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Vínculo

versão impressa ISSN 1806-2490

Vínculo vol.14 no.1 São Paulo  2017

 

ARTIGO

 

Expectativas e satisfação face ao grande grupo grupanalítico no XV Congresso
Nacional e XII Encontro Luso Brasileiro de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo

 

Expectations and satisfaction with the group analytic large group in the XV Portuguese National Congress and XII Luso-Brazilian Meeting of Group Analysis and Group Analytic Psychotherapy

 

Expectativas y satisfacción con el grande grupo de grupoanálisis en el XV Congreso Nacional y XII Encuentro Luso Brasileña de Grupoanálisis y Psicoterapia de Grupo de Orientación Analítica

 

 

Teresa Bastos*; Joana de Carvalho**; Mafalda Guedes Silva***

Sociedade Portuguesa de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O interesse sobre o grande grupo grupanalítico (denominado, em inglês, large group) já é longo e têm sido publicados vários livros e artigos demonstrando a preocupação em aprofundar os fenómenos que lhe estão associados e a partir daí procurar desenvolver o potencial das suas aplicações terapêuticas e formativas. As autoras apresentam os resultados de um estudo exploratório sobre as expectativas e satisfação dos participantes no grande grupo do XV Congresso Nacional de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo e XII Encontro Luso Brasileiro de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo em Outubro de 2015, Lisboa. Os dados discutidos foram recolhidos através de uma amostra por conveniência. A metodologia de recolha de dados foi a de inquérito por questionário em dois momentos distintos, antes e depois do Congresso. Dos cerca de 60 participantes no Congresso responderam aos dois questionários 13 pessoas (N=13), com idades compreendidas entre as faixas etárias dos 25 aos 88 anos, maioritariamente do sexo feminino e nacionalidade portuguesa, com área profissional de base no âmbito da psicologia e agrupados na categoria membro candidato das Sociedades Grupanalíticas representadas. Os resultados obtidos vão ao encontro da literatura consultada observando-se que quem já participou em pelo menos um grande grupo estava mais expectante e sentiu-se satisfeito com a participação e condições disponibilizadas.

Palavras-Chave: Grande grupo grupanalítico; Grupanálise; Estudo exploratório; Questionário; Encontro Luso-brasileiro.


ABSTRACT

The interest in studying the group analytic large group is not new and several books and papers have been published revealing the concern in deepening the phenomena that are associated with it. The authors present the results of an exploratory study about the expectations and the participants' satisfaction in the large group that took place in the XV Portuguese National Congress and XII Luso-Brazilian Meeting of Group Analysis and Group Analytic Psychotherapy, October 2015 in Lisbon. The data presented was collected using a convenience sample. The study participants answered two questionnaires in two different moments, before and after. The sample was comprised by 13 participants (that respond both the surveys forms) age 25-88 years old, mainly females Portuguese psychologist and members of the Portuguese Group Analytic Society. The results obtained are in accordance with those described in the literature. Those who have had attending large groups before had more positive expectations and felt more satisfied.

Keywords: group analytic large group; Group Analysis; Exploratory Study; Survey; Luso-Brazilian Meeting.


RESUMEN

El interés en el grupo grande de grupoanálisis és presente por varios años y se han publicado varios libros y artículos que demuestran la preocupación de profundizar en los fenómenos asociados a ella y desde allí tratar de desarrollar el potencial de sus aplicaciones terapéuticas y de formación. Los autores presentan los resultados de un estudio exploratorio sobre las expectativas y la satisfacción de los participantes en el grande grupo del XV Congreso Nacional y XII Encuentro Luso Brasileña de Grupoanálisis y Psicoterapia de Grupo de Orientación Analítica de octubre de 2015 en Lisboa. Los datos analizados fueron recolectados a través de una muestra de conveniencia. La metodología de recolección de datos fue un cuestionario para responder en dos momentos diferentes, antes y después del Congreso. De los aproximadamente 60 participantes en el Congreso respondieron a ambos cuestionarios 13 personas (N = 13), con edades comprendidas entre 25 a 88 años, en su mayoría femenino de nacionalidad portugués, área profesional basado en el psicológico y agrupados en la categoría de miembro candidato de las empresas de grupoanálisis representadas. Los resultados están de acuerdo con la literatura consultada señalando que los que han participado en por lo menos un grupo grande eran más expectantes y que estaban satisfechos con la participación y condiciones disponibles.

Palabras clave: grupo grande de grupoanálisis; grupoanálisis; estudio exploratorio; cuestionario; Encuentro Luso-brasileña.


 

 

INTRODUÇÃO

O grande grupo grupanalítico é um instrumento para aprendizagem do diálogo e do humanismo (Turquet, 1994). O grande grupo grupanalítico dos congressos de grupanálise tem uma importante função de contribuir para melhorar a comunicação entre os membros e de desenvolver um espírito de grupo, a coesão grupal, entre os diversos membros das Sociedades e entre as próprias Sociedades Grupanalíticas.

