SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.62 número3Eficácia adaptativa de mulheres com história de abortamento, pacientes de um Ambulatório de ReproduçãoTerapia social: desenvolvimento humano e mudança social índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Arquivos Brasileiros de Psicologia

versão On-line ISSN 1809-5267

Arq. bras. psicol. vol.62 no.3 Rio de Janeiro  2010

 

ARTIGOS

 

O sofrimento nas instituições e possibilidades de intervenção grupal

 

The suffering in institutions and possibilities of group intervention

 

 

Cybele Carolina MorettoI; Antonios TerzisII

I Doutoranda. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC). Campinas. São Paulo. Brasil
II Docente. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC). Campinas. São Paulo. Brasil

 

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este trabalho apresenta algumas concepções psicanalíticas sobre as relações grupais estabelecidas no contexto das instituições e pretende contribuir para uma compreensão mais aprofundada destas, de forma a instrumentalizar os trabalhos desenvolvidos nessa área. O estudo está baseado no pressuposto de que a instituição, ainda que seja um campo heterogêneo ao da psicanálise tradicional, constitui-se um dispositivo capaz de manifestar os efeitos do inconsciente, tornando possível um trabalho de orientação psicanalítica. O estudo parte da atuação profissional dos autores, além de trazer um recorte, ao final, de uma pesquisa de mestrado tratando do tema dos grupos nas instituições.

Palavras-chave: psicanálise, grupo, instituição, equipe de trabalho, sofrimento psíquico.


ABSTRACT

This paperwork presents some ideas on the psychoanalytic group relations established in the context of institutions, and intends to contribute to a deeper understanding in order to exploit the work in this area. The study is based on the assumption that the institution, even being a heterogeneous field of traditional psychoanalysis, is a device capable of showing the effects of the unconscious, making it possible study of psychoanalytic inspiration. The study is based on the professional performance of the authors, besides bringing a fragment sample of a Masters research dealing with groups themes in institutions.

Keywords: psychoanalysis, group, institution, team work, psychological suffering.


 

 

Ao iniciar pela definição dos termos, vemos que o conceito de instituição é complexo, tendo sido utilizado de maneiras muito diferentes. Partindo da etimologia, a palavra “instituição” vem do latim institutio, que evoca a noção de criação, formação, plano de uma obra, ensinamento, método, escola, doutrina. O termo instituir significa agir, fundar, estabelecer algo de novo, dar princípio a alguma coisa. A etimologia, portanto, ressalta tanto o caráter de inovação quanto o de sistema e método para se atingir um objetivo.

O Diccionario de psicología y psicoanálisis (ENGLISH; ENGLISH, 1977) define a instituição como uma organização permanente de algum aspecto da vida coletiva, regulada por normas, costumes, ritos ou leis. Afirma que o termo pode ser usado de forma abstrata (por exemplo, a instituição do matrimônio) ou específica (um clube local, um estado ou governo, uma prisão, uma igreja). Autores como Bleger e Kaës ocuparam-se em discriminar essas duas acepções do termo, diferenciando-as em instituição e organização. Para Bleger (1988/1991), a instituição refere-se ao conjunto das normas, regras e atividades agrupadas em torno dos valores e funções sociais. Já para o termo organização, o autor reserva aquela disposição hierárquica das funções que geralmente ocorrem no interior de uma área delimitada, como um edifício, por exemplo. Kaës (1988/1991) complementa essa conceituação propondo que a organização tem um caráter mais contingente e concreto, dispondo dos meios para atingir os objetivos; estes objetivos, os fins, seriam do domínio da instituição.

