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Avaliação Psicológica

versão On-line ISSN 2175-3431

Aval. psicol. v.3 n.1 Porto Alegre jun. 2004

 

ARTIGOS

 

Avaliação psicológica no Brasil: Tests de Medeiros e Albuquerque

 

Psychological Evaluation in Brazil: Tests by Medeiros-e-Albuquerque

 

 

William B. Gomes

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O livro Tests de Medeiros e Albuquerque é um importante precursor da avaliação psicológica no Brasil. A primeira edição parece ter sido em 1924. O sucesso imediato levou a publicação de várias outras edições. A manutenção do termo inglês tests denota a novidade do tema. A palavra já existia em português desde o século XVIII. Certamente, a reconhecimento de Medeiros e Albuquerque, como respeitado jornalista e político, facilitou a aceitação do livro, influenciando fortemente as políticas educacionais da época. O presente artigo está dividido em três partes. A primeira trata da passagem da psicologia experimental de processos simples (Laboratório de Wundt - Leipzig) para as medidas de processos psicológicos superiores (Laboratório de Binet - Paris). A segunda descreve o caminho da avaliação psicológica da Europa para o Brasil. A terceira analisa as principais contribuições do livro Tests, entre elas a informação de que a pesquisa sobre avaliação psicológica estava sendo realizada não mais pelos franceses, mas pelos norte-americanos. A obra é apresentada como uma acurada revisão de literatura da nova ciência psicológica, introduzindo a avaliação psicológica de modo crítico, mas de um ponto de vista favorável.

Palavras-chave: História, Avaliação psicológica, Brasil, Medeiros e Albuquerque.


ABSTRACT

The book Tests by Medeiros-e-Albuquerque is an important precursor to psychological evaluation in Brazil. The first edition seems to be in 1924. The immediate success was responsible for various editions. The use of the term tests in English may be considered an important indication of the novelty of the theme. The word exists in Portuguese since XVIII century. Certainly, the recognition of Medeiros-e-Albuquerque as a respectful journalist and politician facilitated the book's acceptance, having strong influence on the educational philosophy of that time. The present article is organized in three parts. The first, presents the transition from an experimental psychology of elementary processes (Wundt's laboratory at Leipzig) to a measurement of superior psychological processes (Binet's laboratory at Paris). The second describes the psychological evaluation's road from Europe to Brazil. The third analyzes the book main ideas, including the recognition that tests research moved from France to US. The book is an up to date literature review of new psychological science, introducing psychological and pedagogical evaluation on a critical but warm point of view.

Keywords: History, Psychological evaluation, Brazil, Medeiros-e-Albuquerque.


 

 

Avaliação Psicológica no Brasil: Tests de Medeiros e Albuquerque

As bases para a implantação da psicologia como prática profissional autônoma no Brasil foram clara-mente estabelecidas entre os anos 1920 e 1962. Profissionais das mais diferentes áreas buscavam na psicologia elementos básicos para o incremento de suas práticas. Os médicos recorriam à psicologia para fundamentar programas preventivos de saúde mental, e de recursos técnicos para a definição de diagnóstico. Os educadores buscavam na psicologia os fundamentos teóricos para uma prática pedagógica científica. Os advogados procuravam na psicologia elementos para a compreensão, elucidação e intervenção em problemas de delinqüência e criminalidade. Os engenheiros recebiam o instrumental psicológico como uma contribuição científica valiosa à análise das condições organizacionais do trabalho, ao ajustamento do trabalhador às especificidades ocupacionais, e ao melhora-mento da eficiência produtiva. Com efeito, a psicologia expandia-se no Brasil como uma novidade técnica avançada, solidamente fundamentada em princípios científicos, passando a constar nos currículos das faculdades de filosofia, instituídas a partir da década de 1930.

O interesse deste breve estudo historiográfico concentra-se em um momento muito especial da avaliação psicológica em nosso país: o lançamento do livro Tests por José Joaquim de Campos da Costa Medeiros e Albuquerque (1867-1934). A avaliação psicológica apresentou entre 1924 e 1947 um ritmo intenso de estudos e pesquisas, acompanhando o desenvolvimento internacional na área. Os instrumentos internacionais chegavam ao Brasil com incrível rapidez e eram adaptados com cuidado, atendendo aos preceitos psicométricos e culturais vigentes.

