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Boletim - Academia Paulista de Psicologia

Print version ISSN 1415-711X

Bol. - Acad. Paul. Psicol. vol.36 no.90 São Paulo Jan. 2016

 

TEORIAS, PESQUISAS E ESTUDOS DE CASOS

 

 

Significados do envelhecimento para servidoras públicas de uma instituição de ensino superior

 

Aging meanings for public higher education institution servants

 

Significado del envejecimiento para servidores públicos en una institución de educación superior

 

 

Rosane Antunes de Sá1; Ana Claudia N. S. Wanderbroocke2

Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)

 

 


RESUMO

Este estudo de natureza qualitativa teve como objetivo compreender os significados atribuídos às transformações decorrentes do processo do envelhecimento para servidoras de uma instituição pública de ensino superior na cidade de Curitiba-PR. Participaram 10 mulheres, com idades entre 50 e 68 anos, cuja amostra foi estabelecida por conveniência. As mesmas foram selecionadas com base nos critérios: pertencente à carreira de docente e de técnico administrativo em educação, com nível de escolaridade, médio e superior e em atividade laboral. Para a coleta dos dados foram utilizadas entrevistas semiestruturadas, sendo que o método de investigação foi subsidiado pelo construcionismo social. A análise dos discursos e repertórios produzidos e compartilhados foram organizados em trêscategorias: transformações orgânicas, estética - estigma e negação, e valorização positiva. Constatou-se, por meio das narrativas das participantes, que elas estão identificadas com o discurso socialmente construído sobre o envelhecimento enquanto perdas e declínio. Em contrapartida, o fato de estarem trabalhando as fez vislumbrar a possibilidade de um envelhecer mais independente e ativo, com novos comportamentos e estilo de vida mais identificado com a juventude. A partir dos dados obtidos considera-se a importância de se criar espaços onde as experiências sobre o envelhecer possam ser compartilhadas.

Palavras-chaves: psicologia social, envelhecimento feminino, construcionismo social.


ABSTRACT

This qualitative study aims to grasp the meanings attributed to the changes resulting from the aging process of servants of a public institution of higher education in the city of Curitiba-PR. A total of 10 women, aged between 50 and 68 years participated, and the sample was established by convenience. The same was selected based on the criterias: belonging to the career of teaching and technical in education, secondary and higher education levels and in labor activity. Data were collected by semi-structured interviews, and the research method was subsidized by social constructionism. The analysis of produced and shared discourses and repertoires were organized into three categories: organic transformations, aesthetics stigma and denial and positive evaluation. It was found, through narratives of the participants, that they are identified with the socially constructed discourse about aging while related to loss and decline. In contrast, the fact of being working made them see the possibility of a more independent and active ageing, with new behaviors and more identified lifestyle with youth. From the data obtained, the importance of creating spaces where experiences can be shared is considered.

Keywords: Social psychology, female aging, social constructionism.


RESUMEN

Este estudio cualitativo tuvo como objetivo comprender los significados atribuidos a los cambios resultantes del proceso de envejecimiento en funcionarios de una institución pública de educación superior en la ciudad de Curitiba-PR. Participaron 10 mujeres, de 50 y 68 años de edad, siendo escogidas por conveniencia, en función de los criterios: pertenecientes a la carrera de educadora y técnica administrativa en educación, con nivel de educación secundaria y superior y ejerciendo actividad laboral. Para la recolección de datos se utilizaron entrevistas semiestructuradas, y el método de investigación fue auxiliado por la teoría del constructivismo social. El análisis de los discursos y de los repertorios producidos y compartidos se organizaron en tres categorías: Transformación orgánica., estética: estigma y negación y finalmente la valoración positiva. Se encontró a través de las narrativas de los participantes, que se identifican con el discurso socialmente construido sobre el envejecimiento como pérdida y deterioro. Por el contrario, el hecho de estas participantes estar trabajando actualmente, permitió entrever la posibilidad de un envejecimiento más independiente y activo, con nuevos comportamientos y estilos de vida más identificado con la juventud. A partir de estos datos podemos considerar importante la creación de espacios donde la experiencia del envejecer puedan ser compartidos.

Palabras clave: psicología social, envejecimiento femenino, constructivismo social.


 

 

1. Introdução

O envelhecimento populacional na sociedade brasileira é uma realidade que possui entre outras características a feminização da velhice, ou seja, as mulheres estão vivendo mais do que os homens (Camarano, 2004). Diante deste fato, considera-se relevante conhecer como as mulheres de diferentes segmentos sociais vem significando o seu envelhecimento.

Apesar de o processo de envelhecer ser comum a todos os seres vivos, não significa um simples passar dos anos, nem um processo unilateral. Com o propósito de auxiliar na compreensão desta questão, Schneider e Irigaray (2008, p.590) o definem como:

um processo complexo e multifatorial. A variabilidade de cada pessoa (genética e ambiental) acaba impedindo o estabelecimento de parâmetros. Por isso, o uso somente do tempo (idade cronológica) como medida esconde um amplo conjunto de variáveis. A idade em si não determina o envelhecimento, ela é apenas um dos elementos presentes no processo de desenvolvimento, servindo como uma referência da passagem do tempo.

