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Cadernos de Psicopedagogia

versão impressa ISSN 1676-1049

Cad. psicopedag. v.3 n.6 São Paulo jun. 2004

 

ARTIGOS

 

Fenomenologia e aprendizagem

 

Phenomenlogy and learning

 

 

Paulo Sérgio Silva *

Centro de Estudos Psicopedagógicos do Centro Universitário FIEO

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este artigo propõe uma revisão de distintas teorias que tratam do “humano” ilustrando os pressupostos epistemológicos de cada uma delas. Propõe uma reflexão sobre as possíveis articulações entre subjetividade e aprendizagem, como forma de contribuição para o desenvolvimento teórico da psicopedagogia.

Palavras chave: Aprendizagem, Subjetividade, Fenomenologia.


ABSTRACT

This is a review of different theories dealing with the "human" that illustrates their epistemologc motives. It proposes a reflexion on possible articulations between subjectivity and learning as a way of contributing for the theorical development of Educational Psychology.

Keywords: Learning, Subjectivity, Phenomenology.


 

 

A fenomenologia teve sua origem na Filosofia de Husserl e entre seus seguidores podemos citar Heidegger, Jaspers, Sartre e Merleau-Ponty. Husserl estava interessado em estudar a intencionalidade e como ela integra a consciência e o objeto. Para ele a intencionalidade é o ato de dar um significado, um sentido, encontrar uma referência de ligação, o elo entre o ser e a realidade, isto ocorre na consciência do indivíduo. O fenômeno integra a consciência e a realidade, e a fenomenologia é o estudo que quer saber como o indivíduo percebe o fenômeno. Se o fenômeno integra a consciência do indivíduo e a realidade ( mundo exterior ), a fenomenologia está interessada em saber também como o indivíduo se percebe. Em função da somatória de percepções que o indivíduo tem da realidade ele formará o que os fenomenologistas chamam de campo perceptual. Husserl estava interessado em entender as coisas através do mundo sensível e não supra-sensível, em entender as coisas a partir da vivências dos indivíduos e como esses estabeleciam os significados para suas vivências. A realidade está dada. O ser humano, com os componentes essenciais de seu sistema nervoso como a memória, o raciocínio hipotético dedutivo, a imaginação, a criatividade, suas emoções, suas intuições e os limites do seu conhecimento acumulado, procura exatamente a compreensão da realidade. A ignorância o torna inseguro quando a realidade lhe provoca um novo desafio para aprender. Ele, muita vezes, enxerga esse desafio como ameaça. Essa forma de encarar aprendizagem é substancialmente fenomenológica, subjetiva. O que é subjetividade? Inicialmente penso em propor o que é essa subjetividade dentro da ótica do nosso discurso e sua relação com certa denominação de objetividade.

O ser humano é o ser vivo mais complexo do planeta. Seu comportamento é multideterminado. Essa afirmação de que o ser humano é multideterminado apresenta já em si uma parte dessa complexidade. Quando falamos de determinação queremos encontrar exatamente objetividade. A ciência que construímos nesses últimos séculos queria e quer exatamente ser a mais objetiva possível, e para isso desenvolve uma metodologia capaz não somente de explicar os fenômenos, mas de controlá-los. E para controlá-los seria preciso conhecer seus processos, funcionamentos, ou em alguns casos as leis que regem sua ordenação. O comportamento humano, com toda sua variabilidade, síntese das motivações internas e externas (de cunho social) é alvo de uma ciência que procura construir leis que possam explicar muito bem seu funcionamento.

Mas, na formulação desse projeto científico, ao formular algumas leis, restringe-se ou parcializa essa mesma explicação. Em todas as correntes de pensamento científico continham esse fim, e, o apogeu dessa forma de pensar o comportamento humano ocorreu no final do séc. XIX e começo do séc. XX nas teorias positivistas de Pavlov, Wundt, Skinner, Watson, Binet e Thorndike. Esses pesquisadores aproveitaram o modelo das ciências naturais para poder construir um conhecimento que tivesse um status a altura dessas ciências. Para isso construíram laboratórios e procuraram encontrar o que é mensurável e constante no comportamento humano. O conceito de objetividade nas ciências formais requer sempre o uso de uma lógica, e essa lógica quer estabelecer uma ordem. Ou seja, todo pensamento intuitivo deve ser descartado.

