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Mental

versão impressa ISSN 1679-4427versão On-line ISSN 1984-980X

Mental vol.16 no.30 Barbacena jul./dez. 2024  Epub 16-Dez-2024

https://doi.org/10.5935/1679-4427.v16n30.0001 

EDITORIAL

EDITORIAL

Eloisa Aparecida de Castro

Editora Adjunta


A edição de número 30 da Revista de Saúde Mental e Subjetividade reúne trabalhos que versam sobre temas de extrema relevância para a pesquisa e para a prática em saúde mental. Tais produções englobam estudos realizados em alguns estados do Brasil, demonstrando a diversidade de atuações e de contextos nos quais as práticas em saúde mental podem ocorrer e contribuindo para ampliar o horizonte dos(as) leitores(as).

Nesse sentido, os(as) leitores(as) encontrarão produções de pesquisadores de Minas Gerais, Ceará, Piauí, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Pernambuco. Os estudos realizados se desdobram em torno de aspectos relevantes para a perspectiva do trabalho em saúde mental, como o ensino e o cuidado com discentes, a disciplina e a docilização dos corpos, o suicídio e seus contextos, o trabalho realizado na modalidade de Plantão Psicológico, a ansiedade e a depressão, decorrentes de processos de luto, e os serviços ligados à Rede de Atenção Psicossocial. Estes temas, reunidos na presente edição, apontam para a multiplicidade de manifestações e de preocupações em torno da saúde mental, os quais requerem intervenções diversificadas e ressaltam a relevância de aspectos preventivos e da promoção de cuidados.

Mantendo o tom que permite abarcar a pluralidade, a seção Opinião desta edição contribui com uma explanação sobre os direitos de pessoas trans. Com base numa abordagem ancorada em aspectos históricos, Bastos argumenta como os corpos alijados do discurso heteronormativo são violentados e postos à margem. O texto provoca a reflexão crítica sobre modelos instituídos, especialmente no tocante às políticas públicas e à formação dos(as) trabalhadores(as) da saúde.

O tema do primeiro artigo aborda o espaço disciplinar. Pereira et al. desenvolvem o argumento de que as instituições sociais funcionam de modo a conformar o sujeito a um conjunto de regras que o excluem e limitam suas possibilidades de convívio social. Para alcançar este objetivo, as instituições controlam os desejos dos sujeitos, tornando-se detentoras de grande poder na sociedade.

Na sequência, contamos com dois trabalhos que versam sobre a Rede de Atenção Psicossocial. No primeiro deles, Pereira, Machado e Modena apresentam uma exposição sobre a implantação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), elegendo o município de Barbacena como objeto de análise, a fim de demonstrar como ocorreu o processo de desinstitucionalização de pacientes em condição de internação. As autoras efetivaram um resgate histórico, abarcando desde a criação das instituições psiquiátricas até o processo de desinstitucionalização, possibilitando a criação de modalidades de atenção não pautadas no afastamento social das pessoas. De maneira semelhante, Rodrigues e Martelli buscam estabelecer um panorama geral da organização e dos processos de articulação do cuidado da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Para tal análise, selecionam um município de Pernambuco, onde investigam o contexto da Reforma Psiquiátrica que desencadeou a construção de serviços substitutivos que compõem a RAPS.

Outro relevante tema em torno da saúde mental é abordado por Cordeiro et al., que buscaram analisar o contexto pós-pandemia da COVID-19, considerando os efeitos do isolamento social e das perdas de familiares em função da pandemia global. A equipe de pesquisadores(as) responsáveis pelo estudo realizado na cidade de Sobral dedicou-se a identificar a presença dos diagnósticos de ansiedade e de depressão em familiares enlutados. O estudo obteve resultados que indicam a necessidade do estabelecimento de políticas públicas que considerem tais manifestações e constituam programas de cuidado à população afetada.

Por sua vez, Almeida investiga dados emitidos pelo Instituto Médico Legal de Santa Catarina relativos a mortes por suicídio. Com este levantamento, é possível traçar um perfil de pessoas que cometeram suicídio na região estudada. Um aspecto relevante do trabalho desenvolvido assenta-se sobre a utilização da teoria de Durkheim, que permite explorar diversas facetas envolvidas na morte voluntária, ultrapassando modelos que patologizam o sujeito e evidenciam o envolvimento de aspectos externos nas elevadas taxas de suicídio da população em tela.

Desdobrando o olhar sobre a saúde mental, o(a) leitor(a) é direcionado(a) para um segmento importante que vem apresentando altos índices de adoecimento: o público universitário. Nessa direção, o artigo produzido por Alves et al. aborda a literatura publicada sobre o plantão psicológico no contexto brasileiro, encontrando resultados interessantes, os quais convidamos o(a) leitor(a) a conferir na íntegra. Por sua vez, Camargos; Porfírio e Rigotti analisaram prontuários de pacientes submetidos a um processo de avaliação psicológica, com o objetivo de identificar o perfil do público atendido por estagiários de psicologia em um serviço-escola, no município de Barbacena-MG. A investigação foi realizada por meio de análise dos prontuários e identificou aspectos relativos à prevalência no uso de alguns testes psicológicos e as principais queixas apresentadas pelo público atendido.

Ampliando a noção de cuidados em saúde mental, Nunes e Santos, dedicaram-se à necessária tarefa de promover o debate público e de desenvolver estratégias de saúde, que considerem os riscos aos quais podem estar submetidos estudantes de psicologia. Com o intuito de construir critérios de enfrentamento aos problemas de saúde mental identificados entre os discentes, o estudo em tela pôde contribuir ao distinguir alguns dos principais fatores de risco à saúde mental dos estudantes. De modo semelhante, outra produção que contribui nesse sentido considera a vulnerabilidade aos riscos em saúde mental a qual estão submetidos os estudantes. Neste trabalho, Mattos e Rodrigues apresentam a importância da prestação de cuidados à saúde mental do público universitário, indicando que a política de suporte à saúde mental dos estudantes é de fundamental importância para a promoção e para a prevenção de acometimentos à saúde desse público.

Finalmente, considerando a saúde mental de acadêmicos, Oliveira et al. apresentam o resultado de uma análise realizada em diversos periódicos científicos sobre as intervenções voltadas para a promoção da saúde mental discente. Os pesquisadores estabelecem contribuições importantes para o tema ao efetivarem ampla pesquisa na literatura vigente e dedicarem-se a uma investigação cuidadosa sobre tais produções. Este esforço acarretou a constatação da necessidade de produzir maior número de trabalhos sobre o tema e da realização de outros programas de intervenção cujo escopo de atenção seja o público universitário.

Diante desse instigante conjunto de artigos e da riqueza de teorias, temas e horizontes de pesquisas apresentados nesta edição, convidamos todas as pessoas interessadas nesta leitura que provoca questionamentos, ao mesmo tempo em que indica caminhos a serem percorridos e/ou construídos. O presente número tornou-se possível graças aos(as) autores(as), os quais contribuíram com os seus trabalhos para uma produção científica de qualidade, ao apoio da Comissão Editorial, do Conselho Científico da Revista, da Reitoria e da PRODIS do UNIPAC Barbacena.

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