Desta forma, o envelhecimento é o resultado dinâmico e global da vida, durante a qual o indivíduo se transforma constantemente. Ao longo dos anos as mudanças podem ser lentas ou repentinas, conscientes ou inconscientes, culturais, históricas, sociais, psicológicas ou biológicas (Souza, 2005).

Até pouco tempo, o envelhecimento era considerado como um processo que levaria o indivíduo à debilidade, ao enfraquecimento e a perda de autonomia. Acreditava-se tratar-se de uma experiência homogênea, definida por meio de ciclos demarcados por faixas etárias, que corresponderiam à infância, adolescência, vida adulta e velhice (Prado, 2013). Porém, este artifício mostrouse ilusório devido às muitas particularidades individuais (Michelon, 2004). Mesmo assim, o envelhecimento e a velhice são demarcados em cada época por critérios estabelecidos para reunir categorias etárias. Sobre este aspecto as autoras Neri e Freire (2000, p.14) ponderam que:

A sociedade não o faz com base em pura invenção, mas como resposta a mudanças evolutivas compartilhadas pela maioria das pessoas dos vários grupos etários, seja em virtude de determinação biológica, seja em virtude de determinação histórica e social.

Neste sentido, compreende-se que o envelhecimento é um processo vital e que antecede a velhice, que ambos são fenômenos complexos, multifatoriais e que se associam às construções sociais presentes nos diferentes períodos históricos.

Os primeiros e mais visíveis sinais do envelhecimento se revelam na aparência física e nas mudanças corporais, ocasionadas pelo passar dos anos. Estas se confirmam exteriormente quando se olha para a imagem refletida no espelho. De acordo com Blessmann (2003), como se trata de um processo lento tem-se a tendência a pensar que quem envelhece primeiro é o outro, até que as mudanças também sejam percebidas em si. O autor também aponta para o descompasso entre o envelhecimento do corpo e o sentir-se mais velho, pois sempre haverá a necessidade de que o envelhecimento pessoal seja anunciado pelos outros, por meio das relações que se estabelecem socialmente.

Em relação ao envelhecimento corporal, os sentidos e significados são comumente negativos, relacionados ao declínio e à falta de cuidado consigo mesmo. Isto pode ser observado nos modelos de envelhecimento construídos na contemporaneidade, que se baseiam na juventude, deixando claro que "só é velho quem quer" (Britto, 2002, p. 46). Segundo Goldenberg (2008) as mulheres ainda são as que mais sofrem com esse "declínio corporal", pois a cultura ocidental tem valorizado o corpo jovem e transmitido constantemente a mensagem que envelhecer bem é envelhecer sem se afastar muito dos padrões de juventude.

Além disto, o processo de envelhecimento feminino tem a peculiaridade de contar com os marcadores biológicos correspondentes ao climatério e a menopausa. O climatério, é uma fase que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da mulher e tem seu começo por volta dos 40 anos. A menopausa, o evento mais importante desta fase, consiste na interrupção permanente da menstruação por um período de doze meses, como resultado da perda da função dos ovários e ocorre em torno dos 50 anos de idade. Embora muitas mulheres reconheçam que a menopausa faz parte do processo de envelhecimento, algumas ainda a vivenciam de forma mais discreta ou com vergonha e mal estar pela inépcia em controlar os seus sinais no corpo, que a evidenciam (Cavalcante, Catrib, Silva & Frota, 2006).

Climatério e menopausa não são doenças, mas muitas vezes os sinais decorrentes deste processo são nomeados por meio de uma linguagem que remete ao conceito de doença, que tem muito a ver com o discurso médico científico e da autoridade atribuída a ele. Desta forma, são traduzidos como sintomas, o que propicia a sua medicalização e que não seja visto como um evento natural, mas sim indesejado (Mori & Coelho, 2004).

No que tange às mudanças sociais que implicam diretamente no envelhecimento feminino, tem-se que partir da década de 1960, sob a influência da pílula anticoncepcional e da reposição hormonal, a mulher mudou seu comportamento no que diz respeito a participação no mercado de trabalho, no nível de instrução e nas relações afetivas. A mulher passou a ter mais poder sobre suas escolhas, quanto à família e vida sexual, visto que neste século tem a metade dos filhos que a geração de sua mãe, estuda mais e ocupa cada vez mais espaço no mercado de trabalho.

Face ao exposto, este estudo pretendeu compreender os significados atribuídos às transformações decorrentes do processo do envelhecimento para servidoras que trabalham numa instituição pública de ensino superior, portanto ativas profissionalmente.

