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Gerais : Revista Interinstitucional de Psicologia

versão On-line ISSN 1983-8220

Gerais, Rev. Interinst. Psicol. vol.11 no.1 Belo Horizonte jan./jun. 2018

 

ARTIGOS

 

Efeitos do Desemprego sobre o Casal: uma Revisão Sistemática

 

The Effect of Unemployment on the Couple: a Systematic Review

 

 

Joyce AguiarI; Marisa MatiasII; Elizabeth Joan BarhamIII; Anne Marie FontaineIV

IUniversidade do Porto, Porto, Portugal. E-mail: jcaguiar2@gmail.com
IIUniversidade do Porto, Porto, Portugal. E-mail: marisa@fpce.up.pt
IIIUniversidade Federal de São Carlos, São Carlos, Brasil. E-mail: lisa@ufscar.br
IVUniversidade do Porto, Porto, Portugal. E-mail: fontaine@fpce.up.pt

 

 


RESUMO

Apesar dos diversos estudos acerca das repercussões psicossociais do desemprego, grande parte evidencia essa situação somente no plano individual. Assim, este estudo objetivou realizar uma revisão sistemática sobre o impacto do desemprego no relacionamento conjugal. Fez-se a pesquisa bibliográfica nas bases Academic Search Complete, PsycArticles, PsycInfo, Scopus e SocIndex. Após exclusão de duplicados, três juízes avaliaram 335 artigos de modo consensual e cegado, com base nos seguintes critérios de elegibilidade: a) artigos indexados; b) redigidos em inglês, francês, espanhol ou português; c) disponíveis on-line; d) com metodologia quantitativa ou mista. Restaram 22 artigos, cuja análise de conteúdo gerou a elaboração de cinco categorias: divórcio; saúde mental, bem-estar e satisfação com a vida; satisfação conjugal; stress e coping; trabalho doméstico. Observou-se que no geral os efeitos sobre a relação parecem ser mais negativos do que positivos e o gênero é uma importante variável na análise da dinâmica conjugal face ao desemprego.

Palavras-chave: Desemprego. Casais. Revisão sistemática.


ABSTRACT

Despite the number of studies about the psychosocial factors associated with unemployment, most examine the effect on the individual level. In this study, our objective was to conduct a systematic review of the impact of unemployment on the marital relationship. The bibliographic research was performed on the Academic Search Complete, PsycArticles, PsycInfo, Scopus and SocIndex databases. After excluding duplicate results, three judges evaluated 335 articles in a consensual and blinded review, based on the following eligibility criteria: a) indexed articles; b) written in English, French, Spanish or Portuguese; c) available online; d) using quantitative or mixed methodology. As a result, we analyzed 22 articles, whose content analysis originated five categories: divorce; mental health, well-being and satisfaction with life; marital satisfaction; stress and coping; housework. The effect of unemployment on the relationship seems to be more negative than positive, and gender is an important variable in the analysis of marital dynamics in face of unemployment.

Keywords: Unemployment. Marital relationship. Systematic review.


 

 

O desemprego é caracterizado como uma situação geralmente transitória, gerada por um desequilíbrio no mercado financeiro, pela falta de oferta de trabalhos, pela necessidade capitalista de um exército de reserva ou até mesmo por uma escolha voluntária do indivíduo. De uma forma geral, o desemprego costuma ser categorizado de acordo com duas dimensões: a) normativa-institucional, para explicar o fenômeno de modo objetivo e formal, sob o enfoque da estrutura econômica; e b) biográfica-subjetiva, que traz reflexões psicossociais ao fenômeno do desemprego, como a atribuição de estereótipos ao desempregado e a instabilidade subjetiva que repercute nas suas relações interpessoais (Ribeiro, 2010).

O fenômeno do desemprego, originalmente abordado pelas perspectivas política e econômica, foi ao longo das décadas tendo as suas fronteiras de conhecimento ampliadas e sendo objeto de estudo também de outras disciplinas, dentre elas a Psicologia. A partir da década de 1930 do século passado, após a Grande Depressão, iniciaram-se os primeiros estudos que investigavam os efeitos psicológicos do desemprego (Cascio & Aguinis, 2008). Desde então, os efeitos psicossociais do desemprego têm sido alvo de vários estudos no cenário internacional, predominando uma abordagem do fenômeno sob o plano individual, isto é, focada na saúde mental da pessoa em desemprego (Murphy & Athanasou, 1999; Thomas, Benzeval & Stansfeld, 2005). Assim, poucos são os estudos que privilegiam os contextos relacionais, tais como o das relações conjugais e familiares, por exemplo (Cunha & Relvas, 2015).

Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo integrar os principais resultados presentes na literatura acerca dos efeitos da situação de desemprego sobre a conjugalidade, mais especificamente sobre a relação a dois e sobre cada um dos cônjuges. Para isso, partiu-se da seguinte questão de pesquisa: "quais os efeitos do desemprego sobre o relacionamento conjugal?" Espera-se que este estudo permita uma reflexão acerca dos estudos realizados e proporcione o avanço de novas construções teóricas e empíricas acerca dessa temática.

 

Desemprego e Conjugalidade

Para muitos teóricos da Psicologia do Desenvolvimento (Erikson, 1959; Havighurst, 1948), ingressar no mercado de trabalho e estabelecer um relacionamento amoroso são duas das mais importantes tarefas no ciclo de desenvolvimento adulto. Sabe-se que o relacionamento conjugal é um fator de grande relevância para a saúde e qualidade de vida. Em diferentes culturas, pessoas casadas apresentam maiores índices de felicidade e bem-estar do que pessoas que nunca se casaram ou são divorciadas (Diener & Lucas, 2000; Lee, Seccombe & Shehan, 1991; Scorsolini-Comin & Santos, 2010). Por sua vez, o trabalho mantém-se como central na formação das pessoas, mesmo que de formas alienadas ou não reconhecidas, tais como a precarização, flexibilização e desemprego (Aquino et al., 2016; Souza Júnior, 2008). Assim, torna-se quase impossível pensar o ser humano sem considerar a dimensão do trabalho (Antunes, 2007; Navarro & Padilla, 2007).

Diante da participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, são várias as repercussões no funcionamento e dinâmicas familiares, nomeadamente a necessidade de redistribuição mais equitativa das tarefas domésticas, de cuidado com dependentes e do suporte econômico, levando à reavaliação dos papéis de gênero (Gómez Urrutia & Figueroa, 2015). Assim, estudos com famílias de duplo emprego têm demonstrado as vantagens e os aspectos positivos decorrentes da gestão de múltiplos papéis, ressaltando-se a promoção de bem-estar psicológico e melhorias no ambiente familiar (Matias & Fontaine, 2012). Efetivamente, a presença de casais de duplo emprego tem vindo a aumentar na maioria dos países industrializados, pelo que a situação de desemprego involuntário poderá gerar algum desequilíbrio no funcionamento familiar, particularmente relevante nessas sociedades. Tal desequilíbrio pode surgir do ponto de vista pragmático/financeiro e também em aspectos psicossociais da pessoa em desemprego e de seus relacionamentos interpessoais.

Desde a crise no mercado imobiliário, cujos reflexos na economia mundial e no mercado de trabalho repercutem até os dias atuais, pelo menos 20% dos lares portugueses foram atingidos pelo desemprego (INE, 2015). Um estudo realizado em Portugal pela Associação para o Desenvolvimento Econômico Social (Sedes, 2012) concluiu que 18% dos participantes afirmaram que a crise econômica influenciou negativamente a qualidade de seus relacionamentos interpessoais.

Por ser o cônjuge uma das mais importantes fontes de apoio social (Vinokur & van Rym, 1993), é possível que os parceiros de pessoas em desemprego possam proporcionar um efeito protetor, embora também o desemprego possa ser um fator de risco à qualidade desse relacionamento. Kinnunen e Feldt (2004), em um estudo com 608 casais finlandeses, observaram que o aumento da tensão econômica gerava um aumento de distress, afetando negativamente o bem-estar individual e, consequentemente, a qualidade da relação conjugal. Resultados semelhantes também foram observados por Dew (2007), que concluiu que casais com maior endividamento tendem a apresentar uma menor satisfação conjugal.

