SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.18 número1Família e desenvolvimento de carreira de jovens adultos no contexto brasileiro: revisão integrativaExpectativas sobre o desenvolvimento da carreira em estudantes universitários índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Revista Brasileira de Orientação Profissional

versão On-line ISSN 1984-7270

Rev. bras. orientac. prof vol.18 no.1 Florianópolis jun. 2017

http://dx.doi.org/10.26707/1984-7270/2017v18n1p57 

ARTIGO

 

Revisão sistemática da literatura internacional sobre aposentadoria e redes sociais1

 

A systematic review of worldwide literature on social networks and retirement

 

Revision sistemática de la literatura internacional acerca de la jubilación y redes sociales

 

 

Marcos Henrique Antunes; Carmen Leontina Ojeda Ocampo Moré

Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este estudo realiza uma revisão sistemática da produção científica internacional sobre aposentadoria e redes sociais entre os anos de 2006 e 2015. As bases de dados consultadas foram: Scopus, Web of Sciences e PsycInfo. Utilizando os descritores "aposentadoria" e "redes sociais", localizou-se 355 artigos, dos quais selecionou-se 34, considerando os critérios de elegibilidade. Os resultados assinalam a prevalência de estudos quantitativos e de origem norte-americana. Verificou-se que o trabalho e a família são dimensões articuladoras das redes sociais e que o desligamento laboral ocasiona mudanças significativas na dinâmica das relações estabelecidas pelos aposentados. Percebeu-se, ainda, que o tamanho e a qualidade dos vínculos presentes nas redes sociais na aposentadoria tem relação direta com o contexto socioeconômico de vida desse público.

Palavras-chave: aposentadoria, redes sociais, revisão de literatura


ABSTRACT

This study carries out a systematic review of the international scientific production on the topics of retirement and social networks between the years 2006 and 2015. The consulted databases were: Scopus, Web of Sciences and PsycInfo. Using the entries "retirement" and "social networks", 355 articles were found, 34 of which were selected considering the criteria for eligibility. The results indicate the prevalence of quantitative and North American studies. It was verified that work and family are articulating dimensions of social networks and that work dismissal causes significant changes in the dynamics of the relationships established by retirees. In addition, it was perceived that the size and quality of the bonds present in social networks in retirement is directly related to the socio-economic context of life of that population.

Keywords: retirement, social networks, literature review


RESUMEN

Este estudio se basa en una revision sistemática de la producción científica internacional de los anos 2006 a 2015 acerca de los temas jubilación y redes sociales. Las bases de datos consultadas fueron: Scopus, Web of Sciences y PsycInfo. Se utilizaron los descriptores "jubilación" y "redes sociales" y fueron localizados 355 artículos, siendo seleccionados 34 que atendieron los criterios de inclusión. Los resultados evidencian la prevalencia de estudios cuantitativos y norteamericanos. Se constató que el trabajo y la familia son dimensiones articuladoras de las redes sociales y que el desligamiento laboral provoca cambios significativos en la dinâmica de las relaciones establecidas por los jubilados. Además, se percibió que la dimensión calidad de los vínculos presentes en las redes sociales en la jubilación tiene relación directa con el contexto socioeconómico de vida de esta población.

Palabras-clave: jubilación, redes sociales, revisión de literatura


 

 

O trabalho é um meio promotor de socialização e desenvolvimento na vida adulta, sendo que, nessa fase, as pessoas perpassam, de forma dinâmica, diferentes momentos de suas trajetórias de vida. Isso envolve, comumente, desde a integração no contexto laboral até a efetivação do desligamento desse vínculo (Zanelli, Silva, & Soares, 2010). Considerando que o trabalho acontece numa perspectiva psicossocial, observa-se que essa dimensão intermedia a construção de narrativas de carreiras significadas socialmente, servindo como base para construção de projetos de vida (Ribeiro, 2014).

No que concerne à aposentadoria, visualiza-se que o rompimento do vínculo laboral caracteriza-se como uma das mudanças na trajetória de vida no trabalho. A literatura especializada demonstra que essa mudança acarreta diversas repercussões para o indivíduo, dentre as quais cita-se: transformações identitárias e nas relações significativas (Santos, 1990; Szinovacz, Ekerdt, & Vinick, 1999), perdas financeiras (Howard & Yazdipour, 2014), alterações de saúde geral (Wang, Henkens, & Van Solinge, 2011; Zanelli et al., 2010), manejo do tempo livre (França & Soares, 2009). Na contemporaneidade, a aposentadoria tem provocado os sujeitos a pensar projetos e perspectivas que possam satisfazê-los por mais tempo, o que acontece em função do prolongamento do ciclo de vida, de modo que atualmente as pessoas não necessariamente efetivam o desligamento laboral de imediato após terem cumprido os requisitos para gozar desse benefício/direito. Assim, é possível que os aposentados permaneçam vinculados, parcial ou integralmente, ao mesmo ou a outro emprego ou profissão, e ainda façam projetos que abarquem diversas áreas de suas vidas, incluindo lazer, saúde, família e amigos (Soares & Costa, 2011; Denton & Spencer, 2009; França et al., 2013).

Dentre as repercussões imbricadas nesse processo, este artigo visa discutir elementos do contexto rela-cional da pessoa aposentada, na perspectiva das redes sociais. Conforme Sluzki (1997) as redes sociais são o conjunto de relações estabelecidas por uma pessoa em diferentes espaços de sua vida (família, amizades, trabalho, estudo, comunidade), cuja interação é percebida como significativa, acontece de forma regular e se sustenta por meio do compromisso relacional entre os envolvidos. Para o autor, tais relações implicam sobre a constituição identitária, autoimagem, cuidados de saúde e capacidade de adaptação às crises do ciclo de vida individual e familiar.

A teoria da Análise de Redes Sociais, oriunda da Sociologia, explica as redes sociais como sendo a estrutura composta pelos relacionamentos que uns atores (indivíduos e/ou organizações) possuem com outros (indivíduos e/ou organizações). Nessa direção, para além das relações imediatas entre os distintos atores, destaca-se a necessidade de perceber a ampla rede formada por eles e os seus graus de conexão. A investigação desses elementos tangencia, especialmente, a apreensão dos processos de troca de informação, o que pode incentivar o compartilhamento de ideias e de novas abordagens para resolução de problemas (Nascimento & Serafim, 2015; Scherer-Warren, 1993).