O estudo foi desenvolvido a partir de uma perspectiva construcionista social, que compreende que a realidade é constantemente construída por meio das interações humanas pelo uso da linguagem, o que permite a constante negociação dos significados e sentidos. De acordo com Gergen (2009) e Rasera, Guanaes e Japur (2004), o construcionismo social parte de alguns pressupostos: a) Os termos e as formas por meio das quais alcançamos o entendimento do mundo e de nós mesmos são artefatos sociais, produtos de trocas históricas e culturalmente situadas entre as pessoas, ou seja, dá ênfase à primazia dos relacionamentos humanos na construção do conhecimento; b) O grau em que uma dada explicação do mundo ou do eu é sustentada no tempo não é dependente de sua validade objetiva, mas das vicissitudes do processo social. A coordenação da ação humana promove descrições do mundo negociadas em uma comunidade linguística que produz significados sociais duráveis no tempo; c) A linguagem deriva seus sentidos dos encontros humanos a partir da maneira que funciona dentro dos padrões de relacionamento; e d) Avaliar as formas de discurso existentes é avaliar padrões da vida cultural. O construcionismo social convida à uma postura crítica e reflexiva a respeito das condições sociais que produzem determinados saberes e que proporcione a transformação de tradições que geram sofrimento ou perda de dignidade humana. Portanto, adotar a perspectiva construcionista social significa também valorizar o conhecimento produzido localmente e em um tempo histórico delimitado (Gergen & Gergen, 2010; Spink, 2004)

No que tange a compreensão do self, esta perspectiva distancia-se de uma concepção essencialista, compreendendo-o como relacional e em constante processo de transformação, de acordo com os sentidos produzidos por meio das interações sociais. Nas trocas sociais há o tensionamento de diferentes vozes e influências micro e macrossociais e a estabilidade do self se dá por meio de uma construção narrativa, resultante da forma de interligar os eventos (Gergen & Gergen, 2010).

 

2. Método

A pesquisa foi realizada nas dependências de uma instituição de ensino superior na cidade de Curitiba-PR. Participaram 10 servidoras públicas, com idade entre 50 e 68 anos. Destas nove eram casadas e uma divorciada; uma servidora com ensino médio; três com ensino superior completo e sete servidoras com pósgradução. Sete servidoras ocupantes do cargo de técnico-administrativo e três servidoras ocupantes do cargo de docente. Uma servidora, evangélica, uma judia, uma espiritualista e sete católicas.

As pesquisadoras inicialmente submeteram o projeto à apreciação dos responsáveis na instituição de ensino e de um Comitê de Ética em Pesquisa, recebendo deste a aprovação sob parecer número 398.093. Após obter as aprovações, enviou por meio de convite nominal, impresso e entregue pessoalmente a 30 servidoras do círculo de convivência da pesquisadora que se encaixavam nos critérios de inclusão, das quais dez aceitaram o convite. A coleta de dados foi realizada no período de março a junho de 2014.

Para as servidoras que demonstraram interesse em participar, foi agendado horário para a realização da coleta de dados, que consistiu em entrevistas semiestruturadas, com duração média de uma hora. Todas assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes do início das entrevistas. Como faz parte do aspecto ético desta pesquisa manter o anonimato das entrevistadas, as mesmas foram tratadas por nomes de flores.

Foi realizada uma entrevista com cada participante e a coleta foi entendida como satisfatória e suspensa, a partir da identificação da semelhança e repetição dos dados obtidos, considerando que novos dados seriam pouco significativos para pesquisa (Fontanella, Ricas & Turato, 2008).

O exame dos dados obtidos nas entrevistas foi pautado na abordagem das Práticas Discursivas, que segundo Spink (2004), busca examinar as maneiras pelas quais as pessoas, por meio da linguagem produzem sentidos e posicionamse nas relações sociais cotidianas, e o uso institucionalizado da linguagem. Têm como elementos indispensáveis: os enunciados orientados por falas, as formas, que são os gêneros de fala e os conteúdos, que são os repertórios interpretativos. Estes últimos são as unidades de construção das práticas discursivas (o conjunto de termos, descrições, lugares-comuns e figuras de linguagem) que possibilitam as diversas formas de construções discursivas.

A análise dos discursos e repertórios produzidos e compartilhados acerca do envelhecimento permitiu a construção de três categorias: transformações orgânicas, estética - estigma e negação, e valorização positiva. As categorias orientaram a apresentação dos resultados que foram discutidos de forma a dialogar com as literaturas da área da saúde e gerontologia, sob a perspectiva construcionista social.

