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Revista Brasileira de Psicodrama

versão On-line ISSN 2318-0498

Rev. bras. psicodrama vol.26 no.2 São Paulo jul./dez. 2018

https://doi.org/10.15329/2318-0498.20180030 

ARTIGOS INÉDITOS

 

Em busca do momento: por uma teoria da temporalidade a partir da obra de Moreno

 

In search of the moment: for a theory of temporality based on Moreno's work

 

En busca del momento: por una teoría de la temporalidad a partir de la obra de Moreno

 

 

Daniela Silveira Rozados

Mestre e Doutora em Psicologia. Graduada em Psicologia e Filosofia pela Universidade de São Paulo. Pós-doutora no Instituto de Estudos Avançados (USP). Cursa especialização em Psicodrama no Instituto Sedes Sapientiae, formação nível 1. E-mail: rozados.daniela@gmail.com

 

 


RESUMO

O texto aborda o conceito de momento partindo do contexto no qual Moreno o forjou. Analisa o paradoxo da anunciada centralidade desse conceito na obra de Moreno, ainda que este não tenha lhe dedicado tanta atenção. A partir da apresentação e problematização da noção habitual de tempo, linear, universal, objetiva e cronológica, a autora apresenta a noção de momento de Moreno e busca delinear e retomar o sentido central que tem em sua obra. Termina por sugerir uma reaproximação entre a obra de Moreno e de alguns filósofos, em particular Bergson e Deleuze, para que a teoria e a clínica psicodramáticas possam se beneficiar da profundidade que uma teoria da temporalidade fundada na noção de momento possa vir a ter.

Palavras-chave: psicodrama, psicologia e filosofia, psicoterapia, perspectiva de tempo, noção de tempo


ABSTRACT

The text approaches the concept of moment based on the context in which Moreno created it. It analyzes the paradox of the announced centrality of this concept in his work, although he did not pay much attention to it. From the presentation and problematization of the usual notion of time, linear, universal, objective and chronological, the author presents the notion of Moreno's moment and attempts to delineate and retake the central meaning it has in his work. It ends by suggesting a rapprochement between Moreno's work and some philosophers', particularly Bergson and Deleuze, so that psychodramatic theory and clinical practice can benefit from the depth that a theory of temporality based on the notion of moment may have.

Keywords: psychodrama, psychology and philosophy, psychotherapy, time perspective, time (concept)


RESUMEN

El texto aborda el concepto de momento partiendo del contexto en el que Moreno lo creó. Analiza la paradoja de la anunciada centralidad de ese concepto en la obra de Moreno, aunque éste no le haya prestado tanta atención. A partir de la presentación y de la problematización de la noción habitual de tiempo, lineal, universal, objetiva y cronológica, la autora presenta la noción de momento de Moreno y busca delinear y retomar el sentido central que tiene en su obra. En el caso de Moreno y de algunos filósofos, en particular Bergson y Deleuze, la teoría y clínica psicodramáticas pueden beneficiarse de la profundidad que una teoría de la temporalidad fundada en la noción de momento pueda tener.

Palabras clave: psicodrama, psicologia y filosofia, psicoterapia, perspectiva de tiempo, noción de tiempo


 

 

INTRODUÇÃO

Este texto nasce de uma fascinação mista com inquietação. Partimos de um conceito muito interessante na obra de J. L. Moreno: o conceito de momento. Moreno concedeu a essa noção um lugar muito especial não só em sua obra, mas também a considerava marcante e fundamental em outros sistemas filosóficos:

Uma teoria do momento é inseparável de uma teoria da espontaneidade. Numa teoria do comportamento e da motivação humanos, o lugar central deve ser dado à espontaneidade ... Um dos conceitos mais importantes em todo o pensamento humano, a categoria do momento - o momento de ser, viver e criar - tem sido o enteado de todos os sistemas filosóficos universalmente conhecidos. (Moreno, 1975/2016, pp. 155-156)

A frase anterior evidencia como Moreno articula intimamente as teorias do momento e da espontaneidade. No entanto, tanto em sua obra, quanto na recepção desta, a espontaneidade foi a que se consagrou. A espontaneidade aparece como a estrela da obra moreniana, e isso está presente no vocabulário corrente psicodramático, no foco da atenção dos psicodramatistas. A espontaneidade é a inteligência que opera e dá forma, é a transformadora e catalisadora de experiências não pré-preparadas, é a mais elevada forma de inteligência que temos conhecimento (Moreno, 1975/2016). É a qualidade humana que está presente desde tempos imemoriais; no entanto, é o fator que se encontra menos desenvolvido nos seres humanos em sociedade. Moreno atribuía ao desenvolvimento insuficiente da espontaneidade grande parte das patologias humanas, tanto em seu aspecto psicológico quanto social (Moreno, 2008).