A importância do trabalho na configuração das relações sociais vem sendo discutida em diferentes investigações (Machado et al., 2010; Neri & Vieira, 2013; Peixoto & Egreja, 2012), caracterizando-o como um dos principais espaços de participação social e de estabelecimento de agrupamentos, por meio do qual as pessoas obtêm apoio, afeto e suporte. Nessa perspectiva, ao refletir sobre a transição para aposentadoria é pertinente ponderar que quando há o rompimento do vinculo laboral e, consequentemente, a perda dos papéis desempenhados nesse cenário, acontece o tensionamento das funções que o trabalho possui na vida das pessoas, seja na definição da identidade ou na mediação do agregado de interações por ele promovidas. A adaptação à nova condição tende a ser particularmente difícil para aqueles que contam com uma escassa rede ex-tra-laboral, pois a presença limitada de contatos e grupos de pertencimento pode impedir a substituição satisfatória de fontes de ajuda, reforçando o apego ao trabalho (Atchley, 1971; Carter & Cook, 1995). Assim, denota-se que as relações instituídas no ambiente laboral e extra--laboral são favorecedoras da construção de redes sociais eficazes que influenciam no bem-estar dos trabalhadores e dos aposentados, sinalizando a relevância da discussão proposta nesta revisão.

Estudos brasileiros sobre o tema (Antunes, Soares, & Moré, 2015; Azevedo & Carvalho, 2006; Santos & Souza, 2015) assinalam aspectos de ordem relacional que interferem na satisfação com a aposentadoria, dentre os quais estão a convivência na família, a obtenção de reconhecimento social e a garantia de companhia para realizar atividades e o sentimento de integração na comunidade. Observa-se que esses aspectos atuam tanto sustentando a definição pela efetivação do desligamento laboral quanto nas repercussões e possibilidades de adaptação, podendo ser classificados como recursos para o envelhecimento ativo e bem sucedido.

Sluzki (1997) menciona ser comum, na fase tardia da vida, as redes sofrerem contração e os vínculos existentes diminuírem em virtude de morte, imigração ou afastamento de pessoas. Este dado provoca a pensar acerca dos desafios que idosos e aposentados enfrentam quando seus relacionamentos são escassos, de modo que não percebam acolhida, suporte e segurança. Esses sujeitos podem ficar em situação de vulnerabilidade se estes vínculos não existem ou não cumprem satisfatoriamente suas funções. Isto implica, inclusive, sobre a discussão de políticas públicas para essas populações, tendo presente que família e Estado compartilham papéis centrais na proteção social (Carvalho, 2014).

Com base no que precede, este artigo de revisão sistemática tem como objetivo compreender as repercussões da aposentadoria no contexto das redes sociais, através de dados da literatura internacional. Espera-se integrar informações de estudos executados em diferentes cenários com a finalidade de visibilizar resultados relevantes que contribuam no debate da interface, fomentando práticas e futuras pesquisas.

 

Método

Esta revisão sistemática foi realizada através da busca em bancos de dados eletrônicos acerca da produção científica internacional sobre redes sociais e aposentadoria, com publicação atinente ao período 2006-2015. As bases de dados consultadas foram: i) Social Sciences Citation Index (Web of Science), ii) Scopus (Elsevier), e iii) PsycINFO (American Psychological Association). A estratégia de busca consistiu na utilização combinada dos descritores "redes sociais" e "aposentadoria", em língua inglesa, associados por meio do uso do operador booleano "AND" (social networks AND retirement).

O levantamento ocorreu na primeira quinzena do mês de abril de 2016 e a escolha pelas referidas bases de dados levou em conta a abrangência de indexação das mesmas e, também, sua característica multidisciplinar. A delimitação temporal se explica em virtude da intenção de identificar o status e a profusão da produção científica sobre esses temas nos últimos anos.

Em termos de critérios de elegibilidade, definiu-se pela inclusão especificamente de: (a) produções do tipo relatos de pesquisa; (b) que estivessem diretamente relacionados às temáticas de interesse; (c) publicadas entre 2006 e 2015; e (d) em revistas revisadas por pares. Face a essas delimitações, não foram abarcados outros tipos de trabalhos, tais como editoriais, livros, capítulos, dissertações e teses.

Quanto aos procedimentos utilizados para o levantamento e a triagem de produção cientifica, informa-se que, inicialmente, realizou-se a busca nas três bases de dados eletrônicas a partir dos descritores supracitados. Os resultados foram compilados em uma tabela na qual constavam a referência, o resumo e o link de acesso ao trabalho completo.

Em seguida, foram verificadas as publicações repetidas com a finalidade de subtrai-las do computo. A partir disso, procedeu-se a leitura dos resumos dos artigos visando selecionar aqueles que atendiam aos critérios elencados.

A análise dos artigos ocorreu nas seguintes etapas: (a) leitura dos artigos na integra, com o intento de identificar características, objetivos e resultados de cada produção; (b) descrição das informações averiguadas na etapa anterior; (c) agrupamento e categorização dos dados de acordo com os achados dos artigos. Informa-se que para a execução da terceira etapa seguiu-se os princípios da técnica de análise de conteúdo, conforme proposto por Olabuénaga (2009).

Para apresentação dos resultados nesta revisão, estabeleceu-se dois segmentos de análise: o primeiro deles destina-se à evidenciar as características gerais das produções (autores, país, delineamento metodológico, área de conhecimento e ano de publicação). Apresenta-se, ainda, os focos temáticos dos artigos a partir da análise dos descritores via aplicativo Wordle. No segundo segmento são relatadas as contribuições que os artigos oferecem para o entendimento do objetivo desta revisão.

