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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perda gestacional tardia: aspectos a serem enfrentados por mulheres e conduta profissional frente a essas situações]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present study aimed to identify the main issues faced by women following pregnancy loss, as well as to discuss about the psychologist&#8217;s role in these situations. Twelve patients aged between 20 and 39 years old that suffered late pregnancy loss were interviewed. The procedure to analyze data obtained was based on Content Analysis. Some of the categories that emerged were: dealing with death and grief, dealing with procedures related to death, decision about seeing the dead baby, decisions about having other children, ambivalence about going home and the importance of the relatives&#8217; presence along the process of the loss. The article presents a discussion about these aspects, pointing out the role of the hospital&#8217;s professionals immediately after the pregnancy loss.]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Health Psychology]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Perda gestacional tardia: aspectos a serem enfrentados por mulheres e conduta profissional frente a essas situa&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Late pregnancy loss: aspects faced by women and professional behaviors in this situation</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Fernanda Torres de Carvalho<a name="aut1" href="#aut01"><sup>*</sup></a> <sup>I</sup>; Laura Meyer <sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup> Universidade Federal do Rio Grande do Sul    <br>    <sup>II</sup> Instituto Santa Casa de Miseric&oacute;rdia de Porto Alegre - Equipe de Urologia</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade="noshade" size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo teve como objetivos identificar os principais aspectos a serem enfrentados por mulheres no momento imediato &agrave; perda gestacional, bem como refletir sobre a conduta do profissional da &aacute;rea da Psicologia. Para tanto, participaram do estudo 12 pacientes, entre 20 e 39 anos, que tiveram perda gestacional tardia. Realizaram-se entrevistas semi-dirigidas, com posterior An&aacute;lise de Conte&uacute;do. Das entrevistas, emergiram algumas categorias: necessidade de lidar com a morte e com o luto, lidar com procedimentos &– sepultamento, atestado de &oacute;bito etc.-, decis&atilde;o quanto a ter ou n&atilde;o contato com o beb&ecirc; morto, conflito sobre tomar decis&otilde;es quanto a ter ou n&atilde;o mais filhos, ambival&ecirc;ncia frente &agrave; alta hospitalar e import&acirc;ncia da presen&ccedil;a de familiares ao longo do processo da perda. Reflete-se sobre cada um destes aspectos, salientando a import&acirc;ncia da atua&ccedil;&atilde;o de uma equipe hospitalar continente nos momentos imediatos a perdas na gesta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-Chave:</b> Perda gestacional, Morte, Enfrentamento, Luto, Psicologia hospitalar.</font></p> <hr noshade="noshade" size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The present study aimed to identify the main issues faced by women following pregnancy loss, as well as to discuss about the psychologist&rsquo;s role in these situations. Twelve patients aged between 20 and 39 years old that suffered late pregnancy loss were interviewed. The procedure to analyze data obtained was based on Content Analysis. Some of the categories that emerged were: dealing with death and grief, dealing with procedures related to death, decision about seeing the dead baby, decisions about having other children, ambivalence about going home and the importance of the relatives&rsquo; presence along the process of the loss. The article presents a discussion about these aspects, pointing out the role of the hospital&rsquo;s professionals immediately after the pregnancy loss. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords</b>: Pregnancy loss, Death, Grief, Health Psychology.</font></p> <hr noshade="noshade" size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na Idade M&eacute;dia, a morte da crian&ccedil;a era pouco valorizada, j&aacute; que esta era vista como um ser sem personalidade. Ao morrer, muitas vezes, n&atilde;o tinha nome e o nome era costumeiramente atribu&iacute;do diretamente a outra crian&ccedil;a. Foi a partir do s&eacute;culo XIX que a morte da crian&ccedil;a come&ccedil;ou a ser considerada algo importante. As pessoas passaram a conceber um lugar diferenciado a estas no c&eacute;u, sendo que algumas vezes eram consideradas por suas m&atilde;es como anjos ou santos. De um descaso quase total na Idade M&eacute;dia, perder um filho, no s&eacute;culo XIX, tornou-se um evento de profunda como&ccedil;&atilde;o e tristeza &#40;Chiattone, 1998&#41;. Ao longo dos tempos, o poder em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vida foi transferido da religi&atilde;o para a Medicina, principalmente a partir do incr&iacute;vel avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico atual &#40;Kov&aacute;cs, 1992&#41;. O ciclo da doen&ccedil;a dinamizou-se ao longo dos tempos, criando uma rela&ccedil;&atilde;o entre equipes e pacientes, em que o di&aacute;logo chega a se dar, muitas vezes, de forma a dissociar o que &eacute; da ordem dos sentimentos e o que &eacute; da ordem da raz&atilde;o pr&aacute;tica &#40;Rodrigues e Braga, 1998&#41;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ent&atilde;o, as formas de lidar com a morte foram se modificando ao longo do tempo. Atualmente, s&atilde;o diversos os estudos sobre a rela&ccedil;&atilde;o das pessoas com a morte, enfocando os processos de luto. Alguns autores questionam padr&otilde;es assumidos como de luto normal, considerando dif&iacute;cil a defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; patol&oacute;gico, uma vez que n&atilde;o se sabe ao certo que rea&ccedil;&otilde;es frente &agrave; morte podem ser consideradas normais. Para Hogan, Greenfield e Schmidt &#40;2001&#41;, a falta de entendimento do luto normal est&aacute; relacionada &agrave; escassez de instrumentos de estudo da trajet&oacute;ria do luto e seus elementos. Lin e Lasker &#40;1996&#41; desenvolveram um estudo longitudinal que buscou alguns padr&otilde;es de evolu&ccedil;&atilde;o do luto ap&oacute;s a perda na gesta&ccedil;&atilde;o, acompanhando pais e m&atilde;es durante dois anos. As autoras conclu&iacute;ram que o processo de luto &eacute; mais complicado do que o descrito na literatura, sendo impreciso concluir que a maior parte das pessoas segue uma trajet&oacute;ria normal de luto ap&oacute;s perdas deste tipo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Existem teorias a respeito do enlutamento, no entanto, que focalizam as fases observ&aacute;veis do luto. O choque seria, conforme essas teorias, a primeira resposta &agrave; morte de uma pessoa &#40;K&uuml;bler-Ross,1992; Lin e Lasker, 1996&#41;. Ele constitui-se em uma rea&ccedil;&atilde;o imediata, sendo seguida por uma fase controlada, na qual o enlutado se encontra cercado de parentes e amigos. &Eacute; nesse