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Revista da SBPH

versão impressa ISSN 1516-0858

Rev. SBPH vol.21 no.1 Rio de Janeiro jan./jun. 2018

 

EDITORIAL

 

EDITORIAL

 

 

Prezadas leitoras e leitores,

É com grande satisfação que anuncio, como Editor-Chefe, o volume 21, número 01, da Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar. Desde o ano de 2014, quando a Profa. Dra. Maria Lívia Tourinho Moretto assumiu a direção desta Revista, tive a honra de acompanhar os desenvolvimentos de um processo de revitalização. Durante este período, na função de Editor Associado, tive a preciosa oportunidade de participar do aprimoramento técnico da Revista e de passos cruciais na sofisticação desta enquanto periódico científico.

Com o encerramento desse ciclo, abraço a incumbência de dirigir, enquanto Editor-Chefe, as publicações da Revista da SBPH reiterando como mote do trabalho o zelo pela nobreza da missão deste periódico científico. No momento em que a Revista atinge um lugar de visibilidade diante da comunidade científica e amplia seu alcance em relação aos pesquisadores da Psicologia Hospitalar em suas interfaces com outras áreas, proponho avançar junto com o vigor singular da produção científica e acadêmica em nosso país.

Pesquisadoras e pesquisadores voltam-se à Revista da SBPH como espaço para a promoção, compartilhamento e divulgação de suas pesquisas e derivados. São exímios trabalhadores de uma causa que desenvolvem função de grande relevância e que atendem ao objetivo de que a Psicologia Hospitalar avance por uma via de firme sustentação, aquela que tem no saber e na produção de conhecimento seu mais franco esteio. Diante disto, promover a pesquisa científica é uma função que se torna uma prática de cuidado e de atenção aplicada ao processo de recebimento, avaliação e publicação de manuscritos provenientes de instituições de ensino, pesquisa e de saúde. É assim que o número atual é um novo passo na direção de uma história que se constrói e sua composição conta como os seguintes trabalhos:

O artigo "Características de personalidade e adesão ao tratamento em pacientes jovens portadores de HIV" (Costa, Casseb, Gascon & Fonseca) tem como objetivo central avaliar a articulação entre a adesão e características de personalidade em jovens pacientes vivendo com HIV. São utilizados o "Questionário para Avaliação de Adesão ao Tratamento Antirretroviral" e a "Bateria Fatorial de Personalidade (BFP)" neste estudo que amplia o olhar sobre a questão da vulnerabilidade do jovem e a aplicabilidade de medidas preventivas.

Em "Percepção sobre Formação em Residência na Área da Saúde: Necessidades, Expectativas e Desafios" (Souza & Araujo) acompanha-se um estudo descritivo e transversal orientado pela análise da percepção de noventa residentes, de diferentes categorias profissionais, quanto suas necessidades, expectativas e dificuldades. Foram utilizados "Questionário Sociodemográfico e Ocupacional", "Inventário de Estratégias de Coping" e "Inventário de Risco de Sofrimento Patogênico no Trabalho (IRIS)". O artigo evidencia que a sobreposição das situações de sofrimento e a adoção de estratégias de enfrentamento decorrentes das dificuldades relacionadas à insuficiência de pessoal nas equipes de trabalho, da sobrecarga laboral e da falta de reconhecimento.

Em sequência a este estudo, em "O impacto do processo de precarização laboral em serviços de saúde" (Gondim, Pinheiro, Mendes & Neves), estabelece-se um percurso histórico de transformações no campo do trabalho. No artigo são priorizadas, em uma revisão narrativa, as problemáticas da precarização laboral de trabalhadores da saúde. A precarização é vivenciada pelos trabalhadores da saúde que se submetem a jornadas extensas de trabalho, em várias instituições, em busca de uma renda razoável.

No artigo "Autoeficácia, lócus de controle e adesão ao tratamento em pacientes com diabetes tipo 2" (Santos & Faro), objetiva-se analisar a influência das variáveis autoeficácia e lócus de controle em cinquenta e cinco participantes com diabetes tipo 2 atendidos por equipes de Saúde da Família da Atenção Básica. O estudo destaca, a partir do "Questionário Sociodemográfico e Clínico" e do "Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (QAD)", o poder preditivo das variáveis autoeficácia e lócus de controle interno diante da adesão ao tratamento dos pacientes com diabetes tipo 2.

Em uma interrogação sobre a autonomia do paciente dialítico, o artigo "A autonomia do paciente com doença renal crônica: percepções do paciente e da equipe de saúde" (Duarte & Hartmann) aponta, a partir de um estudo qualitativo fundamentado por entrevista semiestruturada, que esses pacientes reconhecem sua baixa participação no processo de adesão ao tratamento. Este processo não passa despercebido pela equipe que considera relevante a autonomia do paciente, embora apresente dificuldades quando a autonomia aponta para a não adesão.

