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Jornal de Psicanálise

versão impressa ISSN 0103-5835

J. psicanal. vol.56 no.105 São Paulo jul./dez. 2023  Epub 26-Ago-2024

https://doi.org/10.5935/0103-5835.v56n105.07 

Artigo

A violação do ser: Reflexões sobre psicanálise e homossexualidade com base no filme Close1

La violación del ser: reflexiones sobre el psicoanálisis y la homosexualidad a partir de la película Close

The violation of the self: reflections on psychoanalysis and homosexuality from the movie Close

La violation de l’être : réflexions sur la psychanalyse et l’homosexualité à partir du film Close

Alexandre Patricio de Almeida2 

2Psicanalista. Mestre e doutor em Psicologia Clínica pela PUC-SP, é autor de diversos artigos científicos e livros, entre eles, Perto das trevas: a depressão em seis perspectivas psicanalíticas (Almeida, 2022) e Por uma ética do cuidado: Winnicott para educadores e psicanalistas (Vol. 2; o Vol. 1 é sobre Ferenczi) (Almeida, 2023), ambos pela Blucher. Criador dos podcasts “Psicanálise de boteco” e “Caro estudante de psicanálise”. São Paulo


Resumo

No presente artigo explora-se a delicada intersecção entre psicanálise e homossexualidade, com ênfase nas ideias de Donald Winnicott sobre o “falso self”. Através da lente do filme Close (2023), o texto aborda as lutas internas e o sofrimento psíquico enfrentado por dois jovens adolescentes, resultantes das expectativas e pressões sociais que produzem uma legítima violação do ser. A teoria winnicottiana revela que, em resposta a ambientes falhos ou controladores, um indivíduo pode desenvolver um falso self para se proteger e atender às demandas externas. Esta proteção, no entanto, pode levar a uma desconexão interna profunda - gerando angústias da ordem do indizível. O artigo destaca, por fim, a necessidade urgente de avançar na psicanálise para abordar o sofrimento psíquico específico dos homossexuais, assegurando a sua continuidade de ser.

Palavras-chave: Winnicott; cinema; homossexualidade; falso self; psicanálise

Resumen

Este artículo explora la delicada intersección entre el psicoanálisis y la homosexualidad, con énfasis en las ideas de Donald Winnicott sobre el “falso yo”. A través del lente de la película Close (2023), el texto aborda las luchas internas y el sufrimiento psíquico que enfrentan dos jóvenes adolescentes, resultado de expectativas y presiones sociales que producen una legítima violación del ser. La teoría de Winnicott revela que, en respuesta a entornos defectuosos o controladores, un individuo puede desarrollar un yo falso para protegerse y satisfacer demandas externas. Esta protección, sin embargo, puede conducir a una profunda desconexión interna, generando angustias del orden de lo indecible. Finalmente, el artículo destaca la urgente necesidad de avanzar en el psicoanálisis para abordar el sufrimiento psíquico específico de los homosexuales, asegurando su continuidad de ser.

Palabras clave: Winnicott; cine; homosexualidad; falso self; psicoanálisis

Abstract

This article explores the delicate intersection between psychoanalysis and homosexuality, with emphasis on Donald Winnicott’s ideas about the “false self”. Through the lens of the film Close (2023), the text addresses the internal struggles and psychic suffering faced by two young teenagers, resulting from expectations and social pressures that produce a legitimate violation of the being. Winnicottian theory reveals that, in response to faulty or controlling environments, an individual can develop a false self to protect themselves and meet external demands. This protection, however, can lead to a profound internal disconnection - generating anguish of the order of the unspeakable. Finally, the article highlights the urgent need to advance in psychoanalysis to address the specific psychic suffering of homosexuals, ensuring their continuity of being.

Keywords: Winnicott; cinema; homosexuality; false self; psychoanalysis

Résumé

Cet article explore l’intersection délicate entre la psychanalyse et l’homosexualité, en mettant l’accent sur les idées de Donald Winnicott sur le « faux self ». À travers l’objectif du film Close (2023), le texte aborde les luttes internes et les souffrances psychiques auxquelles sont confrontées deux jeunes adolescentes, résultant d’attentes et de pressions sociales qui produisent une violation légitime de l’être. La théorie winnicottienne révèle qu’en réponse à des environnements défectueux ou contrôlants, un individu peut développer un faux self pour se protéger et répondre aux demandes externes. Cette protection peut cependant conduire à une profonde déconnexion interne - générant une angoisse de l’ordre de l’indicible. Enfin, l’article met en évidence l’urgence de faire avancer la psychanalyse pour répondre à la souffrance psychique spécifique des homosexuels, en assurant leur continuité d’être.

