujeito e o mundo". Os autores assinalam que essa potencialidade da narrativa permite a reterritorialização do vivido ao alocar a experiência em outro espaço de significação e produção de sentido. O sentido, dessa forma, não se constrói pela reprodução do acontecimento, mas sim pela construção do vivido por meio de palavras. Tal noção evoca a ausência da repetição e a criação do denominado por Pires (2014) como experiências de linguagem. O autor destaca, nesse contexto, a singularidade dessas experiências no "próprio movimento do sujeito em um processo de criação-nomeação do mundo. Nesse movimento itinerante, a linguagem é o espaço em que o sujeito diz o seu eu como condição de sua historicidade" (Pires, 2014, p. 826). Evidencia-se, assim, a marca do narrador impressa na narrativa quando se faz sujeito nas palavras.

Ao tomar-se, portanto, como efeito do excesso traumático a ausência de atribuição de sentido por parte do sujeito, fruto da incapacidade psíquica de metabolização de tamanha intensidade, busca-se compreender, a partir da perspectiva psicanalítica, o recurso à narrativa como possibilidade de um novo posicionamento do sujeito em relação ao vivido. As contribuições de Hornstein (2008) anunciam que o sujeito, para a Psicanálise, é um historiador que se apropria do passado e o transforma, criando novas âncoras no presente. A função de tal historicidade, para o autor, se dá na conversão do sujeito em protagonista de si mesmo. O protagonismo, nesse sentido, envolve a construção de uma narrativa sobre a experiência que implica o sujeito naquilo que é contado, desvelando a atividade da palavra.

O processo de historização é abordado por Bleichmar (1994, p. 61), no sentido de que "o que não é possível de ser historizável deverá encontrar um modo de ligação e de ressimbolização se pretendermos que o objeto não fique sempre entregue à compulsão de repetição, quer dizer, ao exercício da pulsão de morte". Rolfo, Slucki, Toporosi, Waisbrot e Wikinski (2005) discutem o papel da Psicanálise no processo de ressignificação frente às experiências de catástrofes sociais e marcam a necessidade de romper a teia de repetição, dando espaço para o aparecimento do novo, do ainda sem fazer. Na contramão da devastação psíquica, os autores traçam o trabalho intersubjetivo de produzir novas versões da experiência como o elemento que possibilita recuperar as vozes organizadoras do discurso, pondo em ação uma verdadeira batalha contra a falta de palavras. Tal combate deve ser empreendido, segundo os autores, para oportunizar uma abertura do pensamento ao até então impensável, abrindo o acesso a enunciados até então indisponíveis.

Ao reconhecer a impossibilidade de nomear vivências traumáticas, Perrone e Moraes (2014) compreendem a prática do testemunho como um caminho possível de subjetivação na medida em que possibilita o fazer história pela via da criação. Fazer história significa transmitir uma experiência, "recriá-la, criar formas e voz para a 'experiência muda'" (Perrone & Moraes, 2014, p. 33). Assim, conforme as autoras, nas circunstâncias em que há testemunho, há, também, escuta. Nesse sentido, a dimensão da alteridade configura-se como uma expansão da esfera do dizer-se. Para as autoras, "ao ouvir-se, o sujeito integra em uma nova série psíquica aquilo que sente alheio a si mesmo" (Perrone & Moraes, 2014, p. 41). A saída de uma condição de assujeitamento frente ao vivido para recuperar uma posição subjetiva, na qual o sujeito pode reconhecer-se no próprio discurso e produzir uma outra versão da experiência, oportuniza a regulação das intensidades e a consequente quebra na cadeia de repetição.

O compartilhamento de uma experiência via testemunho evoca essa perspectiva alteritária, já que uma narrativa é sempre direcionada ao externo. Seligmann-Silva (2008), num estudo sobre a questão do testemunho em catástrofes, indica que a operação de contar uma história sobre a experiência vivida está intimamente relacionada à questão da sobrevivência. Só presta testemunho quem sobreviveu à catástrofe, da mesma forma que o testemunho oferece condições à sobrevivência psíquica, visto que a narrativa se configura como a possibilidade de estabelecer uma ponte com o outro que escuta. Nessa mesma perspectiva, Perrone e Moraes (2014, p. 39), contribuem afirmando que "a vantagem do encontro entre testemunho e escuta é precisamente a possibilidade de construir tramas de sentido". Assim, endereçar uma narrativa ao outro implica certo esforço para fazer-se entender, para fazer-se compreensível na linguagem. É essa dinâmica que marca presença e permeia a obra freudiana desde seu início. Ao escutar a histeria, os desdobramentos do efeito na escuta permitem a Freud ir além do não dito nos sintomas somáticos e descortinar toda a complexidade de um sujeito regido pelo inconsciente.

 

Considerações finais

Ao recuperar-se o início da história da Psicanálise, constata-se a construção inovadora de alternativas à observação laboratorial. A partir da escuta da palavra de um sujeito ativo que associa rompe-se com a necessidade de assistir para crer no que acontece. A palavra de um sujeito sobre sua experiência dá testemunho inquestionável da diferença entre fatos e realidade psíquica. Nessa perspectiva, a efetividade terapêutica da linguagem evidencia-se como condição inicial da Psicanálise, apontada desde 1905. Observa-se que a palavra se mantém como um elemento de invariante valor para essa disciplina, visto que a Psicanálise segue posicionada a favor de um trabalho que visa possibilitar ao sujeito condições de nomear a dor psíquica. A palavra, portanto, ao enunciar um sofrimento, legitima o direito de um sujeito criar vias de sentido para seu mal-estar.

Nessa perspectiva, implicar o sujeito no destino singular dos acontecimentos, de modo a resgatá-lo de uma condição de assujeitamento, inaugura a possibilidade de ressignificar uma experiência causadora de sofrimento psíquico. Tal condição é alcançada pela via da palavra, visto que é no universo da linguagem que o sujeito enuncia-dor se torna o elemento central e insubstituível. Ora, se o traumatismo paralisa o tempo e inviabiliza a tramitação psíquica da experiência, a palavra é o veículo que permite revisitar o passado para tecer no presente uma narrativa que abra condições, via mobilidade do tempo e dos investimentos, ao devir do sujeito. A circulação da palavra na produção narrativa faz compreender que se trata de uma história viva, de um processo de historização não acabado que vai sendo construído na medida em que acontece e, por isso, fornece infinitas possibilidades de sentido.

Assim, frente a uma vivência de excesso que resiste a fazer-se e a deixar-se representar, faz-se necessário empreender esforços de tramitação por caminhos subjetivos que permitam a necessária representação do irrepresentável. É preciso fomentar, portanto, tentativas de ligar e dominar o excesso traumático, descortinando formas de intervir no circuito pulsional de modo a tornar suas intensidades assimiláveis ao sujeito psíquico. Dar lugar à palavra é colocar o sujeito psíquico no lugar central de produtor das genuínas e autônomas condições de enfrentamento ao duro emudecimento gerado nas traumáticas experiências que escapam ao enlace do sentido.

 

 

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Artigo recebido em: 12/10/2014
Aprovado para publicação em: 21/01/2015

 

 

*Professora Assistente do Curso de Psicologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Docente do Curso de Psicologia das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT), Doutoranda em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
**Psicanalista, Doutora em Psicologia, Professora Titular da Graduação e da Pós-Graduação do Curso de Psicologia da Escola de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
1Este trabalho é parte integrante de uma pesquisa de doutorado realizada com o apoio financeiro da CAPES.

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