A instituição é um conjunto simbólico, pois é constituída por mitos, ritos, rituais simbólicos de iniciação e de passagem relacionados com sua história, fundação, fundadores reais ou imaginários. Esse conjunto simbólico sustenta e fundamenta a ação dos membros da instituição, dando sentido às suas práticas e vida. Ela pode, então, oferecer-se como objeto ideal a ser interiorizado, a qual seus membros devem manifestar lealdade e mesmo se sacrificar. As instituições são também sistemas imaginários; oferecem a ilusão de que nela o sujeito terá todos os seus apelos atendidos, sejam seus desejos, fantasias, angústias, medos, sejam pedidos. Capturam o indivíduo nas armadilhas do próprio desejo, garantindo proteção e satisfação.

Para Kaës (1988/1991), a instituição é uma formação da sociedade e da cultura que segue uma lógica própria; a instituição se opõe ao estabelecido pela natureza. Ao cumprir suas funções, ela realiza funções psíquicas múltiplas para os sujeitos singulares, em sua estrutura, dinâmica e economia psíquica. Mobiliza afetos que contribuem para a regulação endopsíquica e asseguram as bases da identificação do sujeito ao grupo social. Elas nos precedem e nos determinam, constituindo o fundo da vida psíquica no qual podem ser depositadas e contidas as partes mais primitivas e indiferenciadas da personalidade.

Por ser permanente, a instituição assegura funções necessárias ao psiquismo; como a mãe, está na base das experiências de necessidade versus satisfação; ela até mesmo se confunde com a experiência de satisfação. Exerce o papel das leis de direito e, assim, adquire um status de sagrada; para o inconsciente, a instituição possui uma origem divina.

Passando agora à conceituação dos grupos. A palavra grupo, segundo Anzieu (1966/1990), é um dos termos mais recentes das línguas ocidentais. Nasceu do léxico das belas artes e originalmente significou um conjunto de pessoas pintado ou esculpido. Encontramos na etimologia da palavra o antigo vocábulo group (laço ou nó), derivado do germano ocidental kruppa (massa circular). A partir da etimologia, temos a consideração de duas linhas de força: o laço demonstrando a união e o círculo representando o espaço fechado, cuja metáfora é a envoltura corporal e o corpo materno. Dessa forma, uma das características de um grupo é a possibilidade de oferecer um espaço que acolhe seus participantes, assim como pode provocar sentimentos de aprisionamento e frustração (ANZIEU, 1966/1990).

Para Bleger (1988/1991), o grupo é um conjunto de indivíduos que interagem partilhando determinadas normas na realização de uma tarefa. Mas é também uma sociabilidade estabelecida sobre um fundo de indiferenciação. Os estratos da personalidade que permanecem em estado de indiferenciação estão presentes na constituição, organização e funcionamento de todos os grupos, na forma de uma não-interação. A esse tipo de relação, Bleger deu o nome de sociabilidade sincrética, em oposição a uma sociabilidade por interação. O nível da sociabilidade sincrética revela-se num grupo através da comunicação pré-verbal, de um estado de fusão no qual não existe discriminação entre o Eu e o não-Eu. A sociabilidade sincrética é um tipo de pano de fundo sobre o qual se desenvolvem as interações propriamente ditas. Bleger dá o exemplo de um grupo de pessoas aguardando o ônibus numa fila em silêncio. Ainda que não haja relação de interação, a sociabilidade sincrética está presente nas regras e normas que regem o comportamento dos indivíduos naquele momento. Uma relação muda da qual todos participam e a partir da qual podem – ou não – desenvolver outros tipos de interação.

De acordo com Bleger (1988/1991) e Osório (2007), os grupos são instituições muito complexas. Se por um lado cada grupo é constituído por um conjunto de instituições, por outro, ele tem a tendência de se estabelecer como uma organização. Em outras palavras, um grupo tem a tendência de passar a existir por si mesmo, tornando o objetivo inicial cada vez mais marginalizado. A organização da interação pode chegar a tal grau que se torna antiterapêutica. Não só os grupos, mas toda a organização corre o risco de ter seus objetivos primários deixados em segundo plano, submetidos a uma ordem e normatização alienantes.

