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Boletim - Academia Paulista de Psicologia

versão impressa ISSN 1415-711X

Bol. - Acad. Paul. Psicol. v.28 n.2 São Paulo dez. 2008

 

HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

 

Lino de Macedo: um construtor da Psicologia1

 

Lino de Macedo: a Psychology’s builder

 

 

Eda Marconi Custódio2

Cadeira nº 20 “João Toledo”
Universidade Metodista de São Paulo - UMESP
Universidade de São Paulo - USP

 

 


RESUMO

O texto resume a trajetória acadêmica e profissional do Prof. Dr. Lino de Macedo, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e membro recém-empossado na Academia Paulista de Psicologia. Expõe suas primeiras experiências na área da Educação e ingresso na da Psicologia, principalmente com os estudos da obra de Jean Piaget. Assinala, ainda, sua valiosa contribuição aos educadores, permitindo uma reflexão sobre estratégias de ensino que devam ser constantemente reformuladas com o intuito de promover-se uma aprendizagem significante, de uma psicopedagogia que possa ser praticada no contexto escolar e não somente no contexto clínico.

Palavras-chaves: Lino de Macedo; Psicopedagogia; Ensino-aprendizagem; Interdisciplinaridade.


ABSTRACT

This work condenses the academic and professional trajectory of Professor Lino de Macedo, of the Psychology Institute of the University of São Paulo and a recently inducted member of the São Paulo Academy of Psychology. It presents his first experiences in the area of Education and his introduction to Psychology, mainly with the studies of Jean Piaget’s works. It show, furthermore, his valuable contribution to the educators, allowing a reflection on the teaching strategies which should be constantly reformulated in order to promote a significant apprenticeship, of a psychopedagogy that may be applied in the schooling context, and not only in the clinical context.

Keywords: Lino de Macedo; Psychopedagogy; Teaching-learning; Interdisciplinarity.


 

 

Em 21 de agosto de 2008, passou a ocupar a Cadeira 22, da Academia Paulista de Psicologia, o Prof. Dr. Lino de Macedo, nascido em Frutal, Minas Gerais, em 12 de novembro de 1944, filho do Sr. João Magalhães Macedo e de Dona Geralda Silva Macedo. É ele casado com a Psicóloga e Psicanalista Dra. Elza Mendonça de Macedo, com quem teve três filhos: Valéria, Gabriela e Pedro, este prematuramente falecido (Atos da Academia, 2007).

A vida do Professor Doutor Lino de Macedo esteve, desde seu início, intensamente vinculada ao ambiente educacional. E mais propriamente ao da Escola “Presidente Getúlio Vargas” de propriedade de seu pai, que nela também lecionava, situada ao lado de sua casa (Atos da Academia, 2007; Souza, 2004).

As primeiras experiências assim vividas pelo Prof. Lino, como carinhosamente o tratam seus colegas de trabalho e seus orientandos, provavelmente marcaram indelevelmente sua visão de mundo e determinaram a posição que nele queria ocupar: professor, pesquisador e promotor de estratégias para um ensino de excelência, que desenvolvam nas pessoas não apenas conhecimentos e técnicas, mas uma formação para a vida.

A conquista desse status, contudo, foi pontilhada por uma luta árdua, contínua e notavelmente ascendente. Cursou a Escola Normal em Nova Granada, Estado de São Paulo e aos dezoito anos já lecionava para alunos da 1.ª série de uma escola rural. Fez o Curso de Pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Preto, para onde se mudara. Essa Faculdade integra hoje a UNESP (Atos da Academia, 2007; Macedo, 2008).

No curso de Pedagogia, teve os primeiros contatos com a obra de Piaget através do renomado Prof. Carlos Funari Prósperi (professor de Matemática e Estatística) e da Profª Dra. Zélia Ramozzi Chiarottino, que na época lá ministrava aulas de Psicologia da Inteligência e do Desenvolvimento. E com certeza foram essas experiências também determinantes na sua carreira, vez que é reconhecidamente uma autoridade em Psicologia do Desenvolvimento segundo o referencial de Jean Piaget e orientador de projetos voltados para a pesquisa na área educacional, inclusive no ensino de Matemática. (Macedo, 2005; Atos da Academia, 2007)

Um exemplo disso é a criação, em 1978, e a coordenação, até o presente momento, do Laboratório de Psicopedagogia no Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Neste Laboratório, tem o Prof. Lino desenvolvido vários projetos de pesquisa, entre eles: “Jogo, Inteligência e Afetividade”; “Jogo, Ensino e Aprendizagem”; os “Jogos na Aprendizagem e ensino da Matemática” (Macedo, 2008).

Terminado o Curso de Pedagogia na Faculdade de São José do Rio Preto, onde também lecionou em substituição à Profª Zélia, ingressou no Curso de Mestrado em Psicologia Social e Experimental no IPUSP, estimulado pela mesma professora.

Sua primeira orientadora foi a saudosa Profa. Dra. Annita de Castilho e Marcondes Cabral, que ocupava a Cadeira 17 desta Academia, que em seguida afastou-se daquele Departamento, sendo substituída pela Profa. Dra. Carolina Martuscelli Bori. Estes novos contatos intensificaram suas experiências interdisciplinares (Macedo, 2005). A Dra. Annita era uma estudiosa da teoria da Gestalt (Cabral,1999) e a Dra. Carolina, uma grande incentivadora do behaviorismo em nosso país (Bori,1999).

Sua dissertação de Mestrado “A exploração olfativa no rato: influência no desempenho de uma resposta aprendida” (Macedo, 2005), tinha como base a Psicologia do Desenvolvimento na perspectiva de Piaget, mas partiu de uma experiência obtida nas aulas do Prof. César Ades, por sinal com seu ingresso na Academia na mesma data em que ocorre a do Prof. Lino.

A partir da consulta ao seu Currículo Lattes (Macedo 2008b) é possível constatar que de 1970 a 1975, o Prof. Lino lecionou Psicologia do Desenvolvimento na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP) e entre 1970 a 1973 realizou seu doutorado em ciências: Psicologia, também sob orientação da Profa. Carolina, defendendo a tese: “Aquisição da noção de conservação por intermédio de um procedimento de escolha conforme o modelo”.

Realizou o Concurso de Livre-Docência no Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do IPUSP em 1983, com a tese: “Nível operatório de escolares (11 a 15 anos) na EDPL de Longeot”. Trata-se de uma escala construída por Longeot (1978), a partir do referencial teórico de Jean Piaget, com o objetivo de avaliar o nível operatório dos participantes da pesquisa.

Desde 1976, o Prof. Lino passou a integrar o corpo de docentes do IPUSP, ministrando a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento no Curso de Graduação em Psicologia; no Curso de Graduação em Fisioterapia e no Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano.

No IPUSP, ocupou também cargos na administração do órgão, tendo sido Chefe de Departamento entre 1986 e 1989; Vice-Diretor por dois mandatos, entre 1989 e 1993 e entre 2000 e 2004. E, ainda, Diretor entre 1996 e 2000.

Possui prêmios e títulos de consagradas instituições, como a Fundação Abrinq, em 2003 –”Compromisso com a defesa e os direitos das crianças e dos adolescentes no Brasil” – e do Ministério da Educação, em 2002 – “Prêmio Nacional de Mérito Educativo.”

Pesquisando sobre sua produção científica e acadêmica no Currículo Lattes (Macedo, 2008b), foi possível constatar: 44 artigos em periódicos científicos; 12 livros; 29 capítulos de livros; 57 textos em jornais de notícias/revistas; 18 trabalhos completos em anais de Congressos; 52 resumos publicados em anais de Congressos; 112 participações em eventos, tendo sido organizador de três deles.

Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano do IPUSP, orientou 34 dissertações de Mestrado e 30 teses de Doutorado, contribuindo dessa forma para a sedimentação de massa crítica para a Universidade de São Paulo e várias outras pelo Brasil afora, razão de justo orgulho pelo dever cumprido de Professor. Vários desses orientandos são seus colegas de trabalho no IPUSP e em outras unidades da USP.

Foi representante da área de Psicologia na CAPES; Presidente da ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia); Presidente da SBPD (Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento). É Presidente do Conselho Diretor da Associação dos Amigos do Centro Universitário Maria Antonia; membro da CERT (Comissão Especial de Regimes de Trabalho da Universidade de São Paulo) e presentemente Titular da Academia Paulista de Psicologia (Cadeira 22).

Uma particularidade dos ocupantes da Cadeira 22 talvez seja a de ampliar os horizontes da Psicologia para além dos espaços até então explorados pelos profissionais e pesquisadores da área. Seu Patrono foi João Carvalhaes, provavelmente o primeiro profissional brasileiro a dedicar-se à Psicologia do Esporte antes mesmo da formação graduada dos primeiros psicólogos brasileiros e do reconhecimento da profissão. Carvalhaes (1975) traça um histórico dessas atividades e assinala ...a validade e necessidade da presença do psicólogo antes, durante e depois das competições esportivas (p. 61). Carvalhaes foi o primeiro psicólogo a trabalhar com um time de futebol quando, em 1957, foi admitido pela agremiação esportiva São Paulo Futebol Clube. Conseqüentemente foi um dos primeiros psicólogos a partilhar conhecimentos psicológicos com profissionais da área esportiva – preparadores físicos, médicos, técnicos, atletas. Mas há um feito que permitiu guardar sua lembrança na memória do povo brasileiro. Ele foi o primeiro psicólogo a acompanhar a seleção brasileira de futebol que competia em campeonato mundial, Copa de 1958, Suécia, e que conseguiu pela primeira vez a taça Jules Rimet para o Brasil (Waeny & Azevedo, 2003; Costa, 2006). Agora, em 2008, este evento foi recordado e várias homenagens foram prestadas a João Carvalhaes (ABRAPESP, 2008).

José Novaes Paternostro toma posse da Cadeira 22 em agosto de 1980, na cerimônia de instalação da Academia (Paternostro,1999). O Pater, como era conhecido por seus colegas de trabalho (Carelli, 1997) dedicou-se à aplicação e disseminação dos conhecimentos da Psicologia na área de seleção e orientação profissional. Compartilhou da presença de Roberto Mange em nosso meio (Custódio, 2000) e, portanto, de trabalhos desenvolvidos na Divisão de Seleção da Estrada de Ferro Sorocabana, na qual assumiu o cargo de Diretor ao lado de Antonio Carelli (Carelli,1975), ex-ocupante da Cadeira 10. Por sua experiência acumulada, foi convidado, em várias ocasiões, para prestar consultoria a serviços emergentes nos quais os conhecimentos da Psicologia poderiam ser aplicados nas empresas e instituições. Tornou-se um grande divulgador deste tipo de conhecimento, ministrando disciplinas relacionadas ao tema em vários cursos, notadamente os voltados para a formação de administradores de empresas em faculdades da Capital e do interior de São Paulo, bem como em instituições de formação especializada como o IDORT (Paternostro, 1999). Assumiu a chefia da divisão IV – Psicologia Aplicada ao Trabalho e à Indústria no período de 1963- 1964, da Sociedade de Psicologia de São Paulo (Pérez-Ramos & Morais, 2000).

O Prof. Lino também tem se revelado um grande divulgador dos conhecimentos desenvolvidos pela Psicologia, passíveis de serem aplicados em outras áreas, notadamente na educação. É reconhecido como um educador que inovou, promoveu novas estratégias de ensino. Suas primeiras pesquisas e as que desenvolveu com seus orientandos foram rapidamente assimiladas por professores e diretores escolares. Suas obras são muito consultadas e quando se sabe que o Prof. Lino vai fazer uma palestra, com certeza haverá uma platéia ávida por seus conhecimentos. Acreditamos que a divulgação da obra de Piaget para um público mais amplo entre nós deve-se muito a esse eminente professor e aos que tiveram contato com ele.

Pude ter uma experiência particular desta notoriedade do Prof. Lino quando, por volta de 1970, matriculei meus filhos numa pré-escola em São Caetano do Sul, o “Mundo Pequenino”. Sua Diretora era uma pessoa muito culta e assídua leitora dos trabalhos e assistente das palestras de Lino de Macedo a quem muito admirava. Lia também a obra de Piaget e freqüentemente orientava seus professores sobre estratégias válidas, as quais o Prof. Lino certamente aprovaria. Sabia também, como ele esclarecia, que não havia um método piagetiano de ensino, fato relativamente divulgado na época, ao ponto de algumas escolas tentarem promover-se a partir dessa afirmação.

Durante praticamente toda sua vida acadêmica, o Prof. Lino tem sido procurado por professores, sobretudo da educação básica, para dar cursos e palestras sobre o desenvolvimento da criança, segundo o modelo construtivista de Piaget e sua importância para a aprendizagem escolar. Para considerar esta questão na escola, segundo a perspectiva de Piaget, é necessário ter em conta o que esse autor escreveu, particularmente a respeito do desenvolvimento da criança e não sobre a aprendizagem, como o próprio Prof. Lino assinala (Macedo, 2008a):

Para Piaget, a aprendizagem refere-se à aquisição de uma resposta particular, aprendida em função da experiência, seja ela obtida de forma sistemática ou não. O desenvolvimento seria uma aprendizagem no sentido lato e ele é o responsável pela formação dos conhecimentos. Sendo assim, Piaget interessou-se muito mais em descrever e analisar o desenvolvimento da criança do que suas aprendizagens (p.47).

Além da consulta à sua obra, pois seus livros são muito procurados por educadores, como já foi mencionado, uma pesquisa na Internet, em sites de busca, dá-nos conta do reconhecimento de sua produção, da demanda sobre seus ensaios teóricos, suas experiências sobre estratégias de ensino. O Prof. Lino de Macedo recebe convites para apresentar e discutir suas propostas em vários locais. E suas idéias são debatidas com aqueles que estão nos espaços de formação dos futuros adultos, entre pais e educadores. Vejamos alguns exemplos: a transcrição de Mirian Gianella (Gianella, 2003) a partir de debate sobre os jogos; os vários textos desse ilustre professor encontrados no site do Centro de Referência em Educação Mário Covas – Portal do Governo do Estado de São Paulo.

Secretarias Municipais de Educação também o convidam para proferir palestras e debater questões relativas à educação dos jovens. A coordenadora pedagógica Maria Margarida Baggio di Sopra faz a resenha do que o Prof. Lino apresentou no Rio Grande do Sul, em Tapera (2007): um debate sobre a questão do erro, da regra, da regulação no qual o professor afirma que muitas vezes os alunos erram na escola porque não conhecem as regras. A referida professora faz, inclusive, uma observação em meio à sua resenha: “Lino veio falar bem da regra.”.

O tema “regra” reporta-nos ao tema disciplina, cordialidade e respeito no ambiente escolar e justamente nestes tempos atuais a mídia informa-nos diariamente sobre a falta de disciplina, de respeito, agressões de alunos aos professores, destes aos alunos, vandalismos e destruições.

E temas extremamente importantes no momento que vivemos, como por exemplo, a disciplina tem merecido do Prof. Lino respostas que nos fazem refletir sobre a inserção do processo educativo no comportamento social. Em entrevista a Márcio Ferrari (2005), da Revista Escola, assim ele manifesta-se:

P. É possível ensinar disciplina?

R. Sim. Disciplina é uma competência escolar que as crianças aprendem como qualquer conteúdo. Condição para realizar um trabalho com êxito é uma matéria interdisciplinar, porque dela dependem todas as outras.