O texto está organizado em três partes. A primeira trata das questões básicas que nortearam a consolidação da psicologia como ciência autônoma. O interesse está na passagem da pesquisa experimental sobre processos mentais simples, como sensitividade visual e auditiva, acompanhadas da medida de tempo de reação, para a avaliação de processos mentais superiores, como os testes de inteligência, de aptidão e de personalidade. A segunda parte resume informações historiográficas sobre a implantação de laboratórios e de serviços psicológicos no país. A terceira apresenta e analisa os principais argumentos utilizados por Medeiros e Albuquerque para fazer uma defesa veemente de exames pedagógicos objetivos, medidas de inteligência, e medidas de caráter. O interesse por estudos historiográficos está sendo grandemente facilitado pelas publicações promovidas pelo Grupo de Estudos em História da Psicologia da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia, em particular, o Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil (Campos, 2001). Entre outras obras de grande auxílio podem ser citados o Dicionário de Educa-dores no Brasil (Fávero & Britto, 1999), Organização da Psiquiatria no Brasil (Uchôa, 1981), e História da Psicologia Brasileira (Massimi, 1990).

Da experimentação para a avaliação psicológica

A origem do uso de testes psicológicos no Brasil parece estar associada a um encadeamento de eventos e de relações entre pesquisadores que remetem a Wilhelm Wundt (1832-1920). Neste tópico, essas associações serão inicialmente identificadas para que se estabeleçam as conexões e os contrastes com o movimento da avaliação psicológica no Brasil.

O laboratório de Wundt é considerado o ponto inicial da psicologia moderna por substituir a experimentação fisiológica pela experimentação direta de eventos mentais através do método da introspecção. Wundt tornou-se o principal representante da nova psicologia. De uma forma ou de outra, promotores de acontecimentos posteriores tiveram alguma relação com Wundt, através de aulas, contatos pessoais, ou publicações. A tabela 1 mostra a relação entre orientandos de Wundt e a organização de laboratórios e serviços de psicologia em universidades americanas como mostra a tabela 1 (Hilgard, 1987). Nota-se uma importante dispersão temática, incluindo áreas básicas e áreas aplicadas, em particular, psicologia educacional, psicologia industrial e psicologia clínica. Os testes psicológicos aparecem representa-dos pelo conhecido James McKeen Cattell (1860-1944) e por Rudolf Pintner (1884-1942) um professor do Teachers College, Columbia University, reconhecidos por suas contribuições para o ensino de psicologia, e para os testes psicológicos (por exemplo, Pintner, 1923; Pintner & Paterson, 1917; Pintner & Usphall, 1928). Uma observação curiosa aparece na área de interesse de Edward. A. Pace (1961-1938) que vai estudar com Wundt, mas volta para ensinar psicologia escolástica na The Catholic University of América. Certamente, Pace respondia aos apelos do Vaticano pelo ressurgimento das psicologias de Agostinho e Tomás de Aquino. No Brasil, os cinco célebres laboratórios citados por Lourenço Filho (1955) têm ascendência européia como mostra a tabela 2.

 

 

 

Se a realização de experimentos deu à psicologia o seu status de ciência, a inserção profissional ocorreu através da avaliação psicológica. O exemplo mais emblemático, neste sentido, é de Hermann Ebbinghaus (1850-1909), autor dos primeiros estudos experimentais sobre memória. Em 1895, Ebbinghaus dividiu suas atividades no laboratório com a preparação de um teste para explicar a diminuição da atenção e o aumento da fadiga em crianças alemãs que freqüentavam a escola pública de Breslau (Hothersall, 1984, p. 155). O episódio é intrigante e merece ser descrito em detalhes.

As atividades da escola pública de Breslau ocorriam em um único turno, sem intervalo, das 8 às 13 horas. Os professores estavam preocupados com a diminuição da atenção e o aumento da fadiga das crianças. Para justificar possíveis mudanças, os professores solicitaram um parecer da seção de higiene da Sociedade Nacional de Cultura. A sociedade designou uma comissão de especialistas para tratar do assunto que concluiu pela verificação objetiva das mudanças que ocorriam nos "poderes mentais das crianças durante o dia" (Hothersall, 1984, p. 155). O fisiologista H. Griesbach propôs, então, uma medida psicofísica de limiar de atenção para descriminar dois pontos de estimulação na pele, sob o argumento de que a fadiga reduziria a sensitividade de descriminação.

Griesbach testou as crianças no início das aulas pela manhã e no final de cada período de uma hora. As crianças também foram testadas em dias de folga em suas residências. O pesquisador concluiu que as crianças alcançavam o máximo de sensibilidade na terceira hora de aula, sugerindo que o turno fosse interrompido por dois intervalos curtos.

A comissão de especialistas ficou satisfeita com os resultados, mas Ebbinghaus, que não pertencia à comissão e nem havia sido convidado a opinar, entendeu que os resultados estavam equivocados. Reconheceu que o estudo havia sido propriamente conduzido mas entendeu que o teste não era adequado aos propósitos. Ele argumentou que uma medida para tal fim deveria ser psicológica e não fisiológica.

