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Revista Brasileira de Orientação Profissional

versão On-line ISSN 1984-7270

Rev. bras. orientac. prof vol.13 no.1 São Paulo jun. 2012

 

ARTIGO

 

Finanças nos cursos de Administração: Análise do interesse pessoal discente

 

Finance in Business Courses: Analysis of student interest

 

Finanzas en los Cursos de Administración: Análisis del Interés del Personal Discente

 

 

Márcio Moutinho Abdalla1; Carlos Eduardo Franco Azevedo; Rafael Kuramoto Gonzalez; Leonel Gois Lima Oliveira; Rodrigo Carvalho Nippes

Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro-RJ, Brasil

 

 


RESUMO

Objetivou-se avaliar o interesse de estudantes de graduação em Administração pela área de Finanças. Foram empregados cinco construtos (Conhecimento Técnico, Relevância Prática, Qualidade do Docente, Relevância Interdisciplinar e Interesse na Carreira), tendo-se, a priori, a proposição de que cada um deles deveria impactar positivamente no interesse dos alunos. A amostra é composta de 303 estudantes de instituições de ensino superior, públicas e privadas, de quatro Estados brasileiros. Os dados foram tratados por meio da análise fatorial exploratória, da regressão linear múltipla e da análise de clusters. Entre os principais resultados, observou-se que as proposições formuladas não foram rejeitadas, comprovando a influência positiva dos cinco construtos no interesse dos estudantes. A análise de clusters revelou três grupos: entusiastas, interessados e avessos à disciplina.

Palavras-chave: administração, formação profissional, medidas do interesse profissional, finanças


ABSTRACT

The objective of this study was to evaluate the interest of Business Administration undergraduate students in the Finance area. To achieve this objective, five constructs were used (Technical Knowledge, Practice Relevance, Teacher Quality, Interdisciplinary Relevance and Career Interest), assuming that each construct should impact positively the students´ interest. The sample consisted of 303 students, from public and private higher educational institutions, in four Brazilian States. Data were analyzed by means of factor analysis, multiple linear regression analysis and cluster analysis. The main results indicated that the propositions were not rejected, so confirming the positive influence of the five constructs on the students´ interest. Cluster analysis revealed three groups: enthusiastic, interested and averse to discipline.

Keywords: management, education, career interest measures, finance


RESUMEN

Se trató de evaluar el interés de estudiantes de graduación en Administración por el área de Finanzas. Se emplearon cinco constructos (Conocimiento Técnico, Relevancia Práctica, Calidad del Docente, Relevancia Interdisciplinaria e Interés en la Carrera) teniéndose, a priori, la proposición de que cada uno de ellos debería impactar positivamente en el interés de los alumnos. La muestra se compuso con 303 estudiantes de instituciones de enseñanza superior, públicas y privadas, de cuatro Estados brasileños. Los datos se trataron por medio del análisis factorial exploratorio, de la regresión lineal múltiple y del análisis de clusters. Entre los principales resultados se observó que las proposiciones formuladas no fueron rechazadas, comprobando la influencia positiva de los cinco constructos en el interés de los estudiantes. El análisis de clusters reveló tres grupos: entusiastas, interesados y contrarios a la disciplina.

Palabras clave: administración, formación profesional, medidas de interés profesional, finanzas


 

 

As estruturas dos cursos de Administração no Brasil possuem uma reconhecida complexidade, mesmo com esforços contínuos de diversas instituições de ensino superior para um melhor conhecimento da área de Ensino e Pesquisa em Administração. Em virtude disso, até o final dos anos 90, verifica-se uma baixa produção científica quanto à formação acadêmica em Administração (Nicolini, 2003). Atualmente, observa-se um crescimento no interesse dos acadêmicos pelo campo do ensino e da pesquisa em Administração. A título de exemplo, pode-se citar o evento acadêmico dedicado ao tema (EnEPQ - Encontro de Ensino e Pesquisa em Administração e Contabilidade), além do incremento de publicações em revistas acadêmicas especializadas (RAEP - Revista Administração: Ensino e Pesquisa e a Revista Brasileira de Docência, Ensino e Pesquisa em Administração).

A análise das diretrizes curriculares nos cursos de graduação permite dividir as disciplinas como de suporte (Psicologia, Economia, além de outras), de conhecimentos da atividade gerencial (Marketing, Finanças, Logística, etc.), sendo elas obrigatórias ou eletivas, além de estágios supervisionados e atividades complementares (Amboni, Andrade, & Lima, 2009; Nicolini, 2003; Resolução CNE/CSE 4/2005). Assim, faz-se necessário uma melhor delimitação do artigo, a qual será feita segundo procedimentos adotados em estudos semelhantes que analisaram a área de Recursos Humanos, Produção e Operações, Logística, Marketing e Contábil (Costa, Lima, & Andrade, 2008; Costa, Paiva, Rocha, & Ramos, 2011; Costa, Pinto, Oliveira, Andrade, & Oliveira, 2008; Costa & Oliveira, 2009; Costa, Ramos, Mazza, & Plutarco, 2009). Neste trabalho, decidiu-se enfatizar a área de Finanças, por não ter sido especificamente objeto de estudos anteriores, além de se constituir em uma das principais áreas de concentração do conhecimento em Administração.

Buscou-se analisar a visão dos alunos com foco específico na formação universitária na área de finanças, a qual consiste numa área funcional que vem ocupando maior espaço, gradativamente, no cenário acadêmico de Administração. A título de ilustração, citam-se organizações que possuem um interesse específico na área, tais como: o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) e a Sociedade Brasileira de Finanças (SBFIN). O primeiro apresenta, como objeto de atenção, o desenvolvimento de executivos na área de finanças, desenvolvendo o IBEF Jovem para seus membros. Para o IBEF, a organização possui, como público alvo, os estudantes de graduação em administração, embora enfoque principalmente, os pós-graduados na área de finanças (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças [IBEF], 2011). A SBFIN consiste numa instituição que visa incentivar a realização de estudos na área, bem como promover a formação acadêmica (Sociedade Brasileira de Finanças [SBFIN], 2011). No cenário internacional, encontram-se organizações com escopo semelhante como, por exemplo, o Financial Executives Institute.

