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Epistemo-somática

versão impressa ISSN 1980-2005

Epistemo-somática v.4 n.2 Belo Horizonte dez. 2007

 

ARTIGOS

 

A ciência da vida cotidiana

 

The science of the everyday life

 

La ciencia de la vida cotidiana

 

La science de la vie quotidienne

 

 

Maria de Lourdes Melo Baeta *

Círculo Psicanalítico de Minas Gerais

 

 


RESUMO

Usando uma reportagem do "Fantástico" sobre transplante de coração, discorro sobre os objetos criados pela ciência -denominados de "latusas" por Lacan -e propostos aos sujeitos falantes como algo precioso e desprovido de qualquer verdade como causa. Mas como uma proposta desse gênero cai em uma estrutura discursiva, os objetos oferecidos pela ciência são singularizados segundo o desejo e o mais-de-gozar de cada um, e, então, as latusas acabam por confirmar que "a angústia não é sem objeto" e a insubstância da verdade formalizada da ciência suscita questionamentos.

Palavras-chave: Verdade formalizada da ciência, Aletosfera, Latusa e objeto a, Desejo, Angústia, Verdade como causa, Ciência no quotidiano.


ABSTRACT

Using a report from a Brazilian TV show called "Fantástico" about heart transplantation, the author develop her text about objects created by science -called "latusas" by Lacan -and proposed to the speakers subjects as something precious and disproved from any truth as cause. However, as a proposal of this gender falls in a discursive structure, the objects offered by science became singular due to the desire and plus jouissance of each one, so the "latusas" confirm that "the anxiety is not without object" and the unsubstantial of the formalized truth of science generates questions.

Keywords: Formalized truth of science, "Aletosfera", "Latusa", Object a, Anxiety, Truth as cause, Science in the everyday life.


RESUMEN

Utilizando un reportaje del programa de televisión "Fantástico" sobre transplante de corazón, la autora desarrolla su texto que trata sobre objetos creados por la ciencia -denominados de latusas por Lacan -y propuestos al sujeto hablante como algo precioso y desprovisto de cualquier verdad como causa. Pero como una propuesta de este género entra en una estructura discursiva, los objetos ofrecidos por la ciencia son singularizados según el deseo y el plus de gozar de cada uno, y entonces las "latusas" terminan por confirmar que "la angustia no es sin objeto" y la insustancia de la verdad formalizada de la ciencia suscita cuestionamientos.

Palavras clave: Verdad formalizada de la ciencia, Aletosfera, Latusa y objeto a, Deseo, Angustia, Verdad como causa, Ciencia en el cotidiano.


RÉSUMÉ

En utilisant d'une matière presentée au Fantástico à propos du transplant de coeur, l'auter développe son texte que s'étendre sur les objects créés par la science -denommés lathouses, par Lacan -et qui sont proposés aux sujets parlants comme quelque chose précieuse et dépourvue de n'importe qui vérité comme cause. Cependant, comme une proposition de ce genre tombe dans une structure du discours, les objects offerts par la science sont singularisés selon le désir et le plus-de-jouir de chacun et, alors, les lathouses achèvent de confirmer que "l'angoisse n'est pas sans object" et que la manque de substance de la vérité formel de la science suscite des questionnements.

Mots clés: Verité formel de la science, Aléthosphère, Lathouse et object a désire, Angoisse, Vérité comme cause, Science au quotidien.


 

 

A verdade 'provavelmente vem como acréscimo, para que fique melhor na paisagem. Agora, é igualmente possível que o troço esteja todo aí, que ele deve ser pavoroso se surgir. Em suma, não se deve implicar demais com a latusa. Meter-se com ela é... sustentar o poder dos impossíveis' (Lacan, 1992, p. 179).

 

Uma cena da vida cotidiana

Uma matéria apresentada no Fantástico (Notícias), de 29/7/2007, intitulada Coração de pai, inicia-se com a seguinte fala do apresentador: "O amor de uma filha pelo pai que já morreu emociona os convidados de um casamento no Rio Grande do Sul. Aconteceu neste fim de semana e foi uma cena inesquecível".

Contava a história de uma jovem que havia perdido o pai num acidente quando ela tinha apenas um ano de idade. Na época, a família atendeu a um desejo dele: doar todos os órgãos. A menina cresceu pensando como seria ter um pai para dividir os sonhos. "Eu queria que ele entrasse comigo na Igreja".

"Foi, então, que ela começou a procurar alguém que tivesse um órgão doado pela família". E foi pelo computador que Lílian descobriu João Carlos.

Lílian contrariou as orientações dos especialistas. Queria conhecer João Carlos. O primeiro encontro aconteceu dez meses antes do casamento. "Foi muito emocionante", diz Lílian; e João Carlos: "Ele sempre fez parte da minha vida. Eu pensava muito nele, até hoje ele faz parte das minhas orações".

