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Revista Psicologia Política

versión On-line ISSN 2175-1390

Rev. psicol. polít. vol.16 no.37 São Paulo sept./dic. 2016

 

EDITORIAL

 

Revista Psicologia Política: psicologia política e ruralidades na américa latina

 

Revista Psicologia Política: political psychology and ruralities in latin america

 

Revista Psicologia Política: psicología política y ruralidades en américa latina

 

Revista Psicologia Política : psychologie politique et ruralités en amérique latine

 

 

Adolfo PizzinatoI; Aline Reis Calvo HernandezII; Conceição Firmina Seixas SilvaIII; Frederico Alves CostaIV; Frederico Viana MachadoV

IUFRGS - Brasil
IIUFRGS - Brasil
IIIUERJ - Brasil
IVUFAL - Brasil
VUFRGS - Brasil Editores

 

 

É com imensa satisfação que apresentamos o número temático Psicologia Política e Ruralidades, que contou com a participação dos editores convidados Domenico Uhng Hur, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), e Marcelo Gustavo Aguilar Calegare, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Este trabalho foi desenvolvido em uma parceria entre a Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) e a Associação Ibero-Latino-Americana de Psicologia Política (AILPP), como uma tentativa de estreitar laços com pesquisadores de outros países para fortalecer a internacionalização da área em uma perspectiva crítica.

Esta parceria é fruto de um compromisso assumido pelo Comitê Editorial da REVISTA PSICOLOGIA POLÍTICA nos encontros da AILPP de 2011 e 2012, para que a revista se tornasse referência tanto para a ABPP como para a AILPP. Naquele momento, este periódico deixou de ser semestral e passou a ser quadrimestral, sendo que o último número de cada volume traria contribuições internacionais que expressem a realidade local dos estudos em psicologia política dos países de origem dos pesquisadores articulados à AILPP.

Importante ressaltarmos que esses esforços não se devem apenas à uma demanda burocrática por internacionalização, para que se reflita na avaliação do periódico e da produção dos pesquisadores. O grande motor desta parceria é a necessidade e desejo de intercâmbios que possam alimentar os estudos em psicologia política com a riqueza e a diversidade de cada contexto teórico, metodológico, acadêmico, político, social e cultural.

Isto reflete um traço antigo da psicologia política e social produzida na América do Sul, preocupada com o contexto de subdesenvolvimento e a superação das relações de opressão social e, exatamente por conta disso, interessada nos condicionamentos produzidos pelas relações transnacionais de dominação nos países deste subcontinente. Neste contexto, o presente número temático aporta estudos que ajudam a superar algumas lacunas da psicologia política brasileira, que historicamente tem se debruçado mais sobre questões urbanas, salvo as valiosas exceções de pesquisas e reflexões sobre o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Com a publicação de mais este número, a Revista de Psicologia Política se soma aos esforços necessários à aproximação da produção contextualizada de conhecimento em Psicologia. Desde suas origens formais, a Psicologia produziu conhecimento marcadamente com, para e por sujeitos "urbanos" e, identificada - no mais das vezes com leituras hostis, simplistas e descontextualizadas das raras aproximações à questões concernentes ao rural - muitas vezes também romantizado como elemento de uma memória coletiva de um passado social.

Transformações que a sociedade capitalista têm experimentando com os processos de globalização colocam cada vez mais em xeque as relações entre contextos tradicionalmente compreendidos como muito diferentes - como se a vida urbana fosse uma evolução dos modos de vida rural - evolução essa pautada pela própria globalização, desde os primórdios da Modernidade. O incremento de intercâmbios mercantis e das formas pelas quais se produz a agricultura, por exemplo, além do maior acesso a meios de comunicação (tv, internet) - faz com que os limites geosimbólicos entre os contextos rurais e urbanos se atenuem, gerando uma integração - muitas vezes forçada, uma transição muitas vezes imposta dos complexos rurais tradicionais (e familiares), à lógica dos complexos agroindustriais profissionalizados promovidos pelo capitalismo globalizado.

Os artigos aqui apresentados não fazem leituras meramente descritivas ou de aproximação geográfica de tipo "transcultural". Os escritos aqui elencados se constituem considerando o âmbito rural não como território concreto, mas compreendido enquanto espaço de representação e de ação - permeado por elementos subjetivos - evidencia-se a necessidade de entender seus cotidianos contextuais. O cotidiano vivido nos territórios rurais traz consigo aspectos particulares para pensar as subjetividades aí constituídas, que são temas privilegiados de estudo para a psicologia política.

Nosso interesse para os próximos números é expandir ainda mais as fronteiras destes diálogos, agregando perspectivas teóricas e metodológicas, diversidade empírica e comunidades acadêmicas, desde que o escopo psicopolítico esteja cotejado pelo compromisso com a produção de um conhecimento que tenha como pano de fundo a construção de novos mundos possíveis e mais democráticos.

Assim, finalizamos nosso editorial agradecendo a colaboração dos editores convidados, autoras e autores deste número e reforçamos o convite a novas contribuições editoriais em dossiês, números temáticos e números especiais que aprofundem o potencial que vislumbram as produções desta experiência.

Uma boa leitura!

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