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Epistemo-somática

versão impressa ISSN 1980-2005

Epistemo-somática v.4 n.2 Belo Horizonte dez. 2007

 

ARTIGOS

 

A criança, o bonhomme1 e a família

 

The child, the bonhomme and the family

 

El niño, el bonhomme y la familia

 

L'enfant, le bonhomme et la famille: un état de quelques lieux?

 

 

Véronique Dufour *

Université Louis Pasteur - Strasbourg, France

 

 


RESUMO

Os encontros entre colegas brasileiros e franceses, há dois anos, permitiram iniciar a pesquisa Copsyenfant em Belo Horizonte. Ela começou no serviço de psicoterapia da criança e do adolescente dirigida pelo professor Bursztejn, nos hospitais universitários de Strasbourg. Anne Ciani e Maryse Klein Mélonio quiseram informar-se sobre nosso trabalho no hospital, relacionado ao desenho de criança, por acharem que essa fonte de expressão tão rica, por meio da qual as crianças se manifestam, era freqüentemente inutilizada. Seu domínio, a psicomotricidade, encontrou um modo de ser discutido e enriquecido com o nosso. Do trabalho clínico do hospital, ajuntamos a unidade de pesquisa em Psicologia: Subjetividade, conhecimentos e laço social (Universidade Louis Pasteur: URP/SCLS EA 3071), dirigido pelo professor Serge Lesourd. Tendo obtido rapidamente o reconhecimento do ministério pela Agência Nacional da Pesquisa, pudemos desenvolver esse projeto, também sob o aspecto internacional, que vem ainda enriquecer as perspectivas. Construímos dispositivos de análise para acolher os numerosos desenhos das crianças. Isso e uma apresentação por país é o que lhes propomos nos pôsteres cuja animação é de Cristel Girerd, doutoranda encarregada dos estudos em Strasbourg. A análise dos dados é ainda em si mesma muito pouco avançada. Esta pesquisa reúne, então, o trabalho de um número já importante de pesquisadores, de práticos e de crianças, do Vietnã, do Brasil, da Rússia, da Tunísia, do Canadá e da França. Dedico-lhes esta apresentação, que vai tentar dar conta do conjunto. Além disso, dois anos atrás, eu havia apresentado meus trabalhos sobre o declínio da função paterna, com base na observação da criança intelectualmente superdotada. Essas hipóteses serão retomadas aqui à luz do encontro com um trabalho em equipe.

Palavras-chave: Pesquisa internacional CoPsyenfant, Laços familiares e sociais, Identidade da criança.


ABSTRACT

The meetings between Brazilian and French colleagues, in the last two years, allowed the start of Copsyenfant research in Belo Horizonte (MG-Brazil). The research had begun in the service of child and adolescent psychotherapy, ran by Teacher Bursztejn in the Strasbourg hospital. Anne Ciani e Marsye Klein Mélonio wanted to inform themselves about our work in the hospital with the child drawing, because they considered it an important expression source, through which children communicate, and it is frequently out of use. Their field, the psychomotricity, found a way to be discussed and improved with ours. From the clinical work in the hospital, we joined the research unit of Psychology: Subjective, Knowledge and Social Ties (University Louis Pasteur: URP/SCLS EA 3071), ran by Teacher Serge Lesourd. With the fast approval from the Ministry, by the National Agency of Research, we could develop this project, also internationally, what increased our perspectives. We built analysis's dispositives to receive the innumerous children's drawings. That and a presentation of each country are what we propose today in the posters, whose animation was made by Cristel Gired doctorate student encharged with the studies in the city of Strasbourg. The data analysis is still little advanced. This research unites the work of an important number of researchers, clinicals and children, from Vietnam, Brazil, Russia, Tunisia, Canada and France. The hypothesis presented to you in my works, about the pattern function decline based on the observation of the intellectual gifted children, will be now discussed throw the light of the meeting with a team work.

Keywords: International research, Copsyenfant, Families and socials bonds, Child identity.


