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Revista Brasileira de Psicanálise

versão impressa ISSN 0486-641Xversão On-line ISSN 2175-3601

Rev. bras. psicanál vol.58 no.1 São Paulo  2024  Epub 29-Nov-2024

https://doi.org/10.69904/0486-641x.v58n1.14 

Artigos

Intimidade e compaixão, continência e cesura na sessão de análise

Intimidad y compasión, contención y cesura en la sesión de análisis

c session

Intimité et compassion, contenance et césure dans la séance d’analyse

Andreas Zschoerper Linhares1 

Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Curitiba (SDBPCuritiba) e da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP).

1Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP). Curitiba


Resumo

O autor apresenta um estudo evolutivo da psicanálise e suas invariantes ao longo do tempo, com base na originalidade e especificidade da descoberta de Sigmund Freud. Considera as noções de intimidade, compaixão, continência e cesura no vértice analítico, configurando a sessão de análise como um campo específico no atendimento a determinadas necessidades e realizações humanas. Aponta a evolução na percepção dos acontecimentos na sala de análise, a necessidade da identificação da realidade psíquica, as capacidades que o analista deve privilegiar e desenvolver para ampliar as suas possibilidades de contato com o que se apresenta e passa a ser percebido na sessão. Também trata do aprimoramento da capacidade de observação para possibilitar e propiciar a intuição. Discorre sobre a condição de se aproximar da realidade psíquica do analisando, do que permeia a interação analista-analisando e do que se reflete na mente do analista, levando em conta a multidimensionalidade da mente, considerando ainda aspectos da mente primordial. Ao final, apresenta um material clínico que se correlaciona com o disposto conceitualmente.

Palavras-chave continência; cesura; campo analítico; observação analítica; intuição

Resumen

El autor presenta un estudio evolutivo del psicoanálisis y sus invariantes a lo largo del tiempo, basado en la originalidad y especificidad del descubrimiento de Sigmund Freud. Explora las nociones de intimidad, compasión, contención y cesura en el vértice analítico, configurando la sesión de análisis como un campo específico para atender ciertas necesidades y logros humanos. Señala la evolución en la percepción de los eventos en la sala de análisis, la necesidad de identificación de la realidad psíquica, y las habilidades que el analista debe priorizar y desarrollar para ampliar sus posibilidades de conexión con lo que se presenta y se percibe en la sesión. También aborda el perfeccionamiento de la capacidad de observación para facilitar la intuición. Reflexiona sobre la condición de acercarse a la realidad psíquica del analizando, a lo que impregna la interacción analista-analizando y a lo que se refleja en la mente del analista, teniendo en cuenta la multidimensionalidad de la mente, así como aspectos de la mente primordial. Al final, presenta un material clínico que se correlaciona con lo expuesto conceptualmente.

Palabras clave contención; cesura; campo analítico; observación analítica; intuición

Abstract

The author presents an evolutionary study of psychoanalysis and its invariants over time, based on the originality and specificity of Sigmund Freud’s discovery. He considers the notions of intimacy, compassion, containment, and caesura in the analytical context, configuring the analysis session as a specific field for addressing certain human needs and achievements. He highlights the evolution in the perception of events in the analysis room, emphasizing the need for identification of psychic reality, and the necessary skills for the analyst to prioritize and develop in order to expand their possibilities of connecting with what is presented and perceived in the session. He also discusses the improvement of observational skills to enable and foster intuition. He reflects on the condition of approaching the psychic reality of the analysand, what permeates the analyst-analysand interaction, and what is reflected in the analyst’s mind, taking into account the multidimensionality of the mind, including aspects of the primordial mind. At the end, he presents clinical material correlating with the conceptual discussion.