No entanto, apesar da teoria do momento estar vinculada inseparavelmente à teoria da espontaneidade, notamos pela obra de Moreno que muito mais destaque e atenção foram dadas à noção de espontaneidade (bem como à de criatividade) que à noção de momento.

Buscamos entender os motivos do pouco desenvolvimento da noção de momento na obra de Moreno, a partir de uma reflexão de caráter filosófico, considerando o contexto histórico no qual Moreno forjou esse conceito. Esta é a inquietação que move a autora deste texto: Se Moreno afirmava que o conceito de momento ocupava uma posição crucial em sua teoria da personalidade, que "foi a categoria do momento que conferiu à obra de espontaneidade e ao psicodrama sua revisão e direção fundamentais" (Moreno, 1975/2016, p. 88), por que lhe dedicou tão pouca atenção?

O próprio Moreno nos dá pistas do porquê o conceito não aparece de modo mais aprofundado:

As razões disso são que o momento é difícil de definir; que, à maioria dos filósofos, pareceu nada mais ser do que uma fugaz transição entre passado e futuro, sem substância real; que é intangível e instável, e constitui, portanto, uma base insatisfatória para um sistema de filosofia teórica e prática. (Moreno, 1975/2016, p. 156)

Portanto, na própria época e no contexto em que elaborou sua obra, a noção de momento era de difícil elaboração. Muito da conceituação da época era fundada numa concepção linear do tempo, que é ainda nossa formulação comum de tempo, que se subdivide em blocos estáticos, segmentares e descontínuos: passado, presente e futuro. Esses blocos funcionam nessa concepção como patamares distintos e identificáveis entre si. O que Moreno buscava forjar como momento geralmente era entendido e identificado como o presente.

Mas, afinal, qual seria o problema de assumir momento como sinônimo de presente, ou de aqui e agora? O que haveria mais para dizer a respeito de momento, além de seu habitual entendimento como outro nome para o termo presente?

O problema é que o termo presente costuma remeter à uma concepção de tempo que pressupõe um modelo de continuidade linear, no qual os eventos se sucedem um após o outro, funcionando como se fossem uma flecha irreversível. Esse modelo é o que nos é passado e ensinado no Ocidente, de um tempo inflexível e inexorável. Esse modelo começa na mitologia de Cronos, o Deus que devora sua cria, e que numa época pós-Revolução Industrial ganha ainda mais força, marcado por uma métrica universal que rege nossas vidas, atividades, corpos, rotinas e hábitos. É uma demarcação exterior, cronometrada, precisa e subdividida em intervalos de tempo igualmente concebidos, que imprime ritmo e cadência para a vida dos sujeitos e da sociedade como um todo (Hur, 2013).

Essa percepção de tempo contemporânea, além de ter esse controle e essa referência exterior, também é vivenciada de uma maneira cada vez mais acelerada. Há uma demanda crescente para que os sujeitos se ajustem e acompanhem uma quantidade profusa de informações e imagens, as reavaliem e se reposicionem velozmente. Essa quantidade exagerada de estímulos deixa as pessoas sobrecarregadas e incapazes de distinguir o que é importante e necessário para elas (Freitas & Vieira, 2018).

Eis aqui uma primeira constatação da necessidade de uma teorização mais robusta sobre uma teoria da temporalidade em Moreno. Entendemos temporalidade como o estado ou a qualidade de ser temporal, relativo a tempo (Houaiss & Villar, 2001). Se, por um lado, Moreno avançou pouco nessa teorização, ele pôde intuir muito. Ele foi suficientemente sagaz para intuir que o termo presente não dava conta do que ele tentava exprimir quando pensava em momento. O termo presente já estava por demais atrelado a essa concepção linear de tempo, de tal maneira que simplesmente repeti-lo, ainda que buscando evidenciar seu caráter distinto, não era suficiente para marcar o sentido que ele queria imprimir à sua obra. Reutilizar o termo presente, ainda que reciclado, seria recair nessa formulação linear: "Até agora, o momento tinha sido formulado como uma partícula de tempo e espaço, ou como uma abstração matemática; portanto, tinha sido pragmaticamente inútil e teoricamente estéril" (Moreno, 1975/2016, p. 156).