RESUMEN

Los encuentros entre colegas brasileños y franceses, hace dos años, permitieron iniciar la investigación Copsyenfant en Belo Horizonte. Ella empezó en el servicio de psicoterapia del niño y del adolescente dirigida por el Profesor Bursztein, en los hospitales universitarios de Strasbourg. Anne Ciani y Maryse Klein Mélonio quisieron informarse sobre nuestro trabajo en el hospital, sobre el dibujo del niño, por creer que esa fuente de expresión tan rica a través de la cual los niños se manifiestan era frecuentemente inutilizada. Su dominio, la psicomotricidad, encontró un modo de ser discutido y enriquecido con el nuestro. Del trabajo clínico del hospital, agregamos la unidad de Investigación en Psicología: Subjetividad, Conocimientos y Lazo Social-Universidad Louis Pasteur: URP/SCLS EA 3071, dirigido por el profesor Serge Lesourd.Así que obtuvo rápidamente el reconocimiento del ministerio, por la Agencia Nacional de Investigación, pudimos desarrollar ese proyecto también sobre el aspecto internacional, que viene también a enriquecer las perspectivas. Construimos dispositivos de análisis para incluir los numerosos dibujos de los niños. Esto y una presentación por país es lo que proponemos a ustedes hoy en los posters cuya animación es de Cristel Girerd, alumna del doctorado encargada de los estudios en Estrasburgo. El análisis de los datos es todavía en sí muy poco avanzado. Esta investigación reúne entonces un trabajo de un número ya importante de investigadores, de prácticos y de niños, de Vietnam, de Brasil, de Rusia, de Túnez, de Canadá y de Francia. Las hipótesis presentadas a ustedes en mis trabajos sobre la declinación de la función paterna a partir de la observación del niño intelectualmente super- dotado serán retomadas aquí a la luz del encuentro con un trabajo en equipo.

Palavras clave: Investigación internacional CoPsyenfant, Lazos familiares y sociales, Identidad del niño.


RÉSUMÉ

Les rencontres entre collègues brésiliens et français avait permis, il y deux ans, d'initier la recherche Copsyenfant à Belo Horizonte. Celle-ci a débuté dans le service de psychothérapie de l'enfant et de l'adolescent dirigé par le Professeur Bursztejn, aux hôpitaux universitaires de Strasbourg. Anne Ciani et Maryse Klein Mélonio, ont souhaité interroger notre travail à l'hôpital, sur le dessin d'enfant, trouvant que cette source d'expression si riche dont les enfants témoignent était souvent inutilisée. Leur domaine, la psychomotricité, a trouvé à se discuter et à s'enrichir avec le nôtre. Du travail clinique à l'hôpital, nous avons rejoint l'unité de recherche en Psychologie : Subjectivité, Connaissances et Lien Social -Université Louis Pasteur : URP/SCLS EA 3071, dirigée par le Professeur Serge Lesourd. Ayant rapidement obtenu une reconnaissance du ministère par l'Agence Nationale de la Recherche, nous avons pu développer ce projet, aussi sous un aspect international qui vient encore en enrichir les perspectives. Nous avons construit des dispositifs d'analyses pour accueillir les nombreux dessins des enfants. C'est cela et une présentation par pays que nous vous proposons aujourd'hui dans les posters dont l'animation revient à Cristel Girerd, doctorante et chargée d'étude à Strasbourg. L'analyse des données est encore en elle-même très peu avancée. Cette recherche rassemble donc le travail d'un nombre déjà important de chercheurs, de praticiens et d'enfants, du Vietnam, du Brésil, de Russie, de Tunisie, du Canada et de France. Je leur dédie cette présentation[1], qui va essayer de rendre compte de l'ensemble. Par ailleurs, il y a deux ans, je vous avais présenté mes travaux sur le déclin de la fonction paternelle à partir de l'observation d'enfant intellectuellement " surdoués ". Ces hypothèses seront reprises ici à la lumière de la rencontre avec un travail en équipe.

Mots clés: Recherche international Copsyenfant, Liens familiaux e sociales, Identité de l'enfant.


