SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.7 número3Inventário de Empatia (I.E.): desenvolvimento e validação de uma medida brasileiraDiferenças relacionadas ao sexo observadas no Cheklist de Relações Interpessoais: revisado índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Avaliação Psicológica

versão On-line ISSN 2175-3431

Aval. psicol. v.7 n.3 Porto Alegre dez. 2008

 

ARTIGOS

 

Estudos psicométricos preliminares do Inventário de Ciúme Romântico - ICR

 

Preliminary psychometrics studies of Romantic Jealousy Inventory - RJI

 

 

Lucas de Francisco CarvalhoI, *; José Maurício Haas BuenoI, **; Fernanda Kebleris***

I Universidade São Francisco

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi investigar as propriedades psicométricas de um Inventário de Ciúme Romântico. O instrumento foi aplicado a 577 universitários de ambos os sexos que também preencheram um inventário para avaliação dos cinco grandes fatores de personalidade. Uma análise fatorial exploratória, por componentes principais e rotação varimax, revelou uma estrutura primária com seis fatores, relacionados ao ciúme romântico (F1), não-ciúme (F2), não-agressão (F3), desconfiança (F4), investigação (F5) e insegurança (F6), e dois fatores de segunda ordem. A precisão das escalas variou de 0,62 a 0,89 e a maioria apresentou correlação positiva e significativa com o traço de neuroticismo, conforme esperado teoricamente. Concluiu-se que a escala apresenta bons indicadores de validade e fidedignidade, mas precisa ser revista uma vez que alguns fatores ficaram com baixo número de itens, podendo comprometer sua representatividade.

Palavras-chave: Avaliação psicológica, Psicopatologia, Validade do teste.


ABSTRACT

The objective of this study was to investigate the psychometric properties of a Romantic Jealousy Inventory. It was administered to 577 university students of both sexes that also answered a big five personality trait inventory. An exploratory factor analysis, through principal components and varimax rotation, showed a primary structure with six factors related to romantic jealousy, non-jealousy, non-aggression, distrust, investigation, lack of self-confidence, and two second order factors. The scales accuracy varied from 0.62 to 0.89 and almost all of them correlated positively and significantly to the neuroticism trait, as theoretically expected. It was possible to conclude that the scale showed good validity and reliability properties, but it needs to be reviewed due to the fact that some factors presented few numbers of items, what may compromise its representativity.

Keywords: Psychological assessment, Psychopathology, Test validity.


 

 

Introdução

O ciúme é citado na literatura desde os tempos bíblicos, sendo um fenômeno extremamente comum dentre as diferentes emoções humanas (Kingham & Gordon, 2004; Mullen & Martin, 1994; Harris, 2005). Sua manifestação ocorre em diversos tipos de relacionamento interpessoal, mas este trabalho enfoca apenas a sua ocorrência em relacionamentos amorosos, situação em que freqüentemente recebe a denominação de ciúme romântico (por exemplo, Buss, Larsen, Western & Semmelroth, 1992).

É comum que seres humanos, em algum momento da vida, busquem um parceiro com quem possam compartilhar afetividade, alegria, prazer, companheirismo, sexualidade, amor. Contudo, frequentemente a fidelidade do parceiro pode ser questionada, uma vez que o outro nos escapa mesmo estando ao nosso lado, abrindo espaço para dúvida. E sempre que a fidelidade é colocada em dúvida, o ciúme pode ocorrer (Torres, Ramos-Cerqueira e Dias, 1999).

Nesse contexto, o ciúme é uma reação possível sempre que a estabilidade do relacionamento amoroso é ameaçada por um rival (Torres & cols., 1999). Contudo, ainda que esta seja uma idéia central relacionada ao ciúme, uma das problemáticas mais freqüentes no estudo deste tema é o número excessivo de definições encontradas na literatura científica (Sagarin & Guadagno, 2004). Cada autor enfatiza ou acrescenta um aspecto que não é considerado por outro, o que dificulta consideravelmente a obtenção de um consenso sobre esse assunto.

Warren (1966, p. 109), por exemplo, enfoca o aspecto social ao defini-lo como um "sentimento ou atitude social, de caráter penoso, suscitado no indivíduo ao ver que outro consegue ou possui o que a ele mesmo falta e deseja". Parrott, Gerrodl e Richard (1993), por sua vez, enfatizam o aspecto emocional ao afirmar que o ciúme romântico é uma emoção que ocorre quando uma pessoa sente perder (ou já perdeu) um relacionamento importante com outra pessoa para um rival.

Alguns autores evolucionistas ressaltam a funcionalidade do ciúme em relacionamentos amorosos, destacando seu papel adaptativo no funcionamento mental. Esses autores consideram-no não como uma "emoção negativa"1, mas como um mecanismo inato sinalizador, que visa diminuir a ocorrência da infidelidade, sendo entendido como uma reação frente à ameaça de um rival (real ou não) a um relacionamento amoroso (Buss & cols., 1992; Buss, 2001; Kingham & Gordon, 2004; Costa, 2005; Menezes & Castro, 2001).

