Quando me deparei, pela primeira vez, com o título proposto para o 29º Congresso Brasileiro de Psicanálise, O eu com isso, inevitavelmente associei com a metaforização que Freud utilizou no texto O ego e o id, de 1923, sinalizando que o ego deveria, na melhor das hipóteses, ser o cavaleiro que tivesse domínio sobre seu cavalo, embora não fosse impossível que o animal tomasse controle da situação e se dirigisse para onde bem quisesse.
Naturalmente estava me limitando a traduzir, ao pé da letra, o título do texto de Freud, quando ele fez uma reorganização das instâncias psíquicas (antes configuradas por Cs, Pcs e Ics - primeira tópica), denominando-as agora “o ego” (das Ich) e “o id” (das Es).3 Assim, das Ich estaria nomeando o eu (ego, em latim), pronome pessoal que remete à individualidade da pessoa que fala. E das Es nomearia o id, pronome neutro, correlato a “isso” (ipso, em latim).4
Proponho levá-la em consideração [a proposta de Groddeck] chamando a entidade que tem início no sistema Pcpt e começa por ser Pcs de “ego”, e seguindo Groddeck no chamar a outra parte da mente, pela qual essa entidade se estende, e que se comporta como se fosse Ics, de “id”. (Freud, 1923/1969a, p. 37)
Freud passa a considerar a proposta de Groddeck, que seguindo o exemplo de Nietzsche utilizava habitualmente o pronome es (isso) para tudo o que é impessoal em nossa natureza. Ou seja, denomina-se com um pronome impessoal aquilo a que estamos sujeitos na condição de seres humanos.
Mas a inquietação com o tema escolhido para o congresso se prolongava, pois o título sugerido não era O eu e o isso (literalmente, O ego e o id), mas sim O eu com isso. Então, me vi mirabolando variações sobre o tema e me deparei com “E eu com isso?”, expressão corriqueira, utilizada em nosso meio social geralmente por alguém que é responsabilizado por algo que desconhece a respeito de si mesmo (ou finge desconhecer).
Estou falando de Georg Groddeck, o qual não se cansa de insistir que aquilo que chamamos de nosso ego comporta-se essencialmente de modo passivo na vida, e que, como ele o expressa, nós somos “vividos” por forças desconhecidas e incontroláveis. (p. 37)
Groddeck sustentava que o homem é animado pelo desconhecido (das Es), uma força maravilhosa que dirige ao mesmo tempo o que ele faz e o que lhe acontece.
Seguindo esse raciocínio, vou me utilizar de uma experiência que ficou arquivada no baú de minhas memórias para justificar o trocadilho “E eu com isso?” e desenvolver minhas concepções teóricas.
Havia um primo na minha infância que, desde sempre, era uma figura que nós, crianças, não podíamos compreender. O que sabíamos era que, quando ele estava por perto, algo “estranho” acontecia com a gente. Vou aqui me apropriar desse termo relativo ao estranho (desconhecido) usando-o não ainda no sentido do Unheimliche freudiano, mas trazendo-o para a questão da estranheza que nos causa a repetição de comportamentos destrutivos, que parecem não ser conscientes em algumas pessoas.
Por exemplo, acontecia de ele vir correndo e trombar com uma criança que estava no topo da escada. Ou então, “sem querer”, derrubar a água fervente do chá nas mãos da criança que estava a seu lado na mesa do lanche. Muitas experiências desse tipo nos levavam a “ficar espertos” quando ele estava presente.
Na minha cidade natal, havia também um pobre coitado que chamávamos de Nenê-Gaiola, pelo fato de ele estar sempre carregando uma gaiola, com ou sem passarinhos dentro. Ele ficava extremamente irritado quando alguém o chamava por esse apelido. Então, a “graça” estava em falar e correr para não ser apanhado por ele, ou pelas pedradas que direcionava a qualquer pessoa que o abordasse.