 

 

Meus primeiros trabalhos tratavam da noção de inteligência elevada e seu impacto sobre o desenvolvimento psíquico. A criança "superdotada" em dificuldade esclarece, mais que as outras, as novas maneiras de funcionamento generacional2 do laço social, sob o aspecto normal e patológico individual. Minha tese já tinha mostrado especificidades na construção das imagens de si e das imagens parentais segundo o nível de inteligência das crianças com dificuldades de não adaptação. Sua retomada, à luz da distinção feita por Lacan entre o pai real, imaginário e simbólico, mostra que é a função imaginária do pai que é enfraquecida por essas crianças. A clínica de quantos quer que apareçam3 nos leva a fazer dessa hipótese, tirada de uma clínica particular, uma hipótese de valor geral, válida para todas as crianças de nosso laço social atual. Isso abre um re-questionamento das teses que sustentam que as dificuldades da infância e da juventude estão ligadas ao enfraquecimento paterno do lado do pai real e, portanto, dos homens. A psicopatologia infantil e adulta, como a psicopatologia da vida quotidiana estaria assim mais vinculada com uma má colocação4 da função do pai imaginário pelo nosso modo de ser moderno. Assim o trabalho clínico deveria orientar-se menos sobre "uma saída da tirania do pai" que sobre uma sustentação da função do pai potente, que permite ao sujeito, ao construir a diferença das gerações, sair das problemáticas pré-edipianas e narcísicas, que são o forte das consultas psicológicas atuais (Dufour, 2006). A diferença das gerações aparece bem claramente no desenho da família. Constata-se que um número importante de crianças não desenha a família com os pés colocados no chão, mas, por exemplo, alinhados pela cabeça, suspensos no ar, os tamanhos são invertidos, os lugares confundidos...

O estudo longitudinal Copsyenfant tem como objetivo compreender como a criança constrói a representação de si mesma (imagem do corpo e representação de sua identidade), a representação de sua família e os laços intergeneracionais,5 a representação dos seus laços com os outros, nas condições atuais da família e do laço social. O estudo da representação da família e da imagem de si é feito com base nos desenhos livres, nos desenhos da família e no desenho do bonhomme, que apresentam a dupla vantagem de ser dependentes das representações culturais e independentes da língua falada. Esse material viabiliza a parte internacional da pesquisa e é utilizado por diferentes campos teóricos da psicologia (clínica, do desenvolvimento, social, cognitivo, neuropsicologia) utilizados nesse estudo generalista.

 

Os três tempos da construção da identidade são estudados:

- a construção da imagem do corpo em relação ao outro, na sua dimensão social, afetiva e sexual (3-6 anos);

- a construção da identidade social pelo jogo das identificações e das aprendizagens (6-11 anos);

- a construção da identidade sexual adulta (identidade de gênero, ou identidade sexual) no momento da puberdade e pós-puberdade (11-16 anos).

 

Dois aspectos centrais dessa construção da identidade infantil nas patologias atuais da criança são particularmente estudados:

1. O da construção da identidade social que faz laço com a construção dos papéis no quadro das mutações das representações e das formas da família e da autoridade na modernidade.

2. O da construção definitiva da identidade sexual e da identidade de gênero que faz laço com as representações sociais ideais novas das funções de homem e de mulheres.

O estudo quantitativo diz respeito a quantas crianças chegarem (quadro escolar), entre 3 e 16 anos, e o estudo clínico das crianças em dificuldade, das quais os serviços especializados se encarregam.

Todo o material (quatro desenhos por criança) é classificado e discutido em Strasbourg. Protocolo de pesquisa (desenho livre, bonhomme, família) + realização de grades de cotação (sphinx-logiciel investigações estatísticas), abordagem clínica (entrevista e balanço psicológico).

 

Desenvolvimento da aplicação

Foi estabelecida uma ordem sistemática de aplicação dos diversos desenhos.