Keywords containment; caesura; analytical field; analytical observation; intuition

Résumé

L’auteur présente une étude évolutive de la psychanalyse et de ses invariants au fil du temps, basée sur l’originalité et la spécificité de la découverte de Sigmund Freud. Les notions d’intimité, de compassion, de contenance et de césure dans le contexte analytique sont examinées, configurant la séance d’analyse comme un champ spécifique pour répondre à certaines nécessités et réalisations humaines. L’évolution de la perception des événements dans la salle d’analyse est soulignée, mettant en avant la nécessité d’identifier la réalité psychique et les compétences nécessaires pour que l’analyste puisse prioriser et développer, élargissant ainsi ses possibilités de connexion avec ce qui se présente et est perçu pendant la séance. L’amélioration des compétences d’observation pour permettre et favoriser l’intuition est également abordée. L’auteur réfléchit à la condition de s’approcher de la réalité psychique de l’analysant, à ce qui imprègne l’interaction analyste-analysant et à ce qui se reflète dans l’esprit de l’analyste, en tenant compte de la multidi-mensionalité de l’esprit, y compris des aspects de l’esprit primordial. En conclusion, du matériel clinique corrélé à la discussion conceptuelle est présenté.

Mots-clés contenance; césure; champ analytique; observation analytique; intuition

Introdução

Algo que não se alterou em psicanálise, desde os seus primórdios, mesmo antes de ser assim denominada, é uma especificidade de encontro entre duas pessoas: o analista que se dispõe a encontrar e receber o analisando - como Freud designou posteriormente. O analista em estado de disponibilidade, receptividade ao que o analisando/paciente manifestar, apresentar. Desde o início, estão presentes aspectos verbais e não verbais, descritos por Freud em Estudos sobre a histeria (Freud & Breuer, 1893-1895/1996). O evoluir da psicanálise envolveu um aprofundamento na detecção da especificidade e nas possibilidades do encontro analítico.

Nesta apresentação, espero indicar, ao que me parece, algumas de suas bases e evoluções que permitem identificar, com maior clareza, sua especificidade no atendimento de determinadas necessidades humanas.

Para a análise acontecer, é preciso um par: o analisando e o analista.

O analisando

Freud (1923/1996b, 1903/1996f, 1912/1996h, 1923/1999a, 1912/1999b) considera a freie Einfälle a regra fundamental da análise (Sandler, 2008). Ou seja, o analisando apresenta na sessão, ao analista, o que lhe aparece espontaneamente, sejam lembranças, sonhos, ideias, sentimentos, sensações ou percepções, bem como posturas, atitudes e expressões. É costume traduzir a expressão para o português como “associação livre” ou “associação livre de ideias”. Proponho um complemento a essas possibilidades de tradução: “ocorrências espontâneas”. O analisando apresenta suas ocorrências espontâneas ao analista, e isso contempla o que ele apresenta verbalmente em termos de conteúdo, mas também a maneira como fala, como se expressa, sua postura, sua atitude, e até mesmo a expectativa de sua chegada. Aspectos verbais e não verbais. Um conjunto de elementos que podem possibilitar, por parte do analista, a captação de conteúdos internos, vivenciais do analisando e da relação que está acontecendo na sessão, aspectos da realidade psíquica com a qual o analisando (con)vive.

O analista

Num caso desta natureza devemos comportar-nos tão

atemporalmente quanto o próprio inconsciente,

se desejamos aprender ou conseguir alguma coisa.

SIGMUND FREUD, “História de uma neurose infantil”

O analista, por sua vez, se dá conta do que é necessário, da sua parte, para favorecer o apresentar-se do analisando e a sua condição de observar o que lhe for apresentado. Como o analista ocupa seu espaço e sua presença – sua posição – para exercer a função analítica?

