INTRODUÇÃO
O estágio que aqui será relatado ocorreu na clínica-escola de Psicologia na qual atualmente conta com cinco salas para atendimentos individuais e dispõe também de instrumentos que se fazem necessários para a realização de um trabalho de qualidade. O público que procura o serviço é diversificado, não havendo nenhuma restrição quanto à idade (exceto em caso de menores), raça, crença, etnia ou orientação sexual, sendo ordenado por urgência da demanda sinalizada no momento do acolhimento.
A clínica escola além de propiciar a prática da teoria que é apresentada em sala de aula, desenvolve um papel social de extrema relevância, tendo em vista a população que necessita e busca o serviço. Desta forma, Mello Silva et al. (2005), afirmam que as clínicas-escolas contribui tanto na formação quanto no atendimento da população de baixa renda, oferecendo um atendimento qualificado para aqueles que não dispõem de recursos financeiros para custear um atendimento particular.
O estágio clínico em psicologia é de fundamental importância para o graduando, pois oferece a oportunidade do aluno atuar segundo a abordagem previamente escolhida, na qual irá nortear seus atendimentos. Acerca do estágio clínico em psicologia, Reis Filho e Firmino (2007) descrevem que o estágio em clínica-escola é desenvolvido por alunos que estão prestes a se formarem, contendo assim uma importante quantidade de conhecimentos teóricos. Além disso, os autores afirmam que o modelo de atendimento é o clínico, individual e que tem por objetivo trabalhar os conflitos psíquicos da população que procura o serviço.
Além dos atendimentos que são desenvolvidos, o estágio na clínica-escola é acompanhado de perto por um profissional experiente e responsável, que direciona, acolhe e ajuda os iniciantes na prática clínica, dando total suporte e dirigindo-lhes aos possíveis caminhos que serão discutidos em supervisão. A supervisão é um momento de crescimento, ajustes e discussões, na qual os alunos e futuros terapeutas expõem os casos, e são guiados pelo(a) supervisor(ora), no intuito de obter uma compreensão precisa do que é trazido pelos clientes.
Para tanto, o momento da supervisão também se faz necessário para que os alunos percebam se realmente estão aptos para prosseguir em uma jornada árdua com o seu cliente, se verdadeiramente será capaz de embarcar numa viagem sem rota traçada e sem um destino concreto, se estará aberto ao novo e ao incerto, aspectos que fazem parte do processo terapêutico. Assim sendo, Mônica Tavora afirma que a supervisão serve para “transmitir ensinamentos básicos, mas, principalmente, fazer com que cada estagiário olhe para dentro de si, para a relação que estabelece com seu cliente e para o vínculo que desenvolve com seu supervisor” (TAVORA, 2002, p. 121).
Um momento que merece ser destacado aqui é o do registro, feito após os atendimentos, sendo ele obrigatório. De acordo com o Conselho Federal de Psicologia que publicou uma resolução (CFP nº 001/2009) em que informa a obrigatoriedade do registro documental na prestação de serviços psicológicos (CFP, 2009).
É valoroso ressaltar que a escolha da abordagem deve ser feita de forma consciente e verdadeira. Costumo dizer que encontrei minha verdade na Gestalt-Terapia, diante de tantas outras abordagens nenhuma outra me encantou tanto como a Gestalt, com sua visão de homem e mundo, com suas bases humanística, existencial e fenomenológica. O trabalho do terapeuta é ajudar os seus clientes no processo de crescimento e descoberta de si, como já dizia Perls:
Seja como você é. De maneira que possa ver quem és. Quem és e como és. Deixa por um momento o que deves fazer e descubra o que realmente fazes. Arrisque um pouco, se puderes. Sinta seus próprios sentimentos. Diga suas próprias palavras. Pense seus próprios pensamentos. Seja seu próprio ser. Descubra. Deixe que o plano pra você surja de dentro de você (PERLS, 1975, p. 28).
Portanto, o futuro Gestalt-terapeuta precisa ser congruente quanto a si mesmo, a sua abordagem e perante a sua “verdade”. Pois o encontro precisa ser verdadeiro e o graduando e futuro profissional necessita esvaziar-se de ideias preestabelecidas, estar inteiro e aberto, para receber e acolher de forma genuína o outro. Inicialmente o artigo apresenta uma descrição breve sobre a da Gestalt-Terapia e alguns conceitos básicos. Por conseguinte, será discutido o momento da supervisão, seguida do primeiro atendimento, processo terapêutico e por fim, conclusão.
GESTALT-TERAPIA
A Gestalt-Terapia surge no inicio da década de 50, por meio das reflexões de um psicanalista nascido em Berlim chamado Friederich Perls, que com um grupo de intelectuais norte-americanos formulou esta nova abordagem. Segundo Smith (1976 apud CAVANELLAS, 1998, p.70), Perls buscou em suas vivências elementos que fossem validados empiricamente para que fosse possível desenvolver a Terapia Gestáltica.