Pretendemos com este estudo ampliar o conhecimento atual sobre o funcionamento do grande grupo grupanalítico em Congressos, tendo traçado como objetivos para esta investigação: 1. Averiguar as expectativas de participação; 2. Compreender os tipos de sentimentos vivenciados; 3. Compreender a reação às condições do espaço; 4. Averiguar os temas discutidos no congresso.

 

ENQUADRAMENTO TEÓRICO

Não obstante a relativa escassez de literatura sobre o tema, o interesse que desperta já não é novo. Svein Tjelta (2013) refere que existem somente cinco livros e uns quantos artigos sobre a temática do grande grupo, urgindo estudar mais profundamente os fenómenos de grupo que se desenvolvem e quais as suas potencialidades. A primeira dissertação de Doutoramento em grandes grupos foi defendida já em 2012, no Brasil, por Carla Ponti. Em 1921, Freud na obra "Psicologia das Massas e a Análise do Eu" discorre sobre os grupos e o que eles dizem sobre a psicologia individual, de onde se destaca a ideia de que os grupos têm uma estrutura libidinal. A coesão grupal consegue-se pelo laço libidinal que une os membros do grupo, "os laços emocionais constituem a essência da mente grupal". Pelo laço libidinal que se estabelece o indivíduo iguala-se aos outros membros do grupo e assume como suas as necessidades do grupo, pois opor-se ao grupo poderia levar a perder este vínculo.

Os grandes grupos a que nos referimos, os large groups (na denominação em inglês), são grupos artificiais, compostos por largas dezenas ou centenas de participantes que se realizam geralmente entre conferências e discussões teóricas integrando o programa experiencial dos congressos e simpósios. Ou fazem parte do programa de formação de alguns Institutos europeus. Duram entre duas a cinco sessões e a sala onde decorrem tem as cadeiras dispostas em círculos que devem ser concêntricos, e ao contrário dos pequenos grupos de grupanálise, não é possível manter contato ocular com todos os membros do grupo, os nomes e as matrizes pessoais de grupo não são conhecidas. Existem um ou dois condutores, embora nos grandes grupos, de maiores dimensões seja defendida a existência de uma equipa de três condutores. Todos estes fatores são relevantes para o que se passa no grande grupo grupanalítico, como iremos ver.

Patrick De Maré (1991) estudou fundamentalmente os grandes grupos grupanalíticos conduzidos com funções psicoterapêuticas e de dimensões mais reduzidas, entre 30 a 50 elementos. Svein Tjelta (2013) apresenta uma boa síntese dos princípios de condução defendidos por De Maré que complementa com reflexões suas. Enquanto Göran Ahlin (2010) reflete sobre a sua longa experiência de participação em simpósios europeus de grupanálise salientando que foi em Londres em 1972 no segundo Simpósio Europeu da GAS (o primeiro realizou-se em 1970 no Estoril) que Lionel Kreeger e De Maré introduziram pela primeira vez o grande grupo grupanalítico na estrutura do programa do Simpósio Europeu.

Ahlin (2010) e M. Pines (2010) consideram que as formulações de Turquet e De Maré, com as suas limitações, permanecem como as mais relevantes para a compreensão do grande grupo grupanalítico. Assim, procurando sustentar uma teoria do grande grupo grupanalítico Ahlin (2010), citando Turquet (1994), refere-se às ameaças à identidade que podem surgir nos grandes grupos grupanalíticos (essencialmente na fase inicial) tendo identificado três categorias de papéis adaptativos que os participantes num grande grupo grupanalítico podem adotar: o singleton (solteirão) – que aparentemente não se deixa afetar; o mi (membro-indivíduo) – dependente e evitante de conflitos, análogo à maioria silenciosa ou a uma audiência e o im (membro individual) – auto assertivo, análogo ao solista em um concerto. As interfaces e transformações entre estas três posições formam as dinâmicas do grande grupo grupanalítico.

Ahlin (2010) recorre depois a De Maré para expor o grande grupo grupanalítico como uma das melhores experiências de formato educacional para o desenvolvimento de uma cidadania madura, em que o grande grupo grupanalítico é perspetivado como um meio de humanizar instituições sociais e organizações. Debruçando-se depois sobre os objetivos do grande grupo grupanalítico dos simpósios europeus, Ahlin (2010) relata que estes não são explícitos nem comunicados aos participantes, diferindo, assim, bastante dos comuns convites para estar em grupo. Na sua opinião, os grandes grupos grupanalíticos servem dois objectivos: 1) explorar o tema principal do congresso em profundidade e em relação ao inconsciente social. O tema, normalmente, expressa um dilema ou um problema em sociedades profissionais e/ou sociedades grandes, este objetivo pode incluir um equacionar de mudanças com impacto na sociedade; 2) oferecer treino do ego em ação em complemento aos pequenos e médios grupos de análise. Inclui esforços para crescimento pessoal, mudança para uma maior maturidade e desenvolvimento da cidadania, sendo que a capacidade para manter o teste da realidade é relevante para atingir estes objectivos. Uma vez no grande grupo grupanalítico, o dilema é entre falar/intervir ou permanecer em silêncio. Na conceção de Turquet (op cit) este dilema corresponde a entrar na posição Im ou permanecer como Mi, como um membro de uma audiência.