Mots-clés Winnicott; cinéma; homosexualité; faux self; psychanalyse

Sobre ser em primeira pessoa: uma visão winnicottiana

Somos inimigos.

Inimigos com muralhas

De sombra sobre os ombros.

E sonhamos. Às vezes

Damos as mãos àqueles que estão chorando.

(os que nunca choraram por nós) (Hilst, 2018, p. 13)

O pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott afirma que “A vida de um indivíduo saudável é caracterizada tanto por medos, sentimentos conflituosos, dúvidas e frustrações, como por características positivas” (1967/2021, p. 21). Para ele, “o principal é que o homem ou a mulher sintam que estão vivendo a própria vida ...” (1967/2021, p. 29, grifo do autor). Nessa perspectiva, ele amplia a noção de sofrimento psíquico, atrelando-a à dimensão do ser e continuar sendo. Trata-se de uma compreensão de desenvolvimento em primeira pessoa - inaugurando, assim, um tema inédito no campo psicanalítico.

Curiosamente, essas considerações foram realizadas em um ensaio que recebeu o título de “O conceito de indivíduo saudável” (1967/1921). Para Winnicott, é importante que a gente possa receber, ao longo vida, uma quantidade suficiente de cuidados ambientais para realizarmos o nosso desenvolvimento pessoal de acordo com as nossas tendências herdadas. O resultado desse processo “é uma continuidade da existência, que se transforma num senso de existir, num senso de self e, finalmente, em autonomia” (Winnicott, 1967/2021, p. 29).

Caminhando nessa esteira, Thomas Ogden (2020) propõe que a linhagem winnicottiana encaixa-se em uma espécie de “psicanálise ontológica”, ou seja, preocupada com a questão do ser e da existência; enquanto a linhagem freudo-kleiniana estaria ligada à “psicanálise epistemológica”, isto é, relacionada ao conhecimento e à compreensão. Isso não significa dizer que essas duas linhagens representem dicotomias em nosso campo. Pelo contrário, para Ogden, as duas coexistem e se enriquecem mutuamente. São modos de pensar e de ser - são formas de “sensibilidades” clínicas, e não “escolas” de pensamento, conjuntos de princípios ou técnicas analíticas (Ogden, 2020).

Como fio norteador para este artigo, usarei as ideias de Winnicott que, na visão de Ogden, pertencem ao campo da psicanálise ontológica. Essa premissa será fundamental para embasar a minha discussão.

Pois bem, em quase todos os seus artigos, Winnicott apresenta e descreve estados de ser que antes dele não eram reconhecidos em nossa literatura. Por exemplo, o estado de “continuar sendo” - expressão constituída inteiramente por verbos (um substantivo verbal) e desprovida de sujeito -, que captura algo de um estado de ser, sem sujeito, muito precoce. Com o objetivo de aprofundar a compreensão dos leitores, acho essencial apresentar aqui, ainda que brevemente, a noção de desenvolvimento maturacional sob o olhar winnicottiano.

De acordo com Winnicott, para que o desenvolvimento do bebê “venha a ocorrer de forma saudável, este necessita ser realizado sempre em primeira pessoa” (Naffah Neto, 2019, p. 213, grifo do autor). De maneira análoga, podemos dizer que é preciso que o bebê seja o ator principal do seu destino. Também é verdade, entretanto, que, nos primórdios da vida, a criança só pode tornar-se responsável pelo seu destino a partir de uma experiência primária de ilusão, já que ele e a mãe estão numa condição de fusão; e o bebê, nesse sentido, não possui qualquer noção de tempo e espaço, pois encontra-se no estágio de dependência absoluta. Daí o famoso paradoxo winnicottiano: “o bebê cria o seio que está lá para ser encontrado”, expressão usada por Winnicott para representar a necessidade do sentimento de onipotência primordial que designa, aos poucos, a percepção de uma realidade subjetivamente percebida.

Sendo assim, o amadurecimento do indivíduo somente ocorrerá na presença de um ambiente suficientemente bom, capaz de sustentá-lo tanto física quando psiquicamente, dando formas e contornos às dimensões corpóreas e anímicas da criança. É apenas por meio desse apoio que o lactente pode ir elaborando imaginativamente as suas funções corporais e alocando, gradativamente, a sua psique no corpo (soma) - até alcançar, mais adiante, uma unidade psicossomática.

Portanto, em sua experiência individual, não existe qualquer pessoa real, pois o bebê e o ambiente são a mesma coisa; e é fundamental que assim seja. Por outro lado, nos períodos em que é atravessado por uma urgência instintual e sofre pequenas integrações espaciotemporais, um Eu evanescente emerge para desaparecer em seguida. Esses instantes são necessários para que, pouco a pouco, um Eu - uma identidade separada da mãe - possa ir adquirindo os seus próprios contornos, ainda que incipientes (Naffah Neto, 2019).

