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Psicologia Ensino & Formação

versão impressa ISSN 2177-2061versão On-line ISSN 2179-5800

Psicol. Ensino & Form. vol.6 no.2 São Paulo  2015

 

ARTIGO

Perspectiva psicanalítica do vínculo afetivo: o cuidador na relação com a criança em situação de acolhimento

Psychoanalytic perspective of the emotional bond: caregiver and foster children

Maria Rosimere da Conceição SilvaI, Zeno GermanoII

I Psicóloga graduada pelo Instituto Luterano de Ensino Superior, Universidade Luterana do Brasil, Porto Velho, RO. E-mail: mere.silv@gmail.com

II Professor do Instituto Luterano de Ensino Superior, Universidade Luterana do Brasil, Porto Velho, RO. E-mail: zeno.neto@ulbra.edu.br




RESUMO

Este artigo refere-se a uma pesquisa qualitativa que teve como objetivo analisar qual o significado do vínculo afetivo para o cuidador na sua relação com as crianças em situação de acolhimento institucional. Buscou-se também descrever como as cuidadoras pesquisadas percebem a sua prática e, como resultado, a interpretação dos sentimentos aí implicados. Tais objetivos foram fundamentados a partir do método psicanalítico, o qual se utiliza da interpretação do discurso do entrevistando para se chegar a uma evidência dos significados inconscientes. Para coleta de dados, foi utilizada entrevista semiestruturada de forma individual e com gravação de áudio, tendo como amostra três cuidadoras. Os resultados encontrados apontam para uma relação entre cuidadoras e crianças baseadas na troca de afetividade, porém, o ato de cuidar se mostrou muito mais como uma questão funcional de suprimento de necessidades do que como um ato natural de uma figura materna.

PALAVRAS-CHAVE: Cuidador; Figura materna; Vínculo afetivo.




ABSTRACT

This qualitative study aims to assess the significance of the emotional bond to the caregiver towards the children in foster care. It seeks to describe the caregivers perception about their practice and how they understand/interpret the feelings arose from this relationship. By means of psychoanalytic method, which uses the speech interpretation to reach evidences of unconscious meanings, it was based the research purposes. For data collection was conducted individual semi structured interviews; all interviews was recorded. The study was conducted with the participation of 3 caregivers - sample. The study conclusions have shown the relationship between caregivers and children is based on mutual affection, but the act of caring is far more functional as a way to supply foster children needs rather than as a natural act of a mother figure.

KEYWORDS: Caregiver; Maternal figure; Bonding affective.




Ao longo do processo de amadurecimento, a criança desenvolve a necessidade de estabelecer um vínculo com a mãe ou um cuidador substituto. Tanto a estrutura psíquica como o sistema biológico da criança estão em desenvolvimento. Devido à ausência da capacidade de provimento das próprias necessidades básicas, é necessário que surja o apoio responsivo de alguém para contribuir com o desenvolvimento do infante.

O vínculo afetivo como uma forma de se relacionar com o outro na perspectiva de manter-se ligado emocional e/ou comportamentalmente, apresenta-se na relação cuidador e criança como um meio de subsistência e manutenção de um ambiente adequado para o desenvolvimento maturacional sadio desta última. A proximidade de ambos funciona como uma busca pela segurança e apoio, quer seja nos momentos de adversidade, quer seja para proporcionar uma capacidade funcional da personalidade da criança.

Quando se pensa, então, na criança em situação de acolhimento, há de se pressupor que, em algum momento do afastamento familiar, houve uma quebra no vínculo entre os entes parentais, e em especial com a mãe, a qual é o primeiro objeto de amor do infante. E a instituição de acolhimento surge como uma possibilidade de suporte tanto material quanto afetivo, mas para isso é importante que os cuidadores que venham a se responsabilizar pela atenção a essas crianças estejam disponíveis para gerar nesse ambiente um local de fortalecimento e construção de vínculos saudáveis na vida dos que necessitam serem acolhidos.

Nesta perspectiva, se questionam as seguintes proposições: as relações que se constroem entre cuidadoras e crianças acolhidas são passíveis de formarem vínculos afetivos positivos? Essas cuidadoras substitutas sentem-se preparadas emocionalmente para atuarem com essas crianças? Elas se percebem num processo de maternagem no desvelar de cuidados a essas crianças?