1. O desenho livre, a fim de permitir à criança entrar na situação de teste de maneira espontânea e de situar a aquisição gráfica da criança. É também um desenho no qual se pode indicar a dinâmica pulsional nos mais jovens dentre eles.

2. O desenho do bonhomme em associação com o desenho livre permite assinalar a construção da criança em comparação com os personagens dos desenhos seguintes.

3. O desenho da família real. É esse o desenho que permite indicar a construção da diferença dos sexos (cabelos, roupas, etc.) e das gerações (tamanho, roupas, etc.) no quadro da estrutura familiar real da criança.

Pediu-se à criança que indicasse os membros da sua família pelo seu nome ou pelas designações clássicas dos laços familiares (eu, pai, mãe, irmão, etc.).

4. O desenho da família imaginária. Em comparação com o desenho 3, permite situar as representações psíquicas da criança e a influência da família real na construção identitária da criança. Pediu-se a ela que indicasse no desenho se ela aparecia nele e, se necessário, para completar essa aplicação, que, com a ajuda dos professores ou dos pesquisadores para os mais jovens, que escrevesse o nome, a idade e o sexo dela em cada desenho.

É possível que certas crianças possam ser vistas de novo no quadro das entrevistas individuais, com a concordância de suas famílias, para precisar certas configurações particulares, ou certas problemáticas. A investigação já foi efetuada ou está em curso:

1. Hospital Mater Dei (M. Decat de Moura, L. Mohallem) e Universidade Federal de Minas Gerais (Prof. Jeferson Pinto). Brasil.

2. L'Université d'Etat Lomonossov de Moscou (Pr. Podolskij, Dd. Druzhinenko, Russie).

3. L'Université de Tunis (Tunisie, Pr. Ladibi, I. Belghacem).

4. L'Université du Québec à Montréal -UQAM (Canadá, Pr. I. Bléton)

5. No Vietnã a investigação foi realizada por uma psicanalista e pós-doutoranda Mme F. F. Berger (sob a coordenação de C. Schauder).

A primeira fase do estudo em curso é realizada por grupo, que corresponde, em geral, a uma classe. Então não temos, nesse nível, entrevista clínica, mas um estudo estatístico e internacional sobre as representações de si e da família. A hipótese geral do estudo é que a diferença dos sexos e das gerações constitutivas da construção edipiana não seria mais uma marca no nosso laço social. Numerosas conseqüências decorrem daí: relação ao outro, imagem de si, construção da imagem inconsciente do corpo, aprendizagens...

Após uma revisão -um exame -sobre os diferentes métodos existentes, estamos no decorrer da construção e da experimentação das grades de leitura dos desenhos concebidos nesta pesquisa. Isso conduzirá, talvez, a uma leitura que pode ser feita em outros testes projetivos como o TAP, com fim psicopatológico. Neste momento, o objetivo é constatar normas e tendências na construção edipiana e nas representações da família.

 

As diferentes grades de cotação

* Grade de cotação do "traço"

Esta grade de cotação destina-se à leitura do desenho livre feito pela criança (3-6 anos). O objetivo é compreender a evolução do traço gráfico da criança e a dimensão psíquica da obra no ato de desenhar. Esse trabalho remonta à iniciativa de Maryse Kleinélonio e de Anne Ciani, psicomotricistas que animam a oficina sobre o "traço" com as crianças autistas e psicóticas. Claude Schauder e Serge Lesourd levaram sua experiência clínica e permitiram a articulação teórica do trabalho. Amandine Appel, estudante do 4º ano de psicologia, desenvolveu a grade e um excelente trabalho de memória. Aqui um pôster apresentará essas participações.