Portanto, o próprio ato de cunhar um termo específico para denominar a qualidade temporal de sua teoria e sua ação dramática reforça a insuficiência do termo presente, ou mesmo aqui e agora, para se referir ao que ele intuiu e nomeou como momento. Ele percebeu a necessidade imperiosa de se construir algo como uma nova categoria para dar conta do fenômeno, a categoria de momento, que inauguraria uma teoria moderna do momento.

A dificuldade maior da conceituação de momento é como articulá-lo de modo teórico, sem recair nessa noção linear de temporalidade. Isso era bastante claro para Moreno (1975/2016): "a falta de um conceito adequado de momento prejudicou toda a tentativa de elaboração de uma teoria da espontaneidade e criatividade" (p. 156). Esses trechos destacados mostram quanto a noção corrente de presente ou de aqui e agora não são suficientes para substituir o termo momento. Se o fossem, não haveria a necessidade do próprio conceito que busca remeter a outra noção de temporalidade. Sabemos que o próprio Moreno não conseguiu escapar à essa dificuldade que ele viu em outros filósofos: quando ele próprio busca conceituar momento, por vezes refere-se e utiliza os termos presente, aqui e agora, hic et nunc. Ele percebe que esses termos não são suficientes, mas, ao escrever, acaba por recorrer a eles.

Moreno foi genial em muitas coisas: no que intuiu, ao perceber a necessidade desse conceito. Foi sem dúvida o artífice dele, quem o colocou em prática e lhe deu expressão e vida, a partir do psicodrama. Mas essa outra noção de temporalidade, a qual o termo momento busca referir-se, não foi desenvolvida por ele adequadamente. Debruçou-se em Bergson, autor que à sua época era o filósofo que mais havia se aproximado do que ele havia pensado para sua filosofia do momento. O reconhecimento da também genialidade de Bergson, porém, teve seus percalços e foi marcado por uma atitude ambivalente. Moreno admite que foi:

a Henri Bergson, para citarmos um, coube a honra de introduzir na filosofia o princípio da espontaneidade (embora raramente empregasse a palavra), numa época em que os mais destacados cientistas sustentavam teimosamente que tal coisa não existia na ciência objetiva. (Moreno, 1975/2016, p. 57)

No entanto, se avançou com o intuito de reconhecer o papel que a teoria de Bergson teve no meio filosófico, faltou-lhe reconhecer quanto sua própria teoria é tributária às noções que Bergson tinha elaborado anteriormente. Moreno credita esse avanço no meio filosófico a Bergson por ele ter se aproximado do conceito de momento e por ter sido o primeiro a introduzir o princípio da espontaneidade (Cukier, 2002; Moreno, 1975/2016).

Ao lermos Bergson, aos poucos descortinam-se semelhanças muitos interessantes entre os dois autores. Para citar um exemplo: "O momento não é um pedaço da História, mas a história é um pedaço do momento, sub specie momenti. Vivências impressionantes do passado se exteriorizam de alguma forma nas vivências atuais" (Moreno, 1993, p. 86).

Ora, essa noção de temporalidade presente nesse trecho, no qual a noção habitual de tempo está invertida, remete muito à noção de tempo e memória em Bergson. Sem adentrarmos na filosofia do tempo de Bergson, o que muito excede o objetivo e os limites do presente texto, queremos apenas apontar esse elo entre Moreno e Bergson. Há um paradoxo marcante na teoria de Bergson: o passado é contemporâneo do presente que ele foi. Como nos mostra Deleuze, ao comentar a teoria de Bergson:

O passado e o presente não designam dois momentos sucessivos, mas dois elementos que coexistem: um, que é o presente e que não para de passar; o outro, que é o passado e que não para de ser, mas pelo qual todos os presentes passam. É nesse sentido que há um passado puro, uma espécie de "passado em geral": o passado não segue o presente, mas, ao contrário, é suposto por este como a condição pura sem a qual este não passaria. Em outros termos, cada presente remete a si mesmo como passado. (Deleuze, 1999, pp. 45-46)

Ou como Reñones (2008) captou tão bem ao falar sobre momento: "o momento é simultaneamente algo fora do tempo e o tempo na sua totalidade" (p. 89).

Cumpre notar que Moreno não aprofundou esse elo entre as duas teorias, a sua e a de Bergson. Acreditamos que isso provavelmente se deu a um misto de talento e disposição do próprio Moreno, bem como uma intenção de demarcar a própria contribuição teórica como algo inovador e criativo, algo que lhe era um valor tão caro. Como creditar de modo generoso que dois conceitos tão fundamentais para ele, o de espontaneidade e o de momento, tivessem tanto a dever para Bergson? Sem dúvida, Moreno tem mérito na formulação desses conceitos, mas cremos que tanto as críticas que dirigiu à Bergson eram injustificadas como recaíam na noção temporal e cronológica de tempo que ele mesmo buscava evitar e reconhecia como problemáticas para fundamentar a noção de momento.

