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Tempo psicanalitico

versión On-line ISSN 2316-6576

Tempo psicanal. vol.49 no.2 Rio de Janeiro dic. 2017

 

Editorial

 

A nova edição da Tempo Psicanalítico mantém a tradição da revista de trazer diversos temas relacionados à pesquisa em psicanálise, mostrando a diversidade inerente ao discurso psicanalítico.

As reflexões sobre a clínica estão presentes em "A criança e sua família: o caso do menino e o seu avatar, o Sombra", "A intepretação psicanalítica: um esboço de formalização" e "Transtornos do espectro do autismo e psicanálise: revisitando a literatura". O primeiro é um estudo de caso, que busca repensar as possibilidades de atuação do analista no atendimento a crianças, as quais, de maneira inconsciente, atualizam a história de sofrimento de suas famílias. Já o segundo busca um retorno aos fundamentos da intepretação psicanalítica em Jacques Lacan através dos estudos de seus seminários. No terceiro, as autoras realizam um interessante estudo sobre a produção psicanalítica recente sobre o autismo, apresentando algumas conclusões a respeito de problemas como etiologia e diagnóstico.

Os artigos "Muros do vazio: Narciso revisitado" e "Adolescentes no ciberespaço: uma reflexão psicanalítica" abordam questões contemporâneas a partir de uma leitura psicanalítica: o primeiro através de considerações sobre o narcisismo e seu potencial destrutivo, e o segundo através de reflexões sobre o recurso ao ciberespaço como forma de suprir a inconsistência do Outro.

Explorando a interface entre psicanálise e estética, o artigo "O sensacionismo, o primado estético-filosófico do poeta Alberto Caeiro e a proposta psicanalítica da atenção flutuante" aborda a doutrina "sensacionista" de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, a partir de Freud e Bion, utilizando-se também das ideias de psicanalistas contemporâneos como Bollas, Ferro e Nasio. A arte também se encontra presente no artigo "Da poesia dita que adormece e da escrita poética chinesa que desperta", em que o autor aborda o papel desempenhado pela escrita chinesa e pela poesia na obra do psicanalista Jacques Lacan como elementos de grande importância para a concepção lacaniana de interpretação analítica.

Alguns artigos retomam reflexões fundamentais sobre a metapsicologia, tema sempre atual na psicanálise: "O funcionamento mental e as bases ancestrais do psiquismo segundo Sabina Spielrein" investiga as bases do pensamento psicanalítico de Sabina Spielrein, desenvolvendo uma importante contribuição sobre uma autora normalmente lembrada mais por sua biografia do que por suas investigações metapsicológicas. Destaca-se a originalidade do artigo, que resgata uma autora pouco trabalhada nos meios psicanalíticos.

O artigo "Hacia una teoría antivital, antihomeostática y antiadaptativa de la vida en Freud: el trabajo del concepto de pulsión" debruça-se sobre o conceito freudiano de pulsão, buscando destacar sua originalidade ao apontar para um aspecto não homeostático de vida e rompendo com as concepções inerentes à ciência moderna.

Também no campo da teoria, o artigo "Maquinando Lacan: uma análise dos usos que Deleuze e Guattari fazem do ensino lacaniano em O Anti-Édipo" aborda um tema ainda polêmico tanto na psicanálise quanto na filosofia: aquele das relações entre a teoria psicanalítica e a filosofia de Deleuze e Guatarri. Os autores realizam uma contribuição original ao recusar a forma opositiva - como muitas vezes tal debate é realizado, mostrando como a apropriação de aspectos da teoria lacaniana realizada por esses filósofos é, na verdade, propositiva e positiva.

Finalmente, o artigo "Considerações sobre o papel do mediador escolar: a função do cuidado" aborda a relação entre a psicanálise e o campo social, mais especificamente a partir de uma reflexão sobre o papel dos mediadores escolares nas instituições de ensino.

Boa leitura!

Alexandra Vianna, Daniela Viola e Pedro Laureano

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