Essa abordagem ficou conhecida após a publicação de seu primeiro livro texto “Gestalt Therapy: Excitement and Grownt in the Human Personality” lançado nos EUA no ano de 1951, escrito por Perls (a partir de escritos seus) e seus colaboradores Paul Goodman e Hefferline. Gestalten é um termo alemão que significa forma, sendo ela composta por partes, essas partes são pedaços que juntas compõem o todo. Segundo (HOUAISS; VILLAR; FRANCO, 2001, p. 1449), “A Gestalt considera os fenômenos psicológicos como totalidades organizadas, indivisíveis, articuladas, isto é, como configurações”.
CONCEITOS BÁSICOS
É imprescindível que o estagiário em psicologia clínica domine os principais conceitos referentes à sua abordagem. O psicoterapeuta em formação deve ter em mente que toda a sua atuação requer uma fundamentação teórica, teoria essa que foi apresentada durante as aulas, mas que não pode se limitar somente a elas. O graduando precisa realizar leituras constantes, para que assim, possa dar conta das demandas de forma efetiva e eficaz. Cabe, portanto, aqui discorrer acerca dos conceitos básicos da abordagem gestáltica.
“AWARENESS”
Um conceito primordial em Gestalt-Terapia é o conceito de “awareness”, que se configura como a tomada de consciência no momento presente. Yontef (1993) a define como a assimilação do mundo interno e externo, sendo que tal compreensão se dá no presente, mesmo que seja algo do passado, ele está sendo vivenciado no tempo atual. Sabendo que a “awareness” apresenta-se sempre no presente, o proposito dela pode estar vinculado a um outro tempo ou espaço.
Assim, a noção gestáltica de “awareness” se dá na relação de campo organismo-ambiente, em um espaço-tempo, de forma única e não dualista. A Gestalt considera o organismo/pessoa uma totalidade, sendo mente, corpo e ambiente indissociáveis, estabelecendo entre si uma relação de interação.
CONTATO
Outro conceito fundamental é o do contato, pois para haver “awareness” precisa-se haver contato, uma vez que é possível que exista contato sem que se tenha “awareness”. Por meio do contato que a pessoal se relaciona com o meio, é também através dele que as experiências são vivenciadas e as mudanças ocorrem (POLSTER e POLSTER, 1979).
O contato configura-se como a relação do organismo em um campo e as interações provenientes dessa inter-relação. As interações ocorrem na fronteira de contato, que não é uma delimitação física propriamente dita, e sim, onde os fatos ocorrem e as mudanças acontecem.
Segundo Perls, Hefferline e Goodman (1997, p.44-5), “primordialmente, o contato é ‘awareness’ da novidade assimilável e comportamento com relação a esta; e rejeição da novidade inassimilável [...]. Todo contato é ajustamento criativo do organismo no ambiente”.
FRONTEIRA DE CONTATO
Há um ponto onde ocorre o contato, denominado de fronteira do contato, onde o “eu” se depara com o “não eu”, não se trata de um lugar físico, mas da relação entre o sujeito e o mundo. Segundo Tellegen (1984), a fronteira de contato é o ponto de separação e união, não sendo delimitada por um espaço ou tempo concreto, ela possibilita o encontro com o diferente, com o novo, e nela podem ocorrer as transformações por meio das experiências com o desconhecido.
“SELF”
Já o termo “self” é usado para designar a totalidade da pessoa frente à interação saudável com o meio. Segundo Lanter (1973), um aspecto primordial do “self” é a destruição e formação da Gestalt, se caracterizando como nossa essência, responsável pela integração das necessidades organísmicas. O “self” nos direciona ao ajustamento criativo, possibilitando assim, o funcionamento e crescimento saudável ao organismo.
Como citado logo acima, o “self” proporciona o ajustamento criativo necessário do organismo no campo, como afirma Perls, Hefferline e Goodman (1951), o self, "é a fronteira de contato em funcionamento [...], a função do ‘self’ é encontrar e dar sentido às coisas que vivemos" (p.235).
AJUSTAMENTO CRIATIVO
O ajustamento criativo se dá por meio do contato, sendo que, “todo contato é ajustamento criativo do organismo e ambiente” (PERLS, HEFFERLINE e GOODMAN, 1997, P.45). Seria, portanto, a capacidade do individuo adaptar-se de forma criativa à determinadas circunstâncias, atualizando as potencialidades no processo de autorregulação organísmica, assim:
Nessa perspectiva, a noção de ajustamento criativo não se confunde com conformismo disfarçado. Ao contrário, sugere a superação de estruturas relacionais que já não são mais funcionais, sem negá-las como matriz. É o clássico tema de que fixidez e a repetição se superam a partir do momento em que se toma posse do passado como história. Transformar repetição em recordação é o que Perls chama de encerrar situações inacabadas para que novos espaços possam ser explorados (TELLEGEN, 1984, P.46).