Esta dinâmica é influenciada por um conjunto de membros do grupo que têm o que Ahlin (2010) designa por vozes favorecidas, são as vozes mais notadas e ouvidas no grande grupo grupanalítico. Os donos destas vozes têm várias diferenças entre si e possuem também alguns denominadores comuns: boa afinação vocal e clareza, mas não necessariamente vozes fortes; não mostram um maior domínio do inglês do que outros; conseguem ser claros a comunicar; têm uma identidade como grupanalistas razoavelmente estabelecida; conseguem cortar o ruído; frequentemente têm responsabilidades de ensino e de supervisão ou são condutores de grupo experientes mesmo que não desempenhem este papel no simpósio. Neste grupo das vozes favorecidas, contudo, não estão todos os grupanalistas experientes sendo que os condutores dos grandes grupos são recrutados junto dos grupanalistas que tendem a manter o padrão de condução desejado.

Sobre o processo de grupo nos grandes grupos dos simpósios/congressos são grupos de curta duração, duas a cinco sessões, abertos a todos os participantes. Diferem dos grandes grupos das comunidades terapêuticas, pois o foco não é na psicopatologia e na comunicação, mas defende Ahlin (2010) têm efeitos terapêuticos e de formação/aprendizagem para um considerável número de participantes. Para aprofundar sobre os processos de grupo conscientes e inconscientes consultar Hopper e Weinberg (2011) onde são explorados os contributos de Montevechio citada por Pichon-Rivière, de Robi Friedman, de Helena Klímová e, de Cozolino mencionado por Susan P. Gant e Yvonne M. Agazarian, para a compreensão dos fenómenos psíquicos desencadeados no individuo quando em situação de grande grupo grupanalítico.

Cada congresso defendem Ahlin (2010) e Tjelta (2013) tem a sua especificidade tendendo a ocorrer uma sequência comum nas sessões do grande grupo grupanalítico. Na primeira sessão, o grupo no seu todo é anónimo, e os comentários estão relacionados com o facto de não se ouvir bem. São abordadas questões exteriores ao simpósio, tais como um ou dois conflitos no mundo, e há uma intensidade emocional no final; na segunda sessão, já começam a ser mencionados alguns nomes. Há um impacto do tema do simpósio, das apresentações nele efetuadas, com alguns a acharem que isso não é tema para o grande grupo grupanalítico. A atmosfera é mais quente, mais pessoal do que na primeira sessão; na terceira sessão, emergem conflitos, há um foco nos ausentes, há exercícios de retórica, são evocados sentimentos fortes e altos níveis de ansiedade, há uma melhoria da capacidade de ouvir e adaptar os discursos, é a sessão mais intensa e conflituosa; na última sessão, podem isolar-se dois grupos, uns que querem continuar os conflitos expressos anteriormente e outros que acham que já não há tempo e se querem despedir porque se vão embora, há um clima de reconciliação e muitos permanecem no local após o final da sessão e trocam moradas.

Qualquer indivíduo em qualquer situação de grupo necessita diferenciar entre o que é real e o que não é. O mesmo sucede no grande grupo grupanalítico. A função do ego de teste da realidade é altamente dependente da informação proveniente dos órgãos dos sentidos. No grande grupo grupanalítico o teste da realidade está severamente dificultado e comprometido. Göran Ahlin (2010) defende que os mecanismos psicóticos, que Bion (1975) refere como mecanismos mais primitivos relativamente à posição esquizo-paranóide e posição depressiva, são por vezes descritos no grande grupo grupanalítico podem ser atribuídos à relativa privação sensorial que ocorre no grande grupo estimulada pela estrutura física da sala e pela organização do espaço físico. Argumenta Ahlin que a organização ideal do espaço para o diálogo é em círculos concêntricos, ou em anfiteatro em forma de meia-lua, hemiciclo. O teste da realidade é mais viável, contrastando com as más organizações do espaço que sacrificam o teste da realidade. A disposição do espaço onde decorre o grande grupo grupanalítico interfere com o desenvolvimento de um sentimento de pertença, de filiação, a coesão grupal que se pretende.

O tamanho do grande grupo grupanalítico é um fator muito relevante, Ashbach, C. e Schermer,V. L. (1987). A este respeito Zimerman (2010) considera que o tamanho de um grupo, não pode exceder o limite que ponha em risco a indispensável preservação da comunicação tanto a visual, como a auditiva e a conceitual. Tal conceção não vai ao encontro dos grandes grupos, com centenas de participantes nos congressos internacionais.

