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Revista Brasileira de Orientação Profissional

versão On-line ISSN 1984-7270

Rev. bras. orientac. prof vol.18 no.1 Florianópolis jun. 2017

http://dx.doi.org/10.26707/1984-7270/2017v18n1p43 

ARTIGO

 

Família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos no contexto brasileiro: revisão integrativa

 

Family and young adults' career development in the Brazilian context: Integrative review

 

Familia y dessarrollo de carrera en jóvenes adultos del contexto brasileno: revision integradora

 

 

Milena Carolina Fiorini; Carmen Leontina Ojeda Ocampo Moré; Marucia Patta Bardagi

Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo desta revisão integrativa foi compreender as relações entre família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos no contexto brasileiro contemporâneo. A partir do levantamento de publicações entre 2006 e 2016, nas plataformas SciELO, PePSIC e Index Psi, foram identificados 17 artigos científicos. A análise dos dados demonstrou prevalência de pesquisas qualitativas, desenvolvidas na região sul e com amostras de níveis socioeconômicos médio e alto. A instabilidade do mercado de trabalho e a influência de valores individualistas na sociedade contemporânea têm impactado na forma como as famílias vivenciam o desenvolvimento de carreira dos jovens adultos. Essas transformações são discutidas, a fim de contribuir para o campo teórico e prático referente à relação entre família e carreira durante a adultez jovem.

Palavras-chave: família, jovens, desenvolvimento profissional


ABSTRACT

The objective of this integrative review was to understand the relationships between family and professional development of young adults in the contemporary Brazilian context. From the publication survey between 2006 and 2016, on the SciELO, PePSIC and Index Psi platforms, 17 scientific articles were identified. The data analysis revealed the prevalence of qualitative research, developed in the southern region and with samples of middle and high socioeconomic levels. The instability of the labor market and the influence of individualistic values in contemporary society have impacted the way families experience the professional development of young adults. These changes are analyzed in order to contribute to the theoretical and practical field on the relationship between family and career during young adulthood.

Keywords: family, youth, profesional development


RESUMEN

El objetivo de esta revisión integradora fue entender las relaciones entre familia y desarrollo profesional en jóvenes adultos del contexto brasileno contemporâneo. A partir del levantamiento de publicaciones realizadas entre 2006 y 2016, en las plataformas SciELO, PePSIC e Index Psi, se identificaron 17 artículos científicos. El análisis de los datos reveló la prevalencia de investigaciones cualitativas, desarrolladas en la región Sur y con muestras de niveles socioeconômicos medio y alto. La inestabilidad del mercado laboral y la influencia de los valores individualistas en la sociedad contemporánea han impactado la forma como las familias experimentan el desarrollo profesional de los jóvenes adultos. Estos cambios se analizan con el fin de contribuir desde el punto de vista teórico y práctico al abordaje de la relación entre familia y carrera durante la adultez joven.

Palabras-clave: familia, jóvenes, desarrollo profesional


 

 

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei 8.069/1990), a adultez jovem tem início a partir dos 18 anos de idade, acompanhando o alcance da maioridade. Já a Política Nacional de Juventude - PNJ (Lei 11.129, 2005) atribui ao jovem adulto a faixa etária entre 25 e 29 anos. No campo da produção de conhecimento científico em Psicologia, Levinson (1977) situa a fase da adultez jovem entre 22 e 29 anos, enquanto para Erikson (1976), os jovens adultos encontram-se na faixa etária entre 20 e 35 anos. Percebe-se, dessa forma, que há entendimentos diferentes quando se trata de delimitar um período cronológico específico para a adultez jovem, tanto pelas regulamentações quanto entre os teóricos especialistas na temática. O que parece, de fato, melhor definir esse estágio do ciclo vital é o desempenho de certas tarefas psicossociais culturalmente esperadas, que podem apresentar certas variações de faixas etárias, e que têm assumido diferentes configurações nas famílias contemporâneas.

Com base em estudos com famílias americanas, Carter e McGoldrick (1995) desenvolveram a teoria do ciclo de vida familiar. Segundo as autoras, as famílias tendem a passar por alguns estágios ao longo de seu desenvolvimento, caracterizados por períodos alternados de estabilidade e transição. Esses estágios foram divididos em seis, sendo que a adultez jovem corresponde ao quinto período, denominado "lançando os filhos e seguindo em frente". Esse estágio apresenta como principais tarefas, de acordo com teóricos clássicos de estudos sobre família e juventude (Arnett, 2006; Aylmer, 1995; Carter & McGoldrick, 1995), a saída da casa dos pais para estudar e/ou trabalhar, a escolha profissional, a gradativa independência emocional e financeira e a instituição de relacionamentos íntimos, com destaque para a união conjugal.

A fase da adultez jovem é considerada um marco, pois coincide com a busca de diferenciação do self em relação à família de origem, definida como a capacidade para adquirir equilíbrio entre funcionamento emocional, intelectual, intimidade e autonomia nas relações (Bowen, 1978). A transição da adolescência para a vida adulta, que retrata a passagem pela adultez jovem, exige, portanto, a reorganização da família e principalmente da relação parental, pois os filhos buscam por maior autonomia enquanto os pais precisam, gradualmente, substituir o controle pelo apoio, de modo que a relação se torne menos hierárquica (Carter & McGoldrick, 1995). Essa transição tende a ser acompanhada por estresse e ansiedade entre todos os membros (Aylmer,1995) e as famílias acabam ativando de forma mais perceptível os seus mecanismos de funcionamento (Minuchin, 1982). Ao considerar a condição dos pais, essa fase do ciclo de vida é comumente conhecida pelo termo "ninho vazio", pois condiz com o período em que o último filho deixa a casa da família de origem até a aposentaria dos genitores (Carter & McGoldrick,1995).

Quando se trata do desenvolvimento psicossocial do jovem adulto, Erikson (1976) propõe uma sucessão de oito estágios, sendo a adultez jovem correspondente ao sexto. Uma das principais características dessa fase, de acordo com o autor, é a luta pelo desenvolvimento da identidade, sendo que nesse processo é possível que ocorra certa confusão de papéis que envolvem a relação com a família e com os amigos, além do início das relações amorosas e dúvidas sobre a identidade profissional. Alguns indicativos de uma transição bem-sucedida para a vida adulta são a construção de novos relacionamentos íntimos (Erikson, 1976), a aquisição de habilidades para desenvolver algum trabalho e o planejamento da carreira (Aylmer, 1995). Especificamente em relação ao desenvolvimento de carreira, Aylmer (1995) afirma que o jovem adulto na faixa dos 20 anos que ainda não tenha realizado uma escolha profissional, caracterizada, na maioria das famílias de classe média e alta, pelo ingresso na universidade, tende a ficar vulnerável à dúvida sobre si, à diminuição da autoestima, à ansiedade e até mesmo a uma possível depressão. Portanto, a fase de adultez jovem é significativamente atravessada por questões relacionadas ao desenvolvimento de carreira.