Para além da questão econômica, outros fatores resultantes da situação de desemprego também podem afetar a relação conjugal. Para Briales (2013), a situação de desemprego muitas vezes implica em um aumento das discussões entre o casal e em uma sobrecarga de trabalho doméstico para a mulher, impactando negativamente a relação a dois. Há assim evidências de que, em alguns casos, o desemprego poderá ser um fator de risco para a relação, diminuindo a satisfação conjugal (DeLongis, Capreol, Holtzman, O'Brien, & Campbell, 2004) e aumentando a probabilidade de divórcio (Amato & Beattie, 2011; Charles & Stephens, 2004; Roy, 2011).

Parece assim existir evidência empírica para analisar o fenômeno do desemprego, ampliando o enfoque individual para os seus efeitos sobre a relação conjugal e, consequentemente, sobre o cônjuge da pessoa em desemprego. No entanto, ainda faltam informações sistematizadas de estudos sobre tais efeitos, perspectivando o fenômeno sob o ponto de vista diádico. Assim, considerou-se pertinente realizar uma revisão sistemática da literatura acerca do efeito do desemprego sobre a dinâmica do casal. Espera-se que a integração de diferentes estudos primários sobre essa temática possa elucidar quais os efeitos positivos e quais os negativos, promovendo assim reflexões e novas construções empíricas. A apresentação textual do processo de revisão sistemática e seleção das informações a serem reportadas seguiu o modelo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (Prisma), de Moher et al. (2015).

 

Método

De acordo com as indicações de Pai et al. (2004) para a realização de revisões sistemáticas, procurou-se traçar uma estratégia de busca abrangente a fim de se conseguir coletar várias evidências referentes ao assunto. Assim, a pesquisa bibliográfica foi feita em mais de uma base de dados, considerando-se não somente estudos específicos da Psicologia, mas também outras disciplinas transversais das Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas. A fim de minimizar os vieses durante o processo de seleção dos dados, foram tomadas duas medidas: a) os revisores estavam cegos quanto aos autores dos estudos, bem como em relação aos periódicos em que foram publicados e b) os critérios de elegibilidade foram definidos a priori.

A pergunta norteadora para a revisão foi "quais os efeitos do desemprego sobre o relacionamento conjugal?". A busca foi realizada em janeiro de 2016 por meio do diretório da biblioteca da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP). Foram utilizadas as ferramentas de busca EBSCOhost e Scopus, totalizando as cinco bases de dados: Academic Search Complete, PsycArticles, PsycInfo, Scopus e SocIndex. Utilizou-se o string "couple" OR "partner support" AND "job loss" OR "unemployment" para buscas nos resumos e títulos. Os critérios de inclusão adotados foram: a) artigos indexados, b) redigidos em inglês, francês, espanhol ou português, c) disponíveis completos em versão digital, d) com metodologia quantitativa ou mista.

A fim de auxiliar a gestão das referências bibliográficas, utilizou-se o programa Endnote, exportando-se os resultados da ferramenta Scopus (n = 147) e da EBSCOhost (n = 375). Assim, foi feita a retirada dos textos que estavam duplicados e foram excluídos os textos não indexados (e.g. notícias de jornais, monografias e capítulos de livro), restando 269 artigos. Seguindo as orientações de Moher et al. (2015), fez-se uma seleção inicial do corpus a partir da leitura dos títulos e resumos, com base em critérios previamente definidos. Para isso, foram aplicados os seguintes critérios de exclusão: a) estudos que abordavam tangencialmente a temática do desemprego, colocando-o como consequência de outros fatores (doenças, vulnerabilidade social e uso de drogas, por exemplo); b) estudos com informações exclusivamente econômicas, demográficas e estatísticas; c) estudos que avaliassem somente variáveis individuais, e não do casal ou do relacionamento conjugal; e d) desemprego voluntário, consequência de opção própria, mudança de carreira ou acordo mútuo entre os membros do casal. A fim de conseguir resultados abrangentes, não foram impostas restrições em relação ao ano de publicação ou origem geográfica dos estudos.

Três juízes analisaram de forma independente e cegada os abstracts dos textos e indicaram se deveriam ser incluídos ou excluídos. A decisão final de exclusão ou inclusão foi tomada em um segundo momento, de forma consensual entre os juízes, seguindo os critérios mencionados. Utilizou-se a porcentagem de concordância absoluta (percentage of absolute agreement) para o cálculo da concordância entre os juízes, obtendo-se o valor de 95%.