De qualquer forma, dependendo de sua freqüência e intensidade, a manifestação do ciúme romântico pode tornar-se patológica, a ponto de destruir o relacionamento de um casal (Ramos & Calegaro, 2001). E, assim como ocorre com o ciúme romântico não-patológico, diversos são os conceitos encontrados na literatura para o ciúme patológico. Contudo, neste caso, há certa concordância entre os autores quanto à irracionalidade e à intensidade das reações, com destaque para a agressividade. Por exemplo, Kingham e Gordon (2004) afirmam que o ciúme patológico é um conjunto de pensamentos e emoções irracionais, somado a comportamentos extremos ou inaceitáveis, em que o tema dominante é a preocupação com a infidelidade do parceiro sexual, sem base de evidências concretas. Pace (1998), por sua vez, afirma que o ciúme será considerado patológico se não for baseado em evidências e for muito intenso. Por fim, para Todd, Mackie e Dewhurst (1971), o ciúme é patológico quando o indivíduo tiver convicção absoluta de que o parceiro está sendo infiel e o ciúme desencadeado pela infidelidade atual é de tal intensidade que deixa o indivíduo perigosamente agressivo.

A despeito da dificuldade em estabelecer um diagnóstico diferencial para o ciúme patológico, há um aspecto consensual entre os autores: a presença de delírios de infidelidade. Este sintoma pode ser entendido como um conjunto de pensamentos inflexíveis sobre a infidelidade do parceiro amoroso, com mais de uma pessoa, que se mantêm sem que existam evidências ou ocorrências que as confirmem (Soyka, Naber & Völcker, 1991). Embora as reações comportamentais possam ser muito parecidas, indivíduos diagnosticados com ciúme patológico se caracterizam por interpretar ocorrências irrelevantes como evidências de infidelidade, enquanto indivíduos normais tendem a restringir a manifestação do ciúme frente a ocorrências relevantes. Neste caso, a dificuldade se localiza em distinguir o que é relevante do que não é (Kingham & Gordon, 2004).

Ao lado disso, indivíduos com ciúme patológico se caracterizam pela recusa em mudar suas crenças, mesmo frente a informações conflitantes, enquanto pessoas "normais" tendem a ser mais flexíveis quando confrontadas com dados de realidade conflitantes com as crenças de infidelidade. Também a tendência em acusar o parceiro de infidelidade com muitas outras pessoas é mais freqüente na manifestação patológica do que na manifestação normal das reações de ciúme (Kingham & Gordon, 2004).

Também há alguns fatores comuns para a manifestação do ciúme, seja ele patológico ou não. Entre os fatores mais freqüentes estão a baixa auto-estima, as chamadas "emoções negativas", como a raiva, a desconfiança e a tristeza, e comportamentos de investigação (Torres & cols., 1999; Mullen & Martin, 1994; Buss, 2001; DeSteno & Salovey, 1996), embora eles sejam mais intensos e freqüentes em pessoas com ciúme patológico. Não foram encontrados trabalhos cujo objetivo fosse identificar aspectos da personalidade relacionados às manifestações patológicas e não-patológicas de ciúme em relacionamentos amorosos. Contudo, alguns estudos apontam para aspectos característicos em indivíduos que manifestam o ciúme romântico.

Um trabalho realizado por Holtzworth-Munroe e Hutchinson (1993) encontrou resultados que sugerem que maridos violentos são mais propensos a atribuir aspectos negativos às esposas do que maridos não violentos e em determinadas situações, como as de ciúme, tendem a eliciar mais estas atribuições. Em outro estudo, homens violentos no casamento foram identificados como mais inseguros, preocupados, desorganizados, ansiosos e ciumentos (Holtzworth-Munroe, Stuart e Hutchinson, 1997). Estes dois estudos sugerem que indivíduos mais violentos e ansiosos tendem a ser mais ciumentos em contextos de relacionamentos amorosos.

Resultados semelhantes foram encontrados no estudo de Sharpsteen e Kirkpatrick (1997), no qual verificaram que a manifestação do ciúme romântico prejudica a qualidade do relacionamento amoroso. Em oposição, um trabalho desenvolvido por Murphy, Meyer e O´Leary (1994), mostrou que não houve diferenças significativas com relação ao ciúme romântico entre maridos agressivos (fisicamente) e maridos não agressivos.

Em síntese, os trabalhos encontrados na literatura científica descrevem o ciúme romântico não-patológico como um conjunto de crenças flexíveis sobre a existência de um rival ao relacionamento amoroso e sobre a possibilidade de infidelidade do parceiro, que tendem a desencadear comportamentos e emoções características, como a raiva, a insegurança e comportamentos de investigação freqüentes na população. Contudo, as crenças, por serem flexíveis, não aparecem como uma certeza incontestável, e tendem a se enfraquecer juntamente com os comportamentos e emoções decorrentes frente a evidências não confirmatórias (Mullen & Martin, 1994; Ramos & Calegaro, 2001; Torres & cols., 1999; Costa, 2005; Menezes & Castro, 2001). Da mesma forma, os principais trabalhos encontrados na literatura científica descrevem o ciúme patológico como um transtorno psiquiátrico em que o paciente apresenta delírios de infidelidade e o desencadeamento de emoções extremas, como de raiva e insegurança, e a manifestação de comportamentos agressivos e violentos, assim como comportamentos de investigação raros na população de modo geral (Kingham & Gordon, 2004; Michael, Mirza, Mirza, Babu & Vithayathil, 1995; Torres & cols., 1999; Cobb & Marks, 1979; Soya & cols., 1991). Essas definições de ciúme romântico não-patológico e patológico sintetizam os pontos consensuais encontrados na literatura sobre o tema. Por isso, foram utilizadas para a elaboração dos itens do instrumento alvo deste trabalho.