 

Desenvolvimento da perspectiva grupal nas instituições

Encontramos em Freud uma preocupação com o funcionamento dos grupos e das instituições. Em 1913, ele vinculou as funções do ego com as funções das instituições sociais. Sua obra Totem e Tabu mostra como se forma a instituição originária da sociedade humana, baseando-se na hipótese de que o assassinato do pai primitivo e a instauração consecutiva dos dois primeiros tabus – não matar o totem e não possuir as mulheres do clã – dão origem a todas as normas posteriores da sociedade, fundando a primeira instituição social e a civilização. Nesse caso, a renúncia pulsional e o surgimento da comunidade de direito têm função e significado tanto no espaço psíquico singular como no espaço psíquico do grupo. Em Psicologia das Massas e Análise do Ego (1921/1987), Freud afirma que a identificação é o que há de comum entre dois ou mais indivíduos, o que possibilitaria o agrupamento e as instituições.

Para Anzieu (1966/1990), o grupo é um lugar de fomento de imagens. Quando as pessoas se agrupam para diversas finalidades, aparecem sentimentos, desejos, medos, angústias, ou seja, emoções que impedem ou facilitam a realização da tarefa.

A hipótese formulada por Anzieu é que entre os integrantes do grupo, além da relação estabelecida pela interação das forças reais, há uma relação imaginária que explica diversos fenômenos e processos que não são determinados pelos objetivos explícitos do grupo. Para o autor, todo grupo tem uma envoltura graças à qual os indivíduos se mantêm unidos. Essa envoltura é como uma pele que apresenta dois lados: um voltado para a realidade externa, física e social, para as regras, normas e rituais, que funciona como uma barreira protetora e reguladora das trocas com o exterior, e outro voltado para a realidade interna, permitindo o estabelecimento de um estado psíquico transindividual que possibilita chamar um si-mesmo de grupo. Esse é imaginário, é o continente no interior do qual se ativa uma circulação fantasmática e identificatória entre as pessoas. É o que faz com que o grupo viva.

A situação de um grupo é vivida, principalmente no início, no nível das representações imaginárias mais arcaicas que podem impedir ou facilitar o funcionamento do grupo com relação ao seu objetivo. A entrada em um grupo leva o indivíduo a uma regressão. Produz-se angústia e geram-se diversos mecanismos de defesa. Diante dessas emoções, o indivíduo encontra acolhimento por meio da vivência de unidade grupal, do corpo grupal, no sentimento de nós, do grupo como um todo.

Para Kaës (1988, 2002), a função da instituição é garantir a continuidade e a regulação, evitar a angústia do caos, indicar os limites e transgressões, dramatizar os movimentos pulsionais. Nela articulam-se processos de diferentes ordens, como os sociais, políticos, culturais, econômicos, psíquicos. Por essa articulação e interação constante é que no âmbito social de uma instituição atuam questões também de ordem psíquica.

Kaës (1988/1991) refere-se a um espaço psíquico próprio da vida institucional, ou seja, formações psíquicas produzidas e originadas na vida da instituição que satisfazem necessidades tanto dos sujeitos singulares como do conjunto. Esses espaços psíquicos comuns e compartilhados, denominados por ele de “aparelho psíquico grupal”, são processos psíquicos inconscientes mobilizados na produção do vínculo, produzidos pelo conjunto, e podem ser demonstrados, por exemplo, pelos sintomas partilhados ou pelos significantes comuns. O aparelho psíquico grupal possibilita “a articulação entre a economia, a dinâmica e a tópica do sujeito singular de um lado, e de outro, a economia, dinâmica e a tópica psíquicas formadas para e pelo conjunto” (KAËS, 1988/1991, p. 30).

