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Psicologia Escolar e Educacional

Print version ISSN 1413-8557

Psicol. esc. educ. vol.12 no.2 Campinas Dec. 2008

 

ARTIGOS

 

A influência da família no desenvolvimento da superdotação

 

Family influence on the development of giftedness

 

La influencia de la familia en el desarrollo del superdotado

 

 

Paulo Vinícius Carvalho Silva *; Denise de Souza Fleith **

Universidade de Brasília

 

 


RESUMO

Vários estudos destacam a importância da família para a manifestação, desenvolvimento e reconhecimento da superdotação. O desenvolvimento de comportamentos de superdotação impõe novos desafios e demandas aos próprios indivíduos superdotados e seus familiares, que, em algumas ocasiões, não possuem o esclarecimento necessário para atendê-las. Sendo assim, o objetivo geral deste ensaio é sintetizar e analisar criticamente as investigações realizadas sobre a relação entre a família e o indivíduo superdotado nas áreas esportiva, musical, artística e acadêmica. Estas pesquisas indicam uma grande variedade de práticas parentais e características familiares associadas ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação. A análise crítica dos artigos examinados poderá suscitar a realização de outras pesquisas sobre a participação da família no processo de desenvolvimento do talento. Além disso, os esclarecimentos deste ensaio poderão auxiliar a elaboração e implementação de programas de atendimento a indivíduos superdotados e suas respectivas famílias.

Palavras-chave: Superdotação, Família, Desenvolvimento.


ABSTRACT

Many studies point out the importance of the family to the manifestation, development and recognition of giftedness. The development of gifted behaviors impose new challenges and demands to the gifted individuals themselves and their relatives, who in certain occasions do not have enough knowledge to assist these individuals. Hence, the main objective of this study is to critically synthesize and analyze the investigations conducted on the relationship between the gifted and his/her family in the areas related to sports, music, arts and academic studies.. They reveal a great variety of parental practices and family characteristics associated to the development of gifted behaviors. The critical analysis of the articles examined may suggest the conduction of further studies on the participation of the family in the process of talent development. In addition, elucidations raised with this article may assist the elaboration and implementation of programs to assist gifted individuals and their families.

Keywords: Gifted, Family, Development.


RESUMEN

Varios estudios destacan la importancia de la familia para la manifestación, el desarrollo y el reconocimiento del superdotado. El desarrollo de comportamientos superdotados impone nuevos desafíos y demandas a los propios individuos superdotados y a sus familiares, que en algunas ocasiones no poseen la clareza necesaria para atenderlas. Siendo así, el objetivo general de este estudio es sintetizar y analizar de forma crítica las investigaciones realizadas sobre la relación entre la familia y el individuo superdotado en las áreas deportiva, musical, artística y académica. Estas investigaciones indican una gran variedad de prácticas parentales y características familiares asociadas al desarrollo de comportamientos superdotados. El análisis crítico de los artículos examinados podrá promover la realización de otras investigaciones sobre la participación de la familia en el proceso de desarrollo del talento. Además de eso, las informaciones de esta investigación podrán ayudar a elaborar e implementar programas de atendimiento a individuos superdotados y sus respectivas familias.

Palabras clave: Superdotado, Familia, Desarrollo.


 

 

Introdução

A superdotação é um fenômeno que desperta bastante interesse por parte de pesquisadores. Segundo Alencar (2001), "Observa-se na atualidade um interesse crescente pelo superdotado, por aquele que se destaca por uma habilidade superior ou inusitada para uma pessoa de sua idade, ou por um desempenho excepcional, reflexo de suas habilidades e aptidões" (p. 119). Várias terminologias se relacionam à superdotação. De acordo com Alencar, Feldhusen e French (2004), enquanto alguns pesquisadores utilizam os termos talento e superdotação como sinônimos, outros estudiosos estabelecem diferenças entre eles. Neste ensaio, as terminologias talento e superdotação também serão utilizadas como sinônimas. Em relação a estes termos, a apresentação de um desempenho superior deve constituir o seu aspecto principal.

O conceito de superdotação tem sido ampliado e passou a denominar habilidades de diversos domínios. No Brasil, nas diretrizes básicas estabelecidas pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação e Desporto, é adotada a seguinte definição:

São consideradas crianças portadoras de alta habilidade as que apresentam notável desempenho em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: (a) capacidade intelectual; (b) aptidão acadêmica ou específica; (c) pensamento criador ou produtivo; (d) capacidade de liderança; (e) talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música; (f) capacidade psicomotora. (Brasil, 1995, p. 11)

Esta definição engloba uma grande variedade de áreas nas quais o talento ou superdotação pode se desenvolver. Por exemplo, o talento especial para artes envolve alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, cênicas e literárias. A capacidade psicomotora, por sua vez, refere-se ao desempenho superior em atividades físicas e esportes (Virgolim, 2007). Entretanto, as características que contribuem para um desempenho superior em uma área não são iguais àquelas que contribuem para um desempenho notável em outra (Alencar & Fleith, 2001).