momento que todos os arranjos precisam ser feitos: vel&oacute;rio, capela, sepultamento, pertences pessoais, etc. &#40;Pincus, 1989&#41;. Juntamente a esse momento inicial, aparece a nega&ccedil;&atilde;o da morte, em que o enlutado sente dificuldade em acreditar que tudo realmente est&aacute; acontecendo, que n&atilde;o &eacute; um engano &#40;Lin e Lasker,1996; Stedeford, 1986&#41;. A nega&ccedil;&atilde;o proporciona a chance de entrar em contato com not&iacute;cias inesperadas e chocantes de forma gradativa, para, com o tempo mobilizar medidas menos radicais &#40;K&uuml;bler-Ross,1992&#41;. A dor e a afli&ccedil;&atilde;o reais fazem-se sentir quando termina a fase controlada e come&ccedil;a a tarefa de testar a realidade, submetendo-se &agrave; nova situa&ccedil;&atilde;o e ao doloroso exerc&iacute;cio de afastar-se internamente da pessoa desaparecida. &Eacute; ent&atilde;o que o enlutado se sente perdido e abandonado e tenta desenvolver defesas contra as agonias da dor, j&aacute; que a raiva aparece como um sentimento muito forte neste instante &#40;Bowlby, 1973/1998; Stedeford, 1986&#41;. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se considerar o sentimento de tristeza como a pr&oacute;xima fase do luto, pois ela &eacute; uma rea&ccedil;&atilde;o universal, quase autom&aacute;tica frente &agrave; realidade da perda. Os sintomas depressivos ficam bastante presentes nesta fase &#40;K&uuml;bler-Ross, 1992&#41;. Essa etapa pode prolongar-se por muito tempo. A maioria das pessoas busca ainda, mesmo que na lembran&ccedil;a, aquele que faleceu e pode expressar isso por meio de um comportamento agitado, tens&atilde;o e perda de interesse por tudo o que n&atilde;o esteja relacionado ao falecido. Esses sintomas diminuem, quando, pouco a pouco, a realidade da perda pode ser aceita e a pessoa, muito lentamente, reconstr&oacute;i seu mundo interno &#40;Pincus, 1989&#41;. &Agrave; medida que o enlutado fica mais relaxado, diminuindo a tens&atilde;o, a frustra&ccedil;&atilde;o e a dor, pode-se encontrar um sentido para os acontecimentos dolorosos da vida. Seria, ent&atilde;o, descoberta a fase final da elabora&ccedil;&atilde;o do luto normal, a qual pode ser denominada como a fase de aceita&ccedil;&atilde;o &#40;K&uuml;bler-Ross, 1992; Pincus, 1989&#41;. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um subtema importante, ao se estudar a morte e o luto, &eacute; a quest&atilde;o referente a perdas na gesta&ccedil;&atilde;o. Pelo menos 15&#37; das gesta&ccedil;&otilde;es que se sabe terminam em perda, sendo que a maioria delas ocorre nos primeiros tr&ecirc;s meses de gravidez &#40;Engelherd, Hout e Arntz, 2001&#41;. Lee e Slade &#40;1996&#41; propuseram que estes &iacute;ndices chegam a oscilar entre 12 e 24&#37;. Paton, Wood, Bor e Nitsun &#40;1999&#41; afirmam que uma em cada cinco gesta&ccedil;&otilde;es tem este fim. Fetos eliminados at&eacute; a 20&ordf; semana de gesta&ccedil;&atilde;o constituem-se em perdas fetais precoces, os expulsos ou extra&iacute;dos entre a 20&ordf; e 27&ordf; semanas s&atilde;o perdas intermedi&aacute;rias, sendo que todas essas perdas s&atilde;o denominadas aborto &#40;Vianna, 1996&#41;. Hunfeld, Wladimiroff e Passchier &#40;1997&#41; consideram como perda tardia aquelas ocorridas a partir da 24&ordf; semana de gesta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns estudos foram dedicados a verificar a sa&uacute;de ps&iacute;quica das mulheres v&iacute;timas de perdas gestacionais. O risco de aparecerem sintomas depressivos, ansiedade ou p&acirc;nico &eacute; relativamente grande, principalmente alguns meses ap&oacute;s a perda &#40;Burgoine, Vankirk, Romm, Edelman, Jacobson e Jensen, 2005&#41;. Entre 30 e 50&#37; destas pacientes desenvolvem sintomas severos de depress&atilde;o seis meses ap&oacute;s a morte de seus beb&ecirc;s &#40;Janssen, Cuisinier, Hoogduin e Graauw, 1996&#41;. Al&eacute;m disso, a hist&oacute;ria pr&eacute;via de perda e quanto mais cedo for a experi&ecirc;ncia de perda &eacute; maior este risco &#40;Lin e Lasker, 1996&#41;, bem como quanto maior for a idade gestacional &#40;Janssen et al., 1997&#41;. Adolescentes que experienciam perda precoce na gravidez t&ecirc;m um risco significativo de desenvolverem depress&atilde;o, apresentando manifesta&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas, emocionais, sociais e cognitivas &#40;Wheeler e Austin, 2001&#41;. </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir de uma revis&atilde;o de literatura, Lee e Slade &#40;1996&#41; detectaram que a ocorr&ecirc;ncia de sintomas depressivos em mulheres p&oacute;s-aborto &eacute; quatro vezes maior do que na popula&ccedil;&atilde;o geral. Com o passar dos meses, esses sintomas tendem a diminuir, sendo que, ao final de um ano, podem reincidir. Na amostra estudada por Klock, Chang, Hiley e Hill &#40;1997&#41;, composta por mulheres v&iacute;timas de perdas recorrentes, tr&ecirc;s perdas ou mais, o &iacute;ndice de depress&atilde;o foi duas vezes maior do que na popula&ccedil;&atilde;o geral. Os autores demonstraram, ainda, que a ansiedade &eacute; um fator psicol&oacute;gico importante, na medida em que sua presen&ccedil;a pode aumentar a chance de novas perdas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A perda do filho durante a gesta&ccedil;&atilde;o traz rea&ccedil;&otilde;es diversas, comumente muito sofridas. Aparece uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o da auto-imagem, por parte da mulher, pelo sentimento de que seu corpo n&atilde;o p&ocirc;de funcionar adequadamente durante a gesta&ccedil;&atilde;o ou pela cren&ccedil;a de que n&atilde;o &eacute; capaz de desempenhar seu papel biol&oacute;gico e conjugal &#40;Stirtzinger, Robinson e Stewart, 1999&#41;. Pais cujas companheiras sofreram aborto tamb&eacute;m mencionam o sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o pela impossibilidade de exercer a fun&ccedil;&atilde;o paterna &#40;Rodrigues e Hogo, 2005&#41;. Al&eacute;m disso, &eacute; freq&uuml;ente nas mulheres a presen&ccedil;a do sentimento de culpa, tristeza e raiva &#40;Boemer e Mariutti, 2003; Engelherd et al., 2001; Nery, Monteiro, Luz e Criz&oacute;stomo, 2006&#41;. As mulheres podem, tamb&eacute;m, fazer a liga&ccedil;&atilde;o entre a morte do beb&ecirc; e a perda de outro membro da fam&iacute;lia. O abortamento representa a perda de uma gesta&ccedil;&atilde;o, de um beb&ecirc; ou futuro filho, da maternidade, de parte de si mesma e de sua auto-estima &#40;Lee e Slade, 1996; Nery, Monteiro, Luz e Criz&oacute;stomo, 2006&#41;. Essas situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o peculiares, na medida em que se trata de um enlutamento, n&atilde;o por algu&eacute;m consciente e objetivamente conhecido, mas por um beb&ecirc; imagin&aacute;rio, que j&aacute; vinha formando v&iacute;nculos antes mesmo de nascer &#40;Benute, Nomura, Lucia e Zugaib, 2006; Hunfeld, Wladimiroff e Passchier, 1997&#41;. Al&eacute;m disso, esta situa&ccedil;&atilde;o pode afetar os sentimentos dos pais com rela&ccedil;&atilde;o a poss&iacute;veis novas gesta&ccedil;&otilde;es &#40;Bowlby, 1973/1998&#41;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por todos estes fatores, muitas mulheres