SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.50 número1As nominações na clínica nodal de adolescentesPsicoanálisis y religión: el desplazamiento de la problemática filosófica, de Freud a Lacan índice de autoresíndice de materiabúsqueda de artículos
Home Pagelista alfabética de revistas  

Tempo psicanalitico

versión On-line ISSN 2316-6576

Tempo psicanal. vol.50 no.1 Rio de Janeiro enero/jun. 2018

 

ARTIGOS

 

A técnica zen como resposta lacaniana à crise da técnica analítica

 

The zen technique as a Lacanian response to the crisis of analytical technique

 

La technique zen comme réponse lacanienne à la crise de la technique analytique

 

 

Cleyton Andrade*

Universidade Federal de Alagoas - UFAL - Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O texto procura investigar uma resposta lacaniana àquilo que ele próprio chamou de crise da técnica analítica (1953/1998) entre os pós-freudianos. Destaca alguns impasses decorrentes da noção de eu e suas consequências clínicas e teóricas, bem como a tentativa de manutenção de uma técnica padronizada e destituída de uma epistemologia freudiana que resultou em desvios entre aqueles que Lacan chama de pós-freudianos. Aponta o recurso à técnica zen no início do ensino de Lacan como uma crítica a um desvio da prática, como um princípio não identitário e não essencialista do eu. O zen não seria um recurso alegórico numa retórica lacaniana, mas uma forma precisa de retomada de um pensamento da negatividade em conformidade com uma epistemologia freudiana no interior da prática analítica.

Palavras-chave: Psicanálise, zen, técnica analítica.


ABSTRACT

The text seeks to investigate a Lacanian response to what he himself called the "crisis of analytic technique" among post-Freudians. It highlights some impasses arising from the notion of "Ego" and its clinical and theoretical consequences. It points to the use of the Zen technique, at the beginning of Lacan's teaching, as a critique of a deviation from practice, and as a non-identitarian and non-essentialist principle of the self. Zen would not be an allegorical feature in Lacanian rhetoric, but a precise form of resumption of a thought of negativity within analytic practice.

Keywords: Psychoanalysis, zen, analytical technique.


RÉSUMÉ

Le texte cherche à étudier une réponse lacanienne à ce qu'il appelle la crise postfreudienne de la technique analytique (1953/1998). Il met en évidence certaines impasses découlant de la notion de moi et de ses conséquences cliniques et théoriques. Ainsi que la tentative de maintenir une technique standardisée dépourvue d'une épistémologie freudienne, qui a abouti à des déviations entre celles que Lacan appelle postfreudiennes. Il souligne l'utilisation de la technique zen au début de l'enseignement de Lacan comme une critique d'une déviation de la pratique en tant que principe non identitaire et non essentiel de moi. Le Zen ne serait pas un trait allégorique dans une rhétorique Lacanienne, mais un moyen précis de reprendre une pensée de négativité en accord avec une épistémologie freudienne dans la pratique analytique.

Mot clés: Psychanalyse, zen, technique analytique.


 

 

Introdução

"O mestre interrompe o silêncio com qualquer coisa, um sarcasmo, um pontapé. É assim que procede, na procura de sentido, um mestre budista, segundo a técnica zen" (Lacan, 1953/1983, p. 9). Há um sentido dialético preciso nesse método e uma aplicação discreta de seu princípio na análise é admissível (Lacan, 1953/1998), uma vez que ele "só rompe o discurso para parir a fala" (Lacan, 1953/1998, p. 317). Duas referências de Lacan ao zen em dois momentos distintos no ano de 1953, no início de seu ensino. Ambas convergentes para a questão da intervenção e do que faz um analista.

Num momento em que Lacan procura firmar as bases de um projeto de retorno a Freud e iniciar a integração da psicanálise numa inteligibilidade científica da linguística estruturalista, não seria inusitada uma referência exortatória ao zen e ao mestre zen? Não seria uma alegoria arriscada demais frente a um empreendimento de tamanha importância e seriedade? Qual o sentido de tais referências ao zen e ao mestre zen nesse momento do início do ensino de Lacan em 1953?

Em uma leitura feita por Lacan (1954-1955/1987), até o ano de 1910 a técnica analítica trazia respostas claras; os pacientes melhoravam mesmo que de modo surpreendente. Porém, no período que vai de 1910 a 1920, surge uma crise. A técnica, que funcionava bem até então, não produziria mais os efeitos de antes. As intervenções de Freud que pareciam interpretações brilhantes, surgindo como um clarão com "explicações que não acabavam mais" (Lacan, 1954-1955/1987, p. 19), por algum motivo, estavam perdendo sua eficácia. Isso culminou no que Lacan chamou de "a crise da técnica analítica". Essa crise teria mobilizado Freud a redirecionar alguns pontos relevantes de sua teoria.