Bleger (1988/1991) foi mais um autor, apoiado em Pichon-Rivière, que desenvolveu estudos voltados à compreensão dos grupos nas instituições. Nomeia o estudo que faz da instituição de psicanálise operativa, definida como a psicanálise aplicada realizada fora do contexto clínico individual. Para o autor, toda instituição possui objetivos implícitos e explícitos, conteúdos latentes e manifestos e uma organização própria para satisfazer tais objetivos.

As instituições não servem apenas de defesa contra as angústias psicóticas, mas são depositárias da sociabilidade sincrética dos indivíduos, ou da parte psicótica, e por isso têm uma tendência para a burocratização e resistência à mudança. Ele acrescenta que as equipes administrativas de um hospital, por exemplo (e aqui incluiríamos as instituições de saúde mental e de formação), têm essa tendência de se estabelecerem como organizações em que os meios superam os fins. E que as dificuldades encontradas nessas instituições não provêm somente de pacientes e de suas famílias, mas especialmente do próprio corpo de trabalhadores. O autor ainda afirma que o grupo e a organização são a personalidade de seus membros. Daí se compreende a necessidade de um trabalho desenvolvido com os técnicos e trabalhadores das instituições. Ao mesmo tempo, fica clara a sua importância: se o grupo e a organização são a personalidade de seus membros, as tentativas de mudanças nas organizações podem produzir mudanças drásticas, levando possivelmente à desagregação da personalidade (BLEGER, 1988/1991).

Para Bleger, a instituição não é somente um instrumento de organização, regulação e controle social, é também instrumento de regulação e de equilíbrio da personalidade; da mesma maneira que a personalidade tem organizadas dinamicamente suas defesas, parte destas se encontram cristalizadas nas instituições. Se por um lado é necessária a mediação do ser humano para que as instituições existam, por outro elas têm um papel destacado na estruturação da personalidade.

 

Sofrimento originado nas instituições e possibilidades de trabalhos em Psicologia

De acordo com alguns autores (KAËS, 2002; TERZIS, 2008; CASTANHO, 2010), o sofrimento institucional provém de diferentes fontes: do próprio fato institucional, das características e estrutura inconsciente de uma instituição específica, assim como da configuração psicológica do próprio sujeito. Ele identifica ainda o sofrimento oriundo das próprias vicissitudes da vida, das limitações, desilusões e renúncias enfrentadas por cada um e, também, dentro da instituição.

O sofrimento ocorrido pelo fato institucional em si seria aquele decorrente dos contratos, acordos e pactos estabelecidos consciente e inconscientemente, das relações que necessariamente implicam dissimetria e desigualdade, das exigências recebidas em comparação com os benefícios, pelas falhas institucionais, especialmente em garantir os termos contratados. Kaës afirma que uma instituição pode falhar por excesso, por falta ou por inadequação das formas contratuais. Uma das formas dessa falha é o não-fornecimento de uma ilusão que garanta os investimentos imaginários, identificações narcísicas e sentimentos de filiação que possibilitem a realização de seu projeto.

A ilusão é importante porque sustenta o risco e os sacrifícios, produzindo o resultado almejado. “Uma instituição nova não pode dispensar a ilusão de ser inovadora e conquistadora. As equipes de um novo centro de tratamento são recrutadas na esperança de participar dessa aventura” (KAËS, 1988/1991, p. 53). Quando isso não ocorre, há ataques dos sujeitos para a instituição e dela para eles. Os fracassos decorrentes podem ser compreendidos como sofrimentos advindos da função instituinte, que pode estabelecer desejos de realização inacessíveis, ausência de leis ou leis parciais impostas a seus membros.

Há que se considerarem também os entraves para a realização da tarefa primária e o surgimento de tarefas paralelas, concorrentes e até contraditórias, que em muitos casos assumem a supremacia. Um ponto importante a ser avaliado nesses casos é que a natureza dos investimentos psíquicos mobilizados na tarefa primária interfere nos resultados. Em instituições ligadas à formação ou tratamento humano, por exemplo, o tipo de vinculação com a tarefa mobiliza partes psíquicas e exige investimentos para os quais o sujeito não necessariamente está estruturado, podendo gerar defesas que trarão ainda mais sofrimento. Essa distância que se cria entre a tarefa primária e o funcionamento psíquico institucional que ela causa dificulta a criação de um espaço psíquico de contenção, ligação e transformação na instituição.