O mesmo processo repete-se na criação dos objetos e fenômenos transicionais - uma área intermediária que não é interna, nem tampouco externa -, embora, nesse período, a existência da segunda pessoa comece a se revelar lentamente (Naffah Neto, 2019). Winnicott designa esse tipo de objeto como a primeira posse não-Eu (Winnicott, 1971/2019), pois nele está presente, de alguma forma, uma estrutura primitiva separada do objeto externo. Cito-o:

Esses fenômenos transicionais podem ser permitidos ao bebê graças ao reconhecimento intuitivo, por parte dos pais, da tensão inerente à percepção objetiva, e não questionamos a criança quanto à subjetividade ou objetividade no momento em que existe o objeto transicional. (Winnicott, 1971/2019, p. 33, grifo meu)

Seguindo com o autor, os objetos transicionais deverão ser sempre escolhidos pela própria criança e nunca podem surgir como um produto da imposição dos pais; caso contrário, eles perderão o seu sentido. O infante escolhe, em primeira pessoa, aquilo que, simbolicamente, representará a transição entre a realidade subjetivamente percebida e a realidade objetivamente percebida - podendo ter a forma de ursinhos, fraldas, fronhas, cobertores, retalhos de pano etc. Cabe destacar que o “o objeto transicional do bebê passa por um desinvestimento gradual, especialmente a partir do desenvolvimento de interesses culturais” (Winnicott, 1971/2019, p. 34, grifo meu).

Nesse sentido, essa área intermediária da experiência não deve ser contestada quanto ao fato de pertencer à realidade interna ou externa (compartilhada). É preciso apenas que aceitemos o paradoxo, pois, durante o nosso existir, essa área será cultivada pelas experiências intensas ligadas à arte, à religião, à vida imaginativa e ao trabalho criativo - atividades imprescindíveis à saúde, diga-se de passagem.

Caso tudo ocorra bem, o bebê alcançará o estágio da concernência3 (stage of concern), em que é capaz de enxergar o outro como um semelhante - separado de si -, cujo corpo destrói em fantasia (sadismo oral). Esse movimento agressivo gera culpa e um desejo legítimo de reparação (Winnicott, 1960/2021). Aqui, podemos pressupor a existência de um Eu razoavelmente constituído - conquista que se espraia para uma intersubjetividade.

A função da mãe continua sendo de extrema relevância, pois será ela quem deverá sustentar os ataques impiedosos do bebê, possibilitando o surgimento das possíveis reparações. Através da sobrevivência da figura materna, a criança poderá incorporar ao self - com menos intensidade de culpa - os seus impulsos agressivos-destrutivos, característicos da existência humana.4 Aos poucos, a criança pode, finalmente, fundi-los aos impulsos eróticos que darão consistência às bases da sexualidade infantil. “A palavra que cabe aqui é ‘integração’, pois, se concebemos uma pessoa totalmente integrada, então ela assume plena responsabilidade por todos os sentimentos e ideias que fazem parte do ‘estar vivo’” (Winnicott, 1960/2021, p. 95, grifo do autor).

A primeira pessoa continua à frente da sua própria história, mas, lentamente, vai conhecendo as limitações impostas pela sociedade e pela cultura (Naffah Neto, 2019) - ação demarcada, sobretudo, desde o ingresso do indivíduo no complexo de Édipo. A essa altura do seu processo de amadurecimento, o sujeito já formou um falso self saudável, isto é, conseguiu pagar o preço necessário à vida social sem perder o contato com a riqueza do seu próprio mundo subjetivo - fonte preciosa de espontaneidade e criatividade.

Partindo dos apontamentos de Winnicott, podemos cogitar que:

Trauma significa quebra de continuidade na existência de um indivíduo. É somente sobre uma continuidade no existir que o sentido do self, de se sentir real, de ser, pode finalmente se estabelecer como uma característica da personalidade do indivíduo. (Winnicott, 1967/2021, p. 23, grifo meu)

O que ocorre, contudo, quando falhas ambientais produzem um congelamento do processo de amadurecimento com a criação de um falso self patológico que, por meio do mecanismo de cisão, passa a encobrir o self verdadeiro como uma espécie de escudo protetor? Quais são os impactos sobre o nosso psiquismo quando somos obrigados a nos adaptar às pressões sociais de violência e agressão que ditam as formas de ser e agir?

