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Psicologia: ciência e profissão

versão impressa ISSN 1414-9893

Psicol. cienc. prof. v.18 n.2 Brasília  1998

 

Programa de Atendimento Psicológico da Unidade de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital de Apoio de Brasília1

 

 

Áderson L. Costa JuniorI; Silvia Maria G. CoutinhoII

IProfessor Assistente do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília
IIMestre em Psicologia. Psicóloga lotada na Unidade de Onco-Hematologia do Hospital de Apoio de Brasília da Fundação Hospitalar do Distrito Federal

Endereço para correspondência

 

 

Este texto, de caráter descritivo e crítico, apresenta as atividades desenvolvidas pelos profissionais e pesquisadores de Psicologia junto à Unidade de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital de Apoio de Brasília (hospital da rede pública de saúde da Fundação Hospitalar do Distrito Federal). Parte das atividades integra o Programa de Atendimento Psicológico a crianças e seus familiares, desenvolvido em parceria entre hospital e universidade. O conteúdo apresentado enfatiza: 1) o caráter interdisciplinar das atividades, elemento preconizado pela Divisão de Psicologia da Saúde da American Psychological Association; 2) a relevância do delineamento de investigações científicas, sistemáticas e com rigor metodológico, que subsidiam as intervenções profissionais da Psicologia nesta Unidade de Saúde; 3) os principais resultados alcançados até o momento; e 4) uma análise crítica das atividades desenvolvidas, incluindo-se perspectivas para aperfeiçoamento.

 

Psiconcologia em Pedriatria

Gimenes (1994) define a Psiconcologia como uma área de interface entre a Oncologia e a Psicologia, que se ocupa: 1) "com a identificação do papel de aspectos sociais, tanto na etiologia quanto no desenvolvimento da doença; 2) com a identificação de fatores de natureza psicossocial envolvidos com prevenção e reabilitação do paciente portador de câncer e; 3) com a sistematização de um corpo de conhecimentos que possa fornecer subsídios tanto à assistência integral do paciente do oncológico e de sua família como também à formação de profissionais de saúde envolvidos com seu tratamento" (p. 35-36).

Quando o paciente em questão é uma criança, uma série de variáveis potencialmente intervenientes em variados momentos da doença, incluindo a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação do paciente, devem ser consideradas. Em primeiro lugar, torna-se necessário analisar o contexto de vida da criança e de sua família antes do surgimento do câncer, bem como, os aspectos mais relacionados ao processo de desenvolvimento da criança, interrompido ou alterado com a doença. A partir desses aspectos, a intervenção psicológica pode se ocupar de questões específicas, tais como: a depressão (e respostas a ela associadas) do paciente e da família, o estresse do paciente e da equipe de saúde (e seus efeitos residuais), a percepção da experiência de dor, a ansiedade, o isolamento social da criança, as estratégias de enfrentamento do câncer, as necessidades pessoais dos familiares da criança, entre outras (Bearison & Mulhern, 1994; de Carvalho, 1994; Hall, 1997).

Estudos em Psiconcologia Pediátrica apontam para a necessidade de ajuda psicológica ao paciente quando, entre outros casos, o mesmo se encontra em alguma das seguintes circunstâncias: 1) suas reações emocionais (ou reações emocionais da família) o impedem de cooperar ou interferem negativamente sobre o tratamento; 2) o comportamento geral do paciente parece provocar-lhe mais dor, ou sentimentos de degradação corporal; 3) suas reações emocionais perturbam o desempenho de atividades que, sem as reações emocionais, seriam mais facilmente desempenhadas, tais como a manutenção de contatos sociais e execução de atividades de enfrentamento e; 4) suas reações emocionais se manifestam sob a forma de sintomas psiquiátricos convencionais ou sintomas psicológicos desadaptativos (Bearison & Mulhern, 1994; Franco-Bronson, 1995; Shalvezon, 1978).