expressam um forte desejo de obter informa&ccedil;&otilde;es a respeito das raz&otilde;es do fracasso de sua gesta&ccedil;&atilde;o, como uma forma, talvez, de buscar explica&ccedil;&otilde;es e um certo al&iacute;vio &#40;Nikcevic, Kuczmierczyk, Tunkel e Nicolaides, 2000&#41;. Infelizmente, segundo Conway e Russell &#40;2000&#41;, apenas 34&#37; das m&atilde;es e 29&#37; dos pais recebem explica&ccedil;&otilde;es sobre os poss&iacute;veis motivos da perda. Em um estudo realizado por Paton et al. &#40;1999&#41;, mulheres que sofreram perdas na gesta&ccedil;&atilde;o foram solicitadas a avaliar o servi&ccedil;o de sa&uacute;de recebido. Dentre diversos fatores, o &uacute;nico grau significativo de insatisfa&ccedil;&atilde;o, percebido pelas mulheres, se deu em rela&ccedil;&atilde;o a dois aspectos: quanto &agrave; explica&ccedil;&atilde;o que receberam sobre as causas de sua perda e quanto ao acompanhamento recebido pela equipe. Para os autores, esses resultados demonstram que a amostra de mulheres estudadas estava denunciando uma falta de preocupa&ccedil;&atilde;o com os seus sentimentos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vivenciar o luto por este tipo de perda &eacute; um desafio importante para as mulheres, levando em conta que a perda de um filho &eacute; uma das perdas mais dif&iacute;ceis de serem elaboradas &#40;Van, 2001&#41;. Em seu estudo, Van investigou as poss&iacute;veis formas de enfrentamento em situa&ccedil;&otilde;es como estas. Uma das estrat&eacute;gias nomeadas pela autora &eacute; a tentativa de &ldquo;deixar de lado&rdquo;, procurar n&atilde;o pensar no que aconteceu. Esta estrat&eacute;gia aparece quando as pessoas ao redor est&atilde;o com dificuldade para suportar o sofrimento da mulher e, de alguma forma, demonstram isso. Al&eacute;m disso, pode ser uma tentativa, por parte da mulher, de n&atilde;o evocar a dor e o sofrimento. Outra estrat&eacute;gia poss&iacute;vel &eacute; a de acreditar que a perda &ldquo;tem um prop&oacute;sito&rdquo;. Nesses casos, as mulheres ligam a perda com suas hist&oacute;rias de vida, buscando um motivo por que est&atilde;o vivendo o aborto, comumente referindo aprendizado. Tamb&eacute;m pode acontecer com mulheres que enfocam o fato de terem tido a oportunidade de vivenciar a experi&ecirc;ncia de gravidez, mesmo que o beb&ecirc; n&atilde;o tenha nascido vivo. Essa &eacute;, ent&atilde;o, uma forma de provar sua fertilidade. Ainda, pode surgir a cren&ccedil;a de que &ldquo;o beb&ecirc; est&aacute; bem. Est&aacute; em um bom lugar&rdquo;. Essa estrat&eacute;gia de enfrentamento baseia-se, geralmente, na religi&atilde;o ou na espiritualidade. A mulher busca conforto na id&eacute;ia de que existe vida ap&oacute;s a morte. N&atilde;o &eacute; raro estas mulheres sonharem com seus filhos, ouvindo-os dizer que est&atilde;o bem. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bowlby &#40;1973/1998&#41; acrescenta que &eacute; de extrema import&acirc;ncia que os pais possam ter contato com o beb&ecirc; falecido ap&oacute;s o nascimento. Para o autor, os pais &ldquo;<i>devem estar junto dele &#91;do beb&ecirc;&#93; quando morre. Depois de morto, devem ser estimulados a v&ecirc;-lo, toc&aacute;-lo e segur&aacute;-lo</i>&rdquo; &#40;p. 127&#41;. Essa recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; feita, j&aacute; que o contato far&aacute; com que se conectem com a realidade, o que auxilia no processo de luto. A freq&uuml;ente atitude de afastar os pais da situa&ccedil;&atilde;o de morte aumenta os problemas emocionais enfrentados no per&iacute;odo subseq&uuml;ente &agrave; alta hospitalar. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A elabora&ccedil;&atilde;o do luto por perda gestacional &eacute; um desafio a mais, ao se levar em conta que existe uma lacuna social no que se refere &agrave; rede de apoio a essas pessoas &#40;Bowlby, 1973/1998&#41;. O apoio dos familiares, nesta hora, &eacute; fundamental &#40;Conway e Russell, 2000&#41;. Por&eacute;m, a sociedade, em sua tentativa de n&atilde;o lidar com a morte, tem uma dificuldade especial com a perda de beb&ecirc;s. Desta forma, nem sempre proporciona o apoio adequado. Al&eacute;m da perda, a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de hospitaliza&ccedil;&atilde;o e a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica do parto podem potencializar a experi&ecirc;ncia traumatizante &#40;Angerami-Camon, 1994&#41;. A equipe de sa&uacute;de, em alguns casos, n&atilde;o est&aacute; preparada para lidar com estas situa&ccedil;&otilde;es, de modo que alguns membros o fazem de maneira mais adequada do que outros, j&aacute; que isso poder&aacute; depender da compaix&atilde;o e de caracter&iacute;sticas pessoais de cada um &#40;Gon&ccedil;alves, 2001&#41;. Essa falta de habilidade para lidar com as emo&ccedil;&otilde;es e o sofrimento, muitas vezes, faz com que o tempo de perman&ecirc;ncia destas m&atilde;es no hospital seja menor do que o indicado. Estas dificuldades traduzem-se tamb&eacute;m na percep&ccedil;&atilde;o das pacientes de que n&atilde;o foram tratadas com muita seriedade e que seus casos n&atilde;o foram considerados como uma emerg&ecirc;ncia. Elas revelam o sentimento de que a equipe de sa&uacute;de n&atilde;o considera os casos de perda na gesta&ccedil;&atilde;o como importantes &#40;Lee e Slade, 1996&#41;. E, ainda, vivem o tempo de hospitaliza&ccedil;&atilde;o como um tempo de muito sofrimento, dificultando esquecer o que lhes ocorreu &#40;Boemer e Mariutti, 2003&#41;. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com base nestas informa&ccedil;&otilde;es, buscou-se sistematizar os dados trazidos por mulheres v&iacute;timas de perdas na gesta&ccedil;&atilde;o, entrevistadas at&eacute; 48 horas ap&oacute;s a perda, durante a interna&ccedil;&atilde;o hospitalar. Este estudo teve como objetivos: 1&#41; identificar, com base no relato das pacientes, quais os principais aspectos a serem enfrentados por elas no momento imediato &agrave; perda gestacional; e 2&#41; a partir de cada aspecto identificado, refletir sobre a conduta do profissional da &aacute;rea da Psicologia nessas situa&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&Eacute;TODO </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Participantes </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Participaram deste estudo 12 mulheres internadas em alojamento conjunto da maternidade de um hospital de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no ano de 2000. Todas tinham sido internadas por perda gestacional tardia &#40;tempo m&eacute;dio de gesta&ccedil;&atilde;o 28 semanas&#41; e tinham entre 20 e 39 anos. Considerou-se perda gestacional tardia aquela ocorrida ap&oacute;s a 24&ordf; semana gestacional, conforme Hunfeld, Wladimiroff e Passchier &#40;1997&#41;. Cinco participantes estavam na sua primeira gesta&ccedil;&atilde;o, quatro j&aacute; tinham tido uma gesta&ccedil;&atilde;o anterior, duas estavam na terceira gesta&ccedil;&atilde;o e uma delas tinha tido cinco gesta&ccedil;&otilde;es anteriores. Nenhuma teve experi&ecirc;ncia de perda gestacional anteriormente. Todas eram de n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico baixo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Delineamento e procedimento </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Utilizou-se o delineamento de estudo de casos coletivo &#40;Stake, 1994&#41;, em que se buscou, a partir da an&aacute;lise de cada caso, identificar as similaridades e as particularidades no grupo estudado. Todas as mulheres v&iacute;timas de perda gestacional internadas no hospital eram avaliadas pelos profissionais da Psicologia e encaminhadas para atendimento sistem&aacute;tico, quando identificada a necessidade. A avalia&ccedil;&atilde;o era composta por uma ou mais entrevistas com as pacientes no dia posterior ao parto. Para o presente estudo, utilizou-se a primeira entrevista de avalia&ccedil;&atilde;o com as mulheres que preencheram o crit&eacute;rio de perda gestacional tardia no per&iacute;odo de setembro a dezembro de 2000. Com cada uma, foi realizada uma entrevista individual, semi-dirigida, com o objetivo de identificar os aspectos a serem enfrentados por elas nesse momento imediato &agrave; perda. Quando havia familiares, estes eram ouvidos, junto &agrave; paciente, ap&oacute;s a entrevista desta. As entrevistas foram gravadas em fita cassete. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todas as mulheres deram seu consentimento para a participa&ccedil;&atilde;o no estudo. A todas foi ressaltado o direito de n&atilde;o participarem ou de retirarem seu consentimento a qualquer momento, sem qualquer preju&iacute;zo quanto ao atendimento de sa&uacute;de. Da mesma forma, foram observados os procedimentos &eacute;ticos junto ao hospital para a realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas. Nenhuma participante foi exposta a riscos em fun&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o no estudo. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Instrumento </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entrevista sobre a experi&ecirc;ncia de perda gestacional tardia: trata-se de uma entrevista semi-estruturada, que buscou identificar os aspectos a serem enfrentados por mulheres nos momentos imediatos &agrave; perda gestacional tardia. A entrevista foi composta por cinco quest&otilde;es, que foram utilizadas para facilitar que as participantes falassem livremente sobre seus sentimentos: Como voc&ecirc; est&aacute; se sentindo? Como est&aacute; sendo para voc&ecirc; a experi&ecirc;ncia de perder seu beb&ecirc;? Algu&eacute;m tem ajudado voc&ecirc; nesse momento? O que voc&ecirc; tem tido que enfrentar, ap&oacute;s a morte do beb&ecirc;? Como voc&ecirc; se sente em rela&ccedil;&atilde;o a isso? A entrevista teve dura&ccedil;&atilde;o de aproximadamente uma hora. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s a leitura exaustiva do material das entrevistas, procedeu-se &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do &#40;Bardin, 1977; Lavile e Dione, 1999&#41;, em que se identificaram a posteriori as seguintes categorias: a&#41; necessidade de lidar com a morte e com o luto; b&#41; lidar com procedimentos &– sepultamento, atestado de &oacute;bito, etc.; c&#41; decis&atilde;o quanto a ter ou n&atilde;o contato com o beb&ecirc; morto; d&#41; conflito sobre tomar decis&otilde;es quanto a ter ou n&atilde;o mais filhos; e&#41; ambival&ecirc;ncia frente &agrave; alta hospitalar; f&#41; import&acirc;ncia da presen&ccedil;a de familiares ao longo do processo da perda. Essas categorias expressam os aspectos que, na vis&atilde;o das pacientes internadas, devem ser enfrentados por elas no momento imediato &agrave; perda de seu&#40;sua&#41; filho&#40;a&#41; na gesta&ccedil;&atilde;o. Tais categorias ser&atilde;o apresentadas discutidas a seguir, juntamente com a reflex&atilde;o sobre a postura do profissional psic&oacute;logo nessas situa&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>A necessidade de lidar com a morte e com o luto </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lidar com a perda e enfrentar o luto &eacute; uma das principais tarefas para estas mulheres. De alguma forma, todas expressaram isso. No grupo estudado, apareceu fortemente o medo da depress&atilde;o. E isso ficou claro em algumas falas: &ldquo;<i>Estava tudo normal... Eu estou tentando n&atilde;o me desesperar. Eu j&aacute; chorei muito... n&atilde;o quero cair em depress&atilde;o. Quero ser forte para enfrentar tudo isso &#40;G&#41;&rdquo;. &ldquo;Tenho medo do que pode acontecer com ela... que tenha uma depress&atilde;o. N&atilde;o sei como agir ou o que dizer&rdquo; &#40;marido da participante A&#41;</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fase inicial do luto tamb&eacute;m ficou evidente: &ldquo;<i>Estou feliz por estar viva. Eu nunca estive t&atilde;o perto da morte como agora. Acho que &eacute; por isso que eu n&atilde;o estou vendo tudo isso como t&atilde;o s&eacute;rio &#40;participante D&#41;</i>&rdquo;;.&ldquo;<i>N&atilde;o consigo me conformar... isso n&atilde;o pode estar acontecendo&rdquo; &#40;participante L&#41;</i>. &ldquo;<i>Pelo amor de Deus, me diz que &eacute; mentira. Diz que ele est&aacute; dormindo, que trocaram. Me diz que voc&ecirc;s estavam brincando... porque eu n&atilde;o vou ag&uuml;entar &#40;participante C&#41;</i>&rdquo;. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos relatos, ficou evidente o sofrimento intenso gerado pela perda do beb&ecirc; durante a gesta&ccedil;&atilde;o, o que tamb&eacute;m tem sido apresentado pela literatura &#40;Boemer e Mariutti, 2003; Nery et al., 2006; Van, 2001&#41;. Refer&ecirc;ncias &agrave; depress&atilde;o tamb&eacute;m se fizeram evidentes, indicando inclusive o conhecimento de que o risco de depress&atilde;o nesses momentos pode ser elevado &#40;Burgoine et al., 2005; Janssen et al., 1996; Klock et al., 1997; Lee e Slade, 1996&#41;. Al&eacute;m disso, os relatos demonstram tamb&eacute;m que as participantes estavam vivenciando o luto pela perda do beb&ecirc;, com verbaliza&ccedil;&otilde;es em que se identificavam as fases de choque e nega&ccedil;&atilde;o &#40;K&uuml;bler-Ross, 1992; Lin e Lasker, 1996; Pincus, 1989; Stedeford, 1986&#41;. As demais fases do luto, como raiva e aceita&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o ficaram evidentes, principalmente porque, em se tratando do momento imediato &agrave; perda, provavelmente, ainda n&atilde;o estavam presentes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>O lidar com procedimentos &– sepultamento, atestado de &oacute;bito, etc.</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este &eacute; o momento em que se come&ccedil;a, objetivamente, a lidar com a morte do beb&ecirc;, j&aacute; que existem decis&otilde;es e atitudes a serem tomadas. Algumas vezes, a fam&iacute;lia n&atilde;o tinha ainda se dado conta de que teria que organizar um funeral, explicando que n&atilde;o tinham parado para pensar sobre onde teria ficado o corpo do beb&ecirc; depois do nascimento. &ldquo;<i>Eu n&atilde;o sabia que tinha que enterrar... a minha m&atilde;e vai ver isso para mim&rdquo; &#40;D&#41;</i>. Identificou-se tamb&eacute;m que nem sempre est&aacute; claro para as mulheres seu desejo de participar ou n&atilde;o dos procedimentos relacionados &agrave; morte, como no exemplo: <i>&ldquo;Um lado de mim queria estar l&aacute; no enterro e outro n&atilde;o. Eu queria ver e participar, mas acho que ia me fazer muito mal... Eu j&aacute; vi quando ela nasceu, j&aacute; me despedi&rdquo; &#40;F&#41;</i>. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A equipe deve explicar que a perda tardia do beb&ecirc; &eacute; como a perda de qualquer pessoa da fam&iacute;lia, que ter&aacute; vel&oacute;rio, caix&atilde;o e sepultamento. A partir da&iacute;, passa a ficar mais presente a quest&atilde;o do luto e a percep&ccedil;&atilde;o de que, mesmo sendo prematuro, o beb&ecirc; j&aacute; se constitu&iacute;a como um membro da fam&iacute;lia. Todo esse envolvimento, de maneira concreta e objetiva &– de providenciar documentos, ir ao cart&oacute;rio, funer&aacute;ria, autorizar necr&oacute;psia, etc. &– pode servir para &ldquo;organizar o sofrimento&rdquo;. S&atilde;o tarefas estruturadas, ligadas &agrave; perda do beb&ecirc;, em meio a uma desordem quase completa de sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es. &Eacute; preciso considerar que se trata da perda de algu&eacute;m que estava ainda iniciando sua identidade enquanto membro da fam&iacute;lia, criando a sua imagem como um ser &ldquo;real&rdquo; &#40;Hunfeld, Wladimiroff e Passchier, 1997&#41;. Mesmo para as mulheres que, pela fragilidade f&iacute;sica ou emocional, n&atilde;o se envolvem com tais procedimentos, &eacute; de alguma valia participarem passivamente em todo o processo. Al&eacute;m disso, apesar da presen&ccedil;a de ambival&ecirc;ncia, &eacute; indicado que elas pr&oacute;prias tomem suas decis&otilde;es. </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>A decis&atilde;o quanto a ter ou n&atilde;o contato com o beb&ecirc; morto</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro aspecto bastante presente no momento da perda &eacute; a possibilidade de a mulher conhecer ou n&atilde;o seu filho, mesmo que este n&atilde;o esteja mais vivo. No presente estudo, isso ficou evidente, j&aacute; que algumas fizeram men&ccedil;&atilde;o ao momento em que se encontraram com os beb&ecirc;s falecidos: &ldquo;<i>Eu quis ver... eu ia ficar pensando como ser&aacute; que ela era. Eu n&atilde;o sei explicar... mas eu me sinto bem melhor de ter visto&rdquo; &#40;F&#41;</i>. Tamb&eacute;m foram relatadas as percep&ccedil;&otilde;es no momento do contato, mostrando que algumas mulheres tinham a fantasia de que seus filhos eram muito feios ou malformados &ldquo;<i>Eu vi. Ela era bem gordinha!&rdquo; &#40;E&#41;</i>. <i>&ldquo;Na hora do parto, eles ficaram com medo de me mostrar a minha filha. Perguntaram se eu estava preparada. Eu disse que sim e vi. Ela era bem normal. Achei bem parecida com a irm&atilde; dela. Era bem cabeludinha&rdquo; &#40;D&#41;</i>. De qualquer forma, querer ver o beb&ecirc; &eacute; uma decis&atilde;o que, para algumas mulheres, traz algumas d&uacute;vidas. Duas participantes decidiram n&atilde;o ver seus beb&ecirc;s falecidos. Questionada sobre se tinha visto seu filho, a participante G disse: &ldquo;<i>Na hora, eu disse que n&atilde;o queria ver. Eu tentei me preservar, mas eu sei que tem o lado positivo de olhar... Eu n&atilde;o sei o que seria melhor...&rdquo;. &ldquo;Eu achei melhor n&atilde;o ver. Era melhor para mim n&atilde;o ficar com aquela imagem na cabe&ccedil;a. Ele era muito pequeno e feio. Eu acho que foi bem melhor n&atilde;o ter visto&rdquo; &#40;B&#41;</i>. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freq&uuml;entemente, a equipe estimula as m&atilde;es a verem seus filhos ou at&eacute; que os toquem, no momento do nascimento. Raramente elas se negam a isso. De uma forma geral, ter o contato com o beb&ecirc; pode auxiliar no processo de luto, conforme explicitado por Bowlby &#40;1998/1973&#41;. O contato ajuda a mulher a acreditar que tudo que est&aacute; vivendo &eacute; real, o que facilita uma futura aceita&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m nem sempre este &eacute; o melhor momento para uma despedida, pois como elas mesmas mencionam, tudo acontece muito r&aacute;pido e as dores f&iacute;sicas do parto fazem com que percam um pouco a no&ccedil;&atilde;o do que se passa. Assim, &agrave;s vezes, &eacute; necess&aacute;rio mais um contato, para que elas possam se despedir. Este espa&ccedil;o, em geral, &eacute; proporcionado pelo profissional da Psicologia, quando elas podem estar novamente com o beb&ecirc; falecido, verbalizar suas d&uacute;vidas e desejos, o que pode ser crucial para o desenvolvimento mais saud&aacute;vel do luto. As emo&ccedil;&otilde;es, neste encontro, s&atilde;o muito intensas, porque envolvem muito sofrimento. De qualquer forma, s&atilde;o momentos importantes, pois se trata da &uacute;ltima vez que m&atilde;e e filho ter&atilde;o contato. &Eacute; importante para essas pacientes conhecerem as fei&ccedil;&otilde;es de seu beb&ecirc; e verificarem que eles t&ecirc;m um formato normal e que n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o assustadores como normalmente imaginaram. O fato de n&atilde;o terem tido capacidade de gerar um filho saud&aacute;vel ataca a auto-estima &#40;Lee e Slade, 1996; Stirtzingern, Robison e Stewart, 1999&#41; e pode criar, no imagin&aacute;rio feminino, a figura de um beb&ecirc; muito feio e deformado. Algumas vezes, de fato, o beb&ecirc; tinha malforma&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m as m&atilde;es costumam construir em suas cabe&ccedil;as imagens muito aterrorizantes, o que ficou evidente no estudo. A postura do profissional, nestes momentos, &eacute; a de simplesmente permanecer junto, como uma presen&ccedil;a de apoio, respeitando as rea&ccedil;&otilde;es da mulher e auxiliando para que as expresse. Os familiares mais pr&oacute;ximos tamb&eacute;m podem ser convidados a ter contato com o beb&ecirc;, geralmente o pai e os av&oacute;s, j&aacute; que todos precisam elaborar o luto. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>O conflito sobre tomar decis&otilde;es quanto a ter ou n&atilde;o mais filhos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pensar sobre futuras gesta&ccedil;&otilde;es parece ser algo comum entre as participantes. Mesmo que elas n&atilde;o tenham sido questionadas sobre planos quanto a ter ou n&atilde;o outros filhos, esse tema se fez bastante presente: <i>&ldquo;Durante esses dias, eu pensava que nunca mais ia querer ter filhos. Agora eu j&aacute; n&atilde;o sei mais. Acho que eu at&eacute; poderia tentar de novo&rdquo; &#40;G&#41;. &ldquo;Eu n&atilde;o posso ser m&atilde;e. N&atilde;o quero mais nem pensar nisso&rdquo; &#40;D&#41;. &ldquo;Eu n&atilde;o quero nem pensar em ficar gr&aacute;vida de novo. J&aacute; pensou se isso acontece outra vez?&rdquo; &#40;B&#41;</i>. Da mesma forma, os familiares trouxeram estas quest&otilde;es: <i>&ldquo;Os meus familiares dizem que n&oacute;s vamos poder ter mais filhos logo, logo. Eu j&aacute; expliquei para eles que eu tenho que acalmar primeiro a minha cabe&ccedil;a, para depois eu ver sobre ter mais filhos. Eu n&atilde;o consigo pensar em nada agora. N&atilde;o &eacute; momento para isso&rdquo; &#40;F&#41;. Porque engravidar agora seria para tentar substituir a minha filha.. E isso n&atilde;o est&aacute; certo...