Na literatura estrangeira é possível identificar um número razoável de instrumentos psicológicos cujo objetivo é a mensuração do ciúme romântico não-patológico (Sagarin & Guadagno, 2004; Ramos, Yazawa & Salazar, 1994). De um modo geral, esses instrumentos são de auto-relato em que os sujeitos atribuem suas respostas em uma escala do tipo Likert, e nem todos apresentam estudos sobre precisão. Alguns instrumentos, destinados à avaliação do relacionamento interpessoal de uma forma geral, incluem uma escala de ciúme romântico. Nesses casos, o ciúme romântico aparece como um aspecto do relacionamento interpessoal, e não como construto principal a ser avaliado (Ramos & cols., 1994).

Por outro lado, na literatura nacional foi encontrado um instrumento para avaliação do ciúme romântico não-patológico, desenvolvido por Ramos (Ramos & cols., 1994). Trata-se de um questionário composto por 59 itens que descrevem situações sociais de ciúme. Metade dos itens foi formulada na forma de afirmações sobre comportamentos ciumentos e metade na forma de afirmações sobre comportamentos não ciumentos. Os sujeitos atribuem suas respostas por meio de uma escala do tipo Likert de cinco pontos, no qual 1 equivale a "discordo completamente" e 5 a "concordo completamente". O instrumento foi confeccionado em duas versões: para homens e para mulheres.

A construção de um instrumento para avaliação do ciúme romântico, em sua manifestação patológica e não-patológica se justifica tanto pelas implicações sociais de sua manifestação, quanto científicas. O ciúme, em contexto de relacionamento amoroso, aparece como tema comum e freqüente em terapias de casal (Leite, 2001), assim como uma dificuldade de relacionamento nas terapias individuais (Costa, 2005). Ainda assim, mesmo no campo da psicologia clínica, estudos atuais sobre o ciúme são raros.

Também se deve atentar para o impacto social da manifestação do ciúme, especialmente no que se refere à sua associação com a violência, como sugerem os trabalhos de Michael e colaboradores (1995) e Guerra (2004). Qualquer relação permeada pelo ciúme pode se caracterizar pela violência, especialmente quando o ciúme é patológico. Kingham e Gordon (2004), por exemplo, afirmam que a violência doméstica é comumente resultado do ciúme, sobretudo sob sua manifestação patológica.

Um estudo realizado por Dell (1984) aponta que 17% dos casos de homicídios na Inglaterra são devidos ao ciúme. Resultados semelhantes foram encontrados por Guerra (2004), em um levantamento bibliográfico realizado na Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, que abordava temas de violência conjugal e intrafamiliar. Neste estudo, dos 115.000 processos criminais analisados (todos do ano de 1995), do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 15% eram de crimes contra a mulher envolvendo reações de ciúme romântico e, na maioria dos casos, o réu era o marido ou um parceiro amoroso. Esses dados sugerem que a relação entre violência e ciúme está mais presente em homens do que em mulheres.

Deste modo, o ciúme constitui uma problemática atual e freqüente, tanto socialmente quanto no contexto clínico. Por isso, Costa (2005) e Leite (2001) afirmam que é necessário investigar mais profundamente esse fenômeno e oferecer referenciais para a prática psicoterapêutica.

Uma das dificuldades para a realização de tais estudos é a inexistência de instrumentos para avaliação do ciúme romântico com boas propriedades psicométricas na cultura brasileira. Por isso, o presente estudo teve como objetivo a construção e a análise das propriedades psicométricas de uma escala para avaliar o ciúme romântico em suas manifestações patológica e não-patológica, nomeado inicialmente de Inventário de Ciúme Romântico (ICR).

Especificamente, foram realizados estudos de validade de conteúdo, construto e critério e de fidedignidade. No estudo de validade de conteúdo pretendeu-se verificar se os itens representavam de forma abrangente e equilibrada as definições de ciúme adotadas para a sua elaboração. No estudo de validade fatorial (construto) pretendeu-se investigar a possibilidade de formação de fatores subjacentes ao comportamento ciumento e, em caso positivo, identificar seus significados por meio da análise do conteúdo dos itens.

O estudo de validade de critério constituiu-se na investigação das correlações entre o ICR e os cinco grandes fatores de personalidade. Nesse estudo esperava-se encontrar correlações positivas e estatisticamente significativas entre fatores relacionados ao ciúme e o traço de neuroticismo. A expectativa dessa relação se deve ao fato de o traço de neuroticismo estar associado a características como instabilidade emocional, irritabilidade, depressividade, ansiedade, impulsividade, entre outras (Costa & cols., 2007), que comprometem a qualidade do relacionamento interpessoal de uma forma geral, incluindo o relacionamento amoroso. Isso nos faz supor que indivíduos com altos escores em neuroticismo também devem apresentar altos escores nos fatores de ciúme romântico. Por fim, a fidedignidade dos fatores formados foi investigada por meio do Coeficiente Alfa de Cronbach.

 

Método

Participantes

A amostra foi de conveniência dos pesquisadores, encontrada entre universitários e pós-graduandos de duas instituições particulares de ensino superior da cidade de São Paulo. Foram participantes da pesquisa 577 universitários, sendo 251 homens (43,5%) e 326 mulheres (56,5%), com idades entre 18 e 35 anos (M = 22,2; DP = 3,2).