Situando suas intervenções na área de interface entre Psicologia e Oncologia e, partindo de um modelo biopsicossocial de atendimento à saúde, que procura avaliar e tratar o paciente de forma integral, cabe ressaltar, ainda que a Psiconcologia Pediátrica deve valer-se de uma abordagem interdisciplinar de atendimento. Dentro desta abordagem, a interação com outras áreas de saúde, tais como nutrição, serviço social, enfermagem e educação torna-se uma prática natural e proporciona o planejamento conjunto de programas de atendimento à saúde mais eficazes.

O objetivo deste artigo é apresentar uma breve descrição das atividades desenvolvidas por profissionais e pesquisadores de Psicologia junto à Unidade de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital de Apoio de Brasília.

 

O Hospital de Apoio de Brasília e a Unidade de Onco-Hematologia

O Hospital de Apoio de Brasília (HAB) é um hospital da rede de assistência pública à saúde no Distrito Federal (pertencente à Fundação Hospitalar do Distrito Federal) que presta assistência a pacientes com doenças crônicas, em processo de reabilitação e/ou com potencial para reabilitação. Por ser uma unidade de saúde de atenção em nível quaternário, oferece atendimento médico especializado, suporte e complementação à assistência prestada aos usuários de outros hospitais da rede, especialmente àqueles originários do Hospital de Base do Distrito Federal (unidade de saúde pública de nível terciário).

A Unidade de Onco-Hematologia do Hospital de Apoio de Brasília presta atendimento a crianças e adolescentes portadores de doenças onco-hematológicas, sendo as patologias de mais alta frequência de atendimento, em ordem decrescente, as neoplasias ( leucemias e outros tipos de câncer - 75% dos atendimentos ), a anemia falciforme (15%) e outras patologias hematológicas (hemofilia e talassemia - 9%).

Inaugurada em agosto de 1994, a Unidade de Onco-Hematologia caracteriza-se pelo atendimento médico e interdisciplinar de segunda a sexta-feira, através de consultas, em esquema de hospital-dia, com internações de terça a sexta-feira para quimioterapia. Crianças e adolescentes são encaminhados do Hospital de Base do Distrito Federal, já admitidos pelo médico oncologista, e retornam ao Hospital de Base para atendimento de intercorrências, realização de cirurgias (e outros procedimentos médicos de médio e grande porte) e períodos de internação mais prolongados, de acordo com as necessidades do tratamento.

No Hospital de Apoio de Brasília, os pacientes recebem o acompanhamento médico básico de rotina, realizam exames laboratoriais de diagnóstico e tratamento de câncer (incluindo hemogramas, mielogramas, punções lombares e punções venosas) e são acompanhados por uma equipe multidisciplinar composta por: 02 (dois) assistentes sociais, 01 (um) enfermeiro, 08 (oito) auxiliares de enfermagem, 06 (seis) médicos oncologistas pediátricos, 02 (dois) nutricionistas, 02 (duas) professoras de ensino regular, 01 (uma) professora de educação física, 02 (dois) psicólogos e estagiários de Psicologia supervisionados, em conjunto, pela psicóloga da Unidade e por professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília.

 

A parceria Hospital - Universidade e a expansão do atendimento psicológico

Em janeiro de 1996, foram estabelecidas as diretrizes para a criação do Programa de Estágio Supervisionado em Psicologia da Saúde (com atuação em Psiconcologia Pediátrica).

O Programa de Estágio, de caráter introdutório ao campo da Psicologia da Saúde, constitui atividade supervisionada desenvolvida, exclusivamente, junto à Unidade de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital de Apoio de Brasília (HAB) e oferecida a estudantes de graduação em Psicologia da Universidade de Brasília.