A comissão, em atenção às considerações apresentadas, pediu a Ebbinghaus que preparasse uma medida psicológica adequada ao problema. Ele iniciou a tarefa, mas logo se defrontou com o problema da natureza da inteligência. O problema foi contornado com uma definição operacional de inteligência em termos de uma habilidade geral na qual combinavam-se informações, relações, e associações, em conclusões corretas. A solução prática veio através das regras de analogia e do preenchimento de frases incompletas. Na analogia a criança teria que reconhecer uma regra para completar a frase: "julho está para maio assim como sábado está para ."

Na frase incompleta era necessário preencher uma passagem da sentença: "objetos grandes pesam mais que pequenos; ou são sempre mais novos que os pais" (Hothersall, 1984, p, 155). Ebbinghaus estava dando início ao campo da aplicação psicológica, mesmo perdendo de vista o problema inicial da duração do turno de aulas que, de acordo com Hothersall (1984), continuaram funcionando das 8 às 13 horas. Em compensação, Ebbinghaus antecipou um método factível para uso em avaliação psicológica, conforme documentou a publicação dos resultados da pesquisa, em 1897, na revista Zeitschrift für Psychologie, editada pelo próprio autor.

A contribuição de Ebbinghaus serviu de modelo para construção de itens em avaliação psicológica. Contudo, a teoria que iria fundamentar a prática de avaliação psicológica estava sendo delineada na Inglaterra sob influência da teoria da evolução de Charles Darwin. Os conceitos de seleção, variação e adaptação redefiniam o conceito de atividade mental. A mente passava a ser entendida por sua condição de funcionalidade diante das necessidades de adaptação, e os conceitos seleção e variação reafirmavam o problema das diferenças individuais, já preconizados pelo psicólogo associacionista Alexander Bain (1818-1903). Com a teoria da evolução, questões relativas a aptidões inatas, a caracteres hereditários, e a diferenças individuais passaram a ser discutidas em bases mais sólidas. Essas questões foram levadas adiante por Sir Francis Galton (1822-1911) que em 1884 instalou um laboratório para medidas antropométricas na International Health Exhibition em Londres, com o objetivo de medir, de várias maneiras, as faculdades mentais (Hothersall, 1984). Ele entendia que a discriminação sensorial era a base do desempenho intelectual, e que medidas adequadas, neste sentido, seriam capazes de indicar diferenças entre os mais e os menos capazes (Anastasi, 1988). As relações entre acuidade sensorial e mental eram comparadas por técnicas matemáticas desenvolvidas pelo próprio Galton e que depois foram aperfeiçoadas por seu colaborador Karl Pearson, que desenvolveu a fórmula coeficiente de correlação produto-momento (Hilgard, 1987).

Galton criou diversas técnicas para estudos diferenciais, como por exemplo, o método biográfico, o método histórico familiar, a prova de associação de palavras e imagens, o estudo de gêmeos, e a comparação de raças. Para ele, a capacidade mental era hereditária. Tais posições foram divulgadas em seus livros Hereditary Genius de 1869 e Inquiries Into Human Faculty de 1883 (Anastasi, 1988; Hilgard, 1987; Hothersall, 1884). Era enfim uma convergência de posições da psicologia associacionista preconizadas por Bain, teorizadas por Darwin e evidenciadas por Galton (Marx & Hillix, 1979).

O encontro das tradições de Wundt e de Galton se deu por meio de James McKeen Cattell (1860-1944), um jovem americano que em 1880 foi para Alemanha estudar com Rudolph Hermann Lotze (1817-1881). Lotze faleceu no ano seguinte. Sem orientador, Cattell retornou aos Estados Unidos por um curto período, voltando para a Alemanha em 1883, sendo o primeiro americano a obter o doutorado sob a orientação de Wundt. A informação de que Cattell tenha se oferecido para ser assistente de Wundt e de que tenha defendido uma tese sobre diferenças individuais (Anastasi, 1988; Marx e Hillix, 1979), não foram confirmadas em estudos históricos mais recentes (Hilgard, 1987). Não há evidências de que Cattell tenha recebido maiores responsabilidades no laboratório do que seus colegas e, quanto à tese, ele apresentou quatro possíveis temas, cabendo a Wundt a escolha de um que recaiu sobre associação de tempo1. Em sua pesquisa Cattell descobriu um erro de medida na aparelhagem usada, levando Wundt a corrigir conclusões anteriores.