Instrumentos

Foram utilizados dois instrumentos: o Inventário de Ciúme Romântico (ICR) e um inventário de personalidade baseado no modelo dos cinco grandes fatores (Hutz & cols., 1998). O ICR foi o instrumento alvo dessa pesquisa, por isso os passos seguidos em sua elaboração e sua forma final estão descritos nos procedimentos.

O inventário de personalidade baseado no Modelo dos Cinco Grandes Fatores (Hutz & cols., 1998) é constituído por 64 itens (adjetivos), que o sujeito é convidado a avaliar o quanto se aplicam ao seu caso, por meio de uma escala Likert de cinco pontos em que um ponto indica que o comportamento descrito na frase não se aplica ao caso do sujeitos e cinco pontos indicam que se aplica totalmente ao caso do sujeito. Esse instrumento apresentou validade fatorial e Coeficientes Alfa variando entre 0,78 e 0,88 (Hutz & cols., 1998). Suas escalas informam sobre os traços de extroversão, socialização, realização, neuroticismo e abertura à experiência.

Procedimentos

Os itens do Inventário de Ciúme Romântico (ICR) foram construídos com base em uma extensa revisão da literatura e a definição dos construtos avaliados. Ao todo, foram desenvolvidos 60 itens, construídos na forma da descrição de comportamentos direta ou inversamente relacionados ao ciúme, visando evitar a perda da atenção necessária por parte do respondente (Ramos & cols., 1994).

Para investigação das evidências de validade de conteúdo do instrumento, foram convidados cinco juízes, sendo três doutores em psicologia com experiência na área de pesquisa, um chefe de pesquisa em psicologia de uma instituição hospitalar e um profissional com experiência em avaliação psicológica. Cada juiz recebeu um formulário contendo as definições de ciúme romântico patológico e não-patológico adotadas neste trabalho, assim como a relação dos 60 itens elaborados pelos autores. Sua tarefa consistiu em verificar, independentemente, se os itens do inventário representavam equilibrada e objetivamente as definições de ciúme romântico e patológico adotadas neste trabalho. Caso concordasse com a pertinência e estrutura semântica da frase deveria assinalar a opção "sim". Ou, caso discordasse, deveria assinalar a opção "não" e apresentar sua sugestão de alteração.

Os itens do instrumento final foram distribuídos de forma randômica, e padronizados para serem respondidos por meio de uma escala Likert de cinco pontos, na qual 1 correspondia a uma afirmação "nada característica", 2 a uma afirmação "pouco característica", 3 a uma afirmação "característica", 4 a uma afirmação "muito característica" e 5 a uma afirmação "totalmente característica" do comportamento normalmente apresentado pelo respondente. Os participantes foram instruídos a basearem suas respostas em um relacionamento amoroso que tiveram, que tinham naquele período ou que gostariam de ter, conforme procedimento adotado por Buss e colaboradores (1992).

Os sujeitos foram abordados no campus das universidades, fora de situação de sala de aula, para aplicação dos instrumentos, ao longo de quatro meses. Foram esclarecidos quanto aos objetivos e procedimentos e, após concordarem em participar da pesquisa, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido elaborado conforme as recomendações do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição onde o projeto foi desenvolvido. As instruções estavam descritas no próprio instrumento e pelo menos um pesquisador permaneceu presente na aplicação, minimizando o risco de inadequações quanto aos procedimentos de aplicação. As pontuações e os dados demográficos dos sujeitos (idade e sexo) foram digitados em planilha eletrônica e analisados com auxílio do Statistical Package for Social Sciences (SPSS).

 

Resultados

O primeiro objetivo deste trabalho foi verificar a validade de conteúdo do instrumento por meio da avaliação de cinco juízes com larga experiência em pesquisa. Os 60 itens analisados foram aprovados por pelo menos quatro juízes, por isso, todos permaneceram na escala final. Contudo, de acordo com a indicação verbal dos juízes, alguns itens foram alterados para melhoria de sua construção gramatical.

Com vistas à identificação de possíveis fatores subjacentes ao ciúme, as pontuações dos sujeitos foram submetidas a uma análise fatorial exploratória. Para verificação da adequação da amostra à análise fatorial foi empregada a medida de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e o teste de esfericidade de Bartllet. O KMO foi de 0,89, indicando uma boa adequação dos dados à análise fatorial, e o teste de esfericidade de Bartlett foi significativo ao nível de 0,001 (x2=6105,0; gl=378), mostrando que houve correlações suficientes entre as variáveis para o emprego da análise fatorial.

Em seguida foi realizada uma análise fatorial exploratória, com extração dos fatores por análise dos componentes principais e rotação varimax. Foram incluídos apenas itens que apresentaram carga fatorial igual ou superior a 0,5 em apenas um fator. Com base nesses resultados foram calculadas as pontuações dos sujeitos nos fatores obtidos e as estatísticas descritivas de cada fator. A precisão de cada fator foi avaliada por meio do coeficiente alfa de Cronbach, a relação entre os fatores de ciúme foi investigada por meio de uma análise fatorial de segunda ordem e a relação dos fatores de ciúme com os traços de personalidade, foi investigada pelo Coeficiente de Correlação de Pearson. Os resultados são apresentados a seguir.

A análise fatorial exploratória extraiu seis fatores com eigenvalues acima de um, capazes de explicar 60,8% da variância total. Na Tabela 1 são apresentadas as cargas fatoriais, os eigenvalues e os coeficientes alfa de Cronbach dos fatores.