Considerando que os estudantes de cursos de Administração sejam os agentes mais fortemente preocupados com as exigências de sua formação, esta pesquisa terá como objetivo principal analisar o interesse dos mesmos pela área de Finanças. Para atingir tal finalidade, definiram-se os seguintes objetivos específicos: (a) avaliar o interesse dos estudantes pelas disciplinas da área de Finanças; (b) analisar os principais fatores de influência sobre este interesse por meio de uma análise fatorial exploratória; (c) caracterizar agrupamento de estudantes por meio de uma análise de clusters.

Para proceder à análise foi necessário delimitar academicamente a área de Finanças, optando-se por destacar as disciplinas principais e recorrentes dos cursos, como Matemática Financeira, Finanças Corporativas, Administração Financeira e Orçamentária, Análise de Investimentos, além de outras denominações que possam aparecer nas matrizes curriculares dos cursos de graduação em Administração (Amboni et al., 2009).

Deste modo, o trabalho tem por objetivo central, investigar como os construtos interesse na carreira, relevância teoria-prática, relevância interdisciplinar, conhecimentos técnicos adquiridos e qualidade dos professores relacionam-se com o interesse pessoal pela área de finanças por estudantes de cursos de graduação em Administração.

O trabalho foi segmentado em quatro seções: a seguinte traz a revisão de literatura, enfatizando o processo de formação em Administração, no debate sobre a área de Finanças, a importância do professor na formação dos estudantes e nas demarcações dos tópicos do estudo empírico; na segunda parte, apresentam-se as decisões e os procedimentos metodológicos adotados no trabalho de campo desenvolvido; a terceira parte apresenta as análises e os resultados dos dados coletados; e, por último, são apresentadas as conclusões do estudo, com suas implicações, limitações e recomendações para futuras pesquisas.

Revisão teórica

Neste tópico, optou-se por apresentar algumas considerações da literatura especializada sobre a formação em Finanças, inserindo-se, também, o debate sobre o papel do professor na formação dos estudantes. Acredita-se que esta discussão trará maior profundidade às pesquisas sobre o tema. A seguir, apresentar-se-ão as delimitações e os recortes para o trabalho de campo.

Debate sobre Finanças

Finanças, de acordo com Bodie e Merton (2002, p. 32), "é o estudo de como as pessoas alocam recursos escassos ao longo do tempo". Dessa maneira, o seu conhecimento não é utilizado apenas na administração de negócios, mas engloba também a administração dos recursos pessoais, uma vez que os indivíduos estão, a todo o tempo, em busca de melhores formas de alocar recursos, como o seu tempo e a sua renda disponível.

Assim, a teoria financeira fica estabelecida como sendo um conjunto de conceitos que auxiliam na organização do pensamento dos indivíduos sobre como alocar recursos ao longo do tempo, e um conjunto de modelos quantitativos que ajudam a avaliar alternativas, e tomar e implementar decisões (Bodie & Merton, 2002). De acordo com Gitman (2004), o campo de Finanças pode ser definido como a arte e a ciência de administrar fundos. E praticamente, todas as pessoas e organizações obtêm recursos financeiros ou levantam fundos, consomem ou investem.

Quanto à sua abrangência, o campo de Finanças ocupa-se de áreas como processo, instituições, mercados e instrumentos envolvidos na transferência de recursos entre pessoas, empresas e governos. Dessa maneira, a análise financeira provê os meios para tornar flexíveis e corretas as decisões acerca de investimentos, no momento apropriado e mais vantajoso. Para Gitman (2004), as principais áreas de finanças podem ser divididas em duas amplas partes, de acordo com as oportunidades de carreira: os Serviços Financeiros e a Administração Financeira.

A área de Serviços Financeiros destina-se a concepção e a prestação de assessoria, bem como a entrega de produtos financeiros aos indivíduos e às organizações (empresas e governo). Já a Administração Financeira refere-se às responsabilidades das organizações. Os administradores financeiros, dessa forma, gerenciam, ativamente, as finanças de todos os tipos de empresas, desempenhando uma variedade de tarefas, tais como: (a) orçamentos; (b) previsões financeiras; (c) administração; (d) administração do crédito; (e) análise de investimentos; e (f) captação de fundos (Gitman, 2004).

Gropelli e Nikbakht (1998) acreditam que, para serem bem sucedidos, os administradores financeiros devem se envolver com as mudanças que ocorrem, constantemente, no campo das finanças, ou seja, devem ser responsáveis pelo reconhecimento e respostas aos fatores de mudanças em todos os ambientes, sejam eles privados, públicos ou financeiros. Um bom profissional da área de finanças deve ter domínio de três áreas inter-relacionadas: (a) mercados de capital e instituições, enfocando os mercados de títulos e as instituições financeiras; (b) investimentos, onde são abordadas as decisões de investidores individuais e uma carteira de investimentos; e (c) administração financeira, que envolve as decisões financeiras dentro das organizações em termos de financiamento e gerenciamento do caixa. Esta é a mais ampla das três no que se refere às oportunidades de carreira, embora deva ser ressaltado que um profissional da área necessita de conhecimento das três áreas para compreender o seu inter-relacionamento (Brigham & Houston, 1999; Brigham, Gapenski, & Ehrhardt, 2001).

A área de Finanças Internacionais é acrescentada por Ross, Westerfield e Jordan (2000), apenas como uma especialização das outras três áreas. A atuação é centrada somente em negociações financeiras em multinacionais, relacionadas com taxa de câmbio e risco político. Destaca-se que a Administração Financeira é uma atividade orientada por objetivos. Em outras palavras, as ações do administrador financeiro relativas ao planejamento financeiro, às análises, às decisões de investimento e às decisões sobre financiamentos devem ser tomadas visando o cumprimento dos objetivos dos proprietários da empresa, seus acionistas ou gestores, no caso da administração pública. Assim, primeiramente, deve-se entender qual é o objetivo da administração financeira, o qual irá gerar uma base concreta para a tomada e a avaliação de decisões financeiras (Ross et al., 2000).

A carreira de executivo em finanças é dividida em três funções: tesoureiro, planejador financeiro e controller. A primeira está relacionada com o gerenciamento do fluxo de caixa, enquanto a segunda ocupa-se em analisar os dispêndios futuros e os investimentos a serem realizados. A terceira consiste nas atividades de contabilidade e auditoria da organização. Esta última, aproxima-se mais das Ciências Contábeis do que propriamente da Administração (Bodie & Merton, 2002).