 

3. Resultados e Discussão

3.1 Transformações orgânicas

É na meia-idade que as mudanças corporais ocasionadas pelo envelhecimento começam a ser sentidas e observadas, tanto pela pessoa que envelhece quanto pelos outros. Margarida, 50 anos, destaca algumas alterações físicas relacionadas ao envelhecimento:

É outra alteração, imensa alteração com relação ao meu corpo, mudanças assim, você vai percebendo a pele mais ressecada, você vai percebendo é, assim, que o peso, o aumento de peso na balança, isto também vai te dando uma assim, agonia, uma aflição (...) Hoje eu não sei o que é dormir uma noite de sono, deitar e dormir e no dia seguinte eu acordo, fico momentos pensando, pensando na vida, aí até o sono voltar, aí hoje eu sinto que eu não durmo. (Margarida, 50 anos)

Os repertórios utilizados por ela para enfatizar as primeiras marcas visíveis do envelhecimento e de perda de energia foram: imensa, agonia, aflição, desagradável e incomodando. O confronto com essas primeiras transformações orgânicas causaram-lhe insatisfação e tristeza, face aos imperativos do envelhecimento.

Margarida, 50 anos, sofre e se culpa, pelo fato do corpo não ser tão ativo como antes:

É no trabalho, muito ativa, pra casa muito ativa, na academia muito ativa, fazendo mil coisas. Hoje como eu estou cansada. Eu nunca tive preguiça, agora eu tenho preguiça. Aí eu não tô a fim de ir pra academia. Que horror! Eu nunca fui assim. Eu vou, mas com preguiça, coisa que eu nunca tive, preguiça. Que horror! (Margarida 50 anos)

O incômodo por conta da preguiça está associado a comportamentos desaprovados socialmente e preconceitos naturalizados relativos à velhice (Fernandes, 2009). O discurso de Margarida, 50 anos, evidencia a existência de um descompasso entre o envelhecimento do corpo e a necessidade de continuar realizando as mesmas atividades de quando era mais jovem, porquanto há uma diminuição da disposição, do vigor e da agilidade física. Ela reconhece, mas demonstra sofrimento e dificuldade de aceitar este novo ritmo do corpo, uma vez que parece estar identificada com os valores da atualidade no que diz respeito a necessidade de manter os padrões de energia da juventude.

Íris, 52 anos, não acha nada agradável envelhecer, pois considera essa uma das fases mais difíceis da vida por conta das perdas físicas: "Não, não tem como dourar essa pílula (risos), apesar de falarem que é a melhor idade, eu discordo." Relatou durante a entrevista que quando as pessoas começaram a chamá-la de "senhora", ficou admirada, sentiu-se mais velha repentinamente. O envelhecimento foi evidenciado tanto pelas mudanças corporais, como pela forma de tratamento social. Neste caso, nota-se o significado de estranhamento e surpresa advindo do envelhecimento do corpo, corroborado principalmente pelas mensagens presentes nas interações sociais, que possibilitam o continuo processo de construção do self, para ela, como alguém que aparenta mais idade.

Rosa, 65 anos, relacionou sentimentos depressivos ao envelhecimento: "Eu senti principalmente nesse período que eu estava depressiva porque eu envelheci. Minha fisionomia demonstrava isso. Dá um desconforto e uma sensação desagradável. A cintura vai engrossando, vai perdendo, vai ficando reta, né?" Ela disse que se sentia muito mexida quando o assunto era sobre envelhecimento: "Mas a questão do envelhecimento, ainda não está elaborada, digamos que a contento, na minha cabeça. Mexe muito o meu emocional, com a minha cabeça." Autores como Menezes, Lopes e Azevedo (2009) comentam sobre a possibilidade de diminuição da autoestima devido as alterações na autoimagem decorrente dos sinais do envelhecimento e que estas mudanças podem desencadear quadros depressivos. Estas emoções e sentimentos vivenciados podem ser entendidos também como o deparar-se com diferentes mensagens carregadas de significados sobre o envelhecer advindas tanto de um contexto micro quanto macrossocial, as quais a pessoa que envelhece precisa dar um sentido (Rasera et al, 2004).

Margarida, 50 anos, reproduz o discurso que associa o termo "velho" ao estigma de envelhecer e relaciona o repertório "sintoma" como sinônimo de doença: "Aí esse ano que eu parei, comecei a sentir dores nas articulações, eu falei, gente característica de velho... falei agora acho que eu estou realmente começando a envelhecer porque eu estou começando a sentir sintomas da velhice." Para ela quem sente dor nas articulações ou é velho ou está ficando velho, consequentemente, o seu discurso reproduz o estereótipo naturalizado do envelhecimento associado às doenças e degenerações (Aboim,2014).