* Grade de cotação "diferença dos sexos e das gerações"

Ela diz respeito aos desenhos do bonhomme, da família real e da família imaginária. Essa grade foi a primeira, a mais longa e a mais difícil de ser implantada. Toda a equipe participou dela. Comporta mais ou menos 150 questões para cotar os desenhos. O conjunto permite, sobretudo, a referência do Édipo e do desenvolvimento. Cada pesquisador pode, assim, testar suas hipóteses de trabalho. Essa grade incluiu a grade de cotação da distribuição das cores (Cristel Girerd) entre os personagens. Na sua tese, C. Girerd desenvolve uma leitura, com base na cor, sobre as questões da autoridade. Isso se refere ao pulsional, mais que as outras cotações, e permitirá, sem dúvida, o acesso aos processos primários, aos modos de defesa, um pouco como no Rorschach e no TAT. Assim, baseando-se em um trabalho comum, cada pesquisador pode também desenvolver sua própria grade de leitura.

* Grade de cotação do bonhomme

Ela está sendo feita (Véronique Dufour). A hipótese é que o desenho do bonhomme é muito interessante para comparar o corpo do bonhomme com o corpo dos diferentes personagens da família. Para isso, esperamos reservar uma grade de leitura específica.

* A diferença das gerações

Observando a grade "diferença dos sexos e das gerações", desenvolvi um pouco mais a noção do generacional (tamanhos e alinhamentos). Essa grade vai me permitir continuar a reflexão sobre falhas na construção das gerações. Laure Siegwart, estudante estagiário do quarto ano, emprestou seu talento a essa parte do trabalho, que vamos lhes apresentar em pôster.

 

Manuais de cotação

Um manual de cotação está sendo feito para acompanhar cada grade de leitura. Isso é útil para a formação dos estudantes, para a clínica e para a pesquisa.

Se pensamos que essas grades de leitura são muito úteis e esclarecedoras, teremos em mente conservar o desenho com um olhar e uma escuta clínica. Os desenhos de crianças não são de natureza a se deixar fechar numa leitura técnica. Fazemos questão, do mesmo modo, de chamar atenção para esse risco.

 

 

Com base em um protocolo comum a todos os países e de uma aplicação estandardizada, dispomos atualmente de dados cotados para as crianças e adolescentes encontrados, desde a sala de maternal à sala de 3ème na França, e os níveis correspondentes na Rússia. As salas de maternal são tratadas separadamente. Os sexos foram separados, naturalmente, segundo a distribuição precisa: metade meninas, metade meninos, para o conjunto da amostra. Obtivemos, assim, numerosos resultados sendo que alguns fomos encontrar nas respostas às perguntas acima elaboradas.

 

 

Leitura estatística de alguns resultados:

 

 

Porcentagens na coluna: 992 observações.

Salas CP; CEI; CE2; CM1; CM2; 6; 5; 4; 3

Discutimos muito sobre a instrução do desenho do bonhomme, que poderia levar a uma identificação masculina por causa do termo bonhomme que em potuguês pode ser traduzido por "homem bom". Os trabalhos anteriores sobre essas questões já mostraram que o bonhomme era desenhado em função do sexo do desenhista.

Qualquer que seja o gênero da instrução, os meninos desenham, na maioria das vezes, personagens masculinos e as meninas, na maioria das vezes, personagens femininos (Baldy, 2002, p. 103). É o que confirmamos aqui. Pode-se ressaltar maciçamente que as crianças são ainda bem sexuadas: as meninas desenham, principalmente, bonhommes meninas e os meninos, bonhommes meninos.

Outro exemplo de questão :

71. Personagens não inteiros (Família real)

( ) 1. Todos são inteiros

( ) 2. Todos são cortados

( ) 3. Alguns são cortados

 

 

Porcentagens na coluna, 992 observações. CP;CE1;CE2;CM1; CM2;6;5;4;3 do desenho da família real.

Questão atual 71 da grade de cotação sexo/gerações.

Os membros cortados ou que faltam são, com maior freqüência, as mãos, os pés, mais comumente na mãe, depois na criança que se desenha e, em seguida, no pai. Isso confirma que os elementos que faltam têm mais freqüentemente uma ligação com a identificação dos pais e à construção da própria pessoa. É preciso também assinalar que 33,9% das crianças não são representadas na família real, na amostra atual de 992 crianças. No conjunto da amostra, 46,2% das meninas desenham os personagens inteiros, os meninos o fazem em 59,4%. A proporção entre os dois sexos que desenham os personagens cortados ou não inteiros é grande, quase a metade das crianças e dos adolescentes. É interessante precisar a distribuição entre as diferentes idades e países. Veja-se, pelo conjunto da distribuição de personagens inteiros, que, por dedução, a outra parte é feita de personagens "todos cortados", ou "alguns são cortados".