Debate sobre a importância do professor na formação dos estudantes

Faz-se necessária, também, uma discussão sobre a importância do docente na formação dos estudantes, a fim de investigar se o interesse dos mesmos é influenciado pela relação com o professor da disciplina. Partindo de uma conceptualização da Orientação Vocacional que coloca a ênfase na exploração reconstrutiva dos investimentos (Campos & Coimbra, 1991), a escola e, por conseguinte, os professores apresentam-se como fatores que oferecem condições propícias ao desenvolvimento vocacional dos jovens. Isso se verifica pelo fato de a escola ser um espaço de aprendizagem, onde os alunos adquirem competências, saberes e constroem interesses, gostos e valores e pelo fato de o professor, por ser aquele que está em contato próximo de interação com os estudantes.

Segundo Campos (1989), o processo de construção do itinerário vocacional do individuo não é apenas um projeto individual, mas também uma construção social, que depende das interações indivíduos-meios e das oportunidades que este último proporciona. Parada, Castro e Coimbra (1997) corroboram com tal assertiva, uma vez que enfatizam que o tempo despendido pelos professores com os alunos facilita o estabelecimento de uma relação pessoal de proximidade e de profundo conhecimento, constituindo-se como modelos de atuação e, ao mesmo tempo, como agentes promotores da mudança.

Segundo Fazenda (2002), a importância dos professores na orientação e formação dos estudantes está baseada em três conceitos básicos: intersubjetividade, interação e afetividade. Para a autora, a relação pedagógica está fundamentada na relação humana e a reflexão sobre a educação inclui obrigatoriamente a qualidade nas relações que se estabelecem no contexto escolar. Quando a autora chama atenção para a importância da intersubjetividade, ela busca ressaltar que a aprendizagem depende da troca entre professores e alunos. É essa troca que proporciona ao aluno melhores condições de decisão frente aos desafios que encontrará no itinerário vocacional.

Na questão da interação, Gaspar e Monteiro (2005), também, afirmam que o professor é o agente primordial do processo, pois é ele quem estabelece a definição da situação, viabilizando uma interação social produtiva, motivando e envolvendo o aluno.

Frisando a importância do professor na formação dos alunos, vale lembrar as palavras de Abreu e Masetto (1990) que afirmaram:

[...] é o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade, que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos. Não existe nenhum conhecimento efetivamente humano, que não seja socialmente produzido e não esteja entretecido de afeto. (p. 115).

Pinto, Taveira e Fernandes (2003), em um estudo com alunos de ensino secundário, destacam o papel do docente no processo de desenvolvimento vocacional dos estudantes por meio de diversas formas de influência, reforçando assim a importância do papel docente nas eventuais escolhas relativas à carreira dos discentes.

Da mesma forma, Ferreira, Nascimento e Fontaine (2009), quando tratam do papel do professor na transmissão de representações acerca de questões vocacionais, argumentam que os temas emergentes facilitam a compreensão do modo como o professor olha as questões vocacionais e, muito provavelmente, influencia o próprio processo de orientação dos jovens, através do modo como essa visão se atravessa no processo de ensino-aprendizagem. Em outras palavras, o professor não tem como objetivo primário ser um orientador vocacional, mas por possuir uma interação muito grande com o jovem, acaba indiretamente influenciando as escolhas de seus alunos. Esta visão é partilhada por Imaginário (1995) ao afirmar que independente de intenção, está claro que o professor influencia a formação vocacional dos alunos.

Mais especificamente, ao analisar o papel docente em disciplinas que envolvam habilidades numéricas e, mais precisamente, nas disciplinas de finanças, algumas ponderações fazem-se relevantes. Mantovani e Viana (2008), em um estudo com a finalidade de identificar o perfil atitudinal de alunos de administração antes e após a aplicação de uma disciplina numérica (estatística), revelaram que há uma tendência aos alunos terem uma atitude mais desfavorável após passarem pela disciplina. O estudo evidencia, de forma subjacente, os desafios pelos quais aqueles professores que atuam ou desejam atuar nesse tipo de cadeira, devem superar. Mendes-da-Silva, Bido e Forte (2008) destacam em uma pesquisa feita com 387 alunos de administração que, dentre os atributos individuais de um professor de finanças, aqueles que merecem maior destaque por parte dos discentes são (a) ser responsável; (b) confiável; (c) motivado; (d) encorajador; e (e) didático. Os autores destacam que, em relação aos atributos da disciplina ministrada, destacam-se o objetivo e a adequação da mesma, além da carga de trabalho e o material de apoio fornecido. Os autores também destacam o valor percebido pelos alunos em relação à disciplina.

A partir desse estudo, foram elaboradas afirmativas que permitissem examinar a relação professor-aluno, de modo a verificar a influência do docente não só no interesse dos alunos de Administração pela área de Finanças, mas também na vocação dos mesmos para seguir uma carreira na área. Tais afirmativas foram inseridas no instrumento de coleta aplicado aos discentes, conforme será visto adiante.

Definições dos recortes da pesquisa

Tomaram-se por base alguns estudos empíricos com objetivos semelhantes ao deste artigo, especialmente baseados nos trabalhos de Camey e Williams (2004), Farrell (2006), Mcintyre, Webb e Hite (2005) e Robinson (2006), além da exaustiva discussão entre os autores, aliado a diversas consultas a outros pesquisadores interessados no tema (Costa, Lima et al., 2008; Costa, Pinto et al., 2008; Costa & Oliveira, 2009; Costa et al., 2009, Costa et al., 2011). Em seguida, construíram-se cinco construtos que, supostamente influenciariam o "Interesse pessoal na área de Finanças", construto concebido e fixado como a variável dependente do modelo de regressão adotado, que teve por base os estudos desenvolvidos por Camey e Williams (2004). Em seus estudos, os autores analisaram o interesse pessoal de estudantes pela área de Marketing, onde buscaram relacionar, também, aspectos como a importância atribuída pelo aluno para a disciplina, a disposição pessoal para desenvolver os estudos na área e o interesse dos estudantes na carreira em Marketing.