Em 1912, Freud descreve isso da seguinte forma:

A técnica, contudo, é muito simples. Como se verá ela rejeita o emprego de qualquer expediente especial (mesmo tomar notas). Consiste simplesmente em não dirigir o reparo para algo específico e em manter a mesma atenção uniformemente suspensa (como a denominei) em face de tudo o que se escuta. Desta maneira poupamos de esforço violento a nossa atenção, a qual, de qualquer modo, não poderia ser mantida por várias horas diariamente, e evitamos um perigo que é inseparável do exercício da atenção deliberada. Pois assim que alguém deliberadamente concentra bastante a atenção começa a selecionar o material que lhe é apresentado; um ponto fixar-se-á em sua mente com clareza particular e algum outro será correspondentemente negligenciado, e ao fazer essa seleção, estará seguindo suas expectativas ou inclinações. Isto, contudo, é o que não deve ser feito. Ao efetuar a seleção, se seguir suas expectativas, estará arriscado a nunca descobrir nada além do que já sabe; e, se seguir as inclinações, certamente falsificará o que possa perceber. Não se deve esquecer que o que se escuta, na maioria, são coisas que o significado só é identificado posteriormente. (1912/1996h, pp. 125-126)

A expressão original em alemão, traduzida geralmente por “atenção uniformemente suspensa”, é gleichschwebende Aufmerksamkeit (Freud, 1923/1999a, 1912/1999b). Ela é traduzida também por “atenção flutuante” ou “atenção suspensa”. Gostaria de ressaltar um aspecto desse requisito técnico proposto por Freud: a capacidade de manter-se constantemente em estado de atenção. O analista manter a mente disponível seria uma condição para entrar em contato com o que lhe ocorre a partir do que provém do analisando, mas gostaria de considerar a manutenção da atenção do analista quando ele (analista) realiza uma fala, uma imagem, uma observação que sente ser oportuno comunicar ao analisando. Sua capacidade de atenção não se retrai. Ele está prestando atenção na sua própria fala e no modo como ela ressoa no analisando. Proponho o termo atenção resiliente para denotar esse aspecto. Uma atenção que se mantém autônoma no campo, não se vê paralisada em nenhum ponto e permite observar a continuidade da sessão. Um estado mental constante de observação. Um estado mental do analista em que ele está constantemente aberto à continuidade da sessão e às mudanças que acontecem. Um estado mental que possibilita detectar as mudanças e se permitir impactar por elas. A presença do analista em uma condição de receptividade ao que acontece na sessão e na sua mente. Dessa forma, a presença da atenção resiliente, por parte do analista, confere mais uma especificidade ao ambiente da sessão de análise.

É necessária uma postura ativa do analista, um preparo prévio à sessão, para atingir esse estado de receptividade, para permitir-se ser surpreendido e não simplesmente reagir ao fenômeno que acontece. Um estado de se deixar habitar, na mente, pelo que é evocado no encontro com o analisando ao longo da sessão. Porém, a percepção, a intuição, o sonho ou a alucinação que são evocados mantêm-se em estado de insaturação, com o analista mantendo constantemente, em sua mente, em paralelo, a atenção resiliente. Uma constante abertura ao que está além do que se apresenta e ao que está por vir.

O analista passará, na maioria das vezes, por um estado de turbulência, pelo aproximar-se da singularidade da realidade emocional daquele encontro específico, naquele momento, único e irrepetível, até alcançar alguma visualização ou formulação que se associe a ele ou que o represente. Essa formulação pode ganhar apresentação verbal ou não. Algumas experiências são vividas em um tempo maior, antes da possibilidade de serem transformadas em representação, em associação à representação ou, até mesmo, em verbalização. O fundamental é que analista e analisando compartilhem uma área de convívio (campo analítico) como uma experiência autêntica, gerada no encontro com base na pessoa do analisando e no que ele apresenta, ressonando na escuta e na pessoa do analista, e vice-versa, estejam eles plenamente conscientes ou não de suas manifestações. Cria-se a possibilidade de compartilhar, de forma verbalizável ou não, uma “consciência consciente” do que se passa na interação entre as duas mentes presentes na sala.

Intimidade

Com base nos elementos indicados – a atenção resiliente do analista em contato com as ocorrências espontâneas do analisando –, a intimidade, na sua especificidade da “intimidade analítica”, apresenta-se com mais clareza.

Não é uma intimidade em que o analista coloniza a sessão com suas experiências pessoais fora da relação com o analisando, ou com seus desejos e convicções, mas uma abertura a um contato mais profundo com o que o analisando apresenta e com o que permeia o campo analítico na captação do analista.