Não obstante, podemos afunilar o escopo dessas questões ao nos dirigirmos à infância e ao desenvolvimento psíquico de sujeitos homossexuais. Sabemos o quanto a nossa existência5 é constantemente invalidada pela sociedade desde as suas primeiras manifestações espontâneas. Nosso meio, cruel como ele só, apenas dita as regras, e quem não joga o jogo sofre na pele e na alma as marcas da exclusão. À guisa de exemplo, lembro-me de que, quando criança, o fato de eu não gostar de futebol, de carrinhos e de outras “brincadeiras de menino” fazia com que eu fosse frequentemente ignorado pelo meu grupo de amigos, além de me render incontáveis apelidos pejorativos. Somados a esses atos de violência (violação do ser), eu tinha de lidar com a indiferença dos professores e da escola, que, muitas vezes, não pareciam estar preocupados - isso tudo sem contar as piadas e comentários maldosos dentro do meu próprio círculo familiar.

Hoje, enquanto escrevo este artigo, penso: de que forma a clínica psicanalítica pode resgatar tais sujeitos que tiveram a sua linha existencial rompida?

Longe de tecer quaisquer respostas definitivas, pretendo apenas semear reflexões que possam nos tirar do lugar de comodismo e indiferença perante a dor e o silêncio das diversas vozes que vêm sendo brutalmente caladas ao longo da história. Para tanto, usarei como base o enredo do filme belga Close, lançado em 2023 no Brasil, dirigido por Lukas Dhont, que aborda o tema da violação do ser - ocasionada, principalmente, pelo legado potencialmente destrutivo de uma cultura machista, homofóbica e patriarcal que perdura entre nós, interrompendo o fio de inúmeras vidas.

Close: uma história sobre a violação do ser

você tem dores morando em lugares

em que dores não deveriam morar

(Kaur, 2017, p. 27)

O filme - talvez um dos mais belos e trágicos que já vi - se passa em uma área rural da Bélgica, rodeada por uma plantação de flores (dálias). Imediatamente, um aspecto técnico nos chama a atenção: o longa é todo produzido com enquadres no rosto dos personagens - talvez por isso o nome “Close” - e é constituído por poucos diálogos, mas densos e profundos.

Acompanhamos a história de dois meninos, Léo e Rémi, de 13 anos, que demonstram uma grande amizade, permeada de amor e cumplicidade. Sua afeição também se manifesta fisicamente de uma forma um tanto ou quanto “incomum” para os meninos, mas sem nenhum caráter erótico ou mesmo sexual visível; trata-se das grandes descobertas imprevisíveis da adolescência. Em alguns momentos, vemos que eles possuem o hábito de dormir um ao lado do outro na mesma cama, passeiam juntos e trocam confissões. A mãe de Rémi, Sophie, de quem ele é filho único, aceita essa relação sem quaisquer julgamentos e demonstra amar Léo como um segundo filho.

Depois de um verão tranquilo, enriquecido pelas alegrias simplórias da infância, os dois garotos iniciam o seu percurso em uma nova escola, onde a sua amizade admiravelmente próxima desperta reações e olhares de estranhamento. O ápice desse impasse pode ser percebido quando uma das colegas pergunta abertamente se os dois são um casal - pergunta que é seguida pelas risadas dos demais alunos. Léo nega veementemente, enquanto Rémi não comenta sobre isso. Notamos, contudo, que Léo passa a ficar extremamente inquieto com essa percepção externa e com o julgamento dos seus pares. Para não ser “considerado gay”, ele começa a se distanciar ostensivamente de Rémi, buscando novas amizades - demonstra até mesmo o interesse por jogar hóquei no gelo, um esporte categoricamente “masculino”. Desse momento em diante, ele decide excluir Rémi dessas atividades. No final, Léo recusa a proximidade de seu amigo, mesmo quando os dois estão sozinhos.

Rémi, por sua vez, fica emocionalmente desestabilizado, sentindo-se menosprezado, especialmente porque Léo se fecha para qualquer conversa sobre a separação dos dois, mesmo quando Rémi demonstra algumas tentativas de aproximação. Somos levados a mergulhar na dor do isolamento de Rémi, que se sente deslocado e constrangido - como um peixe fora d’água. Léo ainda gosta de Rémi, mas prefere deixar para trás aquela relação “próxima demais”; porém, não encontra um caminho comum que seja sustentável para ambos. Nenhum dos dois procura ajuda de pessoas em quem confiam - parecem ter vergonha de falar sobre o assunto com os pais e simplesmente optam por se isolar. A partir da eclosão desse conflito, desenvolve-se uma discussão violenta entre eles. Em seguida, Rémi reage com total retraimento; ele também se distancia de sua mãe, perde o apetite, tranca-se em seu quarto, e, depois de uma excursão escolar de que ele não participou, a classe é informada de que Rémi cometeu suicídio.

Léo sabe imediatamente que seu afastamento causou aquilo, mas não consegue falar com ninguém sobre o assunto, também durante o acompanhamento psicológico oferecido pela escola.