E, para conceber as variáveis que se embutem nessa relação, é importante compreender qual a importância da presença do cuidador no desvelo a essas crianças acolhidas, descrever a percepção das cuidadoras quanto a sua prática e, por fim, interpretar a qualidade de afeto que se insere nessa relação.

O VÍNCULO AFETIVO SOB A ÓTICA PSICANALÍTICA

Ao longo de anos de pesquisas, diversos autores psicanalíticos vêm contribuindo de forma pertinente para a compreensão de como se consolida o vínculo afetivo na vida do ser humano. Essas contextualizações enfatizam que, a partir dos primeiros meses de vida a criança desenvolve estruturas básicas subjetivas que fazem com que aos poucos consigam diferenciar a si mesma daquele que cuida, o qual pode ser a mãe ou um cuidador responsável (BOWLBY, 2002).

A sistematização dessas experiências desenvolve na criança a representação da relação consigo mesma e com o outro, delas vão surgir vários sistemas de conduta que vão lhe propiciar um prazer satisfatório e de troca se a relação for positiva, e de afastamento, caso seja negativa, que podem ser entendidos como um vínculo afetivo positivo ou negativo. E, para corroborar com essa ideia, Bowlby (2002, p. 222) acredita que a conduta de vinculação ou apego “se desenvolve no bebê como resultado de sua interação com o seu meio ambiente de adaptabilidade evolutiva e, em especial, de sua interação com a principal figura nesse meio ambiente, ou seja, a mãe”. Nessa perspectiva, a criança procura conservar a proximidade com seu cuidador como uma forma de satisfação e de segurança.

Entretanto, a forma como a criança introjeta os cuidados que foram dispensados a si desde os primeiros contatos com o seu cuidador se transferirá para suas futuras relações e implicará também na sua escolha de objeto1. Neste constructo, é importante que a criança se identifique com o objeto escolhido.

Freud (1921/1996, p. 117) resume esse processo, dizendo que:

[...] Primeiro, a identificação constitui a forma original de laço emocional com um objeto; segundo, de maneira regressiva, ela se torna sucedâneo para uma vinculação de objeto libidinal, por assim dizer, por meio de introjeção do objeto no ego; e, terceiro, pode surgir com qualquer nova percepção de uma qualidade comum partilhada com alguma outra pessoa que não é objeto de instinto sexual. Quanto mais importante essa qualidade comum é, mais bem sucedida pode tornar-se essa identificação parcial, podendo representar assim o início de um novo laço.

Nesse tipo de escolha de objeto, dar-se o que Freud (1914/2004) denominou como um tipo de veiculação sustentada, um comportamento transferencial no qual a criança busca satisfazer suas necessidades por meio do apoio do seu cuidador. Na ocorrência de perturbações nessa busca de satisfação, a criança não mais buscará a mãe como fonte de suprimento, mas a si mesma como um objeto de amor, o que se configura como um narcisismo primário.

Para tanto, Freud (1914/2004, p. 107) ainda recorda que:

[...] O único fato que se pode primeiro observar é que a criança toma seus objetos sexuais a partir de suas experiências de satisfação. [...] As pulsões sexuais apoiam-se a princípio, no processo de satisfação das pulsões do EU para veicularem-se, e só mais tarde tornam-se independentes delas. Esse modo de apoiar-se nos processos de satisfação das pulsões de autoconservação para conseguir veicular-se fica evidente quando se observa que as pessoas envolvidas com a alimentação, o cuidado e a proteção da criança se tornam seus primeiros objetos sexuais, portanto primeiramente a mãe ou seu substituto.

Por sua vez, Winnicott (2006) cita que é importante admitir que a presença materna, ou mãe substituta, torna-se imprescindível nos estágios iniciais de desenvolvimento da criança. É dela o papel de suprir todas as necessidades, proporcionando um ambiente facilitador de nutrição, comunicação e de integração individual. Nessa fase, há uma dependência absoluta, que é marcada por um período de experiências muito importantes para a construção de um vínculo afetivo e para a constituição da personalidade da criança. Assim, a mãe, ou o cuidador substituto, se apresenta como peça fundamental para a elaboração dos estados emocionais da criança, o que vai influenciar na integração das suas vivências e na relação com o meio em que se insere.