 

Resultados

O levantamento possibilitou acessar 355 trabalhos, sendo que 157 estavam locados na PsycINFO, 107 na Scopus e 91 na Web of Sciences. Após a leitura dos resumos e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram elegidos 34 artigos para compor o corpus de análise desta revisão. Os principais motivos de exclusão foram: (a) o distanciamento em relação ao foco temático desta revisão, visto terem sido encontrados estudos que tratavam de questões como as redes sociais constituídas no universo online (redes virtuais de relacionamentos), os quais abordavam o acesso às tecnologias de informação e comunicação e não a dinâmica relacional dos vínculos entre pessoas aposentadas, além de outras especificidades do processo de envelhecimento que não contemplavam

0 fenômeno de interesse deste estudo; (b) artigos que se sustentavam em dados oriundos de grandes pesquisas demográficas e socioeconômicas que, apesar de tangenciar aspectos em torno da aposentadoria, não analisavam esse item. A figura 1 foi desenvolvida com o intuito de sistematizar o processo de levantamento e triagem dos trabalhos localizados.

Referente ao primeiro segmento de análise, a Tabela 1 foi desenvolvida com a finalidade de sistematizar as informações quanto aos autores, áreas de conhecimento, país e ano de publicação.

Destaca-se que, dos 34 estudos que compõem o corpus deste artigo, a maior quantidade de produções é oriunda dos Estados Unidos (9), seguido por Israel (4) e Reino Unido (3). Os demais países, por sua vez, apresentaram somente 01 ou 02 artigos cada.

Em relação às áreas de conhecimento, Ciências Sociais/Sociologia (10) e Gerontologia (7) são os campos com maior concentração de publicações, sendo que todos os demais apresentaram números inferiores. Dos 34 artigos analisados apenas 03 são desenvolvidos no campo da Psicologia, indicando que essa área parece explorar pouco a aposentadoria associada às redes sociais. Destaca-se, também, que foi localizado apenas 01 artigo interdisci-plinar, cujo dado possibilita afirmar a carência de estudos sobre esses temas numa perspectiva multidimensional.

A respeito do período de publicação, nota-se certa discrepância no número de produções por ano. Parece haver aumento no último quinquênio (2011-2015) que reúne 59% do total de artigos, especialmente se considerado que não foram localizados artigos para esta revisão nos anos de 2006 e 2007.

Acerca da natureza metodológica predominaram artigos com abordagem quantitativa (21), seguidos pela qualitativa (11) e, por fim, os mistos (2). Os instrumentos e técnicas de pesquisa utilizados foram: inquérito e questionário (15), entrevista estruturada e semiestruturada (12), inventário e escala (3), grupo focal (2), observação participante (1), etnografia (1) e análise documental (1).

A respeito de possíveis focos de análise da produção examinada, a partir dos descritores dos artigos foi organizada a nuvem de palavras-chave (figura 2) com auxílio do aplicativo Wordle, a qual destaca as que mostram mais repetição. De 32 palavras-chave, as mais citadas foram: aposentadoria (12 recorrências), envelhecimento (10 recorrências), redes sociais (10 recorrências), família (7 recorrências), engajamento social (7 recorrências), apoio intergeracional (6 recorrências) e saúde (4 recorrências). Esses dados são indicativos para que novos estudos sobre a interface em questão possam abranger outros descritores, com o intuito de examinar se os resultados apresentados nesta revisão podem ser igualmente observados.

 

 

Chama atenção a recorrência da palavra-chave "envelhecimento", o que, de certa forma, demonstra um viés na apreensão da aposentadoria associando-a a questões da vida idosa. Analisa-se que, em termos de ciclo de vida, tais processos se aproximam, porém não podem ser tomados como análogos, pois há especificidades do estágio de vida idosa que não correspondem necessariamente à aposentadoria, tendo em vista que algumas pessoas efetivam esse momento ainda na fase adulta.

Ademais, constata-se a relevância atribuída ao contexto familiar, o que pode ser notado mediante a recorrência dos descritores "família" e "apoio intergeracional". Esse dado sinaliza a importância que as relações na família nuclear e extensa possuem na experiência de aposentar-se, principalmente, no desempenho das funções de acolhida e apoio por parte de seus componentes, indo ao encontro do que apontam outros estudos na área (Antunes et al., 2015; Azevedo & Carvalho, 2006; Szinovacz et al., 2012).

O segundo segmento de análise, por sua vez, refere-se à descrição dos principais resultados dos artigos eleitos para esta revisão. Estes elementos foram agrupados em 05 categorias de análise, as quais representam a sistematização das recorrências temáticas evidenciadas nas produções. As categorias são: (a) dinâmica de funcionamento das redes sociais no processo de aposentadoria; (b) questões de gênero; (c) aspectos socioeconômicos; (d) relações familiares e de amizade; (e) participação social e comunitária.

Dinâmica de funcionamento das redes sociais no processo de aposentadoria

Aposentados com redes amplas e contendo mais pessoas possíveis de serem acessadas diretamente manifestam melhores condições de saúde e atitudes positivas em torno do momento que vivem (Hermida, Tagliarini, & Stefani, 2014; Nguyen, Tirrito, & Barkley, 2014; Schafer, 2013; Stephens, Noone, & Alpass, 2014). Para além do tamanho, a articulação e a complementariedade na interação entre distintas pessoas das redes dos aposentados, sustentam a eficácia no cumprimento de suas funções no sentido de subsidiar as necessidades desses indivíduos (Kohli, Hank, & Künemund, 2009).

Quanto à constituição das redes sociais na aposentadoria, as principais denominações referem cônjuges, filhos, componentes da família extensa, ex-colegas de trabalho e amigos. Com exceção dos cônjuges, os quais oferecem tanto apoio emocional quanto instrumental, os demais fornecem, principalmente, apoio do tipo emocional (Hermida et al., 2014).

Nos primeiros anos após aposentar-se é provável que ocorra uma ampliação das relações sociais em função do maior tempo livre para realizar atividades com outras pessoas (Sabbath, Lubben, Goldberg, Zins, & Berkman, 2015). Entretanto, há evidências de que esse movimento não permanece acontecendo no transcorrer dos anos, em virtude do encolhimento no tamanho das redes gerado a partir das limitações físicas que podem emergir com a idade (Cornwell, Laumann, & Schumm, 2008; Marcum, 2013).

A redução no tamanho da rede está associada, também, à seletividade relacional, posto que algumas pessoas, em fases tardias da vida, instituem critérios de convivência de acordo com as suas necessidades e possibilidades. Esta seletividade, comumente, integra questões de idade e do contexto socioemocional, variando conforme o modo pelo qual as necessidades emocionais foram supridas no curso de vida e a dinâmica particular de cada grupo (Ayalon & Green, 2013; Cornwell, 2009; Schafer, 2011).