&rdquo; &#40;participante G&#41;</i>. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A literatura corrobora esses achados, mencionando que logo ap&oacute;s a perda, tanto a mulher como seus familiares costumam se questionar sobre futuras gesta&ccedil;&otilde;es &#40;Bowlby, 1973/1998&#41;. Ao profissional, &eacute; indicado auxiliar a mulher e a fam&iacute;lia para que n&atilde;o fujam do enfrentamento da situa&ccedil;&atilde;o a partir de decis&otilde;es definitivas, j&aacute; que a situa&ccedil;&atilde;o de perda &eacute; &uacute;nica e o filho que foi perdido, insubstitu&iacute;vel. Nesse momento de instabilidade emocional, o mais indicado seria o casal evitar tomar decis&otilde;es importantes e decisivas. &Eacute; comum determinarem que n&atilde;o ter&atilde;o mais filhos, j&aacute; que n&atilde;o querem correr o risco de sofrer novamente. Outras vezes, pensam que uma outra gravidez logo em seguida resolveria o problema. &Eacute; importante ter paci&ecirc;ncia para enfrentar a situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil, deixando que, com o aux&iacute;lio do tempo, se encontre o melhor caminho a seguir.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ambival&ecirc;ncia frente &agrave; alta hospitalar</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voltar para a casa e para a fam&iacute;lia, segundo as participantes, &eacute; um tema bastante presente no momento imediato &agrave; perda. Em alguns momentos, poder retornar ao lar e &agrave; rotina parece ser o apoio e a possibilidade de se sentir melhor: <i>&ldquo;Eu estou com um pouco de falta de ar... Quanto ser&aacute; que falta para eu ir embora? Demora muito a recupera&ccedil;&atilde;o?&rdquo;</i> &#40;M&#41;.; <i>&ldquo;O pior de tudo &eacute; ter que ficar aqui sem ter nada. Quando vem a m&eacute;dica?&rdquo;</i> &#40;participante H&#41;. No hospital, todo o contexto pode gerar sofrimento: <i>&ldquo;Para mim est&aacute; sendo muito dif&iacute;cil. &Eacute; ruim ficar aqui neste quarto cheio de choros de beb&ecirc;. &Eacute; por isso que eu tenho estes fones de ouvido e as minhas revistas. Eu quero me distrair o m&aacute;ximo poss&iacute;vel&rdquo;</i> &#40;G&#41;. Em outros momentos, ir para casa pode parecer muito sofrido: <i>&ldquo;Ir para casa &eacute; que vai ser o mais dif&iacute;cil. Eu n&atilde;o vou suportar ver todas as roupinhas... E tamb&eacute;m tem os vizinhos... eu vou ter que ficar repetindo tudo... vou ter que dizer que ela morreu... &#40;come&ccedil;a a chorar&#41;&rdquo;</i> &#40;G&#41;. <i>&ldquo;Vai ser dif&iacute;cil de voltar para casa, porque vai ser diferente do que n&oacute;s est&aacute;vamos esperando. Os planos mudaram completamente&rdquo;</i> &#40;F&#41;. Ainda, o conflito de id&eacute;ias apareceu com certa evid&ecirc;ncia: <i>&ldquo;Eu n&atilde;o vejo a hora de ir embora para casa. Eu n&atilde;o ag&uuml;ento mais ficar aqui. Eu s&oacute; n&atilde;o sei como vai ser para chegar em casa... mas eu quero ir embora... mas chegar em casa...&rdquo;</i> &#40;A&#41;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao mesmo tempo, que voltar para casa pode representar maior seguran&ccedil;a e apoio, significa confrontar as expectativas anteriores quanto ao filho e &agrave; realidade da perda que se instituiu. O mesmo espa&ccedil;o que serviu para se preparar para receber algu&eacute;m servir&aacute; para desconstruir tais expectativas e realizar o luto. Com base nisso, &eacute; justific&aacute;vel a presen&ccedil;a da ambival&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, a perda na gesta&ccedil;&atilde;o pode representar para a mulher n&atilde;o s&oacute; a perda do futuro filho, mas a perda de parte de si mesma e de sua auto-estima &#40;Lee e Slade, 1996&#41;. Isto tamb&eacute;m propicia uma necessidade de recolhimento e a vontade de n&atilde;o precisar compartilhar com os demais sua situa&ccedil;&atilde;o. Em um momento de choque e nega&ccedil;&atilde;o &#40;K&uuml;bler-Ross, 1992; Lin e Lasker, 1996; Pincus, 1989; Stedeford, 1986&#41;, ficar no hospital desperta um sentimento aversivo. &Eacute; assim que o hospital fere por exigir a conviv&ecirc;ncia com as demais pu&eacute;rperas e seus beb&ecirc;s, e a volta para casa fere por exigir a conviv&ecirc;ncia com tudo o que estava preparado, esperando pelo beb&ecirc; que n&atilde;o mais vir&aacute;. Nessa hora, a necessidade de acolhimento por parte da rede de apoio se potencializa &#40;Gon&ccedil;alves, 2001&#41;. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>A import&acirc;ncia da presen&ccedil;a de familiares ao longo do processo da perda</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao conversar com as mulheres, ficou bastante presente o tanto que a estas importa a presen&ccedil;a ou n&atilde;o de familiares neste momento dif&iacute;cil. &ldquo;<i>Eu quero a minha m&atilde;e e meu marido. Eu quero a minha fam&iacute;lia. Eu n&atilde;o ag&uuml;ento mais ficar aqui sozinha</i>&rdquo; &#40;C&#41;. &Eacute; not&oacute;ria a diferen&ccedil;a de estado emocional daquelas que recebem apoio familiar e daquelas que est&atilde;o sozinhas. Geralmente, elas afirmam que est&atilde;o conseguindo reagir, porque t&ecirc;m seus familiares por perto, auxiliando, sempre presentes nos hor&aacute;rios de visita. &ldquo;<i>A minha sorte &eacute; que eu tenho os meus parentes... Se n&atilde;o fossem eles, eu n&atilde;o ia ag&uuml;entar, eu ia desmoronar</i>&rdquo; &#40;F&#41;. Os familiares apareceram tamb&eacute;m como importantes para ajudar no processo de luto. A paciente L foi acompanhada, juntamente com seu marido e sua m&atilde;e, at&eacute; o beb&ecirc; falecido. Neste momento, n&atilde;o foi necess&aacute;ria qualquer interven&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que seus familiares estavam dando apoio e dizendo: <i>&ldquo;Olha bem a tua filha, ela n&atilde;o vai mais estar entre n&oacute;s. Temos que nos despedir. Deus quis assim. N&oacute;s vamos ter que aceitar. Este &eacute; o momento de darmos carinho para ela e nos despedirmos&rdquo;</i> &#40;m&atilde;e da participante L&#41;. O apoio do companheiro pode ser muito importante nesse momento, por&eacute;m nem sempre &eacute; esta a realidade: <i>&ldquo;A minha m&atilde;e est&aacute; me ajudando muito. Se n&atilde;o fosse por ela, eu n&atilde;o sei se eu teria ag&uuml;entado. O meu marido nos deixou ... n&atilde;o ag&uuml;entou e foi embora. Eu n&atilde;o consigo aceitar isso&rdquo;</i> &#40;I&#41;. </font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A presen&ccedil;a dos familiares desempenha um papel fundamental de apoio &agrave; mulher que perdeu seu filho. Poder contar com o aux&iacute;lio daqueles mais caros e pr&oacute;ximos &eacute; importante neste momento &#40;Conway e Russell, 2000&#41;. O pai do beb&ecirc; tem sido descrito como uma figura fundamental &#40;Rodrigues e Hogo, 2005&#41; Algumas vezes, cabe ao profissional simplesmente servir de apoio, para que a pr&oacute;pria fam&iacute;lia se ampare mutuamente, como no caso da participante L. &Eacute; importante conversar com as pacientes, investigar como est&aacute; se dando o seu contato com a fam&iacute;lia, procurando refor&ccedil;ar o apoio