Observou-se que o primeiro Fator, com eigenvalue igual a 5,0, explicou 18,0% da variância total por meio de nove itens, cujas cargas fatoriais foram de 0,526 a 0,773, e com uma consistência interna de 0,89. O segundo Fator, com eigenvalue 4,2, explicou 15,1% da variância total por meio de sete itens, com cargas fatoriais de 0,587 a 0,824, e com uma consistência interna de 0,87. O terceiro Fator apresentou eigenvalue igual a 2,1, explicando 7,8% da variância total, por meio de três itens, com cargas fatoriais que vão de 0,699 a 0,774, e consistência interna de 0,76. O quarto Fator reuniu três itens, com cargas fatoriais que vão de 0,538 a 0,680, resultando em um eigenvalue de 2,1, correspondente a 7,5% da variância total, e com uma consistência interna de 0,72. O quinto Fator é representado por três itens, com cargas fatoriais que variam entre 0,677 e 0,758, resultando em um eigenvalue de 1,8, correspondente a 6,6% da variância total, e com uma consistência interna de 0,62. O sexto Fator é composto por dois itens, com cargas fatoriais iguais a 0,799 e 0,842, resultando em um eigenvalue de 1,6, correspondente a 5,7% da variância total, e com uma consistência interna de 0,72. A Tabela 2 apresenta as estatísticas descritivas dos seis fatores obtidos.

 

 

As pontuações do Fator 1, que teoricamente poderiam variar de 1 a 5, de fato variaram de 1 a 5, explorando toda a amplitude máxima possível, porém com baixa variabilidade (0,9). A média deste fator (2,5) situou-se pouco abaixo do ponto central da amplitude total (3,0). No segundo Fator, as pontuações também poderiam variar de 1 a 5, e a amplitude obtida também foi de 1 a 5, com média igual a 3,2 situada muito próxima ao ponto central da amplitude total (3,0), e baixa variabilidade (1,1). No Fator 3, assim como nos fatores anteriores, as pontuações podiam variar entre 1 e 5, e nesse grupo de sujeitos, também variaram de 1 a 5, com média igual a 3,1, muito próxima ao ponto central da amplitude total (3,0), e baixa variabilidade (1,4). No quarto Fator, as pontuações podiam variar de 1 a 5, e explorando a amplitude máxima possível, variaram de 1 a 5, com média igual a 2,1, portanto, abaixo do ponto central da amplitude total (3,0), e baixa variabilidade (0,8). As pontuações do Fator 5, que poderiam variar de 1 a 5, variaram de 1 a 5, explorando toda a amplitude máxima possível, porém com baixa variabilidade (0,5). A média deste fator, igual a 1,3, ficou bem abaixo do ponto central da amplitude total (3,0). Por fim, no sexto e último Fator, as pontuações também poderiam variar de 1 a 5, e a amplitude obtida também foi de 1 a 5, com média igual a 1,4, situada abaixo do ponto central da amplitude total (3,0), e baixa variabilidade (0,7).

 

 

O primeiro fator (F1 - ciúme romântico) englobou itens que descrevem a ocorrência de reações de ciúme romântico frente ao contato do parceiro ou parceira com possíveis rivais ou pela impossibilidade de manter algum tipo de contato ou comunicação com o parceiro ou parceira. O segundo fator (F2 - não ciúme) reuniu itens relacionados a não ocorrência de reações típicas do ciúme romântico. Da mesma forma, itens relacionados a não manifestação de comportamentos agressivos foram reunidos no terceiro fator (F3 - não agressão). O quarto fator (F4 - desconfiança) reuniu itens que descrevem o sentimento de desconfiança quando a comunicação ou obtenção de informações sobre o parceiro (onde ou com quem está) não é possível. Os itens do quinto fator (F5 - investigação) se referem à investigação do comportamento de objetos pessoais do parceiro. Finalmente, o último fator (F6 - insegurança) reuniu itens que se referem à insegurança em relação ao vínculo afetivo que o parceiro estabelece no relacionamento.

Para verificação da possibilidade de reagrupamento dos seis fatores primários em fatores de segunda ordem, procedeu-se a uma análise fatorial de segunda ordem. Obtiveram-se dois fatores com eigenvalues acima de 1,5, capazes de explicar 63,4% da variância total. As cargas fatoriais da matriz rotada são apresentadas na tabela 3.

Pode-se observar a formação de dois fatores de segunda ordem (FSO) relacionados a ocorrência (FSO1 - ciúme) e a não ocorrência (FSO2 - não ciúme) de reações de ciúme romântico, respectivamente. A relação dos seis fatores primários e dos dois secundários com os cinco grandes fatores de personalidade foi investigada por meio da correlação entre o ICR e o Inventário de Personalidade. A Tabela 4 apresenta os Coeficientes de Correlação de Pearson os dois instrumentos.

 

 

Constatou-se que houve correlação positiva e estatisticamente significativa entre o fator Extroversão e os fatores de Ciúme Romântico (F1), Insegurança (F6) e a pontuação total em ciúme (FSO1). Também foram encontradas correlações significativas e positivas entre o fator Neuroticismo e os fatores Ciúme Romântico (F1), Desconfiança (F4), Investigação (F5), Insegurança (F6) e a pontuação total em ciúme (FSO1).

Esses resultados foram interpretados a luz das informações obtidas com base na revisão de literatura e nas informações sobre propriedades psicométricas de instrumentos de medida. Os comentários são apresentados a seguir.