Moreno dirigiu a Bergson algumas críticas. Debruçar-nos sobre elas nos dá a possibilidade de entender detalhes sobre a formulação moreniana de momento.

Moreno entende a duração (durée) de Bergson como uma continuidade de instantes. Ele refere-se a uma definição famosa de Bergson, quando escreve: "A duração não é um instante substituído por outro ... é um progresso contínuo do passado que vai consumindo o futuro ... a acumulação do passado sobre o passado prossegue sem repouso" (Moreno, 1975/2016, pp. 57-58). Ele refere-se a essa frase de Bergson (1964):

Porque a nossa duração não é um instante que substitui outro instante: se assim fosse jamais haveria presente, não haveria prolongamento do passado no atual, não haveria evolução, nem duração concreta. A duração é o progresso contínuo do passado que rói o futuro e que incha avançando. (p. 44)

De fato, para Bergson, a duração tão somente é o tempo percebido como indivisível, e ele não concebe que a sucessão se apresente à nossa consciência como a distinção de um "antes" e "depois" justapostos. Ele achava que a distinção que fazemos entre antes e depois só existe porque nessa distinção misturamos imagens espaciais e porque impregnamos de simultaneidade a sucessão. É esse o esforço de Bergson: formular uma noção de tempo que não dependa da noção de espacialidade (tendemos a espacializar o tempo e entendê-lo como o movimento de algo no espaço) (Bergson, 2006). No entanto, para Moreno, o tempo vai estar intimamente vinculado novamente ao espaço: sua filosofia do momento invariavelmente inclui o contexto da criação, o tripé status nascendi, locus nascendi e matriz.

Ainda que Moreno precise do espaço para construir sua filosofia do momento, pois todo momento tem um contexto concreto de criação, ele captou apenas um aspecto da densa filosofia de Bergson, que era quando ele conceituava a durée como continuidade. Uma vez que Moreno entendia momento como uma quebra na percepção, ele descarta a duração de Bergson (durée) como algo útil à filosofia do momento. No entanto, a noção de temporalidade de Bergson mostra-se mais complexa, não sendo só constituída de simples continuidade, contemplando diversos paradoxos como o paradoxo do salto, paradoxo do Ser, paradoxo da contemporaneidade e paradoxo da repetição psíquica (Deleuze, 1999, p. 47). A quebra do momento que Moreno buscava em Bergson, e o acusa de não contemplar, não poderia ser entendida como um salto súbito ao passado, pela simultaneidade do presente e do passado e pela coexistência de todo o passado com o presente?

Quando Moreno (1975/2016) busca definir momento em termos de seus requisitos e diz que é necessário encontrar um meio suscetível de determinar seu surgimento, avaliando momentos precedentes para determinar o grau de mudança, recai inevitavelmente numa noção linear e cronológica de tempo. O lado ruim é que, ao ceder a seu lado mais científico (e ele critica Bergson nisso ao dizer que suas concepções possuem status irracional e que são inúteis para a metodologia e o progresso científicos), Moreno (1975/2016) perde o que há de melhor numa concepção de tempo como a de Bergson: seu caráter eminentemente subjetivo e, portanto, muito mais adequado para exprimir o tipo de experiência que momento quer descrever, em comparação com o tempo cronológico, que tem caráter universal e objetivo.

Moreno (1993) tinha como objetivo uma psicologia do momento, do homem em ação, e não exatamente se dedicar aos aspectos filosóficos da temporalidade que uma filosofia do momento promete e guarda em si. Como nos mostra Martín (1984), Moreno era um artífice da prática, pai da terapia da ação e da psicoterapia de grupo. Nisso ele avançou de modo incontestável. O campo teórico e científico suscitava nele ambivalências: ora buscando mostrar os limites deste, ora buscando nele reconhecimento e legitimidade de sua obra.

 

DESENVOLVIMENTO DO TEMA

Momento - Um conceito calcado na experiência subjetiva

Uma vez apresentado o contexto de criação do conceito de momento e da importância deste para a teoria psicodramática e sua articulação com a noção de espontaneidade, passemos para o conceito propriamente, assim como Moreno e psicodramatistas contemporâneos o concebem.