Com base neste último aspecto (interesse dos estudantes na carreira em Marketing), foi desenvolvido outro construto: "Interesse em uma carreira na área" de Finanças. Essa dimensão envolve aspectos que condicionam os estudantes a trabalharem na área, enquanto que aqueles discentes que não desejam seguir carreira neste setor estarão sendo influenciados pelas "cinco boas razões para o estudo de Finanças" apontadas por Bodie e Merton (2002), abordados no tópico anterior. Neste contexto, é interessante destacar o estudo de Oliveira (2011), que ao investigar como os estudantes de administração percebem e se preparam para ingressar no mercado de trabalho, revela que o imaginário deste discente é seduzido pela ideia de trabalhar formalmente em uma "boa" empresa, o que reforça a crença do interesse dos estudantes em uma carreira tradicional.

Cabe destacar a diferença existente entre "Interesse pessoal na área de Finanças" e o "Interesse em uma carreira na área". Este busca identificar o interesse do discente em desempenhar atividades profissionais na área posteriormente à graduação, enquanto aquele está relacionado a aspectos intrínsecos ao discente.

A terceira dimensão de análise deste estudo foi a "Relevância teórico/prática da área". Neste ponto, são avaliados aspectos relacionados ao que Mcintyre et al. (2005) chamaram de impactos para estudante, relacionados ao aprendizado sobre serviços (no estudo citado, para estudantes de Marketing). Nestes termos, decidiu-se ajustar os aspectos relacionados à disciplina de serviços para as disciplinas da área de Finanças. Para a formação da escala de mensuração deste tópico, também foram considerados aspectos que Camey e Williams (2004) avaliaram como o impacto educacional da disciplina Marketing para o estudante de negócios.

Outra dimensão analisada diz respeito ao "Conhecimento técnico sobre finanças". A avaliação deste aspecto partiu da percepção de que há variações no domínio das técnicas gerenciais de finanças e que, possivelmente, este domínio instrumental teria impacto na avaliação que o estudante faz da disciplina. Para fundamentar a análise desta dimensão, tomou-se por base o procedimento adotado por Farrell (2006), que desenvolveu uma escala de avaliação de autoeficácia na utilização dos conhecimentos e ferramentas de Marketing para estudantes desta disciplina. De modo mais específico, levou-se em consideração a proposição de Bodie e Merton (2002), que apontaram as principais competências dos profissionais da área de Finanças.

Foi também procedida à avaliação da "Relevância interdisciplinar da área" nos cursos de Administração. Fundamentaram-se a partir do trabalho de Mcintyre et al. (2005), os quais procederam a uma avaliação semelhante em relação a serviços em Marketing, além da análise de Robinson (2006) sobre a atitude dos estudantes em relação ao uso da tecnologia.

Um último construto acrescentado, ainda não considerado nos estudos anteriores que se tomou por base, foi a "Qualidade docente sob a ótica discente". Partiu-se do pressuposto que o interesse do estudante pela área é positivamente influenciado por sua avaliação em relação ao professor da disciplina. Fundamentou-se esta análise nos trabalhos desenvolvidos por Fazenda (2002), Ferreira et al. (2009), Gaspar e Monteiro (2005), Parada et al. (1997), Pinto et al. (2003), além de outros autores que balizaram seus trabalhos na relevância da relação professor-aluno. Além disso, empregou-se como pano de fundo ao construto, o conceito de empatia, desenvolvido no instrumento SERVQUAL (Parasuraman, Zeithaml, & Berry, 1988), no qual o aluno entenderia como ideal, que o professor se pusesse em seu lugar, como forma de promover melhorias no processo de ensino-aprendizagem.

Sobre a pesquisa procedida, avaliando-se o sentido de cada uma das dimensões e, levando-se em conta que o objetivo principal desta pesquisa consiste em analisar o interesse pessoal dos estudantes na disciplina, é relevante investigar a forma como os construtos "Conhecimento técnico sobre finanças"; "Relevância teórico/prática da área"; "Interesse em uma carreira na área"; "Relevância interdisciplinar da área"; e "Qualidade docente sob a ótica discente" influenciam o nível de "Interesse pessoal na área de Finanças" pelos alunos (Figura 1).

Utilizando a expressão 'proposição' ao invés de hipótese e entendendo que esta tem um caráter mais exploratório para efeito de análise, foi possível engendrar as seguintes proposições, definidas a partir de debates exploratórios entre os autores e outros pesquisadores interessados no tema:

P1 - o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pelo Conhecimento técnico sobre finanças;

P2 - o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pela Relevância teórico/prática da área;

P3 - o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pelo Interesse em uma carreira na área;

P4 - o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pela Relevância interdisciplinar da área;

P5 - o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pela Qualidade docente sob a ótica discente.

Assim, considerando tais proposições, seguiu-se para o estudo de campo. Os detalhes dos procedimentos e decisões do trabalho de campo são apontados a seguir.

 

Método

Malhotra (2006, p. 182) classifica este tipo de pesquisa como descritiva conclusiva, porque "[...] tem como principal objetivo a descrição de algo - normalmente características ou funções do mercado". Além disso, segundo o autor, a pesquisa também se caracteriza por uma abordagem causal, já que visa identificar variáveis que funcionem como causa e outras que atuam como efeitos. A abordagem para se obter informação foi conduzida por levantamento (survey), na forma de um corte transversal (cross-section), definido como um tipo de pesquisa que emprega como instrumento de coleta, um questionário estruturado, aplicado a uma amostra de uma população, que é destinado a coletar informações dos entrevistados (Malhotra, 2006).

Para facilitar a organização deste tópico, optou-se por dividi-lo em subtópicos: universo e amostra, instrumento de coleta, procedimentos de coleta e procedimentos de análise.

População e Amostra

A população dessa pesquisa caracteriza-se por estudantes de cursos superiores presenciais de administração (de empresas) do Brasil. Segundo dados do Ministério da Educação (2009), o total de alunos matriculados nos cursos presenciais de administração foi de 604.581 alunos naquele ano. Embora o número de alunos matriculados nesses cursos em 2011 não esteja disponível, acredita-se que se aproxime muito desse total. A amostra foi coletada entre os meses de março e abril de 2011 e foi composta por 305 alunos de graduação em Administração que já haviam cursado pelo menos uma disciplina da área de finanças. Dentre esses 305 questionários, dois foram excluídos, já que se caracterizavam por observações atípicas (outliers), pois seus respondentes escolheram os extremos da escala de uma forma padronizada, sem realizar pontuação.