Uma investigação sobre a percepção de profissionais psicólogos e de pacientes cardiológicos sobre fatores psicossociais associados à doença e possibilidades de manejo clínico psicológico é realizada em "Fatores psicossociais associados à doença cardíaca e manejo clínico psicológico: percepção de psicólogos e pacientes" (Knebel & Marin). A partir de entrevistas semiestruturadas avaliadas por análise de conteúdo, verifica-se que psicólogos e pacientes reconhecem os fatores psicossociais como uma das causas das cardiopatias. Entretanto, como se destaca no estudo,há dificuldade de continuidade do atendimento psicológico após alta hospitalar.

O trabalho "A atuação do psicólogo hospitalar em unidades de terapia intensiva: a atenção prestada ao paciente, familiares e equipe, uma revisão da literatura" (Vieira & Waischunng) estabelece uma sistematização, em uma revisão integrativa da literatura, sobre a atenção psicológica prestada em UTIs. O estudo destaca a importância da psicologia hospitalar nas UTIs em situações de fim de vida, rituais de despedida, luto antecipatório, elaboração da morte na articulação da tríade paciente, família e equipe.

A importância dessa articulação também é apresentada em "Cuidado de pacientes pediátricos no início da adolescência sob tratamento onco-hematológico no contexto hospitalar: a experiência dos pais" (Silva & Zihlmann). Por sua vez, esse trabalho volta-se às vivências subjetivas dos pais de pacientes pediátricos no início da adolescência, durante o tratamento oncohematológico bem como as demandas no processo de cuidado no contexto hospitalar. Eis uma pesquisa qualitativa, com entrevistas semiestruturadas com cinco pais de pacientes internados e em tratamento. Os discursos foram categorizados por pela análise de conteúdo do tipo temática e apontam para a experiência dos pais envolvendo sentimento de impotência e priorização do outro.

No artigo "Desvelando o lugar de acompanhante do paciente em um Centro de Transplante de Medula Óssea" (Benamor & Pereira), a função do acompanhante é tema central desde sua marginalização em um contexto do cuidado e assistência. Propondo o acompanhante como um lugar, o objetivo do artigo volta-se às repercussões disto. Trata-se de um estudo teórico-clínico de orientação psicanalítica que, a partir de fragmentos clínicos, aponta para os impasses da impotência e do desamparo.

Também pautado sobre os impasses da comunicação entre equipe familiares, em um estudo de natureza qualitativa, o artigo "Comunicação de morte encefálica a familiares: levantamento com profissionais de saúde" (Meneses, Castelli & Costa Junior) avalia a percepção de profissionais de saúde frente ao diagnóstico de morte encefálica e identifica variáveis psicossociais da relação profissional-familiar no momento de comunicação.

Por fim, dois artigos que tratam, respectivamente, do suicídio e do processo de morrer: "Ideação suicida em pacientes oncológicos" (Silva) que tem como objetivo verificar a prevalência de ideação suicida em pacientes oncológicos, em um estudo transversal, descritivo e comparativo que evidencia estatisticamente que a ideação suicida em pacientes oncológicos está associada ao relato de comorbidade psiquiátrica, ideação suicida prévia ao diagnóstico de câncer e recidiva da doença. Já o artigo "A criança gravemente doente fala sobre a morte: um relato de experiência" (Arienti & Portela) discute os motivos do silêncio do adulto diante da iminência de morte da criança e a função dos atendimentos de psicologia como lugar de escuta e fala para tais crianças. Trata-se de relato de experiência que propõe que o contato com crianças próximas da morte exige que o adulto se depare com temas insuportáveis, como a perda da idealização da infância e a morte como destino.

Aproveito ensejo e agradeço à Profa. Dra. Glória Heloise Perez, à Profa. Dra. Maria Lívia Tourinho Moretto e à Profa. Dra. Sílvia Ismael Cury pela aposta e investimento nos trabalhos da Revista da SBPH. Também agradeço à equipe de Editores-Associados, Prof. Dr. Fernando Genaro Júnior, Profa. Dra. Gláucia Faria da Silva e Profa. Dra. Wilze Laura Bruscato pelo apoio e generosidade e Profa. Ms. Cristiana Rodrigues Rua, Profa. Dra. Danuta Medeiros e Profa. Dra. Renatha El Rafihi-Ferreira pela colaboração e excelência.

Boa leitura!

Cordialmente,
Prof. Dr. Marcos Vinicius Brunhari

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