E, na perspectiva de se aliar a uma figura principal como meio de subsistência e desenvolvimento do seu primeiro laço afetivo, Bowlby (2004) caracterizou como “figura materna” a pessoa a quem a criança se reporta e projeta todas as suas necessidades e desejos e a qual se revela como uma base segura. Há a “mãe substituta”, que pode ser designada como “figura de apego” ou “figura de apoio”, que se pode dizer daquele indivíduo a quem a criança escolhe a quem se remeter por um tempo limitado ou provisório, como exemplo em situação de acolhimento. Bowlby (2004, p.380) esclarece que:

Embora seja usual a mãe natural de uma criança ser a sua principal figura de apego, o papel pode ser efetivamente assumido por outras pessoas. As provas que se dispõe evidenciam que, desde que uma figura substituta se comporte de um modo maternal em relação a um bebê, este a tratará da mesma maneira que uma outra criança trataria sua mãe natural.

Esse “modo materno” que Bowlby cita, refere-se ao quanto essa figura substituta se coloca disponível para responder as solicitudes da criança e como a mesma interage nessa relação com o infante. Assim, para Hinde (apud BELSKY, 2008, p. 87):

Não existe o melhor estilo de maternidade (ou apego), pois estilos diferentes são melhores em circunstâncias diferentes e a seleção natural funcionaria a favor de indivíduos com uma variedade de estilos potenciais, dos quais eles selecionam apropriadamente. [...] Comportamento de maternidade (e apego) ótimo variará de acordo com o status social da mãe, contribuições do cuidado por parte de outros membros da família (ou figura substituta – grifo nosso), o estado de recursos físicos e assim por diante... um relacionamento mãe-criança que produz adultos bem sucedidos numa situação pode não fazer o mesmo em outras.

A presença dessa figura e a qualidade dos cuidados de que dispõe influenciam o modo como a criança vai constituir-se como indivíduo e a forma como vai transpor as experiências vivenciadas nessa relação no mundo exterior. Segundo Albornoz (2006, p. 19), essas marcas de forma positiva irão:

[...] A partir do amor da mãe e de sua capacidade empática, o bebê organiza suas pulsões libidinais e agressivas, inaugura o simbólico e constitui-se como sujeito psíquico. O reforço fornecido pelo ego da mãe possibilita ao bebê satisfazer suas necessidades, conter sua angústia e internalizar padrões de comportamento, prosseguindo o desenvolvimento de sua personalidade e de sua autonomia.

Essas experiências promovem na criança a percepção de que todo o sistema funcional de sua personalidade e de satisfação física está em pleno funcionamento, gerando contentamento e prazer nessa relação de cuidado. A partir disso, as relações entre si mesmo e o mundo exterior darão vazão a uma nova forma de relação. A bagagem que carrega, já imbricada na sua estrutura psíquica, determinará como essas relações presentes e futuras irão ocorrer.

Abreu (2010) corrobora dizendo que, de forma não muito frequente, a criança, em suas relações interpessoais, tem dificuldades em manter relacionamentos duradouros e seguros, tornando-se mais voltada a si própria do que ao outro, características essas que se tornam mais incipientes na adultez, quando as relações se tornam uma necessidade mais social do que pessoal. Porém, num contexto em que as experiências foram positivas, o enfrentamento a situações adversas irá ocorrer de forma resiliente e madura e, em se tratando de um ambiente em que se constituiu numa situação de desamparo e insegurança, a relação com os demais será enfrentada de forma patológica e ambígua.

No entanto, Freud (1905/1996, p. 211) postula que a mãe “[...] quando ensina seu filho a amar está apenas cumprindo sua tarefa; afinal, ele deve transformar-se num ser humano capaz, dotado de uma vigorosa necessidade sexual, e que possa realizar em sua vida tudo aquilo que os seres humanos são impelidos pela pulsão”. Nesse constructo, Freud reflete sobre a escolha de objeto por apoio, ou seja, o ato de ensinar a amar “não é a reprodução de uma relação de objeto preexistente, mas a formação de uma relação de objeto a partir do modelo de relação do sujeito consigo mesmo” (LAPLANCHE; PONTALIS, 2001, p. 155). Portanto, quando o filho percebe esse amor, de certa forma dosada, ele é capaz de transferir esse sentimento para outro objeto de satisfação sem que haja prejuízo na sua capacidade de realização, cobrança consigo mesmo e para com o outro.