Também em virtude disso, desde as décadas de 1920 e de 1930, a IPA (Associação Psicanalítica Internacional) passou a adotar algumas regras técnicas que eram mantidas com muito rigor e com muito pouca disposição de torná-las flexíveis por parte de seus membros. Desde então haveria uma tolerância quanto às divergências sobre a maneira de conduzir as análises, embora variações às regras técnicas fossem consideradas como transgressões e, com isso, severamente punidas, inclusive com exclusões.

Essa postura epistemológica estava presente tanto na tradição alemã e na francesa, quanto na europeia de uma forma geral, cada uma a seu modo. Havia uma diferença com relação ao reformismo dos analistas que posteriormente foram para a América do Norte. Estes procuraram reler Freud de modo a torná-lo mais solidário ao american way of life. Por outro lado, na França, por exemplo, havia um projeto epistemológico claro: conceber a técnica e o método de Freud em sua relevância e preservá-los; o que não ocorreria com a doutrina, que era algo entre uma metafísica renovada ou fruto de idiossincrasias. Como a doutrina era defeituosa, os analistas passaram a ambicionar uma psicanálise sem Freud. Conserva-se a técnica e o método enquanto se permite renovar e reescrever a doutrina (Assoun, 1983). Ao manterem as técnicas e darem liberdade às reformas na doutrina e na metapsicologia, empreendia-se um projeto de uma psicanálise sem Freud. Inclusive, nos parece ainda mais oportuno o projeto lacaniano de retorno a Freud, uma vez que implicava mais do que restituir o sentido da letra e do texto freudiano. Implicava a retomada de uma epistemologia psicanalítica que não poderia se abster de Freud como nome e identidade epistemológica.

Essas regras versavam principalmente sobre o tempo da análise e das sessões. Em relação à primeira, pensava-se que devia durar aproximadamente quatro anos. Já as sessões deveriam acontecer com a frequência de quatro a cinco vezes por semana e com uma duração de cinquenta minutos. Durante esse tempo o analisando poderia dispor de seus minutos para falar, ou mesmo para silenciar, se assim escolhesse. O tempo pré-fixado seria quase uma propriedade de direito do analisante, que poderia fazer dele o uso que lhe aprouvesse.

O silêncio por parte dos analisantes, assim como outras dificuldades que surgem no atendimento clínico, resulta em alguns problemas para o manejo e, consequentemente, estimula uma série de construções teóricas e concepções técnicas que se tornam a visão predominante da psicanálise desde a década de 1920.

A interpretação da transferência, a análise das resistências, a análise do eu, as ideias de um eu forte e um eu fraco, uma adaptação do eu à realidade, dentre outras, foram respostas teóricas e técnicas a problemas que a clínica e o manejo do tratamento produziram dentro do contexto das sessões de cinquenta minutos, de quatro a cinco vezes por semana. Ou seja, se vistos sob uma perspectiva crítica, seriam respostas aos problemas oriundos das próprias regras técnicas orientadas pela IPA.

Não se pode deixar de observar a menção feita por Lacan à técnica, já no título de dois de seus primeiros seminários. Esse momento dos anos 1950 marca a importância da técnica como o que se devia manter do legado freudiano frente à recusa de sua doutrina, bem como da concepção resultante do que seria a experiência da psicanálise. Muito em decorrência desses fatores, também foram anos de rupturas, cisões e conflitos nas instituições. O problema que Lacan passa a denunciar é que o excesso de rigor que visa garantir a experiência da psicanálise e sua legitimidade produz desvios que distanciam seus praticantes do próprio legado freudiano. E ainda mais radicalmente, que não se pode pensar uma psicanálise sem Freud. Este não é um nome que se resumiria a uma variável substituível de uma epistemologia psicanalítica. Ao contrário. A manutenção desta como um campo do saber só seria possível frente ao resgate do nome epistêmico e epistemológico dessa psicanálise: Freud.

 

A crise da técnica analítica

Em 1953, quatro analistas da Sociedade Psicanalítica de Paris, Daniel Lagache, Juliette Favez-Boutonier, Françoise Dolto e Blanche Reverchon-Jouve, efetivam uma cisão após um ano de conflito que girava em torno da questão da formação dos analistas. Nesse cenário, Lacan não é favorável a uma cisão, e sim a uma reforma na instituição (Roudinesco, 1994). Com o tempo, Lacan começa a representar, mesmo que ele não o queira, um forte ponto de oposição à técnica divulgada e defendida pelas principais instituições de psicanálise da Europa. Lacan já era considerado uma figura controvertida tanto pelo seu ensino quanto pela técnica que empregava. Paulatinamente, torna-se inviável sua permanência na Sociedade Psicanalítica de Paris, o que resultou na sua entrada na Sociedade Francesa de Psicanálise, junto com Daniel Lagache.