Com o término do doutorado, Cattell transferiu-se para Londres com o propósito de estudar medicina, mas foi persuadido a continuar trabalhando com experimentos em psicologia. Foi nesta época que conheceu Galton, vindo a se interessar pelo tema das diferenças individuais. O trabalho com Galton foi de 1887 a 1889. Em 1890, Cattell escreveu o célebre artigo Mental tests and measurements, na revista Mind, onde o termo testes mentais foi usado pela primeira vez. O artigo descrevia uma série de testes utilizados em estudantes universitários para medida de nível intelectual. Os testes eram muito semelhantes àqueles usados por Galton. Uma tendência que se manteve nos trabalhos de Galton, Cattell e Wundt foi a medida de processos mentais simples. No seu artigo, Cattell lista as seguintes medidas psicológicas: Dynamometer pressure (dinamômetro de pressão), rate of movement (taxa de movimento), sesations-areas (áreas de sensação), pressure causing pain (pressão para causar dor), least noticieable difference in weight (diferença mínima informada sobre peso), reaction time for sound (tempo de reação para som), time for naming colours (tempo para nomear cores) bi-section of 50 cm line (dividir ao meio uma linha de 50cm.), judgement of 10 seconds time (julgamento do tempo de 10 segundos), number of letters remembered on once hearing (número de letras capaz de lembrar tendo ouvido uma vez). Como se pode notar, tratava-se de medidas sensoriais simples, tempo de reação, e memória.

No campo da medicina, Emil Kraepelin, outro orientando de Wundt, publicou em 1895 um trabalho relatando o desenvolvimento de testes para medir o que ele chamava de fatores básicos do indivíduo (Anastasi, 1988; Hearnshaw, 1987). Os testes desenvolvidos consistiam em operações aritméticas simples para medir efeitos práticos, memória, e susceptibilidade para fadiga e distração. Os testes eram utilizados no exame de pacientes psiquiátricos.

Wundt era contrário ao estudo de processos mentais superiores por entender que tais processos deveriam ser objeto de uma psicologia sócio-cultural e não de uma psicologia experimental. Cattell parece ter seguido seu orientador, trabalhando com medidas de processos mentais simples. Oswald Külpe (1862-1915), outro orientando de Wundt, contrariou o mestre desenvolvendo estudos experimentais e qualitativos de processos mentais superiores, e começou a estudar o pensamento, chegando a organizar a Escola de Psicologia de Würzburg (Gemelli & Zunini, 1961). No entanto a grande virada na medida de processos mentais superiores aconteceu na França, com a pesquisa de Alfred Binet (1857-1911).

Binet iniciou seus estudos como um solitário autodidata (Hilgard, 1987). A falta do estudo sistemático em uma escola e da relação interpessoal crítica com colegas pode estar associada à colaboração ingênua com as demonstrações públicas de hipnose de Jean-Martin Charcot (1825-1893) e ao dissabor de ter perdido a posição de diretor dos cursos de psicologia experimental da Sorbonne, para George Dumas. As novidades da psicologia fisiológica ale-mã, representadas pelos trabalhos de Fechner, Helmholtz e Wundt foram divulgadas na França inicialmente por Théodule Armand Ribot (1839-1916).

O laboratório de psicologia experimental na França foi criado em 1889, na Sorbonne tendo como diretor Henri Beaunis (1830-1921). Binet começou a trabalhar voluntariamente no laboratório, assumindo a chefia em 1894 (Hilgard, 1987). O interesse francês em psicopatologia e em observações clínicas deu ao laboratório um perfil diferente dos existentes na Alemanha. O distanciamento do modelo alemão propiciou a Binet a exploração de alternativas para o estudo de elementos mentais, no caso, as medidas de inteligência. O laboratório francês ser-viu de modelo para a criação dos primeiros laboratórios no Brasil.

Implantação de laboratórios e serviços psicológicos

As notícias sobre a instalação dos primeiros laboratórios e das primeiras aplicações em psicologia no Brasil reconhecem (Penna, 1992) a influência francesa, principalmente, de George Dumas (1866-1946) e Alfred Binet (1857-1911). Fala-se que Binet planejou o laboratório que foi instalado no Pedagogium em 1906, tendo como primeiro diretor o médico Manoel Bomfim (1868-1932). Bomfim estudou, em Paris, com Dumas e Binet (Antunes, 2001). O Pedagogium foi uma instituição criada no Rio de Janeiro, nos fins do século XIX, para expor e demonstrar novas técnicas e recursos pedagógicos. Do mesmo modo, o médico Maurício de Medeiros, que também estudou em Paris com Dumas, e em Munique com Emil Kraepelin (1855-1926), foi o diretor de um pequeno laboratório de psicologia instalado no Hospital Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro.