O ingresso do estudante no referido Estágio Supervisionado pressupõe o cumprimento de requisitos estabelecidos pelo regimento do curso de graduação em Psicologia da Universidade de Brasília, incluindo: 1) possuir número mínimo de 180 (cento e oitenta) créditos do curso de graduação em Psicologia; 2) ter sido aprovado em análise de histórico escolar de graduação; 3) ter cursado, com aprovação, as disciplinas obrigatórias Ética Profissional e Aconselhamento Psicológico; e 4) ter sido aprovado em entrevista de seleção, realizada pelo Supervisor de Estágio (Professor da Universidade) e pela Coordenadora de Estágio da Unidade de Onco-Hematologia do Hospital de Apoio de Brasília.

Inserida como disciplina obrigatória do curso de Graduação em Psicologia, o Estágio Supervisionado prevê a participação do estagiário de Psicologia em um programa de atividades adaptado às necessidades da Instituição e da Unidade de saúde, incluindo: 1) coerência com a filosofia e os objetivos da instituição; 2) ênfase interdisciplinar de atuação profissional; e 3) especificação de conteúdos teóricos, metodológicos e técnicos específicos.

O conteúdo programático do Estágio inclui:

1) iniciação à atuação profissional supervisionada em unidade de assistência à saúde pediátrica; 2) participação colaborativa em programas de atenção em Psiconcologia e Hematologia infantil, incluindo atividades orientadas ao atendimento dos usuários (crianças e familiares) e em atividades junto à equipe interdisciplinar de saúde; 3) treinamento de habilidades básicas para atuação em Psiconcologia Pediátrica: conceitos básicos, fundamentação teórico-metodológica, terapêutica e terminologia apropriada; 4) estudo de variáveis de natureza psicológica do paciente com câncer, incluindo: personalidade, estresse, estigma e auto-imagem, afetividade, depressão, dor e enfrentamento; 5) atendimento psicológico às necessidades do paciente com câncer e de seus familiares; 6) treinamento de habilidades iniciais para uso de técnicas úteis ao diagnóstico cognitivo (e comportamental), ao acompanhamento, reabilitação e à estimulação do processo desenvolvimento de pacientes oncológicos pediátricos.

De 1996 até o primeiro semestre de 1998, o referido Programa de Estágio recebeu e deu treinamento a um total de 12 (doze) estagiários de graduação em Psicologia.

Simultaneamente à criação do Programa de Estágio Supervisionado, foi desenvolvido um conjunto de atividades de intervenção profissional em saúde, dentre as quais, algumas integram o Programa de Atendimento Psicológico da Unidade de Onco-Hematologia do Hospital de Apoio de Brasília. O citado Programa prevê um fluxo obrigatório de atividades que são realizadas com todas as crianças e familiares, usuários daquela Unidade de Saúde, e um fluxo optativo de atividades que somente é realizado com determinadas crianças e seus familiares, a partir de critérios de elegibilidade específicos. Seguindo a filosofia do curso de graduação em Psicologia da Universidade de Brasília, todas as atividades, de intervenção profissional, previstas pelo Programa de Atendimento Psicológico, são baseadas em dados coletados por investigações científicas específicas que ocorrem dentro da Unidade, sob coordenação da psicóloga da Unidade e do Professor da Universidade de Brasília. As pesquisas realizadas têm objetivo de obter informações sistemáticas e com rigor metodológico, que subsidiem as intervenções profissionais nesta Unidade de Saúde.

Dentre as atividades que incluem alguma modalidade de atendimento de natureza psicológica (isto é, que prevêem a participação do profissional de Psicologia), algumas são realizadas, exclusivamente, pelos profissionais de Psicologia (aquelas que incluem métodos e técnicas psicológicas de caráter privativo a este profissional) e outras atividades são desenvolvidas em caráter interdisciplinar.