À medida que o tamanho do grupo aumenta, diminui o contacto face-a-face e finalmente pode perder-se. Kreeger (1994) distingue quatro mudanças fundamentais: 1) no subgrouping (habitual no grande grupo grupanalítico o foco na presença de subgrupos, e a necessidade de divisão em grupos mais pequenos, quando a tensão, o conflito, e a ansiedade predominam, sendo necessário explorar e analisar o conflito no contexto do próprio grupo; 2) nos mecanismos de defesa (aumentam os mecanismos de defesa mais primitivos de tipo psicótico); 3) no poder do grande grupo grupanalítico (que potencia o bom e o mau do indivíduo o que implica responsabilidades acrescidas para o(s) condutor(es)); 4) na liderança (necessidade de regressar a uma relação dependência, infantil).

A participação no grande grupo grupanalítico pode ser determinante para o desenvolvimento futuro do candidato. Uma experiência controversa da participação no primeiro grande grupo parece estar ligada à reação negativa a voltar a participar nestes grupos e a querer integrar a rede internacional grupanalítica. Se não for bem contextualizado, possuir uma má disposição do espaço e elevado número de participantes (mais de 100 a 150 pessoas em salas com pisos planos e acima de 200-250 para anfiteatros) e não contar com um acompanhamento caloroso de apresentação da experiência, o grande grupo grupanalítico dos simpósios internacionais pode ser uma experiência negativa para quem participa pela primeira vez.

No que concerne aos condutores do grande grupo grupanalítico dos simpósios, Ahlin (2010) defende a existência de uma equipa de condutores, eventualmente em número de três, idealmente de género sexual diferente e que sejam equilibrados na relação. Importa terem presente que quanto maior o número de participantes no grande grupo grupanalítico maiores serão os problemas que se colocam à equipa de condutores, que devem estar fora dos pequenos grupos do simpósio e ir preparando estas sessões com atenção, por exemplo, atender a quem não fala, aos principiantes, às subculturas presentes.

Não obstante os aspetos negativos e todas as dificuldades sentidas no grande grupo grupanalítico, tanto pelos participantes como pelos condutores, Ahlin (2010) atesta que as vantagens superam largamente as desvantagens. Finalizando com algumas propostas para a organização de simpósios europeus futuros: os organizadores permanecerem calorosos nas boas-vindas; explicitarem os objetivos das sessões dos grandes grupos; minimizarem dificuldades com a procura de condições acústicas suficientemente boas numa estrutura de anfiteatro, ou pelo menos com lugares sentados em semicírculo; limitarem o tamanho do grupo a 200-250 pessoas sentadas em anfiteatro ou a 100-150 pessoas em superfície plana sem assentos diferenciados; providenciarem a realização de grande grupo grupanalítico em simultâneo, em vez de apenas um demasiado grande e selecionarem uma equipa de três condutores para a sua liderança.

Os grandes grupos grupanalíticos em contextos formativos de treino para os candidatos podem ser entendidos como um ponto de encontro e local para desenvolvimento que contém dinâmicas de regressão e de progressão (Tjelta, 2013). Devendo as dinâmicas de progressão ser enfatizadas, mas sem negar as dinâmicas de regressão. O potencial terapêutico, sustenta Svein Tjelta (2013) reside na oportunidade de treino, para uma educação pública, em que os participantes têm a oportunidade para expressar opiniões e crenças. O grande grupo grupanalítico assume-se também como uma arena de treino para a retórica e o encenar de jogos de poder. O treino de estar em grande grupo constrói uma cultura de grupo baseada na multidiversidade, reduzindo a tendência à hostilidade e violência, tão vulgarmente observada no contexto cultural mais vasto, em particular face ao outro antagónico onde a identidade dos membros do grupo é marcada por uma maior capacidade para usar a mente na expressão da autoridade pessoal.

Tendencialmente os pequenos grupos de grupanálise têm sido comparados à família, um contexto onde é possível identificar os aspectos edipianos e os padrões de relação. Já a situação de grande grupo grupanalítico pode ser entendida como um treino para o "eu", não para tornar-se um "nós" mas, para expressar autonomamente a sua autoridade entre o "nós" contendo a possibilidade de conseguir alcançar o status de primeiro entre iguais no seio das trocas que vão ocorrendo (Svein Tjelta, 2013). O objetivo do treino em situação de grande grupo é que o indivíduo consiga manter a sua autenticidade ou singularidade. É o único anfiteatro real protegido de treino para a resistência ao conformismo dos grupos. O treino da resistência ao conformismo doutrinário dos grupos, através do aprender a questionar as coisas, em situação de grande grupo, e afirmar quem se é e qual é a opinião que defende, é a construção da identidade em ação e a principal razão para se realizarem grandes grupos. O grande grupo grupanalítico é um instrumento para aprendizagem do diálogo e do humanismo (Turquet 1994).

Em síntese, os grandes grupos grupanalíticos dos congressos de grupanálise têm uma importante função de contribuir para melhorar a comunicação entre os membros e de desenvolver um espírito de grupo, a coesão grupal, entre os diversos membros das sociedades, e entre as próprias sociedades grupanalíticas.