As dificuldades de memória foram uma das queixas mais freqüentes nas falas das entrevistadas e essa inquietação foi maior quando esses esquecimentos interferiram nas tarefas mais importantes do dia a dia. O declínio da memória faz parte do envelhecimento normal, de um modo geral, as pessoas em processo de envelhecimento reclamam de lapsos de memória, principalmente a dificuldade em recordar nomes, e lembrar de episódios mais recentes. Porém, de acordo com Neri (2005) as alterações de memória não necessariamente interferem nas atividades diárias do indivíduo. As queixas relacionadas à memória podem ser observadas no relato que segue:

A cabeça já não é mais a mesma, você tem dificuldade de gravar certas coisas. Ontem mesmo eu me peguei, eu pus um remédio que eu precisava tomar, que eu deixei em cima da pia, de noite eu tomei novamente o remédio e fiquei na dúvida se eu tinha tomado de manhã e aí, isso durante à noite me deixou novamente parar pra pensar, né? (Camélia, 59 anos)

Um dos aspectos mais relevantes na construção dos significados atribuídos às transformações físicas no processo de envelhecimento foi quando as mesmas foram instigadas a falar especificamente sobre o climatério e a menopausa. Para a maioria das servidoras entrevistadas, ambos foram fundamentais na construção dos significados do envelhecimento. Das dez mulheres, sete encontravam-se na menopausa, e destas, duas foram histerectomizadas, enquanto as demais a tiveram de forma natural. Por exemplo, o significado da finitude emergiu para Margarida, 50 anos:

O que eu gostaria, era de se possível eu conseguir me controlar o meu organismo, eu não gostaria de passar por este período. Ele é cruel porque ... primeiro pelos sintomas que você sente, segundo porque é um aviso do teu organismo, o teu organismo está te dizendo: olha acabou, não tem mais volta, então e é tão cruel, dá um nó, deu um nó na minha cabeça. (Margarida, 50 anos)

O uso do repertório "cruel" denota o sofrimento em consequência do climatério, uma vez que ela ainda não concluiu a menopausa. O repertório "sintoma", termo médico para identificar indícios de algum tipo de doença, foi utilizado para significar o climatério no processo de envelhecimento. A vivência desse período parece fazê-la perceber o final do período reprodutivo, derivando na angústia por não ter como evitar ou não passar por este processo (Senna, 2009; Cavalcante et al, 2006).

Rosa, 65 anos, se deu conta de que estava envelhecendo por volta dos sessenta anos e segundo ela, completar esta idade foi muito impactante. Porém, o mais difícil nesse processo foram as alterações decorrentes do climatério e da menopausa: "Que as mulheres é ... ficavam preocupadas com a parada, essa fase da menopausa que por muito tempo na história da humanidade significou um marco de início de velhice, não é? Então, isso eu sempre rechacei."

O climatério e a menopausa como opostos à juventude, associados à chegada da velhice e suas implicações, remetem a um discurso elaborado social e historicamente, cuja associação ressalta os aspectos negativos de envelhecimento. Mas ela se nega a compartilhar deste discurso ao utilizar do repertório "rechacei".

Mais adiante, a mesma participante relata os aspectos mais significativos do climatério e da menopausa no seu processo de envelhecimento:

Na realidade assim, eu ignorava quaisquer referências à menopausa como algo ruim. Eu achava que isso era muito mais psicológico, né? Então eu tive muitos, muitos calores, aquilo me fez muito mal porque eu senti muito. Eu fiquei 2 anos, em torno de 2 anos que eu tinha esse, essa sudorese, esse calor e depois a sudorese, chegou, chegava a ter de 10 em 10 minutos não conseguia dormir direito porque de 10 em 10 minutos, eu quase não dormia. (Rosa, 65 anos)

Rosa explicou que os calorões e a sudorese não começaram antes da menopausa. Segundo ela, o primeiro "sintoma" foi a hemorragia e o aumento do fluxo menstrual. O seu médico constatou a presença de miomas como responsável e receitou remédio para interromper o excesso de fluxo.

O discurso biomédico está presente no discurso de Rosa na alusão à menopausa quando da utilização do repertório "sintomas". Durante a entrevista, relatou que depois ela constatou que na realidade ela estava fazendo reposição hormonal sem saber. Por outro lado, enquanto fez uso do remédio se sentiu muito bem. Ao consultar outro médico este a proibiu de fazer a reposição hormonal por conta de problemas circulatórios. Após a proibição ela diz: "Aí eu comecei a sentir como se uma avalanche de todos os mal estares que eu ouvia falar sobre a menopausa".

A construção da medicalização do climatério e da menopausa surge como uma construção social, impulsionada pelo discurso médico e da indústria farmacêutica em torno de alterações psicológicos e de outras relacionadas a sintomas, que acabam por qualificá-la como uma patologia. Ao generalizar o evento, apresentando-a da mesma forma para todas as mulheres, contribui-se para a construção de uma marca associada ao final da vida reprodutiva e ao envelhecimento, visão compartilhada também por autores como Trench e Santos (2005) e Mori e Coelho (2004).