Diante de tais experiências que contribuem para o desenvolvimento da criança, a qual, na primeira infância, não está equipada de estratégias psíquicas e físicas para enfrentar as grandes excitações que surgem ao longo do seu crescimento, tem-se a perspectiva de que surjam pessoas, como outro cuidador responsável, que venham se colocar no papel de mãe e tenham a consciência dessa função. Para tanto, Figueiredo (2007, p. 24) escreve que “[...] apenas quem introjetou criativamente as funções cuidadoras e as exerce com a mesma criatividade pode transmiti-las de forma criativa e eficaz e ajudar na constituição de sujeitos responsáveis”. Nesse sentido, o cuidador não só promoverá um ambiente facilitador para o desenvolvimento das interações, mas a promoção de um cuidado afetuoso e terno.

METODOLOGIA

Considerando a importância da formação e da qualidade do vínculo afetivo na relação do cuidador com a criança em situação de acolhimento, buscou-se, através do marco teórico psicanalítico, uma compreensão mais acurada dessa vivência a partir da análise do discurso do pesquisando. Laplanche e Pontalis (2001, p. 384) recordam que a psicanálise se “fundamenta num método de investigação que consiste essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias delírios) de um sujeito”. Assim, o campo da pesquisa psicanalítica demarca- se “por seu objeto, que é o psíquico, isto é, o inconsciente; por seu método, que é a interpretação; pela técnica da associação livre e pelas condições de possibilidade para emergência empírica das formações do inconsciente” (BIRMAN, 1993 apud VIOLANTE, 2000, p.114).

A pesquisa teve como abordagem o método qualitativo. Quanto aos fins, o tipo de pesquisa foi exploratória e descritiva, e quanto aos meios de investigação, a de campo e estudo de caso. Foi realizada numa Unidade de Acolhimento Institucional no município de Porto Velho/RO, tendo como amostra três cuidadoras, com um período mínimo de três anos nos cuidados às crianças lá acolhidas. A coleta de dados se deu por meio de entrevistas semiestruturadas individuais, com dois encontros e tempo delimitado de 50 minutos, utilizando-se de gravador de áudio.

As entrevistas enfocaram as seguintes questões: Como é a sua relação com as crianças na instituição? Como você percebe a aproximação dessas crianças a você? Emocionalmente como você se sente para cuidar das crianças? Você percebe que, de algum modo, o cuidador representa uma figura materna para as crianças?

No intuito de se obter a compreensão de tais fenômenos que configuram numa interpretação dos aspectos subjetivos de cada cuidadora. Passemos adiante para análise de tais proposições.

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Numa análise psicanalítica, buscou-se a captação dos aspectos psíquicos que se inserem na percepção dessas cuidadoras enquanto objeto de escolha de amor para essas crianças que se encontram na unidade de acolhimento. O foco das entrevistas foi a relação2 enquanto forma de interação e proximidade entre cuidadoras e crianças, as vicissitudes emocionais implicadas nesses cuidados e, por fim, a representação da figura materna como primordial para o estabelecimento de um vínculo afetivo positivo. As entrevistadas receberam nomes fantasias como forma de preservar sua identidade e da instituição em que atuam.

Flor de Liz – 51 anos de idade – 3 anos de atuação Margarida - 42 anos de idade – 9 anos de atuação Violeta – 51 anos de idade – 9 anos de atuação

Como é a sua relação com as crianças na instituição? Flor de Liz:

Tento fazer o acolhimento mais humano possível, né, mostrar pra eles que, apesar da situação que eles vieram parar aqui ter sido ruim, mas aqui eles vão ficar bem, procuro passar isso dia a dia pra eles.

Margarida:

Eu gosto de arrumá-las, gosto de pentear, fazer penteado assim, gosto de perfumar elas, tanto é que eu gosto de andar com meu kit de..., que eu falo de beleza delas. [...] Eu noto que elas querem que eu fique perto delas, que elas gostam de ser cuidadas, eu vejo isso também.

Violeta:

Os cuidados que eu tenho com eles aqui é com o mesmo desempenho quando eu tô em casa, eu faço com minha família, eu não acho diferença, claro..., é assim, mas eu não faço diferença. Eu tenho um amor muito grande por eles, uma afetividade que até quando eles saem é difícil pra gente.