Destaca-se também a contribuição de Renzulli (1986) ao estudo da superdotação. Este pesquisador menciona que deve haver uma mudança no enfoque das definições de superdotação de ser ou não superdotado para desenvolver comportamentos superdotados, e também afirma que tais comportamentos "estão presentes em algumas pessoas, em determinados momentos e sob determinadas circunstâncias" (p. 76). Este autor elaborou o Modelo dos Três Anéis, no qual a realização superior de algum indivíduo em uma área de conhecimento ocorre em decorrência de um conjunto de três dimensões em interação: habilidade acima da média (não necessariamente superior), criatividade e envolvimento com a tarefa. A habilidade acima da média pode ser definida em termos de habilidade geral e habilidades específicas. O autor afirma que a "habilidade geral consiste na capacidade de processar informação, integrar experiências que resultam em respostas apropriadas e adaptativas a novas situações, e na capacidade de se engajar em pensamento abstrato" (p. 66). A habilidade específica, por sua vez, "consiste na capacidade de adquirir conhecimento, habilidades, ou à habilidade de desempenho em uma ou umas atividades de um tipo especializado e dentro de uma variação restrita" (p. 66). O envolvimento com a tarefa se refere à energia investida pelo indivíduo em uma tarefa específica ou em uma determinada área. Por fim, a criatividade consiste em: (a) características do pensamento, como fluência, flexibilidade e originalidade, (b) abertura a novas experiências e receptividade ao que constitui novidade no âmbito de pensamentos, ações, produtos próprios e de outras pessoas; (c) sensibilidade, curiosidade e ousadia; e (d) características da produção dos indivíduos superdotados, como inovação, riqueza de detalhes e abundância (Renzulli & Reis, 1997).

Na proposta mencionada, as três dimensões (habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e criatividade) devem ser consideradas como fruto da interação entre fatores ambientais e de personalidade (Renzulli, 2003, 2005). Ademais, nesta perspectiva, a superdotação não é um fenômeno visto como estático e fixo. Ao contrário, ela pode ser desenvolvida em certas pessoas, em determinados momentos e sob certas circunstâncias (Renzulli, 1986).

O fenômeno da superdotação apresenta uma grande complexidade, englobando sistemas biológicos, psicológicos, intelectuais, emocionais, sociais, históricos e culturais (Aspesi, 2003). Nesta direção, Csikszentmihalyi, Rathunde e Whalen (1993) também ressaltam a diversidade de fatores que podem influenciar o desenvolvimento de comportamentos de superdotação. Estes pesquisadores sugerem que o desempenho superior apresentado por muitos jovens não se desenvolve da forma esperada até a idade adulta. Por outro lado, ressaltam ainda que alguns adultos proeminentes em suas respectivas áreas de interesse não apresentavam um desempenho expressivo quando mais jovens. Isto nos leva a concluir que múltiplos aspectos interferem no processo de desenvolvimento do potencial superior. Neste sentido, Winner (1998) destaca o papel do ambiente ao afirmar que "a superdotação não pode ser inteiramente um produto do nascimento: apoio familiar, educação e trabalho árduo podem determinar se um potencial se desenvolve ou não" (p. 19).

Conforme mencionado, o ambiente familiar pode contribuir para o processo de desenvolvimento do talento. Segundo Dessen (2007), a família constitui um contexto primário de desenvolvimento, mediando o processo de interação dos indivíduos com o contexto ambiental. Ela é responsável pela maior parte do processo de socialização (Côté & Hay, 2002). Os autores definem socialização como um processo contínuo, que acontece ao longo do curso de vida de um indivíduo, no qual este desenvolve sua identidade, autoconceito, comportamentos, atitudes e disposições. As interações sociais são essenciais para que este processo ocorra.

Apesar de aspectos relacionados à família influenciarem o desenvolvimento de comportamentos de superdotação ou talento, Chagas (2003) cita estudos cujos autores afirmam que ainda não há consenso suficiente para delimitar a extensão e magnitude do impacto destes aspectos sobre tal processo. Desta forma, destaca-se a importância da realização de outros estudos relacionados a esta temática, possibilitando uma compreensão mais precisa sobre o papel desempenhado pela família.