Até a metade do século XX, as pesquisas sobre carreira eram fundamentadas nas concepções clássicas da Orientação Profissional, dado que o desenvolvimento de carreira era entendido enquanto uma dimensão à parte do desenvolvimento global do sujeito (Bardagi, Lassance, & Teixeira, 2012). A premissa subjacente, em tais concepções, considerava que o processo de escolha profissional era uma tarefa típica e exclusiva da adolescência. A partir da segunda metade do século XX, os estudos passaram a adotar pressupostos das teorias desenvolvimentistas (Super, 1980, 1990). O desenvolvimento de carreira passou, então, a ser gradativamente concebido como um processo dinâmico, que não se reduz ao período da adolescência, mas ocorre ao longo de toda a vida (Bardagi et al., 2012).

As contribuições de Super (1980, 1990) estão entre as mais influentes no domínio da orientação profissional (Bardagi et al., 2012). O autor desenvolveu sua abordagem por cerca de 40 anos e reformulou suas premissas ao longo desse período. Dentre os principais refinamentos da teoria, pode-se citar a ênfase no papel do autoconceito (definido como a percepção a respeito de si) no processo de formação e implementação de escolhas profissionais. A partir da elaboração da "teoria ao longo da vida e dos espaços de vida" (life-span, life-space theory), o desenvolvimento de carreira passou a ser concebido por Super (1990) como um processo sucessivo de estágios de crescimento e aprendizagem, que se convertem no aprimoramento progressivo do repertório de comportamentos profissionais. Segundo o autor, a adul-tez jovem corresponde ao estágio de exploração, descrito como um momento de autoanálise, experimentação e desempenho de diferentes papéis pessoais e profissionais, que fundamentam o autoconceito do jovem adulto.

Em consonância com essa mudança paradigmática referente ao entendimento da carreira, as questões contex-tuais, incluindo elementos socioculturais, tecnológicos e relacionais, passaram a adquirir maior importância tanto no campo teórico quanto na prática. Os pesquisadores também passaram a investigar a relação entre família e carreira de forma mais enfática, além de abarcarem todos os estágios do ciclo de vida. A ampliação do foco nas investigações tem apontado que independentemente da abordagem adotada, a família é considerada um dos fatores de maior influência no desenvolvimento de carreira (Whiston & Keller, 2004).

Quando se trata da relação entre desenvolvimento de carreira e aspectos familiares durante a transição para a vida adulta, Whiston e Keller (2004) pontuam que, embora exista uma produção científica considerável, pouco esforço tem sido feito no sentido de agregar as pesquisas e fornecer uma base empírica satisfatória. Bardagi et al. (2012) assinalam que a exploração dessa relação é bem menos expressiva na realidade brasileira, se comparada à internacional. Dentre as poucas constatações oriundas de pesquisas empíricas internacionais, a influência positiva da família no desenvolvimento de carreira de jovens adultos tem sido associada ao apoio parental em relação aos estudos, ao fornecimento de informações a respeito das profissões e do mundo do trabalho e ao incentivo referente à aquisição de autonomia dos filhos. Por outro lado, baixos níveis de apoio e comunicação familiar, expectativas dos pais por alto desempenho profissional dos jovens adultos e pressão para a escolha de profissões determinadas pela família têm sido identificadas como fatores negativos no processo de escolha de carreira (Bardagi et al., 2012).

Ao refletir sobre as vicissitudes do ciclo vital das famílias brasileiras, é fundamental pontuar que as constantes mudanças no contexto socioeconômico e cultural impactam na forma como as famílias têm vivenciado o ciclo de vida e, consequentemente, as questões de cunho profissional. São exemplos dessas mudanças a diminuição dos índices de natalidade, o aumento da expectativa de vida, a ampliação dos divórcios e recasamentos e as novas configurações relativas aos papéis de gênero (Vieira & Rava, 2010). Especificamente na fase de transição para a vida adulta, a imprevisibilidade crescente do mercado de trabalho tem contribuído para o aumento da dificuldade de inserção profissional e certa instabilidade nas relações afetivas (Camarano, Mello, Pasinato, & Kanso, 2004). Essas mudanças vêm ampliando a permanência de jovens adultos na residência da família de origem, fenômeno designado como "ninho cheio" (Silveira & Wagner, 2006) ou "ge-ração-canguru" (Féres-Carneiro, Henriques, & Jablonski, 2004). Os jovens adultos contemporâneos experimentam certa ambivalência entre dependência e autonomia, fato que tem provocado o adiamento de compromissos, até então, típicos dessa fase do ciclo vital, a exemplo do casamento e da maternidade. Essas transformações geraram o conceito de "adultez emergente", preconizado por Arnett (2006) e também conhecido pelo termo "prolongamento da adolescência" (Erikson, 1976).

No contexto brasileiro, foi somente a partir de 2005 que as demandas de jovens adultos acima dos 18 anos entraram na agenda das políticas públicas, com a implantação da Política Nacional de Juventude - PNJ (Lei 11.129, 2005). No que diz respeito à produção de conhecimento científico com foco no público adulto jovem, Carlucci, Barbato e Carvalho (2011) pontuam que tem sido ampliada nas últimas décadas, devido ao aumento da complexidade do processo de transição para a vida adulta, gerado pela dificuldade de adequação entre as necessidades do mundo do trabalho e o processo de escolha profissional.

Com base no cenário apresentado, o objetivo do presente artigo foi compreender as relações entre família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos no contexto brasileiro contemporâneo, por meio de uma revisão integrativa da produção científica nacional dos últimos 10 anos (entre 2006 e 2016). Considera-se que a proposta de integração de resultados de pesquisas realizadas no Brasil é relevante no sentido de ampliar a compreensão da interface entre família e carreira durante a adultez jovem, diante do crescimento da imprevisibilidade e da instabilidade no mundo do trabalho. Espera-se que os resultados deste estudo venham a contribuir para a atuação de profissionais tanto na área da psicologia clínica quanto no campo de aconselhamento de carreira com jovens adultos e suas famílias, no sentido de pensar estratégias de diagnóstico e intervenção.