 

 

Discussão

De um modo geral os resultados deste estudo revelam que a escala apresentou boas propriedades psicométricas, embora ainda possa ser melhorada, conforme indicações sugeridas ao final deste trabalho. Ao lado disso, esses resultados corroboram e acrescentam informações às encontradas na literatura cientifica sobre o tema.

Sobre o estudo de validade de conteúdo pode-se concluir que os itens que compunham a escala inicial eram bons representantes das reações descritas na literatura sobre o ciúme romântico, patológico e não-patológico. No entanto, essa operacionalização, embora necessária, é insuficiente como indicadora da adequação das propriedades psicométricas do instrumento. Por isso, a escala foi aplicada em um grande número de pessoas para verificação das relações que as pontuações dos sujeitos estabelecem com a teoria, via análise fatorial (validade de construto) e com outras informações sobre o sujeito (validade de critério).

A partir da análise dos dados obtidos foram encontrados seis componentes do ciúme romântico. A maioria dos itens do primeiro fator se refere a uma reação de ciúme frente a situações de contato, direto ou indireto, do parceiro com outra pessoa (um rival em potencial). Esse fator é compatível com a definição de ciúme romântico como uma reação frente à ameaça de um rival a um relacionamento amoroso (Kingham & Gordon, 2004; Costa, 2005; Menezes & Castro, 2001). Por isso recebeu a denominação de Ciúme Romântico.

O segundo fator, denominado Não-Ciúme, é representado por itens que retratam situações nas quais o indivíduo não apresenta reações de ciúme romântico. Este grupo de itens retrata reações opostas àquelas relatadas na literatura como típicas do ciúme romântico. No entanto, indivíduos com pontuações altas no fator 2 e baixas no fator 1, podem ter dificuldade em identificar uma ameaça real a um relacionamento amoroso, já que, como aponta Buss (2001), o ciúme romântico é um mecanismo que visa sinalizar possíveis rivais ao relacionamento de um casal. Se o ciúme for entendido como uma reação natural que visa proteger o relacionamento da possibilidade de infidelidade, então sua falta pode significar um déficit que levaria uma pessoa a reagir de forma ingênua frente a evidências reais de infidelidade amorosa e sexual.

O fator 3 (Não-Agressão), semelhante ao anterior, é representado por itens que descrevem reações opostas às de agressividade em situações de ciúme. Embora esse fator tenha se referido ao comportamento não agressivo, supõe-se que pessoas ciumentas tenham maior tendência a apresentar pontuações baixas, o que seria compatível com a freqüência com que o comportamento agressivo é associado ao ciúme em relatos científicos, sobretudo na manifestação patológica do ciúme romântico (Kingham & Gordon, 2004).

O fator 4, Desconfiança, se refere a situações nas quais o indivíduo não consegue estabelecer contato com seu parceiro e, por isso, reage com desconfiança em relação a ele. Esse fator também é compatível com dados da literatura científica, que apontam que o aparecimento da desconfiança aumenta consideravelmente a probabilidade de que o ciúme se manifeste (Torres & cols., 1999). Tal é a importância da desconfiança no ciúme romântico, que alguns autores chegam a considerá-la mesmo como uma reação precipitadora, na ausência da qual o ciúme romântico não se manifesta (Michael, 1995).

O fator 5 (Investigação) é representado por itens que retratam comportamentos de investigação em relação ao parceiro amoroso. Estes comportamentos (como, por exemplo, contratar um detetive para seguir o parceiro), são freqüentes na manifestação patológica do ciúme romântico e não são comportamentos comuns na sociedade de um modo geral (Kingham & Gordon, 2004; Soya & cols., 1991; Torres & cols., 1999).

Por fim, o fator 6 (Insegurança) reuniu itens que se referem à insegurança em relação ao vínculo afetivo que o parceiro estabelece no relacionamento. É possível que esta preocupação tenha suas raízes na baixa auto-estima, gerando uma insegurança perante o parceiro no relacionamento. Mullen & Martin (1994) já destacaram a importância da auto-estima como um dos fatores desencadeantes das reações de ciúme romântico.

A análise fatorial de segunda ordem apontou dois fatores: um que reuniu as dimensões frequentemente citadas na literatura internacional como componentes do ciúme romântico, e outro que reuniu duas dimensões opostas às típicas do ciúme romântico (Mullen & Martin, 1994; Kingham & Gordon, 2004). Esses dados permitem a contagem de duas pontuações adicionais, uma relacionada à intensidade do ciúme e outra a sua ausência.

A fidedignidade dessas escalas mostra que os dois primeiros fatores e os dois fatores de segunda ordem podem ser considerados como bastante consistentes. De fato, essas foram as dimensões que reuniram um maior número de itens e, portanto, conjugaram a representatividade de reações relacionadas aos construtos com grande porcentagem de covariância entre as pontuações atribuídas pelos sujeitos aos itens que as compõem.

O terceiro, o quarto e o sexto fator apresentaram consistências aceitáveis, apesar de um baixo número de itens. Isto quer dizer que os itens que compõem cada escala apresentam uma quantidade de covariância razoável, ainda que descrevam poucas reações típicas de cada faceta do ciúme romântico. Apenas o quinto fator apresentou baixa consistência interna, mostrando que além de descrever poucas reações relacionadas ao construto, as pontuações atribuídas pelos sujeitos a essas reações apresentam covariância insuficiente.