As falas de Flor de Liz e Margarida demonstram que a relação de cuidadora se baseia numa constante de manter-se presente no dia a dia dessas crianças, seja mostrando que o ambiente é saudável e protetor, seja no propósito de manter a criança sempre limpa e apresentável com a preocupação dos cuidados físicos e psíquicos, ou na forma de mostrar- se continente aos anseios que a criança apresenta. Tal aspecto pode configurar o que Freud (1921/1996) chamou de empatia, um processo que se relaciona à identificação, na qual tem a finalidade de compreender o objeto no sentido de não se lançar igual ao outro ou de experimentar o que o outro sente, mas de perceber e compreender as angústias e reagir de forma adequada ao que esse objeto sente e pensa. Para tanto, ao promover um ambiente suficientemente bom, a cuidadora não estará apenas suprindo um lugar de segurança e aconchego, mas uma relação de afeto que pode se perpetuar por um longo período ou até pela vida inteira (WINNICOTT, 2006). O que contribui para um desenvolvimento psíquico sadio e uma relação pautada em confiança.

Essa relação de afeto que se constitui pode se confundir, por vezes, com o sentir e o agir, pois quando a cuidadora Violeta verbaliza: “... eu não acho diferença, claro... eu não faço diferença”, ela transpõe que os cuidados que ela desvela pelas crianças podem se basear limitadamente no desenvolver de uma função, por exemplo, de dar banho, comida, vestir e não de perceber os sentimentos que estão aí implicados como a mesma citou nesse “desempenho”. Sobre esse constructo, Figueiredo (2007, p. 24) diz que “cuidar é, basicamente, ser capaz de prestar atenção e reconhecer o objeto dos cuidados no que ele tem de próprio e singular, dando disso testemunho e, se possível, levando de volta ao sujeito sua própria imagem”. O referido autor ainda cita que “o cuidar converte-se em algo prazeroso e lúdico. Mesmo que imponha algum sacrifício, não é o espírito de sacrifício o que o move” (p. 24). Ou seja, é o prazer de se implicar nessa relação de cuidados que dá o sentido da vivência.

Como você percebe a aproximação dessas crianças a você? Flor de Liz:

A gente se envolve com eles, não tem como você dizer assim ‘não é... eu vou ser totalmente profissional’, não tem como você ser 100% profissional nesse sentido, você faz com que, você disfarça, faz com que ninguém os outros. É... todos que chegam que beija, que abraça a gente vai lá beija e abraça procura beijar e abraçar na mesma intensidade. Mas assim, tem realmente crianças que a gente, sem querer, a gente realmente se envolve. Só que a gente não procura deixar isso assim muito exposto.

Margarida:

No carinho mesmo porque a criança também passa carinho pra gente, né, às vezes a gente acha não só eu que dou carinho, mas não, a criança passa esse carinho, a gente nota nela a aceitação por a gente, entendeu? Como é a forma dele se aproximar, ele tem confiança, no caso, ela tem confiança em mim, eu noto a confiança e isso é muito bom, isso é uma troca.

Violeta:

É uma coisa assim inexplicável. [...] Eu me torno uma criança quando, assim, quando eu fico assim do lado delas eu me torno uma criança. Porque eu acho, assim, elas muito pura, criança eu acho muito pura.

Na fala de Flor de Liz, por mais que transpareça que haja uma vinculação afetiva nessa aproximação, a mesma faz um processo inconsciente de intelectualização das suas emoções, se justificando por meio da relação trabalho e cuidado como forma de não deixar mostrar os seus próprios conflitos, o que se configura numa ambivalência: “... a gente sem querer a gente realmente se envolve...”. Ela apresenta tentar manter certo distanciamento para não se envolver e, ao mesmo tempo, se sente dentro dessa relação. Essa acepção designa “as ações de um conflito defensivo em que entram em jogo motivações incompatíveis, visto que aquilo que é agradável para um sistema é desagradável para outro, pode-se qualificar de ambivalente qualquer formação de compromisso” (LAPLANCHE; PONTALIS, 2001, p. 18). Tentando assim se preservar das demonstrações do que sente para não se expor.

Em contrapartida, Margarida demonstra que há uma manifestação de afeto nessa convivência, e esta vinculação é confirmada por meio do movimento de um acolher o outro. Ou seja, a cuidadora proporciona um ambiente facilitador onde a confiança e o carinho que ambos se dedicam é a base para tal aproximação. Contanto, “[...] essa identificação permite, de fato, compreender a gênese do amor em termos de transferência de egoísmo: proteger e gratificar o objeto de amor e de identificação e, definitivamente, gratificar-se a si mesmo e de investir narcisicamente” (PETOT, 1992, p. 32).