De acordo com o que foi exposto, para que um indivíduo possa alcançar um desempenho superior em alguma área do conhecimento, tornam-se importantes as interações estabelecidas entre ele e os integrantes de sua família. Novas necessidades surgem a estes familiares que, em algumas ocasiões, não possuem o esclarecimento necessário para atendê-las. Portanto, o objetivo geral deste ensaio é sintetizar e discutir a relação entre a família e o indivíduo superdotado, e com base em estudos realizados, proporcionar esclarecimentos a pais, professores e indivíduos interessados pelo tema. Para alcançar os objetivos propostos, o ensaio pretende: (a) examinar o papel exercido pela família ao longo do processo de desenvolvimento do talento; (b) mencionar os desafios enfrentados por indivíduos superdotados e seus pais; (c) descrever as práticas parentais associadas ao desenvolvimento da superdotação; e (d) analisar criticamente os estudos examinados, apontando limitações e sugerindo pesquisas futuras.

A análise crítica dos artigos examinados, assim como as sugestões e limitações apontadas em relação a eles, poderão suscitar a investigação de outras temáticas referentes à influência da família no desenvolvimento da superdotação. Ademais, os esclarecimentos deste ensaio poderão auxiliar a elaboração e implementação de programas de atendimento a indivíduos superdotados e suas respectivas famílias.

A Influência da Família Sobre o Desenvolvimento da Superdotação

Dessen e Braz (2005) afirmam que o desenvolvimento humano é um fenômeno complexo, compreendendo um processo de transformação que ocorre ao longo do tempo e sendo multideterminado por fatores próprios dos indivíduos e por aspectos mais amplos do contexto social no qual eles estão inseridos. Entre os fatores que podem influenciar diretamente o desenvolvimento do indivíduo, ressalta-se o ambiente familiar.

A família é um tópico bastante investigado pela ciência do desenvolvimento humano. Dessen e Braz (2005) afirmam que estudá-la é uma árdua tarefa devido à grande complexidade envolvida e à diversidade de conceitos sobre família. Diferentes enfoques disciplinares atribuem diferentes significados ao termo. Minuchin (1985), por sua vez, caracteriza a família como um sistema complexo, constituído por subsistemas interdependentes e integrados, que estabelecem uma relação de influência recíproca com o contexto sócio-histórico-cultural que os envolve.

Diversos estudos apontam a importância da família para a manifestação, desenvolvimento e reconhecimento da superdotação de um indivíduo. Por exemplo, Alencar (1997), Bloom (1985) e Moraes, Rabelo e Salmela (2004) relatam pesquisas que mostram a influência da família e de professores no desenvolvimento de habilidades na ciência, música e esporte. Hellstedt (1987) enfatiza esta influência ao afirmar que a família constitui o ambiente social primário em que o jovem pode desenvolver a sua identidade, auto-estima e motivação para o sucesso.

A literatura também destaca a existência de uma relação de influência mútua entre a criança superdotada e sua família (Aspesi, 2003; Silverman, 1993; Winner, 1998). A família pode influenciar de diversas formas o desenvolvimento do talento. Entretanto, a criança superdotada também afeta a organização familiar. A família busca promover o desenvolvimento das habilidades dos filhos e, paralelamente, modifica-se em virtude das demandas deles. Nesta perspectiva, Silverman (1993) afirma que "a superdotação é uma qualidade da família, mais do que uma qualidade que diferencia a criança do resto de sua família" (p. 171).

O desenvolvimento da superdotação ou talento, em uma área qualquer, é um processo que ocorre ao longo de diferentes estágios. Cada período possui suas características particulares, impondo novos desafios ao indivíduo talentoso e às pessoas que se relacionam com ele (Bloom, 1985; Côté, 1999; Haroutounian, 2003). Estes estudos mostram que, de uma forma geral, o talento se desenvolve em três estágios de aprendizagem. O estágio inicial se refere, sobretudo, à experimentação da atividade pelo jovem. Neste estágio, o fundamental é que o jovem tenha satisfação pela atividade realizada, o que contribui para o prosseguimento na mesma. Posteriormente, durante o estágio intermediário, o comprometimento com a atividade se eleva. Nesta fase, o jovem dedica mais tempo à sua respectiva atividade. Por fim, no estágio final de aprendizagem, busca-se uma excelência crescente naquela determinada atividade. Cada estágio é caracterizado por um envolvimento diferenciado dos pais/família. Surgem novas oportunidades e necessidades, exigindo que os indivíduos envolvidos se adaptem a elas. Por exemplo, de acordo com Wolfenden e Holt (2005), a proposta de Côté (1999), relacionada ao contexto esportivo, considera que o envolvimento dos pais se modifica ao longo dos estágios de desenvolvimento. Nos anos de experimentação, que constituem os anos iniciais de aprendizagem, os pais desempenham um papel de liderança, tendo a responsabilidade de fazer com que o filho se interesse pela prática esportiva. Durante os anos de especialização, correspondentes ao estágio intermediário de aprendizagem, os pais exercem um papel de facilitadores da participação esportiva do jovem. E ao longo dos anos de investimento, caracterizados por um maior comprometimento e busca pela excelência, os pais fornecem o suporte necessário aos jovens, principalmente em termos emocionais.