A partir da definição da formação dos seis fatores específicos e dois fatores gerais, procedeu-se o estudo de validade de critério, investigando-se as correlações entre essas dimensões do ciúme e os cinco grandes fatores de personalidade. Como era esperado, todos os fatores relacionados à ocorrência de reações de ciúme (Ciúme romântico, Desconfiança, Investigação e Insegurança) se correlacionaram positiva e significativamente com o traço de neuroticismo. Este dado aponta que indivíduos com pontuações altas em ciúme também atribuíram pontuações altas nos marcadores de neuroticismo: pessimismo, aborrecimento, egoísmo, infelicidade, depressão, insegurança, antipatia, solidão, ansiedade e tristeza (Hutz & cols., 1998). Costa e colaboradores (2007) dizem que indivíduos com altas pontuações em neuroticismo apresentam tendência geral para experimentar afetos negativos, como medo, tristeza, vergonha, raiva, culpa e nojo. Os resultados encontrados no presente trabalho fazem crer que o ciúme possa ser incluído nesta lista.

Outra característica comum às reações de ciúme romântico e ao neuroticismo é a propensão à apresentação de idéias irracionais e a dificuldade no controle dos impulsos (Costa & cols., 2007). Esses dados apóiam resultados obtidos em pesquisas anteriores que encontraram traços mais elevados de ansiedade e impulsividade em indivíduos que manifestam comportamentos extremamente disfuncionais de ciúme, caracterizando o ciúme patológico (Kingham & Gordon, 2004; Torres & cols., 1999).

É importante observar que pessoas que não manifestam reações de ciúme romântico não são necessariamente estáveis emocionalmente (não neurótico), mas o neuroticismo parece estar associado à ocorrência de ciúme em relacionamentos amorosos. Por isso, pode-se levantar a hipótese sobre a influência do grau de neuroticismo na manifestação patológica ou não do ciúme. Estudos futuros podem averiguar de maneira mais aprofundada esta relação entre a manifestação do ciúme romântico e o nível de neuroticismo.

Também foram observadas relações entre ciúme romântico, insegurança e a pontuação total em ciúme e o fator extroversão. Embora essas correlações tenham sido de baixa magnitude, pode-se levantar hipóteses explicativas para essa ocorrência. Como o ciúme romântico é definido como uma reação frente à ameaça de um rival a um relacionamento amoroso considerado importante, envolve necessariamente contato com outras pessoas. Uma das características dos extrovertidos é justamente a quantidade e intensidade de relacionamentos sociais. Por isso, pode-se supor que essas pessoas estejam estatisticamente mais propensas a reações de ciúme pela quantidade de relacionamentos que estabelecem.

Esta hipótese está em acordo com a proposta de DeSteno e Salovey (1996), que afirmam que aspectos presentes ou não no ambiente (sobretudo a presença de outras pessoas), influenciam a manifestação do ciúme romântico. Assim, é possível que indivíduos com maior experiência e contato social se exponham, mais que indivíduos introvertidos, a situações que desencadeiam o ciúme.

 

Considerações finais

Este estudo teve como objetivo a construção de uma escala para avaliar o ciúme romântico, patológico e não patológico, assim como a análise de evidências de validade e fidedignidade desta escala. Os resultados podem ser considerados encorajadores, embora uma revisão da escala seja necessária.

Para a obtenção de um instrumento com boas propriedades psicométricas foi necessário eliminar mais da metade dos itens do instrumento original. Isto fez com que algumas escalas ficassem com um número muito pequeno de itens, o que prejudica a representatibilidade de construto obtida no estudo de validade de conteúdo. O investimento na elaboração de mais itens para essas escalas pode ser um caminho interessante também para o incremento do coeficiente de consistência interna.

Ao lado disso, dois fatores foram constituídos por itens que descrevem reações inversas à ocorrência de ciúme. Esperava-se que esses itens se agrupassem em fatores relacionados ao ciúme, mas com cargas negativas. Contudo, isso não foi observado, talvez, pelo excesso de itens com essas características. Esta é outra inadequação que justifica e aponta a necessidade de uma revisão da escala atual.

Pelo lado positivo, a escala apresentou bons indicadores de validade, tanto interna quanto externa. As recomendações de cautela com o uso da escala se referem mais a quatro dos seis fatores primários encontrados. No entanto, os dois fatores de segunda ordem podem ser considerados bons indicadores da presença ou não de reações típicas do ciúme romântico. Esses resultados foram obtidos com um grande número de pessoas, o que favorece a generalização dos resultados encontrados para uma população com características semelhantes às desse estudo.

 

Referências

Buss, D. M. (2001). Cognitive Biases and Emotional Wisdom in the Evolution of Conflict Between the Sexes. Current Directions in Psychological Science, 6, 219-253.

Buss, D. M., Larsen, R. J., Westen, D., & Semmelronth, J. (1992). Sex differences in Jealousy: Evolution, Psysiology, and Psychology. Psychological Science, 4, 251-255.

Cobb, J., & Marrs, I. (1979). Morbid Jealousy featuring as obsessive-compulsive neurosis: treatment by behavioural psychotherapy. British Journal of Psychiatry, 133, 679-983.

Costa, N. (2005). Contribuições da Psicologia Evolutiva e da Análise do Comportamento Acerca do Ciúme. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 1, 005-013.