As informações socioeconômicas e demográficas da amostra coletada podem ser observadas na Tabela 1. Buscou-se classificar a amostra de acordo com sexo, idade, natureza da instituição de ensino, renda familiar, estado civil e a representação por estados. Também foram buscadas informações com relação à experiência em atividades relacionadas a Finanças, tipos de trabalhos realizados, pretensões profissionais futuras e pretensões acadêmicas futuras.

Instrumento

O instrumento de coleta foi desenvolvido com base nos trabalhos de Camey e Williams (2004), Costa, Lima et al. (2008), Costa, Pinto, et al. (2008), Costa e Oliveira (2009), Costa, Ramos et al. (2009), Farrell (2006), Mcintyre et al. (2005), e Robinson (2006) e visou fornecer informações condizentes com as proposições realizadas. Esse questionário foi dividido em quatro blocos sendo o primeiro deles, composto de oito questões, destinado a coletar informações referentes à formação do estudante de administração. O segundo bloco, composto de uma única questão, se desdobrou em sete assertivas, nas quais o estudante informou seu grau de concordância, frente ao seu nível de segurança em atender a alguns quesitos das disciplinas de finanças. As assertivas foram medidas por intermédio de uma escala de classificação do tipo Likert, de cinco pontos, indo de "1" - "pouco seguro", a "5" - "muito seguro". Buscou-se realizar adaptações no instrumento originalmente empregado por Costa, Pinto et al. (2008) de maneira a viabilizar a obtenção de proposições ainda não respondidas, como por exemplo, a inserção do construto "Qualidade docente sob a ótica discente".

O terceiro bloco de questões foi composto por uma única temática e se desdobrava em 22 assertivas que objetivaram mensurar as opiniões dos estudantes frente aos construtos independentes ("Conhecimento técnico sobre finanças"; "Relevância teórico/prática da área"; "Interesse em uma carreira na área"; "Relevância interdisciplinar da área"; e "Qualidade docente sob a ótica discente"). A mensuração se deu por intermédio de uma escala de classificação do tipo Likert de cinco pontos, indo de "1" - "discordo totalmente", a "5" - "concordo totalmente". O quarto e ultimo bloco de questões abordou questões de cunho demográfico e socioeconômico.

Procedimentos

Para proceder à coleta de dados, inicialmente solicitou-se autorização junto às coordenações de curso e chefias de departamento das instituições de ensino superior avaliadas. Obtidas as mesmas, os autores asseguraram anonimato aos respondentes e às instituições pesquisadas. Os dados foram coletados mediante abordagem direta e pessoal aos alunos, seja em sala de aula, seja nas dependências das instituições de ensinos avaliadas pelos próprios autores, que lecionam ou conhecem professores/coordenadores nas instituições investigadas. Dessa forma, assume-se uma limitação metodológica, já que a amostra fora obtida mediante acessibilidade e por conglomerado. Um dos requisitos postos era que o aluno pesquisado tivesse concluído, ao menos, uma disciplina do conjunto de disciplinas de finanças. Corrêa e Caon (2002) ressaltam que a adequação do método depende fundamentalmente de características ambientais e do espaço em que se dá o serviço, sendo mais adequado aplicar pesquisas em momentos em que os clientes aguardam pela prestação dos serviços, em contraposição aos momentos em que os clientes usam tais serviços. Dessa forma, muitas das pesquisas foram feitas no momento que antecedia as aulas. As coletas foram realizadas em oito instituições de ensino superior, públicas e particulares, dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará, e Espírito Santo.

Procedimentos de análise

Na análise dos resultados, optou-se pelo emprego da técnica de regressão linear múltipla, que para Hair, Anderson, Tathan e Black (2005) consiste de uma técnica multivariada que objetiva examinar a relação de uma única variável dependente e um conjunto de variáveis independentes.

Adotou-se uma análise fatorial exploratória, como forma de verificar a unidimensionalidade de cada construto. Todavia, adotou-se como valor de cálculo no processo de regressão, a média entre as variáveis de cada construto.

Cabe destacar que as premissas de multicolinearidade, homoscedasticidade, normalidade, linearidade foram respeitadas. Os dados foram submetidos a uma análise de clusters, como forma de agrupar respondentes conforme seu posicionamento em relação à área de Finanças. Além disso, avaliou-se preliminarmente, de forma descritiva o conjunto de dados. Como suporte à análise dos dados, empregou-se o software SPSS v. 18.

Análise dos Resultados

Este tópico está dividido em duas partes, sendo a primeira delas, uma análise descritiva dos dados e, a outra parte, responsável pela análise multivariada dos dados. Estão contidas na segunda parte as medidas descritivas dos construtos definidos, a análise de regressão realizada com a finalidade de testar as proposições e, por fim, apresentam-se os resultados e as análises do procedimento de agrupamento usado.

Análise dos Construtos

Os construtos "Conhecimento técnico sobre finanças", "Relevância teórico/prática da área", "Interesse em uma carreira na área", "Relevância interdisciplinar da área", e "Qualidade docente sob a ótica discente" propostos inicialmente, foram devidamente testados por intermédio de uma análise fatorial exploratória (AFE) com extração por componentes principais. Assim, pode-se verificar a unidimensionalidade de construtos, em virtude da distribuição dos fatores, conforme preconiza a teoria empregada. Já para o construto "Interesse pessoal na área de Finanças", realizou-se apenas uma análise unifatorial, já que se parte de um pressuposto que há relação entre esse construto (efeito) e os demais (causa).

Observou-se que a análise fatorial empregada apresentou bons resultados. Inicialmente optou-se por adotar um modelo de extração por componentes principais, baseado nos resultados de autovalores iniciais (eingenvalues) extraídos pelo próprio software SPSS. Verificou-se, todavia que a amostra ficou organizada em seis fatores, sendo que o ultimo deles com um autovalor inicial de apenas 1,026, o que significa dizer que o sexto fator explica quase a mesma variância que uma única variável. Assim, decidiu-se "forçar" a formação de cinco fatores, conforme determina a teoria. Os resultados encontrados foram bastante satisfatórios e suportados pelo arcabouço teórico adotado.

