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Jornal de Psicanálise

Print version ISSN 0103-5835

J. psicanal. vol.47 no.87 São Paulo Dec. 2014

 

NOTÍCIAS

 

 

Rogério Coelho de Souza

Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

 

 

É uma satisfação quando nos deparamos com uma obra esclarecedora e ao mesmo instigante no campo da psicanálise. Um grande autor pode nos propiciar esse prazer. É o caso de Gley Pacheco Costa, psicanalista de larga e profunda experiência clínica, além de talentoso professor, ao nos apresentar o livro: A clínica psica nalítica das psicopatologias contemporâneas. Sua obra ocupa cada vez maior relevância na produção psicanalítica brasileira e mundial, não só pela oportunidade dos temas tratados nesse livro, mas também pela desenvoltura e erudição inegáveis que o autor possui ao nos inteirar de suas investigações clínicas.

 

 

Com essa publicação, ampliam-se as situações clínicas estudadas na primeira edição, mantendo o mesmo modelo de elaboração dos capítulos. Como foi enfatizado inicialmente, Freud construiu o edifício teórico da psicanálise a partir dos seus primeiros pacientes que, de certa forma, formavam uma clínica da angústia. O estudo desse conceito fundamental e indispensável da psicanálise possibilita uma melhor compreensão das psicopatologias contemporâneas, que incluem as manifestações clínicas subjetivadas, causadas por conflitos psicológicos e acontecimentos passados, e as manifestações clínicas não subjetivadas e não relacionadas a experiências conflituosas passadas. Esses dois grupos psicopatológicos encontram-se representados, de um lado, pelas neuroses, psicoses e perversões, configurando uma clínica do simbólico, e, de outro, por pacientes que demonstram uma capacidade muito precária para modular operativamente a angústia, recorrendo a defesas que visam atenuar as vivências de vazio, frieza e desamparo pelas quais o ego se sente invadido, configurando uma clínica do desvalimento. Esses pacientes apresentam uma perturbação da consciência originária, com o que se perde a qualificação, quer dizer, o registro dos afetos e dos matizes sensoriais diferenciais. Um terceiro grupo psicopatológico reúne pacientes que apresentam fragmentos neuróticos, psicóticos ou perversos e fragmentos desvalidos em diferentes proporções ou em diferentes momentos, sendo da maior importância para o entendimento e manejo dessas situações clínicas o conceito freudiano de correntes psíquicas. Esse é o contexto teórico que serviu de referência para estudar os casos dos 20 capítulos que integram essa segunda edição, à qual foram incluídos estudos sobre problemas de identidade de gênero, de relacionamento de casal e família, de depressão e melancolia, de infertilidade e, ainda, de técnica psicanalítica.

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