Costa, P. T., McCrae, R. R., Flores-Mendoza, C. E., Primi, R., Nascimento, E., & Nunes, C. H. S. S. (2007). Inventário de Personalidade NEO Revisado - Manual Profissional para uso no Brasil. São Paulo, SP: Vetor Editora.

Dell, S. (1984) Murder into Manslaughter. Oxford: Oxford University Press.

DesSteno, D. A. & Salovey, P. (1996). Evolutionary Origins of Sex Differences in Jealousy? Psychological Science, n. 6, p. 367-372.

Guerra, C. (2004). Violência conjugal e intrafamiliar: alguns dados de mundo, Brasil, Minas Gerais e Uberlândia. Estudo da Universidade Federal de Uberlândia.

Harris, C. R. (2005). Male end Female Jealousy, Still More Similar than Different: Replay to Sagarin. Personality and Social Psychology Review, 1, 76-86.

Holtzworth-Munroe, A. & Hutchinson, G. (1993). Attributing Negative Intent to Wife Behavior: The Attributions of Maritally Violent Versus Nonviolent Men. Journal of Abnormal Psychology, 102 (2), 206-211.

Holtzworth-Munroe, A., Stuart, G. L. & Hutchinson, G. (1997). Violent versus nonviolent husbands: Differences in attachment patterns, dependency, and jealousy. Journal of Family Psychology, 11, 314-331.

Hutz, C. S., Nunes, C. H., Silveira, A. D., Serra, J., Anton, M. & Wieczorek, L. S. (1998). O desenvolvimento de marcadores para avaliação da personalidade no modelo dos cinco fatores. Psicologia: Reflexão e Crítica, n. 2, p. 395-411.

Kingham, M., & Gordon, H. (2004). Aspects of morbid jealousy. Advances in Psychiatric Treatment, 3, 207-215.

Leite, S. M. C. S. (2001). Ciúme e Inveja: A visão Comportamental. Em Wielenska, R. C. (Ed.), Sobre comportamento e cognição - volume 6: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contextos. Santo André: Esetec.

Menezes, A. & Castro, F. (2001). Notas sobre o ciúme romântico: uma abordagem analítico-comportamental. 2001. Trabalho apresentado como parte dos requisitos da disciplina Subjetividade e Comportamento do Curso de Psicologia - Universidade Federal do Paraná, Paraná.

Michael, A., Mirza, S., Mirza, K. A. H., Babu, V. S., & Vithayathil, E. (1995). Morbid Jealousy in Alcoholism. The British Journal of Psychiatry, 5, 668-672.

Mullen, P. E., & Martin, J. (1994). Jealousy: A Community Study. British Journal of Psychiatry, 1, 35-43.

Murphy, C. M., Meyer, S. L. & O´Leary, K. D. (1994). Dependency characteristics of partner assaultive men. Journal of Abnormal Psychology, 103, 729-735.

Pace, B. P. (1998). Jealousy as a Diesease. JAMA The Journal of the American Medical Association, 18, 1438J.

Parrott, W., Gerroldl, S., & Richard, H. (1993). Distinguishing the Experiences of Envy and Jealousy. Journal of Personality and Social Psychology, 6, 906-920.

Ramos, A. L. M., & Calegaro, M. (2001). Resenha: A Paixão Perigosa: Por Que o Ciúme é Tão Necessário Quanto o Amor e o Sexo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 3, 293-295.

Ramos, A. L. M., Yazawa, S. A. K., & Salazar, A. F. (1994). Desenvolvimento de uma escala de ciúme romântico. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 3, 439-451.

Sagarin, B. J., & Guadagno, R. E. (2004). Sex differences in the contexts of extreme jealousy. Personal Relationships, 3, 319-328.

Sharpsteen, D.J. & Kirkpatrick, L.A. (1997). Romantic jealousy and adult romantic attachment. Journal of Personality and Social Psychology, 72, 627-640

Soyka, M., Naber, G. & Völcker, A. (1991). Prevalence of Delusional Jealousy in Different Psychiatric Disorders. British Journal of Psychiatry, 158, 549-553.

Todd, J., Mackie, J. R. M., & Dewhurst, K. (1971). Real or Imaginary Hypophallism: A Cause of Inferiority Feelings and Morbid Sexual Jealousy. British Journal of Psychiatry, 119, 315-318.

Torres, A. R., Ramos-Cerqueira, A. T. A., & Dias, R. S. (1999). O ciúme enquanto sintoma do transtorno obsessivo-compulsivo. Revista Brasileira de Psiquiatria, 3, 158-173.

Warren, H. C. (1993). Diccionario de Psicología. 2. ed. México: Fondo de Cultura Econômica.

 

 

Endereço para correspondência
E-mails: lucas@labape.com.br

Recebido em Setembro de 2007
Reformulado em Setembro de 2008
Aceito em Outubro de 2008

 

 

Sobre os autores:

* Lucas de Francisco Carvalho: graduado em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestrando em Psicologia pela Universidade São Francisco.
** José Maurício Haas Bueno; mestre e doutorando pela Universidade São Francisco; docente do Curso de Psicologia da Universidade São Francisco.
*** Fernanda Kebleris: graduada em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
1 O termo "emoção negativa" é freqüentemente utilizado para se referir às reações humanas que parecem ser de difícil controle e que não se deseja manifestar, o que pode explicar o ciúme em relacionamentos amorosos ser tratado deste modo por alguns autores (Buss, 2001).