Nos relatos das entrevistadas, constatou-se no quesito sexualidade, experiências diferenciadas. Quanto mais idade, menos elas falaram a respeito do tema. Pode-se pensar que isto esteja relacionado ao fato de a geração mais velha ter vivenciado o modelo tradicional no qual o amor erótico e a sexualidade eram reprimidos e relacionados ao sentimento de culpa, principalmente em relação à visão da sexualidade (Fernandes, 2009). Em se falando de envelhecimento a sexualidade constitui assunto particularmente repleto de preconceitos, como se fosse predicado apenas dos jovens. A literatura da saúde nos informa que o desejo sexual não é igual para todas as mulheres e depende de uma série de fatores: físicos, emocionais e sociais. Assim como podem ser mais ou menos ativas sexualmente, dando maior ênfase à qualidade da relação e ao envolvimento emocional (Valença, Nascimento & Germano,2010). Para Fraiman (2004), o mito da menopausa como demarcadora de perda da sexualidade tem sido contestado por pesquisas e estudos que preconizam que é possível viver a sexualidade, desde que se tenha saúde.

Margarida, 50 anos, queixou-se de problemas quanto a lubrificação vaginal, diminuição da libido, mas por outro lado afirmou que quando mantém relação sexual a qualidade melhorou muito:

A questão sexual, alterou, alterou muito. Nossa! Muito! Primeiro você já não tem, não é tão lubrificada quanto antes ...outra questão, o apetite sexual já não é mais o mesmo .... a qualidade isso, isso eu estou gostando, a qualidade, quando eu estou a fim a qualidade é melhor, é maior e melhor agora ... pra estar a fim é que a coisa tá ficando mais difícil, a cada mês, a cada novo mês eu vejo assim: essa vontade já não é mais a mesma. (Margarida, 50 anos)

Embora ela tenha se referido às dificuldades quanto à lubrificação, diminuição da libido, a diminuição da frequência nas atividades sexuais não significou o fim do desejo sexual. Segundo Butler e Lewis (1985) afeto, calor e sensualidade não precisam se degenerar com a idade, podem até aumentar. Segundo esta autora, o sexo à medida que a pessoa envelhece é emocional, é menos instintivo, permite novas experiências criativas e demanda sensibilidade.

No conjunto pesquisado, destaca-se o depoimento de Camélia, 59 anos, que faz um relato pormenorizado das suas angústias sobre o envelhecimento, mas especificamente sobre as alterações ocorridas durante o climatério e após a chegada da menopausa e a questão da sexualidade. O relato evidencia a sua preocupação por conta das dores que ela sente durante as relações sexuais.

Aí veio, foi se agravando aí foi agravando ressecamento é assim extremo, extremo, extremo, extremo. Tenho muita dor, então, não é, é sabe assim, falta uma penetração completa...eu acho que tem uma a cada três meses e mesmo assim naquele sofrimento, naquele suor e porque dá? (...) você sente a dor então você continua a relação depois do orgasmo aí fica mais difícil ainda, porque aí você só vai sentir a dor, né? (Camélia, 59 anos)

A despeito de o tema sexualidade ter sido tratado com certa reserva por parte de algumas servidoras, Camélia, fala com naturalidade sobre a sua sexualidade. Ela se preocupa com a necessidade do marido com relação ao sexo. Se sente culpada por não conseguir manter relações sexuais como antes em função da dispareunia, que provoca dores e sofrimento e leva repetidas vezes à rejeição ao ato sexual, diminuindo o desejo sexual, conforme explicado por Vigeta e Brêtas (2004). Apesar de se dispor a falar de sua sexualidade com a entrevistadora, pode-se pensar que a participante manifesta, por meio de sua preocupação, a perpetuação da posição da mulher em relação ao homem assim como a dificuldade em buscar ajuda externa para lidar com a questão, uma vez que teria que expor a sexualidade do casal.

3.2 Estética: estigma e negação

As marcas do envelhecimento estão impregnadas no corpo e estas não são bem vistas numa sociedade que valoriza a juventude. Quando este deixa de apresentar as características do corpo jovem é como se tornasse desprovido de valor estético (Goldenberg, 2008). Nesta linha de raciocínio, pode-se dizer que Angélica, 64 anos, reproduz o discurso socialmente construído na atualidade em que o corpo, que já não corresponde às características da juventude, é feio e inconveniente:

Eu acho que não dá. Acho ridículo a mulher pelancuda com mini blusa competindo com menina novinha. Não tem nada a ver. Então a gente usa blusa maiorzinha pra não mostrar tanto o corpo. Eu sou assim, é o meu jeito de ser, eu não gosto nem de blusa sem manga acho que o braço não é mais bonito pra ficar mostrando, entende? (Angélica, 64 anos)

Fica claro na fala de Angélica, que ela se aceita enquanto uma mulher mais velha, mas ao mesmo tempo em que aceita o envelhecimento, tenta escondê-lo. Sua fala demonstra que ela procura vestir roupas que considera adequada. Quando fala sobre o que uma mulher mais velha não deve fazer, reproduz os discursos construídos socialmente sobre as condutas consideradas impróprias para mulheres envelhecidas. Sobre isso, Nascimento (2011) diz que: "O olhar que elas têm é pautado pela civilização dos costumes contemporâneos que dizem que o corpo belo é o jovem e magro, daí as roupas devem ser adequadas para esconder o que sobra" (p. 469).