Destaca-se ainda que os estágios de desenvolvimento do talento se modificam em decorrência dos diferentes estágios de desenvolvimento humano. Estudos relativos ao contexto esportivo afirmam que as famílias possuem uma influência predominante no desenvolvimento do talento durante a infância e o início da adolescência. Porém, nos estágios posteriores, os técnicos passam a exercer uma influência maior (Bloom, 1985; Côté, 1999, 2002). Ou seja, as influências da família e do técnico sofrem modificações ao longo dos estágios de desenvolvimento do talento dos jovens (Côté, Baker & Abernethy, 2003; Eccles & Harold, 1991; Papaioannou, Ampagzoglou, Kalogiannis & Sagovits, 2008; Wolfenden & Holt, 2005). Na área musical, Davidson, Howe, Moore e Sloboda (1996) também destacam que o maior efeito decorrente do envolvimento dos pais com a prática do filho acontece quando este se encontra num estágio inicial de aprendizagem. Uma possível explicação para isso é que, com o crescimento dos filhos, as orientações dos pais passam a ser mais voltadas à independência e auto-suficiência dos jovens (Power & Shanks, 1989). Isto, por sua vez, pode resultar num maior afastamento dos pais/família em relação às atividades realizadas pelos filhos(as).

A seguir, serão apresentadas características de famílias de indivíduos superdotados e práticas parentais associadas ao desenvolvimento da superdotação, em diversas áreas. Estas informações surgiram a partir de estudos que investigaram aspectos relativos aos ambientes familiares de indivíduos que apresentam algum desempenho notável.

Características Associadas a Famílias de Indivíduos Superdotados

Diversos estudos têm sido conduzidos com o objetivo de investigar as características de ambientes familiares de pessoas que apresentam desempenho superior, em alguma área. Csikszentmihalyi e cols. (1993), por exemplo, realizaram um estudo longitudinal com jovens talentosos de áreas diversas. Os autores identificaram que a integração, a harmonia da pessoa com a atividade e a diferenciação por meio de desafios constantes são aspectos necessários para o desenvolvimento do talento. É fundamental a relação do jovem com seus professores e sua família, que proporcionarão as condições adequadas para que este desenvolvimento ocorra. Esta pesquisa também indicou que parentes de indivíduos comprometidos com suas respectivas áreas tendem a compartilhar valores relacionados à importância da realização, do esforço e da persistência. Os autores utilizaram o conceito de famílias complexas para descrever as famílias que mais incentivam o desenvolvimento do talento de seus jovens. As famílias complexas demonstram integração e diferenciação. A integração expressa o estado de estabilidade entre os membros da família, por meio do qual as crianças sentem-se seguras. A diferenciação representa a idéia de que aqueles integrantes da família são incentivados a desenvolver suas respectivas individualidades por meio de novos desafios e oportunidades.

Na área musical, Davidson e cols. (1996) realizaram um estudo com crianças que estavam aprendendo a tocar instrumentos musicais e seus respectivos pais. O estudo indicou que os pais exercem um papel central em relação ao início e ao prosseguimento dos filhos no treinamento musical durante o extenso período necessário ao desenvolvimento de um desempenho notável. Além disso, foi sugerido que as crenças dos pais em relação aos talentos de seus filhos influenciam o comportamento deles, sendo determinantes para um maior incentivo ao empenho dos jovens.

Na área acadêmica, Robinson, Weinberg, Redden, Ramey e Ramey (citado em Aspesi, 2003) realizaram um estudo comparando famílias de crianças superdotadas e famílias de crianças não superdotadas. Os resultados mostraram que as famílias de crianças superdotadas possuem: (a) mais recursos financeiros e maior educação formal; (b) mais flexibilidade entre os integrantes da família; (c) maior participação dos pais na vida acadêmica de seus filhos, segundo a percepção dos professores; (d) menor vivência de situações de estresse na rotina familiar; (e) maior comunicação dos pais acerca das altas expectativas em relação ao desempenho dos filhos.