Os médicos brasileiros que foram à Europa para cursos de especialização em Paris e em Munique certamente estavam atentos às mudanças de rumos da experimentação em psicologia. O esgotamento das técnicas de laboratório de Wundt foi constatado por Bomfim, que mencionou o interesse de Binet pela exploração de novas possibilidades experimentais em psicologia (Penna, 1992). Com efeito, no célebre artigo de 1895, Binet e Henri criticavam os testes existentes, por estarem excessivamente voltados para processos mentais simples (medidas de respostas sensoriais e tempo de reação). O artigo já trazia uma lista de testes para processos mentais superiores que incluía as funções da memória, imaginação, atenção, compreensão, sugestionabilidade, e estética. Os processos mentais eram tratados como funções e registravam uma importante mudança de objeto e método: "medidas de funções complexas não requerem grande precisão desde que as diferenças individuais sejam maiores nestas funções" (Anastasi, 1988, p. 10). A passagem conceitual de conteúdos mentais para funções mentais em um contexto de diferenças individuais é notória. Na verdade, Binet em colaboração com Simon venceu a corrida no desenvolvimento de uma medida para nível intelectual, com as escalas desenvolvidas em 1905, revisadas posteriormente em 1908, e em 1911.

Acredita-se que as escalas de Binet-Simon venham sendo aplicadas no Brasil deste os meados dos anos 1910, pelo médico pediatra Antonio Fernandes Figueira (1863-1928) Fernandes Figueira2 alcançou notoriedade no Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX pela dedicação e inovação de práticas pediátricas. É reconhecido por ter sido o primeiro médico a introduzir as mães nas enfermarias para ficarem ao lado dos filhos. Publicou 71 trabalhos médicos, fundou a Sociedade Brasileira de Pediatria e foi também poeta e escritor. As novidades científicas européias chegam pelas revistas e pelos livros franceses que circulavam no Rio de Janeiro nas primeiras três décadas do século XX.

O desenvolvimento e difusão dos testes mentais estiveram muito relacionados com o interesse dos educadores por uma pedagogia científica. No Brasil, essas novidades chegavam por meio de psicólogos franceses (Lourenço Filho, 1955) e pelas escolas normais estabelecidas por denominações evangélicas de origem norte-americana (Massimi, 1990).

Foi assim que em 1914 fundou-se na Escola Normal de São Paulo o Laboratório de pedagogia experimental, sob a direção do psicólogo italiano Ugo Pizzoli3 (1863-1934). O laboratório concentrava-se fortemente em atividades de avaliação psicológica por meio de sensibilidade externa e interna, audição, tato e senso muscular, gosto e olfato, grafismos, memória cinética, raciocínio infantil, e associação de idéias (Antunes, 2001; Lourenço Filho, 1955). Pizzoli está entre os primeiros psicólogos a utilizarem testes psicológico na Itália (Salgado, 2002). Foi também muito influenciado pelas idéias do antropólogo, psiquiatria e criminalista italiano Cesare Lombroso (1835-1909).

A publicação de Tests

Os fatos que parecem ter exercido considerável impacto no interesse por avaliação psicológica no Brasil foram às conferências realizadas por Henri Pierón em 1921 e o livro Tests escrito pelo jornalista Medeiros e Albuquerque em 1924. A constatação desta afirmação é facilmente comprovada com o levantamento de livros publicados sobre avaliação psicológica nos anos seguintes: O movimento dos testes, em 1925, por C. A. Baker; Teste individual da inteligência, em 1927, por Isaias Alves; O método dos testes, em 1928, por Manuel Bomfim, Testes: como medir a inteligência dos escolares, em 1931 por Celsina Faria Rocha e Bueno Andrade, e Testes ABC: para a verificação da maturidade necessária à aprendizagem da leitura e escrita, por Lourenço Filho (Monarcha, 2001)

Todos nós nos referimos a Medeiros e Albuquerque quando nas nossas festas cívicas cantamos o Hino da Proclamação da República, uma composição de Leopoldo Miguez (1850-1902). Na verdade, trata-se do hino vencedor em um concurso realizado em 1889 para a escolha do Hino Nacional Brasileiro, mas preterido pelo público e pelo presidente Marechal Deodoro Fonseca. Medeiros e Albuquerque foi o autor do conhecidos versos:

Liberdade, Liberdade,

Abre as asas sobre nós,

Das lutas, na tempestade,

Dá que ouçamos sua voz.