 

 

As meninas de CP CE1 desenham corpos inteiros numa proporção bem fraca. Percebem-se importantes mudanças no desenvolvimento das meninas das classes das crianças menores em relação às do collège.6 Para os meninos, a evolução é claramente diferente. As proporções variam pouco de uma idade a outra. E, no todo, as crianças russas desenham mais personagens inteiros que as crianças francesas. A metodologia atual não pode ter a pretensão de interpretar esses resultados. A segunda parte do estudo baseada no mesmo protocolo, mas completada pelas entrevistas clínicas e testes projetivos, nos levará a isso.

 

Alguns resultados

As famílias recompostas

O pensamento corrente, mesmo entre os profissionais, refere-se majoritariamente às crianças vivendo numa família recomposta, sob o traumatismo da separação, violência interna para a criança no divórcio. Entretanto esse pensamento corrente, apreendido no mecanismo de "captação invalidante do sujeito" muito bem descrita a respeito da desvantagem por Jean Sébastien Morvan, corre o risco de colocar o sujeito de lado.

Isso pode ser visto nos adolescentes que testemunham, na sua construção, dificuldade, entretanto normal, a "se unificar". Quando se postula que essa dificuldade se reduz às conseqüências do divórcio, discurso banal corrente, passa-se ao lado do processo de reconstrução da unidade própria ao sujeito adolescente, processo que pertence a ele, como propriedade pessoal, e que é a expressão de sua própria divisão constitutiva, e não o resultado externo da separação de seus pais, mesmo que ela se torne também, em parte, dele.

A amostra utilizada é composta por 1 131 crianças, das quais 668 são francesas e 463 russas, das quais 561 são meninos e 567 meninas (3 sem resposta) de 3 a 16 anos. Na pergunta "Trata-se claramente de uma família recomposta?" obtivemos a respeito da representação da família real (instrução: "Desenhe sua família como ela é") os seguintes resultados: 26 cotações "SIM", 1050 cotações "NÃO". Nos 1 050 desenhos, a família recomposta não aparece claramente. Se "O Ingênuo" de Voltaire voltasse, ele não teria adivinhado, numa única leitura dos seus desenhos, que a recomposição familiar é a realidade banal da maioria das famílias e das crianças de hoje.

O que a criança mostra é uma família "normal", na qual a recomposição real não está presente (cf. Anne Thévenot, Eva Louvet...), fazendo desaparecer o traumatismo do divórcio do discurso corrente. Seguindo Freud e seus desdobramentos sobre o lugar paterno na construção da criança, esses resultados abrem várias pistas de respostas. Primeiro, o divórcio dos pais não traria traumatismo para a criança, que continua a se referir psiquicamente à sua construção infantil da família, e até mesmo aos fantasmas originários próprios à construção interna, e não influenciáveis pela realidade social. A segunda pista de trabalho é a hipótese da ação maciça da denegação atribuída ao sofrimento advindo do divórcio pela maioria das crianças que produziria uma representação de família unida.

À luz da experiência clínica com sujeitos que fazem parte dessa realidade família do divórcio, da separação e da reconstrução de um novo ambiente familiar (recomposição ou monoparentalidade7), mostramos que essa experiência infantil da ruptura familiar na realidade não deve ser considerada, na maioria dos casos, como um traumatismo constitutivo de um disfuncionamento subjetivo, mas que, como a isso nos convidam os desenhos de quaisquer crianças que apareçam no estudo, a construção das origens da subjetivação são processos internos que, certamente, colocam sempre dificuldade para o sujeito, mas que se enodam com as representações internas do sujeito (o pai e a mãe psíquica) e não com a realidade familiar.