Martín (1984) propõe a organização da obra de Moreno não somente a partir de seu mundo conceitual, dado o modo pelo qual esses conceitos foram se organizando ao longo da vida de Moreno. Ele sugere que a obra seja organizada em função das constantes psicológicas do pensamento de Moreno; e, para ele, a filosofia do momento é uma dessas constantes. Para Martín, a motivação central da obra de Moreno, a atitude essencial e a força motriz dele, é o que ele definiu como "filosofia do momento". Isso quer dizer que é a partir da chave da filosofia do momento que devemos entender toda a obra de Moreno.

Para entendermos o sentido do conceito de momento, assim como Moreno propôs e como ele se insere em sua obra, é necessário descolarmos do sentido usual atribuído à palavra momento em nosso cotidiano.

Esse descolamento de significado que propomos convida a uma linguagem mais poética, ou mesmo a um exercício pessoal para que se possa apreender o que momento significa. Esse conceito, tão importante para entendermos a atitude de Moreno e o eixo organizador de sua obra, só pode de fato ser apreendido. E essa apreensão se dá em parte pelo entendimento do significado proposto e também por um repensar de toda nossa relação com o tempo cronológico e, principalmente, a partir de nossas memórias. Sim, porque uma compreensão por inteiro do conceito de momento só pode se dar se nos dispormos ao exercício interno de buscar em nossas memórias nossas próprias vivências de momentos. É esse reconhecimento de momentos vivenciados por nós mesmos que dá o complemento de significado que falta ao conceito puramente descrito.

Momento é, portanto, um conceito que é calcado em nossa experiência subjetiva, em nossa relação afetiva com o tempo e com as memórias. Segundo Martín (1984), "a filosofia do momento é mais uma sensação vital do que uma elaboração conceitual e não é em vão que não é uma ideia mas uma atitude" (p. 78).

Acreditamos ser isso ao que se refere quando diz que não é uma ideia ou uma elaboração conceitual. Não é possível entender ao que Moreno se refere quando fala em momento, a não ser que busquemos em nós mesmos vivências de momento. Dessa maneira, momento é uma vivência e um conceito. Vivência porque atrelada à própria essência do conceito está a experiência subjetiva daquele que experimenta o momento; conceito porque é possível descrever de que momento se trata, ainda que de forma fugidia, ainda que utilizando recursos poéticos. Ainda é necessário, para que se torne apreensível, romper com a ordem temporal cronológica e inaugurar um tempo profundamente pessoal e subjetivo. Todo momento se dá nessa janela que rasga nossa ordem temporal cronológica e cotidiana. O momento é um tempo à parte.

A contextualidade de todo momento

No entanto, momento não é um conceito que se refere apenas à temporalidade de nossas vivências. Ele destaca-se por necessariamente se referir ao contexto concreto de seu surgimento e, portanto, ao estar vinculado a uma noção espacial.1

Todo momento tem uma circunscrição concreta na realidade: não há momento sem haver um status nascendi, um locus, uma matriz. De acordo com Martín (1984), "cada ser ou cada ato têm uma existência que se realiza em tempo concreto (momento), em lugar concreto (locus) e em ambiente também concreto (matriz)" (p. 78).

Segundo Moreno, o ser ou o ato adquirem significado nesse contexto; ao tentarmos compreendê-lo rompendo essa vinculação, perdemos junto esse significado. Ou seja, "o laboratório para o estudo da realidade é a própria realidade" (Martín, 1984, p. 79).

Portanto, apesar de parecer uma noção um tanto quanto etérea, cada momento se dá em um contexto necessário ao seu pleno entendimento. O status nascendi é o momento primário da criação, um padrão de ação primária (Moreno, 1975/2016), "o processo de concepção para o desenvolvimento de um determinado processo" (Menegazzo, Tomasini & Zuretti, 1995, p. 201). O locus nascendi é o espaço físico, concreto, onde o momento se dá; é o local primário da experiência, o local do nascimento (Moreno, 1975/2016), "É [o locus nascendi] a coordenada espaço-temporal na qual se situa o movimento do status nascendi" (Menegazzo et al., 1995, p. 201). A matriz é a rede de relações, uma área de vínculos, um universo de ações e interações fundamentais e constituintes, em que todos os encontros e desencontros se dão, o conjunto de relações num processo, no qual o momento se dá.