Bem antes de 1953, Lacan já aponta a sua posição a respeito dessas regras: ele não as cumpre como deveria. Já em 1945, ele escreve "O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada: um novo sofisma", quando ele lança as bases para uma nova técnica. A partir dela, ele busca empregar sessões de duração variável, colocando nas mãos do analista a responsabilidade de interromper a sessão segundo os elementos de que ele mesmo dispõe. Daí retira-se do relógio, que marca apenas os minutos e as horas, a responsabilidade de encerrar a sessão. Esse modo novo de encarar o tempo na experiência de uma análise cria a liberdade de interromper a sessão antes do tempo institucionalmente estipulado. Além disso, ainda porta a hipótese de que se poderiam provocar efeitos vantajosos para a análise.

Através de um sofisma, ele aborda uma nova noção de tempo. Abre o caminho na teoria da psicanálise para uma nova ideia a respeito da temporalidade. Porém, e ao mesmo tempo, todos aqueles que fundaram a Sociedade Francesa de Psicanálise não querem uma ruptura com a IPA. A cisão deveria ser apenas com a Sociedade Psicanalítica de Paris. Mas é inegável a situação difícil em que se encontram desde então: afinal, romperam com a instituição que representava oficialmente a IPA, representante de um reconhecimento da legitimidade da prática da psicanálise.

É preciso negociar uma reintegração (Roudinesco, 1994). Para isso, é necessário demonstrar que seus membros respeitam e seguem as regras-padrão definidas. Mais uma vez, Lacan aparecia como um elemento de controvérsia. A sua prática das sessões de tempo variado é um obstáculo a uma possível reintegração. Nesse sentido, a partir de julho de 1953, ele não deve mais defender publicamente a ideia de sessões de tempo variável, nem mesmo praticá-las. Entretanto, a despeito de inúmeras recomendações, continua a exercê-las no seu consultório.

É interessante notar, seguindo uma indicação de Elisabeth Roudinesco (1994), que, em 6 de agosto de 1953, Lacan escreve a Michael Balint dizendo não só que não dava mais conferências sobre as sessões curtas e nem praticava as análises abreviadas, assim como, há alguns meses, havia abandonado essa prática; fala também da importância que atribui à conferência sobre a fala e a linguagem a ser proferida em setembro próximo. Esse ponto parece importante, porque o que virá a seguir, ao contrário do que indicaria essa carta, é a confirmação e a consolidação de uma nova técnica através de suas próximas produções teóricas. É isso que se verifica, principalmente no "Discurso de Roma", produzido no final de agosto, e no texto "Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise". Com esses dois textos começa a existir efetivamente o que se convencionou chamar de ensino de Lacan. E, consequentemente, é a partir de onde sua concepção de tratamento passa a ganhar forma.

Na sessão de tempo variável, o analista pode funcionar como uma espécie de mestre da fala e do discurso do paciente (Lacan, 1953/1998). Vale ressaltar que é algo muito diferente da função de mestre no discurso do mestre, que só irá surgir no final dos anos 60 em relação aos quatro discursos. Aqui, em 1953, trata-se de dizer apenas que um analista teria por função restituir o devido lugar à fala e à linguagem e ainda trabalhar diretamente com o tempo, nessa nova noção de um tempo que deve ser operacional.

 

O tempo e a fala como operadores

Portanto, para que os problemas em questão possam ser solucionados, terá que contar com alguns elementos que, via de regra, não vinham sendo abordados pelos psicanalistas até a década de 1950. Um deles é a função da fala, o outro é a função do tempo. O registro da fala chama para si a responsabilidade e o peso de conferir um sentido à experiência, não mais considerado como mero veículo de comunicação.

Por exemplo, Lacan (1953/1998) chama a atenção para algo de fundamental na descoberta freudiana: há uma relação problemática do sujeito consigo mesmo. Há um problema nas relações de sentido do sintoma que perturbam uma suposta tranquilidade. A hipótese de que os sintomas possuem um sentido, e que este não é bem-vindo, evoca a necessidade de recusá-lo. E é justamente essa recusa que instaura o problema do sujeito com ele mesmo; o que não é o mesmo que dizer que há uma luta contra as resistências. Isso permite recolocar o tema das resistências, tão caro para muitos analistas, em outras bases de análise.

Visto por esse ângulo proposto por Lacan, não é difícil compreender que qualquer tentativa de forçar uma entrada desse sentido pode provocar complicações. Há, de fato, no pensamento de Lacan na década de 1950, um sentido a ser restituído, porém isso não deverá ocorrer como efeito de uma revelação, ele deve, antes, ser assumido, reconhecido pelo sujeito. Em outras palavras, não se inscreve no campo da racionalidade de um sujeito consciente de si e ancorado sobre uma identidade, mas sim a partir de uma dialética do reconhecimento. Uma teoria do Outro é aqui fundamental, o que torna o conceito de sujeito irredutível ao campo da consciência reflexiva capaz de revelar-se a si mesma.