Meu primo, que deveria ter seus 13, 14 anos, resolveu um dia sussurrar a fórmula mágica no ouvido do coitado, não antes de ter se colocado, de braços abertos, em frente à grande vidraça da Caixa Econômica recém-inaugurada na praça central da pequena cidade. O óbvio aconteceu: o homenzinho atirou todas as pedras que carregava no saco em direção ao primo, que saltitava de um lado para o outro, cobrindo toda a extensão da vitrine. Foi um “desastre municipal”, que abalou as autoridades, as quais intimaram meu tio e o filho a dar explicações sobre o acontecido.
O pai ficou mudo, e o filho respondeu: “E eu com isso? Não tinha nenhuma pedra na minha mão!”. Era a primeira vez que eu, mais nova do que ele, ouvia essa expressão. O menino foi levado a um médico (psiquiatra?), que disse algo emblemático: “Este menino não tem filtro!”. Ninguém entendeu. Tampouco eu, naquela época.
É fácil ver que o ego é aquela parte do id que foi modificada pela influência direta do mundo externo, por intermédio do Pcpt-Cs. … Além disso, o ego procura aplicar a influência do mundo externo ao id e às “tendências deste”, e esforça-se por substituir o princípio do prazer, que reina irrestritamente no id, pelo princípio da realidade. … O ego representa o que pode ser chamado de razão e senso comum, em contraste com o id, que contém as paixões! … A importância funcional do ego se manifesta no fato de que, normalmente, o controle sobre as abordagens à motilidade compete a ele. (p. 39)
Mais tarde, pude compreender que a falta de filtro no menino, sinalizada pelo psiquiatra, aludia àquilo que Freud postulou em “Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental” (1911/1969c), dizendo que a coibição da descarga motora (da ação) se tornou necessária e foi proporcionada através do processo de pensar, que se caracteriza pela possibilidade de o aparelho mental tolerar uma tensão aumentada de estímulos, enquanto o processo de descarga é adiado.
A superioridade do ego-realidade sobre o ego-prazer, nas palavras de Bernard Shaw, consiste na ideia de que ser capaz de escolher a posição de maior vantagem, em vez de se submeter à direção de menor resistência, é uma conquista do desenvolvimento, uma sofisticação do aparelho psíquico.
Essa era, pois, a situação do menino sem filtro, que atuava, sem pensar, uma destrutividade da qual não tinha conhecimento (era projetada no mendigo) e que causava estranhamento em todos, justamente pela confusão no julgamento da questão: quem afinal era responsável pelos vidros estilhaçados da agência bancária? Resultado: prenderam o Nenê na gaiola (hospital psiquiátrico), e o primo, que era membro de uma família respeitável, foi enviado a um internato para meninos problemáticos.
A educação pode ser descrita, sem mais, como um incentivo à conquista do princípio do prazer e à sua substituição pelo princípio da realidade; isto é, ela procura auxiliar o processo de desenvolvimento que afeta o ego. Para este fim, utiliza uma oferta de amor dos educadores como recompensa, e falha, portanto, se uma criança mimada pensa que possui esse amor de qualquer jeito e não pode perdê-lo, aconteça o que acontecer. (Freud, 1911/1969c, p. 283)
O menino em questão não era uma criança mimada, e o amor com certeza não lhe era uma vivência familiar. Mas como ele fazia falta à família, que ficou desguarnecida de um “depósito de dejetos destrutivos”, ele foi trazido de volta ao lar para continuar cumprindo sua missão.
O que não sabíamos, na época, é que o menino era utilizado como bode expiatório, do qual a família esperava qualquer esquisitice, evitando-se assim o desconforto de enxergar o estranho que habitava em cada um deles. E o que agora posso perceber é que nós, as crianças da família, nos deliciamos com a vitrine estilhaçada.
Permito-me neste momento me aproximar do Unheimliche de Freud (1919/1969b), pois na minha opinião é “disso” que o “isso” está repleto, bem como “dessas coisas” que convivem amigavelmente no id, apesar de antagônicas. Noto quantos pronomes impessoais utilizei na frase anterior, o que me dá a sensação de estar me aproximando de verdade da conceituação freudiana do id.