Relacionado aos indivíduos que apresentam comportamentos de superdotação, estudos apontam a tendência de tais pessoas serem, em sua maioria, filhos únicos ou primogênitos (Chagas, 2003, 2007; Simonton, 1994). Os filhos primogênitos, com o nascimento de algum irmão, podem se sentir estimulados a buscar um desempenho expressivo, com a finalidade de recuperar sua posição de centralidade. Outra explicação é que os filhos primogênitos são os únicos que desfrutam, por um determinado período, da atenção exclusiva de seus pais e/ou outros adultos significativos. Ou seja, estes jovens, antes de seus irmãos nascerem, recebem uma maior estimulação proporcionada por seus pais, o que resulta em uma vantagem cognitiva. Posteriormente, esta estimulação é dividida entre os irmãos. Esta explicação também é válida para o caso dos filhos únicos (Winner, 1998).

Práticas Parentais Associadas a Famílias de Indivíduos Superdotados

Há uma grande variedade de práticas parentais associadas a famílias que possuem algum indivíduo talentoso entre seus integrantes. A seguir, cada uma delas será abordada de forma mais detalhada.

Ambientes familiares centrados nos filhos. Observa-se uma grande dedicação das famílias aos filhos que apresentam comportamentos superdotados (Bloom, 1985; Winner, 1998, 2000). Nestas famílias, uma grande quantidade de energia é direcionada a tais crianças. Sacrifícios - financeiros, sociais, educacionais e profissionais - em nome do filho são feitos, e os próprios pais estimulam e participam do ensino à criança. Os pais ajudam a organizar a rotina dos jovens, monitoram suas atividades e ajudam-nos a superar eventuais dificuldades. Ou seja, as necessidades das crianças passam a ocupar uma posição central na dinâmica familiar. Entretanto, Winner (2000) destaca que isso não significa que estes pais são os únicos responsáveis pelo desenvolvimento de comportamentos de superdotação dos filhos. Ressalta-se ainda que o ambiente familiar, no qual as crianças que apresentam um desempenho superior se desenvolvem, é caracterizado principalmente por valores culturais que priorizam a educação (Aspesi, 2003; Chagas, 2007; Morgan & Giaicobbi Jr., 2006; Winner, 1998, 2000).

Adversidades e desafios enfrentados pelos jovens. Winner (1998) cita estudos cujos resultados mostraram que os jovens talentosos possuem mais sentimentos positivos em relação a seu ambiente familiar. A autora também sugere uma maior harmonia e coesão das famílias de crianças superdotadas, beneficiando a assimilação dos valores pelos filhos. Janos e Robinson (citado em Horowitz & O'Brien, 1986) também destacam que crianças superdotadas geralmente possuem ambientes caracterizados por uma relação conjugal harmoniosa.

Entretanto, há pesquisadores que argumentam de forma contrária. Aspesi (2007) sinaliza estudos cujos autores afirmam que circunstâncias estressantes e adversas no ambiente familiar podem impulsionar a busca da criança por atividades criativas e intelectuais. Isto é, os desafios impostos fazem com que a criança lide com tensões e possa, desta forma, fortalecer o seu pensamento divergente. Ochse (citado em Aspesi, 2003) sugere que a presença de estresse e adversidades na vida familiar pode impulsionar a busca de altos níveis de desempenho entre seus integrantes. No contexto esportivo, em estudo realizado com atletas universitários de alto desempenho, os resultados mostraram a importância dos desafios e adversidades para o desenvolvimento dos atletas, segundo a própria percepção deles (Morgan & Giaicobbi Jr., 2006).

Olszewski-Kubilius e Limburg-Weber (2003) também afirmam que indivíduos talentosos, com certa freqüência, enfrentam situações estressantes e adversas durante a infância, como a perda de um parente e a instabilidade no ambiente familiar, por exemplo. Estas experiências podem fazer com que os indivíduos desenvolvam estratégias de enfrentamento, solucionando futuros problemas com maior facilidade. Entretanto, os autores afirmam que, apesar destas circunstâncias complicadas, estes indivíduos têm acesso aos recursos necessários e receberam auxílio da família. Os autores também destacam a importância dos pais permitirem que seus filhos enfrentem desafios e dificuldades. Desta forma, por meio da superação destes obstáculos, os jovens adquirem maior autonomia e confiança para enfrentar eventuais problemas que venham a ocorrer.