Dos restantes artigos, procedeu-se à leitura integral e fez-se novamente um refinamento quanto aos critérios de elegibilidade. Restaram assim 22 artigos que integraram o corpus desta revisão. A Figura 1 mostra o fluxograma das quatro etapas que envolveram a identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos textos.

*Critérios: a) desemprego como consequência de outros fatores (doenças, vulnerabilidade social e uso de drogas, por exemplo); b) estudos com informações exclusivamente econômicas, demográficas e estatísticas; c) estudos que avaliassem somente variáveis individuais, e não do casal ou do relacionamento conjugal; e d) perda de emprego voluntária, consequência de opção própria, mudança de carreira ou acordo mútuo entre os membros do casal. **Critérios: a') artigos indexados; b') redigidos em inglês, francês, espanhol ou português; c') disponíveis completos em versão digital; d') com metodologia quantitativa ou mista.

 

Resultados e Discussão

A qualidade metodológica dos estudos incluídos na revisão foi verificada com base nas análises estatísticas reportadas pelos autores de cada estudo, considerando-se aqueles com p < .05, em um IC de 95%. Para os estudos que utilizaram instrumentos para coleta dos dados, avaliou-se a confiabilidade destes a partir dos coeficientes alfa de Cronbach reportados, considerando-se como aceitável um valor de α > 0.70.

O Quadro 1 indica os estudos incluídos na revisão e as categorias temáticas nas quais foram agrupados, bem como a caracterização de cada um deles (autoria, desenho utilizado e nacionalidade dos participantes). Quase todos os estudos selecionados (20) optaram por uma abordagem puramente quantitativa, sendo que somente dois utilizaram métodos mistos. Grande parte (16) adotou um período de seguimento do tipo longitudinal e seis utilizaram um delineamento transversal ou cross-sectional. Para a coleta dos dados, o método mais utilizado foi o de questionários de autorresposta (20) e em dois estudos utilizou-se o método experimental de comparação entre um grupo de intervenção e um grupo controle. Os dois estudos de metodologia mista utilizaram a entrevista semiestruturada como recurso qualitativo de coleta dos dados.

Apesar de não ter sido feita nenhuma restrição cronológica, a maioria dos estudos era relativamente recente, estando mais da metade (12) compreendida entre o período de 2008 e 2015, sendo que a publicação mais antiga datava de 1988. Mais da metade dos estudos (12) foi realizada com participantes do continente europeu, nomeadamente Alemanha (4), Dinamarca (1), Inglaterra (4), Noruega (1), Portugal (1) e Suécia (1). Em relação ao continente asiático, foram encontrados estudos com amostras de Israel (1) e China (2); a Oceania apresentou um único estudo, com amostra proveniente da Austrália. Os Estados Unidos, país com maior número absoluto de estudos (5) e o Canadá (1) foram representativos do continente americano. Não foi encontrado nenhum estudo realizado com amostras africanas.

Relativamente às disciplinas e áreas de conhecimento científico nas quais os estudos estavam inseridos, fez-se uma consulta ao escopo das revistas e periódicos nos quais os trabalhos foram publicados e, em caso de serem generalistas, considerou-se a área de formação do primeiro autor. Utilizou-se o critério de definição do Ministério da Educação do Brasil (MEC), adotada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os artigos incluídos pertenciam à grande área das Ciências Humanas (oito pertencentes à Psicologia e seis à Sociologia), englobando também as Ciências Sociais Aplicadas, nomeadamente Economia (oito).

Para a análise acurada dos artigos e seus contributos, fez-se inicialmente um agrupamento por categorias temáticas, de modo a sintetizar os principais resultados que integram cada categoria. Para esse efeito, considerou-se a variável dependente mencionada pelos autores como de maior relevância para o estudo; quando não havia uma clara discriminação dessa variável, recorreu-se à análise do objetivo principal da investigação. Dentre os artigos escolhidos, observou-se uma grande pluralidade de temáticas. A seguir apresentam-se os principais resultados de cada uma das categorias.

 

Divórcio e Separação

Sete artigos analisaram a relação entre o desemprego e a probabilidade de divórcio ou separação do casal. Em todos eles, os resultados indicaram que existe um aumento dessa probabilidade, sobretudo quando a pessoa em situação de desemprego é o homem.