De acordo com o Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil (Jacó-Villea, 2001), Medeiros e Albuquerque nasceu em Recife, Pernambuco, tendo estudado na Escola Acadêmica de Lisboa, e também com importantes filósofos brasileiros, como Emilio Goeldi e Sílvio Romero. Foi jornalista, professor, político e literato, tendo sido Secretário de Educação do Distrito Federal, na virada do século IXX para o século XX. Teve grande importância para o desenvolvimento da psicologia no Brasil pela publicação de três estudos. O primeiro deles foi uma conferência sobre Sigmund Freud (1856-1939) intitulada "Psicologia de um neurologistas - Freud e suas teorias sexuais". O texto foi publicado em 1922 como capítulo do livro Graves e Fúteis. Consta que foi lido por Freud e também traduzido para o espanhol (Perestrello, 1988). O segundo foi o soberbo livro Hypnotismo, uma obra de 382 páginas. É a mais completa exposição sobre o hypnotismo, trazendo um amplo histórico e as diferenças entre as escolas de Salpêtrière e Nancy. O livro deve ter sido publicado em primeira edição em torno de 1923, data que consta no prefácio escrito por Juliano Moreira, o conhecido professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Bahia. O exemplar que disponho no momento já é a 4ª edição, publicado em 1937. Não custa reconhecer que o hipnotismo é tratado com mais atenção e documentação do que os livros de história da psicologia que utilizamos, escritos nos Estados Unidos ou na Europa. O livro Tests de 1924 será amplamente comentado a seguir. Ressalte-se a necessidade de divulgar estas outras contribuições de Medeiros e Albuquerque pois, em geral, o que se destaca em sua produção são as obras literárias. Nada contra, mas é também preciso enfatizar as primeiras contribuições ao desenvolvimento da ciência no Brasil. Medeiros e Albuquerque foi um grande jornalista científico.

O livro de Tests está organizado em uma breve introdução e mais 7 capítulos: 1) A fallibilidade dos exames, no commercio e na industria; 2) A suppressão dos exames. Os succedaneos; 3) O que é e para que serve um test. A estalonagem. 4) Outra medida necessaria: a intelligencia; 5) Como medir a intelligencia? Que é intelligencia? 6) Os tests mentaes: tests individuais de intelligencia, test collectivos de intelligencia, e como diagnostica e se mede o caracter; e 7) Escalas e tests pedagogicos. Por fim o livro trazia uma considerável listagem com mais de 60 indicações comentadas de livros, artigos e testes psicológicos. Aliás, é impressionante o conhecimento de Medeiros e Albuquerque da literatura da época.

Na apresentação do livro que ele intitulou de No vestíbulo referiu-se à conferência que Henri Piéron proferiur Rio de Janeiro, por volta de 1921. Piéron é apresentado do seguinte modo:

O Prof. Piéron é, na França, o sabio mais informado de tudo o que concerne á psichologia no Estrangeiro. De facto, elle é o redactor de L'Année Psychologique, publicação na qualapparecem resumos de todos os trabalhos sobre aquella sciencia. Quasi todos esses resumos são feitos por Piéron. Isso representa um trabalho formidavel. Outro qualquer poderia ficar succumbindo sob o peso dessa erudição. Elle consegue, no emtanto, apezar disso, produzir constantemente trabalhos novos e originaes. (p. 7-8)

Henri Piéron (1881-1964) foi o sucessor de Binet como diretor do laboratório de psicologia experimental da Sorbonne, sendo nomeado professor do Collège de France em 1923. Suas pesquisas procuraram afirmar a psicologia como uma ciência objetiva, destacando-se os trabalhos sobre percepção e mecanismos fisiológicos. No Brasil, o Tratado de Psicologia Aplicada foi muito utilizado na edição em espanhol nos seus sete volumes, publicados entre 1955 a 1961.

O interesse por testes veio dos contatos com o Dr. Carneiro Leão (1887-1966) que já estava "incluindo o emprego desse meio de exame no programma das escolas primarias do Districto Federal" (p. 8). Mas, Medeiros e Albuquerque estava encontrando o seguinte problema:

Os que desejam estudar o assumpto vêem-se, entretanto, embaraçados, porque entre nós, no dominio intellectual, nada entre sinão vindo da França. E precisamente em francez ainda não existem bons livros sobre essa questão.

É verdade que Binet foi francez e a elle se deve o estupendo impulso que teve o em-prego dos tests. Mas, como tantas vezes acontece, a sua iniciativa perdeu-se quasi completamente em sua pátria. Foram os Estados Unidos que tomaram a dianteira do movimento. E hoje, ao passo que ha milhares de obras a tal respeito nos Estados Unidos, não sei de nenhuma em francez, especialmente dedicada a isso. (p. 8)

No entanto, ele incluiu a seguinte nota de rodapé:

Esta obra já estava no prélo, quando appareceu o livro de Claparède, intitulado - Comment diagnostiquer les aptitudes chez les écoliers. Ainda não o li, porque ainda não o encontrei nas nossas livrarias. Deve, sem dúvida alguma, ser excellente, como tudo o que publica o grande psychologo e educador suisso. (p. 8)

As breves referências de Medeiros e Albuquerque antecipam as duas tendências que iriam servir de referências para os psicólogos brasileiros nas próximas décadas: o funcionalismo europeu representado por Claparède e o funcionalismo americano representado por John Dewey (1859-1952) e William James (1842-1910). Contudo, a literatura em inglês, além do obstáculo do domínio da língua, trazia outro empecilho:

Ora, o conhecimento do inglez não é muito vulgar no magistério. De mais, os livros americanos e inglezes são carissimos. Ha mesmo outro embaraço muito sério. Para estudar bem qualquer assumpto de psychologia ou de pedagogia é necessario lêr numerosos artigos de revistas, algumas dellas já antigas.