A função do pai imaginário

Esses trabalhos foram desenvolvidos num outro artigo (cf. Girerd et al., 2007). Remetendo-os, então, a eles, peço emprestadas as conclusões que reúnem as hipóteses de um enfraquecimento da função do pai imaginário. Isso seria confirmado nas crianças francesas (principalmente com os meninos), e, não, nas crianças russas.

A estruturação edipiana é facilmente marcada na população russa por meio da classificação dos personagens de identificação. A mãe é o personagem principal no Édipo russo (33.3% para os meninos, 41.4% para as meninas), o pai é o segundo (29.6% para os meninos, 20.7% para as meninas), o que se explica pelo lugar cultural da mãe na tradição russa. Desde a latência o pai torna-se o personagem de referência dos meninos (35% na latência, 32.1% na adolescência), ficando a mãe em segundo lugar (21% e 25%), e a mãe o personagem de referência das filhas (48.4% e 38%), o que mostra uma estruturação da diferença identificatória estável e construída dos sexos.

Ocorre de outro modo com a população francesa. O pai, qualquer que seja o período de referência, é sempre o primeiro personagem de identificação. A mãe só é personagem de identificação em segundo lugar para as meninas (igualmente com o pai para o Édipo), em terceiro lugar para os meninos no período edipiano e na latência. Para os meninos é o sujeito que toma o segundo lugar (25% no Édipo, 17.2% na latência) e desaparece totalmente na adolescência.

As questões das referências do personagem de identificação são discutidas aqui, principalmente, por Claude Schauder. Apoiamos essas escolhas de acordo com os trabalhos de Corman. Isso vale neste quadro, e temos, é claro, de colocar essas questões na seqüência do trabalho de pesquisa que será desenvolvida na mesma investigação, mas durante as entrevistas clínicas. Propomos, então, o trabalho que está sendo feito, mais como pistas de reflexão do que como conclusões adquiridas de um saber.

Nesses resultados, questiona-se a construção das referências identificatórias sexuais na população francesa e na parte atribuída à função da autoridade paterna no desenvolvimento edipiano da criança. Essa primeira constatação global se confirma quando se constata que a criança francesa edipiana se situa, quase tanto quanto o pai, como figura de identificação, o que reforça ainda os resultados na família imaginária (29.6% vs. 13%). Essas duas observações mostram que existe um disfuncionamento da constituição da figura de autoridade da função paternal imaginária edipiana e da autoridade que está ligada a ela. Esse fenômeno aparece em eco com a adolescência.

Desses resultados sobressaem dois eixos fundadores do Édipo, a diferença dos sexos e a das gerações, que são bem marcadas pelos sujeitos, mas não são estruturantes no que diz respeito à constituição das figuras de autoridade nos sujeitos franceses. A constatação é completamente diferente na Rússia: a diferença dos sexos e das gerações é não apenas marcada pelos sujeitos, mas ela estrutura a constituição das figuras de autoridade paterna e materna. Pode-se constatar que o Édipo é bem resolvido, e a triangulação edipiana totalmente visível. Nessa população, qualquer que seja a idade e o sexo dos sujeitos, a representação do par parental, como figuras de autoridade, é bem perceptível. A estruturação edipiana tem lugar no momento de Édipo e fica estável do lado da identidade do sexo. Esses resultados vão ser cruzados com os da grade de leitura "diferença das gerações". Esses últimos não estão ainda prontos e estão previstos para outubro de 2007.

 

Conclusões e perspectivas

A prática clínica (cf. equipe do SPEA dos HUS-2006 ou D. Scotto de l'UNSA-2006), os estudos epidemiológicos (Relatório INSERM, 2005, Relátorio HAS, 2006, etc.) e as últimas pesquisas de referência da nossa equipe de acolhimento (CoPsyEnfant 2006-2007-Appel Blanc ANR 2005) testemunham, cada vez mais, a impotência dos adultos em gerir os excessos disciplinares das crianças e dos adolescentes. Desde a insolência verbal ou postural até passagens de atos graves (agressões a professores ou colegas), passando pela agitação motora, os clínicos e os pedagogos atestam uma evolução dos comportamentos que eles não sabem mais gerir.