Na extensa pesquisa de Freud, heimlich significa doméstico, familiar, conhecido por nós, e unheimlich (com a anteposição da partícula negativa un) traduz o que nos é estranho, assombroso ou sinistro. No entanto, a própria denominação heimlich comporta uma ambiguidade que pode sinalizar, ao mesmo tempo, familiaridade e mistério atemorizador.
O que mais nos interessa neste longo excerto é descobrir que entre seus diferentes matizes de significado a palavra heimlich exibe um que é idêntico a seu oposto unheimlich. … Em geral somos lembrados de que a palavra heimlich não deixa de ser ambígua, mas pertence a dois conjuntos de ideias que, sem serem contraditórias, ainda assim são muito diferentes: por um lado, significa o que é familiar e agradável e, por outro, o que está oculto e se mantém fora da vista. (p. 282)
Freud diz que o que é rejeitado pelo ego é o que deriva do reprimido. Isso nos remete à ideia do duplo,5 que especifica uma duplicação (divisão do eu) e ao mesmo tempo uma intercambialidade entre as partes divididas. Assim, o que causa estranheza fora de nós corresponde a uma coisa idêntica dentro de nós.
Temos portanto medo “da coisa” que nos é desconhecida, apesar de estar dentro de nós, e por isso criamos fantasias - ou vestimos os nossos fantasmas - com roupas familiares, para aplacar a angústia. Esse é o protótipo de toda projeção, na qual o rejeitado em mim é colocado no outro.
Vêm-me à lembrança, como exemplo “disso”, uma propaganda que vi certo dia de relance na tv e que me chamou a atenção. Era uma turma de adolescentes que, reunidos numa sala, brincavam de se assombrar mutuamente. Vinha um correndo com uma máscara de Freddy Krueger, outro vestido de urso, outro com a faca do personagem Norman Bates (do filme Psicose), outro com um lençol branco… A maior algazarra! A maior alegria! De repente, um deles puxou o lençol que se movimentava pela sala. Foi o maior susto: não havia ninguém debaixo dele! O adolescente gritou: “O que é isso?!”. Ninguém respondeu. Atropelando-se, saíram em debandada, aos gritos, apavorados diante do “sinistro” inesperado.
Na ocasião me ocorreu que “o nada” debaixo do lençol era menos atemorizante do que as alegorias apresentadas pelos outros. No entanto, estas não causaram o terror que “o nada desconhecido” provocou.
Entendi então que a fúria assassina de Freddy Krueger ou a faca em riste de Norman Bates não causavam espanto porque já eram conhecidas, já haviam sido nomeadas. Mas “aquele nada” era muito perigoso, porque ainda não tinha sido constituído no psiquismo consciente. Era pura moção (energia livre) à procura de uma nomeação, ou de uma vestimenta que lhe conferisse familiaridade àquele grupo.
Com certeza, se tivéssemos a oportunidade de questionar as fantasias desses adolescentes (se essa situação fosse real), chegaríamos à conclusão de que o terror foi único para cada um deles, sinalizando perigos específicos (intrínsecos a cada psiquismo) projetados “no nada” debaixo de um lençol que se movimentava.
Shakespeare inicia sua peça mais famosa, Hamlet (1603/1978), impactando a plateia com a aparição do fantasma do rei da Dinamarca assassinado. A cena acontece em meio a névoas que permitem apenas um vislumbre das vestes brancas, cobrindo parcialmente o corpo fantasmagórico.6
Os fantasmas que trazemos de volta são representações que sinalizam nossas dívidas em relação às pessoas que se foram. Só os mortos viram fantasmas de noite para os vivos que pensam que cometeram assassinato durante o dia.
Estamos agora mergulhados num terreno religioso (alma imortal), mas também nos defrontamos com “tudo isso” que habita o caldeirão cheio de agitação fervilhante, como diz Freud em 1923.