familiar. Tamb&eacute;m &eacute; importante conversar com o pai do beb&ecirc; falecido, para transmitir apoio e refor&ccedil;ar a uni&atilde;o do casal neste momento. O pai, em geral, tamb&eacute;m est&aacute; sofrendo bastante e, freq&uuml;entemente, ainda, temendo pela sa&uacute;de de sua esposa/companheira. &Eacute; necess&aacute;ria a uni&atilde;o do casal, para que se ap&oacute;iem mutuamente e encontrem for&ccedil;as para enfrentar a perda. Nos momentos em que falta essa proximidade, ent&atilde;o, o sofrimento costuma ser potencializado e podem surgir figuras substitutivas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A perda na gesta&ccedil;&atilde;o contraria o que se espera sobre o andamento do ciclo de vida. Conhecer os aspectos a serem enfrentados nestas situa&ccedil;&otilde;es traz a possibilidade de prestar um melhor aux&iacute;lio e acompanhamento, o que se constitui em a&ccedil;&atilde;o preventiva quanto ao desenvolvimento de dificuldades emocionais posteriores. O momento imediato &agrave; perda &eacute; repleto de fortes emo&ccedil;&otilde;es, exigindo da mulher e de sua fam&iacute;lia bastante for&ccedil;a e coragem. Da mesma forma, os profissionais da equipe de sa&uacute;de precisam saber manejar esses momentos, tanto no que se refere aos sentimentos dos pacientes frente ao fen&ocirc;meno da morte, como quanto aos seus pr&oacute;prios sentimentos. De alguma forma, todos se mobilizam, mas, enquanto que para os usu&aacute;rios pode ser leg&iacute;timo e esperado expressar a tristeza, para o corpo t&eacute;cnico tal manifesta&ccedil;&atilde;o nem sempre &eacute; encorajada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dias imediatos &agrave; perda parecem ser importantes para o desenvolvimento do luto. Conforme os dados encontrados, dar aten&ccedil;&atilde;o a alguns fatores pode auxiliar no enfrentamento das dificuldades e do sofrimento. Lidar com a morte &eacute; tarefa inevit&aacute;vel em situa&ccedil;&otilde;es como estas e, para isso, parece importante que a mulher possa participar de todo o processo, sempre com o apoio de uma equipe continente e com a proximidade de pessoas significativas. Este &eacute; um momento de choque que, mesmo n&atilde;o sendo a hora ideal para tomar decis&otilde;es, &eacute; a hora de entrar em contato com alguns procedimentos. &Eacute; importante que a mulher possa se apropriar da situa&ccedil;&atilde;o, ter consci&ecirc;ncia do que est&aacute; passando. A partir da&iacute;, poder&aacute; fazer escolhas, de acordo com seus pr&oacute;prios limites.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tendo em vista o presente estudo, &eacute; importante mencionar que existem limita&ccedil;&otilde;es a serem consideradas. A entrevista com um n&uacute;mero pequeno de mulheres possibilitou uma an&aacute;lise mais aprofundada de cada caso e, a partir da&iacute;, uma reflex&atilde;o sobre a postura do profissional de sa&uacute;de. Sugere-se que estudos com um n&uacute;mero maior de mulheres sejam realizados, a fim de identificar a presen&ccedil;a desses achados de maneira mais generalizada. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O acompanhamento de pacientes v&iacute;timas de perda gestacional &eacute; uma atividade extremamente mobilizante. Torna-se, de certa maneira, inevit&aacute;vel o contato com os pr&oacute;prios sentimentos. Cada mulher tem a sua maneira particular de vivenciar um luto deste tipo, o que ressalta a necessidade de o profissional saber respeitar a viv&ecirc;ncia do sofrimento de cada uma. Esse car&aacute;ter sofrido sensibiliza a quem atende e pode tornar dif&iacute;cil abordar temas como a dor e a morte. De qualquer forma, a partir do estudo, nota-se que &eacute; bastante importante que estes aspectos possam ser tratados com clareza e abertura por parte dos profissionais, em especial pelo representante da Psicologia. Geralmente, &eacute; produtivo falar sobre a morte com as pacientes de forma direta, por&eacute;m respeitosa, evitando demonstrar constrangimento. &Eacute; importante que elas se apropriem da situa&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o vivendo, que possam, em um primeiro momento, falar e aos poucos assimilar e aceitar. Isso se exemplifica na fala das pr&oacute;prias gestantes: <i>&ldquo;Eu me sinto bem assim, como estou conversando contigo. Me ajuda a me sentir melhor&rdquo;</i> &#40;G&#41;. Assim, vai sendo trazida a realidade e &eacute; dada a chance de a mulher e sua fam&iacute;lia se reestruturarem. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Angerami-Camon, V.A. &#40;1994&#41;. O Psic&oacute;logo no hospital. In: V. A. Angerami-Camon; F. A. R. Trucharte; R. B. Knijnik & R. W. Sebastiani &#40;Orgs.&#41;, <i>Psicologia hospitalar: Teoria e pr&aacute;tica</i>. &#40;pp. 15-28&#41;. S&atilde;o Paulo: Pioneira.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454482&pid=S0006-5943200700010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bardin, L. &#40;1977&#41;. <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es 70. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454483&pid=S0006-5943200700010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Benute, G.R.G.; Nomura, R.M.Y.; Lucia, M.C.S. & Zugaib, M. &#40;2006&#41;. Interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o diagn&oacute;stico de malforma&ccedil;&atilde;o fetal letal: aspectos emocionais. <i>Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia, 28</i> &#40;1&#41;, 10-17. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454484&pid=S0006-5943200700010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Boemer, M.R. & Mariutti, M.G. &#40;2003&#41;. A mulher em situa&ccedil;&atilde;o de abortamento: um enfoque existencial. <i>Revista da Escola de Enfermagem USP, 37</i> &#40;2&#41;, 59-71. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454485&pid=S0006-5943200700010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bowlby, J. &#40;1998&#41;. <i>Perda: tristeza e depress&atilde;o</i>. &#40;V. Dutra, trad.&#41;. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. &#40;Original publicado em 1973&#41;. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454486&pid=S0006-5943200700010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Burgoine, G.A.; Valkirk, S.D.; Romm, J.; Edelman, A.B.; Jacobson, S.L. & Jensen, </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J.T. &#40;2005&#41;. Comparison of perinatal grief after dilation and avacuation or labor induction in second trimester terminations for fetal anomalies. <i>American Journal of Obstetrics and Gynecology, 192</i> &#40;6&#41;, 1928-1932.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454487&pid=S0006-5943200700010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Chiattone, H.B.C. &#40;1998&#41;. A crian&ccedil;a doente e a morte. In: V. A. Angerami-Camon &#40;Org.&#41;, <i>E a Psicologia entrou no hospital</i>. &#40;pp. 69-141&#41;. S&atilde;o Paulo: Pioneira. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454488&pid=S0006-5943200700010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conway, K. & Russell, G. &#40;2000&#41;. Couple&rsquo;s grief and experience of support in the aftermath of miscarriage. <i>British Journal of Medical Psychology, 73</i> &#40;4&#41;, 531-545. </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Engelherd, I.M.; Hout, M.A. & Arntz, A. &#40;2001&#41;. Posttraumatic stress disorder after pregnancy loss. <i>General Hospital Psychiatry, 23</i>, 62-66. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454490&pid=S0006-5943200700010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gon&ccedil;alves, M.O. &#40;2001&#41;. Morte e castra&ccedil;&atilde;o: um estudo psicanal&iacute;tico sobre doen&ccedil;a terminal infantil. <i>Psicologia Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o, 21</i> &#40;1&#41;, 31-40. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454491&pid=S0006-5943200700010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hogan, N.S.; Greenfield, D. & Schmidt, L.A. &#40;2001&#41;. Development and validation of the Hogan grief reaction checklist. <i>Death Studies, 25</i> &#40;1&#41;, 1-32. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454492&pid=S0006-5943200700010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hunfeld, J.; Wladimiroff, J. & Passchier, J. &#40;1997&#41;. The grief of late pregnancy loss. <i>Patient Education and Counseling, 31</i>, 57-64. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454493&pid=S0006-5943200700010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Janssen, H.M.; Cuisinier, M.J.; Hoogduin, K.L. & Graauw, K.M. &#40;1996&#41;. Controlled prospective study on the mental health of women following pregnancy loss. <i>American Journal of Psychiatry, 153</i> &#40;2&#41;, 226-230. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454494&pid=S0006-5943200700010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Klock, S.C.; Chang, G.; Hiley, A. & Hill, J. &#40;1997&#41;. Psychological distress among women with recurrent spontaneous abortion. <i>Psychosomatics, 38</i> &#40;5&#41;, 503-507. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454495&pid=S0006-5943200700010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kov&aacute;cs, M. J. &#40;1992&#41;. <i>Morte e desenvolvimento humano</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454496&pid=S0006-5943200700010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">K&uuml;bler-Ross, E. &#40;1992&#41;. <i>Sobre a morte e o morrer: o que os doentes t&ecirc;m para ensinar a m&eacute;dicos, enfermeiras, religiosos e a seus pr&oacute;prios parentes</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454497&pid=S0006-5943200700010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Laville, C. & Dione, J. &#40;1999&#41;. <i>A constru&ccedil;&atilde;o do saber: manual de metodologia da pesquisa em Ci&ecirc;ncias Humanas</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454498&pid=S0006-5943200700010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lee, C. & Slade, P. &#40;1996&#41;. Miscarriage as a traumatic event: A review of the literature and new implications for intervention. <i>Journal of Psychosomatic Research, 40</i> &#40;3&#41;, 235-244. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454499&pid=S0006-5943200700010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lin, S.X. & Lasker, J.N. &#40;1996&#41;. Patterns of grief reaction after pregnancy loss. <i>American Journal of Orthopsychiatry, 66</i> &#40;2&#41;, 262-271. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454500&pid=S0006-5943200700010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nery, I.S.; Monteiro, C.F.S.; Luz, M.H.B.A. & Criz&oacute;stomo, C.D. &#40;2006&#41;. Viv&ecirc;ncias de mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de aborto espont&acirc;neo. <i>Revista de Enfermagem da UERJ, 14</i> &#40;1&#41;, 67-73. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454501&pid=S0006-5943200700010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nikcevic, A.V.; Kuczmierczyk, A.R.; Tunkel, S.A. & Nicolaides, K.H. &#40;2000&#41;. Distress after miscarriage: relation to the knowledge of the cause of pregnancy loss and coping style. <i>Journal of Reproductive and Infant Psychology, 18</i> &#40;4&#41;, 339-343. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454502&pid=S0006-5943200700010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paton, F.; Wood, R.; Bor, R. & Nitsun, M. &#40;1999&#41;. Grief in miscarriage patients and satisfaction with care in a London hospital. <i>Journal of Reproductive and Infant Psychology, 17</i> &#40;3&#41;, 301-315. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454503&pid=S0006-5943200700010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pincus, L. &#40;1989&#41;. <i>A fam&iacute;lia e a morte: como enfrentar o luto</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454504&pid=S0006-5943200700010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rodrigues, J.V. & Braga, E.N. &#40;1998&#41;. Programa cuidando do cuidador em Fortaleza </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- Cear&aacute;. In: M. M. M. J. Carvalho &#40;Org.&#41;, <i>Psico-oncologia no Brasil: Resgatando o viver</i>. &#40;pp. 52-61&#41;. S&atilde;o Paulo: Summus.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454505&pid=S0006-5943200700010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rodrigues, M.M.L. & Hogo, L.A.K. &#40;2005&#41;. Homens e abortamento espont&acirc;neo: narrativas das experi&ecirc;ncias compartilhadas. <i>Revista da Escola de Enfermagem, 39</i> &#40;3&#41;, 258-267. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454506&pid=S0006-5943200700010000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Stake, R.E. &#40;1994&#41;. Case studies. In: N. Denzin & Y. Lincoln &#40;Orgs.&#41;, <i>Handbook of qualitative research</i>. &#40;pp. 236-247&#41;. Londres: Sage. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454507&pid=S0006-5943200700010000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Stedeford, A. &#40;1986&#41;. <i>Encarando a morte: uma abordagem ao relacionamento com o paciente terminal</i>. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454508&pid=S0006-5943200700010000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Stirtzinger, R.; Robinson, G.E. & Stewart, D. &#40;1999&#41;. Parameters of grieving in spontaneous abortion. <i>International Journal of Psychiatry in Medicine, 29</i> &#40;2&#41;, 235-249. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454509&pid=S0006-5943200700010000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Van, P. &#40;2001&#41;. Breaking the silence of African American women: healing after pregnancy loss. <i>Health Care for Women International, 22</i> &#40;3&#41;, 229-243. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454510&pid=S0006-5943200700010000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vianna, L.A.C. &#40;1996&#41;. Epidemiologia do aborto. In: L. Scavone &#40;Org.&#41;, <i>Tecnologias reprodutivas: g&ecirc;nero e ci&ecirc;ncia</i>. &#40;pp. 129-134&#41;. S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=454511&pid=S0006-5943200700010000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Wheeler, S.R. & Austin, J.K. &#40;2001&#41;. 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