No estudo de Jensen e Smith (1990), que analisou dados de casais dinamarqueses, a probabilidade de divórcio encontrada para casais em que o homem estava em desemprego era duas vezes maior quando comparada à de um casal em que o homem estivesse a trabalhar. Na amostra australiana analisada por Kippen, Chapman, Yu e Lounkaew (2013), o risco de separação encontrado era até três vezes maior. Em ambos os estudos, o desemprego feminino não apresentou efeito significativo na probabilidade de separação do casal. Alguns fatores podem ainda potencializar o efeito do desemprego masculino sobre a probabilidade de divórcio, como o baixo rendimento familiar, baixo nível de escolaridade dos cônjuges e ausência de filhos menores de três anos, apontados por Nilsson (2008).

Um outro fator a ser considerado é o tempo que o cônjuge está em desemprego. Três estudos com amostras diferentes (Doiron & Mendolia, 2012; Hansen, 2005; Kraft, 2001) concluíram que, no primeiro ano que sucede à perda de emprego, há um período crítico no qual a probabilidade de separação do casal é superior. Arkes e Shen (2013) analisaram o tempo de relacionamento e encontraram que casais que viviam juntos entre seis e dez anos apresentavam a maior vulnerabilidade à separação diante da situação de desemprego.

Com base na revisão dos estudos incluídos nessa categoria, podemos concluir que o desemprego está positivamente associado a uma maior probabilidade de divórcio e separação do casal. Embora esse risco seja mais intenso nos primeiros anos após a perda do emprego, pode-se manifestar também nos anos subsequentes, sobretudo se houver uma drástica diminuição da renda familiar, o que poderá ocasionar uma maior tensão e maior instabilidade para o relacionamento conjugal. A situação de desemprego masculino parece também ser de maior risco para a dissolução da relação do que o desemprego feminino.

 

Saúde Mental, Bem-Estar e Satisfação com a Vida

Nesta categoria, foram analisados cinco estudos que avaliaram os índices de sintomas depressivos, bem-estar e/ou satisfação com a vida - quer da pessoa em desemprego, quer do cônjuge. Siegel, Bradley, Gallo e Kasl (2003) não encontraram efeitos estatisticamente significativos da perda de emprego dos maridos sobre a saúde mental das esposas. Mendolia (2014) observou que, nos casos de desemprego masculino, havia uma maior suscetibilidade aos efeitos negativos do desemprego sobre a saúde mental de ambos, impactando a satisfação com a vida e autoestima. Resultados semelhantes foram obtidos por Haid e Seiffge-Krenke (2013) ao analisar uma amostra alemã; os autores ainda encontraram uma correlação significativa entre a satisfação com a vida das mulheres e a situação profissional dos maridos.

Constatou-se que diversas variáveis moderavam o efeito do desemprego sobre a satisfação com a vida. Luhmann, Weiss, Hosoya, e Eid (2014) observaram que "ter filhos" gerava um maior impacto negativo sobre os pais em desemprego do que sobre as mães que estavam sem trabalho formal. Knabe, Schöb e Weimann (2015), que compararam uma amostra alemã de pessoas casadas e solteiras em função da situação profissional (emprego e desemprego), reportaram que, no grupo de desemprego, os homens solteiros apresentaram maior satisfação com a vida do que os casados; em contrapartida, no grupo de emprego, observou-se exatamente o oposto. Ainda no mesmo estudo, considerando-se somente as mulheres, verificou-se que aquelas que estavam em desemprego mas os parceiros estavam empregados apresentaram maior satisfação com a vida do que mulheres solteiras em desemprego.

Observa-se com base nesses estudos que o desemprego impacta negativamente a saúde mental, a satisfação com a vida e o bem-estar, provavelmente devido à tensão gerada no ambiente familiar. Em casos de desemprego masculino, as evidências sugerem que a tensão poderá ser ainda maior devido à ameaça ao papel tradicional de provedor, o que poderia explicar o impacto negativo mais acentuado sobre a saúde mental e sobre a satisfação com a vida. Assim, diante da perda de emprego, estar em uma relação pode ter um efeito de risco para o homem. Contudo, como as mulheres em desemprego investem com maior frequência nos cuidados com a família, correspondendo às expectativas sociais acerca do papel tradicional de cuidadora, estar em uma relação e ter filhos poderá desempenhar um efeito protetor sobre sua saúde mental.