Guiando-se por uma leitura lacaniana, ao observar os partidários de uma técnica pautada nas resistências, ver-se-iam neles duas posturas básicas. Uma trata de considerar que a resistência é natural ao psiquismo. A outra diz que esse sentido recusado deve ser restituído por uma ação do analista: a interpretação. Diferentemente do rumo que ela virá a tomar em momentos posteriores do ensino de Lacan, aqui ela viria para traduzir para o sujeito o sentido censurado; ela é entendida como a ação de revelar algo que o sujeito não sabe, ou não sabe que sabe. No entanto, vale observar que ainda não se trata do conceito de ato do analista, ato psicanalítico. As expressões usadas por Lacan (1953/1998) ainda são atividade do analista e ação do analista.

Nos comentários ao longo dessa década, as críticas quanto à técnica adotada pelos analistas são constantes nesse trabalho de retorno a Freud. Justamente o domínio eleito como o principal legado de Freud, a técnica e o método, bem como as supostas inovações e atualizações das doutrinas, eram os principais alvos de Lacan. As teorias criticadas diziam, por exemplo, segundo ele: que qualquer coisa, mesmo que se passe fora do consultório, passa a ter o sentido atribuído pelo analista, e que, na verdade, se refere à relação do analisando e do analista na sessão. Qualquer hostilidade, receio, inveja, ciúmes, decepções, e toda uma gama de exemplos de dificuldades ou fascinação com diversos atores da vida social, seriam resumidos e reduzidos a um endereçamento à figura do analista (Lacan, 1953/1998). Qualquer um e, de certo modo, todos os outros que passam pela cena do paciente seriam personagens decompostos da imagem do analista.

A interpretação que lhes parecia eficaz colocava em jogo um sentido que estava encoberto. Para Lacan (1953/1998), via de regra, seguindo a leitura que faziam de Freud, esse sentido era sexual e com um formato bem estabelecido: a moldura do Édipo. Porém as teorizações e os novos pilares da técnica contavam, cada vez mais, com o que, para Lacan, não passaria de algo puramente imaginário.

Esses autores abordavam a contratransferência, a interpretação da transferência, a interpretação das defesas e as análises das resistências, sem a noção dos três registros: real, simbólico e imaginário. Afinal, estes eram noções lacanianas e não direta e propriamente freudianas. Para Simanke (2002) seria em torno dessa tríade - real, simbólico e imaginário - que encontraríamos a base de uma metapsicologia lacaniana. Em função disso, para Lacan essas novas balizas trariam alguma luz aos problemas enfrentados.

 

Zen: eu como referência vazia

É preciso entender, acima de tudo, que o eu é uma função imaginária (Lacan, 1953/1983). Sendo assim, a introdução da noção de simbólico na técnica da análise (Lacan, 1953/1983) implica a retirada ou esvaziamento do eu como ponto central de uma técnica. E esse é um dos pontos em que o pensamento de Lacan encontra o zen: um esvaziamento do eu. Se, para Lacan (1953/1983), o eu é uma função imaginária, e o desvio da técnica ocorre devido a uma abordagem puramente imaginária da clínica, o remédio para esse mal é a introdução da noção de um registro simbólico e, consequentemente, de uma noção de sujeito do inconsciente. Um sujeito que não seja consequência da noção de identidade e de substância. Um dos serviços prestados pelo zen a Lacan é a oferta de um pensamento da negatividade que seja assimilável pelo conceito de sujeito, e um meio de fazer do eu uma referência vazia. Isso altera completamente o lugar a ser dado à fala na análise.

Na presença do analista, um método ganha sua forma. As associações trazidas pela fala dos pacientes, por vezes com um contexto totalmente confuso, adquiriam o estado de algo indiscutível, e não mais um objeto para uma análise metalinguística. O analista traduzia o sentido antes abolido, ou o introduzia no texto, embora tal inserção opere como os sinais da pontuação, que, vale lembrar, são recursos linguísticos empregados na língua escrita que funcionam como demarcadores de unidades e sinalizadores de limites próprios aos textos escritos. A pontuação é, para o Lacan do seminário Os escritos técnicos de Freud e de "Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise", um dos modos de o analista intervir na fala do analisando. É interessante notar como o termo escolhido por Lacan no início da década de 1950 para designar a intervenção do analista com função de interpretação se refere a um recurso usado na língua escrita. Talvez já estivessem aí as bases para uma interrogação a respeito dos limites entre fala e escrita, significante e letra, linguagem e gozo.

Uma fala desprovida de sentido, obscura, incerta e fragmentada necessita de um outro que não o próprio emissor para que se possa percebê-la como tal. Para isso é necessário que a fala ocupe um lugar de destaque e que, além disso, possa ser reconhecida pelo sujeito como fragmentada ou vazia. A fala não é apenas debitária da comunicabilidade entre os seres. Aliás, essa é uma função estruturalmente fadada ao fracasso. Contudo, o sentido da fala não deve ser buscado para além da própria fala, mas tão somente conceber que o que está em jogo são duas modalidades dela na análise: uma fala vazia e uma fala plena (Lacan, 1953/1998).