Uma das tarefas do psicólogo na instituição é tornar possível o reconhecimento desses espaços comuns intrincados para cada sujeito implicado no grupo, assim como ao conjunto institucional: “Trata-se de criar um dispositivo de trabalho e de jogo que restabeleça, numa área transicional comum, a coexistência das conjunções e das disjunções, da continuidade e das rupturas, dos ajustamentos reguladores e das irrupções criadoras, de um espaço suficientemente subjetivizado e relativamente operatório” (KAËS, 1988/1991, p. 58). A esse respeito, a partir de um referencial winnicottiano, Silva (2009) afirma que um indivíduo só se constitui pela presença de alguém que reconheça e, portanto, humanize sua existência. Para que esse encontro aconteça, tem que haver um entorno constituído principalmente pela confiabilidade e continuidade dessa relação. Assim, podemos questionar até que ponto é possível, dentro de uma instituição, propiciar ao indivíduo com intenso sofrimento psíquico um espaço suficientemente bom para que ele possa, através dessa relação, descongelar situações de fracasso e adquirir uma abordagem mais criativa da vida.

Bleger (1988/1991) propõe que seja realizada uma quarta revolução psiquiátrica que esteja orientada para o desenvolvimento de trabalhos em prevenção primária. Afirma que temos conhecimentos e técnicas muito desenvolvidas, mas necessitamos de estratégias diferentes na atuação institucional, seja nas instituições hospitalares, psiquiátricas, seja nas demais organizações. Em suas palavras: “E mesmo nessas últimas, é possível que a melhor gestão dos nossos meios não seja a de organizar grupos terapêuticos, mas de dirigir os nossos esforços e os nossos conhecimentos para a própria organização” (p. 70).

 

Reunião de equipe: uma experiência de grupo de formação

Trazemos, a seguir, um recorte de uma pesquisa (MORETTO, 2008), com o objetivo de exemplificar a importância de trabalhos preventivos nas instituições. O funcionamento das reuniões da equipe de saúde mental (alvo da pesquisa) se assemelhava ao enquadre proposto por Anzieu e Kaës (1989) e atualizado por Faria (2003) no grupo de formação, tendo por objetivo a reflexão sobre as práticas de trabalho dos participantes visando ao amadurecimento pessoal e profissional. Para esses autores, essa técnica permite a investigação científica sobre o campo dos comportamentos humano e grupal, além de favorecer aos participantes meios apropriados para resolver alguns dos problemas que acometem todo o grupo. Não prevê uma estruturação rígida, os temas e assuntos são trazidos espontaneamente pelos integrantes, pois seu objetivo é permitir que cada um viva e compreenda uma experiência de grupo e, com isso, possa compreender seu próprio modo de ser em grupo, assim como o do outro.

Em uma das reuniões, alguns integrantes da equipe, verbalizaram o cansaço e desânimo da equipe com expressões como: “dá uma sensação de impotência na gente, né?”, “me sinto de mãos atadas”, e “dar tratamento psicológico para quem não tem nem o que comer e chega com fome aqui”. Estes fragmentos denotam o sofrimento institucional presente nas equipes, conforme formulou Kaës (1988/1991). Consideramos que o grupo de formação favorece a sensibilização dos participantes quanto às vivências emocionais no trabalho, possibilita a expressão das tensões e sentimentos, funciona como um facilitador para que os integrantes reflitam e aprimorem as práticas de trabalho (Moretto, 2009).