Compaixão

P.A.: Eu não penso que poderíamos tolerar nosso

trabalho – frequentemente doloroso como é tanto para

nós como para nossos pacientes – sem compaixão.

W. R. BION, Uma memória do futuro, volume 3: a aurora do esquecimento

Vou chamar de compaixão a capacidade necessária do analista de realizar contato com o estado psíquico e emocional de outra pessoa sem julgamento e sem moralidades (Bion, 1960/2000; Chuster, 2022). Isso também se relaciona com o que é chamado de escuta analítica, um estado de mente receptivo e continente ao que o analisando apresenta e evoca, na sessão, na mente e no ser do analista. Isso faz parte da condição de ser analista – condição de descobrir, desenvolver e, quando necessário, restaurar essa compaixão madura, e condição de escuta, para ser analista. São condições que reverberam e permitem ao analisando se fazer presente na sala de análise na sua especificidade – ser e expressar a si mesmo nas suas várias dimensões. A compaixão, como estado emocional, e a atenção resiliente, como posição, possibilitam ao analista liberar a capacidade de observação e o aprimoramento da intuição.

Relacionada à compaixão, encontra-se a simetria, capacidade de encontrar um canal comum de presença, interação comunicativa com o analisando na abertura ao infinito/desconhecido (Chuster, 2018).

Mente multidimensional, realidade psíquica: observação e intuição

O respeito à verdade é outra invariante em psicanálise (Freud, 1911/1996a). A capacidade para a verdade, que está relacionada à compaixão, sempre é uma descoberta a partir da observação (Bion, 1992).

Observamos ter, de início, na maioria das vezes, uma condição “emaranhada” de nos relacionar com os fatos. Um dos aspectos iniciais que Freud apontou para a efetividade da análise foi a necessidade de discernir entre uma condição de observação ao que se apresenta e as evocações automáticas e reativas que esse estímulo provoca. A princípio, ele chamou isso de memória (Freud, 1950[1895]/1996g). Posteriormente, essa “interferência” surge como reações do inconsciente, configurando sintomas e atos falhos. A distinção de conteúdo manifesto e conteúdo latente nos sonhos (Freud, 1900/1996e) e a descrição dos fenômenos de transferência e projeção (Freud, 1905/1996d) também expressam essas referências iniciais da multidimensionalidade da mente.

O analista, na sessão, além de observar o que acontece externamente a si, também se auto-observa, observa a reação em si mesmo diante daquilo com que está em contato no campo. Parece que, de início, existia a busca em Freud de “reparar” essa multidimensionalidade da mente: tornar consciente o inconsciente, tornar o inconsciente sempre passível de representação (Braga, 2015). A interpretação tinha esse sentido. Posteriormente, com a segunda tópica e o aparecimento do isso (das Es), a explicitação do inconsciente não reprimido, a inexorável multidimensionalidade da mente fica mais disponível de ser considerada (Freud, 1923/1996c). Melanie Klein (1946/1991) amplia a proposta de multidimensionalidade da mente com a noção de identificação projetiva, e Bion o faz ainda mais com as noções de transformação, cesura e mente primordial (Braga, 2020).

Todas essas são questões associadas à nossa forma particular (realidade psíquica) de nos relacionarmos com a realidade. A psicanálise descobriu ser verdadeira essa capacidade específica individual, ou até mesmo grupal, de apreender ou relacionar-se ou apenas reagir com o que se passa, de modo peculiar e idiossincrático, com maior ou menor permeabilidade à expansão de contato, configurando, muitas vezes, algo muito distinto do que pode estar acontecendo, ou tem possibilidade de acontecer, ou foi acontecido. Ou seja, percebeu-se que a ideia de cura, de uma mente livre de conflitos, é uma quimera idealizada, e o que passa a ser levado em conta é a possibilidade de uma integração maior das perspectivas e desenvolvimentos pessoais psíquicos e emocionais. Em virtude disso, surgiu a necessidade de nomear realidade psíquica essa condição pessoal e individual do ser e do relacionar-se consigo, com os outros e com o ambiente, nas dimensões do sentir, do perceber, do representar, do agir, do reagir, do ser e do tornar-se.

Em Transformações: do aprendizado ao crescimento (1965/2004), Bion propõe uma capacidade de observar as transformações presentes e em trânsito na sessão. Essa teoria possibilita apreender uma técnica para a observação psicanalítica. Ele nomeia modalidades de transformação que podem ser observadas, no analisando e no analista, no decorrer da sessão.

Ao observar essas transformações, existe a possibilidade de trazê-las ao consciente – permitir que sejam apropriadas, tornadas próprias, reconhecidas como dimensões presentes no repertório humano do ser e do não ser, do se relacionar e do não se relacionar. Elas ampliam o conhecimento de si por meio do desconhecido de si mesmo.

Com a possibilidade de observar transformações, a capacidade de intuição do analista fica disponibilizada. A intuição psicanalítica é a capacidade de observar essa realidade sempre transiente, momento a momento na sessão. E que se inicia, novamente, a cada sessão (Bergstein, 2022; Braga, 2019). As observações fortalecem as intuições.2

A sessão como um campo analítico: continência e cesura

A noção de que a sessão de análise se constitui em um campo analítico (psychoanalytic field) tem sido considerada relevante. O conceito de campo deriva da física, da possibilidade de detectar forças elétricas e eletromagnéticas atuantes em determinada região. Mais tarde, Kurt Lewin procurou identificar forças emocionais atuando em um campo social. Hoje a sessão de análise pode ser considerada um campo de emoções (Hinshelwood, 2018). Recentemente, Bazzi (2022) apresentou uma interessante revisão desse conceito: um campo que envolve o espaço de encontro analítico, como o campo de uma sinapse. A sessão de análise se empobrece se é considerada apenas a justaposição de um participante sobre o outro, ou a justaposição da fala de um sobre a fala do outro. A noção de campo contempla a possibilidade de detectar a natureza do que a interação analista-analisando proporciona. É percebido um campo de interação entre os dois participantes, bem como a qualidade desse campo. Um campo de isolamento, de confronto, pode passar para um campo de continência, capaz de evoluir para um campo de interação, para um campo de elaboração e para um campo de criação, dentro de uma dinâmica de movimentos.

Ao longo de cada sessão, e do seu suceder, é possível analista e analisando apropriarem-se de diferentes dimensões do relatar, sentir, imaginar, perceber, compartilhar, alucinar, sonhar, ser consciente do que se é a cada momento, dimensões depositadas sobre o campo da sessão. Não se é apenas possuído por afetos, representações e pensamentos, mas é possível apossar-se deles em certa medida (uma consciência consciente). Esses conteúdos podem passar a dialogar inter e intrapsiquicamente em cada um dos participantes.

Ofra Eshel (2019) afirma que a dimensão da vivência não verbal e não passível de verbalização, mas de certa forma consciente para os participantes ou pelo menos para um dos participantes, ganha presença na atualidade da psicanálise. Ocorre o contato com determinados estratos da mente que não possibilitam, de forma verdadeira, a verbalização. Esta seria precoce, abortaria a vivência e traria apenas racionalidade ao campo. Podemos dizer, talvez, que são vivências em O (Bion, 1965/2004). Um O comum, entre analista e analisando, que preserva um senso de discriminação entre eles, embora ambos estejam envolvidos na mesma experiência.

Bion considera, na sessão de análise, a existência latente de um estado de turbulência emocional. Mira-se o aquém e o além do aparente, tornar o que é desconhecido ou não acessado talvez conhecível ou passível de ser imaginado, sonhado, pensado ou apropriado alucinatoriamente (partes escindidas da mente).