O passo seguinte é então como colocar em cena a passagem dessa fala vazia à sua nova condição de fala verídica, capaz de colocar o paciente diante de uma verdade empreendida na análise. A questão passa a ser: como uma fala vazia pode dar lugar a uma fala plena?

A fala plena se caracteriza por viabilizar a realização da verdade do sujeito (Lacan, 1953/1998). Por outro lado, o problema da fala vazia e da resistência, tal como Lacan a entende, faz com que os analistas partidários das análises das resistências busquem a solução naquilo que estaria para além da fala.

Não é difícil compreender que nesse momento um dos principais problemas da psicanálise seja, aos olhos de Lacan, justamente a técnica empregada. Por sua vez, o erro estaria tanto no fato de buscar o sentido para além do discurso do analisante, quanto em apostar na centralidade e essencialidade do eu. Se Lacan quer recolocar a fala no seu devido lugar, ele está convencido de que a noção do eu que fora adotada é um dos principais motivos da distorção da técnica. Gramáticas de descentramento e esvaziamento são bem-vindas para uma inteligibilidade possível de um projeto de retorno a Freud.

 

A ação do analista: o corte

O que se tem como função da fala para a técnica analítica (Lacan, 1953/1998) é: 1) ela é o principal instrumento na busca da restituição do sentido que foi recusado; 2) o que ela permite só pode ser buscado nela mesma e não para além dela própria; 3) ela deve introduzir a dimensão do registro simbólico na análise; 4) ela integra o desejo na linguagem e no simbólico; 5) encarna a história do sujeito; 6) permite o reconhecimento do desejo; 7) e assim possibilita que o sujeito reconheça, ou produza os significantes que o capturam; 8) na sua vertente de fala plena, realiza a verdade como um elemento bem mais importante para uma análise do que o conhecimento.

É preciso lembrar que nada garante que a fala exerça naturalmente tais funções. Cabe ao analista propiciar essa direção que não se institui natural e automaticamente. Portanto, é uma tarefa da técnica introduzir a fala nesse papel que lhe cabe, além de ter por função produzir a revelação do sujeito (Lacan, 1953/1998). Não basta recordar, repetir e elaborar, como poderiam concluir apressadamente alguns. Esse trinômio não representa uma relação de contiguidade natural. A fala não porta em si mesma uma função que resulte na revelação do sujeito e da verdade. Isso é algo a ser produzido como consequência de um dispositivo colocado em curso a partir do encontro com um analista.

Para que um analista possa proceder conforme a proposta de Lacan (1953/1998), ele deve considerar que, se há um para além da fala é apenas um outro significante, e não um significado ou um significado oculto. Para além do significante, tem-se outro significante.

 

A verdade surge da equivocação

Vê-se que, nesse momento (1953), há a preocupação de Lacan de destacar as intervenções que cabem a um analista. Porém ele não dá um espaço tão grande para a interpretação nem para a construção, apesar de não negligenciá-las. Em compensação, ergue a pontuação e o corte de sessão como intervenções fundamentais para a técnica analítica. Um pensamento de ruptura, de descontinuidade volta a invadir a prosa romanesca dos discursos nas análises. Mais do que semântica restituída pelos procedimentos hermenêuticos, o que se vê é a irrupção do equívoco, do erro, do tropeço como a retomada do negativo onde se supunha o triunfo dos religamentos.

A verdade surge da equivocação (Lacan, 1953-1954/1983). Essa ideia é uma das noções centrais da lição do dia 30 de junho de 1954 do seminário de Lacan. Nela, há uma torção fundamental. De onde se poderia esperar um distanciamento da verdade pelos caminhos trilhados e traçados pelo significante é justamente de onde se faz surgir a verdade. A equivocação, longe de ser um desvio contingente na função comunicacional, é parte constitutiva da linguagem e por isso mesmo instrumento precioso para intervir na fala. Um modo de perturbar a ilusão utópica da dimensão imaginária da fala, retirando-a de uma espécie de sono dogmático. A turbulência da equivocação relançada sobre as franjas da fala recoloca-a frente à estranheza que a função significante pode produzir. Despossuída da âncora do significado, a fala pode encontrar sua função na análise.

Segundo Lacan (1953-1954/1983), Freud mostrou de que maneira um erro, uma equivocação, que surge como uma falha no discurso, também chamado de ato falho, ou lapso, conduz ao que há de mais próximo da verdade. Quando se diz que o ato falho é bem-sucedido, fala-se exatamente dessa questão. "Nossas palavras que tropeçam são palavras que confessam" (Lacan, 1953-1954/1983, p. 302). Todas as modalidades de falhas do discurso, das cisões introduzidas pelo simbólico, ou os efeitos dos sentidos que foram recusados, colocam em jogo o problema de uma fala que possa reintroduzir a verdade na forma de um sentido.