Impacto das expectativas dos pais/família sobre o desempenho do indivíduo superdotado. As expectativas dos pais influenciam o desempenho atual do jovem e a forma como este se dedica a atividades específicas e se esforça na atividade realizada (Eccles & Harold, 1991). Esta influência, segundo Ericsson, Krampe e Tesch-Römer (1993), pode ser direta devido à provisão de oportunidades, ou indireta em virtude do fortalecimento da motivação e da autoconfiança para a realização de uma atividade. Eccles e Harold (1991) citam atitudes e crenças que funcionam como mediadoras de expectativas do desempenho: "(a) autoconceito de habilidade; (b) estimativas de dificuldade da tarefa; (c) interpretações de experiências e desempenhos prévios; (d) identificação com papéis masculinos e femininos; (e) crenças e comportamentos de agentes de socialização significativos como pais, amigos e outros adultos" (p. 10).

A respeito das conseqüências que podem surgir em virtude de expectativas muito elevadas, Ablard e Parker (1997) sugerem que expectativas irreais sobre o desempenho do jovem superdotado fazem com que o mesmo sinta-se pressionado e ansioso na prática de sua atividade.

Impacto das crenças dos pais/família sobre o indivíduo superdotado. Dweck (1986) indica que as crenças pessoais são fundamentais ao progresso e persistência na atividade realizada, sendo bastante influenciadas pelas crenças de adultos significativos. Com base nisso, Côté (1999) afirma que o fato dos pais reconhecerem que o filho apresenta um desempenho diferenciado em alguma atividade influencia o posterior envolvimento e apoio deles em relação à atividade.

Ressalta-se ainda o Modelo de Eccles, relacionado à motivação pela realização de determinada atividade. Segundo esta proposta, o suporte e as oportunidades oferecidas pelos pais à prática dos filhos dependem das crenças que eles possuem acerca do sucesso dos jovens e de seu conseqüente reconhecimento naquela determinada área (Eccles & Harold, 1991). Ou seja, quanto maior o reconhecimento dos pais à atividade realizada pelos filhos, maior será o suporte oferecido por eles aos jovens.

Estudos também sugerem relação entre a crença dos pais e a percepção de competência desenvolvida pelos jovens (Babkes & Weiss, 1999; McCarthy, Jones & Clark-Carter, 2008). Isto é, o fato dos pais considerarem que os filhos apresentam competência em uma determinada área contribui para que os jovens também reconheçam suas próprias habilidades nela. Isto, por sua vez, funciona como um estímulo para que eles se dediquem cada vez mais à sua respectiva atividade.

Modelos fornecidos pelos pais/família. A família também exerce a importante função de servir como modelos de determinados valores e atitudes, como por exemplo, trabalho árduo e dedicação à atividade, que constituem aspectos ligados ao desempenho superior (Winner, 1998, 2000). Ou seja, é fundamental que os pais cobrem empenho dos filhos, mas que também mostrem o mesmo empenho em suas respectivas atividades. Desta forma, eles servirão de exemplo aos jovens, exercendo grande influência sobre eles. Nesta perspectiva, Kalinowski (1985) afirma que, para os jovens alcançarem realizações em suas respectivas áreas, é importante que seus pais lhes transmitam valores relacionados à disciplina, responsabilidade e valorização do sucesso.

Independência concedida aos indivíduos superdotados pelos pais/família. Em relação à importância de a família conceder independência para que o filho tome suas próprias decisões, Winner (1998) afirma que:

Os pais de crianças com alto desempenho esperam um alto nível de atuação e monitoram seus filhos para certificar-se de que eles estão fazendo progresso contínuo. Porém, estes pais raramente são rígidos, dominadores e autoritários. Valorizando e nutrindo independência nos filhos, estes pais esperam que os filhos tomem decisões por conta própria e até mesmo assumam alguns riscos. (p. 155)

Esta mesma pesquisadora também diferencia autoridade de autoritarismo. A autoridade dos pais é caracterizada pela autonomia concedida aos filhos, estabelecimento de um conjunto claro de padrões morais e tolerância aos erros iniciais. Já o autoritarismo consiste numa postura rígida e arbitrária dos pais. Resultados de pesquisas mostram que famílias que promovem um maior desenvolvimento dos filhos demonstram autoridade, e não autoritarismo ou permissividade (Aspesi, 2007).

A independência concedida aos filhos também desempenha uma grande função em relação ao desenvolvimento da identidade deles. Aspesi (2003) ressalta que "um ambiente que favoreça a liberdade para que a criança desenvolva sua identidade única é visto como o clima familiar mais favorável ao desenvolvimento das potencialidades dos filhos" (p. 42).

As mudanças na dinâmica familiar, decorrentes do desenvolvimento de comportamentos de superdotação de um indivíduo, nem sempre são assimiladas de forma adequada por ele próprio e por sua família, ocasionando vários desafios.