Possuir trabalho e utilizar o tempo em atividades laborais promove certa sensação de controle sobre a vida. No referente às redes sociais, estar vinculado ao trabalho favorece, dentre outros aspectos, o sentimento de perten-cimento a grupos. Dessa maneira, o rompimento desse vínculo pode ser gerador de sentimentos de perda e desconexão (Nyqvist, Forsman, & Cattan, 2013; Requena, 2013; Waters & Gallegos, 2014). Também por esses motivos, alguns aposentados optam por preservar seu vínculo laboral com a finalidade de conservar seu engajamento social, apesar de terem conquistado meios para aposentadoria (Kay, 2012).

O estudo longitudinal empreendido por Cozijnsen, Stevens e Van Tilburg (2010), identificou que os aposentados dos anos 2000 são mais propensos a manter vínculos pessoais relacionados com o trabalho do que os da década de 1990. Ao passo em que a inserção em estruturas tradicionais tais como vizinhança e organização de bairros diminuiu, a manutenção de relacionamentos oriundos da trajetória laboral dos indivíduos está sendo potencializada, cujo movimento é considerado positivo devido, especialmente, ao componente histórico que contempla.

Questões de gênero

Os estudos apontam distinções entre as experiências de aposentadoria de mulheres e homens. No caso do primeiro público, há indicativos de que elas se direcionam mais para a família em busca de suporte e, com isso, podem sentir-se acolhidas e apoiadas ao retornar e/ou ampliar as atividades de cuidado nessa esfera (Cornwell, 2011; Hermida et al., 2015; Requena, 2013). Entretanto, os aspectos socioeconômicos influenciam diretamente, tendo presente que as mulheres com profissões que lhes conferiram condições de subsistência e autonomia, tendem a acessar mais as outras relações de suas redes, para além da família, ampliando as possibilidades de apoio e engajamento social (Price & Dean, 2009).

Os homens aposentados podem manifestar insatisfação com as redes sociais em decorrência das mudanças que acontecem nos papéis que ocupam e, também, pela perda dos contatos firmados através do trabalho (Cornwell, 2011; Hermida et al., 2015). Por outro lado, Requena (2013) identificou que estes sujeitos apresentam possibilidades aumentadas de desenvolver novos relacionamentos, especialmente, de amizades. Entende-se que ambas as vias precisam ser analisadas e tensionadas de acordo com o contexto de cada pessoa, uma vez que os estudos foram realizados em países distintos e as particularidades culturais apresentam nuances diversificadas.

Há, também, uma possível associação com o estado civil: pessoas que vivem sozinhas nessa fase da vida, possuem, em média, apenas 50% dos contatos daquelas que residem com parceiros e/ou filhos, independentemente do gênero (Cornwell, 2011). Os homens que não possuem nenhuma relação amorosa nessa etapa da vida mencionam seus filhos como principais fontes de apoio, enquanto que as mulheres, especialmente as solteiras, viúvas e divorciadas, são mais propensas a nomear as amizades (Van Dussen & Morgan, 2009).

Aspectos socioeconômicos

As redes de relações variam de acordo com o contexto socioeconômico de vida das pessoas aposentadas (Cornwell, 2011; Requena, 2010, 2013). As famílias em que ambos os parceiros desenvolveram carreiras e recebem benefício financeiro usufruem de maior sensação de segurança após a aposentadoria (Litwin, 2010). Pessoas pertencentes aos extratos socioeconômicos baixos apresentam menor tempo envolvido em atividades de lazer, esporte e voluntariado, se comparadas às que dispõem de meios para investir nessas dimensões e na sua saúde (Sabbath et al., 2015; Stephens et al., 2014).

Nesse sentido, a desigualdade de renda é um fator que repercute na interação social, colocando indivíduos com carências de ordem socioeconômica em risco de exclusão social. Isto pode ser reforçado pela idade, sendo que pessoas idosas e pobres tendem a ter um número restrito de contatos (Ellwardt, Peter, Prãg, & Steverink, 2014).

Um dos elementos embrenhados nessa discussão diz respeito ao aposentado assumir o papel de cuidador dos netos, o que pode ocorrer através de auxílios financeiros e do uso do tempo livre para o desempenho de atividades de cuidado com as crianças. Especialmente no caso das classes sociais média-baixa e baixa, o movimento de compartilhar recursos é comum, sendo capaz de gerar sobrecarga e restrição de possibilidades relacionais do aposentado com outras pessoas do ambiente familiar e além dele (Ho, 2015).

Entretanto, as transferências intergeracionais não acontecem apenas nessa direção e há casos nos quais os filhos se tornam responsáveis por contribuir financeiramente com seus progenitores. Szinovacz e Davey (2012) averiguaram ser comum que essa função seja delegada a um dos filhos, porém, em famílias com fatrias grandes esse cuidado pode ser compartilhado entre diferentes membros, o que, consequentemente, amplia as possibilidades de prover tal assistência.

Ao investigar o modo pelo qual as questões financeiras interferem no contato social de idosos e aposentados neozelandeses, O'Sullivan e Ashton (2012) descobriram que o estilo de vida desse público, frequentemente, não é alvo de atenção e planejamento pessoal e/ou governamental adequados, de modo que o rendimento que possuem não é condizente com as demandas dessa fase da vida. Custos com saúde e aluguel, por exemplo, podem limitar o desenvolvimento de atividades sociais, principalmente das pessoas que residem sozinhas, se comparadas com aquelas que dividem tais gastos com parceiros.

Relações familiares e de amizade

Com a aposentadoria transcorre maior disponibilidade de tempo para conviver e realizar atividades com familiares e amigos (Jones, Leontowitsch, & Higgs, 2010; Requena, 2010, 2013; Sabbath et al., 2015). O tamanho da família influencia a percepção do apoio, sendo que quanto maior for o agregado familiar, maior também é a probabilidade de o sujeito sentir-se apoiado (Khan, 2014; Requena, 2013; Stephens et al., 2014).