A matriz deve ser entendida na obra de Moreno sempre que se dão acontecimentos fundantes, funcionando "como uma coordenada espaço-temporal oferecida ao ser para todos os choques e encontros" (Menegazzo et al., 1995, p. 124). Para citar um exemplo dado por Moreno: "o locus nascendi é a placenta no útero materno; o status nascendi é o período de concepção. A matrix nascendi é o óvulo fertilizado do qual se desenvolve o embrião" (Moreno, 1975/2016, p. 106).

Tempo cronológico e tempo vivencial

Ainda que a noção de momento se vincule a outra ordenação temporal, a partir de critérios mais subjetivos, ela acaba por remeter à nossa noção de tempo primária. Uma primeira apreensão possível da noção de momento, ainda que imprecisa, é a noção de aqui e agora. É esta que nos aproxima da noção de momento, sem, contudo, significar esta.

O tempo ao qual estamos acostumados - o tempo cronológico - é uma noção linear de tempo, temos passado, presente e futuro. Seria o momento outro nome que se dá ao que chamamos de presente?

Uma primeira aproximação do momento seria algo que acontece exatamente nesse instante, vinculado ao fluxo de tempo, algo que de uma forma ou de outra fica num espaço entre

o antes e o depois. Segundo Reñones (2008), a temporalidade que melhor explica o momento é o tempo mítico, que é um tempo sem tempo, e se aproxima da noção de eternidade. A eternidade não é uma sequência infinita de minutos, dias e anos, passados sem fim, para todo o sempre. A eternidade não se liga ao fluxo de tempo, nem na mitologia, nem na experiência.

Reñones (2008) conceitua que a vivência do momento se aproxima dessa noção de eternidade. Momentos seriam, dessa maneira, situações nas quais nossa própria percepção do tempo se encontra alterada, como se tocada pelo sagrado da eternidade: é uma experiência dilatada do tempo, quando não sabemos precisar quanto tempo se passou, como se fosse uma fenda temporal para outro tipo de experiência, não o tempo do relógio, mas um tempo diferente. O momento é nossa apreensão mais palpável do que viria a ser o que consideramos estritamente divino, um lampejo do que é a eternidade.

Talvez esse seja um tempo que nossos antepassados vivenciavam com mais facilidade, numa época pré-industrial, onde o tempo não era ligado ao quanto é possível produzir em um intervalo medido de tempo (produtividade), e sim um tempo ligado às experiências de ritmo e aos ciclos da natureza, que não era predeterminado e universal e dependia conforme o lugar e o indivíduo.

Elementos básicos para o conceito de momento

Para facilitar a apreensão do conceito de momento, organizamos alguns tópicos que sintetizam as considerações feitas até aqui:

1-Momento envolve uma noção de tempo que depende de quem o vive, da experiência do sujeito. É uma dimensão subjetiva, contextual e vivencial do tempo. Não é o tempo do relógio, que existe independentemente dos sujeitos, de modo universal, objetivo e absoluto.

2-O tempo do momento não é mensurável, previsível. Tampouco o momento pode ser provocado, ele simplesmente acontece. Geralmente, trata-se de uma experiência não cotidiana, algo que foge à nossa rotina.

3-É difícil expressar a noção de momento a partir de palavras. A experiência estética consegue se aproximar mais dela, ou mesmo um resgate pessoal de vivências de momento.

4-O momento sempre é uma experiência de ruptura para o sujeito. Dá-se uma mudança perceptível de tal modo que a sensação do sujeito é que ele não é mais o mesmo depois do momento. Portanto, o eu antes do momento é percebido e sentido de modo diferente depois do momento.

Segundo Moreno (1975/2016), deve haver os seguintes elementos como requisitos mínimos necessários para que um momento sui generis seja experimentado:

1-Deve ocorrer uma mudança na situação;

2-A mudança deve ser suficiente para que o indivíduo perceba a experiência de novidade;

3-Essa percepção implica atividade por parte do indivíduo, um ato de aquecimento preparatório para um estado espontâneo.

Essa noção de mudança, citada por Moreno, não é apenas temporal, ela vincula-se à experiência do sujeito, e não à passagem do tempo. O momento seria, portanto, uma diferença entre estados da situação vividos. É uma experiência vivencial, não cronológica. É como se a vida da pessoa se dividisse em "antes de acontecer tal evento" e "depois de acontecer tal evento".

O momento se dá no território do subjetivo, de como percebemos aquela mudança, a novidade da situação que nos surpreende, pois o marco da emergência do momento é a ação espontânea. No momento, temos uma entrada em outro estado de consciência, perceptivo, temporal, relacional, algo que geralmente experimentamos em uma situação de catarse de integração.