"Há quatro meses Lílian resolveu se casar. O casamento tem um convidado especial. Quando ele levar a noiva até o altar vai se encher de orgulho e carregar no peito o coração que um dia foi (dói)1 do pai de Lílian. Ela entra na igreja com o padrasto e no meio do caminho está João Carlos. O homem que no dia 16 de maio de 1989 havia recebido um coração novo. E foi o pai de coração, como Lílian chama João Carlos, que entregou a noiva ao futuro marido. "Estou muito emocionado. É indescritível", diz João Carlos.

A mãe de Lílian, abraçando João Carlos, com a cabeça apoiada no peito dele, diz: "Está aqui dentro o que é dele (de quem?), o que é nosso, né, é de nós todos".

Essa reportagem do Fantástico me chamou a atenção por mostrar assim, escancarada, numa situação do dia-a-dia, a infiltração da ciência na vida cotidiana das pessoas, e a proliferação dos objetos por ela construídos para a nossa fascinação -as latusas, como os nomeou Lacan.

Tudo parece tão bem encaixado, confortável, bonito, romântico -agalmático? -e tão natural, tão verdadeiro!

 

A verdade formalizada da ciência

Recorrendo a Lacan (1992), retomo a questão da naturalidade com que os objetos construídos a partir do conhecimento científico parecem se inserir na nossa vida cotidiana. Ele vai nos dizer, exatamente, que esses objetos nada têm de natural. Nem mesmo foram propostos conforme a Etnografia, por estudos descritivos que definiriam os entes e onde haveria, segundo a Fenomenologia (Husserl), uma abordagem metodológica que busca a "volta 'às coisas mesmas', numa tentativa de reencontrar a verdade nos dados originários da experiência" (Holanda, 1986, p. 769). Não foi da busca de uma percepção apurada, não adulterada dos fatos, que a ciência surgiu. O que Lacan vai nos dizer é, justamente, que ampliar e melhorar o conhecimento que tínhamos do mundo não foi a característica da nossa ciência, mas "ter feito surgir no mundo coisas que de forma alguma existiam no plano de nossa percepção... (e, mais) toda a evolução da matemática grega nos prova que o que sobe ao zênite é a manipulação do número como tal... O sensus só está ali à maneira do que pode-se contar, e o fato de contar dissolve rapidamente" (Lacan, 1992, p. 150), ou seja, faz desaparecer.

Lacan chama de aletosfera (de aletéia, verdade) o lugar (com pretensões esféricas) onde se situam "essas fabricações da ciência". Lugar de uma verdade diferente: axiomática, puramente lógica, formalizada, referida apenas a uma articulação significante que deve sustentar a coerência interna das suas proposições. Lugar ocupado pelas "ondas se entrecruzando" -só lembrando: rádio, TV, internet, celulares -, das quais nenhuma fenomenologia da percepção nunca nos deu a menor idéia e, com certeza, jamais nos teria conduzido a elas. Lugar da insubstância, da acoisa, povoado pelas latusas, suas criações. Nada a ver com a noosfera, esfera psíquica, "que estaria povoada por nós mesmos" (Lacan, 1992, p. 151-53).

De fato, foi à luz da ciência que pudemos apreender as dificuldades que se apresentavam no que, antes dela, se articulava como conhecimento, com a subjacência de dois princípios a serem cindidos -"um que forma e outro que é formado" e que remetem a uma unificação ideal, sob a imagem "do princípio macho e do princípio fêmea," -engodo desde sempre implicado na idéia do conhecimento e que é fruto do esquecimento do efeito da incidência do discurso sobre os seres falantes.

Esse efeito sobre o macho faz com que ele se desvaneça, pelo próprio efeito do discurso do mestre no qual se constitui, por não se inscrever senão em castração. Efeito/afeto que ele experimenta como feminizante e que o impele a justificar sua essência e reconhecer a causa do seu desejo -o objeto a. No nível pretensamente natural, sempre simbolizado com uma referência fêmea, é, ao contrário, pela insubstância que esse vazio aparece -onde se trata, digamos, do gozo, do gozo "sem forma" da mulher (Lacan, 1992, p.146, 152).

É no lugar da insubstância que a ciência vai construir a sua verdade, por uma operação que Lacan chama de opercebe (operçoit), condensação de opera e percebe (opère e perçoit): substituição de uma percepção originária por uma operação. Operar querendo dizer "cumprir (uma ação), efetuar (uma transformação) por uma seqüência ordenada de atos (operação)" (Le Petit Robert).

Surge a pergunta: Qual é a contraposição dessa proposta da ciência em relação à teoria do conhecimento tradicional? Lacan (1992, p.150) vai dizer -à luz do discurso analítico, "uma posição nova a ser introduzida no mundo" -, então, que "a ciência, na medida em que se refere a uma articulação que se concebe apenas pela ordem significante, se constrói com alguma coisa da qual antes não havia nada".