A análise e a discussão propostas buscaram articular teorias sobre família, desenvolvimento psicossocial de jovens adultos e desenvolvimento de carreira. Para tanto, o artigo foi fundamentado, principalmente, por três abordagens oriundas do pensamento sistêmico: teoria do ciclo vital (Carter & McGoldrick, 1995), teoria dos sistemas familiares (Bowen, 1978) e teoria estrutural (Minuchin, 1982); além delas, o trabalho ampara-se, ainda, na teoria psicossocial do desenvolvimento (Erikson, 1976) e na teoria desenvolvimentista (Super, 1980, 1990). A escolha por essas abordagens fundamenta-se na possibilidade de conceber o desenvolvimento psicossocial do jovem adulto enquanto uma sucessão de estágios progressivos, que envolve diversos elementos de ordem cognitiva e socio-cultural, com destaque para aspectos do funcionamento familiar e das transformações no mundo do trabalho.

 

Método

O estudo foi orientado pela seguinte pergunta: quais as relações entre família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos evidenciadas em estudos brasileiros nos últimos 10 anos? Com a finalidade de obter resposta para essa pergunta, realizou-se uma revisão integrativa da literatura. A escolha por esta modalidade de revisão amparou-se na possibilidade de desenvolver uma análise crítica da literatura, bem como sintetizá-la em um tópico integrado, fato que permitiu a construção de novas perspectivas acerca da temática (Torraco, 2005). Como critérios para a execução da revisão integrativa, seguiu-se a determinação dos estágios sugeridos por Whittemore e Knafl (2005): 1. identificação do problema de pesquisa; 2. investigação bibliográfica sistematizada; 3. avaliação dos dados encontrados; 4. análise dos dados; e 5. apresentação das conclusões de forma integrada.

Realizou-se um levantamento de publicações em três bases de dados: 1. Scientific Electronic Library Online (SciELO); 2. Portal de Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC); e 3. Index Psi Periódicos Técnico-Científicos. A pesquisa envolveu as seguintes combinações de palavras-chave: (a) jovem "or" jovens "and" família; (b) adulto "or" adultos "and" família; (c) família "and" carreira; (d) jovem "or" jovens "and" carreira; e (e) adultos "or" adulto "and" carreira. A escolha pelas plataformas, bem como pelas diferentes associações entre as palavras-chave, buscou assegurar uma exploração abrangente da produção científica nacional referente à temática.

Estabeleceram-se os seguintes critérios de inclusão: (a) delimitou-se a busca por artigos científicos publicados em plataformas brasileiras, excluindo-se outros tipos de trabalhos (teses, dissertações, livros e resenhas); e (b) em relação à data de publicação, optou-se pelo período que compreende a última década (entre 2006 e 2016), tendo em vista que a fase da adultez jovem enquanto foco de pesquisas científicas e políticas públicas brasileiras passou a ser mais consolidada recentemente, assim como as questões de desenvolvimento de carreira durante esse estágio do ciclo vital, conforme apontamentos evidenciados pela literatura científica.

A partir da definição de tais critérios e combinações, foram localizadas, inicialmente, 1495 publicações (SciELO: 827; Index Psi: 461; e PePSIC: 207). O procedimento seguinte correspondeu à leitura do título, das palavras-chave e dos resumos. Selecionaram-se as publicações que atendiam ao objetivo deste estudo, ou seja, que tratavam de pesquisas empíricas acerca da relação entre família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos. Determinou-se, portanto, a inclusão de investigações tanto qualitativas quanto quantitativas, e excluíram-se estudos teóricos, como revisões de literatura e ensaios teóricos, além das publicações que se repetiram nas plataformas. Dentre os estudos empíricos selecionados, entraram na amostra final apenas aqueles cuja idade média da amostra situava-se entre 20 e 35 anos, correspondente à demarcação indicada por Erikson (1976). Apenas um artigo (Oliveira & Dias, 2013) não informou a faixa etária dos jovens adultos, tendo em vista que o foco da pesquisa foram os genitores, porém decidiu-se por incluí-lo por se tratar do público universitário, partindo do pressuposto que a idade dos graduandos tende a se aproximar da faixa estabelecida como critério.

A amostra final abarcou 17 artigos, que foram lidos na íntegra e avaliados em relação ao método empregado, ao ano de publicação e às características das amostras, em termos de idade, nível socioeconômico e região/Estado. Para a realização da análise dos dados, empregou-se o procedimento de análise categorial temática (Bardin, 2011). As três autoras participaram como juízas, identificando e agrupando individualmente temáticas centrais dos estudos coletados, com base na similaridade dos conteúdos abordados. Posteriormente, houve a elaboração conjunta da categorização temática final, a partir do consenso a respeito da similaridade entre os conteúdos recorrentes nas pesquisas. Cada categoria temática foi discutida à luz da literatura, de forma a sintetizar os resultados mais substanciais e apresentar as principais contribuições teóricas e práticas referentes aos aspectos familiares envolvidos no desenvolvimento de carreira de jovens adultos.

 

Resultados

Em relação ao método empregado nos estudos, constatou-se a prevalência de artigos qualitativos (n = 15), todos caracterizados como estudos de casos múltiplos, sendo um deles longitudinal (n = 1). Quanto aos procedimentos metodológicos, a maioria das pesquisas qualitativas realizou análise e conteúdo (n = 14), de entrevistas (n = 11), de redação (n = 1) ou de questionários (n = 2); ou análise de discurso de entrevistas (n = 1). As pesquisas quantitativas (n = 2) utilizaram aplicação de escalas e empregaram procedimentos estatísticos paramétricos descritivos e inferenciais.

Foram coletados artigos publicados entre 2006 (n = 1) e 2016 (n = 2), sendo que durante o período delimitado, apenas nos anos 2009 e 2015 não foi identificada nenhuma publicação. O restante dos estudos distribui-se da seguinte forma: 2007 (n = 1), 2008 (n = 2), 2010 (n = 3), 2011 (n = 1), 2012 (n = 3), 2013 (n = 2) e 2014 (n = 2).

Referente às regiões do Brasil e aos respectivos Estados onde foram desenvolvidas as pesquisas, observou-se o predomínio de estudos na região Sul (n = 10), especialmente no Estado do Rio Grande do Sul - RS (n = 9), sendo apenas um (n = 1) efetuado em Santa Catarina - SC. Na região Sudeste, foram verificadas seis (n = 6) pesquisas, com destaque para o Rio de Janeiro - RJ (n = 3), seguido do Espírito Santo - ES (n = 2) e do Estado de São Paulo - SP (n = 1). Na região Nordeste, houve apenas uma investigação (n = 1), representada pelo Estado de Pernambuco - PE.