O que precisamos na ciência é de construções hipotéticas cada vez mais próximas da realidade dos fenômenos. Outros autores influenciados também pelo positivismo, pensando aqui o positivismo como uma preocupação em construir empiricamente, quantitativamente uma ciência do comportamento humano, não se preocuparão com mensuração, ou um laboratório no sentido clássico do termo, mas foram buscar uma compreensão dos mecanismos mentais e sua relação com o meio. William James, brilhante psicólogo americano, afirmava que eram necessários diferentes modelos para investigar diferentes tipos de comportamentos e seus resultados. James estava interessado na consciência e seu funcionamento.

Para ele o pensamento é fruto de nossas percepções e de como elaboramos, através do nosso conhecimento, essas mesmas percepções. Segundo James nosso pensamento é multideterminado e flui em diferentes posições, o que permanece com um fluxo de constância mais permanente seria a dinâmica de nossa personalidade. Para James, vida subjetiva seria exatamente a fluidez da consciência e toda sua singularidade. Outro fator primordial para James seria o papel das escolhas no desenvolvimento mental. A mente está em constante processo de seleção entre as percepções que mantém. Essas escolhas individuais são as caracterizações das subjetividades, as sínteses da consciência em relação as ações humanas. A ciência que tem como objetivo encontrar as determinações esbarraria exatamente nessa subjetividade. As resistências ou as predisposições para mudanças na forma de pensar e agir estariam envolvidas num conjunto de fatores que estão extremamente envolvidos e não é apenas identificando uma única causa que estaríamos identificando ou “controlando” um comportamento. Para James, o ser humano se comporta a partir de hábitos que se arraigam à dinâmica de funcionamento da mente criando rotinas no fluxo da consciência e produzindo a necessidade de identidade de todo ser humano.

Um aspecto essencial para a construção da subjetividade em James, seria o conceito de vontade. Como o ser humano desenvolve sua vontade e como estabelece suas metas marcarão sua personalidade. Quando as pessoas sabem lidar com as suas vontades, elas têm mais chances de encontrar um equilíbrio mental.

Thorndike, ex-aluno de William James, ao contrário do mestre que procurou entender as cadeias de idéias no interior do indivíduo foi concentrar-se na relação entre o comportamento e as circunstâncias ambientais. Ligando-se mais na escola associacionista da tradição de Herbart ( 1776-1841 ), para o qual, as idéias interagem constantemente criando uma estrutura e um funcionamento diretamente ligado ao mundo externo, renovando-se constantemente, estabeleceu o conexionismo ou “escola E-R”. Thorndike não negava que tais idéias pudessem existir, nem subjulgava elas na dinâmica de funcionamento do indivíduo, mas para ele a aprendizagem estava no foco central da ciência do comportamento, e para sua explicação desenvolveu, a lei do efeito. Em princípio, todo comportamento aprendido depende de suas conseqüências que reforçam o comportamento a partir das tentativas, erros e acertos.

Watson, continuador das teses associacionistas e conexionistas, vai ser mais radical ao se prender no comportamento visível. Para ele, a introspecção à consciência, não eram considerados objetos de estudo de uma Psicologia científica. Para ele, o que uma pessoa dizia era um dado válido para pesquisa, mas o que ela queria significar era incognicível. O psiquismo é descartado, a subjetividade não passa pelas preocupações behavioristas.

Outro autor de destaque desse mesmo período que não se preocupou com mensuração, ou testes de laboratório, mas que também teve uma preocupação fortíssima em construir uma ciência do comportamento foi Sigmund Freud. Este médico vienense rompe com toda uma tradição neurologista para criar um método e uma teoria singular na história da Psicologia: a Psicanálise. Uma teoria que pudesse explicar o comportamento humano a partir da revelação das forças mentais e suas relações. Um método de terapia para distúrbios de comportamento, baseado na relação terapeuta- paciente, que tivesse como base a história de vida do indivíduo e as repercussões dos fatos marcantes na sua mente. A Psicanálise recupera a importância da afetividade na determinação do comportamento e retira o véu que esconde uma parte da mente pouco estudada até então, o inconsciente. Para compreender o porquê de determinadas ações, necessitamos conhecer muito bem a história de vida de um indivíduo, seus desejos mais íntimos, e interpretarmos, em muito, os símbolos que emergem de sua mente, seja conscientemente ou inconscientemente.