A moral dessa história - da brincadeira dos adolescentes - é que não se brinca com a morte, pois ela é o Unheimliche (tão familiar e tão estranho), e dela temos apenas o registro de óbito dos familiares, mas não o registro de nosso próprio óbito.7
A expressão “caldeirão fervilhante” que Freud utiliza para denominar o id carrega em si a conotação de calor e movimento, contidos num recipiente que no mínimo “aguentaria” toda essa ebulição e no máximo acabaria detonando o mundo psíquico no qual habita. E “isso” seria o fim.
Mas, acreditando na possibilidade de sobrevivência do indivíduo, temos de considerar que a noção de movimento (moção) nos remete a aceitar que, dentro do caldeirão, há uma força impulsiva que atrai ideias, sentimentos e desejos, procurando reuni-los, geralmente de forma pictórica, para se aliviar da pressão, através da descarga.
Assim, habitantes do id, os impulsos impregnados de desejos, como diz Freud, partilham o caráter de indestrutibilidade, isto é, pertencem apenas ao sistema Ics. Freud dedica todo um capítulo de A interpretação dos sonhos (1900/1969d) à realização de desejos, explicitando que essa é a finalidade mais importante do processo de sonhar, nesse percurso econômico do aparelho psíquico.
Então, me recordei de uma piada em que o gênio da lâmpada maravilhosa se propõe a realizar três desejos de um pobre homem do interior de Minas Gerais. (Recebi um vídeo com a piada dramatizada sob o título de Os três desejos do mineirinho, que contava o desfecho do encontro do pobre homem com o gênio da lâmpada.)
O gênio pergunta: “O que você deseja em primeiro lugar?”.
O mineirinho diz: “Um queijo de minas!”.
O gênio faz uma careta e diz: “ok. Aqui está”.
O premiado come todo o queijo imediatamente, lambendo os beiços.
O gênio: “Pois bem, qual é o seu segundo desejo?”.
O homenzinho diz: “Outro queijo mineiro”.
O gênio, mais irritado ainda, concede, dizendo: “Tá bom, aqui está!”.
Novamente, o mineirinho devora o segundo queijo inteirinho.
Então, o gênio diz: “Pense bem. É seu último desejo. O que você vai querer agora?”.
O outro diz: “Uma mulher!”.
O gênio suspira aliviado e diz: “Ah, finalmente!”. Mas acrescenta, curioso: “Por que você pediu a mulher só agora?”.
O pobre homem responde: “Porque fiquei com vergonha de pedir outro queijo”.
O vídeo focalizava bem a expressão do gênio e do pobre homem, sinalizando o triunfo do primeiro e o desconforto do segundo. Confesso que tive pena do mineirinho. Aí me vieram à mente todas as piadas nas quais um gênio se propõe a realizar desejos, mas isso nunca acontece, pois alguma interferência na comunicação sempre está presente. E a responsabilidade é sempre de quem “pede”. Às vezes o pedinte é gago, outras vezes é fanho ou usa equações simbólicas, que os gênios interpretam ao pé da letra.
Conheço inúmeras dessas piadas, que sempre me deixaram com um pé atrás com os gênios, que na minha concepção provavelmente não ouviam direito. (Percebo aqui meu desejo de que meus anseios infantis sejam satisfeitos por alguém.)
Pensamentos dessa natureza me remetem à questão de que, afinal, essas piadas nada mais são do que formulações lúdicas de desejos que não são satisfeitos simplesmente porque são insatisfazíveis, devido à sua “volatilidade”. Desejos são moções (forças) que, travestidas de uma ideia, movem a nossa procura por algo que é incessante durante a vida toda. Só paramos de desejar quando morremos!
Retorno agora ao exemplo citado antes, dos adolescentes que, puxando o lençol do fantasma, ficam assustados com “o nada” que se move (esse é o desejo). Penso que nós vestimos nossos impulsos assim como eles, com roupagens distintas em momentos diferentes da vida. E assim somos impelidos a fazer caminhos para caminhar. “Isso” que nos move faz parte “daquilo” que desconhecemos, o “id”.