Na dimensão do que passa a ser acessível na sessão, uma proposta de Bion ganha maior presença. Ao revisitar Freud com mais vagar, ele percebeu que há mais continuidade entre o estado pré-natal e o pós-natal na vida humana do que a impressionante cesura do nascimento leva a crer (Bion, 1977). Ou seja, identificou uma condição primordial e primitiva que nos ultrapassa na nossa condição ponderada de interação com as situações internas e externas. Turbulências, premonições, emoções brutas e defesas contra esses elementos podem orquestrar o funcionamento mental e o viver, predominando sobre uma condição de observar, conjecturar, sonhar, pensar, elaborar e construir.

Suspeito que a experiência do nascimento seja muito severa; o que as pessoas fizeram quando eram embriões ou fetos não está mais disponível ao conhecimento. Eles não têm este sentimento fundamental, o conhecimento da diferença entre o certo e o errado, entre a verdade real ou compaixão, e o mal real – e isto é diferente de se saber o que as pessoas dizem ser a diferença entre o certo e o errado. (Bion, 1992, p. 99)

Se observamos os mitos como Freud, Klein e Bion fizeram, constatamos no mito de Édipo, da expulsão do Paraíso, da Torre de Babel, e também nas fábulas modernas dos filmes de terror ou de heróis, a proeminência de um estado de terror que se impõe e solicita a presença de um herói. Algo sobre-humano ou infra-humano (mas, paradoxalmente, também humano) que se impõe sobre o humano e que solicita, por sua vez, uma solução sobre-humana (Bion, 1994). Tais dimensões passam a ter a condição de serem observadas na sala de análise.

Detendo-se nesse tema, Braga (2019) aponta: “O movimento mental criado é a experiência de estar uno com o objeto; e que em manifestações ainda mais surpreendentes e misteriosas, a intuição é vivida em sua forma mais pura e impactante (O → O)”.

Material clínico

Quando um analisando entra na sala, será possível ver a situação como

um todo, por assim dizer, despojados, na medida do possível, de nossos

próprios preconceitos, para haver uma probabilidade de conectarmo-nos

conscientemente com algum fato demandando observação?

W. R. BION, Seminários na Clínica Tavistock

Apresentarei um material clínico no qual procuro mostrar na prática o que expus teoricamente antes. Na realidade, aconteceu o inverso: primeiro a sessão, depois a reflexão. É uma sessão peculiar, pois dimensões da mente que costumam aparecer nas sessões de forma sutil, dessa vez ficaram mais explícitas. Creio que a presença da compaixão, da intimidade, do campo analítico e do trânsito no multidimensional da mente por continências e cesuras ficará passível de ser reconhecida.3

A sessão

Ouço passos no hall de entrada do consultório e um fechar e travar da porta. Suponho que seja Nilo (vou chamá-lo assim) chegando à sua sessão de análise. Olho no relógio e vejo que sete minutos se passaram desde o início de sua sessão. Ao entrar no consultório, ele dirige os olhos para a minha direção, mas tenho a impressão de que ele não me enxerga, seu olhar me atravessa.

Ele exclama, de forma um tanto aflita:

NILO: Nossa! Tinha certeza de que não conseguiria chegar, mas estou aqui, consegui!

Termina a fala com uma risada, que me parece algo entre automática e estereotipada, mas também, de certo modo, simpática.

ANALISTA: Olá, Nilo.

Ele se deita no divã e ajeita a almofada para acomodar a cabeça. Em seguida, parece fazer movimentos para acomodar todo o corpo no divã e depois relaxa. Percebo-me acompanhando com o olhar seus movimentos, e também me acomodo, buscando maior conforto na minha cadeira.

Após algum tempo, comenta:

NILO: A situação está bem difícil no meu trabalho, muitos desentendimentos. Não sei se sou eu que não consigo que me entendam, ou se é hora de eu sair, procurar outro lugar. Uma sensação que “já deu”, não tem mais o que fazer ali. Preciso ir para outro lugar, buscar algo melhor.

ANALISTA: Interessante, observei que você, ao deitar-se no divã, foi procurando se ajeitar para achar a melhor posição. E me parece que achou.