A revelação e a expressão dos significados desses símbolos, dos sentimentos ou a tomada de consciência dos fatores envolvidos nos conflitos pelo paciente, Freud denominou de método catártico. Posteriormente evoluiu este método criando a associação livre. Na associação livre o paciente através do livre fluxo da consciência estabeleceria o rompimento da barreiras ( resistências ) e conseguiria entender e escolher qual o sentido de suas ações.

Se em James, a vontade representa um foco de interesse constante na compreensão do comportamento humano, em Freud este conceito ganhará uma ampliação de definição e se associará a uma concepção de ser humano erotizado. Para Freud, o desejo está nas estruturas mentais assim como o cimento nas construções. O desabrochar de uma percepção com ênfase na sexualidade, nos instintos e nos afetos garante à Psicanálise uma revolução no pensamento dominante.

A perspectiva psicanalítica em relação a aprendizagem estará diretamente relacionada a noção de prazer e inibição. Apesar de não ter se aprofundado no tema da educação, ou da aprendizagem, Freud revelou o quanto as relações afetivas são importantes na constituição do dinamismo psíquico do indivíduo. O egocentrismo e o narcisismo primário podem ou não favorecer o desenvolvimento da aprendizagem, a partir da estruturação de um ego equilibrado. Entre tantas relações que podemos fazer da relação que pode existir entre a Psicanálise e a Educação, exemplificaremos através dos processos de transferência e os mecanismos de defesa observados no ambiente clínico, que também podem ser observados no ambiente escolar.

As transferências e as projeções que os alunos fazem, a partir de seus “fantasmas”, das imagos parentais infantis, ou de suas inter-relações atuais estabelecem uma relação paranóica ou apaixonada para com o professor, dependendo do caso. Esses fenômenos são intersubjetivos e permeiam as relações escolares, sendo que os mestres, pouco ou nada podem fazer por não terem o conhecimento do que está ocorrendo, ou quando percebem, sentem-se impotentes frente as essas questões.

Os procedimentos psicanalíticos são clínicos, na maioria das vezes, individuais, e os psicanalistas interpretam e manipulam essas transferências em beneficio do tratamento. Existe uma autoridade terapêutica que permite intervenções, nesses casos. O terapeuta se beneficia das projeções e transferências reconhecendo nelas a dinâmica psíquica do paciente. Coloca-se muitas vezes, como “vidraça” e o paciente atira-lhe suas pedras ou se apaixona pela “imagem de alguém” que lhe dedica atenção.

O aluno pode assumir o papel deste “paciente carente” e com isso sua aprendizagem ficaria em segundo plano, o que está em jogo são as relações de amor e ódio que projeta ou transfere para seu professor.

Não nos alongando nas repercussões dessas duas correntes de pensamento, de um lado uma corrente voltada mais para o modelo experimental( empirismo ) e outra para o modelo interpretativo( mentalismo ), encontramos também uma corrente de psicólogos que notabilizou-se por dar ênfase nas estruturas que os indivíduos constróem a partir das suas vivências. Max Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Köhler numa reação ao modelo associacionista criaram a Psicologia da Forma( Gestalt ).

Sua base epistemológica e filiação científica não poderia ser outra a não ser o racionalismo. Esses pesquisadores são herdeiros da excelente produção de conhecimentos gerada no mundo germânico no século XIX. Sua teoria da forma receberá contribuições de Wundt. Para ele, a estrutura da mente será formada por três elementos: imagens, pensamentos e pelos sentimentos. Wundt ( 1832-1926 ) é considerado o pai da Psicologia científica por ter criado, na Universidade de Leipzig, na Alemanha, o primeiro laboratório para realizar experimentos na área de Psicofisiologia.