Lacan (1953-1954/1983) nos convida a que façamos palavras cruzadas e a nos divertirmos com as charadas. Afinal a fala pode fazer de um erro inserido no discurso um equívoco a partir do qual se cria ou se introduz a verdade. Se um sentido é recusado, e um desejo é interditado para o reconhecimento, a verdade deixa a cena. O significante pode tapear e é polivalente. O desvio que ele implica permite - se houver alguém que o escute - a retomada do rumo na direção da verdade.

O trabalho de Lacan (1953/1998) de demonstração teórica da perspectiva clínica o conduz a alguns exemplos de casos de obsessivos. Nesse período e já há algum tempo, os analistas costumavam dispensar uma atenção especial a eles, e isso talvez se deva a alguns fatores: primeiro, porque os pacientes obsessivos pareciam ilustrar bem as dificuldades técnicas que as gerações de analistas depois de Freud passaram a ter; segundo, porque os obsessivos pareciam ter uma aptidão para uma aderência à fala vazia; e, ainda, que eles talvez fossem um bom exemplo para os problemas e desvios da técnica que Lacan procura apontar.

Diante da fala vazia do paciente obsessivo, o que o analista deve fazer? A resposta deve vir de modo que o sujeito a escute como algo que lhe seja particular. Que seja recebida como uma espécie de privilégio. Lacan julga que era assim que Freud procedia, pois seus analisantes de fato recebiam as respostas do próprio criador do método. A fala de Freud muitas vezes era ela mesma o próprio privilégio e a garantia de uma surpresa com um sentido totalmente novo e inaugural. Ou seja, muitas vezes era menos a semântica de suas palavras que operava e mais a materialidade destas encarnadas na voz da presença do analista Freud. Para Lacan, os efeitos da fala de Freud tinham quase que o lugar de referência principal daquilo que se espera que seja uma intervenção do analista. Caberia a nós, analistas, recorrermos ao que rege esses efeitos.

O analista joga com o poder do símbolo, evocando-o deliberadamente nas ressonâncias semânticas, fazendo existir, na fala, o que irá extrair dela mesma. Aquilo que de outro modo permaneceria inaparente no discurso.

Para examinar os efeitos simbólicos de uma técnica, Lacan recorre a uma referência da tradição hindu que recebe o nome de dhvani. Ela torna possível "distinguir a propriedade que tem a fala de fazer ouvir o que ela não diz" (Lacan, 1953/1998, p. 296). Para ele, essa referência parece demonstrar uma forma de penetrar na verdade pelo humor e de restituir à fala seu valor de evocação. Há um deslocamento da função de fala. Ela deixa de ser uma mera atribuição da centralidade do eu que emite uma mensagem ao outro, veiculando uma pretensa teoria da comunicação. Ela se torna o veículo de uma evocação. Não importa tanto o que a fala comunica, mas o que ela evoca.

O uso frequente das referências a casos de obsessivos também pode sugerir que a técnica que é criticada por Lacan tenha assumido características de traços típicos da neurose obsessiva. Essas características podem favorecer bastante as estratégias da neurose, servindo à resistência, em contraposição ao trabalho da análise. Isso pode apontar para a conclusão de que a técnica criticada por Lacan é, no seu entendimento, uma técnica mais obsessiva que propriamente analítica, como se seus operadores fossem eles mesmos obsessivos ou se valessem de estratégias obsessivas.

No entanto, há uma resposta melhor a se esperar de um analista frente às elucubrações ou reações terapêuticas negativas do obsessivo. Este, com seu trabalho forçado, empenhado em exortações teóricas infindáveis, pode obter como resposta por parte do analista um corte de sessão. Tal como um mestre zen que interrompe as teorizações barrocas com uma sentença insensata, ou simplesmente responde com uma ruptura brusca. O corte de sessão pode fazer vir à luz aquilo que se mantinha recoberto pelas sombras do imaginário e da fala vazia.

 

O zen como parte do pensamento clínico lacaniano

Ele tem um sentido preciso em sua aplicação técnica. A insensatez das rupturas bruscas do mestre zen, que para muitos soaria, à distância, como uma mera descortesia, funciona aqui como uma gramática que permite pensar não só um desvio, como uma via de retomada do rumo.

É nesse momento de impasse frente às dificuldades clínicas encontradas na experiência com obsessivos, que Lacan introduz no texto "Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise", na página 317 da edição brasileira dos Escritos, algo sobre o método utilizado por ele em sua relação com a técnica Zen.

Lacan já havia buscado, no mesmo texto, a referência ao dhvani, que apresentava uma dificuldade no que diz respeito à língua original que exigiria muito da maioria dos analistas. Agora ele volta ao Oriente para uma referência à técnica zen que não exigiria a mesma proficiência, seja do chinês ou do japonês, uma vez que aquilo de que trata passa muito mais pelo corte, pelo ato, ou pelo apontar diretamente no uso do método direto, do que por um uso de palavras que necessitem de uma tradução. Como pode ser acompanhado ao longo do seminário Os escritos técnicos de Freud a intervenção é pensada mais para o campo de uma ação, de um corte e de uma interrupção.