Hortência, 51 anos, é contra fazer plástica para rejuvenescer, para ela o envelhecimento do corpo significa aceitação.

(...) a gente não deve enlouquecer de achar que a gente tem que ficar com trinta anos pro resto da vida e ir atrás de tratamento estético, plástica, eu acho que a gente tem que aceitar com muita tranqüilidade(...) vai enlouquecer, porque envelhecer é um processo natural, vai acontecer e não tentar ficar jovem pro resto da vida toda, esticada de plástica que a pessoa perde até a naturalidade, né, a identidade, eu não sou mais outra pessoa a partir de agora. (Hortência , 51 anos)

Segundo Cabeda (2009, p.197): "Encontramos hoje mulheres com aparência física de trinta anos (resultado de intervenções estéticas de todos os tipos), com a lentidão, andar, voz, enfim, com toda uma linguagem comportamental de alguém com muito mais idade". Constata-se na fala de Hortência um esforço no sentido de escapar do estigma do envelhecer, que para ela, não está ligado unicamente à ideia de juventude eterna, mas e, sobretudo, à sensação de bem-estar com as marcas do envelhecimento.

Quando a experiência do processo de envelhecimento deixa de ser vivida de modo natural e passa a ser vivida de forma estigmatizante, o indivíduo pode ter dificuldades relacionadas à autoestima. Segundo Goffman (1998), os indivíduos estigmatizados são aqueles com alterações físicas, psíquicas ou de caráter, que aos olhos dos outros os tornem inferiores ou diferentes. São aqueles que possuem uma característica diferente da que estava prevista. Neste sentido, as construções sociais que desvalorizam a pessoa que envelhecem e podem ter o potencial de levá-las a um rebaixamento de sua autoestima, ou a quadros depressivos, como já foi mencionado anteriormente neste trabalho.

Para algumas mulheres o envelhecer pode significar um defeito que precisa ser disfarçado por meio de artifícios que prometem o rejuvenescimento (Silva, Santos & Berardinelli, 2010; Goldenberg, 2008). Angélica, 64 anos, falou sobre como ela percebe o envelhecimento nas outras mulheres:

Então elas acham este lado envelhecer pra elas deve ser muito triste porque elas vivem na plástica e eu quando vejo essas coisas acho ridículo porque acho que tudo tem a sua idade certa, tudo tem o seu momento. Mas eu acho que não tem nada a ver, eu jamais faria um monte de plástica para parecer nova porque eu acho que isso é ridículo. (Angélica, 64, anos)

A escolha do repertório "ridículo" utilizado por duas vezes demonstra um sentimento de desprezo, indignação pelo fato destas mulheres buscarem melhorar a aparência por meio de cirurgias plásticas. Angélica, acha que não se deve tentar esconder as marcas do envelhecimento, mas sim aceitar as transformações físicas decorrentes dos anos vividos.

A idade cronológica caminha conforme os anos passam, porém, Margarida, 50 anos, não percebe que o tempo passou, sente-se jovem:

Pois é ... a partir deste ano até então quando as pessoas perguntavam pra mim: quantos anos você tem? Eu parava pra pensar que eu não lembrava (...) eu não me considero velha e eu não conseguia me entender como uma pessoa velha... pois é eu não consigo me ver (...) envelhecendo pra mim eu estou assim vivendo, vivendo mas não envelhecendo (...) mas realmente assim quando eu falo até com relações minha idade e pelo meu pique as pessoas não acreditam, ‘não tem cinquenta', tenho, tenho cinquenta. (Margarida, 50 anos)

Da mesma forma, Magnólia, 63 anos, não mais se reconhece jovem como antes:

Ah! Essa é a parte mais chata que eu acho (...) mas a mudança do corpo ela é inevitável, né? Mas eu penso assim: Ah! O meu corpo já deu o que tinha pra dar, já fui bela, bonita e formosa, agora as minhas rugas fazem parte da minha história você pode amenizá-las, né? (Magnólia, 63 anos)

Mori e Coelho (2004) explanam sobre a adequação psíquica à idade cronológica e dizendo que ao olhar a própria imagem refletida no espelho esta lhe causa estranheza, é como se a aparência dos tempos de juventude continuasse congelada em sua memória. Desta maneira a imagem do espelho anuncia a velhice em termos da estética. O desacordo entre a imagem mostrada pelo espelho e a imagem ideal de si pode gerar a negação da passagem tempo, tanto mais quantos forem os preconceitos assimilados em relação à nova fase. Desde uma perspectiva construcionista, há que se considerar que o desenvolvimento humano se dá ao longo do curso de vida e o self sofre contínuas modificações de acordo com as vivências e intercâmbios sociais (Gergen, 2009; Rasera et al, 2004). Desta forma, a pessoa que envelhece está em franco processo de produção de sentidos para esta nova experiência.