Verificou-se que o determinante da matriz de correlações resultou em um valor próximo de zero, indicando que a AFE admite solução analítica (Costa & Santana, 2010). A Medida KMO (Kaiser-Meyer-Olkin) de adequação da amostra foi de 0,886. De acordo com Hair et al. (2005), esse valor deve ser superior a 0,70, indicando número suficiente de variáveis observáveis para cada fator. Para os autores, a medida indica o grau de explicação dos dados a partir dos fatores encontrados. Já o teste de esfericidade de Bartlett, que testa a hipótese nula (H0) de que a matriz de correlação não é significativamente diferente de uma matriz identidade, apresentou significância estatística de 0,000. Em outras palavras, com o resultado encontrado na pesquisa pode-se, seguramente, rejeitar a hipótese nula (H0), assumindo que a matriz de correlação é diferente de uma matriz identidade. A análise das comunalidades revelou resultados razoáveis, já que 17 das 24 variáveis apresentaram bons resultados. Em relação à rotação dos fatores, optou-se pelo método ortogonal Varimax das variáveis, com a finalidade de dividir o conjunto inicial em subconjuntos com maior grau de independência, redistribuindo as cargas fatoriais. O método, segundo Malhotra (2006), busca reduzir o número de variáveis que apresentam cargas elevadas sob um mesmo fator. Após a execução da AFE, pode-se reduzir o conjunto de 24 variáveis iniciais, em um conjunto extraído de cinco fatores, representando os cinco construtos propostos inicialmente, que juntos têm a capacidade de explicar 49% da variância total. O primeiro fator - "Conhecimento técnico sobre finanças" foi composto de sete itens; o segundo e o terceiro fator ("Relevância teórico/prática da área" e "Interesse em uma carreira na área", respectivamente) foram compostos respectivamente por nove e três itens; o quarto fator - "Relevância interdisciplinar da área" - por três itens; e o quinto ("Qualidade docente sob a ótica discente") fator, por quatro itens. A exceção do primeiro fator, que teve um de seus itens com carga de 0,422, todos os itens dos demais fatores apresentaram cargas acima de 0,500.

Além disso, também se verificou o índice de confiabilidade psicométrica Alfa de Cronbach de cada construto, encontrando-se valores acima de 0,6, considerados razoáveis de acordo com Hair et al. (2005), conforme apresentado na diagonal da Tabela 2. As variáveis utilizadas na pesquisa foram agrupadas por construto e foram extraídas as médias e os desvios. Dado que a escala utilizada foi de 5 pontos, adotou-se como critério de análise o seguinte: valores de média até 3 são baixos, de 3 a 4 são intermediários, e de 4 a 5 são elevados; para os desvios-padrão, valores até 0,8 são baixos, de 0,8 a 1,0 são médios, e acima de 1,0 são elevados (Costa, Lima, et al., 2008; Costa, Pinto et al., 2008; Costa & Oliveira, 2009; Costa et al., 2009).

Análise das proposições

As proposições foram testadas por meio da técnica estatística de Análise de Regressão Linear Múltipla, uma vez que esta viabiliza a avaliação da influência simultânea das variáveis independentes sobre uma variável dependente.

Assim, inseriu-se o construto "Interesse pessoal na área de finanças" como variável dependente, ao passo que os construtos "Conhecimento técnico sobre finanças"; "Relevância teórico/prática da área"; "Interesse em uma carreira na área"; "Relevância interdisciplinar da área"; e "Qualidade docente sob a ótica discente" foram assumidos como variáveis independentes.

O modelo apresentou-se consistente, já que proporcionou uma medida de explicação R² de 0,678. O exame visual dos dados revelou que as premissas de normalidade e homoscedasticidade da regressão não foram violadas. Tais exames, associados ao processo de casewise, não identificaram a presença de outliers. Da mesma forma, os exames da distância de Mahalanobis e de Influence não apresentaram saltos expressivos, reforçando tal observação. Os valores do modelo de regressão estimado encontram-se na Tabela 3, onde se verifica todos os construtos com valores significativos para o coeficiente padronizado (p < 0,05).

 

 

A partir destes resultados, prosseguiu-se com a análise das proposições. A proposição P1, que afirma que o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pelo Conhecimento Técnico sobre finanças, foi aceita (β = 0,075, p < 0,05). Apesar da aceitação da proposição, nota-se que a mesma apresenta um poder de predição (β) relativamente baixo, o que sugere que o Conhecimento Prévio do discente sobre a área de finanças, em pouco impacta no seu interesse pela área. Em outras palavras, o aluno que se interessa pela área não depende especificamente dessa variável para apresentar essa característica atitudinal.

A proposição P2, que afirma que o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pela Relevância teórico/prática da área, também foi aceita (β = 0,388, p < 0,001). Nesse caso, entende-se como sinal de maturidade dos estudantes o fato de compreenderem a relevância do campo em questão para a atuação profissional. Chama a atenção o fato de que o β tenha se mostrado relativamente elevado. Possivelmente, além do grau de maturidade dos alunos, acredita-se que iniciativas da própria coordenação dos cursos/professores, no sentido de incutir no estudante o pensamento sistêmico, aliado a um projeto pedagógico bem construído e disseminado, possa influenciar nesse tipo de percepção do dissente e consequente interesse pela área.

A proposição P3, que afirma que o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pelo Interesse em uma carreira na área, foi também confirmada (β = 0,306, p < 0,001). Assim, fica evidenciado que o fato do estudante se sentir seguro quanto ao domínio das habilidades gerenciais ou dominar atributos referentes ao exercício da profissão na área de Finanças importa, efetivamente, para a formação do interesse do estudante pela área. A validação dessa proposição corrobora diretamente com os achados de Oliveira (2011), ao apontar que os discentes de administração preocupam-se em construir uma carreira formal e tradicional, especialmente em organizações tidas como "boas". Além disso, supõe-se, que no imaginário desses estudantes, uma carreira na área de finanças goze de prestígio entre os profissionais.

A proposição P4, que afirma que o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pela Relevância interdisciplinar da área, foi aceita (β = 0,349, p < 0,001). A evidência, nesse evento, foi de que o estudante, percebendo a relevância da área de Finanças para a formação em Administração, passa a ter um maior interesse na área. Assim como em P2, acredita-se no fundamental papel das coordenações/professores no processo de instruir os discentes acerca dos aspectos interdisciplinares das cadeiras do curso e do papel das disciplinas de finanças, o que de certo influenciou esses resultados.