As relações conjugais aparecem como principais promotoras de suporte instrumental e emocional no processo de aposentar-se. Inclusive, destaca-se que as decorrências da experiência de viuvez podem reduzir consideravelmente a satisfação nesse momento da vida (Hermida et al., 2014; Requena, 2010; Solinge, Henkens, & Blanchard-Fields, 2008).

A residência compartilhada com filhos, indiferentemente da idade destes, é indicativo de maiores fluxos de apoio intergeracional (Khan, 2014). Todavia, quando a distância geográfica impede a convivência próxima, as implicações desse fato se relacionam mais à circunscrição de possibilidades dos filhos auxiliarem seus pais nas demandas cotidianas do que ao fluxo de afeto entre ambos (Walters & Bartlett, 2009).

Considerando que, com certa frequência, os filhos prestam assistência até mesmo de ordem financeira aos pais idosos, é relevante refletir sobre as possibilidades de apoio que os aposentados irão acessar em um futuro próximo, principalmente, mediante os dados demográficos mundiais que apontam para a diminuição das taxas de fecundidade e a escolha por ter filhos num período tardio da vida. Szinovacz e Davey (2012) analisam que esses aspectos podem interferir nas condições de membros da família para atender às demandas de seus progenitores, uma vez que há possibilidade do entrecruzamento inter-geracional de demandas. É possível que esse movimento seja ainda mais evidenciado nos casos em que os filhos não estejam estabelecidos financeira e profissionalmente, motivos pelos quais continuam carecendo dos recursos oferecidos pelos pais.

Por outra via, a experiência de não ter filhos é capaz de desencadear a busca de outras relações para além da família, oportunizando o envolvimento do aposentado em espaços diversificados. Apesar dessa possibilidade, a transferência de funções para pessoas fora do agregado familiar pode gerar restrições no cumprimento das mesmas e, consequentemente, carência de recursos relacionais (Albertini & Kohli, 2009).

Destaca-se, ainda, que a saída do mercado de trabalho pode causar diminuição das redes sociais na medida em que são perdidos contatos que faziam "ponte" para o estabelecimento de vínculos no contexto laboral e social (Cornwell, 2009). Nessa perspectiva, Requena (2013) identificou que, em comparação com o tempo de trabalho, a aposentadoria pode acarretar a perda de um a quatro amigos. Em decorrência disso, as redes de apoio informal tendem a diminuir, enquanto que as relações de parentesco costumam ser enfatizadas. Essas mudanças implicam sobre os níveis de autoestima e satisfação, visto que as relações de amizade estão associadas ao bem estar subjetivo e relacional (Requena, 2010).

Com base no estudo executado por Jones et al. (2010), verifica-se que para um grupo de aposentados que visualizavam recursos relacionais para esse período, o afastamento do trabalho era algo esperado, pois os mesmos ansiavam por um novo estilo de vida. Contar com relações nas quais os indivíduos compartilham de perspectivas de vida promove melhores condições para o planejamento e reforça, até mesmo, a possibilidade de escolha pela aposentadoria antecipada.

Participação social e comunitária

O tempo livre do trabalho pode conferir meios para que os aposentados realizem turismo e acessem tecnologias de informação e comunicação (Nimrod, 2008, 2010). De igual modo, esse fator se associa positivamente com a participação em espaços religiosos, interação com vizinhos, envolvimento em trabalhos voluntários. Vale destacar que a integração nesses espaços oportuniza conhecer pessoas, trocar experiências e expandir as redes relacionais (Cornwell, Laumann, & Schumm, 2008). Contar com lideranças carismáticas nos ambientes que os aposentados circulam pode facilitar a participação e o engajamento nas atividades, além de se configurar um elemento de apoio na transição do trabalho para a aposentadoria (Southcombe, Cavanagh, & Bartram, 2015).

Solinge et al. (2008) averiguaram que, no caso dos trabalhadores holandeses mais velhos, um elemento central a ser manejado no período que antecede a efetivação da aposentadoria é a ansiedade acerca das consequências sociais desse momento. Os autores apontam que o engajamento em trabalhos voluntários, antes de se aposentar, amplia condições de suporte psicossocial.

 

Discussão

Os dados de caracterização dos estudos examinados sugerem um aumento no número de publicações, bem como a diversidade de autoria e contextos explorados nas produções internacionais sobre aposentadoria e redes sociais nos últimos cinco anos. Esses aspectos são relevantes na medida em que permitem atentar para cenários variados, considerando as especificidades dos fatores associados ao tema e ampliando a discussão em torno da interface.

Conforme anunciado, o escopo desta revisão circunscreve-se no cenário da produção científica internacional. Todavia, chama atenção não ter sido localizado nenhum artigo publicado por autores brasileiros nesse mesmo cenário, o que pode indicar uma lacuna nas pesquisas executadas no país. É importante que novos estudos desenvolvidos nesse contexto revisem especificamente a produção brasileira para confrontar esta constatação e enfatizar os elementos relacionais na discussão deste fenômeno.

Acerca das características metodológicas dos artigos, percebeu-se a prevalência de estudos de natureza quantitativa, os quais atendem à demanda de entendimento da interface temática mediante a mensuração e generalização dos resultados. Em parte, isso se explica pela própria origem dos dados de alguns artigos que se constituíram a partir de surveys e censos. Contudo, recomenda-se que novas investigações sejam executadas também em abordagens qualitativas e mistas, possibilitando depreender significados e particularidades dos contextos.

Face ao objetivo desta revisão, destaca-se que o conjunto de dados alcançados demonstram que as redes sociais sofrem amplas modificações na aposentadoria, cujo movimento é multidimensional e pode gerar contração e/ ou aumento na quantidade de vínculos disponíveis e possíveis de serem acessados nesse período, o que influencia recursivamente na qualidade das relações. Tais alterações são concernentes ao contexto de vida do aposentado, pois elementos como as questões de gênero e extrato socioeco-nômico, além da história individual e relacional, demarcam distintas condições de satisfação com a aposentadoria.