O fato de os colegas descreverem Rémi, nas rodas de conversa, como um menino feliz desencadeia uma oposição desafiadora e agressiva em Léo.

Ele tenta, ainda que em vão, eliminar as suas agonias internas, fugindo delas ou encobrindo-as no time de hóquei e no trabalho dos pais - a colheita de flores. Paralelamente, ele começa uma tentativa de amizade com outros alunos, mas percebe que esses laços não vão substituir o vínculo que ele mantinha com o seu querido amigo que partiu. Instintivamente ele sabe que tem de falar com Sophie, mas Léo não consegue dizer o que aconteceu com medo da sua reação. Como Rémi não mostrou sinais aparentes e tampouco deixou nenhum bilhete, Sophie não fazia ideia sobre o motivo que impulsionou a morte silenciosa do filho.

Apenas no início das próximas férias de verão, Léo reuniu forças para visitar Sophie em seu local de trabalho sem avisar. Enquanto ela o leva para casa no carro, ele deixa escapar que é tudo culpa dele, que ignorou Rémi e se afastou do amigo, negando-se a ouvi-lo quando ele mais precisava. Sophie se descontrola emocionalmente e pede para que Léo saia do carro. Desesperado, ele corre para a floresta. Alguns segundos depois, ela “volta a si” e vai atrás dele, encontrando-o com um galho nas mãos e com o semblante assustado; ele espera que ela o ataque de raiva pela morte de Rémi. Mas, para a surpresa do menino, Sophie o abraça com carinho e arrependimento. Enquanto os dois choram juntos, sem que Sophie o culpe, o seu conflito reprimido é finalmente liberado - talvez de ambos.

Algum tempo depois, Léo tenta visitar Sophie novamente, mas encontra a casa vazia, notando que ela havia ido embora. O filme termina com Léo caminhando pelo campo florido em que corria com Rémi, e a cena final o mostra olhando para trás com uma sutil expressão de leveza - o que nos leva a supor uma possível elaboração do luto.

Breves reflexões psicanalíticas sobre o filme

O enredo de Close, por si só, nos provoca uma quantidade imensurável de profundas reflexões psicanalíticas. Temas como adolescência, masculinidade, bullying, luto e suicídio resultam em uma análise longa e complexa. Portanto, com o objetivo de estreitar o escopo de minha discussão, vou me ater exclusivamente à temática central do filme, a saber, a violação da vida de uma criança em decorrência de uma cultura machista e preconceituosa.

Não é novidade alguma afirmar que, no intricado tecido da cultura, as linhas do patriarcado têm colorido a história de uma maneira que, em muitos aspectos, distorce a essência do ser humano - especialmente no que tange às ideias de Winnicott, apresentadas na primeira parte deste artigo. No âmbito dessa trama, os homens, frequentemente vistos como os beneficiários desse sistema, são paradoxalmente suas vítimas silenciosas. Eles são forjados em uma fornalha que valoriza a força sobre a sensibilidade, a dureza sobre a vulnerabilidade.

Com efeito, recorrendo a uma linguagem metafórica, poderíamos dizer que a sociedade patriarcal sussurra nos ouvidos dos meninos desde a infância: “Seja forte. Não chore. Domine”. E, ao fazê-lo, constrói muralhas invisíveis em torno da subjetividade masculina. Tais barreiras, erguidas em nome da “verdadeira masculinidade”, impedem que os homens alcancem plenamente a amplitude de suas emoções. Assim, em nome da honra e do status, sacrifica-se a riqueza da experiência emocional. Nas palavras de Jablonka:

o homem deve provar constantemente que é um homem. O masculino carrega em si mesmo uma inquietude, o medo de ser indigno de seu sexo. Portanto, ele é intrinsecamente frágil, duvida de si mesmo, teme não estar à altura; por isso as provocações, as ostentações, os sacrifícios e todas as “belas mortes”, que sempre são excessos. (Jablonka, 2021, p. 208, grifo meu)

Mas por que essa rigidez? Por que essa resistência feroz a qualquer coisa que possa ser vista como “feminina”? Aqui, o temor do “outro”, do desconhecido, torna-se evidente. A homofobia, em muitos casos, não é apenas um medo da homossexualidade em si, mas uma manifestação extrema do terror de se associar ao que é considerado “fraco” ou “inferior”. Numa cultura em que o valor de um homem é medido por sua masculinidade percebida, qualquer desvio é uma ameaça. E, nesse cenário, a proximidade afetiva com outro homem, ou simplesmente a expressão de sentimentos, torna-se um território perigoso.

Trata-se, portanto, de uma tragédia, pois a consequência é uma geração de homens desprovidos de conexão emocional genuína, aprisionados em armaduras de falsa bravura. Eles são ensinados a competir, não a conectar; a conquistar, não a compreender. Assim, muitos se tornam errantes emocionais, buscando sentido em um mundo que lhes pede para ser algo que, no fundo, eles não são.