Em relação a Violeta, ao mesmo tempo em que ela deixa transparecer a não compreensão do que lhe foi questionado, assim como uma resistência a expor seus sentimentos, ela se coloca numa posição regressiva em relação às crianças. Essa regressão volta-se ao estado de construção do próprio pensamento da criança, das primeiras relações objetais e da estruturação do comportamento, como exemplo a dependência do outro para atender as próprias necessidades. Ou seja, ela se coloca numa posição igualitária às crianças (“... eu me torno uma criança...”), como quem precisa dos mesmos cuidados e de atenção. Ou, talvez, ela se coloca numa posição defensiva para se abster de responder como se sente em relação à proximidade das crianças a ela.

Emocionalmente como você se sente para cuidar das crianças? Flor de Liz:

É... eu nunca posso dizer que cheguei assim, tipo assim, “ai, cheguei estressada”!, isso não, né? Quando eu entro aqui, entendeu, é a felicidade de ver as crianças de novo, né? Quando você chega, ela já vem com aquele sorriso, né?, aquela felicidade de te ver novamente, então isso aí, né?, já apagou tudo aquilo, todos aqueles problemas que ocorreram no dia anterior né? Então, se isso é estar bem emocionalmente, eu me sinto assim.

Margarida:

Eu me sinto preparada. Eu sinto. É uma coisa que vem de mim, ser calma, né? É que na condição que eles vêm, que eu vejo que eles vêm, me faz eu cada vez mais fazer um exercício mental antes de vir pra cá, e durante o tempo que eu fico aqui, pra fazer um trabalho tranquilo, executar meu trabalho com tranquilidade.

Violeta:

É, muito frágil e dentro dessa fragilidade fica... é muita emoção, sabe?, e, ao mesmo tempo, eu me sinto forte muitas vezes pra poder afagar essas crianças com palavras, com afeto, acariciar e tudo. Mas a emoção, muitas vezes, ela fica muito abalada. E eu sinto que eu tenho que ser forte, pra mim poder ajudar, porque se eu enfraquecer, se eu ficar só com minha emoção, eu não vou conseguir ser forte. Eu preciso ser fortaleza pra mim poder ajudar os que são frágeis.

Flor de Liz denota que o seu bem-estar emocional está relacionado a troca de afeto dela com as crianças, porém, se percebe que, de uma forma latente, ela deixa de lado por momentos o que lhe causa incômodo, parece que os seus sentimentos em relação talvez ao seu trabalho ficam encobertos enquanto está nessa manifestação de carinho. O que sugere que há uma separação da razão e da emoção.

Margarida se coloca na posição de que, devido à situação pela qual as crianças vieram parar na instituição, e o sofrimento que elas passam em consequência disso, se faz necessário fazer um esforço para que a qualidade do sentimento que ela transmite não interfira nos cuidados a essas crianças. Refere-se não só a sua relação de quem é responsável por indivíduos que necessariamente dependem dos seus cuidados, mas como profissional que tem uma função a ser cumprida. E, para esse fim, tem que estar em constante cobrança consigo mesma de que precisa estar bem para desempenhar o seu papel, parecendo uma racionalização de possíveis conflitos psíquicos.

Violeta se revela numa constância de suprir algo que foi perdido, como exemplo o vínculo afetivo entre a criança e a família nuclear no ato da separação, assim, busca acolher de uma forma bastante terna, mas, ao mesmo tempo, parece sentir a necessidade de ser retribuída também. Coloca-se como desempenhando o papel de figura materna que é de proteção, segurança e de satisfação de desejos e, ao mesmo tempo, de modo similar se mostra precisando de ajuda. Quando Violeta cita: “eu sinto que eu tenho que

ser forte [...] porque se eu enfraquecer, se eu ficar só com minha emoção, eu não vou conseguir ser forte”. Nesta posição, Figueiredo (2007, p. 21) entende que “o cuidador exerce a renúncia à sua própria onipotência e à aceitação de sua própria dependência. É preciso saber cuidar do outro, mas também cuidar de si”. Perceber-se como alguém que precisa de cuidados é reconhecer os próprios limites e, ao mesmo tempo, dar vazão para a ressignificação de suas próprias vivências.