Todo momento implica certa mudança, a percepção da mudança e a participação espontânea nessa mudança. Essa ação é espontânea, e, portanto, uma resposta nova, criativa e adequada a uma situação, quebrando com respostas repetidas e de um repertório já existente de respostas. É um presente criado aqui e agora. O momento é a expressão da inovação espontânea, da ruptura com o fluxo de tempo, da possibilidade de algo novo dar-se no jogo das relações que se estabelecem.

O paradoxo do momento é que ele promove uma ruptura com o fluxo linear do tempo e é também uma utilização de sua completude. O momento é simultaneamente algo fora do tempo e o tempo em sua totalidade (Reñones, 2008).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Naffah Neto (1997) empreende também uma revisão do conceito de momento na obra de Moreno. Ele levanta importantes considerações sobre as colocações de temporalidade de Moreno, com as quais concordamos. Ao conceituar a categoria do momento como um presente cindido e à parte de vinculações temporais com o passado, colocando até mesmo a memória como um obstáculo a dramatizações espontâneas, Moreno perde de vista a importância da memória para os seres humanos.

É importante levantar também que quando se perde a memória e o vínculo com o passado, ficamos sem ter como explicar o sucesso terapêutico do psicodrama em muitas situações clínicas com as quais nos deparamos continuamente. Entendemos que o foco de ação do psicodrama é no instante presente. O jogo de papéis que acontece no contexto psicoterápico só se dá num tempo vivido, o aqui e agora. Há muitas vezes a necessidade de retorno ao passado para mapear bloqueios da espontaneidade, ou de um salto para o futuro para planejar ou sonhar, mas, em qualquer dos casos, o espaço de ação para significar, ressignificar e rematrizar o fenômeno é no presente (Freitas & Vieira, 2018).

No entanto, qual seria o efeito terapêutico disso se a dramatização centrada no momento não tivesse um efeito nos problemas que as pessoas nos trazem? O que são muitas das patologias humanas, a não ser patologias relacionadas à temporalidade? Se o momento não está vinculado aos outros estados temporais, se essas instâncias forem inteiramente independentes e incomunicáveis, como explicar que uma dramatização no presente tenha efeito terapêutico em angústias e ansiedades em relação ao futuro; ou em lutos, traumas e depressões ligadas a momentos do passado? A suposição dessa separação temporal contradiz muito da experiência prática advinda das técnicas psicodramáticas atuais, de dramatizações centradas em lembranças do passado ou eventos futuros.

Curiosamente, num texto de 1969 com algumas reapresentações (Fox, 2002), Moreno reconhece que o ser humano, por ser temporal, pode vivenciar patologias relacionadas com cada uma dessas etapas (passado, presente e futuro), mas não desenvolve essa possível relação existente entre os tempos.

Sabemos que o foco no presente também tem a ver com a importância que Moreno dá ao fenômeno da tele. Ele enfatizou o estímulo à espontaneidade e à tele no processo de recuperação da saúde do sujeito, sem que se precisasse recorrer ao passado. As experiências anteriores seriam até mesmo bloqueadoras da tele e da espontaneidade. Resquícios do passado apenas contaminariam a relação télica no presente, ou seja, configurar-se-ia uma relação transferencial. Moreno considerava a transferência como um fenômeno a ser minimizado no tratamento psicodramático, pois era uma distorção da realidade do encontro que tem lugar no aqui e agora, por remeter as relações do presente à alguma marca e influência do passado. A transferência influenciaria a perspectiva sobre situações atuais, por promover a sensação de que experiências anteriores estão se repetindo de modo vívido. Isso seria incongruente com o aqui e agora, e essa distorção impediria a possibilidade de novas respostas à situação (Santos & Vasconcelos, 2016).

No entanto, quando Moreno conceitua as noções de tele e transferência como uma patologia da tele, ele recai numa concepção temporal estanque e que subdivide de modo segmentar passado, presente e futuro.

Como coloca Naffah Neto (1997), "se a novidade ou a mudança da situação se revela, ela se revela sempre como mudança em relação à situação anterior, portanto implica necessariamente uma recuperação do passado imediato, ou seja, uma abertura espacial implicando uma abertura temporal" (p. 54).