Para reconhecer a plenitude da humanidade, é imperativo reimaginar o que significa ser homem. Afinal, a verdadeira força não reside na repressão, mas na capacidade de sentir, de conectar-se e de amar sem medo. Essas aptidões são facilmente percebidas na relação afetuosa de Léo com Rémi.

Voltando às ideias de Winnicott, o autor afirma que a função defensiva do falso self é ocultar e proteger o verdadeiro self, e, nesse sentido, temos diferentes variações dessa estrutura que se estendem às dimensões do normal, alcançando, até mesmo, certo nível patológico. De maneira sintetizada, é possível afirmar que o falso self se ergue por conta de dois fatores: 1) Um ambiente em excesso que exerce, basicamente, um papel intrusivo, impondo-se à subjetividade do bebê, fazendo-o descobrir a alteridade num período em que não tem condições de lidar com ela. “Nesse caso, o falso self forma-se entre o self verdadeiro e as intrusões ambientais” (Naffah Neto, 2017, p. 147); 2) Um ambiente em falta, ou seja, aquele que deixa o bebê abandonado aos seus próprios impulsos vitais (como a fome, a dor, o desconforto, o sono etc.), que nessa fase inicial da vida não são experimentados como próprios e que quando atingem um nível de intensidade insuportável, por um período contínuo, são vividos como uma ameaça iminente de colapso. “Nesse caso, a criação do objeto subjetivo é impedida pela falta de presença do adulto, e o falso self forma-se entre o self verdadeiro e os impulsos vitais do bebê, ameaçadores” (Naffah Neto, 2017, p. 147). Esses dois mecanismos distintos são, entretanto, apresentados somente com a finalidade de explicitar ao leitor o funcionamento dos processos psíquicos de modo mais claro e objetivo; eles nunca se realizam de forma idêntica e absoluta ou totalmente apartados um do outro.

A experiência clínica com pacientes homossexuais, atrelada às minhas próprias vivências pessoais, mostrou-me o quanto um indivíduo que, desde criança, sente atração por pessoas do mesmo sexo acaba assimilando os seus impulsos eróticos como ameaçadores, tentando negá-los com total veemência. De modo análogo, as nossas formas de ser, de falar, de brincar e de agir são tolhidas pela sociedade - partindo do próprio ambiente familiar até alcançar a escola. Sendo assim, somos vítimas da dupla pressão que leva o psiquismo à edificação de um falso self: a interna, provocadas pelos instintos ameaçadores e renegados, e a externa, provocada pelo meio social em que estamos inseridos.

De alguma forma, quando Léo se descola de Rémi, buscando bancar uma masculinidade forçada com a prática de hóquei, podemos dizer que um falso self adaptativo domina a cena psíquica - tendo em vista que essas experiências não são reais e, por conseguinte, não são apropriadas de modo legítimo (de dentro para fora) pelo menino.

Em síntese: a formação do falso self cindido, como uma defesa patológica, de acordo com as concepções de Winnicott, ocorre sempre que o bebê tem de interromper a sua continuidade de ser, para reagir a uma mãe insuficientemente boa, incapaz de garantir que as necessidades básicas do infante sejam atendidas no modo e no tempo de sua própria singularidade. Vale lembrar, porém, que uma mãe suficientemente boa em nada tem a ver com uma mãe idealizada e perfeita. “A mãe apenas facilita um processo que pertence ao bebê” (Dias, 2003, p. 133). Ela é suficientemente boa porque atende ao infante na medida exata das necessidades dele, e não das suas próprias necessidades.

Assim, sempre que a criança não encontra, no ambiente, suporte suficiente para a criação de um mundo subjetivo, expressão efetiva do seu gesto espontâneo, ela é obrigada a criar um falso self cindido, com o objetivo de proteger-se de um mundo caótico, violento, imprevisível e ameaçador.

No seio da narrativa de Close, uma potente representação das amarras da cultura patriarcal é desvelada, evidenciando como os estereótipos enraizados e a homofobia internalizada podem direcionar os destinos de almas jovens, fragilizadas pelo julgamento alheio. Ao confrontar Léo com a insinuação da sua relação com Rémi, o filme não apenas ilumina a crueldade do estigma, mas também destaca o medo profundo de um jovem ser associado a algo que a sociedade julga como “menos masculino”. A reação visceral de Léo, seu anseio por abraçar esportes e atitudes tipicamente “viris”, reflete uma tentativa desesperada de alinhar-se aos padrões estabelecidos, enquanto esconde sua vulnerabilidade e humanidade. A dissolução da sua conexão com Rémi é a manifestação triste de uma luta interna contra um amor genuíno e profundo, corrompido pelo peso dos olhares condenatórios.