 

Stress e Coping

Os quatro estudos incluídos nesta categoria tiveram como objetivo avaliar os níveis de stress e estratégias de enfrentamento (coping) em casais desempregados. Destes, três estudos (Song, Foo, Uy, & Sun, 2011; Westman, Etzion, & Horovitz, 2004; Wilhelm & Ridley, 1988) indicaram que, no contexto de desemprego masculino, a dificuldade econômica aumenta os níveis de stress e ansiedade de ambos os cônjuges, mesmo quando as mulheres continuam a trabalhar.

Walsh e Jackson (1995) investigaram as estratégias de coping utilizadas por casais ingleses diante do desemprego a fim de identificar as motivações para o exercício de novas atividades. Os resultados mostraram que enquanto os homens buscavam realizar atividades como passatempo e distração da situação de crise, as mulheres desempenhavam atividades relacionadas ao autodesenvolvimento e promoção da carreira, como cursos e formações. Segundo os autores, isso está relacionado com a dinâmica familiar, pois enquanto o homem vê na atividade uma substituição do trabalho pago, no sentido de sua identidade ocupacional ("preencher o tempo"), as mulheres veem como uma oportunidade de promover o autodesenvolvimento fora do núcleo familiar. Ou seja, enquanto o homem privilegia o fator tempo na escolha da atividade a desempenhar, a mulher reforça o papel social de cuidadora da família e dela própria, elegendo atividades que contribuem para a construção de seu próprio nicho psicológico, para além das necessidades do parceiro e da família.

Esse resultado diferenciado em função do gênero reflete os diferentes modos como homens e mulheres manejam as esferas do trabalho e família - enquanto o homem com maior frequência tenta proteger a família, afastando-a das tensões que ele experimenta no trabalho, a mulher estabelece uma ligação mais próxima entre essas duas esferas, o que, de acordo com os resultados dos estudos mencionados, ocasiona um efeito negativo maior sobre a relação conjugal. Dessa forma, percebe-se que a situação de desemprego aumenta o stress em ambos os cônjuges, que tendem a gerir a crise de modos distintos, seja em termos de investimento, seja em termos de partilha de sentimentos, gerando influências diferentes sobre a satisfação conjugal, conforme descreve-se na seção seguinte.

 

Satisfação Conjugal e Ajustamento Diádico

Foram encontrados quatro estudos acerca da satisfação conjugal cujas conclusões indicaram que casais em situação de desemprego apresentam menor satisfação conjugal do que casais em que ambos estão a trabalhar. Mais uma vez, o desemprego masculino parece ter um impacto negativo maior (Aubry, Teft, & Kingsbury, 1990; Zhang, Fan, & Yip, 2015). Para além da satisfação conjugal, Vinokur, Price e Caplan (1996) analisaram também o surgimento de sintomas depressivos e concluíram que o aumento da tensão financeira gera, em ambos os parceiros, um aumento de tais sintomas. Devido a isso, a capacidade do casal de oferecer suporte um ao outro é afetada, prejudicando assim a satisfação conjugal e potencializando o surgimento de sintomas depressivos na pessoa sem emprego.

Em relação ao ajustamento diádico, Dimas, Pereira e Canavarro (2013) compararam dois grupos de casais portugueses: em um grupo, ambos os membros do casal estavam empregados e, no outro, um dos cônjuges estava em desemprego. Os autores avaliaram o ajustamento diádico em ambos os grupos por meio da Escala de Ajustamento Diádico - Revista (EAD-R). Os resultados indicaram que, no grupo de desemprego, os membros que estavam sem emprego apresentavam uma melhor avaliação da relação do que os seus cônjuges; já no grupo de duplo emprego, isso não ocorreu. Segundo os autores, isso pode ser indicativo de que pessoas em desemprego tendem a investir mais na relação e a atribuir uma maior importância aos parceiros.