Portanto, o passado, ao ser recuperado pela memória ganha uma nova forma e significado no contexto dramático. Para Naffah Neto (1997), a ação dramática:

não se deu num presente puro, mas se fez na recuperação do passado conforme a solicitação do presente ... O passado fez-se presente e nele se incorporou, transformando-se e adquirindo nova significação, não para repetir palavras já ditas, mas, ao contrário, para dizer palavras nunca ditas. (p. 56, itálico do autor)

Faz muito mais sentido para a teoria psicodramática que o momento não seja uma categoria fechada em si temporalmente e que restabeleça conceitualmente os laços com as outras formas temporais. Do modo como Moreno o definiu, o conceito de momento não faz jus a tudo o que pode significar. Começamos o presente texto citando a fascinação de que esse conceito provocou a princípio na autora. Isso porque uma filosofia do momento poderia trazer consigo, desde que reformulada em alguns pontos, uma noção de temporalidade transformadora. Acreditamos que de algum modo Moreno intuiu isso, ainda que não tenha empreendido essa visão até o fim.

É essa outra noção de temporalidade prometida por uma filosofia do momento, que daria o fundamento e a articulação entre espontaneidade, criatividade, momento; que articula presente, passado e futuro, e de que modo eles se atualizam na cena dramática; é o que nos permitiria compreender como funcionaria a memória a partir dessa nova concepção temporal: do poder terapêutico da dramatização.

Sem dúvida, parte da genialidade da técnica psicodramática de sua proposta de agir no presente reside em sua concepção temporal de momento. No entanto, cabe restabelecer suas relações temporais com os outros estados (passado, presente e futuro). Como nos mostra Naffah Neto (1997), a ação, por ser espontânea, não deixa de ter uma relação com o passado. A ação adequada envolve todo um repertório de respostas do passado, ela as recupera e atualiza:

E se a ação espontânea é uma ação mais livre e menos determinada do que a ação automática é, sem dúvida, porque, em vez de repetir o passado de uma forma inconsciente, ela conscientemente o recupera e o transforma em função do momento presente. (Naffah Neto, 1997, p. 57)

Pensamos que Bergson teve um modo criativo de explicar essa relação entre passado e presente. Deleuze (1999), ao comentar Bergson, nos esclarece:

o presente não é, ele seria sobretudo puro devir, sempre fora de si. Ele não é, mas age. Seu elemento próprio não é o ser, mas o ativo ou o útil. Do passado, ao contrário, é preciso dizer que ele deixou de agir ou de ser-útil. Mas ele não deixou de ser. Inútil e inativo, impassível, ele É, no sentido pleno da palavra: ele se confunde com o ser em si. (p. 42)

Portanto, o presente age, e nele e somente nele que cabe a ação, dramática ou não. No entanto, é no passado que está quem somos, ele É. O passado pode ser inútil como locus da ação, mas ele se confunde com o ser em si. Como poderíamos abrir mão disso, de quem somos, em nome da ação, por mais transformadora que ela prometa ser?

Defendemos que o psicodrama só tem a ganhar em refazer seus laços originários com filosofias que muito contribuíram com sua constituição teórica. A teoria de Bergson e a de Deleuze nos abrem essa potencialidade para reformular de modo positivo a filosofia do momento que Moreno iniciou.

Finalizamos com Naffah Neto (1997) que buscou essa retomada de laços e restituiu um lugar para o passado na teoria psicodramática. Para ele, a ação espontânea provoca uma transformação do passado, atualizado no presente, que, por sua vez, também sofre modificação. Ou seja, o passado, apesar de não ser lugar de ação, pode ser recuperado pelo psicodrama em função do presente. Viver no presente não significa ficar preso num momento puro e isolado (isso é puramente uma abstração), significa poder retomar o passado em outros termos, diferentes dos do contexto de origem, para transformá-lo, rumo a respostas mais espontâneas, criativas, enfim, adequadas do sujeito, conduzindo a vivências mais saudáveis.

O momento pode ser, portanto, essa categoria que atualiza vivências passadas no presente, para, por meio da ação dramática, poder transformar a cadeia de memórias e vivências. O momento se apresentaria como um eixo que reorganiza o passado (e o que imaginamos como futuro) em função dessa vivência nova, causando no sujeito uma experiência de ressignificação das memórias e, em última instância, uma transformação tanto dos comportamentos como na própria noção de quem somos como sujeitos.

 

AGRADECIMENTOS

Um agradecimento especial ao psiquiatra e psicodramatista André Marcelo Dedomenico, pela sugestão e pelo incentivo para que eu escrevesse este texto.

 

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Recebido: 28/06/2018
Aceito: 06/12/2018

 

 

1 Apesar de Moreno não se referir a isso explicitamente, essa seria uma importante divergência dos conceitos de momento e duração (de Bergson). O momento está vinculado à espacialidade, enquanto a duração se constitui justamente ao se destacar e diferenciar da vinculação entre tempo e espaço.

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