Portanto, o ajustamento criativo é a capacidade de reconfigurar-se, superar-se de forma inovadora e atualizadora.
A SUPERVISÃO
A supervisão é um momento de extrema importância no que se refere aos estágios em geral. Se tratando do estágio no modelo clínico, a supervisão é um momento ímpar, no qual os estagiários discutem e estudam os casos de forma coletiva frente ao supervisor, este último trabalha no intuito de facilitar o manejo dos iniciantes na prática clínica a fim de contribuir no desenvolvimento do processo e na formação do futuro psicoterapeuta.
Santos (2010, p. 5), afirma que, “teoria e prática mantêm uma relação de unidade na diversidade, formam uma relação intrínseca, sendo o âmbito da primeira a da possibilidade e o da segunda a da efetividade”. É exatamente neste ponto, diante da relação entre teoria e prática que o papel do supervisor durante o estágio se faz preponderante. É ele quem norteia o estagiário nesta relação.
A supervisão é um momento célebre, onde os ajustes teórico-práticos são feitos, além das orientações e correções, sendo assim:
[...] o estágio, enquanto atividade didático-pedagógica, pressupõe a supervisão acadêmica e de campo, numa ação conjunta, integrando planejamento, acompanhamento e avaliação do processo de ensinoaprendizagem e do desempenho do (a) estudante, na perspectiva de desenvolvimento de sua capacidade de investigar, apreender criticamente, estabelecer proposições e intervir na realidade social (ABEPSS, 2010, p. 13).
É diante destes fatos apontados como fruto de pesquisa científica e da minha própria expectativa e temores com a prática, que compreendo ser realmente impossível realizar um estágio sem uma devida supervisão.
O PRIMEIRO ATENDIMENTO
Iniciar as atividades práticas no período acadêmico é um desafio que nos deixa muito reflexivo. Será que darei conta? Realmente tenho uma base teórica segura? Como eu vou saber o que colocar em prática na hora correta? Diante de tantas questões, uma certeza precisa ser indubitável, o estagiário carece estar convicto da sua responsabilidade e sentir-se seguro quanto à escolha e conhecimento prévio da abordagem designada.
O primeiro atendimento é um dos momentos mais importantes para o sucesso ou fracasso do trabalho psicoterapêutico. Esse momento único carrega consigo muitas expectativas e fantasias, porém, na maioria das vezes, a psicoterapia aparece como a última solução, antes de procurar ajuda de um profissional, o cliente tenta resolver suas questões por meio de outros métodos, como por exemplo, em livros de autoajuda, amigos ou líderes religiosos (PINTO, 2015).
A busca por outros meios é comum e demonstra que a pessoa já está mobilizada diante do sofrimento e tenta achar soluções. “Esse caminho de busca de alternativas anteriores à terapia não é ruim, pois já configura o início do processo terapêutico [...]” (PINTO, 2015, p. 12). Portanto, entende-se que a psicoterapia quase sempre é o último recurso a ser buscado para o enfrentamento do sofrimento que o sujeito apresenta, momento que gera e desperta muita expectativa, não só por parte do cliente, mas também pelo terapeuta.
Nas palavras de Ênio:
Fazer terapia é uma aventura tanto para o cliente quanto para o terapeuta. Significa, no caso do primeiro, dispor-se a se defrontar com aspectos de si que não conhece bem ou teme correr o risco de aceitar e promover mudanças às vezes muito doloridas na própria vida, ter de se desacomodar de anacrônicas e aparentemente confortáveis posições já conhecidas, em geral conquistadas depois de muita luta (PINTO, 2015, p. 13).
Assim, a aventura da psicoterapia se inicia, contendo inúmeras fantasias e expectativas, que durante o processo serão sustentadas ou frustradas, terapeuta e cliente embarcam em uma viagem incerta, na qual, o primeiro passo é desancorar o navio, por meio da coragem apresentada pelo cliente e da congruência do terapeuta em relação ao percurso e possível destino da psicoterapia.
Vale ressaltar a importância do contrato terapêutico, por meio do qual são expressas as peculiaridades do processo e como serão administradas, como por exemplo: o tempo da sessão, as faltas, os atrasos, mudança de horário e principalmente o sigilo profissional.
O código de ética do psicólogo prevê em seu artigo 9º, que “É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional” (CFP, 2005, p.13).