Observa-se com base nesses estudos que, diante da situação de desemprego, as pessoas passam a investir mais em seu papel familiar e buscam no cônjuge uma fonte de apoio. Na medida em que a pessoa em desemprego faz um maior investimento emocional e espera receber um maior suporte do cônjuge, este poderá sentir comprometida a sua capacidade de oferecer apoio, face às demandas do companheiro e às alterações no âmbito familiar. Isso poderá gerar um desequilíbrio no ajustamento conjugal, propiciando o surgimento de sintomas depressivos e impactando negativamente a satisfação com a relação.

 

Trabalho Doméstico

Nesta categoria encontram-se os resultados de três estudos acerca da divisão de trabalhos domésticos e cuidados com os filhos no contexto de desemprego de um dos membros do casal. Gough e Killewald (2011) observaram que, para o cônjuge em desemprego, há um aumento da quantidade de horas dedicadas às tarefas domésticas. No entanto, esse aumento chegava a ser duas vezes maior em casos de desemprego feminino, denotando um maior investimento da mulher no papel familiar e de cuidadora. Os autores verificaram também que o aumento de horas para os homens em desemprego variava conforme a jornada de trabalho das esposas, isto é, era maior quando a esposa trabalhava a tempo integral e menor se ela trabalhasse a meio período, evidenciando as questões de gênero imbricadas ao envolvimento do homem no desempenho de tarefas estereotipicamente designadas às mulheres.

Essas questões também foram discutidas no estudo conduzido por Aubry, Teft e Kingsbury (1990) com mulheres cujos maridos estavam desempregados. As participantes afirmaram não ter havido qualquer redução na sua carga semanal de trabalho doméstico, embora, na opinião dos maridos, eles estavam a realizar uma maior carga de atividades domésticas. Apesar da ausência de igualdade diante da divisão das tarefas domésticas, as participantes não relataram insatisfação com a falta de apoio dos companheiros, exceto aquelas que apresentavam uma atitude mais igualitária em relação aos papéis de gênero.

De fato, os papéis de gênero são uma importante variável a se ter em conta quando se avalia as alterações na dinâmica do casal no contexto do desemprego. No estudo conduzido por Gush, Scott e Laurie (2015), cujo objetivo era identificar as alterações comportamentais que os cônjuges adotam diante da perda de emprego de seu parceiro, os autores concluíram que as decisões a serem tomadas dependiam, por um lado, da percepção do casal a respeito da situação (em longo e em curto prazo) e, por outro lado, dos papéis de gênero estabelecidos entre o casal. Assim, casais com papéis menos tradicionais estavam mais dispostos a encarar maiores mudanças.

 

Considerações Finais

Descreveu-se neste trabalho um processo sistemático de revisão da literatura internacional acerca do efeito do desemprego sobre a dinâmica do relacionamento conjugal. Os estudos recuperados permitiram-nos constatar que o desemprego pode ser experienciado pelo casal de diferentes modos, em função de fatores que poderão moderar o seu impacto sobre a saúde, bem-estar e satisfação com a vida de ambos os cônjuges, bem como sobre a reorganização da divisão dos trabalhos domésticos ou a probabilidade de dissolução do casal. Observa-se que, no geral, os efeitos encontrados sobre a relação foram mais negativos do que positivos. Além disso, as questões de gênero perpassam a vivência do desemprego e seu impacto sobre a díade, sendo o homem mais vulnerável a esses efeitos negativos.

Apesar das mudanças na sociedade, tais como a participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho e o aumento de casais de duplo emprego, parece ainda ser muito forte em algumas culturas a figura do gênero masculino para o desempenho do papel de provedor da família. Assim, a maioria dos estudos analisados nesta revisão evidenciou que, para o homem, é mais difícil lidar com a tensão gerada pela situação de perda de emprego, que pode ser vista como uma ameaça ao seu papel social tradicional de provedor.

Para as mulheres, no entanto, apesar de também experienciarem a tensão e as consequências psicossociais dessa situação de crise, o papel social tradicional de cuidadora parece desempenhar um efeito protetor diante do desemprego, no sentido do bem-estar que o investimento no papel parental poderá acarretar. Essa adesão dos cônjuges aos papéis sociais tradicionais de gênero poderá explicar o fato de que, embora o conceito de uma divisão igualitária das tarefas domésticas já esteja interiorizado cognitivamente (Fontaine et al., 2007), essa igualdade não se observa nem mesmo diante de uma situação em que o homem encontra-se sem emprego e, portanto, teria mais tempo para o desempenho desse trabalho do que suas esposas. De acordo com West e Zimmerman (1987), os homens evitam o trabalho familiar e tudo o que remete ao papel de cuidador da mulher, de modo a tentar preservar a identidade de gênero masculina. Por sua vez, as mulheres ao investirem mais nos cuidados com a família e com o lar estariam preservando o seu papel social tradicional. Assim, diante de casais com adesão a atitudes mais tradicionais de gênero, o desemprego masculino terá uma repercussão negativa maior sobre o ambiente familiar.