 

MÉTODO

Participantes

Dos 60 inscritos no Congresso, 34 participantes preencheram o pré-teste e 18 preencheram o pós-teste, dos quais só 13 responderam aos dois questionários, com idades entre os 25 e os 88 anos, maioritariamente do sexo feminino, nacionalidade portuguesa e da área profissional da psicologia.

Materiais e design

Foram utilizados dois questionários, construídos pela pesquisadora, Teresa Bastos, e inspirados no artigo de Ahlin (2010), compostos por 38 itens avaliados numa escala tipo likert, agrupados em cinco temáticas: acolhimento; interação; intrapsíquico; disposição do espaço; decurso das sessões e um campo aberto de sugestões de melhoria. Um dos questionários foi aplicado antes do congresso para avaliar as expectativas e o outro questionário aplicado após o congresso para avaliar a satisfação.

Procedimento

O questionário relativo à avaliação das expectativas, de preenchimento online, foi enviado a todos os inscritos uma semana antes do congresso (no primeiro dia do congresso, disponibilizamos o questionário em papel, para quem não conseguiu preencher online). Uma semana após a realização do evento foi enviado o segundo questionário referente à avaliação da satisfação. Após a recolha os dados foram inseridos numa base de dados construída no programa de tratamento estatístico SPSS 17.0. O procedimento estatístico foi de tipo descritivo (utilizando preferencialmente a análise de frequências, parâmetros de tendência central e de variância) e de tipo comparativo entre grupos (usando técnicas de correlação e técnicas de análise de diferenças entre grupos). Foram ainda utilizadas técnicas paramétricas e nãoparamétricas e, técnicas de análise da variância.

Considerações éticas

O estudo foi aprovado pela Direção e pelas Comissões Científica e de Ética da Sociedade Portuguesa de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo. O consentimento informado foi obtido através de resposta aquando do preenchimento do questionário online ou em suporte de papel.

 

RESULTADOS

1. Averiguar as expectativas de participação

Para averiguarmos as expectativas de participação, criámos uma variável tendo em conta os resultados obtidos nas respostas do bloco temático Acolhimento e Interação – variável acolhimento/interação.

Com o objectivo de averiguar se a expectativa de participação difere nas pessoas que já tinham experiências anteriores e as pessoas que iriam experienciar pela primeira vez um grande grupo grupanalítico (N=34), realizou-se uma ANOVA one-way com a participação como fator between sobre as expectativas dos sujeitos.

Verificou-se a existência de diferenças significativas em relação às expectativas entre os que participaram e os que nunca tinham participado num grande grupo grupanalítico (F(1,32) =6.886; p====. 013; ηp====. 177). As pessoas que já tinham participado atribuíram valores mais altos (tinham expectativas mais elevadas (M=7,167; SD=1,01992) do que as pessoas que nunca tinham participado (M=5,75; SD=0,957).

Para comparar as expectativas e satisfação do pré e pós-teste tendo em conta os participantes que responderam ao questionário nos dois momentos (N=13) realizou-se um T-student para amostras emparelhadas.

Da observação podemos concluir a existência de diferenças significativas (t(12) =2.663; p====. 021) obtendo-se uma maior média no pós-teste.

Para compreender se existiam diferenças nas expectativas tendo em conta a categoria de membro realizou-se uma ANOVA one-way. Para isso reagrupámos primeiro as categorias de membro: categoria 2 (Membro Honorário, Titular Didata; Titular), categoria 3 (Membro Efetivo, Associado), categoria 6 (Membro Candidato, Sócio Aderente), categoria 8 (Não sou Membro de nenhuma Sociedade, Estudante).

Na generalidade não se encontraram efeitos significativos da variável categoria de membro com exceção da categoria membro titular [F = 2,717 (3); p = 0,062], em que as diferenças encontradas foram entre as categorias titular (M=7,833; DP=0,418) e não pertencer a nenhuma sociedade/ser estudante (M=6; DP=0,512). Verificou-se que a média da expectativa foi decrescendo dos elementos mais graduados para os menos graduados.

2. Intrapsíquico: compreender os tipos de sentimentos

Para nos ajudar a perceber melhor os sentimentos experienciados pelos participantes que preencheram os questionários nos dois momentos pedidos (N=13) realizou-se uma estatística descritiva.

 

 

De uma maneira geral os sentimentos que os participantes pensam que vão sentir e os que eles respondem como tendo sentido sofrem alterações. No sentimento de pertença, na empatia, na irritação e no amor, os participantes tinham menor expectativa de experienciar estes quatro sentimentos. Especificamente no sentimento de pertença, os valores mínimo e máximo mantiveram-se (2 e 5, respetivamente), tal como para o amor (1 e 4 respetivamente). Na empatia, o valor mínimo subiu de 2 para 4, enquanto no sentimento de irritação, assistimos a uma descida do valor mínimo de 2 para 1 e uma subida do valor máximo de 4 para 5. Consecutivamente, o desvio-padrão também é menor no sentimento de pertença e na irritação, mas aumenta na irritação e no amor.