Ele está interessado em estudar a mente, a consciência humana, exatamente a partir da investigação dos processos mentais numa concepção que denominou paralelismo psicofísico. Para ele a mente tem uma ligação direta com o orgânico, e ele queria saber como se operava essa ligação. A partir do método que denominou introspeccionismo, ele perguntava para os indivíduos como sentiam os estímulos que ele provocava. Este método de investigação vai ser usado por Freud, Piaget e por muitos outros estudiosos da mente humana, cada um com sua idiossincrasia teórica.

Conhecido na atualidade como método clínico, o pesquisador quer saber como o indivíduo pensa, sente e percebe o mundo que o cerca e também seu mundo interior. Wundt trabalha com estímulos sensoriais para explorar a mente do indivíduo e acredita na natureza complexa da mente, constituída por suas partes que se juntam numa síntese integradora.

A teoria de campo desenvolvida pelos gestaltistas, baseia-se no conjunto de elementos que formam esta síntese integradora. As partes formam o conjunto e não podem ser separadas. Há uma interdependência, um conjunto estruturado. O indivíduo quando se comporta, comporta-se com seu lado cognitivo, seu lado afetivo, seu organismo sensorial, as percepções totais que consegue identificar no meio ambiente e as respostas que consegue dar, a partir dos estímulos. Sua consciência sempre forma uma gestalt, precisa sempre do todo. Do todo que consegue identificar e ser, ou seja, o indivíduo é seu campo.

Para os gestaltistas, a aprendizagem consiste numa reorganização constante do mundo da experiência. Kurt Lewin, trabalhou com Wertheimer, Koffka e Köhler na Universidade de Berlim, e dessa colaboração desenvolveu sua teoria de campo, inicialmente observando o indivíduo isoladamente, para depois se ater e desenvolver uma das mais importantes teorias sobre o comportamento humano nos grupos. Destaca o conceito de espaço vital, que seria a totalidade dos fatos que determinam o comportamento.

Com sua contribuição, coloca o papel que a aprendizagem provoca na adequação ao meio. A capacidade de se reorganizar a partir de seu campo vital, numa perspectiva topológica interna e externa, determinará sua aprendizagem. A aprendizagem ocorre quando o indivíduo consegue se organizar e encontrar novos comportamentos para atingir suas metas. Esses novos comportamentos serão incorporados ao seu campo psicológico, gerando sempre uma interdependência entre eles. Não há separação. Para ser, é preciso estar, e estar significa se perceber e perceber o que se pode reconhecer. Nosso sistema perceptivo não gosta de estranhamentos. O estranho é descartado, evitado, quando não é compreendido. O campo vital se reorganiza e procura o parentesco, o defitivamente pessoal. Quando o estranho não é mais estranho e chega-se a um significado inteligível, se incorpora ao campo perceptual, forma-se uma nova gestalt.

A fenomenologia está também em uma das mais importantes correntes de pensamento ligada à aprendizagem, o humanismo. O humanismo é essencialmente fenomenológico. Os humanistas não compreendem o ser humano a partir de uma visão mecanicista. Contrapõem-se, assim como os gestaltista ao behaviorismo. Compreendem o ser humano como um ser que evolui, procurando construir valores, realização pessoal e bem-estar no mundo. Rogers, Maslow e Combs são os representantes maiores dessa corrente de pensamento.

Originária dos Estados Unidos, recebem a influência do ideário democrático da nação hegemônica: a valorização do ser humano em seus aspectos de crescimento e evolução autônoma. Para Rogers, a educação deve basear-se nos significados que os alunos dão ao conteúdo apresentado. Chama esse processo de aprendizagem significante. A aprendizagem não pode ser “tarefa”, uma operação sem sentido, deslocada do mundo real e cotidiano, e sim que as informações são geradas na realidade circundante e são vitais para a sobrevivência do indivíduo. Uma Aprendizagem significante deve provocar alterações em toda vida do indivíduo, em suas crenças, seus valores, sua personalidade, seu mundo afetivo, cognitivo e em suas relações sociais. Rogers, destaca o papel do aluno, ele é o centro, e ele deve auto-iniciar sua aprendizagem.