O trabalho e a família são dimensões articuladoras das relações configuradas nas redes sociais no período da aposentadoria. Especificamente acerca do trabalho, verificou-se que este é um dos principais meios pelos quais os adultos desenvolvem suas redes relacionais e, com a aposentadoria, pode ocorrer o afastamento e, até mesmo, a ruptura com essa fonte, produzindo alterações no número de vínculos e no cumprimento de suas funções, corroborando o que a literatura já aponta (Azevedo & Carvalho, 2006; Santos, 1990; Zanelli et al., 2010).

Para além dessa alteração, identificou-se que esse processo ocasiona consequências na integração de pessoas e de redes distintas, visto que o trabalho é uma dimensão potencialmente promotora de "pontes" entre sujeitos que participam em diferentes cenários da vida social (Cornwell, 2009). Isto é, afastar-se do trabalho pode significar mais do que a perda imediata dos principais contatos sociais que a pessoa possui, mas também a redução as possibilidades de conhecer e constituir novos relacionamentos. Nessa direção, é estabelecida a hipótese de que quanto maior a incidência desse processo na vida do aposentado, mais ele tenda a buscar e/ou resgatar vínculos igualmente relevantes em termos de intimidade e afeto, como é o caso daqueles constituídos no contexto familiar.

Referente à família, observou-se que os diferentes componentes atuam tanto no atendimento imediato de demandas do aposentado quanto no engajamento deste em atividades sociais. Do segundo elemento decorre, sobretudo, a ampliação das possibilidades de contato e acesso ao apoio em contextos diversificados. Cabe considerar que o desempenho dessas funções por parte dos membros da família sofre o tensionamento do contexto no qual o sistema está inserido. Desse modo, a reflexão se direciona para as contingências que a família apresenta para o cumprimento das funções que lhes são atribuídas nesse momento do ciclo de vida, cujo desempenho pode variar em razão de questões socioeconômicas, da configuração e estrutura da família e da qualidade dos vínculos existentes (Antunes et al., 2015; Azevedo & Carvalho, 2006).

Nesse sentido, a família carece ser observada como uma estrutura cambiante, que não é unívoca e nem se refere apenas ao modelo tradicional, mas constitui-se em uma trama relacional que é integrada pelos seus distintos membros, com seus vínculos e funções. Ademais, as características contemporâneas desse sistema como, por exemplo, o acréscimo de autonomia e a existência de relações mais horizontais, devem ser devidamente analisados no entendimento de sua funcionalidade, uma vez que essas mudanças histórico-culturais acarretaram novas distinções possíveis no estabelecimento de laços de afeto (Carvalho, 2014).

Os resultados obtidos denotam, ainda, a relevância de observar a aposentadoria na intersecção com outros eventos e situações de vida individual e familiar, considerando as particularidades de cada estágio do ciclo de desenvolvimento humano. Isto implica no entendimento das mudanças que acontecem no funcionamento geral das redes sociais no ciclo vital tardio e como elas afetam as peculiaridades que distinguem cada vínculo. Por exemplo, visualizou-se que não ter relacionamento conjugal e/ou filhos influencia as formas de participação e pertencimento do aposentado em determinados meios, mas isso carece de ser entendido e problematizado à luz de especificidades como os casos de viuvez, divórcio ou nunca ter se casado.

Dessa maneira, ao atentar para as redes sociais percebe-se a abrangência de aspectos que se configuram como recursos problematizadores e enriquecem o entendimento do processo de aposentadoria, oportunizando outros meios de intervenção, além dos tradicionais. Esse direcionamento permite reconhecer o universo relacional do indivíduo e os elementos inter-relacionados que o compõem, a partir dos espaços que ele circula e participa: vizinhança, família, instituições, entre outros (Moré, 2005).

As constatações apontadas colocam desafios aos diversos profissionais que atuam com indivíduos e famílias no ciclo vital tardio e, também, ao contexto das organizações de trabalho no tocante à atenção com os indivíduos ao longo de sua trajetória de vida no trabalho. Indica-se que as ações direcionadas a esses públicos contemplem estratégias que provoquem reflexões sobre a dimensão relacional, além de promover e fortalecer o desenvolvimento de relações sociais.

De forma específica, destaca-se a relevância de práticas que auxiliem o aposentado e os que ainda estão em processo de preparação a se localizarem frente a sua configuração atual de rede relacional, visualizando a composição da mesma e a distribuição das funções entre seus membros. Isto poderá facilitar a tomada de decisão coerente com o contexto de vida de cada sujeito, bem como atenuar as potenciais decorrências do rompimento do vínculo laboral e, até mesmo, contribuir na identificação de recursos para constituir novas relações para além do contexto laboral.

Referente a novos estudos empíricos, recomenda-se enfatizar a dimensão relacional e a multiplicidade de elementos que se conjugam na experiência de aposentar-se, indo além dos aspectos individuais. Acredita-se que é

particularmente importante: (a) investigar a perspectiva de aposentadoria de outros atores das redes sociais, para além das pessoas aposentadas; (b) examinar as especificidades de categorias (e.g. raça e etnia) atreladas à constituição de relações sociais na aposentadoria; (c) evidenciar o papel das organizações de trabalho na atenção à saúde dos trabalhadores nos diferentes momentos de carreira; (d) observar as especificidades dos extratos socioeconômicos em intersecção com esse tema.

Ao finalizar este artigo, aponta-se que as suas limitações centram-se nos descritores utilizados no levantamento e no tipo de produção analisada, tendo em vista que foram incluídos somente artigos. Diante disso, sugere-se que futuras revisões de literatura: (a) utilizem outras palavras-chave, considerando-se variações do conceito de redes sociais (e.g. suporte social); (b) explorem a articulação dos núcleos temáticos explicitados nesta discussão (e.g. aposentadoria versus redes sociais versus gênero); (c) analisem os movimentos que ocorrem nas redes sociais ao longo de toda a trajetória que o indivíduo constitui em sua carreira, com a finalidade de aprofundar o debate acerca dos preditores e das atitudes potencialmente geradoras de bem-estar na aposentadoria.

 

Referências

Albertini, M., & Kohli, M. (2009). What childless older people give: is the generational link broken? Ageing and Society, 29(8), 1261-1274. DOI: http://dx.doi.org/10.1017/S0144686X0999033X

Antunes, M. H., Soares, D. H. P., & Moré, C. L. O. O. (2015). Repercussões da aposentadoria na dinâmica relacional familiar na perspectiva do casal. PSICO, 46(2), 432-441. DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.19495

Atchley, R. (1971). Retirement and leisure participation: Continuity or crisis? The Gerontologist, 11(1), 13-17.