A técnica zen, nesse caso, é uma referência bem melhor não só do que o dhvani para discutir o que se deve buscar ou produzir em uma análise, como também é bem melhor do que aquelas regras e estratégias obsessivas que regiam a técnica analítica naquelas décadas. É melhor do que aquilo que ele considera um grave desvio.

Lacan nos convida a ir a um campo no qual nunca se imaginaria encontrar algo do princípio de uma intervenção da clínica descoberta por Freud. É como se batesse na cabeça de todos com um bastão, ou desse um pontapé, ou fizesse uma intervenção com um sarcasmo. Para Lacan, parece que se pode encontrar mais claramente na técnica zen o princípio que orienta a teoria da técnica da psicanálise do que em lugares que advogariam sustentar uma técnica por um direito institucional. Os princípios da experiência analítica freudiana estariam mais nessa aparentemente distante e estranha técnica do que nos cânones outorgados por uma psicanálise que se dizia oficial. Enquanto uma técnica se tornava standard como efeito sintomático da manutenção de uma técnica depurada de uma epistemologia freudiana, o projeto de um retorno a Freud exigia uma técnica que não abdicasse do rigor dessa epistemologia. A ironia talvez esteja na estratégia lacaniana de demonstrar que se pode ser mais fiel à identidade epistemológica freudiana e pensar uma técnica convergente à metapsicologia ao se valer de uma referência aparentemente anódina. Não é na padronização de uma técnica sustentada institucionalmente que se manterá o vigor de uma prática. Ao mesmo tempo que seu rigor não se garante diante de uma referência aparentemente alegórica de um mestre zen. Ao contrário. É com um exemplo preciso, em nada anódino nem alegórico do mestre zen e de sua intervenção, que Lacan procura restituir uma técnica freudiana contra uma técnica asséptica - da epistemologia freudiana - e por isso mesmo estéril.

Aliás, não estamos aqui para defender esse método, mas para mostrar que ele tem um sentido dialético preciso em sua aplicação técnica. E não somos o único a ter feito a observação de que ele se aproxima, em última instância, da técnica designada pelo nome de zen, e que é aplicada como meio de revelação do sujeito na ascese tradicional de certas escolas do Extremo Oriente. Sem chegar aos extremos a que é levada essa técnica, uma vez que eles seriam contrários a algumas das limitações que a nossa se impõe, uma aplicação discreta de seu princípio na análise parece-nos muito mais admissível do que certas modalidades ditas análise das resistências, na medida em que ela não comporta em si nenhum perigo de alienação do sujeito. Pois ela só rompe o discurso para parir a fala (Lacan, 1953/1998, p. 316-317).

Seguindo as indicações de Lacan, verifica-se, na técnica zen, um método, ou um modelo técnico que permite um paralelo, com limitações, daquilo que se deve esperar da técnica em uma experiência analítica. Ou seja, um modo de viabilizar a revelação do sujeito, o não favorecimento de sua alienação; e o surgimento da fala plena.

O campo em que esse debate se desenvolve é o da técnica analítica, que encontra em outra (na técnica zen) um elemento necessário para que toda essa discussão ganhe sentido: o corte; a suspensão; a interrupção que coloca no centro das atenções a questão do que faz um analista. Com isso, cada vez mais, Lacan vai ocupar-se do que chama inicialmente de ação do analista para abrir as portas da questão sobre o ato analítico.

O mestre interrompe o silêncio com qualquer coisa, um sarcasmo, um pontapé. É assim que procede, na procura de sentido, um mestre budista, segundo a técnica zen. Cabe aos alunos, eles mesmos, procurar a resposta às suas próprias questões. O mestre não ensina ex-cathedra uma ciência já pronta, dá a resposta quando os alunos estão a ponto de encontrá-la (Lacan, 1983/1953-1954, p. 9).

Há que se ressaltar uma proposta de leitura para auxiliar o entendimento dessas duas passagens de Lacan sobre a técnica zen: o presente texto se atém às elaborações e ao contexto exclusivo da década de 1953 e do início do ensino de Lacan. Pensar todas as questões tratadas nessas duas passagens sob a perspectiva de um diálogo com outros momentos do ensino de Lacan pode resultar em leituras distintas daquela que aqui se propõe.

Em 1953, Lacan estava propondo uma reintrodução de Freud na psicanálise e na prática analítica e interessado na discussão sobre a formação dos analistas. Esse contexto é determinante para o entendimento do surgimento da técnica zen em seu ensino.

Há um método em jogo na técnica analítica que envolve um uso do tempo de uma maneira distinta daquela que era utilizada no modelo das sessões de cinquenta minutos. Esse uso do tempo tem um sentido dialético preciso em sua aplicação técnica. Lacan chama a atenção para esse uso do tempo que se aproxima daquele que é usado na técnica zen. Uma racionalidade temporal que não aponta para a duração e sim para o corte, para a ruptura.