Os trabalhos conduzidos no âmbito do estudo internacional Copsyenfant trazem as primeiras respostas na compreensão desta nova dificuldade na construção da identidade infantil, no nível da diferença dos sexos e no nível da diferença de gerações (Dufour, 2007; Girerd et al., 2007; Louvet e Thévenot, 2006; Schauder, 2006). Ora, como mostraram os estudos, antigos e recentes, sobre a relação da criança com a lei (Freud, 1917; Lacan, 1972; Perron, 1970; Enriquez, 2006; Dufour, 2006; etc.), a relação com as imagos da primeira edição8 (o pai e a mãe) está no centro da construção das figuras de autoridade (Girerd) e permite a interiorização psíquica deles, que está na origem da construção interna da relação com a lei pela culpabilidade (Lesourd, - 2007). Essa relação de autoridade repousa sobre uma parte citada com freqüência, mas na realidade pouco explorada, da construção infantil nos processos edipianos: a representação da diferença de gerações (Dufour, 2006). Torna-se, então, necessário desenvolver um estudo clínico delicado e aprofundado das modalidades de construção desse disfuncionamento preciso das condutas infantis e dos adolescentes que perturba o conjunto dos processos educativos.

Esta pesquisa, além dos resultados que começam a ser certificados, confirmados, e verificados no plano estatístico em nível internacional (cf. os resultados da pesquisa internacional CoPsyEnfant referindo-se a uma amostra de mais ou menos 2.000 crianças francesas, russas, brasileiras, vietnamitas e canadenses) visa atualizar os instrumentos de diagnóstico, colocados à disposição dos profissionais de campo (psicólogos clínicos e psicólogos escolares) na avaliação e no diagnóstico das falhas generacionais que induzem comportamentos auto ou heteroagressivos das crianças e dos adolescentes. Tratar-se-á, numa segunda parte, de testar, em situação clínica, o protocolo aperfeiçoado pela pesquisa CopsyEnfant sobre o soft Sphinx, estandardizando a cotação clínica simplificada. A pesquisa estatística terá conduzido a essas constatações.

Elas só vão adquirir seu valor se confirmadas pela observação clínica. Por exemplo, uma criança desenha uma família toda alinhada pela cabeça. Então, o que ela diz sobre isso? Esse conjunto apoiado sobre uma pesquisa internacional poderá assim, nessa condição, assegurar novas perspectivas. Cada pesquisador vai desenvolver seus trabalhos. Assim sobre a composição familiar (Thévenot), sobre o traço (Ciani, Schauder...), sobre a autoridade (Girerd), sobre as instâncias ideais (Druzinenko)... podemos então cumprimentar o conjunto da direção científica de Serge Lesourd e esperar um enriquecimento das colaborações internacionais como de teses em co-tutela, colóquios... Os desenhos terminaram no Vietnã e no Brasil. Comecemos as cotações, e tudo isso promete novos encontros para discutir e refletir sobre a evolução das crianças no laço social atual.

 

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Recebido em: 04/07/2007
Aprovado em: 13/07/2007

 

 

Sobre o autor:

* Professor adjunto de psicologia clínica e psicopatologia. Psicóloga clínica. Centro de psicoterapia da criança e do adolescente Hospitais Universitários. Coordenadora Copsyenfant. Strasbourg - France. Endereço eletrônico: veronique.dufour@psycho-ulp.u-strasbg.fr.
1 bonhomme: desenho da figura humana esboçado por uma criança.
2 Em francês, générationnel, termo não dicionarizado em português.
3 Em francês, la clinique du tout venant, a clínica de quantos quer que apareçam.
4 Em francês, mise à mal.
5 Em francês intergénérationnels, termo não dicionarizado em português.
6 Collège corresponde ao ensino fundamental (5ª a 8ª séries).
7 Em francês, monoparentalité, termo não dicionarizado em português.
8 Em francês, imagos princeps.

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