Quanto à idade das amostras, as médias variaram de 20,5 a 30,5 anos, sendo que apenas três artigos não especificaram a média geral ou as idades específicas de cada participante (de modo que não foi possível calcular a média nesses casos). Em relação ao nível socioeconô-mico, a maioria dos estudos abarcou amostras de classe média (n = 9) ou média e alta (n = 4). As demais (n = 4) não explicitaram os dados socioeconômicos dos participantes, porém, descreveram as amostras em termos de escolaridade, sendo estudantes de graduação ou pessoas com nível superior completo, alguns cursando pós-graduação. A análise dos estudos coletados contemplou, ainda, a categorização temática de acordo com a congruência dos conteúdos abordados. Foram elaboradas cinco categorias temáticas, cujos dados são apresentados a seguir.

a) Transição para a vida adulta: projeto de vida e carreira

As quatro publicações contidas nesta categoria temática enfatizam as características do projeto de vida e carreira durante o processo de transição da adolescência para a vida adulta na contemporaneidade, com foco na interface entre construção da carreira e formação de família. Ito e Soares (2008) buscaram compreender como jovens adultos formandos de uma instituição pública de Santa Catarina - SC elaboraram o projeto de vida e suas futuras escolhas de carreira. Os participantes enfatizaram a insegurança em relação ao futuro profissional, bem como preocupações de curto e médio prazo, como a conquista do primeiro emprego e a opção pela área de atuação. Como inquietação de longo prazo, a estabilidade financeira foi colocada pelos formandos como um requisito fundamental para a constituição de família.

A pesquisa de Souza e McCarthy (2010) caracterizou os principais ritos de passagem da adolescência para a vida adulta entre jovens adultos universitários de uma instituição pública federal no Estado do Rio Grande do Sul - RS. Os três ritos que se destacaram foram: tomada de decisões importantes sem a ajuda da família, responsabilidade por outras pessoas e independência financeira. Além disso, os estudantes apontaram a saída da casa dos pais e a entrada na universidade como fatores essenciais no processo de transição, relatando que essas conquistas parecem representar independência financeira e emocional em relação aos pais. A partir da investigação desenvolvida por Barros (2010), com jovens adultos de classe média do Rio de Janeiro - RJ, os elementos indicados como importantes foram: a liberdade, a valorização da intimidade individual, o acesso à educação, a possibilidade de independência financeira e a necessidade de certo distanciamento (que pode ser emocional) em relação à geração dos pais.

Ponciano e Féres-Carneiro (2013), por sua vez, analisaram a transição da adolescência para a vida adulta a partir da perspectiva dos pais, com famílias de classe média do Rio de Janeiro - RJ. As autoras assinalam que a exigência atual do mercado de trabalho por uma formação prolongada favorece a dependência financeira em relação aos pais, de modo que a transição para a vida adulta, considerando especialmente aspectos profissionais, é demarcada pela incerteza. Concluíram que os pais tendem a considerar que seus filhos se tornam adultos quando adquirem independência financeira e formação profissional.

b) Família, ninho cheio e questões de carreira durante a adultez jovem

Esta categoria temática abrange quatro investigações que abordam o prolongamento da convivência entre pais e filhos jovens adultos, e a relação desse fenômeno com o desenvolvimento de carreira durante a adultez jovem. Silveira e Wagner (2006) investigaram os aspectos psi-cossociais envolvidos na permanência do jovem adulto na casa dos pais, com jovens adultos da classe média do Rio Grande do Sul - RS. Para os participantes de ambos os sexos, o projeto atrelado à futura saída da casa dos pais contemplou questões pessoais e profissionais, porém o investimento na carreira destacou-se como prioridade. Além disso, a percepção referente à dificuldade de inserção no mercado de trabalho e de conquistas de melhores salários, aliada ao conforto e à segurança do lar parental, foram relatados como principais motivadores para a permanência na casa dos pais.

Também no contexto socioeconômico de classe média do Rio Grande do Sul - RS, Vieira e Rava (2012) buscaram comparar a perspectiva de pais e filhos jovens adultos em relação ao prolongamento do convívio familiar. Observou-se concordância entre pais e filhos quanto aos aspectos relacionados ao conforto e às facilidades que o lar parental propicia enquanto influenciadores para o prolongamento da convivência. Concluiu-se, ainda, que tarefas não cumpridas pela família ao longo do ciclo vital, como conflitos de ordem conjugal não resolvidos por parte dos pais ou filhos que acabam assumindo responsabilidades de cuidado dos irmãos, podem dificultar o processo de desenvolvimento e emancipação dos jovens adultos.

A partir de uma pesquisa baseada nos pressupostos da psicanálise com jovens adultos homens, de classe média, residentes dos Estado de São Paulo - SP, Bunge, Galantine, Hauck, Marconi e Felice (2012) constataram que fatores emocionais como, por exemplo, traços de dependência, imaturidade, passividade e insegurança, podem contribuir para o prolongamento da permanência de jovens adultos na casa dos pais. Os autores defenderam a ideia de que o discurso que enfatiza as dificuldades sociais e econômicas como propulsoras da permanência na residência da família de origem fazem parte de um "conteúdo manifesto" que acaba acobertando a importância dos aspectos emocionais citados, considerados "latentes". O estudo sobre os diálogos entre pais e filhos jovens adultos coabitantes do Rio de Janeiro - RJ, de nível socioeconômico médio (Henriques, Féres-Carneiro, & Magalhães, 2016) demonstrou certa ambivalência em relação à percepção dos jovens adultos sobre a permanência na casa dos pais, definida por vezes como tranquila e outras como desconfortável.

c) Casamento, conjugalidade e carreira do jovem adulto

Nesta categoria temática, estão contempladas quatro publicações que exploram a temática do casamento, com ênfase nas questões que relacionam conjugalidade e desenvolvimento de carreira durante a fase da adultez jovem. Menezes e Lopes (2007) analisaram como casais coabitantes e não-coabitantes do Rio Grande do Sul - RS, sem filhos, passaram pela transição para o casamento. As autoras se depararam com a dificuldade dos jovens adultos casados para equilibrar conjugalidade e individualidade, sendo essa última relacionada, em grande parte, às demandas de trabalho de ambos os membros do casal.