NILO: Sim, é verdade. [Solta um suspiro. Parece soltar-se, relaxar-se. Parece até abandonar-se no divã.] Mas no trabalho e com a J [companheira de Nilo] não está acontecendo isso. Eu me sinto travado e não sei o que fazer. Parece que ninguém me entende. Sempre acontece isso, de novo e de novo.

Nilo fica em silêncio alguns momentos e, em seguida, parece progressivamente se enfurecer, movimenta-se no divã. A partir de certo ponto, parece se sentir bem desconfortável, começa a ter uma respiração mais rápida e ruidosa.

Percebo-me apreensivo e atento. E lhe digo:

ANALISTA: Nilo, percebo seu desconforto. O que estava bom parece que sumiu...

Nilo solta um suspiro novamente, mais longo que o primeiro. Põe a mão sobre os olhos, como que para os proteger ou acarinhar. A impressão que tenho é que a sala, para ele, está muito clara e iluminada. Quer proteger os olhos. Parece até que o seu corpo sente o desconforto da luz.

NILO: Ai, ai, ai, que falta que eu sinto do escuro e do silêncio. Quanta coisa para pensar, quanta coisa para se preocupar! Às vezes, eu acho que não aguento mais...

Sinto-me bastante próximo do que Nilo está experimentando. Percebo que tenho algo a lhe dizer. Mas me percebo atento a falar de uma forma vagarosa, tranquila, se poderia dizer. Uma fala para acompanhar e não quebrar o que se passa com ele, apenas para apresentar e compartilhar o que surgiu em mim:

ANALISTA: Mas também temos o descanso, o anoitecer, o silêncio que a noite traz. Aqui também temos o silêncio. Vejo que você encontrou uma forma de proteger os seus olhos da luz.

Ficamos em silêncio. Um silêncio preenchido. Parece-me um bom silêncio. Fecho os olhos também, mas sinto meus ouvidos aguçados. E me vem a pergunta: será que estou vendo com meus ouvidos?

De repente, ouço alguns sons, percebo que Nilo está movimentando os lábios. Tenho a impressão, pelo som e pelo movimento de seus lábios, de que Nilo está “mamando”. Esses movimentos param por um momento e, então, voltam a acontecer. Olho e ouço Nilo, tenho a impressão de viver um momento atemporal. Fico impactado ou impressionado pela experiência, mas nem um pouco desconfortável com ela – fico com a impressão de que era o que tinha de acontecer. Após um tempo, um longo tempo, que não sei quanto durou, ele fica imóvel, seu corpo parece tomar um tônus maior, retira a mão, depois abre os olhos e diz:

NILO: Estou me sentindo melhor.

E põe as mãos atrás da cabeça. Alguns instantes mais tarde:

NILO: Eu já te contei que voltei a jogar futebol? Foi muito bom. Encontrei uma galera bem receptiva, que joga num campo de grama de verdade, não é de grama sintética. Foi muito bom, até marquei um gol! Vamos ver... É para ter esse jogo toda semana.

Parece-me que o bebê foi embora e apareceu um adolescente querendo conhecer pessoas e experimentar o seu potencial. Uma fala sai da minha boca espontaneamente:

ANALISTA: Quanta coisa acontece, não?

NILO: Ih, cara, um monte mesmo. É bom nem pensar muito, senão a gente enlouquece!

ANALISTA: É, vamos acompanhando as experiências...

NILO: Hoje vou receber uma visita no escritório. Tem uma pessoa que tomou conhecimento de um trabalho que fiz, ligou para mim, muito educadamente, e perguntou se eu não teria um tempo para conversar com ela, que talvez ela teria uma proposta que me interessasse. Eu disse para ela: “Então temos um bom motivo para nos encontrar, pois pode acontecer algo que seja bom para ambos”. E marcamos o horário para conversar.

ANALISTA: Como algo bom que parece estar aqui na sessão.

NILO: Sim, sinto-me muito bem aqui na sessão. É difícil vir, não sei ainda por quê, mas a sensação aqui é boa e ao sair é muito boa. Mas eu não sei quanto dura. Daqui a pouco vem a agitação de novo. É ruim, é muito ruim.

ANALISTA: Você se percebe em modos diferentes.