 

Não existe realidade prévia ao discurso

O que é essa coisa da qual antes não havia nada? Antes da linguagem, sobre cuja origem não se faz interrogações? Não havia ali um ente -o homem -que seria caracterizado pelo pensamento como categoria inerente à sua espécie.

A psicanálise pensa o pensamento, falando com Lacan, "quase como um afeto", o único -"não há senão um afeto", ou seja, o produto da tomada do ser falante num discurso, uma vez que esse discurso o determina como objeto. O pensamento como causa pensada, mas pensada pelo Outro, em cujo campo estão os significantes -estruturados sob a lógica que os rege -, significantes que enlaçarão o sujeito e o Outro num discurso -não existe realidade pré-discursiva para o falante -, discurso no qual ele (o pensamento) é apreendido como causa - objeto causa de desejo, a. O traço unário -ponto de irrupção de gozo -inaugura esse processo enquanto primeiro afeto/efeito de linguagem.

Um ser falante, então, mas ser que resulta, finalmente, numa falta-a-ser porque obriga a aceitar a vida com perda de gozo, proveniente, nos termos de Coutinho (2002, p. 25), de um "resto evasivo ao simbólico e pertencente ao real". Resto que impele para o usufruto do saber como meio de gozo.

Então, quando a ciência realiza sua operação/opercebe sobre um lugar pretensamente natural -antes simbolizado com uma referência fêmea -, ela promove, ou tem a pretensão ilusória de promover, uma colonização desse lugar do gozo. Colonização do real, do objeto, do objeto a, à custa de extrair dele a dimensão do gozo que não serve para nada. Tem pontos de contato com o que Guiddens (2002) chama de colonização do futuro.

 

A latusa

O que está em questão é aquilo que um dia chamei com essa palavra que provocou em vários de vocês a comichão de se perguntarem o que deu em mim -a latusa (Lacan, 1992, p. 179).

Comentário/leitura.

Comichão -substantivo feminino -significa prurido, mas também desejo premente. Duplicidade da cadeia significante, remetendo ao querer saber sobre o a -desejo/gozo de Lacan, no caso? E latusa, que suscita espontaneamente a pergunta O que é isso? palavra que faz pensar, pelo seu inusitado, em uma novidade que esconderia algo? Mas, embora não explique o que significa, Lacan aponta, apenas aponta (penso no dedo de São João), suas raízes. Então: sugere uma novidade, que teria feito perguntar sobre o desejo/gozo dele, Lacan.

Lacan muda de parágrafo. Vai mudar de assunto? Começa a falar da verdade, mas está no mesmo fio, penso. A pausa teria sido para não colar latusa com nenhuma definição? Com a palavra latusa Lacan estaria querendo construir um termo ambíguo para sugerir a ambigüidade no discurso da ciência -ainda que à revelia dela -, porque inerente ao significante? Ele prossegue:

Não fui eu quem inventou essa dimensão da verdade que faz com que ela esteja oculta. É a Verborgenheit (segredo) que a constitui. Em suma, as coisas estão de tal modo que ela faz supor que tem algo no ventre (Lacan, 1992, p. 179).

Comentário/leitura.

Segredo é substantivo masculino em francês, como em português, mas é feminino na língua alemã. Daí a escolha pelo alemão? Se traduzisse não ficaria no feminino, como o é o substantivo verdade, assim como é do feminino "ter algo no ventre" (p. 179).

Trata-se da verdade enquanto segredo, enquanto "se necessita escondida". Lacan estaria, de alguma forma, não dizendo que não tem substância, mas que é melhor deixá-la em segredo: não se deve tentar colonizar as latusas.

 

O que faz furo na verdade da ciência

Continuando, a certa altura, Lacan (1992) diz: "Não percamos o fio da meada. A aletosfera, isso se grava" (p.153) (a dimensão do gozo). E faz referência aos astronautas -a primeira viagem à lua havia acontecido em 1969 -, falando de como a voz humana os teria sustentado na aletosfera, particularmente quando ocorreram alguns problemas: "eles teriam se saído provavelmente muito pior... se não tivessem estado permanentemente acompanhados por esse pequeno a da voz humana" (p. 153).

A rima que descobre entre lathouse/ventouse também o remete ao "vento ali dentro, o vento da voz humana" (p.154).

Mais ainda, latusias traria o sentido de ousia, que "não é o Outro, não é o ente, está entre os dois. Não é bem o ser, tampouco, mas enfim, chega muito perto disso". Tudo a ver com o pouco de ser do objeto a (p. 153).

É evidente, então, que Lacan não retira das produções do discurso da ciência o objeto a. Ele diz:

[...] quanto aos pequenos objetos a que vão encontrar ao sair, no pavimento de todas as esquinas, atrás de todas as vitrines, na proliferação desses objetos feitos para causar o desejo de vocês, na medida em que agora é a ciência que o governa, pensem neles como latusas (Lacan, 1992, p. 153).

Mas ele faz ver que se a verdade formalizada da ciência já atingiu um estatuto de verdade no nível onde ela opera (no hospital, por exemplo), "no nível do operado ela não se deixa de modo algum desvelar" (p. 153), o que é a face segredo da verdade. Parece claro, então, que a latusa traz, escondidos no seu ventre, os objetos a. Como pensar que esses factícios -que têm a ver com produzido, artificial, não natural - estariam implicados no gozo?

O importante é saber o que acontece quando a gente entra verdadeiramente em relação com a latusa como tal... o mínimo que se pode dizer é que é angustiante [...]. A angústia -posto que é com isso que temos que nos haver -é totalmente certo que, havendo a latusa, ela não é sem objeto... uma aproximação melhor à latusa deve nos acalmar um pouquinho (Lacan, 1992, p. 154).

Comentário/leitura.

"Havendo a latusa": se algo se propõe como precioso para o sujeito -no caso, a ciência -, isso não será sem efeito, uma vez que a proposta está contida numa estrutura discursiva que implica uma perda no lugar da produção/mais-de-gozar. E, mais, havendo a latusa, a angústia não é sem objeto: porque a angústia não é uma emoção, mas um afeto/efeito, no sentido de o sujeito ter sido afetado pelo Outro, um modo do sujeito estar afetado pelo Outro. Isso que nos permitiria melhor aproximação da latusa.

"Claro que é completamente impossível ocupar a posição da latusa" (p.154).

Comentário/leitura.

A verdade, como causa, está escondida no ventre da latusa, que a esconde sem saber que esconde. Como isso se evidencia? São os sujeitos que emprestam substância à verdade formalizada da ciência -no hospital isso fica evidente. Mas porque o objeto a permite -"o objeto a é o que permite arejar um pouquinho a função do mais-de gozar" (p. 170) -, cada sujeito toma a latusa baseando-se seu caso de verdade.

Voltando à reportagem do Fantástico, Lílian queria um pai para realizar sua fantasia de tê-lo entrando com ela na igreja, no dia do seu casamento; isso para ficar no explícito. As questões éticas que ela transgrediu -tudo bem! -, inclusive para o programa, que só fez uma referência de passagem. Para João Carlos, não se sabe bem o que significou tudo isso. Suas falas parecem apenas compor o quadro. Como convém, aliás, a um objeto midiático, outra latusa.

Ou seja, aquilo que quer dizer um transplante, para a ciência, na sua intenção, nada disso entrou na consideração de Lílian. Ela pegou da(s) latusa(s) o que queria, um pai do coração. Os atos falhos do digitador também falam da repercussão, nele, daquela cena aletosférica.

Assim, os objetos construídos pela ciência, oferecidos em condições supostamente assépticas, iguais para todos, se singularizam na forma pela qual os sujeitos, estes diferentes, lhes dão substância. Isso, graças ao objeto a, dobradiça entre causa e gozo (Rabinovich, 1989), que permite fazer girar os discursos.

 

Referências

Coutinho, J. M. A. (2002). Discurso e liame social: apontamentos sobre a teoria lacaniana dos quatro discursos. In D. Rinaldi & M. A. C. Jorge (Org.). Saber, verdade e gozo: leituras de O seminário, livro 17, de Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos.

Fantástico Notícias: edição de 29/7/2007 CORAÇÃO DE PAI

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0, AA1598308-4005,00-CORACAO+DE+PAI.html

Guiddens, Anthony (2002). Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Zahar.

Holanda, F. A. B. (1986). Novo dicionário da língua portuguesa. (2ª ed.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Lacan, J. (1992). O seminário, livro 17: o avesso de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.

Rabinovich, D. S. (1989). Una clínica de la pulsión: las impulsiones. Buenos Aires: Manantial.

 

 

Recebido em: 08/11/2007
Aprovado em: 01/12/2007

 

 

Sobre a autora:

* Psicóloga, Psicanalista. Membro do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais (CPMG) Psicanalista no NEOCENTER, UTI neonatal, em Belo Horizonte. Psicanalista na equipe do Hospital da Baleia, Fundação Benjamim Guimarães, em Belo Horizonte, MG, Brasil. Endereço eletrônico: mlbaeta@terra.com.br.
1 O texto original, retirado do site do Fantástico, que me serviu de fonte, contém este ato falho. A fala, no videoplayer, está "correta". Mas no texto está escrito dói, inclusive com o acento. Acho interessante marcá-lo, uma vez que, bem-sucedido, ele denuncia o flash do inconsciente.

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