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Reverso

versão impressa ISSN 0102-7395

Reverso vol.40 no.75 Belo Horizonte jan./jun. 2018

 

DISCURSOS

 

Discurso de passagem e posse da Diretoria 2017-2020


 

Boa noite a vocês aqui presentes em uma noite de chuva que nos pede quietude. Mas como fazemos parte daqueles que estão sempre a trabalho, sei que nosso encontro de hoje não seria nunca recusado e agradeço por estarem aqui conosco.

A noite de hoje é uma noite de partidas e chegadas. Uma Diretoria encerra sua gestão no Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, nosso CPMG, e outra se inicia. Momento singular para ambas. Nós, que estamos finalizando este tempo, temos muito a comemorar. Aceitamos o desafio de permanecer por três anos e trabalhamos com tamanha sintonia que quase não vi o tempo passar. Mérito de meus colegas que deram, cada um à sua maneira, contribuições essenciais ao nosso percurso. Gostaria de citá-los nominalmente tamanha a importância de cada um nessa Diretoria.

Maria Auxiliadora Toledo Garcia Freire, Dôra, minha vice, parceira incondicional, que esteve sempre comigo com a delicadeza que lhe é peculiar, com sua escuta, suas ponderações, suas sugestões. Dôra esteve também à frente do Dedo de Prosa, atividade mensal onde encontramos arte e leveza para discutir temas ligados ao nosso fazer diário. Foram filmes, exposições, debates, excelentes programas ao longo desses anos, e muito especiais. Tivemos o prazer de visitar três exposições diferentes do artista plástico Domingos Mazzilli, que sempre fez questão de nos receber pessoalmente com grande interesse em nossa interlocução. Agradeço muito por sua disponibilidade e receptividade.

Marília Brandão Lemos Morais, em nossa secretária, contribuiu para que nossas atividades fossem registradas exemplarmente.

Maria de Lourdes Elias Pinheiro, administrando nossas possibilidades financeiras com muita competência e grande comprometimento, marcou esse lugar indiscutivelmente.

Vanessa Campos Santoro, na função de Diretora Científica, fez um trabalho excepcional com grande destaque aos colegas analistas de outras instituições que aqui passaram a seu convite, discutindo temas excelentes e importantes para a psicanálise.

Guiomar Antonieta Lage, sempre envolvida com a comunicação e divulgação dos trabalhos do CPMG.

Eliana Rodrigues, delegada junto ao Círculo Brasileiro de Psicanálise e à IFPS, uma amiga e colega que dividiu comigo muitas questões importantes nesse caminho e tanto me ajudou em várias reflexões.

Na assessoria da Diretoria Científica, destaque para os trabalhos de Elga Rosalva Silva, com os Seminários permanentes, Suzanne Beaudette Drumond, José Sebastião Menezes e equipe, que fizeram das jornadas nosso ponto alto de produção, Maria Helena Libório, coordenando os excelentes Seminários livres, Túlcia Poggialli como coordenadora da nossa Clínica de Psicanálise, trazendo discussões clínicas muito importantes para a formação de nossos candidatos.

Maria Mazzarello Cotta Ribeiro, como editora da Reverso e seus demais membros: Ana Boczar, Carlos Antônio Andrade Mello, Eliana Rodrigues Pereira Mendes e Paulo Roberto Ceccarelli, possibilitando nossa publicação que tanto se destaca para além das Gerais.

Yvonne Louise Muzzi, que fez da Biblioteca um lugar pulsante e convidativo a todos nós.

Quero agradecer a todos vocês, aos Membros do Conselho Fiscal, Maria Ângela Dayrell, Marisa Rodrigues, Messias Eustáquio Chaves e aos suplentes, e às nossas funcionárias, que com tanta dedicação e competência sempre estão aqui conosco: Edna, Adriana e Marta. Muito obrigada por todo o trabalho e por estarem nesse caminho com ética, respeito e compromisso com a causa analítica!

No triênio 2014-2017 tivemos excelentes apresentações dos colegas: Christian Dunker, Dominique Fingerman, Nilza Ericsson, Simone Pinho Ribeiro, Gilda Vaz Rodrigues, Vanessa Fagundes Barreto, Ângela Diniz Costa.

Nossas jornadas anuais trouxeram temas muito atuais para refletirmos sobre Psicanálise e contemporaneidade, Laços familiares, A falta.

Tivemos nesse tempo dois Congressos do Círculo Brasileiro de Psicanálise, um em 2015, Conexões virtuais: diálogos com a psicanálise, no Rio Grande do Sul, cujos trabalhos resultaram na publicação de um livro no qual três de nossos membros publicaram capítulos, eu, Juliana M. Caldeira Borges, Eliana Mendes e Paulo Cecarelli. E outro recentemente na Bahia, Assim caminha a psicanálise: indagações do século XXI.

Participamos também em julho deste ano do Fórum Mineiro de Psicanálise, com várias instituições psicanalíticas não só de Belo Horizonte mas também do estado de Minas Gerais. Trabalhamos muito, mas com grande prazer e interesse. Um percurso que muito me realizou.

Ontem à noite tive o prazer de assistir a uma peça da Cia. Luna Lunera, Aqueles dois, baseada em um conto de Caio Fernandes Abreu. A peça retrata o encontro de dois homens que se conhecem no trabalho e vão se tornando amigos, com uma intimidade crescente até se tornarem inseparáveis. Essa amizade mexe com a fantasia dos colegas e passa a incomodá-los, até que eles conseguem fazer com que os dois sejam demitidos, Na cena final, após a demissão, os dois entram juntos em um táxi e partem. Os colegas assistem à cena, “infelizes...para sempre”, diz o narrador em ato final.

Fiquei hoje pensando no privilégio que, como analistas, temos de ir sempre ao contrário de movimentos similares de preconceito e exclusão. Nossa formação nos trouxe a possibilidade do trabalho com a singularidade, com as diferenças, com as escolhas amorosas, com o respeito a cada um que nos procura e por sua história. Não estamos aqui para promover o encontro do sujeito com o impossível, mas sim para que cada um descubra e reconheça o lugar que quer ocupar no mundo e de que maneira. E que cada sujeito consiga sustentar esse lugar.

Ainda com a cena final no pensamento, quero dizer que, apesar de sabermos que muitos serão infelizes para sempre, precisamos apostar que alguns irão reverter sua história. Não desejo a felicidade absoluta para ninguém, por saber que esse é um desejo impossível. Mas, aqui entre nós, desejo que sejamos éticos! Para sempre! E ainda desejo um pouco mais: que o nosso País volte a ser o lugar do afeto, assim como o CPMG sempre foi para mim este lugar, o do afeto.

Foi uma honra ter presidido essa casa. Bem-vinda, Guiomar, Eliana e toda a nova Diretoria. Há ainda muito por fazer, uma vez que nosso desejo não finda nunca!

Meu muito obrigada a todos vocês!!!

 

Juliana Marques Caldeira Borges
Presidente do CPMG, triênio 2014-2017

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