O casamento, segundo resultados da investigação desenvolvida por Falcke e Zordan (2010), com jovens adultos universitários do Rio Grande do Sul - RS, embora ainda desejado, não simboliza o principal projeto de vida. A prioridade, para ambos os sexos, parece ser o investimento na formação profissional. Quanto aos papéis conjugais, observou-se a coexistência de opiniões tradicionais (concebendo a mulher como mãe e dona de casa e o homem como provedor) e contemporâneas (reconhecendo a noção da divisão de funções exercidas tanto no ambiente familiar quanto laboral). Os resultados do estudo realizado por Heckler e Mosmann (2014) no Rio Grande do Sul - RS, com casais de dupla-carreira e sem filhos sugeriram que a falta de tempo, consequente das exigências de trabalho e estudo, foi identificada como uma das maiores dificuldades no cotidiano dos cônjuges. A mudança de cidade na busca por um emprego melhor foi um evento comum, fato que institui à carreira um papel crucial na vida desses jovens adultos.

Outra investigação, com uma amostra de características semelhantes e efetuada pelas mesmas autoras (Heckle & Mosmann, 2016), indicou que a conjugalidade tem sido demarcada pela crescente valorização da esfera profissional e diminuição das diferenças de gênero no que tange à distribuição das tarefas domésticas. Os casais apresentaram bons níveis de qualidade conjugal, rede de apoio social escassa e pouco contato com a família de origem. Ficou evidente, também, o caráter migratório dos jovens adultos em início de carreira, em busca de melhores condições profissionais.

d) Questões de gênero no desenvolvimento de carreira do jovem adulto

Esta categoria temática é representada por três estudos que enfatizam as questões de gênero que perpassam o desenvolvimento de carreira durante a adultez jovem. Amazonas, Vieira e Pinto (2011) desenvolveram uma pesquisa com foco no projeto de carreira e família de mulheres de classe média da cidade de Pernambuco- PE. De acordo com as autoras, a família contemporânea confere aos homens e mulheres diferentes papéis, não mais estabelecidos de forma rígida e imutável em função do gênero, mas dependente das contingências nas quais os casais se inserem. No entanto, os dados apurados ainda atribuem ao público feminino uma pluralidade de identidades, por vezes contraditórias, para que atendam concomitantemente às demandas da carreira, dos filhos e dos parceiros.

O estudo desenvolvido por Ciscon-Evangelista, Leal, Oliveira e Menandro (2012) buscou identificar as representações sociais de maternidade, paternidade, família e projeto profissional, entre estudantes de programas de pós-graduação da Universidade Federal do Espírito Santo - ES. Os resultados evidenciaram elementos que correspondem a papéis tradicionais de pai e mãe como, por exemplo, a responsabilização por maior parte das tarefas domésticas para a mãe e o provimento financeiro para o pai. Expressaram, por outro lado, as transformações sociais nos relacionamentos e expectativas em relação a cada gênero como a busca de uma carreira que resulte em provimento financeiro e realização pessoal pelas mulheres e de um exercício de paternidade menos autoritário e mais afetivo por parte dos homens.

Borges, Magalhães e Féres-Carneiro (2014) analisaram o discurso de jovens adultos de duas gerações, provenientes de segmentos médios da população do Rio de Janeiro - RJ. Dentre os principais resultados, as autoras destacaram: a valorização da individualidade e da liberdade pessoal nas relações amorosas; a atribuição de fragilidade a essas relações; e a visão de casamento como um fenômeno que tende a limitar a liberdade individual. O estudo permitiu observar, também, que homens e mulheres estão construindo percursos mais próximos no que diz respeito às preocupações com a profissão e à independência financeira, de modo que o investimento nas questões profissionais tem se tornado foco para ambos os gêneros.

e) Família e desenvolvimento de carreira durante o período universitário

As duas publicações agrupadas nesta categoria temática contemplam o papel da família no desenvolvimento de carreira de estudantes universitários. O estudo realizado por Bardagi e Hutz (2008), em universidades do Rio Grande do Sul - RS, explorou o apoio parental percebido em relação à escolha inicial de carreira e à evasão do curso. Os resultados indicaram pouca comunicação familiar em relação às questões de carreira, tanto no período de escolha quanto no momento da evasão. Destacou-se, ainda, o medo de desapontar as expectativas familiares por parte dos universitários, que tende a gerar ansiedade e adiar o abandono do curso.

Oliveira e Dias (2013) investigaram a percepção dos pais em relação à sua participação no desenvolvimento de carreira de filhos que estavam concluindo o curso de psicologia em uma Universidade no interior do Rio Grande do Sul - RS. Os dados demonstraram que, na opinião dos pais, suas atitudes frente ao trabalho e na relação com os filhos tendem a influenciar positivamente as escolhas dos estudantes, especialmente a partir do diálogo, do apoio emocional e material e da influência pelo exemplo.

 

Discussão

No que se refere à avaliação das características gerais dos artigos incluídos na amostra, percebe-se a prevalência de estudos qualitativos, a carência de pesquisas quantitativas e longitudinais e a ausência de investigações com métodos mistos. A representatividade do Estado do Rio Grande do Sul na produção científica referente às temáticas em questão - relação entre família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos - provavelmente se deve, em partes, ao investimento na produção científica sobre adultez jovem por parte dos núcleos de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS1, tanto em estudos sobre dinâmica familiar quanto desenvolvimento de carreira. Nos demais Estados abarcados pela amostra (Santa Catarina - SC, Rio de Janeiro - RJ, Espírito Santo - ES, São Paulo - SP e Pernambuco - PE), as pesquisas pertencem a diferentes universidades e linhas de pesquisa, não sendo a temática representada, possivelmente, como foco específico de investigação, pelo menos durante os últimos 10 anos. Os dados relativos às idades dos participantes demonstram uma distribuição diversificada, considerando-se a menor (20,5) e a maior média de idade (30,5). Esse achado, mesmo com a delimitação das publicações com base na definição sugerida por Erikson (1976), condiz com a variedade de faixas etárias conferidas aos jovens adultos. Por outro lado, quando se avaliam os resultados alusivos ao nível socioeconômico, evidencia-se que os jovens adultos de classe média e/ou alta têm predominado como público alvo das investigações.