Desafios Enfrentados por Indivíduos Superdotados e seus Pais

A dinâmica de uma família pode sofrer modificações em decorrência da manifestação da superdotação de um de seus integrantes. Ao mesmo tempo em que a superdotação pode constituir um impulso ao desenvolvimento saudável das relações familiares, ela pode ocasionar dúvidas e angústias nas famílias, que passam a lidar com uma nova situação. Silverman (1993) ressalta que os pais geralmente se sentem despreparados para conhecer as necessidades da criança superdotada. Os problemas que surgem são decorrentes de diversos fatores, como por exemplo, mitos, informação equivocada sobre superdotação e falta de conhecimento sobre os recursos disponíveis. Informações equivocadas e contraditórias fazem com que os pais, por exemplo, sintam-se confusos em relação à estimulação que devem proporcionar aos seus filhos que apresentam comportamentos superdotados..

Nesta direção, Aspesi (2007) indica um conflito referente à orientação dada pela família a seus respectivos filhos. Em alguns casos, considera-se que a manifestação de um desempenho superior não representa uma necessidade de atenção diferenciada na educação dos jovens. Em outras situações, alguns pais destacam em excesso as habilidades e talentos dos jovens, criando expectativas altas demais em relação ao desempenho dos filhos. O nível de cobrança é elevado o bastante para fazer com que os pais nunca se sintam satisfeitos com o desempenho dos jovens. Sendo assim, observa-se que a apresentação de um desempenho superior de um integrante de uma família impõe desafios e possíveis dificuldades tanto ao indivíduo superdotado como a seus familiares.

Dettmann e Colangelo (citado em Aspesi, 2007) descrevem as principais necessidades demonstradas pelos pais cujos filhos apresentam comportamentos de superdotação: (a) confusão sobre seus próprios papéis na identificação da superdotação do filho; (b) ansiedade sobre o desempenho dos filhos e confusão sobre o volume de estímulos a serem oferecidos a eles; (c) desconhecimento em relação a como lidar com alguns problemas de relacionamento no ambiente familiar, como a rivalidade entre irmãos, por exemplo; e (d) desejo de participarem ativamente da educação dos filhos e na comunidade escolar.

Observa-se uma falta de conhecimento dos pais acerca das necessidades e características de indivíduos superdotados. Isto pode gerar dúvidas e angústias em relação a como proceder no caso de algum integrante da família desenvolver algum desempenho superior. Fleith (1999) indica que, em relação às características cognitivas, estes indivíduos geralmente apresentam: (a) curiosidade; (b) linguagem precoce; (c) boa memória; (d) vocabulário avançado para a idade; e (e) habilidade para gerar idéias originais. Referente às características afetivas apresentadas por indivíduos superdotados, destacam-se: (a) senso de justiça; (b) alto nível de energia direcionado à realização de atividades; (c) senso de humor aflorado; (d) independência; (e) autocrítica excessiva; e (f) perfeccionismo.

Segundo Silverman (1993), os desajustamentos emocionais que podem ser vivenciados por indivíduos superdotados devem ser vistos como conseqüências do potencial superior e das condições de vida destes indivíduos. Observa-se que as necessidades sócio-emocionais e cognitivas de indivíduos superdotados nem sempre são atendidas pela escola e pela família, por exemplo. Sendo assim, para o atendimento e acompanhamento apropriado do indivíduo que apresenta comportamentos superdotados, destaca-se a importância do envolvimento de familiares e dos demais contextos de desenvolvimento no qual o indivíduo superdotado encontra-se inserido (Aspesi, 2007). Isto possibilita um maior envolvimento e entendimento dos pais e da escola, por exemplo, acerca das necessidades de jovens superdotados.

Familiares de indivíduos com desempenho superior também podem enfrentar um desafio decorrente do desenvolvimento assincrônico que pode ser apresentado por tais pessoas (Dessen, 2007; Silverman, 2002). O desenvolvimento de um indivíduo geralmente obedece a alguns princípios. Entre eles, destaca-se a sincronia existente entre diversas dimensões do desenvolvimento: área motora, cognitiva e sócio-emocional, por exemplo. Ou seja, o desenvolvimento destas diversas dimensões deve ocorrer de forma harmoniosa (Gama, 2007). No caso dos superdotados, as dimensões mencionadas podem se desenvolver em ritmos diferentes. Ressalta-se também que a aprendizagem de indivíduos superdotados não ocorre de forma idêntica. Ou seja, eles não constituem um grupo homogêneo, e as necessidades de tais indivíduos devem ser atendidas. Para isso, é fundamental a participação, o envolvimento e a busca de informações por parte de familiares e demais pessoas que integram o contexto no qual indivíduos superdotados encontram-se inseridos.

 

Discussão dos Resultados

Em relação à família do superdotado, estudos mostram que as famílias que mais contribuem ao desenvolvimento da superdotação ou talento de seus indivíduos são as famílias complexas, que por um lado fornecem o apoio e suporte necessário, e por outro, provê desafios importantes para o desenvolvimento da identidade dos indivíduos. Segurança e suporte são importantes para que indivíduos de diversas faixas etárias desenvolvam suas habilidades e competências em uma área qualquer. Além disso, estas famílias geralmente priorizam a educação de seus integrantes. A busca pelo conhecimento e o trabalho árduo são valores básicos das famílias, que sempre se esforçam para fornecer as melhores condições de aprendizagem aos filhos.

Os estudos relacionados ao desenvolvimento da superdotação são, em sua grande maioria, ligados a crianças e adolescentes. Ou seja, há uma carência de estudos relacionados ao desenvolvimento de um desempenho superior na idade adulta. Para que um desempenho notável ocorra, é necessário um longo período de dedicação àquela determinada atividade. Entretanto, alguns indivíduos somente descobrem que possuem um interesse especial por alguma atividade na idade adulta. Então, a partir de uma prática mais intensa, descobrem habilidades antes desconhecidas. Assim como as crianças e adolescentes, os adultos também se deparam com uma nova situação, enfrentando novos desafios. Programas de atendimento a adultos superdotados devem ser desenvolvidos. Uma atenção muito maior é dada às crianças e adolescentes, o que talvez constitua umas das razões para que o potencial de muitas pessoas seja desperdiçado. Devem ser planejadas estratégias de intervenção em relação a indivíduos que só manifestam um desempenho superior quando adultos. Além disso, jovens que apresentam um desempenho diferenciado devem ser devidamente monitorados por programas de atendimento a superdotados até a idade adulta, o que não acontece de forma adequada.

As pesquisas relacionadas aos estágios de desenvolvimento do talento também dão pouca ênfase aos períodos referentes à idade adulta. Porém, o processo de desenvolvimento do talento permanece acontecendo nesta faixa etária e maiores investigações devem ser realizadas. Durante a fase adulta, a relação com a família torna-se diferenciada. Como os próprios estudos ressaltam, o envolvimento da família de origem tende a diminuir ao longo dos estágios de aprendizagem. Entretanto, relacionado aos adultos, ressalta-se a possível formação de uma nova família. Estudos deveriam ser realizados tendo como objeto de estudo a influência do(a) cônjuge ou do(a) próprio(a) filho(a) para o desenvolvimento do talento de adultos.

Nota-se a carência de investigações sobre a influência dos irmãos em relação ao desenvolvimento do talento ou superdotação dos indivíduos. Os estudos, em sua grande maioria, retratam exclusivamente o papel desempenhado pelos pais, quando na verdade, deveriam ser investigadas minuciosamente todas as relações entre os integrantes do sistema familiar.

Observa-se também uma quantidade superior de estudos que mostram as formas como a família influencia o desenvolvimento do talento de seus integrantes em comparação com o volume de estudos que investigam, segundo a perspectiva de todos os integrantes da família, a mudança que a superdotação de um integrante ocasiona na dinâmica familiar. Por exemplo, em relação às mudanças na dinâmica familiar, decorrentes da superdotação, poderiam ser investigadas e comparadas as percepções de todos os integrantes da família: pais, irmãos e do próprio indivíduo com desempenho notável.

Conforme mencionado, o desenvolvimento de um desempenho superior de algum indivíduo constitui uma situação desafiadora a todos os integrantes daquela determinada família. Várias dificuldades e angústias surgem em decorrência da falta de conhecimento tanto sobre as necessidades de indivíduos superdotados como em relação às práticas parentais e demais aspectos que podem promover o talento deles. Desta forma, as informações mencionadas e discutidas ao longo deste ensaio também podem nortear a elaboração e implementação de programas de atendimento a jovens com comportamentos de superdotação e suas respectivas famílias. Esclarecimentos proporcionados a tais indivíduos contribuem para que ocorra o processo de desenvolvimento do talento e para que os familiares lidem da melhor forma possível com o desenvolvimento e manifestação do desempenho superior de algum de seus integrantes.

 

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Recebido em: 30/11/2008
Revisado em: 08/11/2008
Aprovado em: 11/11/2008

 

 

Sobre os autores:

* Paulo Vinícius Carvalho Silva (paulovcs@hotmail.com) Mestrando pela Universidade de Brasília (UnB) - Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde, Instituto de Psicologia.
** Denise de Souza Fleith (fleith@unb.br) Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília; Ph.D. pelo National Research Center on the Gifted and Talented, University of Connecticut - EUA.

Nota dos autores
Trabalho desenvolvido com apoio da CAPES.