Atualmente, o fluxo de atendimento disponibiliza as seguintes atividades:

 

 

Se considerarmos todas as atividades, acima explicitadas, nas quais o profissional de Psicologia tem participação, o número total de atendimentos realizados pela Psicologia, por ano, desde a inauguração da Unidade, foi o seguinte:

 

 

Observa-se, a partir dos dados acima, que a parceria entre a Universidade e o Hospital, a partir de 1996, pode explicar o aumento relativo do número de atendimentos. A avaliação sistemática do programa, desde sua implantação, tem permitido: 1) a identificação da relação funcional entre a geração de conhecimento através de pesquisa científica e a intervenção psicológica, de caráter profissional; 2) a constante atualização dos modos de intervenção psicológica, com objetivo de reduzir as condições de risco de desenvolvimento de crianças (em tratamento de saúde) e ampliar o repertório sócio-comportamental das crianças e familiares para facilitação da adesão ao tratamento e do processo de enfrentamento das doenças.

 

Descrição e objetivos gerais do Programa de Atendimento Psicológico da Divisão de Psicologia da Unidade de Onco-Hematologia Pediátrica do HAB

A seguir, são descritas as atividades que integram o Programa de Atendimento Psicológico, à criança e seus familiares, da Unidade de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital de Apoio de Brasília.

1) Entrevista de admissão:

Envolve a coleta de dados pessoais e sócio-demográficos, a partir de roteiro específico que inclui questões relativas à rotina diária da criança (alimentação, sono, lazer e atividades gerais), dinâmica familiar e queixas de natureza psicológica. As respostas apresentadas pelos pais à entrevista, as observações sistemáticas realizadas por profissionais e estagiários de Psicologia e as informações transmitidas pelo médico são utilizadas como indicadores que sugerem a necessidade de realização de entrevista de anamnese psicológica (entrevista clínica detalhada e padronizada, a partir de roteiros propostos por Carretoni Filho & Prebianchi (1993) e por Costa Jr. (1992)) e/ou atendimento psicológico especial.

A entrevista de admissão é, também, o momento em que são apresentados os objetivos de cada atividade integrante do programa de atendimento psicológico e é estabelecido o vínculo entre o profissional e o paciente e seus familiares.

Ao final da entrevista de admissão, os profissionais que dela participaram, elaboram o planejamento da conduta de acompanhamento do paciente e dos familiares, que poderá, ou não, ser apresentada e discutida em reunião clínica da unidade.

2) Atendimento de casos especiais:

São designados para atendimento especial, a partir da entrevista de admissão (ou de outra atividade, desde que a entrevista de admissão não tenha detectado indicadores suficientes), os casos em que se percebam a existência de condições de risco à saúde psicológica (cognitiva e comportamental) da criança, incluindo fatores de desequilíbrio da dinâmica

familiar. O atendimento de casos especiais prevê a programação de intervenções sistemáticas com paciente e familiares, em sistema de psicoterapia breve, de acordo com características de diagnóstico da criança e demanda familiar. Esta atividade é restrita ao profissional de Psicologia e ao estagiário de Psicologia, sob supervisão direta do profissional psicólogo.

3) Ronda de estimulação social:

Trata-se do percurso de um agente estimulador (psicólogo e estagiário de Psicologia) pela Unidade, interagindo sistemática e individualmente com cada paciente a nível social, sensorial e psicomotor.

Esta atividade prevê a estimulação de respostas apropriadas da criança à situação hospitalar, utilizando-se métodos psicológicos e instrumentos auxiliares. A atividade pretende, ainda, proporcionar treinamento apropriado à mãe (ou outro acompanhante da criança) para que esta possa proporcionar condições de estimulações à criança quando da ausência do profissional de Psicologia. A atividade de ronda de estimulação social é baseada no trabalho pioneiro desenvolvido por Guimarães (1987).

4) Programa de recreação planejada em sala de espera hospitalar:

Visando a promoção e o favorecimento da continuidade do processo de socialização da criança durante o período de tratamento hospitalar, bem como sua participação ativa em todos os momentos de permanência no hospital, executa-se um programa de atividades de recreação planejadas para crianças e familiares, com atuação do profissional de Psicologia e estagiários, em sessões de três horas de duração. A execução da atividade utiliza metodologia observacional com registro sistemático de comportamentos de crianças e familiares.

Esta atividade pretende estimular a aquisição de repertório de comportamentos social e instrumental da criança e favorecer o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento (coping) das situações (aversivas) de doença, hospitalização e tratamento. Observa-se, ainda, que a atividade oferece um modelo de atuação e de treinamento dos pais para estimulação de seus filhos, generalizável a outros contextos ambientais além do hospital. O programa de recreação planejada está baseado no estudo desenvolvido por Coutinho (1997) e resultados parciais, de estudo em andamento, podem ser obtidos em Coutinho, Costa Jr., Costa, Quinteiro e Chaves (1997).

5) Programa de manejo de procedimentos médicos invasivos:

Trata-se de um conjunto de procedimentos, utilizando metodologia experimental, com objetivo de intervenção sobre o processo de percepção e reação à dor, em situações de procedimentos invasivos de punção venosa em quimioterapia e punção lombar.

Resultados parciais, de estudo em andamento, podem ser obtidas em Costa Jr., Azevedo, Quinteiro e Coutinho (1998).

6) Programa de grupo informativo de pais:

Atividade realizada com familiares, tendo a presença de, pelo menos, um profissional de cada especialidade (da equipe de saúde da Unidade) que disponibilizam oportunidade aos familiares de receberem, ou solicitarem, esclarecimentos acerca da doença, tratamento e evolução do quadro clínico de sua criança.

7)  Programa de grupo de apoio de sala de espera:

Refere-se uma atividade desenvolvida pelo profissional de Psicologia, Serviço Social, Enfermagem e Nutrição com os familiares e/ ou acompanhantes das crianças agendadas para consulta (ambulatorial) do dia, visando a vivência de conflitos pessoais e/ou familiares relacionados à doença.

Constituem objetivos secundários, desta atividade, o estreitamento de laços sociais e afetivos e troca de experiências entre acompanhantes, bem como, o fornecimento de suporte positivo a familiares e acompanhantes no enfrentamento de dificuldades relacionadas à doença e ao tratamento.

8)  Visitas domiciliares e escolares:

Visam o favorecimento de contato entre os profissionais de saúde e o contexto social e educacional em que se encontra a criança e o familiar.

Esta atividade permite a avaliação de fatores extra-hospitalares que interferem na motivação para adesão ao tratamento e facilita o planejamento de uma intervenção intra e extra-hospitalar, multidisciplinar, mais efetiva.

9) Programa de grupo de enfrentamento -Corelim:

Trata-se de um programa desenvolvido pela equipe multidisciplinar com crianças com câncer e seus familiares, sob coordenação da Psicologia, com participação de assistente social, enfermeiro, nutricionista e professoras.

Envolve a estimulação, nas crianças e adolescentes com câncer, do desenvolvimento do conhecimento e percepção de suas necessidades físicas, sociais e psicológicas que permitam o contato com suas limitações e potencialidades, possibilitando a mobilização de recursos interiores para reação e reversão do processo de doença.

Entre os objetivos desta atividade, é necessário citar: 1) a oportunização de maior quantidade e qualidade de expressão da criança e do adolescente com câncer, de forma a interferir e reverter o processo de depressão que comumente se desenvolve em pacientes portadores da doença e influi negativamente no tratamento; 2) a prevenção de possível desestruturação e rupturas no ciclo de vida familiar e no ciclo de desenvolvimento das crianças e adolescentes com câncer, em função dos processos de doença e tratamento. Resultados parciais, de estudo em andamento, podem ser obtidos em Coutinho e Cols. (1998).

10) Programa de avaliação do desenvolvimento infantil:

Esta atividade envolve e avaliação geral do processo de desenvolvimento de crianças em tratamento médico e a disponibilização de esclarecimentos e estimulação do desenvolvimento infantil (aspectos morfológicos e funcionais) durante o período de tratamento e de acompanhamento pós-tratamento (com duração de, pelo menos, cinco anos).

 

Considerações finais

Na medida em que se fundamenta no conhecimento exposto através da literatura psiconcológica e se preocupa com o desenvolvimento de novos conhecimentos na área, o programa de atendimento psicológico, apresentado neste artigo, pretende ser um exemplo de como aliar teoria, pesquisa e prática (intervenção). Ao mesmo tempo, pretende mostrar alternativas efetivas de trabalho integrado da psicologia com as demais disciplinas envolvidas na assistência à saúde pediátrica, apostando na viabilidade de uma tão discutida, mas pouco praticada, abordagem interdisciplinar. Os resultados obtidos até o momento sugerem que tal atendimento vem sendo eficiente em suas pretenções. Apontam, entretanto, para a necessidade de maior sistematização e precisão nos procedimentos de avaliação dos programas e das respostas observadas nos pacientes e seus familiares às intervenções desenvolvidas.

 

Referências bibliográficas

Bearison, D.J. & Mulhern, R.K. (1994). Pediatric Psychooncology -Psychological Perspectives on children with cancer. N. York: Oxford University Press.

Carretoni Filho, H. & Prebianchi, H.B. (1993). Anamnese: exame clínico psicológico. Campinas: Editorial Psy.

Coutinho, S.M.G., Diniz, A.F.G, Rodrigues, C.M., Araujo, M.A.V., Maioli, L., Zischegg, L.V, Ströher, L.M.C, Neves, R.S., Diniz, S.F.B. & Campos, S.N. (1998). Atendimento de crianças com câncer: implantação do Programa CORELIM em uma unidade de saúde do DF. [Resumo]. Trabalho apresentado durante o Hl Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia. Goiânia: SPPO.

Coutinho, S.M.G., Costajr., A. L, Costa, S.T., Quinteiro, R.S. & Chaves, T.L. (1997). Proposta de recreação planejada em situação de sala de espera hospitalar. [Resumo]. Trabalho apresentado durante o VII Encontro Nacional dos Psicólogos da Área Hospitalar (Vll ENPAH). Resumos de Comunicações Científicas, p. 69. Brasília:UnB.

Coutinho, S.M.G. (1997). Mediação do adulto na interação entre crianças no contexto hospitalar, uso de regras em situação de disputa de brinquedo. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília.

Costa Jr., A. L., Azevedo, L.P., Quinteiro, R.S. & Coutinho, S.M.G. (1998). Descrição de processos comportamentais no contexto de procedimentos invasivos em Oncologia Pediátrica. [Resumo]. Trabalho apresentado durante o III Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia. Goiânia: SPPO.

Costa Jr., A. L. (1992). Avaliação de desenvolvimento comportamental de crianças com e sem história de desnutrição. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília.

de Carvalho, M.M.M.J. (1994). Introdução à Psiconcologia. Campinas: Editorial Psy.

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Gimenes, M.G. (1994). Definição, foco de estudo e intervenção. Em: M.M.M.J. de Carvalho. Introdução à Psiconcologia. (p.35-36). Campinas: Editorial Psy.

Guimarães, S.S. (1987). Elaboração de um procedimento sistematizado para ronda de estimulação social de crianças em enfermarias pediátricas. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília.

Hall, A. (1997).Psychological support for cancer patients and their medical carers. Em:J.W. Sweetenham & C.J. Williams (1997). Supportive Care of the Cancer Patient (pp. 173-184). London: Arnold.

Shalvezon, J. (1978). Cancer - Enfoque psicológico. Buenos Aires: Editorial Galerna.

 

 

Endereço para correspondência
Áderson L. Costa Junior
SHIS QI 17 Conjunto 05 Casa 17
71645-050. Brasília. DF. E-mail: aderson@unb.br

Silvia Maria G. Coutinho
SQN 202 Bloco H Apartamento 201
70832-080. Brasília. DF.

 

 

1 Artigo, de caráter crítico-descritivo, submetido à publicação em periódico nacional especialiazado.