Você percebe que, de algum modo, o cuidador representa uma figura materna

para a criança? Flor de Liz:

Uma referência. Eu creio que sim, porque é o que elas têm, né? Eu vejo nas crianças que realmente elas vivem assim um dia de cada vez, elas não nos cobram assim, né?, certas coisas, o que elas querem é só aquilo ali, o carinho, a atenção. “Ah mãe eu queria um sapato!”, isso e aquilo, né? Aqui não, eles não nos cobram isso, eles nos cobram a atenção mesmo, a atenção, o carinho, é isso aí.

Margarida:

Funciona, tanto é que a gente vê isso expresso. Eles expressam isso pra gente através do sentimento de retorno. É..., tipo eu gosto de dar banho nas crianças, como eu tô dando banho no meu filho, então eu lavo os pés, as unhas. Na menina, eu falo da limpeza íntima que ela tem que fazer, lavar direitinho, e depois do banho eu seco o cabelo com carinho e com cuidado, sentir..., eu faço penteado. É uma, é uma troca e eu vejo o retorno que ela... a aceitação, ela gosta, ela pergunta quando é que eu vou tá de novo, eu vejo isso.

Violeta:

A gente termina sendo uma conselheira pra eles, tá mostrando pra eles o que é certo. A figura materna a gente não consegue suprir. Por mais que eu fazer de um tudo, eu jamais vou suprir. Eu sempre penso assim, a família, ela é a principal. Tu pode dar tudo. O amor materno, ele é diferente.

O que se interpreta através do discurso de Flor de Liz e Violeta é que talvez seus cuidados funcionem como um paliativo para as crianças enquanto elas permanecem acolhidas. As cuidadoras se mostram num papel de alguém que está sempre ali, presente e receptiva para acolher, sustentar e orientar, mas não como alguém que veio para substituir, por exemplo, a mãe. Bowlby (2002) relaciona que, para uma figura substituta, é mais difícil estar nesse papel, pois a mesma carece de alguns atributos para suprir o lugar da mãe. Ele cita que os níveis hormonais e a falta de identificação com a criança podem ser exemplos dessas dificuldades. E “[...] em consequência destas limitações, as respostas maternais de uma substituta poderão ser menos fortes e menos sistematicamente deflagradas do que as de uma mãe natural” (BOWLBY, 2002, p. 381). Porém, ao se fazerem presentes, as cuidadoras que estejam dispostas a manter um vínculo positivo e proporcionar um ambiente sadio para as crianças, estas se sentirão protegidas e gratificadas por tais cuidados.

Bowlby (2002, p. 380) cita ainda que “[...] desde que uma figura substituta se comporte de um modo maternal em relação a um bebê, este a tratará da mesma maneira que uma outra criança trataria sua mãe natural”. Corrobora-se essa passagem quando Flor de Liz verbaliza: “[...] Aqui não, eles não nos cobram isso, eles nos cobram a atenção mesmo, a atenção, o carinho, é isso aí”.

O que denota através do discurso de Margarida é que a mesma se implica nesse papel de figura materna para as crianças acolhidas, e essa sua inserção pode ser baseada nos três fundamentos do papel de mãe, os quais, segundo Winnicott (2005), são: o segurar (holding), que é o provimento das necessidades ambientais e psicológicas, por exemplo, a identificação, a confiança e a troca de carinho; o manipular (handling), que envolve o contato físico, por exemplo, o pentear do cabelo, o dar banho e comida; e, por fim, a apresentação de objetos (object presentaction), que dá à criança capacidade de relacionar-se com objetos e o mundo, a criança sente-se real, propícia a amadurecer e tornar-se independente. Segundo Winnicott (1983, p. 49): “o holding inclui especialmente o holding físico do lactente, que é uma forma de amar. É possivelmente a única forma em que uma mãe pode demonstrar ao lactente o seu amor”. É nesse momento que a mãe, ou a cuidadora, provida de uma identificação com a criança, assegura-lhe um ambiente consistente, empático e suficientemente bom. Nesse sentido, percebe-se que Margarida demonstra o vínculo afetivo para com as crianças por meio da troca de confiança, do sentimento de que está sendo retribuída pelo que faz, dos cuidados físicos e o amparo emocional que proporciona.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pretendeu-se, neste trabalho, analisar qual o significado do vínculo afetivo para o cuidador na sua relação com as crianças em situação de acolhimento institucional. De acordo com os dados obtidos por meio da interpretação dos discursos das cuidadoras, identificou- se que as mesmas se sentem satisfeitas em desempenhar suas funções, porém, a significação de vínculo afetivo para elas se baseia numa perspectiva de suprimento das necessidades que os infantes possuem no período que estão acolhidos. Dos cuidados que são proporcionados às crianças, que é de resguardar as condições física, habitacional e alimentar, ao mesmo tempo em que está dentro de uma exigência profissional e institucional, as cuidadoras se sentem também no dever de proporcionar carinho, atenção e segurança. Ao receberem esse apoio, as crianças respondem de uma forma positiva, daí surge uma relação vincular afetiva.