A proposição P5, que afirma que o interesse pessoal do estudante pela área de finanças é influenciado positivamente pela qualidade docente sob a ótica discente, foi aceita (β = 0,067, p < 0,05). Conforme se esperava, observou-se que o entusiasmo com o professor influencia o estudante a enfrentar dificuldades e desafios, a ter mais confiança em si mesmo e a ter uma atitude otimista em relação à área. Tal achado corrobora com a proposta de Mendes-da-Silva et al. (2008), ao apontarem as características do docente privilegiadas pelos discentes. É interessante notar que apesar de a expectativa dos pesquisadores ter sido alta em relação a este construto, tanto pela vivência dos mesmos quanto pelo próprio respaldo teórico, o poder de predição desse construto fora relativamente baixo, o que sugere a necessidade de investigar outras variáveis relativas à prática docente como forma de identificar quais delas mais despertam o interesse do discente pela área estudada; ou ainda, concluir que o professor pouco influi nesse processo de escolha/interesse.

Destaca-se que todas as proposições foram aceitas, o que demonstra a necessidade de um cuidado especial, por parte dos agentes de formação, em se preocupar não apenas na construção de habilidades ou requisitos gerenciais e na percepção do impacto educacional e profissional, mas também com um trabalho especial sobre os diferentes interesses em uma carreira, na percepção da necessidade da disciplina e, finalmente, na qualidade do relacionamento dos professores de finanças com os estudantes da disciplina. Os resultados encontrados foram semelhantes aos apresentados nos estudos de Costa, Pinto et al. (2008), Costa e Oliveira (2009) e Costa et al. (2009), o que demonstra o aceite das proposições conforme encontrado em outras áreas da Administração.

Da análise dos resultados da regressão (Tabela 3), chega-se à fórmula matemática da regressão linear múltipla:

Onde:

IP = Interesse pessoal na área de Finanças

0 = Intercepto

CT = Conhecimento técnico sobre Finanças

Rtp = Relevância teórico/prática da área

IC = Interesse em uma carreira na área

RI = Relevância interdisciplinar da área

QD = Qualidade docente sob a ótica discente

Assim, tem-se que:

Com isso, pode-se observar que, mantendo-se tudo constante, a Qualidade docente sob a ótica discente (QD) impacta na mesma intensidade que o construto Conhecimento Técnico (CT) sobre finanças. Enquanto cada um dos demais construtos, individualmente, impactam o interesse pessoal pela área de Finanças cerca de cinco vezes mais do que a qualidade do docente.

Vale destacar que foram inseridas as variáveis de controle sexo, natureza da instituição de ensino e experiência profissional na área no mesmo bloco das demais variáveis. As duas primeiras variáveis apresentaram valores "P" significantes, enquanto a última não apresentou resultado significante, o que indica que ela não afeta o modelo. Com a inclusão de tais variáveis o coeficiente R² teve incremento, passando de 0,658 para 0,781.

Análise de agrupamentos

As medidas agregadas dos construtos foram submetidas à análise de cluster, que foi desenvolvido utilizando-se o método k-means, com solicitação de extração de três grupos. Os grupos gerados apresentaram-se com um número bem significativo de entradas. As médias de cada grupo, por construto, estão expostas na Tabela 4.

 

 

Pelos resultados, verificaram-se os seguintes pontos:

  • O cluster 1 ficou com 135 entradas (44,5% do total), e as médias dos construtos foram sempre elevadas (com exceção para domínio dos requisitos da área, que apresentou média intermediária). Este cluster foi denominado de 'entusiastas' da área de finanças;
  • O cluster 2 ficou com 115 entradas (38,0% do total), e as médias dos construtos foram intermediárias, embora a média de interesse em uma carreira na área, tenha sido baixa. Este cluster foi denominado de 'interessados' na área de finanças;
  • O cluster 3 ficou com 53 entradas (17,5% do total), e as médias dos construtos foram sempre bastante baixas. Este cluster foi denominado de 'avessos' à área de finanças.

Considerando que a Administração consiste de uma área multidisciplinar, com uma grande variedade de subáreas e campos de atuação, pode se considerar que a área de finanças é valorizada por um número significativo de estudantes. Pelo que se observou nos grupos gerados, evidenciou-se que, aproximadamente, oito em cada dez alunos ou são interessados ou são entusiastas pela área, reforçando que os estudantes da amostra podem ser configurados como bastante simpáticos à área. Ainda assim, o número de estudantes avessos à área não é inexpressivo. Logo, posto que menos de dois a cada 10 alunos não tem qualquer interesse, nem percebem qualquer valor na área.

Este resultado se aproxima bastante daqueles verificados nos estudos de Costa, Andrade et al. (2008), Costa, Pinto et al. (2008), Costa e Oliveira (2009) e Costa et al. (2011) para as distintas áreas de conhecimento na formação em Administração. Todos os estudos apresentaram proporções semelhantes na classificação dos estudantes em grupos. Tal fato ressalta que independente da área de conhecimento, no qual os autores verificaram aproximadamente quatro em cada cinco estudantes ou são interessados ou são entusiastas da mesma. Consequentemente, um em cada quatro estudantes pode ser considerado avesso.

Destacou-se o resultado das médias para o construto interesse na carreira, tendo-se verificado que o mesmo apresentou uma média elevada para os estudantes entusiastas (o que é esperado), além de uma média muito baixa para os estudantes avessos. Já para os estudantes interessados, a média ficou em um nível baixo. A indicação é de que somente os estudantes entusiastas revelam um interesse consistente em seguir carreira em finanças, mesmo não apresentando um grande conhecimento técnico da área e com a baixa qualidade dos docentes.

Verifica-se, ainda, que nas médias dos grupos para segurança dos estudantes quanto ao conhecimento técnico da área bem como pela qualidade docente não alcançaram níveis elevados em qualquer um dos grupos. Observou-se que para o grupo dos estudantes avessos e interessados a média foi baixa, enquanto para os estudantes considerados entusiastas foi apenas intermediária. Neste caso, percebe-se uma potencial barreira no processo de ensino-aprendizagem, pois os alunos não percebem qualidade dos professores nas aulas e sentem uma falta de domínio nos conhecimentos adquiridos na área de finanças. Portanto, há uma indicação de que uma dificuldade acaba intensificando a outra.