Ayalon, L., & Green, V. (2013). Social Ties in the Context of the Continuing Care Retirement Community. Qualitative health research, 23(3), 396-406. DOI: 10.1177/1049732312468506.

Azevedo, R. P. C., & Carvalho, A. M. A. (2006). O lugar da família na rede social do lazer após a aposentadoria. Revista brasileira de crescimento e desenvolvimento humano, 16(3), 76-82.

Carter, M., & Cook, K. (1995). Adaptation to retirement: Role changes and psychological resources. The Career Development Quarterly, 44(1), 67-82.

Carvalho, M. C. B. (2014). Famílias e políticas públicas. In Acosta, Ana Rojas & Vitale, Maria Amalia Faller (Orgs.), Família: redes, laços e políticas públicas (pp. 297-306). São Paulo: Cortez.

Cornwell, B., Laumann, E. O., & Schumm, L. P. (2008). The social connectedness of older adults: a national profile. American Sociological Review, 73(2),185-203.

Cornwell, B. (2009). Network Bridging Potential in Later Life. Journal of Aging and Health, 21(1), 129-154. DOI: 10.1177/0898264308328649

Cornwell, B. (2011). Age Trends in Daily Social Contact Patterns. Research on aging, 33(5), 598-631. DOI: 10.1177/0164027511409442

Cozijnsen, R., Stevens, N. L., & Van Tilburg, T. G. (2010). Maintaining work-related personal ties following retirement. Personal Relationships, 17(3), 345-356. DOI: http://dx.doi.org/10.1111/j.1475-6811.2010.01283.x

Denton, F.T., & Spencer, B. G. (2009). What is retirement? A review and assessment of alternative concepts and measures. Canadian Journal on Aging, 28(1), 63-76.

Ellwardt, L., Peter, S., Prag, P., & Steverink, N. (2014). Social Contacts of Older People in 27 European Countries: The Role of Welfare Spending and Economic Inequality. European Sociological Review, 30(4), 413-430. DOI: 10.1093/esr/jcu046

França, L. H. F. P., & Soares, D. H. P. (2009). Preparação para a aposentadoria como parte da educação ao longo da vida. Psicologia: ciência eprofissão, 29(4) 738-751. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932009000400007

França, L. H. F. P., Menezes, G. S., Bendassoli, P. F., & Macedo, L. S. (2013). Aposentar-se ou continuar trabalhando? o que influencia essa decisão?. Psicologia: ciência e profissão, 33(3), 548-563.

Hermida, P. D., Tagliarini, M. F., & Stefani, D. (2014). Redes de apoyo social en la vejez y su relación con la actitud hacia la jubilación. Revista Argentina de Clínica Psicológica, 23(3), 209-218.

Hermida, P. D., Tagliarini, M. F., & Stefani, D. (2015). Género y redes de apoyo social en adultos mayores jubilados. Acta Psiquiátrica y Psicológica de América Latina, 61(2), 107-113.

Ho, C. (2015). Welfare-to-Work Reform and Intergenerational Support: Grandmothers' Response to the 1996 PRWORA. Journal of Marriage and Family, 77(2), 407 -423. DOI: 10.1111/jomf.12172

Howard, J., & Yazdipour, R. (2014). Retirement Planning: Contributions from the Field of Behavioral Finance and Economics. In H. Baker & V. Ricciardi (Orgs). Investor Behavior: The Psychology of Financial Planning and Investing (pp. 285-305). Hoboken: John Wiley & Sons.

Jones, I. R., Leontowitsch, M., & Higgs, P. (2010). The experience of retirement in second modernity. Sociology, 44(1), 103-120. DOI: 10.1177/0038038509351610

Kay, R. (2012). Managing everyday (in)securities: Normative values, emotional security and symbolic recognition in the lives of Russian rural elders. Journal of Rural Studies, 28(2), 63-71. DOI:10.1016/j.jrurstud.2012.01.018

Khan, H. (2014). Factors Associated with Intergenerational Social Support among Older Adults across the World. Ageing International, 39(4), 289-326.

Kohli, M., Hank, K., & Künemund, H. (2009). The social connectedness of older Europeans: patterns, dynamics and contexts. Journal of European Social Policy, 19(4), 327-340.

Litwin, H. (2010). Social networks and well-being: a comparison of older people in Mediterranean and non-Mediterranean countries. The Journals of Gerontology: Series B: Psychological Sciences and Social Sciences, 65B(5), 599-608. DOI: http://dx.doi.org/10.1093/geronb/gbp104

Machado, G. E., Araújo, A. J. S., Zambroni-de-Souza, P. C., & Athayde, M. R. C. (2010). Coletivos de trabalho, inserção e formação: o caso dos juízes do trabalho. Psicologia: Ciência e Profissão, 30(4), 698-711. DOI: https://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932010000400003

Marcum, C. S. (2013). Age Differences in Daily Social Activities. Research on aging, 35(5), 612-640. DOI:10.1177/0164027512453468.

Moré, C. L. O. O. (2005). As redes pessoais significativas como instrumento de intervenção psicológica no contexto comunitário. Paidéia, 15(31), 287-297. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2005000200016version=html

Nascimento, M. R., & Serafim, M. C. (2015). Redes sociais e trabalho. In P. F. Bendassolli & J. E. Borges-Andrade (Orgs), Dicionário de Psicologia do Trabalho e das Organizações (pp. 565-569). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Neri, A. L., & Vieira, L. A. M. (2013). Envolvimento social e suporte social percebido na velhice. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 16(3), 419-432. DOI: https://dx.doi.org/10.1590/S1809-98232013000300002

Nguyen, S., Tirrito, T. S., & Barkley, W. M. (2014). Fear as a predictor of life satisfaction in retirement in Canada. Educational Gerontology, 40(2), 102-122. DOI: 10.1080/03601277.2013.802180

Nimrod, G. (2008). Retirement and tourism: themes in retirees' narratives. Annals of Tourism Research, 35(4), 859-878. DOI:10.1016/j.annals.2008.06.001

Nimrod, G. (2010). Seniors' online communities: A quantitative content analysis. The Gerontologist, 50(3), 382-392. DOI: http://dx.doi.org/10.1093/geront/gnp141

Nyqvist, F., Forsman, A. K., & Cattan, M. (2013). A comparison of older workers' and retired older people's social capital and sense of mastery. Scandinavian journal of public health, 41(8), 792-798. DOI: 10.1177/1403494813498005

Olabuénaga, J. I. R. (2009). Metodología de la investigación cualitativa. Bilbao: Universidad de Deusto.