Nesse envolvimento de afeto, pode estar implicado o entendimento por parte das cuidadoras de que a privação de laços afetivos durante a infância interfere no desenvolvimento saudável da criança. Talvez como uma compensação por tais sofrimentos devidos às perdas emocionais envolvidas nesse distanciamento familiar, as cuidadoras sentem-se responsáveis por suprir tais lacunas na vida dessas crianças. À medida que há uma autoexigência de responder aos dois papeis, como a função de cuidadora e figura substituta, surgem questões emocionais que fazem com que elas não se deem conta dos conflitos que podem gerar e da sobrecarga produzida, e isso poderá influenciar em ambas as responsabilidades de uma forma negativa. Desse modo, a alternativa que encontram é reprimir os sentimentos aí gerados para não interferir nesse cuidado.

Estar numa posição de quem representa uma figura materna e responder a tais expectativas não é algo fácil de submeter-se, pois, no contexto institucional, existem questões que alteram o significado dessa relação. Inicialmente, a perspectiva de um ambiente que acolhe crianças é a proteção da integridade física e a manutenção de um local acolhedor e isso, a princípio, já influencia a forma como se recebe a criança, pois, antes mesmo de ela chegar à instituição, já há, de modo “imposto”, as regras e limitações da função de cuidadora. E como Guirado (1986, p. 201-203) apontou: “[...] o ato de cuidar não se insere num conjunto de práticas ‘naturais’ e imediatas, mas de práticas profissionais, mediatizadas pela condição de ser esta uma relação de trabalho, uma prática produtiva. É um outro cuidado. É uma outra relação”.

Porém, é imprescindível que o profissional, além de estar ciente de suas atividades funcionais e das responsabilidades para com as crianças, tenha um conhecimento sobre si mesmo e das angústias que carregam advindas do seu trabalho. É importante que percebam a necessidade de preservar e manter um vínculo afetivo com as crianças, proporcionando-as a capacidade de se aproximar e de se relacionar com outros indivíduos. Pois, o acolhimento dessa criança num ambiente sadio e facilitado para a construção de vínculos afetivos positivos, é essencial para estabelecer a sua capacidade funcional do ego e do senso de self3.

A partir de tais compreensões acerca da construção do vínculo afetivo e da importância da função de um cuidador substituto na vida das crianças que se encontram desamparadas sem o olhar familiar ou materno, faz-se urgência que a instituição de acolhimento envolvida nesse contexto permita-se olhar para esse cuidador de uma forma especial, colocando-o como sujeito no processo de cuidados, dando o suporte para a escuta de seus anseios, de medos e dúvidas que possam surgir em decorrência de sua atividade prática.

Contudo, é necessário que novos estudos acerca do trabalho dos cuidadores em instituições de acolhimento sejam levados adiante e que possam ser amparados com novas perspectivas e conhecimentos, emergindo outras possibilidades que corroborem os resultados aqui encontrados.



REFERÊNCIAS

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OBRAS CONSULTADAS

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1Ato de eleger uma pessoa ou um tipo de pessoa como objeto de amor (LAPLANCHE; PONTALIS, 2004).

2Relação – “trata-se de uma inter-relação, isto é, não apenas da forma como o sujeito constitui os seus objetos, mas também da forma como estes modelam a sua atividade” (LAPLANCHE E PONTALIS, 2001, p. 444).

3Desde o nascimento, os bebês experienciam sensações e as utilizam para construir uma noção ou um senso pes- soal consciente de si mesmo – e é desta forma que a experiência intersubjetiva acaba por tornar-se fundamental na organização pessoal (ABREU, 2010, p. 29).

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