O PROCESSO TERAPÊUTICO
É de fundamental importância que o estagiário mergulhe na aventura de conhecer o novo. O processo terapêutico em Gestalt-Terapia deve ser fluido e o cliente precisa estar à vontade para que a caminhada seja, na medida do possível, a mais segura. Estive durante dois semestres atuando na clínica-escola, durante este período me deparei com clientes de faixas etárias diferentes: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não será descrito aqui o passo a passo dos atendimentos, pois este não é o objetivo do artigo em questão. Contudo, discorrerei acerca do processo terapêutico e suas peculiaridades, a fim de nortear os iniciantes na prática clínica. Afirmando de antemão, que cada atendimento é único, assim como o ser humano que estará a sua frente.
Optar por fazer terapia não é uma tarefa fácil, muita das vezes a procura por um profissional significa o último recurso possível na busca por solução de uma determinada demanda. Segundo Pinto (2015, p. 13), “fazer terapia significa abrir-se para conhecer até atingir o ponto de abrir-se com curiosidade para desconhecer-se com confiança”. Assim sendo, a aventura da psicoterapia começa em meio as incertezas, fantasias e medo por parte do cliente.
Cabe ao profissional, e neste caso, ao estagiário, estar atento a essas peculiaridades tão importantes para o decorrer do processo. Ainda segundo Pinto (2015), o terapeuta precisa desfazer-se de preconceitos e de estereótipos e estar aberto ao novo, para que assim ele possa ser surpreendido com o ser humano que estará a sua frente. Evitar rótulos e julgamentos prévios é de suma importância para que o encontro seja único, uma vez que o sentir é mais importante do que o saber de antemão.
O estagiário e futuro terapeuta deve receber o cliente com compaixão, não o menosprezando ou atribuindo um sentimento de menos valia ao usuário do serviço, mas ter compaixão como um sentimento piedoso, exclusivamente humano e de empatia para com a tragédia pessoal de outrem, acompanhado do desejo de contribuir para a sua melhora (HOUAISS e VILAR, 2001).
O percurso terapêutico é uma descoberta cheia de mistérios, a começar pelo próprio cliente. Safra (2006, p.206) considera que “o mistério sempre envolverá o homem, portanto, o trabalho do psicoterapeuta. Estar diante de um ser inacabado, aberto ao outro impossível de ser apreendido, envolto em mistério é deparar com a dimensão transcendente do homem”. Assim sendo, recomendase aos iniciantes na prática clínica que abram-se ao desconhecido, buscando compreender os mistérios que surgirão durante o estágio, sendo o cliente um desses mistérios.
O estagiário/terapeuta deve ter sua atuação focada na clarificação da(s) problemática(s), sendo ele um facilitador do processo. Segundo Perls (1977b, p34)“[...] a tomada de consciência em si – e de si mesmo – pode ter efeito de cura”. Desta forma, facilitar a tomada de consciência é função principal do terapeuta, ele é responsável por prover os instrumentos necessários para simplificar a “awareness” do cliente.
Portanto, o estagiário trabalhará com a finalidade de auxiliar o cliente a promover à autocura, ou seja, o estudante se valerá das técnicas, experimentos, leituras e da própria relação terapêutica para propiciar ao cliente a resolução de sua demanda, sendo o graduando um agente facilitador do processo, uma espécie de bússola, norteando os caminhos, que serão ou não seguidos pelo cliente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência do “ser terapeuta” carrega consigo a responsabilidade e a postura do cuidar. O respeito ao outro, bem como à sua singularidade, crenças, descrenças, valores e opiniões, é extremamente relevante para haja um encontro genuíno, encontro este considerado sagrado.
O estágio clínico foi um período em que buscamos vincular o saber teórico aos aspectos práticos. Momentos em que a teoria e a prática se mesclaram para que fosse possível apresentar um bom resultado. Sobretudo, percebemos a necessidade em assumir uma postura reflexiva da nossa prática diante de cada realidade.
O estágio supervisionado em psicologia clínica proporcionou uma experiência única, mesmo com todas as dificuldades que se apresentaram, sendo ela uma possibilidade de crescimento, o que foi obtido de forma extraordinária.
Há um ponto de partida, há um fio condutor que nos guia ao destino onde queremos e imaginamos que vamos chegar. E este estágio é considerado o início desta caminhada. No entanto, entendemos que as limitações enfrentadas, e os desafios que foram postos tiveram fundamental contribuição para a consolidação e para a reflexão sobre diferentes situações vivenciadas.
Portanto, como um futuro Gestalt-terapeuta, avalio positivamente a oportunidade de vivenciar a prática clínica, um saber ímpar e deslumbrante. Presenciar a teoria e pô-la em prática é algo admirável, ainda mais se tratando da Gestalt-Terapia, abordagem que me encanta todos os dias, e como costumo dizer, onde encontrei minha verdade.