Estamos falando de dois meninos com 13 anos de idade! No que diz respeito às transformações que ocorrem na adolescência, Winnicott também escreve algo bastante sensível. Cito o autor:

Alguns adolescentes sofrem muito, e não oferecer ajuda pode ser crueldade. ... e é deles a tarefa de tolerar a interação de muitos fenômenos disparatados - a própria imaturidade, as próprias mudanças relativas à puberdade, as próprias ideias do que é a vida e os próprios ideais e aspirações; acrescenta-se a isso uma desilusão pessoal com o mundo dos adultos, que lhes parece essencialmente um mundo de compromissos, de falsos valores ... À medida que deixam esse estágio, os adolescentes começam a se sentir reais, e adquirem um senso de self e um senso de ser. Isso é saúde. Do ser, vem o fazer, mas não pode haver fazer antes do ser - eis a mensagem que eles nos enviam. (Winnicott, 1967/2021, pp. 25-26, grifo meu)

É claro que, mesmo sem mencionar, Winnicott está se referindo a adolescentes que atravessam questões relacionadas aos impasses derivados do “padrão” heteronormativo. Ora, se no período da puberdade passamos por todos esses “perrengues psíquicos”, o que esperar de alguém que internamente acredita que o seu jeito de ser e de habitar o mundo são errados diante do meio social? Como sobreviver a esse bombardeio de intrusões?

Rémi, nessa dança de rejeição, torna-se o retrato pungente da solidão - poderíamos pensar, até mesmo, na concepção de “solidão traumática” proposta por Sándor Ferenczi (1932/1990).6 A dor do desprezo, potencializada pelo silêncio ensurdecedor de Léo, conduz o jovem Rémi a uma espiral de desespero e isolamento. Ele, assim como um peixe em terra firme, asfixia-se pela falta do essencial: amor, compreensão e aceitação.

A relação tão íntima, genuína e sincera entre os dois, sob a sombra da homofobia e do patriarcado, ilustra quão fatal pode ser a violação do direito inalienável de amar e ser amado livremente. A trágica conclusão da história de Rémi ressalta o preço extremo pago por aqueles que são excluídos por uma cultura que valoriza aparências e conformidade acima da verdade emocional.

Close, assim, emerge como um testemunho doloroso das vítimas silenciadas, daqueles que, no turbilhão da busca por aceitação, perdem a conexão com a sua essência e, em última instância, com a própria vida. A narrativa implora por um mergulho profundo nos moldes sociais que definem e limitam as nossas formas de ser, revelando a urgência de um mundo mais compassivo e compreensivo.

Algumas palavras finais

É interessante pensarmos que, ao descrever as características basilares do falso self, Winnicott faz menção aos estágios iniciais do desenvolvimento - mais precisamente, à relação entre mãe e bebê. Cogito, todavia, a hipótese de que muitos indivíduos homossexuais receberam, de modo satisfatório, os cuidados necessários no período de dependência absoluta. A excelente relação de Rémi com sua mãe no filme, por exemplo, corrobora a minha dedução.

Isso posto, penso que a grande interferência do ambiente, como um fator intrusivo, apareceria na primeira infância e se estenderia ao longo da adolescência, na medida em que o sujeito apresenta alguns comportamentos diferentes do “padrão” esperado por seu gênero, em seu meio social.

Será através do encontro analítico - quando provido de sensibilidade e tato - que o indivíduo poderá despertar as partes de si mesmo que antes permaneciam adormecidas. Durante muitas décadas, todavia, nós, analistas, perdemos tempo demais tentando explicar de uma forma ou de outra - muitas vezes, munidos de um olhar preconceituoso e heteronormativo - as causas da homossexualidade. Enquanto isso, os pacientes continuavam chegando aos nossos consultórios em busca de uma escuta acolhedora e cuidadosa; mas, infelizmente, acabavam sendo julgados/tratados por profissionais que, travestidos de uma “suposta neutralidade”, assumiam uma postura efetivamente dogmática e moralista.

Lembro-me de um analisando que me procurou extremamente fragilizado, dizendo que havia ficado dois anos em análise com uma psicanalista e que, nesse período, cultivara grande estima e respeito por ela. No entanto, em uma das sessões, ela havia lhe dito que a grande causa dos seus sofrimentos estava na sua “escolha homossexual” e que, para resolver tais impasses, bastava ele se haver com a sua condição desejante, invertendo sua preferência sexual para relacionar-se.