Nos Estados Unidos, ao contrario do que succede entre nós, o artigo publicado em uma revista passa a ser propriedade des-ta. O auctor só póde reproduzir sielle dér licença. E frequentemente isso não se obtem. (p. 8-9)

A ainda a crítica contundene a literatura existente em português:

Por outro lado, em portuguez, que eu saiba, ha apenas uma brochura de 58 paginas, por Luiza e Antonio Sergio - Escala de pontos dos niveis mentaes das crianças portuguezas. Embora tenha como um dos seus auctores, um espírito de admiravel cultura, esse folheto me parece mais proprio para atrapalhar do que para guiar quem delle se servir. (p.9)

Com efeito, é um precioso documentário dos primeiros passos da avaliação psicológica em nosso país. A seguir, vou destacar muito brevemente alguns pontos dos 7 capítulos.

O capítulo 1 é uma eloqüente defesa do uso de exames padronizados para evitar injustiças nas relações entre professores e alunos, por excesso de rigor ou por benevolência. Ele também enumerava as vantagens do uso dos exames padronizados para admissão e avaliação de funcionários em empresas e em serviços públicos. Como exemplo, cita casos de perseguição de alunos por professores, preconceito raciais de professores, e diferença de julga-mento entre professores. Ou seja, seu objetivo era criar avaliações justas para os alunos.

O capítulo 2 traz uma análise impressionante da supressão dos exames e de seus sucedâneos.

Diante da fallibilidade lamentavel e ás vezes até mesmo criminosa do systema de exames, alguns têm proposto que elles sejam eliminados. É um recurso que se parece com a velha chalaça popular que manda cortar a cabeça aos que sofrem della. Á falta de acharem um remedio adequado para supprimir a doença, supprimem o doente.

O grande problema para Medeiros e Albuquerque era a incapacidade de julgamento dos professores por conta de suas simpatias e antipatias. Quanto os sucedâneos ele destacou dois: realização de vários exames durante o ano, para que o aluno pudesse mostrar sua aprendizagem com mais consistência, e um novo sistema em que as aulas dariam lugar a laboratórios por disciplinas, onde o professor seria um facilitador de aprendizagem dando consultoria aos alunos que desejassem. Contudo, nos dois casos, a última palavra era o julgamento do professor. Era exatamente a esta condição infalível de julgar que Medeiros e Albuquerque se opunha.

O capítulo 3 faz a defesa do hoje muito conhecido teste objetivo padronizado que Medeiros e Albuquerque chamou de estalonado: o test pedagogico, estalonado, é sempre o mesmo, representa sempre a mesma dificuldade, é sempre julgado do mesmo modo por qualquer professor (p. 37). O capítulo ensina como formular perguntas objetivas, para marcar as respostas com as hoje famosas cruzinhas entre parênteses.

O capítulo 4 introduz a medida da inteligência, com o argumento de que não basta o exame das habilitações pois é preciso organizar classes homogêneas, que possam aproveitar o ensino. O capítulo traz a história das medidas de inteligência, citando Binet e também as revisões de Lewis Madison Terman (1877-1956). Contudo, a defesa aqui não era daqueles que apresentavam dificuldades de aprendizagem, os chamados sub-normais, mas daqueles que se destacavam como supra-normais que de acordo com o autor eram também muito numerosos. Nova-mente, nós estamos diante de outra tendência que será dominante na difusão dos testes: os esforços para classificação dos jovens estudantes e daí a conhecida crítica dos erros de rotulação e dos estigmas decorrentes.

O capítulo 5 define inteligência na visão de diferentes autores, incluindo W. Stern (adaptabilidade geral a novos problemas e condições de vida), S. C. Kohs (atividade analítica-sintética), A Binet (direção, adaptação e crítica), Mc. Call (número de conexões nervosas desejável; sistema de organização destas ligações; facilidade de formá-las e de quebrá-las; e permanência das que forem realmente desejáveis). O capítulo também analisa os conceitos de inteligência geral e as capacidades específicas, referindo a Spearman (com a defesa das qualidades intelectuais diversas e independentes) e a Thorndike (negando qualquer coerência previsível entre funções mentais).