A avaliação conjunta desses resultados apresenta certo viés de ordem tanto metodológica quanto sociocul-tural, tendo em vista a prevalência de estudos de casos, com emprego de abordagem qualitativa, bem como de um único Estado do Brasil (Rio Grande do Sul) como representante de mais da metade da amostra. Esses dados retratam, em partes, a realidade de uma região (Sul) que costuma apresentar os maiores índices socioeconômicos do país (IBGE, 2010). Atenta-se, ainda, para as particularidades culturais que, embora não exploradas pelo presente estudo, precisam ser sinalizadas, à medida que podem influenciar na forma com os jovens adultos e suas famílias vivenciam a carreira na fase da adultez jovem.

Quanto ao ano de publicação, apesar de 2010 ter se destacando como o ano com maior número de artigos publicados, não se observam diferenças significativas por período, sendo que nos demais anos, o número de artigos variou entre um e dois. Avaliando-se o período determinado pelo presente estudo (entre 2006 e 2016), essa constatação reflete certa regularidade na produtividade científica brasileira que trata da relação entre família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos.

No que diz respeito à categorização temática, percebe-se que, apesar de apresentarem conteúdos centrais específicos, muitos assuntos abordados pelas pesquisas se entrelaçam, com destaques para: dificuldades contemporâneas de inserção no mercado de trabalho, foco nas questões profissionais no projeto de vida dos jovens adultos e ambivalência alusiva às questões de gênero ligadas ao desenvolvimento de carreira.

Em relação à primeira categoria temática (transição para a vida adulta: projeto de vida e carreira), observa-se o compartilhamento de alguns pontos comuns enquanto projetos de futuro no discurso dos participantes dos estudos, como a independência financeira (Barros, 2010; Ito & Soares, 2008; Ponciano & Féres-Carneiro, 2013; Souza & McCarthy, 2010) e a necessidade de autonomia emocional em relação à família de origem (Barros, 2010; Souza & McCarthy, 2010). Além disso, apesar do casamento ser concebido como uma das tarefas essenciais no processo de transição para a vida adulta por teorias clássicas (Aylmer, 1995; Carter & McGoldrick, 1995; Erikson, 1976), os resultados dos estudos demonstram que o plano de formação de família vem cedendo lugar para a importância atribuída à liberdade individual e à formação profissional (Barros, 2010; Ito & Soares, 2008), conforme apontamentos de pesquisas mais recentes (Arnett, 2006; Féres-Carneiro et al., 2004; Silveira & Wagner, 2006).

A avaliação dessas publicações suscita uma reflexão referente aos impactos do individualismo na construção do projeto de vida dos jovens adultos contemporâneos. Nesse sentido, Singly (2007) argumenta que o acirramento da individualização na sociedade atual impulsiona o propósito de emancipação individual e liberdade pessoal, que, por sua vez, configura novos significados para a constituição de casamento, família e carreira. Exemplos dessas mudanças podem ser representados pelo adiamento da maternidade, pela diminuição no número de casamentos e pelo crescente aumento do número de divórcios (Borges et al., 2014). Gushue e Constantine (2003) enfatizam que as famílias ocidentais, consideradas individualistas, tendem a valorizar com maior ênfase a aquisição de autonomia e independência dos filhos, em contrapondo à cultura oriental, que privilegia a conectividade entre os membros. Nesse sentido, os autores destacam que o processo de diferenciação do self tende a ser mais impulsionado pelos pais na sociedade ocidental, de modo que o estímulo para a escolha profissional e a aquisição de independência financeira também parece ser mais enfático nas famílias ocidentais (Ponciano & Féres-Carneiro, 2013).

Em contrapartida, Borges e Magalhães (2009) salientam a coexistência contemporânea desses valores individualistas (pertencentes aos jovens adultos) e dos tradicionais (representadas pela geração mais velha). Esse fato, somado ao aumento da insegurança gerado pela instabilidade do mercado de trabalho contemporâneo (Ito & Soares, 2008; Ponciano & Féres-Carneiro, 2013), acarreta na ambiguidade entre necessidade de dependência e desejo por autonomia dos jovens adultos. Dessa forma, pode-se considerar que o processo de diferenciação em relação à família de origem, bem como sua relação com o desenvolvimento de carreira, tende a ser acompanhado por desafios diferentes na realidade sociocultural contemporânea, se comparado às gerações mais antigas. Ao mesmo tempo em que possuem oportunidades mais diversificadas de trabalho e educação, jovens adultos de classes médias e altas vivenciam maiores dificuldades de inserção no mercado e, consequentemente, de independência financeira que, por sua vez, podem motivar também a manutenção da dependência emocional em relação aos pais.

A relação entre diferenciação do self e desenvolvimento de carreira ainda é pouco explorada pela literatura científica, mesmo em âmbito internacional (Miller, Anderson, & Keala, 2004). Porém, alguns estudos têm demonstrado associações positivas entre níveis mais elevados de diferenciação do self, tomada de decisão profissional (Larson & Wilson, 1998) e formação da identidade profissional (Johnson, Schamuhn, Nelson, & Buboltz, 2014). Aliando-se os resultados das pesquisas analisadas no presente estudo aos dados encontrados nas investigações internacionais, sugere-se que a complexidade envolvida no processo de diferenciação do jovem adulo pode gerar certo impasse relacionado ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além da entrada precoce no mercado de trabalho, ou, por outro lado, longos percursos escolares e inserção tardia no mundo profissional.

As pesquisas agrupadas na segunda categoria temática (família, ninho cheio e questões de carreira durante a adultez jovem) evidenciam que o aumento das exigências do mercado de trabalho e as consequentes dificuldades de inserção no mundo profissional configuram-se como principais motivos para a permanência dos jovens adultos no lar parental. Além disso, os benefícios ligados a questões de segurança e conforto apresentam-se como pontos comuns na manutenção desse prolongamento da convivência, na opinião de pais e filhos. Como principais decorrências desse fenômeno, pode-se mencionar a extensão do período de estudos e o adiamento da entrada no mundo profissional (Silveira & Wagner, 2006; Vieira & Rava, 2012).

A perspectiva de saída da casa da família de origem por parte do jovem adulto costuma ser um processo que exige a reorganização do sistema familiar, pois os pais tendem a enfrentar um sentimento de perda frente à necessidade de redirecionamento de suas funções parentais para o próprio casamento e para os cuidados de seus próprios pais (Carter & McGoldrick, 1995). O jovem adulto, por sua vez, passa por um momento de construção da identidade pessoal e profissional (Erikson, 1976), buscando explorar possíveis cenários de carreira e experimentando algumas escolhas iniciais (Super, 1990). Nesse momento de mudanças, os valores e mitos intrínsecos ao projeto de vida e de trabalho da família são transmitidos a eles, direta ou indiretamente, de forma transgeracional (Bowen, 1978). O sistema familiar pode atuar como uma instância fortalecedora na construção da identidade profissional, oferecendo apoio e incentivo à exploração profissional e às escolhas na carreira. Por outro lado, a família também pode potencializar a insegurança desses jovens adultos frente aos desafios pessoais e profissionais, quando não encontra recursos emocionais para enfrentar o processo de transição.