Imagino eu que essa analista tenha esquecido - ou nunca contaram para ela - o fato de que ninguém escolhe, por livre e espontânea vontade, passar a vida sendo julgado ou sofrendo preconceito simplesmente por decidir assumir a condição de ser quem se é. Uma fala estúpida desse calibre só pode vir de alguém que nunca se propôs a sentir, na pele, as dores enfrentadas ao assumir uma simples orientação sexual: de poder amar quem quiser. Ser gay, principalmente no território brasileiro, é pôr em risco as condições que asseguram nossa própria sobrevivência - tanto física, quanto psíquica.

O que proponho com essa argumentação é que possamos atentar ao sofrimento imposto pelo meio e causado pela não aceitação de nossa condição humana, quando tal condição destoa, essencialmente, da da maioria.

Em Close, o espectador é envolvido no oceano tumultuado das relações humanas e nos preconceitos que, muitas vezes, ditam suas marés. Léo e Rémi, nesse cenário, se tornam emblemas de um conflito interno e externo que faz eco nos ensinamentos psicanalíticos de D. W. Winnicott, sobretudo na compreensão do verdadeiro e do falso self (ver Almeida, 2023).

A cultura patriarcal, com suas linhas rígidas do que é considerado “masculino”, lança uma sombra opressiva sobre Léo, obrigando-o a se adaptar, isto é, a encenar um papel. Winnicott argumentou que o desenvolvimento emocional saudável depende da capacidade de estabelecer e manter o sentido de um verdadeiro ser, o self autêntico. No entanto, sob o peso da homofobia e do julgamento, Léo rejeita esse ser e se aferra a um falso self, artificialmente construído. Seu interesse súbito pelo hóquei no gelo não é uma extensão de sua verdadeira identidade, mas um escudo, uma máscara.

Rémi, em contrapartida, torna-se a representação viva do “ser” em seu estado mais vulnerável. Ele busca autenticidade e conexão, mas é repelido por um amigo que já não consegue discernir entre o que é genuíno e o que é performance. A imagem do “peixe fora d’água” evoca uma criatura desprovida de seu ambiente natural, um ser que, apesar de sua essência, não encontra espaço no mundo ao seu redor.

A rejeição de Léo, a falta de diálogo e a subsequente desintegração da relação refletem a violação desse ambiente necessário. A tragédia de Rémi - sua morte prematura - soa como um alarme pungente sobre os perigos do isolamento e do não reconhecimento de nossa condição existencial.

A dinâmica entre os dois jovens revela uma dicotomia dolorosa entre a verdadeira identidade e o personagem que a sociedade exige. A história, entrelaçada com os princípios de Winnicott, convida a uma introspecção profunda sobre o custo da conformidade e a urgência de ambientes que permitam e celebrem o autêntico self.

Aliás, não seria esse o trabalho dos psicanalistas? Nós nos distanciarmos de nossos próprios julgamentos, moralidades e valores, para auxiliar, então, nossos pacientes a descobrir o que há de melhor e pior em si mesmos?

Que a psicanálise possa se reinventar como ética e como saber, para que cada vez mais vozes, caladas durante muito tempo, tenham a oportunidade de manifestar-se e, manifestando-se, venham a ser imbatíveis, sabendo as dores e as delícias de ser quem se é - como cantou Caetano Veloso.

3 As novas traduções da obra de Winnicott, publicadas pela editora Ubu, traduziram essa expressão por “estágio da consideração”.

4 Esse é um dos aspectos centrais em que as teses de Winnicott divergem das ideias de Freud, pois para o autor britânico o conceito especulativo de instinto de morte (ou pulsão de morte, para os franceses) não possui qualquer validade, ocupando o lugar de um dos maiores equívocos do pensamento freudiano. É importante lembrar, porém, que tal conceito fora explorado intensamente por Melanie Klein em seus trabalhos; sobretudo, em Inveja e gratidão (1957), quando a autora apresenta a hipótese teórico-clínica da inveja inata.

5 Escrevo em primeira pessoa, pois este artigo representa, para mim, um recurso de testemunho.

6 A solidão traumática é o sentimento arrebatador vivido por alguém que, na condição de estar indefeso, sofreu um trauma emocional, tendo permanecido sem qualquer ajuda exterior. Nesses casos, a cisão do ego é a defesa utilizada para a sobrevivência psíquica, como um modo de suportar a dor da solidão, do abandono e do desamparo - em condições extremas, podemos ver o gesto suicida como um representante ativo desse fenômeno. Em seu Diário clínico, Ferenczi registra: “... segue-se que uma solidão realmente total e absoluta, em que não existe sequer a esperança de ser compreendido e ajudado pelo mundo exterior, é insuportável” (Ferenczi, 1932/1990, p. 239).

Referências

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Dhont, L. (Diretor) (2023). Close [filme]. [ Links ]

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Recebido: 14 de Agosto de 2023; Aceito: 05 de Setembro de 2023

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Trabalho realizado com financiamento do cnpq.

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