O capítulo 6 exemplifica e os testes individuais com atenção detalhada às mudanças progressivas nas escalas inicialmente preparadas por Binet e introduz os testes coletivos como a última novidade, trazendo como exemplos os testes usados pelos americanos para selecionar soldados para a I Guerra Mundial. Por fim o capítulo introduz o diagnóstico de caráter, com o argumento de que não basta verificar o que o aluno sabe e qual a sua capacidade para aprender. É preciso avaliar outras qualidades como "vontade, energia, presença de espírito, perseverança" (p. 132).

Trata-se porém de um assumpto relativamente novo e que não está ainda tão bem estudado como seria para desejar. Há no entando, a esse respeito trabalhos magnificos, dos quaes o melhor talvez seja o da Dra. June Downey, professora da Universidade de Wyoming. (p. 132)

Passa, então, a analisar as dificuldades para tal empreendimento, usando o termo caráter no sentido de temperamento. Considera que os dois principais tipos de temperamento foram definidos por William James, designados de explosivos e de obstruídos, ou com mais felicidade por Carl Jung (1875-1961), designados de introvertidos e extrovertidos. No entanto, ponderou o autor, as qualidades em cada temperamento são tão variáveis que o diagnóstico se torna muito difícil e o rigor até agora era pequeno.

O último capítulo traz uma variedade de técnicas para preparação de perguntas objetivos para testes de múltipla-escolha.

 

Conclusão

O estudo da história da psicologia no Brasil vem recebendo, nos últimos anos, bastante atenção dos cursos de pós-graduação. Também, o ensino de graduação tem aberto espaço para disciplinas sobre história, epistemologia e teorias e sistemas. Com efeito, a grande diversidade do conhecimento em psicologia e as exigências cada vez maiores de aplicações efetivas elevam o estudo da história a um patamar fundamental para a pesquisa e a profissão.

O livro de Medeiros e Albuquerque é uma primorosa revisão de literatura, em uma linguagem clara e direta. Uma virtude que desaparecerá depois, paradoxalmente, à gradativa difusão da formação universitária no Brasil. A mesma linguagem direta e clara estava, reconheça-se, em outros dois baluartes da psicologia brasileira: Anita Cabral (1950) e Lourenço Filho (1955). O contato com esses pioneiros e suas relações com colegas estrangeiros é uma forma de contar a história da psicologia no Brasil, evidenciando o entrelaçamento de raízes com as vertentes européias e norte-americanas.

Além de trazer a novidade dos testes, o livro de Medeiros e Albuquerque traz uma profunda reflexão sobre a avaliação pedagógica e psicológica, com os impasses então existentes. A ciência apresentava-se como uma contribuição transparente, confiável e crítica à educação séria, democrática, e competente. O autor também apontava para aplicações na orientação profissional e na seleção de pessoal.

Alguns equívocos, já presentes no trabalho de Medeiros e Albuquerque, acentuaram-se ao longo dos anos, como por exemplo, a ênfase na classificação de alunos para turmas homogêneas, e o uso abusivo das provas objetivas. Contudo, a questão permanece, pois sem avaliações continuadas, justas e sistemáticas não temos como auferir os ganhos da aprendizagem, hoje definidos como competências e habilidades. Na nossa realidade, em especial nos cursos de graduação em psicologia, as avaliações praticamente desapareceram e o estudo das medidas psicológicas foi relegado a segundo plano.

Espera-se que o vigor e a força aglutinadora que hoje apresenta o Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica possam recolocar de forma sólida e robusta a boa prática da avaliação em termos confiáveis e fidedignos, para não fugir e ao mesmo tempo homenagear o precioso jargão da área.

 

Referências

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Endereço para correspondência
Instituto de Psicologia - UFRGS
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Recebido em 15/09/2004
Aceito: 12/10/2004

Conferência proferida no I Congresso Nacional de Avaliação Psicológica e a IX Conferência Internacional de Avaliação Psicológica realizados na Pontifícia Universidade Católica de Campinas de 23 a 26 de julho de 2003.

 

 

1 Os quatro temas propostos por Cattell foram os seguintes: "1) reaction time as related to attention, practice, and fadigue; 2) the time of simple mental process; 3) association time, and 4) the legibility of letters, words, and phrases" (Hilgard, 1987, p. 746).
2 Para maiores informações sobre Fernandes Figueira visitar o site do Instituto Fernantes Figueira
http://www.iff.fiocruz.br/textos/hist.htm
3 Pizzoli é a correta grafia do nome que algumas vezes aparece como Pizzolli.

O autor agradece a Gustavo Gauer por ter resgatado o livro Tests em uma livraria sebo em Porto Alegre, e as sugestões de Adriano Pereira Jardim e Luciano Alencastro.