Cabe ao professor construir um clima facilitador para seu aprendizado, reconhecer suas motivações e interesses. O professor propõe suas regras, escuta as sugestões dos alunos, explica quais são os objetivos, em síntese, estabelece um contrato, um acordo com seus alunos. O objetivo fica claro e todos participam deste objetivo. O professor deve ter uma posição empática em relação a seus alunos e se colocar na perspectiva de quem aprende. Reconhecer seus sentimentos e aptidões, seus limites e seus potenciais. Deve ser congruente e autêntico, revelando seus sentimentos e opiniões.

A fenomenologia está presente em várias teorias, tendo como fundamento básico as percepções do indivíduo e os significados atribuídos a essas percepções. A aprendizagem ocorre quando o indivíduo incorpora como seu, o conhecimento. Este conhecimento é capaz de alterar a realidade, dar dimensões novas e transformadoras para o indivíduo possibilitando seu desenvolvimento. O seu campo perceptual é alterado no acúmulo e na dialética resultante de sua cognição. Os argumentos de análise devem estar sustentados por conteúdos. Os conteúdos se somam, assim como o processamento dos conteúdos. Fazem parte de um mesmo sistema. Aprender, significa atribuir significados, manipular os significantes e alterar novamente as percepções.

A condição de aluno é a condição de ser no mundo. Edmund Husserl chamou o “mundo” de Lebenswelt, o “mundo da vida”, o mundo em que eu experencio e compreendo quem sou. Quando estamos no universo institucionalizado da escola, com hora marcada, metodologia didática, o ser do saber, a intencionalidade do discurso pedagógico, essa reunião de condições dispostas para o aprendizado, não necessariamente estão disponíveis os atos da construção do conhecimento.

Na maioria das vezes, o que está em jogo é o aluno tentando ser no mundo, dar sentido para sua existência. Se sua existência estiver aberta para refletir e agir para novos desafios e descobertas, muito que bem, se não, estaremos num jogo de cena. E esse é também o jogo em que o docente insere-se. Quando estou na sala de aula será que a sala de aula está em mim? Minhas experiências e minhas interpretações chegam a compreensão da realidade, ou são meras figuras de linguagem que construo para me sentir menos impotente diante de uma realidade intangível? A fenomenologia tem o mundo como problema ontológico. Aprender significa dar sentido ao segredos que nossa ignorância não permite revelar. O esclarecimento é exatamente criar um elo de sentidos entre os objetos, os fenômenos, os significados e os significantes criados para a comunicação entre os seres.

Para aprender é preciso estar com vontade de crescer. É um convite. É preciso descobrir algo novo em si. É saber sobre suas ausências, suas lacunas, o que não possui, e que tu desejas. Poderíamos tentar desejar ser melhores do que somos, renunciar as nossas defesas baseadas nos sentimentos instintivos quando agimos pelo desespero. A insegurança emocional atrapalha em muito a “fachada” erguida pela tal racionalidade.

O mecanismo de defesa que Freud denominou de racionalização ocorre em muitos doutos e leigos. Não importa esses obstáculos, estamos no caminho certo. O iluminismo antropocêntrico segue seu rumo. Este conjunto de conhecimentos ainda será cotidiano e banal. Por ora, temos presente as sombras da idade média que nos ronda, os feudos, as lendas, os mitos das igrejas e o poder da alienação.

 

Referências bibliográficas

Orighieri, Y. C. (1984). Fenomenologia e Psicologia. São Paulo: Cortez.

Guenther, Z. C. (1997). Educando o ser humano: uma abordagem da Psicologia humanista. Universidade Federal de Lavras.

Keen, E. (1979). Introdução à Psicologia Fenomenológica. Rio de Janeiro: Interamericana.

Martins, J. (1983). Estudos sobre Fenomenologia, existencialismo e educação. São Paulo: Cortez.

Maslow, A. H. (s/d). Introdução a Psicologia do ser. Rio de Janeiro: Livraria Eldorado Tijuca.

Merleau-Ponty, M. (1971). Fenomenologia da percepção. São Paulo: Freitas Bastos.

Rezende, A. M. (1990). Concepção fenomenológica da educação. São Paulo: Cortez.

Rogers, C. (1973). Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes.

 

 

Endereço para correspondência
E-mail: pg@unifieo.br

 

 

* Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo