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Revista Brasileira de Psicologia do Esporte

versão On-line ISSN 1981-9145

Rev. bras. psicol. esporte v.3 n.1 São Paulo jun. 2010

 

 

Comportamento de risco entre atletas: os recursos ergogênicos e o doping no Século XXI

 

Risk behavior among athletes: the ergogenic sources and doping in XXI Century

 

Comportamiento del riesgo entre atletas: los recursos ergogênicos y el doping en el Siglo XXI

 

 

Katia RubioI; Alexandre Velly NunesII

IUniversidade de São Paulo
IIUniversidade Federal do Rio Grande do Sul

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A competitividade e a busca constante por rendimentos superiores são padrões de comportamento entre atletas e a população em geral. Os campeões são vistos como importantes referências de identificação para a sociedade e quando utilizam substâncias ilícitas para vencer, teme-se que não só estejam prejudicando a si mesmos, mas também a imagem do esporte. O treinamento e o desempenho nos dias de hoje são influenciados pela utilização constante de recursos ergogênicos e também pelo uso de doping. As regras sobre o uso de recursos ergogênicos e do doping são claras e universais, reconhecidas por cerca de 200 países, pela UNESCO e por todas as federações esportivas internacionais vinculadas ao Comitê Olímpico Internacional. Ainda assim, muitos atletas e profissionais da área da saúde que trabalham com esporte parecem desconhecê-las, ou desrespeitá-las deliberadamente. Esse artigo se propõe a discutir os rumos do esporte no século XXI e os fatores mais relevantes que podem levar atletas jovens a usar substâncias e ou métodos proibidos.

Palavras-chave: Doping, Esporte, Educação, Olimpismo.


ABSTRACT

Risk behavior among athletes: the ergogenic sources and doping in XXI centuryAthletes, as well as the ordinary people, have a behavior pattern of compete more and be always looking for better results. Champions are seeing as an important reference to understand society, and when these people make use of prohibited substances in order to win, it is fear that they’re not only affecting themselves, but also the Sport image itself. The rules about the use of ergogenics and doping are clear and universal, so they’re known by 200 countries or so, by UNESCO and by every international federation which take part on the International Olympic Committee. This essay is willing to discuss what the Sport’s future is on the XXI century and the most relevant factors that may lead young athletes to use prohibited substances, and or prohibited methods.

Keywords: Doping, Sport, Education, Olympism.


RESUMEN

Comportamiento del riesgo entre atletas: los recursos ergogênicos y el doping en el siglo XXILa competitividad y la búsqueda constante para las marcas superiores es estándares del comportamiento entre el atleta y la población en general. A los campeones se los vem como referencias importantes de la identificación para la sociedad y cuando utilizan sustancias ilícitas, él teme no sólo se está dañando iguales, pero también la imagen del deporte. Las reglas en el uso de los recursos ergogênicos y del doping son claras y universal, reconocidas para cerca de 200 países, la UNESCO y todos los federacies internacionales de los esportivas atados con el Comité Olímpico internacional. Todavía así muchos atletas y profesionales del área de la salud que trabajan con deporte se parecen ser inconscientes de ellos, o disrespect los deliberadamente. Este artículo si propone a discutir las rutas del deporte en el siglo XXI y de los factores más excelentes que puede llevar a atletas jóvenes a hacer uso de las sustancias y o a los métodos prohibidos.

Palabras-llave: Doping, Deporte, Educación, Olimpismo.


 

 

Introdução

Com alguma freqüência se diz que o esporte é o fenômeno cultural mais importante da sociedade contemporânea.A competitividade e a busca por rendimentos superiores estabelecem padrões de comportamento entre atletas, comuns a diversos povos e de variados níveis de desenvolvimento. Dentro desse contexto o esporte aparece como um reflexo da sociedade, apresentando em suas características os mesmos sintomas (Barbedo González, 1993; Rubio, 2006).

Aquino Neto (2001) entende que na sociedade, especialmente na Ocidental, o esporte está presente em diferentes faixas etárias e camadas sociais e, em muitos casos, é a chance de ascensão social e econômica para os desfavorecidos. Truzs e colaboradores (2007) afirmam que não só o esporte, mas também a Educação Física deve ser entendida como fenômeno social inerente ao processo de formação do homem, constituindo-se para todos como instrumento indispensável para o aperfeiçoamento cultural e físico de cada um em seus diferentes aspectos.

Alguns autores interpretam o fenômeno esportivo como uma forma de manipulação da classe dominante (Barbedo González, 1993; Brohm, 1993). Morgan (2006 p. 38) argumenta que também a religião, a família, o estado, as leis, a moralidade, a ciência as artes etc, são apenas modos particulares de produção. O mesmo autor afirma que o esporte não pode ser melhor do que o contexto social e as circunstâncias onde se encontra.

Estas circunstâncias determinaram o aparecimento de problemas como o uso de doping, que por sua vez, surge da necessidade de performances cada vez mais espetaculares. Fenômeno recente, já que os primeiros controles surgiram em 1968 nos Jogos Olímpicos do México (verão) e de Grenoble (inverno), tem recebido maior atenção da mídia e dos estudiosos do esporte nos últimos anos (De Rose et. al., 2007; Aquino Neto, 2001).

Por definição, é considerado doping o uso de substâncias ou métodos capazes de aumentar artificialmente o desempenho esportivo e que estejam listados pela WADA-AMA/IOC (World Anti-Doping Agency/International Olympic Committee), sejam eles potencialmente prejudiciais à saúde do atleta ou a de seus adversários, ou contrário ao espírito do jogo (De Rose et al. 2007; WADA-AMA, 2004; IOC, 2007). Galien (2002) afirma que em uma sociedade de alta performance, que é também uma sociedade de alto risco, o comportamento de doping é observado em um grande número de pessoas que participam ou não em atividades esportivas. Aquino Neto, por sua vez, aponta que a pressão familiar, social e econômica sobre o atleta (... e a mídia) o transformam em um instrumento da vontade alheia, retirando sua capacidade de discernir onde se situam os limites éticos, morais e de segurança de seu comportamento (Aquino Neto, 2001 p. 138).

Ao analisarmos os comportamentos de jovens atletas brasileiros e as atitudes de seus treinadores entendemos que há uma forte relação entre esses dois conjuntos de atores sociais. Possivelmente os atletas das categorias de base no Brasil são fortemente influenciados pela opinião e exemplo dos seus treinadores. Além disso, esses indivíduos estão dispostos a assumir riscos a sua saúde para alcançar melhores performances nas suas modalidades. Esse artigo se propõe a discutir fatores mais relevantes que podem levar atletas a usar substâncias e ou métodos proibidos relacionando-os com os rumos do esporte no século XXI.

 

Esportivização

Denominamos "esportivização" as transformações que ocorreram e ocorrem em práticas esportivas que possibilitam que estas se transformem em competição institucionalizada. As profundas transformações da sociedade industrial influenciaram diretamente os rumos do esporte no planeta. O fenômeno da "esportivização" ocorreu com muitas práticas que surgiram com outros objetivos na sua criação. No final do século XIX registra-se o momento histórico onde esse fenômeno ocorreu (Rubio, 2006; Brohm, 1999). Tomemos como exemplo o judô, esporte de combate de origem japonesa que surgiu como método de educação física em 1882 (Souza et al, 2007; Nunes, 2002), e que ingressou no programa olímpico em 1964. Seu criador, Jigoro Kano, embora estivesse diretamente envolvido com o Movimento Olímpico Internacional na sua origem teria dito a Pierre de Coubertin que a modalidade não deveria fazer parte do programa olímpico, pois não era um esporte e sim uma escola para a vida (Souza et al., 2007). Outras modalidades tiveram a sua origem associada a atividades de lazer e ocupação do tempo livre como os jogos esportivos, vôlei e basquete, que surgiram nos Estados Unidos na mesma época e, ainda os que se originaram em atividades de preparação guerreira, como tiro e esgrima. Embora tivessem objetivos distintos em seu início passaram a ser praticados com a finalidade e formato competitivos.

Este formato padronizado por instituições que regulamentaram e uniformizaram as regras, permitiu a divulgação em todo o mundo e a internacionalização das modalidades. Assim, o judô japonês, a esgrima franco/italiana, o futebol Inglês, a ginástica sueco-alemã e a luta greco-romana, por exemplo, passam a fazer parte de um grupo de atividades que se deslocaram do seu lugar de origem e se difundiram internacionalmente sob a organização e controle de suas respectivas Federações Internacionais (IF´s) e do Comitê Olímpico Internacional (IOC). Este fenômeno de esportivização surgiu a partir das primeiras décadas de 1800, se moldando às exigências da sociedade industrial, porém segue neste formato até os nossos dias. Algumas atividades físico-esportivas tentaram se manter apegadas à sua proposta original, porém foram enredadas ao formato institucionalizado seduzidas por interesses como as altas verbas e espaços midiáticos, que foram proporcionados principalmente às modalidades que fazem parte do programa olímpico (Brohm, 2004).

O programa olímpico atual possui 28 modalidades e 37 disciplinas. Para os Jogos Olímpicos de Londres, 2012 duas modalidades serão retiradas, entretanto outras já estão pleiteando a entrada neste espaço. As modalidades do programa olímpico têm espaço garantido na mídia e, em muitos casos, grandes somas de dinheiro envolvido na organização de eventos esportivos. São comuns os pagamentos aos atletas e a sua identificação com marcas e instituições que se beneficiam direta e indiretamente das suas performances. As IF´s são divididas em IF de esportes de verão, IF de esportes de inverno e IF de esportes reconhecidos pelo IOC (Répertoire/Directory, 2008; Musée Olympic Lausanne, 2006).

Os eventos promovidos pelo IOC e pelas IF´s, nos últimos 20 anos aproximadamente, se transformaram em mega-eventos, movimentam grandes somas e mobilizam um universo que transcende os atletas e seus treinadores. Os exemplos mais típicos são os Jogos Olímpicos (JO) e as Copas do Mundo de Futebol, eventos capazes de gerar as maiores verbas do planeta quando da sua organização e realização. Todo esse investimento acabou por transformar o fenômeno esportivo, influenciando as suas metas e modificando os seus objetivos originais (Walsh & Giulanotti, 2007; Rubio, 2006).

 

Movimento Olímpico

O projeto de restauração dos Jogos Olímpicos como na Grécia Helênica foi apresentado em 25 de novembro de 1892 quando da ocasião do 5° aniversário da União das Sociedades Francesas de Esportes Atléticos, que teve como paraninfo o Barão de Coubertin. Naquela ocasião ele manifestaria seu desejo e intenções com relação os Jogos: É preciso internacionalizar o esporte. É necessário organizar novos Jogos Olímpicos. (López, 1992, p.21).

Naquela ocasião Pierre de Coubertin liderou um movimento que criou o Comitê Olímpico Internacional (COI). Diante de todas as questões políticas envolvidas com essa criação a primeira presidência do COI foi exercida por Demetrius Vikelas, da Grécia (Coubertin, 1975; Melas, 2004; COB, 2004). Dois anos mais tarde, em 1896, ocorreu a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Atenas. Naquele mesmo ano Coubertin foi eleito o segundo presidente do COI e se manteve na presidência até 1925 (Coubertin, 1975; Melas, 2004; COB, 2004; Rubio, 2006). Constituído por representantes de várias nacionalidades indicados pelos participantes do encontro da Sorbonne, o COI tinha como missão e intenção a organização dos Jogos Olímpicos, bem como a normatização das modalidades disputadas, muitas delas recém-criadas e sem um corpo de regras universalizadas.

O Movimento Olímpico procurava restabelecer os ideais dos antigos Jogos Públicos gregos, onde deveria prevalecer a busca do próprio limite e excelência, conforme o princípio grego da areté1. Ainda assim o objetivo dos Jogos da Antiguidade distinguia os vencedores, estabelecendo de alguma forma a mesma dinâmica dos nossos dias (COB, 2004; Melas, 2004; Musée Olympique de Lausanne, 2006; Rubio, 2001). Corroborando com essa idéia Rubio e colaboradores (2007, p. 60) afirmam que a moderna ética olímpica de Coubertin é uma ética do desempenho.

A proposta manifesta do Olimpismo seria a busca pelo aprimoramento do indivíduo e da sociedade, combinando esporte, educação e cultura. Esses objetivos poderiam ser alcançados a partir de cinco valores humanos básicos: a harmonia entre o corpo e a mente; a excelência em si mesmo; a integridade nas ações; o respeito mútuo e a alegria no esforço. O papel do COI seria então coordenar, liderar e servir o Movimento Olímpico na sua missão de divulgar o Olimpismo por todo o mundo e assegurar a celebração regular dos Jogos Olímpicos, o que melhor exemplifica os valores do Olimpismo (COI, 2004).

Temos então os Jogos Olímpicos (JO) como um evento que transcende o âmbito esportivo e que adquiriu nos últimos vinte anos a condição de mega-evento, e isso se deu basicamente pelo fato do Comitê Olímpico Internacional possuir um número de nações associadas maior do que o das Nações Unidas (IOC, 2007; Tavares et al., 1999). O aumento do número de países é freqüente e de acordo com o informativo do Museu Olímpico de Lausanne de 2006, o IOC possuía 199 países com representação, ou seja, com Comitês Olímpicos Nacionais (NOC´s) constituídos (Musée Olympique Lausanne, 2006) e nos JO de Pequim participaram 205 NOC´s (Répertoire/Directory, 2008). Os JO são o maior evento esportivo do planeta em número de participantes, modalidades esportivas no programa e número de países reunidos em uma mesma área geográfica (Melas, 2004; Musée Olympique Lausanne, 2006).

Devido ao crescimento da importância do esporte na sociedade, o papel do atleta sofreu grandes modificações. A participação nos JO ganhou novos significados e passou a representar muito mais do que uma comparação de habilidades ou técnicas, mas a venda de idéias ou produtos. Este fenômeno começou a ficar evidente a partir dos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, quando o Hitler se utilizou do evento para apresentar ao mundo a Alemanha nazista. Considerado como o maior evento esportivo até então, os Jogos de Berlim entraram para a história como um evento lucrativo, que divulgou uma posição política, que imortalizou alguns atletas e os vinculou à comercialização de bens de consumo (Ardoino & Brohm, 1995; Barbero Gonzalez, 1993; IOC, 2007; Melas, 2004; Rúbio, 2008).

A partir de então os interesses comerciais e políticos que cercaram os Jogos ganharam novas proporções. Walsh e Giulianotti (2007) utilizam o termo "commodification" e "hyper-commodification" para definir o que acontece com o esporte contemporâneo. Na opinião desses autores esta transformação dos valores do esporte, que passou a ser vendido e comercializado, determinou uma nova dinâmica para o esporte e para o atleta de alto-rendimento, e mais especificamente nas modalidades mais praticadas e, portanto, mais comerciais. O futebol em todo o mundo, as ligas norte-americanas de basquete, beisebol e futebol americano são exemplos clássicos desta "hyper-commodification" (Walsh et all, 2007).

A influência da mídia acelerou a entrada de valores financeiros elevados e crescentes nas estruturas esportivas internacionais e tem direcionado os rumos do esporte no planeta. Os valores pagos pela transmissão dos JO cresceram de 287 milhões de dólares em 1984, JO de Los Angeles, para 1 bilhão e 482 milhões de dólares nos JO de Atenas em 2004 (Rubio, 2006). Os atletas que no início do século eram obrigatoriamente amadores passaram a viver do esporte, podendo se dedicar com exclusividade à prática de suas modalidades para conseguir alcançar os níveis de performance exigidos.

 

O uso de substâncias e métodos proibidos

Os motivos que levam os atletas a buscarem a vitória para as suas equipes, países ou empresas patrocinadoras os transformaram em uma espécie de mercadoria. As alternativas possíveis para alcançarem melhores performances e a grande evolução nas áreas do treinamento e da tecnologia obrigaram os organizadores do esporte internacional a estabelecerem certos limites. Limites estes que têm fundamentos éticos e técnicos e, por isto mesmo, vão se alterando com o passar dos anos (Nunes, 2008).

Silva e Rubio (2003) apontam que atletas de alta performance têm como perfil procurar tarefas desafiantes, além de apresentarem características como elevada resistência psíquica, autodomínio e controle emocional. Entretanto afirmações como estas podem ser questionadas, na medida que cada indivíduo tem reações particulares conforme o que percebe de si mesmo, de suas capacidades e da importância pessoal dada à situação a enfrentar. Questões como essas levam as discussões sobre doping a ocupar um espaço privilegiado no âmbito do esporte contemporâneo.

O treinamento e o desempenho nos dias de hoje são influenciados pela utilização constante de recursos ergogênicos e também do uso de doping, ou dopagem, termo mais recentemente utilizado em língua portuguesa. As modalidades esportivas e suas respectivas disciplinas e/ou eventos tem características próprias que determinam que substâncias ou recursos podem hipoteticamente melhorar o rendimento esportivo. Enquanto alguns atletas utilizam-se dos mais variados e modernos recursos ergogênicos outros ultrapassam a barreira do permitido utilizando métodos ou substâncias que ferem a legislação e são consideradas doping. O controle de doping é regulamentado pelo Comitê Olímpico Internacional, pelas Federações Internacionais e mais recentemente pela WADA-AMA, Agência Mundial Anti-Doping.

O uso de substâncias para melhorar o desempenho esportivo é conhecido desde os tempos dos Gregos que utilizavam chás de ervas e cogumelos, bem como na China, onde já eram conhecidos os efeitos da efedrina "machuang" (De Rose, et al 2007). Mais recentemente eram utilizadas drogas como estriquinina e cocaína todas de uso comum pelos ciclistas (De Rose, et all, 2007; Noakes, 2004).

A preocupação com esses exageros já estava na mira de Coubertin, como se pode observar nas suas próprias palavras: Ao esporte se reportam três classes de males sobre treinamento físico: contribuição ao retrocesso intelectual e difusão do espírito materialista e amor ao lucro (Coubertin,1979 p. 138). Em suas memórias, o autor descreve muitas de suas preocupações sobre o esporte que, ainda que tenham sido escritas nos séculos passado e retrasado, parecem atuais.

A tentativa da ciência de resolver os problemas do sobretreinamento (overtraining, como é conhecido internacionalmente), levou à descoberta de inúmeros recursos ergogênicos que oportunizam uma melhoria do rendimento nas competições e possibilitam suportar cargas de treinamento muito mais elevadas. Estes recursos têm custo elevado, assim como a dedicação exclusiva que os atletas devem dispor a serviço de seus treinamentos. Pesquisadores de diversas áreas têm desenvolvido esses recursos e criado alternativas para os atletas e seus treinadores, que propiciam performances inimagináveis há poucas décadas. A falta de alguns valores pessoais e a formação dos treinadores, médicos e dirigentes esportivos fez com que, na tentativa de melhoria da performance a qualquer custo, a saúde dos atletas e dos seus adversários seja colocada em risco, muitas vezes com o consentimento dos próprios atletas (Nunes, 2006).

Em 1960, durante os Jogos Olímpicos de Roma, a morte de um ciclista (Knut Jansen) em uma prova de estrada precipitou a tomada de medidas que determinaram por iniciar um processo de controle do uso desses recursos, impondo limites. Poucos anos depois outro ciclista, Tommie Simpson, veio a falecer desta vez na subida do Monte Ventoux durante o Tour de France (De Rose, 2002; Noakes, 2004). Esses casos não foram casos de doping, já que neste momento não existia regulamentação que determinasse o que era permitido ou proibido, no entanto essas ocorrências levaram o Comitê Olímpico Internacional (IOC) a criar a Comissão Médica. Em 1968, essa comissão efetuou o primeiro controle de doping nos Jogos Olímpicos do México desencadeando uma ação que busca até o presente identificar e punir o uso de métodos e substâncias proibidas pelos esportistas (De Rose et al,, 1999; Feder et al., 2006; IOC Mc, 199; Miah, 2007; Noakes, 2004).

Nestes quase quarenta anos de controle ao doping, o sistema como um todo evoluiu e se uniformizou, levando à criação da WADA-AMA. Hoje existe uma lista padrão de substâncias e métodos proibidos para todas as modalidades e países, que recebe alterações anualmente. Todo mês de outubro é divulgado um rascunho da nova lista que passa a ser divulgada para todos as IF´s e especialistas no mundo todo. A partir de primeiro de janeiro do ano seguinte essa nova lista de substâncias e métodos passa a vigorar (De Rose et al, 2007; Feder et al, 2006; IOC, 2007; WADA, 2004).

O grande interesse da sociedade e a cobertura da mídia das competições fizeram com que nos últimos vinte anos, aproximadamente, o esporte recebesse vultosas quantias para o seu desenvolvimento. A divulgação em todos os meios de comunicação e o interesse de grandes empresas em associar a sua marca ao nome dos "heróis", campeões e suas modalidades faz com que estas quantias tenham grande influência nas atuações e comportamentos dos atletas e seus treinadores, dirigentes esportivos e patrocinadores (Mas, 2007).

Sosa (2007, p. 01) afirma que: "...o uso do doping aparece como uma alternativa errônea de solução mágica que envolve não só o desportista como também o seu entorno. Na atualidade estão desaparecendo os casos em que os desportistas recorrem ao doping solitariamente."

Hoberman (2001), afirma que confrontados com a demanda de seus atletas clientes, médicos do esporte têm se dividido em duas facções em respeito ao conhecimento e a propriedade de administrar drogas aos atletas: os que são favoráveis ao seu uso e aqueles que buscam seguir as determinação internacionais de controle.

Alguns escândalos como o doping do atleta Ben Johnson do Canadá (Jamaica), em Seul-1988, e a morte da atleta norte-americana, Florence G. Joyner em 1998 indicam a necessidade de controle dessas performances alteradas por métodos e procedimentos questionáveis. Mais recentemente a declaração de culpa da atleta norte-americana Marion Jones, grande destaque dos JO de Sydney no atletismo, onde ganhou cinco medalhas, três delas de ouro, contribui para essa discussão. A repercussão de suas declarações na imprensa internacional, onde reconheceu o uso de agentes anabólicos e se desculpou por mentir anteriormente com relação ao mesmo caso, possivelmente tenha desdobramentos posteriores que envolvam outras pessoas do meio esportivo (FOLHAONLINE-esporte, 2007b). As entidades esperam que a atleta devolva todas as premiações recebidas que circulam na casa dos US$ 2 milhões (R$ 3,6 milhões). Marion não é a única a cumprir pena do time norte-americano, outros integrantes do time medalhista do revezamento 4 X 100 também foram punidos.

No Brasil alguns casos de doping também ganharam repercussão nacional gerando punições como suspensão e banimento do esporte.

O doping e a dopagem têm representado um grande desafio ao mundus sportivus, no sentido de manter íntegros os princípios, os valores e o significado simbólico do esporte (Puga, 2004, Noakes, 2004). Puga ainda adverte que os prejuízos do doping se dão em dois planos: interfere na organização da competição e promove injustiça aos atletas que alcançam por seus méritos dentro das regras e das suas reais possibilidades.

As tentativas de aumento de rendimento são comuns nas mais diversas áreas, não se limitando somente ao esporte. Por definição, todo e qualquer método que tenha por objetivo o aumento de desempenho, quer seja por ingestão de substâncias (medicamentosas ou não), pela utilização de materiais ou equipamentos que propiciem um melhor rendimento ou ainda a preparação adequada com o uso de materiais como pesos, assim como as técnicas da psicologia são considerados recursos ergogênicos (RE) (Fox et al, 2003; Wilmore et al, 2001). Garret e colaboradores (2003 p. 401) definem RE como "substâncias usadas na tentativa de aumentar a potência física, a força mental, ou a eficiência mecânica além dos efeitos atribuíveis ao treinamento", enquanto Fox e colaboradores (1983 p. 421) simplificam e definem como "qualquer coisa que aprimora ou que se admite aprimorar o desempenho ou qualquer substância, processo ou procedimento que pode, ou que é percebido como tal, aprimorar o desempenho."

Basicamente o uso de doping se diferencia do uso de recursos ergogênicos pelo tipo de substância ou método utilizado. Caso esta(e) esteja incluída na lista de proibições do IOC, WADA-AMA ou de sua respectiva federação, será considerada doping. O uso de doping, tanto quanto qualquer forma de recurso ergogênico utilizado no treinamento com vistas ao alto rendimento, o objetivo é mesmo, aumento do desempenho.

O IOC e as federações internacionais promovem ampla divulgação sobre os métodos e substâncias proibidas e hoje em dia é pouco provável que um atleta de nível internacional desconheça essa regulamentação. A lista de substâncias e métodos proibidos é encontrada nos meios eletrônicos e, no caso do Brasil, as federações esportivas recebem um manual com todas as informações necessárias e as repassam a todos os atletas. Além disso, estas informações também podem ser acessadas a partir da página eletrônica do Comitê Olímpico Brasileiro, www.cob.org.br.

 

Considerações Finais

Na proposta original do Movimento Olímpico, os Jogos Olímpicos da Era Moderna seriam uma grandiosa festa, momento de confraternização entre os povos e de internacionalização do esporte, com o objetivo de popularizá-lo.

A premência da vitória, que se mostra como uma condição básica do esporte contemporâneo, coloca em risco a vida pessoal e esportiva do atleta, que busca lançar mão de quaisquer recursos para alcançar esse objetivo.

A condição que embasa uma competição conforme o ideal olímpico reside na igualdade de oportunidades, baseada no desinteresse para além da competição em si mesma, onde vence quem reúne mais competências e quem mais trabalhou para alcançar o resultado. Entretanto, nem sempre essa expectativa se faz verdadeira, uma vez que a utilização de substâncias dopantes e o seu refinamento, que leva à inviabilização de sua detecção, desvirtuam o sentido de igualdade que norteia a competição.

Existem diferentes motivos competindo pelo comportamento do indivíduo, e aquele ao qual for atribuído maior significado passará a influenciar sua atitude. Uma visão que tem prevalecido no esporte é a de que as metas dos atletas se concentram na competição e na conquista de marcas sempre superiores. O corpo deste indivíduo é considerado somente um instrumento para conseguir estes fins (Rodriguez, 1987).

Isso vem ao encontro da proposta de um grupo de pessoas que entende o esporte como uma atividade humana que visa, sobretudo, a competição. Isso facilita a busca daqueles atletas que têm a determinação de vencer a qualquer preço, e contam com o apoio da instituição e da equipe que o cercam, levando-os a cometer excessos, fazendo com que valores éticos sejam preteridos. Daí a suspensão ou banimento do esporte como punição para aqueles que desrespeitam essas normas.

Há uma idéia no esporte de alto rendimento a respeito do perfil do atleta que busca substâncias proibidas: envolvido com o objetivo, seu primeiro compromisso é consigo mesmo, depois com os demais e por último, com o regulamento.

A razão física para o uso de drogas e mais recentemente, pela remodelação genética é melhorar o desempenho, dando-lhe um maior poder competitivo. A razão psicológica de dopar-se reflete em sua raiz um alto grau de exigência (intrínseca e extrínseca) e de responsabilidade.

O atleta que utiliza estimulação artificial opta por esta conduta porque sente-se inseguro, acreditando não ser capaz de corresponder às suas expectativas e de muitas outras pessoas,ainda mais quando a sociedade atual tem como parâmetro produtivo a realização de resultados - e no esporte essa lógica é imediata e evidente. Além disso, quando um atleta faz uso de substâncias dopantes ele busca não somente a vitória e o prazer que esta lhe proporciona, mas os desdobramentos como retribuição financeira e prestígio social.

Com o fim do amadorismo, o esporte converteu-se em um meio de vida, uma atividade profissional: indivíduos com níveis de habilidades física fora da média protagonizam feitos atléticos incomuns para um público desejoso de espetáculo e passam a receber altas somas para realizar determinadas atuações, e assim, ao longo dos tempos os campeões do esporte têm sido transformados em verdadeiros produtos que são vendidos, negociados.

Os atletas de alto nível, assim como os demais profissionais destacados em suas profissões, permanecem em uma luta constante por sua posição. O que os difere de outros grupos profissionais, é que os atletas dependem do rendimento proporcionado por seus corpos, cuja vida útil tem uma relação direta e proporcional com os cuidados recebidos ao longo de sua carreira, que, dependendo da modalidade, pode ser breve.

Os campeões são vistos como importantes referências de identificação para a sociedade e quando utilizam substâncias ilícitas para vencer, teme-se que não só estejam prejudicando a si mesmos, mas também a própria imagem do esporte que não busca apenas o resultado, nem a vitória a qualquer custo. Diante desse quadro, vale refletir sobre as responsabilidades, não apenas nos atletas envolvidos em casos de doping, mas de todos os agentes que intervêm neste processo. A convivência em sociedade presume a formalização e desempenho de vários papéis sociais. O que permite a convivência nos grupos é a existência de regras reconhecidas como justas e passíveis de cumprimento. Aos indivíduos cabe lutar pela sua manutenção ou transformação destas regras quando elas já não mais cumprirem uma função norteadora.

O papel que o atleta desempenha e as expectativas que a sociedade tem dele estão relacionados com a conquista de recordes, vitórias, triunfos, resultantes da determinação do esforço, da disciplina e do trabalho árduo.

Espera-se que o atleta seja capaz de entender que o esporte competitivo se assenta no princípio da superação na relação entre a vitória e a derrota. A interiorização desse preceito compete não apenas aos atletas que a qualquer preço procuram atingir o topo, mas ao próprio público, aos dirigentes e patrocinadores que, pelas suas exigências - implícitas ou não - contribuem para que o esporte, e não somente o esportista, tenha a sua imagem denegrida. Numa época onde a valorização dos resultados sufoca os seres humanos, a aceitação de limites individuais é a maior prova de superação que um indivíduo pode proporcionar a si próprio.

 

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Endereço para correspondência
Avenida Mello Moraes, 65, Cidade Universitária,
São Paulo - SP CEP: 05508-030
E-mail: katrubio@usp.br

 

 

Sobre os autores

Katia Rubio
Professora da Escola de Educação Física e Esporte - Universidade de São Paulo

Alexandre Velly Nunes
Professor da Escola de Educação Física - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

1 Conceituada como um valor moral, inicialmente de origem nobre e posteriormente utilizada como um método pedagógico para as crianças, a areté tem sido motivo de discussão entre profissionais da educação por considerarem a possibilidade dos valores morais serem natos, influenciados ou passíveis de serem ensinados. Na paidéia a arete era tida como uma valor moral próprio das pessoas com firmeza de caráter, nobreza de espírito e merecedor da honra de ser virtuoso. Uma das traduções do termo arete é o próprio conceito de virtude. A virtude que a areté comporta podia ser entendida no plano da política, da alma, do físico, do esporte e de outros planos da condição humana.