Mas… continuava com pena do mineirinho. Então me veio a ideia de que ele afinal não era tão tolo assim por querer três queijos. O que será que esses queijos representavam para ele?
Um nenezinho com fome grita ou dá pontapés impotentemente. Mas a situação permanece inalterada. … Uma mudança só pode surgir se puder ser atingida uma “experiência de satisfação” que põe fim ao estímulo interno (fome). Um componente essencial desta experiência de satisfação é uma percepção particular (a da nutrição). Daí por diante a imagem mnemônica permanece associada ao traço de memória da excitação, produzida pela necessidade. Em resultado do elo que é assim estabelecido, na vez seguinte que essa necessidade desperta, surgirá imediatamente um impulso psíquico que procurará recatexizar a imagem mnemônica da percepção e reevocar a própria percepção, isto é, restabelecer a situação de satisfação original. (Freud, 1900/1969d, p. 602)
Considerando essa citação de Freud, fiquei pensando no pobre mineirinho envergonhado no final do encontro com a “genialidade” inesperada. Eu me vi imaginando esse homem (nenezinho) nos braços de sua mãe, lá no sertão de Minas Gerais. Estou supondo uma mãe carinhosa, apresentando o seio ao filho, com todo o tempo do mundo, como costuma acontecer em recantos afastados dos grandes centros urbanos.
Começo a sentir a alegria do menino e a ânsia de devorar aquele seio inteiro rapidamente. Sinto também o cheiro adocicado do leite materno jorrando “generosamente”, propiciando um feliz encontro entre um homem e sua primeira mulher. Esse primeiro encontro, de acordo com Freud, vai ser protótipo de todo encontro satisfatório (ou malsucedido) entre um homem e uma mulher pelo resto da vida.
Então me pergunto: será que o mineirinho não foi marcado mnemonicamente com a visão de algo “alvo e redondo” que cheirava a queijo e que trazia tanta felicidade quando aparecia, concretizando assim a magia da vida? Será que ele não estava pedindo uma mulher já na primeira vez? Se for isso, o pobrezinho sabia pedir o que realmente desejava, e o gênio não era tão genial assim.
Recordo-me do seguinte pensamento de Freud:
[Os desejos] são caminhos que foram formados de uma vez por todas, que nunca caem em desuso e que, sempre que uma excitação inconsciente os recatexiza, estão prontos a conduzir o processo excitatório à descarga. Se posso utilizar um símile, eles só são capazes de aniquilamento no mesmo sentido que os fantasmas do mundo inferior da Odisseia - fantasmas que despertavam para uma nova vida assim que provavam sangue. (p. 589)
Pensando no sonho como realização de desejo, termino este texto com um poema escrito por mim após o falecimento de minha mãe, em 2009:
A DESCIDA
Sonhava que descia…
E minha mãe amparava
Num terreno íngreme que escorregava! Descia… descia… e a segurava, Garantindo uma vida que se escoava!
E confiante na caminhada,
Vibrava em mim a vida detida!… De forma que “nada estranhava” Essa descida… tão descabida!
De repente me via tão desolada!
Olhava… olhava… tudo vazava! E lá embaixo sozinha estava!
O que era vida se esmaecia…
Em sombra fria se transformava!… O chão viscoso virou fumaça… Cobrindo corpos que rastejavam!
(“Aqui não quero!… aqui não posso!…”)
(Onde a saída do calabouço?)
O degrau primeiro para a saída, Na brumagem escura se delineou! Mas os pés colados não se mexiam!… O grito rouco… não ecoou!
Do nada surge me acompanhando A sombra tênue de um estranho!
Atônita, olhando o seu tamanho…
Me vejo por dentro o vasculhando!
Seus dentes podres… incrustados…
Na velha caveira resistente!…
(Digo, meu Deus!… Esse é o caminho?)
Oferece-me o braço, sorridente! Apoiada nele, alcanço o batente
Da porta pra fora do inferno de Dante!