De acordo com Kublikowski e Rodrigues (2016), as trajetórias de construção da adultez jovem na con-temporaneidade são demarcadas pela multiplicidade de arranjos familiares, diante das possibilidades culturais e socioeconômicas de cada sistema familiar. O ninho cheio, ou seja, a permanência do jovem adulto na casa dos pais, não indica, por si só, se a família apresenta ou não um nível saudável de funcionamento, bem como se o impacto desse funcionamento no desenvolvimento de carreira dos filhos é positivo ou negativo. No que se refere à relação entre o ninho cheio e aspectos profissionais durante a adultez jovem, estudos internacionais têm confirmado a ausência de associação entre separação física e aspectos favoráveis ao desenvolvimento de carreira, como tomada de decisão profissional (Blustein, Walbridge, Friedlander, & Palladino, 1991) e maturidade de carreira (Lee & Hughey, 2001).

Portanto, parece que o prolongamento da convivência entre pais e filhos só é problemático quando há prejuízo no processo de separação emocional, e não necessariamente física. Cabe, portanto, avaliar com cautela os fatores con-textuais e transgeracionais que influenciam o ninho cheio em cada família. Em alguns casos, é possível que a permanência retrate um funcionamento familiar emaranhado (Minuchin, 1982), caracterizado pela falta de clareza em relação aos limites entre os papéis desempenhados por cada membro. Além de expressar um impasse para o processo de diferenciação, o nível elevado de aglutinação entre os integrantes da família pode dificultar a tomada de decisão profissional dos jovens adultos. Por outro lado, de acordo com Bowen (1978), a saída precoce do lar parental pode representar, inclusive, um padrão de funcionamento com alto nível de desligamento. Nesse caso, a tendência é que a falta de comunicação entre pais e filhos e a carência de suporte parental também prejudiquem o processo de escolha profissional do jovem adulto.

A análise da terceira categoria temática (casamento, conjugalidade e carreira do jovem adulto) permite constatar que a vivência do casamento e da conjugalidade durante a adultez jovem estão cada vez mais influenciadas pela preocupação relacionada à progressão financeira e ao status profissional, que independe do gênero (Falcke & Zordan, 2010; Heckler & Mosmann, 2014; Heckler & Mosmann, 2016). Além disso, os resultados dos estudos abarcados por essa categoria temática apresentam dois conceitos representativos em relação aos novos modelos de casamento e conjugalidade. Fala-se dos casais de dupla carreira: ambos os cônjuges trabalham e, por conta disso, precisam administrar juntos os afazeres domésticos, os cuidados com os filhos e a gestão financeira da casa (Heckler & Mosmann, 2014; 2016). Como uma das principais consequências desse fenômeno, os jovens adultos no início da vida conjugal têm se deparado com demandas crescentes de atividades que acabam, por vezes, gerando priorização das questões profissionais e colocando a con-jugalidade em segundo plano (Falcke & Zordan, 2010; Menezes & Lopes, 2007). Além disso, a coabitação, conhecida judicialmente como união estável, também se revela cada vez mais frequente (Arnett, 2006), de modo que alguns autores, a exemplo de Menezes e Lopes (2007), têm considerado esse fenômeno como um evento normativo no ciclo de vida.

Outro dado revelado pelos estudos refere-se à tendência de mudar de cidade em busca de melhores oportunidades de carreira, fato que reforça a constatação de que a conjuntura do mercado de trabalho acaba sobressaindo--se na vivência dos jovens adultos casados (Heckler & Mosmann, 2016). Destaca-se, também que, apesar das diferenças entre a delimitação de funções conjugais e profissionais de homens e mulheres estarem diminuindo gradativamente, as mulheres permanecem assumindo a maior parte das responsabilidades do lar, mesmo com uma carga horária de trabalho similar aos esposos (Falcke & Zordan, 2010, Heckler & Mosmann, 2016).

A quarta categoria temática (questões de gênero no desenvolvimento de carreira do jovem adulto) aprofunda essa discussão, referente à relação entre gênero e processo de desenvolvimento de carreira na fase da adultez jovem.

Observam-se recorrentes questionamentos acerca das funções tradicionais de homem como provedor e da mulher enquanto cuidadora da casa e dos filhos (Amazonas et al., 2011; Borges et al., 2014; Ciscon-Evangelista et al., 2012). Em conformidade com os resultados da categoria temática anterior, estas pesquisas também demarcam a diminuição da assimetria entre os gêneros no que diz respeito ao papel fundamental atribuído pelos jovens adultos de ambos os sexos à busca por autonomia financeira e progressão profissional (Borges et al., 2014). Porém, ainda se percebe grande dificuldade por parte das mulheres em relação à busca de equilíbrio entre carreira, maternidade e funções domésticas (Amazonas et al., 2011; Borges et al., 2014; Ciscon-Evangelista et al., 2012). Lassance e Magalhães (1997) afirmam que, embora as mulheres contemporâneas caracterizem o processo de desenvolvimento de carreira enquanto natural e igualitário aos homens, questões profissionais ainda ocupam um lugar secundário na construção do auto-conceito feminino (Super, 1980). Isso se deve, segundo as autoras, aos aspectos culturais que permeiam as concepções de gênero, de modo que os homens tendem a receber uma educação focada na constituição de um autoconceito estritamente associado ao desempenho e ao sucesso profissional.

Por fim, os resultados pertencentes à quinta categoria temática (família e desenvolvimento de carreira durante o período universitário) trazem duas perspectivas distintas em relação ao papel da família durante o período acadêmico dos filhos. O estudo focado na percepção dos pais (Oliveira & Dias, 2013) indica que os genitores acreditam participar ativamente da vida profissional dos filhos universitários. Já a outra pesquisa, com ênfase na percepção dos graduandos (Bardagi & Hutz, 2008), sugere baixa comunicação e pouco apoio familiar em relação às escolhas que permeiam a vivência acadêmica. Whiston e Keller (2004) apontam que grande parte das investigações com foco na adultez jovem têm priorizado amostras de estudantes de graduação, tendo em vista que o período universitário constitui uma tarefa característica de grande parte dos jovens adultos, especialmente de classes economicamente mais favorecidas. No entanto, essas pesquisas nem sempre clarificam a maneira pela qual a influência parental é exercida, mas apenas a frequência com que é citada pelos participantes (Bardagi et al., 2012).