Por fim, verifica-se que, independente do grupo de estudantes, há certa consistência na percepção dos alunos com relação à relevância teórico/prática da área, com média superior a 3,0 em todos os grupos. Isto demonstra que a percepção dos discentes de administração sobre as disciplinas de finanças são relevantes para o contexto acadêmico e para seu futuro como profissional.

 

Considerações finais

Teve-se como objetivo principal analisar o interesse de alunos de cursos de Administração pela área de Finanças, o que contribui de forma relevante para a compreensão do valor atribuído pelo estudante nesta área. Se levarmos em consideração a contribuição teórica e os resultados do estudo empírico, os autores consideram que este propósito foi alcançado satisfatoriamente.

De acordo com os resultados alcançados, é possível determinar que o interesse dos estudantes pesquisados esteja em um nível intermediário (média entre 3 e 4). Além disso, o estudo sugere que este interesse está condicionado pelos construtos "Conhecimento técnico sobre finanças", "Relevância teórico/prática da área". "Interesse em uma carreira na área", "Relevância interdisciplinar da área" e "Qualidade docente sob a ótica discente", referentes ao segundo objetivo deste estudo. No que concerne a este último, urge destacar que foi possível constatar que o mesmo possui relevância, pois impacta na mesma proporção ou intensidade que o construto "Conhecimento técnico sobre finanças", demonstrando, assim, que o mesmo se reveste de grande importância para a formação do interesse pessoal pela área.

Este resultado corrobora os estudos de Ferreira et al. (2009), Gaspar e Monteiro (2005), Imaginário (1995), Parada et al. (1997) e Pinto et al. (2003) que coloca o professor como agente de influência no interesse pela disciplina e, consequentemente, na orientação profissional. Como contribuição, o estudo sugere a existência de grandes grupos (ou categorias) de influência no interesse dos alunos por uma determinada área do conhecimento, neste caso finanças que são legitimadas por estudos anteriores. Acreditamos que uma triangulação de métodos poderia aprofundar a compreensão de cada uma dessas categorias encontradas. Em outras palavras, uma continuidade do mesmo sob uma vertente qualitativa como, por exemplo, uma coleta de dados com grupo focal, a análise dos dados através de análise de discurso.

Os dados e a forma da pesquisa permitiram o desenvolvimento de uma caracterização do agrupamento de estudantes. Verificou-se que a maior parte dos alunos são muito entusiasmados com a área (entusiastas), outros com um nível intermediário (interessados), e uma minoria com aversão (avessos), contemplando assim o terceiro agrupamento. Esta é uma contribuição ainda inédita, que deve ser replicada em outras áreas de conhecimento e melhor verificada, seguindo a proposta de triangulação do parágrafo anterior. Assim, as propostas aqui apresentadas abrem espaço para novos debates com o intuito de verificar se essas categorias se repetem em outros contextos, além de buscar melhor compreender cada uma dessas categorias.

Os resultados foram obtidos de forma limitada, uma vez que a amostra foi coletada em quatro estados brasileiros, não atingindo uma abrangência nacional (Estados da região sul, centro-oeste e norte do país). Além disso, reconhecem-se as limitações do estudo em virtude da falta de aleatoriedade na obtenção da amostra. Recomenda-se uma replicação deste estudo em um número maior de Estados, abrangendo todo o território nacional.

Como contribuições práticas, o estudo mostra-se interessante para professores, alunos e executivos. Os professores podem buscar melhores estratégias de ensino baseados nos interesses dos discentes, já que este estudo indica a baixa qualidade do docente sob a ótica do discente. Os alunos, por sua vez, podem obter uma orientação profissional de acordo com os principais fatores que despertam o seu interesse na área. E por último, os executivos, pela análise de cluster e pela estatística descritiva apresentada (médias e desvios), podem ter conhecimentos que facilitem o processo de recrutamento e seleção de seus futuros profissionais de finanças. Isto porque os resultados deste trabalho indicam dificuldades a serem enfrentadas, principalmente, em relação ao baixo nível de conhecimento técnico dos alunos, conforme Tabela 4.

Em busca de uma compreensão mais profunda e abrangente do assunto, recomenda-se que outros trabalhos investiguem a posição que professores, gestores e empresários defendem sobre como deve ser o processo de ensino de competências na área de Finanças e quais tipos de abordagens podem ser tomadas para despertar o interesse do aluno, em busca de uma maior convergência da formação acadêmica com a aplicação prática contextualizada para a realidade do mercado.

 

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Recebido: 11/05/2011
1ª Revisão:15/09/2011
2ª Revisão: 20/11/2011
Aceite Final: 13/12/2011

 

 

Sobre os autores
Márcio Moutinho Abdalla é doutorando em Administração pela FGV-EBAPE; Mestre em Administração pela UNESA; Especialista em Controladoria e Finanças pela UFLA; Graduado em Administração pela FCCAMS. É Professor Assistente da UFF - Volta Redonda.
Carlos Eduardo Franco Azevedo é doutorando em Administração pela FGV-EBAPE; Mestre em Ciências Militares pela ECEME e Mestre em Operações Militares pela ESAO; Graduado em Ciências Militares pela AMAN. É Professor da ECEME.
Rafael Kuramoto Gonzalez é doutorando em Administração pela FGV-EBAPE; Mestre em Administração pela UFPR; Especialista em Gestão Empresarial pela UFPR; Graduado em Administração pela UFPR.
Leonel Gois Lima Oliveira é doutorando em Administração pela FGV-EBAPE; Mestre em Administração pela UECE; Graduado em Administração pela UFC.
Rodrigo Carvalho Nippes é doutorando em Administração pela FGV-EBAPE; Mestre em Sociologia Política pela UFSC; Graduado em Ciências Sociais pela UFMG.
1 Endereço para correspondência: Escola de Ciências Humanas e Sociais de Volta Redonda. R. Desembargador Ellis Hermídio Figueira, 783, Bloco A, Sala 304, Aterrado, 27213-415, Volta Redonda-RJ, Fone: 24 30768777. E-mail: marciomabadalla@yahoo.com.br