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Revista da Abordagem Gestáltica

versão impressa ISSN 1809-6867

Rev. abordagem gestalt. vol.16 no.2 Goiânia dez. 2010

 

RESENHAS

 

Ana Carla Masiero

Instituto Educacional do Oeste Baiano - IEOB

 

 

Psicoterapia de curta duração na abordagem gestáltica: elementos para a prática clínica, 2009

(Ênio Brito Pinto)

São Paulo: Summus

Falar em psicoterapia de curta duração ainda soa como novidade. Contudo, percebe-se que a procura por psicoterapias que sejam úteis e em um tempo relativamente curto tem aumentado. Isto se dá, muitas vezes, em função do preço de um tratamento a longo prazo e do estilo de vida que assinala nossa cultura. Atento a esta demanda, Enio Brito Pinto propõe sua colaboração no que diz respeito à psicoterapia de curta duração à luz da Abordagem Gestáltica.

A leitura do livro Psicoterapia de curta duração na abordagem gestáltica: elementos para a prática clínica (2009), oferece ao leitor a possibilidade conhecer uma forma de prática clínica de curto prazo a partir da visão de um experiente Gestalt-terapeuta. Para tanto, o autor se aproveita de consistentes conceitos teóricos e os associa à sua prática clínica, proporcionando uma aproximação do conteúdo à técnica e à prática. Faz-se importante ressaltar que embora esta obra dê ênfase ao trabalho individual, as considerações tecidas também conferem valor aos contextos grupais.

Ainda há poucos trabalhos na área da Gestalt-terapia que abarcam este tema. A questão é que existe um amplo campo se desenvolvendo para o atendimento psicoterápico de intervenções rápidas. Porém, ainda que o tempo desse trabalho seja breve, o que o individualiza é uma série de atitudes e métodos específicos.

O objetivo desta obra é apresentar alguns desdobramentos da psicoterapia de curta duração à luz da Gestalt-terapia. O autor convida o leitor a novas reflexões, a críticas, a aprofundamentos e a novas descobertas na abordagem gestáltica.

O livro é composto de oito capítulos, todos eles pautados num estudo teórico sobre a abordagem gestáltica e a Gestalt-terapia de curta duração e na sua grande prática clínica.

O primeiro capítulo versa sobre a visão de homem que pauta o olhar do autor no seu trabalho de psicoterapia de curta duração. Aqui ele fala que por ter seu trabalho fundamentado na Gestalt-terapia percebe-se alicerçado por algumas correntes filosóficas ou psicoterápicas, tais como a psicologia existencial, a psicologia fenomenológica, a psicologia humanista, a psicanálise, os trabalhos de Martin Buber e de Reich, a Psicologia da Gestalt, a teoria de Lewin, a teoria organísmica de Goldstein, alguns aspectos do taoísmo e do budismo. Em seguida, são tecidos alguns aspectos transversais à psicoterapia de curta duração.

Em seguida, o autor apresenta a Gestalt-terapia de curta duração de seu ponto de vista. Para isso ele conceitua psicoterapia e psicoterapia de curta duração aproveitando- se do seu conhecimento em outras abordagens, podendo, assim, delimitar suas peculiaridades. Fala ainda sobre os possíveis objetivos das psicoterapias de curta duração, o que, em sua opinião vai delinear a forma de trabalho.

Já o quarto capítulo trata das estratégias terapêuticas básicas para o exercício da psicoterapia de curta duração. Inclui-se neste tema a situação terapêutica, ou seja, o campo da psicoterapia; a compreensão do cliente, que é a forma como o terapeuta percebe seu cliente ao lado da percepção da situação; a percepção de homem em psicoterapia; e, por fim, uma compreensão do diagnóstico em Gestalt-terapia de curta duração.

O quinto capítulo aborda a questão do foco. Em Gestalt-terapia de curta duração os focos do trabalho são os eixos de um processo. É neles que estarão concentrados os esforços do terapeuta e do cliente. Assim, é importante estar atento è eleição do foco, à sua relação com o sintoma apresentado e à forma de tratar do foco com o cliente.

No capítulo intitulado "O diagnóstico", o autor defende um ponto de vista diferenciado e que não aspira unanimidade na abordagem gestáltica. No que Ênio Brito Pinto chama de compreensão diagnóstica ele apóia um pensamento diagnóstico processual unido ao DSM-IV como uma tipologia. Sustenta um diagnóstico psíquico que considere todo o campo e que seja fundamentado num olhar fenomenológico e holístico. O autor acredita que para o trabalho de curta duração, bem como para qualquer prática clínica, o diagnóstico é fundamental, desde que dê suporte para a postura humana e humanista do Gestalt-terapeuta. Para dar sustentação às suas idéias o autor comenta sobre as singularidades e peculiaridades da compreensão diagnóstica, sobre os aspectos fenomenológicos, sobre o pensamento diagnóstico processual, sobre as funções do diagnóstico, sugere como fazer um diagnóstico contando com o estilo de personalidade e com a queixa do cliente e finaliza falando do diagnóstico do terapeuta.

Considerando-se a relação terapêutica um dos temas mais estudados na psicologia, o sétimo capítulo apresenta alguns aspectos básicos e que parecem ser mais pertinentes para fundamentar uma psicoterapia de curta duração. Preocupa-se em discorrer sobre aspectos da relação estabelecida entre o cliente e o terapeuta que enobrecem o desenvolvimento da psicoterapia. Pode-se citar entre estes a aliança terapêutica, a atitude do terapeuta que envolve a congruência, a aceitação do cliente, a empatia e a inclusão, o diálogo, o diálogo e o poder e o diálogo amoroso.

Para finalizar esta obra, o oitavo capítulo é dirigido para algumas questões adicionais que fazem alusão à relação terapêutica, mas que são pouco discutidas nas abordagens humanistas. Dentre elas são tratadas a transferência, as tarefas de casa, o contrato, o intervalo entre as sessões e o fim da terapia. São questões aparentemente simples, mas que requerem cuidado e reflexão.

Lembrando que esta produção nasceu inserida em um contexto social em que as pessoas têm cada vez menos tempo para si, e consequentemente, para dedicar-se à psicoterapia, este livro propõe ampliar temas importantes para permitir ao leitor profissional da psicologia uma visão mais aprimorada acerca de como se trabalhar em um espaço de tempo menor, comparado ao de uma psicoterapia de longo prazo. Assim, o psicoterapeuta terá a oportunidade de atender de forma mais competente e satisfatória à demanda emergente. Associando a teoria à sua prática clínica o autor transmite suas elucidações de maneira clara e consistente, o que torna a leitura agradável e interessante.

Enfim, além de ser uma obra de grande contribuição para o desenvolvimento da Gestalt-terapia de curta duração, é também uma obra que convida o leitor a estender seus estudos de forma a trazer maiores contribuições para o desenvolvimento deste tipo de trabalho, não só na prática clínica individual, mas também em contextos grupais.

 

Referências

Pinto, E. B. (2009). Psicoterapia de curta duração na abordagem gestáltica: elementos para a prática clínica. São Paulo: Summus.

 

 

Recebido em 02.04.10
Aceito em 15.08.10

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