O período universitário exige que os jovens adultos passem por um processo de adaptação, dado que se deparam com um novo contexto, diversas mudanças de rotina, aumento de responsabilidades profissionais e afastamento (emocional e/ou físico) da família de origem. Bardagi e Albanaes (2015) alertam que a dificuldade para enfrentar tantos desafios impostos pela vivência acadêmica pode, inclusive, impactar na satisfação com a graduação e, consequentemente, na possibilidade de evasão, fato que reforça o papel da família enquanto instância de apoio durante o período acadêmico.

 

Considerações finais

A incerteza que permeia o mundo profissional aliada à prevalência de valores individualistas na sociedade contemporânea têm contribuído para a complexificação da forma como as famílias brasileiras vivenciam a fase da adultez jovem. O casamento e a parentalidade, comumente delimitados como característicos dessa fase do ciclo vital, têm cedido foco para a formação profissional e a busca pela independência financeira. A partir de perspectivas teóricas contemporâneas, questiona-se sobre a possibilidade de uma nova abordagem do ciclo de vida familiar que contemple fenômenos como a coabitação e a permanência prolongada na casa da família de origem enquanto normativos. No que diz respeito ao desenvolvimento de carreira durante a adultez jovem na atualidade, constata-se uma ambivalência entre a busca de autonomia e diferenciação por parte do jovem adulto, em contraponto à ampliação do período de dependência financeira da família. Embora os percursos profissionais entre homens e mulheres estejam mais igualitários, o público feminino tende a sentir essa ambiguidade de modo mais acentuado, devido ao impasse, ainda presente, ocasionado pela sobreposição de diferentes papéis, de mãe, esposa e profissional.

O prolongamento da convivência entre pais e filhos jovens adultos não parece retratar, necessariamente, um problema para o processo de diferenciação do self e do desenvolvimento de carreira do jovem adulto. Independentemente da saída da casa dos pais, é o padrão de funcionamento da família que se constitui como elemento essencial na transição para a vida adulta, tanto pessoal quanto profissional. Nesse sentido, a família pode atuar como facilitadora, quando consegue oferecer apoio emocional e comunicação aberta, sem demandar que suas próprias expectativas de carreira sejam cumpridas pelos filhos. Por outro lado, quando apresenta aglutinação excessiva ou, contrariamente, alto nível de desligamento emocional, tende a acentuar os obstáculos encontrados pelo jovem adulto frente aos desafios na carreira.

As dificuldades de inserção no mundo de trabalho e o foco quase que exclusivo nas questões de cunho profissional no projeto de vida da adultez jovem contemporânea remetem a uma reflexão acerca da saúde psicológica dos jovens adultos na sociedade atual. Tendo em vista que as relações íntimas / amorosas aparecem em segundo plano, além da pressão frente a um mercado profissional cada vez mais competitivo, o papel da família parece ser ainda mais reforçado, tanto na construção do autoconceito quanto da identidade profissional. Diante disso, o desafio dos profissionais que atuam no contexto clínico e com aconselhamento de carreira também se amplifica, devido à necessidade de integrarem dados de ordem cognitiva, psicossocial, cultural e socioeconômica em suas intervenções, com enfoque nas questões de funcionamento familiar. Complementando o papel da família, bem como dos profissionais que atendem jovens adultos, entende-se que a atenção das políticas públicas a esse público necessite de maior prioridade, especialmente no que se refere à formação escolar/acadêmica e às oportunidades de entrada no mercado de trabalho.

É fundamental pontuar que nas pesquisas contempladas pela amostra do presente estudo, houve predomínio de jovens adultos da classe média ou alta, bem como de uma região e um Estado específicos do Brasil. Tendo em vista que esses grupos representam um recorte do cenário brasileiro, demarcado por disparidades socioeconômicas e culturais, os eventos contemporâneos destacados pelos resultados, como a "adultez emergente" e o "ninho cheio" merecem maior exploração por parte dos pesquisadores, com foco em classes socioeconômicas menos favorecidas e em diferentes regiões do país.

Como limitações deste estudo, salienta-se que as plataformas utilizadas, bem como os critérios de inclusão dos artigos, não abarcam toda a produção científica brasileira sobre a temática proposta. Nesse sentido, novas revisões de literatura, com procedimentos de inclusão diferenciados em termos de período e palavras-chave, ou mesmo revisões de literatura de outras modalidades (sistemática ou bibliométrica, por exemplo), podem trazer resultados complementares aos obtidos por meio deste estudo. Julga-se pertinente, também, que futuras investigações empíricas sobre a relação entre família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos empreguem métodos quantitativos, mistos e longitudinais, como forma ampliar a representatividade dos resultados, ou mesmo questionar o que vem sendo apresentado até o momento.

Como orientações para futuros estudos, uma possível linha de investigação refere-se à exploração da interface entre a diferenciação do self do jovem adulto e aspectos ligados à carreira. Outra possibilidade relaciona-se ao papel da família durante o período acadêmico dos filhos, dados os desafios enfrentados pelos jovens adultos durante a vivência universitária. Além disso, os pesquisadores podem incorporar a diversidade dos arranjos familiares brasileiros contemporâneos às variáveis de carreira durante a fase da adultez jovem, tendo em vista o aumento gradativo de famílias monoparentais, recompostas e homoafetivas.

 

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Endereço para correspondência:
Milena Carolina Fiorini
Centro de Filosofia e Ciências Humanas - UFSC
Departamento de Psicologia
Trindade, 88040-970, Florianópolis, SC
E-mail: milenacf.psicologa@gmail.com

Recebido: 15/12/2016
1a reformulação: 15/05/20107
2a reformulação: 14/07/2017
Aceite final: 25/09/2017

 

 

Sobre as autoras
Milena Carolina Fiorini é psicóloga e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Carmen Leontina Ojeda Ocampo Moré é psicóloga pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora Associada IV, do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC.
Marúcia Patta Bardagi é psicóloga, mestre e doutora em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora Adjunta do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC.
1. Núcleo de Pesquisa Dinâmica das Relações Familiares (http://www.ufrgs.br/relacoesfamiliares/); NEIC - Núcleo de Estudos e Intervenções em Carreira (http://www.ufrgs.br/neic)

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