A partir desta experiência, e apoiado em estudos prévios (MATUMOTO et al., 2005; SILVA; SANTOS, 2006; SCHERER et al., 2007), enfatizamos a importância da prática de reuniões de equipe nas instituições. Concluímos este estudo reforçando as palavras de Bleger, sobre prevenção primaria em saúde, e ressaltando a importância da intervenção psicológica através de diferentes estratégias, que possam agir de maneiras ainda mais efetivas dentro das instituições.

 

Referências

ANZIEU, D.; KAËS, R. Crònica de un grupo. México: Gedisaa, 1989.

___________. O grupo e o inconsciente: imaginário grupal. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1990.

BLEGER, J. O grupo como instituição e o grupo nas instituições. In: KAËS, R. et al. (Orgs.). A instituição e as instituições. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1991.

CASTANHO, P. C. G. A Instituição dentro de nós e as práticas institucionais em psicanálise. In: TERZIS, A. (Org). Psicanálise aplicada na América Latina: novos contextos grupais. Campinas: Via Lettera, 2010.

ENGLISH, H. B.; ENGLISH, A.C. H. Diccionario de psicología y psicoanálisis. Buenos Aires: Paidós, 1977.

FARIA, A. L. (2003). Crônica de um grupo de formação., Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, [Tese de doutoramento não-publicada], 2003.

FREUD, S. Psicologia de grupo e análise do ego. Rio de Janeiro: Imago, (Edição Standart Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, 18), 1987.

_________. Totem e tabu. Rio de Janeiro: Imago, (Edição Standart Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, 13), 1987.

KAËS, R. La polyphonie du rêve. Paris: Dunod, 2002.

________. Realidade psíquica e sofrimento nas instituições. In: Kaës, R. et al. (Orgs.). A instituição e as instituições. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1991.

MATUMOTO, S. et al. Supervisão de equipes no Programa de Saúde da Família: reflexões acerca do desafio da produção de cuidados. Interface, Ribeirão Preto, v. 9, n. 16, p. 9-24, 2005.

MORETTO, C.C. Grupo de formação: alternativa metodológica para as equipes de trabalho. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO FLAPAG, 18.,; SIMPÓSIO CEFAS: práticas institucionais na América Latina: casal, família, grupo e comunidade. 10., 2009, [s.l.]. Anais… Campinas: [s.n.t.], 2009.

MORETTO, C. C. Experiências de uma equipe interdisciplinar de saúde mental: um estudo psicanalítico. 2008. 132 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Centro de Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2008.

OSÓRIO, L.C. Grupoterapias: abordagens atuais. Porto Alegre: Artmed, 2007.

SCHERER, E. A.; SCHERER, Z. A. P.; CAMPOS, M. A. Percepções sobre coordenação e funcionamento de reuniões de equipe geral de um hospital-dia psiquiátrico. Revista Latino-americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 15, n. 1, p. 113-9, 2007.

SILVA, L. M.; SANTOS, M. A. Construindo pontes: relato de experiência de uma equipe multidisciplinar em transtornos alimentares. Medicina (Ribeirão Preto), v. 39, n. 3, p. 415-24, 2006.

SILVA, M. C. F. O trabalho suficientemente bom na instituição. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO FLAPAG, 18.,; SIMPÓSIO CEFAS: práticas institucionais na América Latina: casal, família, grupo e comunidade. 10., 2009, [s.l.]. Anais… Campinas: [s.n.t.], 2009.

TERZIS, A. As atuais condições das práticas analíticas de grupo. In: SIMPÓSIO CEFAS, 9.; JORNADA FLAPAG, 2., Campinas. Anais… Campinas: CEFAS, 2008.

 

 

Endereço para correspondência

Cybele Carolina Moretto
E-mail:cybele.moretto@ig.com.br

Antonios Terzis
E-mail:aterzis@uol.com.br

 

 

Recebido em: 13/06/2010
Aprovado em: 04/12/2010
Revisado em: 03/12/2010