Em relação aos restantes itens, os valores dos máximos mais altos verificaram-se no pré-teste mantendo-se na globalidade os valores mínimos (com exceção do item Intensificação dos sentimentos ao longo das sessões, que desce de 2 para 1). Os mínimos mantêm-se iguais ou descem. Consequentemente, assistimos a uma diminuição dos desvios-padrão com exceção dos itens frustração; sentimentos intensificam-se ao longo das sessões e alterações pessoais.

Para tentar perceber melhor o sentimento irritação, realizamos nova estatística descritiva tendo em conta as variáveis de categoria de membro e participação.

Da análise, podemos constatar que a grande maioria dos 13 participantes já tinha tido experiência de participação em grande grupo grupanalítico verificando-se que o valor médio do sentimento irritação decresce da categoria 2 para a 8 no pré-teste. Quando comparado com o pós-teste os resultados invertem-se, assistindo-se a uma descida dos valores médios da categoria 2 para a categoria 8. Em relação à categoria 6 verificamos que os valores médios se mantêm nos dois momentos de avaliação.

3. Condições do espaço: compreender a reação às condições do espaço

Para nos ajudar a perceber melhor a forma como os participantes avaliaram as condições do espaço realizamos uma estatística descritiva tendo em conta os participantes que preencheram os questionários nos dois momentos pedidos (N=13).

 

 

Da observação do gráfico podemos verificar que, de uma maneira geral, os valores médios sobem do pré-teste para o pós-teste registando-se também uma diminuição dos desvios-padrão. Os máximos situaram-se no nível máximo (5), enquanto os mínimos ou se mantiveram ou subiram. Os mínimos iniciais mais baixos ocorreram nas condições acústicas e na deteção de expressões não-verbais (1).

4. Temas discutidos durante o congresso

Para nos ajudar a perceber os temas discutidos durante as sessões, realizamos uma estatística descritiva, tendo em conta os participantes que preencheram os questionários nos dois momentos pedidos (N=13). (Anexo H).

 

 

Da observação do gráfico é possível verificar uma homogeneidade entre os valores médios do pré e do pós-teste relativamente aos temas discutidos no congresso. Quando analisado mais particularmente vemos que em relação aos itens Temas do congresso; temas políticos; temas sociais; serei curioso e sentirei apatia os valores médios foram mais elevados no pré-teste. Os valores do desvio padrão sofreram pouca alteração, tendo sido no item partilhar informação pessoal para futuros contactos onde se verificou um maior aumento no pós-teste.

Sobre os comentários/sugestões deixados pelos inquiridos verificou-se que no questionário referente às expectativas face ao grande grupo grupanalítico os comentários assinalados vão no sentido de apontar expectativas positivas, ao fantasiar a participação no grande grupo grupanalítico como uma experiência catártica que decorrerá em atmosfera positiva sem racionalizações, com boas condições acústicas, de visibilidade e com lugares em número suficiente para todos. No Questionário de Satisfação não foram feitos comentários/sugestões.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Este estudo surgiu do interesse pela compreensão dos fenómenos grupais que ocorrem em contexto de grande grupo grupanalítico integrado em eventos formativos e pela constatação de que a investigação científica neste âmbito é quase inexistente.

O grande grupo grupanalítico é uma tipologia de grupo que gera alguma controvérsia entre os diferentes participantes nestes eventos formativos. É frequente ouvir-se que a primeira experiência nunca é satisfatória, mas que com a continuação começam a fazer mais sentido. Assim, primeiro que tudo, quisemos perceber como as pessoas se sentiam previamente ao grande grupo grupanalítico tendo em conta experiências prévias. O que podemos perceber foi que de fato os nossos resultados vão ao encontro da literatura consultada, uma vez que, de maneira geral, quem já participou em pelo menos um grande grupo grupanalítico estava mais expectante, tendo em conta o acolhimento e a interação no grupo do que aqueles que nunca tinham participado (Tjelta, 2013; Ahlin, 2010). A literatura também defende que quanto maior a experiência grupanalítica maior a tendência para valorizar o grande grupo grupanalítico (Ahlin, 2010). Contudo, neste estudo, não verificamos diferenças estatisticamente significativas entre as distintas categorias de membros, com exceção para os membros titulares (onde incluímos titulares, titulares didatas e honorários) e a categoria não pertencer a nenhuma sociedade/ser estudante.

Não obstante, verificámos que a média da expectativa foi decrescendo dos elementos mais graduados para os menos graduados. Neste ponto é importante referir que o número de respostas válidas para esta questão foi muito reduzida, podendo apenas ser feita uma análise qualitativa. E não sendo de todo possível diferenciar entre membros lusos e membros brasileiros.

Inferimos, globalmente, que os participantes do congresso ficaram mais satisfeitos após participarem no grande grupo grupanalítico ao contrário do que esperavam, o que de certa maneira também vai ao encontro da literatura remetendo-nos para Ahlin (2010) e Turquet (1994) que defendem que se assiste a uma reconciliação na última sessão do grande grupo grupanalítico.