A partir dos artigos revistos, observou-se também que o desemprego pode ser experienciado de modos diferentes, em função de fatores como a percepção da situação financeira. Por exemplo, os efeitos sobre a probabilidade de divórcio são acentuados no caso de uma percepção mais negativa da família sobre situação financeira, e minimizados no caso da presença de filhos pequenos (Nilsson, 2008). Apesar dessas evidências, a investigação focalizada na análise de potenciais moderadores dos impactos do desemprego é escassa. Parece assim relevante que futuros estudos analisem de forma mais consistente alguns moderadores, dos quais se destacam a percepção da situação financeira da família e a existência de filhos dependentes. Adicionalmente, outros moderadores - por exemplo, o apoio obtido ou disponibilizado a outros - poderão ser pertinentes. Assim, se em uma situação de desemprego há a necessidade de apoiar instrumentalmente outros membros da família, o impacto negativo sobre o indivíduo em desemprego e sobre o casal poderá ser acentuado; por outro lado, se esses membros da família constituírem-se como fontes de suporte e apoio entre si, esses efeitos poderão ser atenuados.

Apesar do caráter inovador da revisão apresentada e do seu potencial para a definição de novas linhas de estudo, há limitações que devem ser referidas. Primeiramente, o fato de não terem sido incluídos outros textos para além do artigo científico, tais como livros e teses, e aqueles que não estivessem em formato digital. É verdade que esse material traria um maior enriquecimento à revisão, porém fez-se essa opção metodológica a fim de assegurar que os estudos incluídos tivessem sido previamente analisados por pares, de modo a garantir o rigor científico e a qualidade dos trabalhos. Uma outra limitação a apontar é o método da extração dos dados, que pode ter de certa forma enviesado os estudos selecionados, uma vez que os descritores usados na busca de textos estavam em inglês e as próprias bases em que se efetuou a pesquisa contêm, em boa parte de suas indexações, revistas internacionais que somente publicam no referido idioma. Assim, esse procedimento poderá ter limitado o acesso a outros estudos com amostras fora do eixo Europa e América anglo-saxônica, como a América latina, por exemplo, que não estavam indexadas nessas bases de dados. Mais uma vez, no entanto, essa opção prendeu-se ao facto de as bases de dados pesquisadas serem as mais referidas no âmbito das Ciências Sociais e Humanas.

Faz-se importante mencionar que, nesta revisão, pretendeu-se sistematizar estudos que contemplassem as perspectivas de ambos os elementos do casal, ainda que somente um deles estivesse em situação de desemprego. No entanto, observou-se que ainda são poucos os estudos desse tipo, tendo a maioria um enfoque somente sobre a pessoa desempregada. Tendo o desemprego uma repercussão que ultrapassa o plano individual, um ponto de vista diádico e familiar poderá contribuir para melhor se conhecer essa realidade, bem como os efeitos intrafamiliares do desemprego. Sugere-se assim para contribuições futuras que sejam utilizadas abordagens metodológicas e de análise de dados mais robustas que permitam avaliar as interferências recíprocas entre o casal.

Adicionalmente, esta revisão permitiu perceber que os efeitos do desemprego estão marcados pelas questões e papéis de gênero. Desse modo, para além de se analisar as diferenças entre grupos de homens e mulheres desempregados, estratégia mais comumente utilizada, focalizar nas relações de gênero dentro da família sobressai-se como uma linha de investigação relevante. Espera-se que o mapeamento aqui realizado dos estudos relevantes a essa temática permitam o avanço de novas construções teóricas e possibilitem a sustentação conceitual para futuras pesquisas empíricas.

 

Referências

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Recebido em 07/04/2017
Aprovado em 25/09/2017

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