O modo como a técnica zen procura promover o efeito de uma experiência particular para o sujeito, em uma aquisição de um novo ponto de vista que pode ser conhecido, nessa doutrina, com o nome de satori, possibilita a Lacan (1953/1998) dizer que é uma técnica que é aplicada como meio de revelação do sujeito.

Ao contrário do que pensa Lacan, Erich Fromm (1957/1999) irá propor alguns anos depois que os princípios do zen deveriam ser aplicados às últimas consequências numa análise. No livro Zen-budismo e psicanálise, da autoria de D. T. Suzuki, Erich Fromm e Richard de Martino, encontra-se um capítulo com o título Princípios do Zen-budismo, escrito por Erich Fromm. Nesse capítulo, o autor diz que seu intuito é falar dos princípios do zen que se relacionam com a psicanálise. Segundo ele, a "presunção de incompatibilidade entre o Zen-Budismo e a Psicanálise resulta apenas de um exame superficial de ambos" (Fromm, 1957/1999, p. 141). Haveria uma afinidade notável entre ambos (Fromm, 1957/1999). Segundo ele, se o objetivo do zen é a iluminação, o satori, assim como o objetivo da psicanálise "como o formulou Freud, é tornar consciente o inconsciente, substituir o Id pelo Ego" (Fromm, 1957/1999, p. 156), haveria mais que uma afinidade entre zen e psicanálise. Haveria praticamente uma identidade. A divergência entre Lacan e Fromm a respeito das relações entre esses dois campos é incontornável.

 

Considerações finais

Sem chegar a extremos a que é levada essa técnica (Lacan, 1953/1998), pois isso seria contrário a algumas limitações que a técnica analítica se impõe, uma aplicação discreta do princípio do vazio na análise parece muito mais admissível do que a de certas modalidades ditas análises das resistências, que são um dos focos das críticas lacanianas. O princípio do vazio no zen poderia ser pensado em termos de um pensamento da negatividade aplicado ao conceito de eu e de sujeito na psicanálise. Ou seja, um princípio de irredutibilidade radical do eu a uma identidade e a uma substância, sobretudo após a formulação da pulsão de morte.

Segundo ele, essas modalidades técnicas representam um sério desvio dos ensinamentos de Freud. A análise das resistências, que representa aqui um dos inúmeros exemplos de técnicas dos chamados pós-freudianos, baseia-se na noção do eu como centro e, consequentemente, em uma perspectiva imaginária da clínica, que facilmente favorece uma alienação do sujeito. Por outro lado uma aplicação discreta do princípio do zen não corre o risco de alienação, justamente por se tratar de um esvaziamento do eu e das imagens que o alienam.

É uma técnica que rompe o discurso, seja com um sarcasmo, um pontapé, ou com recursos de um método que pretende fazer com que o sujeito possa se colocar a falar na procura do sentido. Uma experiência da fala desprovida da centralidade do eu e de suas alienações. Uma fala a partir de um vazio ou de uma negatividade terá que ser uma experiência que suporte a presença do pathos no saber e uma identidade entre pensamento e não-pensamento (Rancière, 2009). Uma experiência em que o sentido seja entendido como uma verdade apartada do sujeito (Lacan, 1953/1998) e não como complementaridade e adequação.

 

 

Referências

Assoun, P.-L. (1983). Introdução à epistemologia freudiana. Rio de Janeiro: Imago.

Fromm, E. (1999). Psicanálise e Zen-budismo. In Suzuki, D. T., Fromm, E., & De Marino, R. Zen-budismo e psicanálise (9. ed.). São Paulo: Cultrix. (Obra original publicada em 1957)

Lacan, J. (1983). O seminário, livro 1: os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1953-1954)

Lacan, J. (1987). O seminário, livro 2: O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1954-1955).

Lacan, J. (1985). O seminário, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1972-1973)

Lacan, J. (1998). Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise. In Lacan, J. [Autor], Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Original publicado em 1953)

Rancière, J. (2009). O inconsciente estético. São Paulo: Editora 34.

Roudinesco, E. (1994). Jacques Lacan: esboço de uma vida, história de um sistema de pensamento. São Paulo: Companhia das Letras.

Roudinesco, E. (1988). História da psicanálise na França: a batalha dos cem anos, v. 2, 1925-1985). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.

Simanke, R. (2002). Metapsicologia lacaniana: os anos de formação. São Paulo: Discurso Editorial; Curitiba: Editora UFPR.

 

Artigo recebido em: 02/03/2018
Aprovado para publicação em: 14/05/2018

Endereço para correspondência
Cleyton Andrade
E-mail: cleyton.andrade@ip.ufal.br

 

 

*Psicanalista, professor do Programa de Pós-graduação do Instituto de Psicologia da UFAL e autor do livro "Lacan chinês - Poesia, Ideograma e Caligrafia Chinesa de uma Psicanálise", que ficou em 1ª lugar no 58ª Prêmio Jabuti.

Creative Commons License Todo el contenido de esta revista, excepto dónde está identificado, está bajo una Licencia Creative Commons