SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.9 número1SOBRE O ENSINO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICACONSIDERAÇÕES SOBRE O USO DO TESTE DA CASA-ÁRVORE-PESSOA - HTP índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Avaliação Psicológica

versão impressa ISSN 1677-0471

Aval. psicol. vol.9 no.1 Porto Alegre abr. 2010

 

 

Lançamento do SDS - Questionário de Busca Autodirigida

 

 

Maiana Farias Oliveira NunesI; Camélia Murgo MansãoII

IUniversidade Federal do Rio Grande do Sul
IIUniversidade São Francisco

 

 

Em Dezembro de 2009 o SDS- Questionário de Busca Autodirigida recebeu parecer favorável para uso profissional do psicólogo pelo Conselho Federal de Psicologia. Esse instrumento está sendo lançado pela Casa do Psicólogo e é recomendado para profissionais que atuam com Orientação Profissional, sendo especialmente útil para o trabalho com jovens em fase de escolha da profissão.

O SDS é um instrumento de avaliação dos interesses profissionais, que foi desenvolvido nos Estados Unidos por Holland, Fritzsche e Powell (1994) e adaptado para o Brasil por Mansão (2005). Em seu manual técnico brasileiro são relatadas diversas pesquisas com foco em evidências de validade e precisão (Primi, Mansão, Muniz & Nunes, 2010). O SDS possui 212 itens, que são divididos em quatro seções, que avaliam o interesse por atividades profissionais, as competências que a pessoa acha que tem ou que pode vir a desenvolver, as carreiras profissionais que gostaria de seguir e uma autoavaliação das habilidades. Trata-se de um instrumento autoaplicável e autocorrigível, em que os resultados permitem a identificação do Código de Holland, que representa os tipos de interesses mais destacados na pessoa. Adicionalmente, o kit do SDS possui um caderno de carreiras, que apresenta diversas ocupações correspondentes a interesses variados, e também um caderno que oferece instruções sobre como se preparar e obter informações que facilitem a escolha da profissão.

Esse instrumento se propõe a avaliar seis tipos de interesses profissionais, que refletem a expressão das características de personalidade no contexto do trabalho. Os tipos de interesse são denominados Realista, Investigativo, Artístico, Social, Empreendedor e Convencional, e são conhecidos pela abreviação RIASEC. O Realista trata de interesse por objetos concretos, o uso de força física, o trabalho com máquinas e equipamentos; o Investigativo foca em tarefas intelectuais, com a resolução de problemas complexos e o uso da imaginação; o Artístico aborda o interesse por atividades em que há o uso da criatividade e espontaneidade; o Social envolve o interesse por tarefas assistenciais e que promovem o bem-estar dos outros; o Empreendedor descreve interesse por liderar, por se comunicar constantemente e o gosto por atividades dinâmicas; o Convencional aborda o interesse por matemática, tarefas burocráticas e que possuem regras claras.

A análise da dimensionalidade do SDS (Primi, Mansão, Muniz & Nunes, 2010) revelou que os seis tipos de interesse propostos por Holland puderam ser recuperados na versão brasileira, ainda que a ordem dos fatores não tenha sido a mesma da observada por Holland (ao invés da ordem RIASEC, encontrou-se CARISE). A precisão, analisada pelo Alfa de Cronbach, esteve acima de 0,80 para todas as escalas.

Sobre as outras evidências de validade, o SDS apresentou validade convergente com alguns instrumentos de avaliação de interesses, quais sejam, o LIP (Levantamento de Interesses Profissionais), o QVI (Questionário Vocacional de Interesses), o Inventário de Interesses Thrustone-Angelini e a EAP (Escala de Aconselhamento Profissional). Verificouse também validade divergente com uma bateria de avaliação de habilidades cognitivas, a Bateria de Provas de Raciocínio, BPR-5 (Mansão, 2005; Sartori, 2007). Ainda, foi realizado um estudo com o Teste de Fotos de Profissões, BBT-Br, em que se observaram algumas associações entre os fatores propostos pelo BBT-Br e os tipos de Holland (Okino, 2009).

Foi investigada também a relação dos interesses profissionais com dificuldades de escolha profissional, sendo observado que a imaturidade para a escolha se relacionou com a indiferenciação de perfis do SDS, ou seja, são os casos em que o respondente apresenta escores altos em todos os tipos ou baixos em todos os tipos (Primi & cols, 2001). Ainda, foram encontradas correlações significativas com os fatores de personalidade avaliados pelo Inventário Fatorial de Personalidade, auxiliando na interpretação dos tipos de interesse propostos por Holland (Primi, Moggi & Castellato, 2004). No manual, é descrito também um estudo sobre a relação entre os interesses profissionais e as intenções de escolha da profissão (Negretti, 2007), além de um estudo sobre a relação dos interesses com a autoeficácia para atividades ocupacionais (Nunes, 2009).

Desse modo, o SDS mostra-se como um instrumento de grande valia para os psicólogos, uma vez que apresenta propriedades psicométricas adequadas e que tem mostrado resultados favoráveis em pesquisas e intervenções nacionais e estrangeiras.

 

REFERÊNCIAS

Holland, J. L.; Fritzsche, B. A. & Powell, A. B. (1994). SDS Self-Directed Search Technical Manual. Florida: Psychological Assessment Resources, Inc.

Mansão, C. S. M. (2005). Interesses profissionais: validação do Self-Directed Search Career Explorer-SDS (Tese de Doutorado). Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Negretti, F. (2007). Relação entre área de interesse e escolha profissional de estudantes de Ensino Médio. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade São Francisco, Itatiba, SP.

Nunes, M. F. O. (2009). Estudos psicométricos da Escala de auto-eficácia para atividades ocupacionais. Tese de doutorado não publicada,Universidade São Francisco, Itatiba- SP

Okino, E. T. K. (2009). O SDS e o BBT-Br em Orientação Profissional: Evidências de validade e precisão. Tese de doutorado não publicada, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto-SP.

Primi, R; Mansão, C. M.; Muniz, M.; & Nunes, M. F. O. (2010). SDS- Questionário de Busca Autodirigida. Manual Técnico da versão brasileira. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Primi, R.; Moggi, M. A.; & Caselato, E. O. (2004). Estudo correlacional do Inventário de Busca Autodirigida (Self-Directed Search) com o IFP. Psicologia Escolar e Educacional, 8(1), 47-54.

Primi, R.; Pelegrini, M. C. K. ; Nucci, E. P.; Bighetti, C. A.; Munhoz, A. M. H.; & Moggi, M. A. (2001). Características de personalidade e indecisão profissional. Psico, 32(1), 81-96.

Sartori, F. A. (2007). Estudo correlacional entre a Escala de AconselhamentoProfissional (EAP) e o SDS. Dissertação de mestrado não publicada,Universidade São Francisco, Itatiba- SP.

 

 

SOBRE AS AUTORAS:

Maiana Farias Oliveira Nunes: psicóloga pela Faculdade Ruy Barbosa, mestre e doutora em Psicologia pela Universidade São Francisco. Atualmente faz pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com bolsa do Cnpq. Email: maiananunes@mac.com
Camélia Murgo Mansão: psicóloga pela Universidade do Sagrado Coração, mestre e doutora pela Pontifícia Universidade de Campinas. Realiza atualmente estudos de pós-doutoramento em Psicologia com ênfase em Orientação Profissional na Universidade São Francisco com bolsa da FAPESP. Email: camansao@hotmail.com

Creative Commons License