No que diz respeito aos sentimentos vivenciados verificámos que no momento prévio ao congresso, a maioria das pessoas considerou que, de uma maneira ou de outra, não se iriam ligar ao grande grupo grupanalítico (pois os valores do sentimento de pertença, empatia, irritação e amor tiveram menores valores mínimos, entre 1 e 2). Estes valores sofreram alterações, verificando que após a experiência no grande grupo grupanalítico, os participantes mostraram que tinham vivenciado mais estes sentimentos.

Quando fomos analisar mais a fundo o sentimento irritação, percebemos que a grande maioria dos congressistas já tinham tido experiências prévias de participação em grande grupo grupanalítico. Mais, a maioria das pessoas que preencheram o questionário nos dois momentos previstos, pertenciam às categorias 4 (membro efetivo e membro associado) e 6 (membro candidato e membro aderente), tendo mantido praticamente estável o valor médio. Curiosamente, os participantes com mais graduação previam ir sentir mais irritação do que realmente sentiram. Enquanto o único elemento que nunca tinha tido experiência neste tipo de grupos e que respondeu ao questionário nos dois momentos relatou ter sentido uma maior irritação após a experiência.

A literatura refere que a participação no grande grupo grupanalítico pode ser determinante para o envolvimento futuro do candidato. Uma experiência controversa da participação no primeiro grande grupo grupanalítico parece estar ligada a uma reação negativa a voltar a participar nestes grupos e a querer integrar a rede internacional grupanalítica (Ahlin, 2010). Refere-se também que o grande grupo grupanalítico dos simpósios internacionais pode ser uma experiência negativa para quem participa pela primeira vez (Ahlin, 2010).

As condições do espaço disponibilizadas durante o grande grupo grupanalítico são outro aspecto que normalmente levanta muita polémica, nomeadamente, quando estamos perante um grande grupo grupanalítico com mais de 100 a 150 elementos a participação pode ser uma experiência negativa para quem assiste pela primeira vez (Ahlin, 2010). Curiosamente, neste Congresso e Encontro Luso Brasileiro, o valor médio obtido no pré-teste rondou o valor 3 (neutro) em que se verificaram valores mínimos e máximos extremados (mínimos de 1 e 2, ou seja, alguns participantes tinham a expectativa de que iriam ter más condições no espaço enquanto outros a priori estavam confiantes quanto às condições da sala). Algumas razões possíveis poderá ser o já terem participado em outros grande grupo grupanalítico na mesma sala e saberem que o número possível de participantes neste grande grupo grupanalítico estaria longe do tamanho que habitualmente se regista nos congressos internacionais e que contribui para tornar a experiência desagradável.

Quando observámos os valores no pós-teste, percebemos que de uma maneira geral e ao contrário do que costuma acontecer, a maioria dos participantes ficou satisfeito ou muito satisfeito com as condições disponibilizadas verificando-se subidas nos valores médios, bem como uma descida dos valores do desvio padrão.

Dos resultados obtidos realçamos ainda uma homogeneidade entre os valores médios do pré e dos pós teste relativamente aos temas discutidos no congresso. Quando analisado mais particularmente, observamos que em relação aos itens Temas do Congresso: temas políticos; temas sociais; serei curioso e sentirei apatia os valores médios foram mais elevados no pré-teste. Os valores do desvios-padrão sofreram pouca alteração, tendo sido no item partilhar informação pessoal para futuros contactos onde se verificou um maior aumento no pós-teste. Estes resultados parecem-nos de acordo com Ahlin (2010) que indica que apesar dos objetivos do grande grupo grupanalítico em contexto de congresso não serem explícitos nem comunicados a priori aos participantes, normalmente, estes grupos servem para dois grandes objetivos: 1) explorar o tema principal do congresso em profundidade e em relação ao inconsciente social; e 2) oferecer treino do ego em ação em complemento aos pequenos e médios grupos de análise.

Por outro lado, tendencialmente, na última sessão assiste-se a um clima de reconciliação onde se aproveita para trocar contactos para futuras parcerias. Para além de que, especialmente neste evento por ser simultaneamente um encontro Lusobrasileiro em que impera um ambiente de cooperação e fraternidade prevalecem os laços afetivos que se estreitam num prolongar de relações que se vão fortalecendo ao longo das várias edições.

 

CONCLUSÕES, LIMITAÇÕES E RECOMENDAÇÕES

Os resultados, ainda que baseados numa amostra muito reduzida e impossível de generalizar, parecem mesmo assim ir ao encontro da literatura produzida sobre este tema e que se fundamenta, essencialmente, em percepções individuais construídas no decurso dos vários anos de experiência de participação e organização de grandes grupos grupanalíticos em congressos de grupanálise.

Tal como avançado por G. Ahlin (2010) e S. Tjelta (2013), foram os membros que já anteriormente tinham participado num grande grupo grupanalítico quem tinha expectativas mais positivas e mais apreciou esta experiência.