P. É possível ensinar disciplina pelo exemplo?

R. Sim. Um erro comum é achar que a falta de disciplina é sempre do outro. Fala-se muito que as crianças de hoje não têm limites. É verdade. Mas nós adultos também não temos. Em uma sociedade como a nossa, um dia se almoça de manhã, outro dia de tarde, outro dia enquanto se fala ao celular. Nós é que não temos rotinas para organizar a vida das crianças. Entendemos os motivos da nossa “indisciplina”, porque sabemos que para muitas pessoas a regularidade se tornou impossível. Mas, se nós não somos disciplinados, porque esperamos um comportamento regular das crianças, como se fosse uma coisa natural, espontânea, quase herdada?...

O Prof. Lino também tem conduzido várias pesquisas em que o jogo, a brincadeira, tem sido tema recorrente. Igualmente este tipo de reflexão ganha o interesse do seu grande público, os professores, e novamente as projeções do autor implicam em demonstrar que brincar é mais que aprender. Brincando uma criança desenvolve suas habilidades motoras, perceptivas, cognitivas, mas, acima de tudo, elabora experiências emocionais e desenvolve competências sociais e Lino complementa: Brincar (...) é uma experiência fundamental, um modo de decidir como percorrer a própria vida com responsabilidade (Macedo, 2007).

Em geral, os livros são mais acessíveis ao grande público de leitores do que os artigos científicos, e uma forma de despertar o interesse de novos leitores é resenhar obras consideradas importantes. O Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) encarrega-se da edição de Resenhas Educativas/Education Review, para publicação on-line de resenhas de livros recém-lançados na área da Educação, abrangendo o conhecimento e a prática em sua totalidade. Em 2005, o Prof. Lino editava a obra Ensaios pedagógicos: como construir uma escola para todos pela editora ArtMed (Porto Alegre). Também em 2005, este livro, que Ao professor atento, oferece elementos para o planejamento de um projeto curricular de uma escola inclusiva é resenhado por Gómez (2005, p. 1), da Universidade Vale do Rio Verde, contribuindo para a disseminação de conhecimentos sobre as práticas de inclusão educacional e social tão debatidas no presente momento.

Também em vídeos disponíveis na Internet, os educadores têm condições de ouvir as explicações do Prof. Lino acerca destas estratégias de intervenção junto aos alunos. Como exemplo: www.sabertv.net/view/140/video-artigo-lino-demacedo-2/

E para dar conta desta proposta, o Prof. em questão defende a interdisciplinaridade, como se deduz da entrevista por ele concedida à Professora Marilene Proença de Souza (2004) para a Revista de Psicologia Escolar e Educacional:

P.: Que aspectos você destacaria como mais marcantes em sua formação para a compreensão educativa da prática psicológica?

R.: ....os aspectos mais marcantes de minha visão são de natureza interdisciplinar. Ou seja, de um lado a criança e o seu processo de desenvolvimento (tal como entendido e estudado experimentalmente por Piaget) e, de outro lado, a escola e sua função de iniciar os alunos nas artes e nas ciências, sobretudo em matemática e em língua portuguesa. Trata-se, portanto, de uma visão interdisciplinar e psicopedagógica do conhecimento. Interdisciplinar, porque disciplinas, discípulos e docentes são considerados como partes interdependentes, isto é, irredutíveis, complementares e indissociáveis. Psicopedagógica, porque a didática (os conteúdos e os modos de ensinar, bem como as características daqueles que se responsabilizam por sua transmissão) é considerada em relação (ou seja, tanto quanto possível de forma não-dualística) às crianças que aprendem e aos contextos socioculturais (família, classe social, etc.) a que pertencem e que definem, em parceria com a escola, as significações desta aquisição para elas. (p.232)

Esta possibilidade de pesquisar dentro de uma perspectiva interdisciplinar, que vem sendo experienciada pelo Prof. Lino, desde o Mestrado, possibilitou um crescimento muito grande nas concepções sobre delineamento de projetos de pesquisa na fronteira entre Educação e Psicologia. Muitos orientandos e orientadores têm-se beneficiado desse conhecimento no momento em que o Prof. Lino é convidado para participar de uma banca de exame geral de qualificação, de mestrado ou de doutorado. Nestes momentos ele apresenta uma série de possibilidades de diferentes concepções de pesquisa que enriquecem sobremaneira o trabalho idealizado inicialmente.

Provavelmente uma das suas grandes contribuições para a Psicologia e para a Educação é a Psicopedagogia tal como concebida por ele, uma possibilidade de pensar as dificuldades e a promoção da aprendizagem dentro do âmbito escolar, uma experiência que possa ser compartilhada por todos os atores desse espaço, ou seja, professores, alunos e pais e não apenas no espaço clínico e, portanto, mais elitista e limitado na sua abrangência (Souza,2004).

O Prof. Lino é também uma pessoa amorosa, sensível, afetiva. Destacamos entre muitos exemplos, suas referências sobre a Profa. Carolina, sua Orientadora no mestrado e no doutorado (Macedo, 2005):

A confiança, o carinho, a presença discreta, mas firme e delicada, sempre estiveram presentes nessas orientações de Dona Carolina. Mais do que isso, o respeito por um trabalho teoricamente diferente de sua opção. Respeito e valorização. Quantos orientadores fariam isso que D. Carolina fez?

...Como diz o poeta, o fruto é cego: é a árvore que o vê. No projeto de um orientador, no projeto de D. Carolina, seus orientandos – entre eles, eu – estavam incluídos. No projeto de um orientando, o orientador nem sempre está incluído. O orientando, formado, segue sua vida. O orientador, qual a árvore que vê, o acompanha por onde ele anda; torce por ele (quando, por exemplo, ele já se tornou também árvore). E, se for o caso dele voltar, o recebe como se nunca tivesse saído. (p. 7)

O Prof. Lino também é uma árvore frondosa, sob a qual muitos frutos nasceram e por sua vez frutificaram, tornando-se novas árvores.

Encontra-se aqui o tênue perfil de uma pessoa brilhante, generosa, digna, altruísta, com uma rica produção científica e que dignifica a atividade Psicológica, como ciência e como profissão. Uma pessoa que certamente dignificará esta Academia, como dignificou toda sua carreira acadêmica, de pesquisador e de promotor da qualidade de vida das pessoas.

 

Referências:

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• Cabral, A.C.M. (1999). Annita de Castilho e Marcondes Cabral. In: S.T.P. Morais, Professores universitários e psicólogos contam suas vidas. (Vol. 1, depoimento 4, pp.1-37), Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia da USP, São Paulo.

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• Carelli, A. (1975). Presidentes da Sociedade de Psicologia de São Paulo: Antonio Carelli, 1975-1977. Boletim de Psicologia, XXVI, 69: s/p.

• Carelli, A. (1997). Obituário. Boletim Academia Paulista Psicologia. XVII, 3: p.8.

• Costa, H.C.B.V.A. (2006). Resgatando a memória dos pioneiros: João Carvalhaes – Patrono da Cadeira nº 22. Boletim Academia Paulista de Psicologia. XXVI, 3/06: 15-21.

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Recebido em: 22/09/2008
Aceito em: 04/10/2008

 

 

1 Tema desenvolvido à luz do discurso de saudação ao Prof. Lino por ocasião de sua posse na Cadeira nº 22 da Academia Paulista de Psicologia.
2 Docente de ambas as universidades. Contato: Rua Victor Meireles, 277, Jardim São Caetano, São Caetano do Sul - SP – CEP 09581-460. Tel.: 4238-7669. E-mail: edamc@cebinet.com.br