NILO: Isso mesmo.

ANALISTA: Tenho que te dizer que estamos no horário. Vamos precisar interromper.

Nilo se levanta do divã, eu me levanto da cadeira, e ele diz: “Até amanhã”. Olha-me nos olhos e sorri. Eu olho nos olhos dele, percebo que também sorrio, e digo: “Até”. E ouço Nilo ir embora, fechando a porta do consultório.

Ao transcrever a sessão, percebo que o Nilo que saiu da sessão é muito diferente daquele que chegou, na aparência, mas apreendo que “tudo já estava lá, no início”, de certa maneira.

Comentários

Descrevo o atendimento em uma sessão na qual o analisando parece chegar atormentado – com uma turbulência interna que se espraia sobre o campo da sessão. Ao encontrar a sessão de análise, o analista e o divã, o analisando parece encontrar um continente para expressar a si mesmo. A turbulência ganha manifestações verbais e não verbais, que também são consideradas pelo analista em uma dimensão verbal e não verbal (compaixão). Tudo isso promove intimidade analítica. Ao final da sessão, há uma integração maior com partes mais primordiais de sua personalidade, que no início, ao chegar, pareciam apenas assombrá-lo. Na sessão, a continência permite que cesuras se estabeleçam espontaneamente, abrindo espaço para que novas dimensões de sua personalidade também adentrem ao campo. A continência acontece na sessão, não necessariamente na verbalização. O analista, mais um zelador, mantenedor do setting e do campo, faz a sustentação para que a sessão ocorra dentro da especificidade apresentada. Analista e analisando interagem, são presenças vivas e discriminadas, e a sessão parece alcançar a sua realização daquele dia.

Esse ciclo de diferentes transformações na sessão pode se dar com certos pacientes de forma mais explícita, mas, talvez, com qualquer paciente, de determinada forma, em algum momento, se tivermos recursos para percebê-las. Cada sessão, um novo começo. O que parece significativo, e isso esse analisando mostra, é que ele, na sessão, deixa de ser assombrado por essa parte de sua personalidade que torna tão turbulento o contato com o mundo exterior e as emoções. O analista e a sessão podem oferecer um campo receptivo de outras partes de sua personalidade, uma vez que outras alcançaram continência. Dessa forma, deve-se considerar a capacidade do analista de alucinar partes da personalidade do analisando na experiência da sessão compartilhada com ele, permitindo que elas aflorem e se emaranhem na sessão, sejam contidas e talvez ultrapassadas. Assim, não falamos de experiências de transformações em conhecimento, mas de transformações em O (Bion, 1965/2004). A sessão, e não necessariamente o analista, apresenta ao paciente novas possibilidades, o que talvez poderíamos chamar de crescimento.

A respeito desse trânsito em diferentes camadas mentais, Bion descreve:

É como se ela [a mente] fosse alguma coisa que se desenvolvesse em muitas camadas diferentes, como uma cebola. Esse ponto acrescenta importância ao fator da cesura, a necessidade de penetrar o que é reconhecido como um acontecimento dramático, como o nascimento, ou a possibilidade de sucesso ou um colapso: o paciente tem antes uma parada ou um colapso, mais do que um “progresso”. Muitas fachadas foram salvas pelo infortúnio que as transformou em uma ruína bem-sucedida. (1977, pp. 48-49)

Assim, a psicanálise permite nos aproximar de realidades humanas que transcendem a aparência: “A psicanálise busca se aproximar dos numena” (Sandler, 2008, p. 43).

2Considero que a averiguação, por parte do analista, da ocorrência do par observação-intuição na sessão de análise online pode servir como critério de avaliação dessa modalidade de atendimento.

3Na apresentação desse material clínico, seguiram-se todos os preceitos éticos, sendo realizadas alterações que impedem a caracterização de uma pessoa específica. Assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

Referências

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Recebido: 29 de Novembro de 2023; Aceito: 12 de Abril de 2024

Andreas Zschoerper Linhares azlinhares@uol.com.br

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