Refletimos, face aos resultados encontrados, que as caraterísticas deste grande grupo grupanalítico concreto – ter menos de 50 membros a participar em cada sessão; a disposição da sala em círculos concêntricos em que todos se viam e eram vistos; a distância confortável entre as cadeiras; as boas condições acústicas do espaço; bem como a técnica de condução empregue e estilo pessoal do condutor parecem ter sido caraterísticas promotoras para a satisfação geral dos participantes com a experiência de estar em grande grupo grupanalítico, ao favorecerem cada uma por si, e no seu todo, a comunicação e o teste da realidade. Sendo, provavelmente, igualmente relevante na satisfação com a participação num grande grupo grupanalítico (prática ainda pouco disseminada no Brasil) o fator clima grupal de prazer que se vivencia entre as Sociedades Portuguesa e Brasileira.

Concluímos concordando com Ahlin (2010), que defende que as vantagens para os grupanalistas em participar em grandes grupos grupanalíticos experienciais ao longo do seu processo contínuo de formação superam largamente as desvantagens, conquanto que os organizadores: permaneçam calorosos nas boas-vindas; explicitem os objetivos das sessões do grande grupo grupanalítico; minimizem dificuldades com a procura de condições acústicas suficientemente boas numa estrutura de anfiteatro, ou pelo menos com lugares sentados em semicírculo; limitem o tamanho do grupo a 200-250 pessoas sentadas em anfiteatro ou a 100-150 pessoas em superfície plana sem assentos diferenciados; providenciem a realização de grandes grupos grupanalíticos em simultâneo em vez de apenas um demasiado grande e selecionem uma equipa de três condutores para grandes grupos destas dimensões ou, um só condutor para grupos de menores dimensões.

É primordial que o condutor guie a sua atividade de condução com o propósito de favorecer a comunicação e a integração dos membros procurando que os objectivos de exercício da cidadania e construção de uma coesão grupal sejam possíveis numa experiência que deve primar pela manutenção do teste da realidade ao invés do estímulo dos fenómenos regressivos que tendem a afastar os membros destes grupos experienciais.

Os grandes grupos grupanalíticos podem ser ferramentas poderosíssimas no treino das habilidades de comunicação assertiva e de prevenção dos mal-entendidos nas relações humanas se concebidos e conduzidos para favorecer um verdadeiro prazer em estar em grupo não negando a agressividade nem os desacordos.

Para finalizar, não podemos deixar de mencionar as fraquezas que este estudo exploratório apresenta. Desde logo, apontando a possível contestação de que pela dimensão e caraterísticas do grande grupo grupanalítico estudado este poder, também, ser considerado por alguns grupanalistas como integrado na categoria de médio grupo e, assim justificarem-se os resultados obtidos. Entre outras limitações de carácter mais metodológico temos as referentes à utilização de um instrumento de recolha de dados sem aferição e baseado num pressuposto teórico que condicionou a priori os itens selecionados para integrar o questionário e apresentados para escolha dos participantes como caracterizando os sentimentos que poderiam sentir face à situação. Não podemos, igualmente, deixar de aludir mais uma vez a que a dimensão da população que estudámos é reduzidíssima condicionando o tratamento estatístico dos dados e a sua interpretação. Urge continuar a investigar melhorando o material e método empregado.

Sobre as recomendações e implicações futuras deste trabalho defendemos que o contributo deste estudo deverá provocar implicações na formação futura dos grupanalistas como condutores de grandes grupos grupanalíticos e no compromisso de se continuar a estudar de forma rigorosa os fenómenos que caracterizam os grandes grupos grupanalíticos e as suas aplicações, benefícios e cuidados especiais a ter.

 

AGRADECIMENTOS

Deixamos o nosso sincero agradecimento a todos os colegas brasileiros e portugueses que aceitaram participar deste estudo e um especial agradecimento ao colega Svein Tjelta pela partilha dos seus trabalhos sobre o tema, alguns ainda não publicados. E à SPGPAG por depositar em nós a confiança para apoiar esta investigação, apadrinhando-a ao facilitar-nos o acesso aos participantes.

 

REFERÊNCIAS

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TJELTA, S. Training in large groups and the influence on identity. Presentation for the Nordic Matrix and the International Explorative and Experiential Workshop in Belgrade Serbia, 2013.

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ZIMERMAN, D. E. Fundamentos básicos das grupoterapias. 2ª ed. Artes Médicas: Porto Alegre, 2010.

 

 

Endereço para correspondência
Teresa Bastos
E-mail: tm.rodrigues@sapo.pt

Joana de Carvalho
E-mail: joana.jorge.carvalho@hgo.min-saude.pt

Mafalda Guedes Silva
E-mail: mafalda.guedes.silva@gmail.com

Recebido em: março de 2017
Revisado em: maio de 2017
Aceito em: maio de 2017

 

 

* Psicóloga Clínica. Membro Titular da Sociedade Portuguesa de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo
** Psicomotricista. Membro Candidato da Sociedade Portuguesa de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo
*** Psicóloga Clínica. Membro Candidato da Sociedade Portuguesa de Grupanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo

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