3.3 Valorização positiva

Todavia, a significação negativa sobre o processo de envelhecimento não foi uma constante nos relatos. Algumas mulheres demonstraram que o envelhecer pode significar conquistas, alegrias e realizações. Violeta (54 anos) foi mãe pela terceira vez aos quarenta e dois anos, em processo de envelhecimento e sobre isso ela disse: "É, eu acho que tive de certa forma privilégio, porque com 42 anos eu tive gêmeas, né? Então quando eu tive as meninas foi ...eu tive que me reinventar, né?"

A maternidade após os 40 anos, exigiu dela superação e ajustes das perdas relacionadas ao envelhecimento dando novo significado à sua existência. Já para Íris, 52 anos, a passagem dos anos significou sabedoria e experiência, ganhos advindos do envelhecer. Tem consciência do envelhecimento, mas não quer fingir que não está envelhecendo, apenas gostaria de se tornar uma pessoa interessante quando mais velha. Ela espera envelhecer bem consigo mesma, com a vida e com as outras pessoas.

Magnólia, 63 anos, se considera privilegiada, pois para ela envelhecer tem sido muito bom. Para ela a menopausa foi a melhor coisa que aconteceu, pois estava livre de menstruar e de uma gravidez indesejada, aspecto descrito por Mori e Coelho (2004). E enquanto algumas colegas relataram problemas na questão da sexualidade, para ela o envelhecimento até o momento não havia causado nenhuma alteração na sua sexualidade, nem diminuição da libido.

Outra entrevistada até brincou com as transformações decorrentes do envelhecimento. Gardênia, 68 anos, disse: "Sem crise pra mim, né? Porque como eu me sinto bem, né? Eu vejo a minha orelha. Que é uma coisa que até brinco bastante. Nossa gente! Tá caindo prá cá agora!"

Para ela o envelhecimento "trouxe tudo de bom" e as percepções físicas mais marcantes começaram a aparecer depois dos sessenta e cinco anos, mas segundo ela nada tão marcante. A estratégia que Gardênia utiliza para enfrentar as transformações foi a ressignificação do envelhecer, fundamental para que ela possa conviver bem com o envelhecimento.

 

4. Considerações Finais

O presente estudo buscou compreender os significados construídos acerca do processo de envelhecimento para servidoras de uma instituição pública de ensino superior. Apesar de as participantes pertencerem a um segmento social privilegiado, ainda assim predominou a construção negativa acerca do envelhecimento e pode-se constatar que elas estão mais identificadas com o discurso socialmente construído sobre o envelhecimento enquanto perdas e declínio.

No que se refere às transformações trazidas pelo processo do envelhecimento, os resultados obtidos revelaram diferenças na construção dos significados atribuídos ao corpo, demonstrando que este processo é um fenômeno universal, mas, ao mesmo tempo, uma vivência única e heterogênea de forma que cada um o vivencia singularmente. Sendo assim, por mais que tentassem negar ou fazer com que o envelhecimento parecesse distante, ele foi percebido por meio das transformações físicas, motivo de surpresa para umas e apreensão e sofrimento para outras. Foi notável que as participantes encontravam-se em processo de construção de sentidos para o seu próprio envelhecimento. A ambigüidade presente na maioria dos discursos, revelou que a despeito de percebê-lo como algo negativo e presente em suas vidas, essa fase também representa, uma oportunidade de usufruir os anos de vida futuros de forma ativa e produtiva.

A partir dos dados desta pesquisa, considera-se importante investir na criação de espaços onde mulheres possam compartilhar significados, trocar ideias, saberes, vivências e alternativas para enfrentar as transformações decorrentes do envelhecimento. Nos contextos profissionais, incentivar as práticas educativas de caráter participativo, para permitir a troca de experiências baseadas no cotidiano.

Apesar de os dados aqui apresentados serem relevantes para se pensar como o processo de envelhecimento vem sendo significado por mulheres em um determinado contexto profissional, entende-se que a pesquisa é limitada por ter pesquisado uma realidade sociocultural específica. Recomenda-se para estudos futuros que sejam feitas entrevistas com participantes de diferentes contextos sociais e econômicos.

 

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Recebido: 03/06/2015 / Corrigido: 05/09/2015 / Aceito: 09/03/2016.

 

 

1 Mestranda do Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná, email: rosaneschlichta@gmail.com, Rua Prof. Sidnei Rangel Santos, 238, Curitiba-PR, CEP: 80310-230.
2 Psicóloga, Doutora em Psicologia pela UFSC, Docente do Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná, email: anawdb@gmail.com, Rua Prof. Sidnei Rangel Santos, 238, Curitiba-PR, CEP: 80310-230, telefones: (41) 33082002 (41) 99532166.

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