O'Sullivan, J., & Ashton, T. (2012). A minimum income for healthy living (MIHL) - older New Zealanders. Ageing & Society, 32, 747-768. DOI: http://dx.doi.org/10.1017/S0144686X11000559

Peixoto, J., & Egreja, C. (2012). A força dos laços fracos: estratégias de emprego entre os imigrantes brasileiros em Portugal. Tempo social, 24(1), 263- 282. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20702012000100013.

Price, C. A., & Dean, K. J. (2009). Exploring the relationship between employment history and retired women's social relationships. Journal of Women & Aging, 21(2), 85-98. DOI: 10.1080/08952840902837046.

Ribeiro, M. A. (2014). Carreiras: Novo olhar socioconstrucionistapara um mundo flexibilizado. Curitiba: Juruá .

Requena, F. (2010). Welfare Systems, Support Networks and Subjective Well-Being among Retired Persons. Social Indicators Research, 99(3), 511-529.

Requena, F. (2013). Family and friendship support networks among retirees: A comparative study of welfare systems. The International Journal of Sociology and Social Policy, 33(3/4), 167-185. DOI: http://dx.doi.org/10.1108/01443331311308221

Sabbath, E. L., Lubben, J., Goldberg, M., Zins, M., & Berkman, L. F. (2015). Social engagement across the retirement transition among "young-old" adults in the French GAZEL cohort. European Journal of Ageing, 12(4), 311-320. DOI: http://dx.doi.org/10.1007/s10433-015-0348-x

Santos, M. F. S. (1990). Identidade e Aposentadoria. São Paulo: EPU.

Santos, S. T., & Souza, L. V. (2015). Envelhecimento positivo como construção social: práticas discursivas de homens com mais de sessenta anos. Revista SPAGESP, 16(2), 46-58.

Schafer, M. H. (2011). Health and network centrality in a continuing care retirement community. The Journals of Gerontology: Series B: Psychological Sciences and Social Sciences, 66B(6), 795-803. DOI: http://dx.doi.org/10.1093/geronb/gbr112

Schafer, M. H. (2013). Structural Advantages of Good Health in Old Age: Investigating the Health-Begets-Position Hypothesis With a Full Social Network. Research on aging, 35(3), 348-370. DOI: 10.1177/0164027512441612

Sluzki, C. E. (1997). A rede social na prática sistêmica: alternativas terapêuticas. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Soares, D. H. & Costa, A. (2011). AposentAção: aposentadoria para ação. São Paulo: Vetor.

Solinge, H. V., Henkens, K., & Blanchard-Fields, F. (2008). Adjustment to and satisfaction with retirement: two of a kind? Psychology and Aging, 23(2), 422-434. DOI: 10.1037/0882-7974.23.2.422.

Southcombe, A., Cavanagh, J., & Bartram, T. (2015). Retired men and men's sheds in Australia. Leadership & Organization Development Journal, 36(8), 972-989. DOI: http://dx.doi.org/10.1108/LODJ-03-2014-0065

Stephens, C., Noone, J., & Alpass, F. (2014). Upstream and downstream correlates of older people's engagement in social networks: What are their effects on health over time? The International Journal of Aging & Human Development, 78(2), 149-169. DOI: http://dx.doi.org/10.2190/AG.78.2.d

Szinovacz, M., & Davey, A. (2012). Stability and Change in Financial Transfers from Adult Children to Older Parents. Canadian Journal on Aging, 31(4), 367-378. DOI: 10.1017/S0714980812000372

Szinovacz, M., Ekerdt, D., & Vinick, B. (1999). Families and retirement: conceptual and methodological issues. In Szinovacz, M., Ekerdt, D., & Vinick, B., Families and retirement (pp. 1-22). Reino Unido: SAGE.

Szinovacz, M. E., Ekerdt, D. J., Butt, A., Barton, K., & Oala, C. R. (2012). Families and Retirement. In R. Blieszner & V H. Bedford (Eds.), Handbook of families and aging (pp. 461-488). Califórnia: ABC-CLIO LLC.

Van Dussen, D. J., & Morgan, L. A. (2009). Gender and informal caregiving in CCRCs: Primary caregivers or support networks? Journal of women & aging, 21(4), 251-265. DOI: 10.1080/08952840903284560.

Wang, M., Henkesn, K., & Van Solinge, H. (2011). Retirement adjustament: a review of theoretical and empirical advancements. American Psychologist, 66, 204-213.

Waters, W., & Gallegos, C. (2014). Aging, Health, and Identity in Ecuador's Indigenous Communities. Journal of Cross-Cultural Gerontology, 29(4), 371-387. DOI: 10.1007/s10823-014-9243-8.

Walters, P., & Bartlett, H. (2009). Growing old in a new estate: establishing new social networks in retirement. Ageing and Society, 29(2), 217-236. DOI: http://dx.doi.org/10.1017/S0144686X08007812

Zanelli, J. C., Silva, N., & Soares, D. H. P. (2010). Orientação para aposentadoria nas organizações de trabalho: construção de projetos para o pós-carreira. Porto Alegre: Artmed.

 

 

Endereço para correspondência:
Marcos Henrique Antunes
Rua Capitão Romualdo de Barros, 611
Carvoeira, 88040-600, Florianópolis-SC
E-mail: marcos.antunes@live.com

Recebido: 01/02/2017
1a revisão: 03/06/2017
Aceite final: 03/07/2017

 

 

Sobre os autores
Marcos Henrique Antunes é Psicólogo, Mestre e Doutorando em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Carmen Leontina Ojeda Ocampo Moré é Psicóloga, Mestre e Doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina.
1 Os autores agradecem à CAPES pelos subsídios para realização deste estudo.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons