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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O desenho como instrumento diagnóstico: reflexões a partir da psicanálise]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this paper is to consider the importance of the drawing expressive elements for the construction of the professional clinical reflections, in order to understand the graphic projective tests. The drawing, same as a dream, has recourse to the pictorial elements, in order to benefit the unconscious manifestation, using apparently insignificant elements, that facilitates control desarmation and a link for the manifestation of the unconscious desires and conflicts. Deliberating about this articulation we suggest an approximation of the drawing in its formation process, in which, the white paper must be filled, using the pencil as an expression instrument. The expressive elements are an excellent datum for this kind of approach. We suggest considering the drawing as a possible way to dialogue with children, introducing the idea o that the child's graphic production, as like the dream production, is primarily a result of psychological work and that any search for meaning will only be achieved if it could be inserted into a dialogue and a certain posture of listening.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Psicodiagnóstico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="add1"></a><b>O desenho como instrumento diagn&oacute;stico:  reflex&otilde;es a partir da psican&aacute;lise</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The drawing as a psychodiagnosis instrument: reflections from psychoanalysis view</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Audrey Setton Lopes de Souza<a href="#add"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo - SP - Brasil. Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo deste trabalho &eacute; refletir sobre a import&acirc;ncia dos elementos expressivos do desenho para a elabora&ccedil;&atilde;o do racioc&iacute;nio clinico do profissional na interpreta&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas projetivas gr&aacute;ficas. O desenho, assim como o sonho, se vale de elementos pict&oacute;ricos para favorecer a manifesta&ccedil;&atilde;o do inconsciente, apresentando-se como elementos aparentemente insignificantes, e assim facilitadores no desarme da censura e engates para manifesta&ccedil;&atilde;o dos desejos e conflitos inconscientes. Refletindo sobre esta articula&ccedil;&atilde;o propomos uma aproxima&ccedil;&atilde;o do desenho em seu processo de forma&ccedil;&atilde;o, no qual a folha em branco deve ser ocupada utilizando-se o l&aacute;pis como instrumento de express&atilde;o Os elementos expressivos revelam-se excelentes dados para tal tipo de abordagem. Propomos considerar o desenho como uma forma poss&iacute;vel de di&aacute;logo com as crian&ccedil;as, introduzindo a ideia de que a produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica da crian&ccedil;a, a exemplo da produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica, &eacute; antes de tudo resultado de um trabalho ps&iacute;quico e de que qualquer busca de sentido s&oacute; ser&aacute; alcan&ccedil;ada, se esta puder ser inserida em um di&aacute;logo e uma certa postura de escuta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Psicodiagn&oacute;stico; produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica; produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica; desenho e linguagem.</font></p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The purpose of this paper is to consider the importance of the drawing expressive elements for the construction of the professional clinical reflections, in order to understand the graphic projective tests. The drawing, same as a dream, has recourse to the pictorial elements, in order to benefit the unconscious manifestation, using apparently insignificant elements, that facilitates control desarmation and a link for the manifestation of the unconscious desires and conflicts. Deliberating about this articulation we suggest an approximation of    the drawing in its formation process, in which, the white paper must be filled, using the pencil as an expression instrument. The expressive elements are an excellent datum for this kind of approach. We suggest considering the drawing as a possible way to dialogue with children, introducing the idea o that the child's graphic production, as like the dream production, is primarily a result of psychological work and that any search for meaning will only be achieved if it could be inserted into a dialogue and a certain posture of listening.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key words:</b> Psychodiagnostic; graphic and oniric production; drawing and language.</font></p> <hr size="1" noshade>    <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A psican&aacute;lise exerceu forte influ&ecirc;ncia no desenvolvimento e constru&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos projetivos e na compreens&atilde;o do processo psicodiagn&oacute;stico, no entanto o ensino na &aacute;rea das t&eacute;cnicas projetivas centra-se muitas vezes na aprendizagem das pautas de interpreta&ccedil;&atilde;o dos instrumentos, correndo o risco de favorecer modelos atom&iacute;sticos de interpreta&ccedil;&atilde;o, perdendo de vista o objetivo de alcan&ccedil;ar as opera&ccedil;&otilde;es mentais operadas pelo sujeito e que permitiriam ao psic&oacute;logo alcan&ccedil;ar o modo de funcionamento ps&iacute;quico do paciente, objetivo principal de um processo psicodiagn&oacute;stico pautado na psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisas sobre t&eacute;cnicas projetivas com estudos de valida&ccedil;&atilde;o e de padroniza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o importantes para comprovar cientificamente as qualidades psicom&eacute;tricas dos instrumentos, identificando caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias de v&aacute;rias patologias ou grupos cl&iacute;nicos, no entanto o uso cl&iacute;nico destes instrumentos exige uma compreens&atilde;o mais ampla que aquela alcan&ccedil;ada pelas pesquisas de tra&ccedil;os ou categorias, exigindo do cl&iacute;nico considerar a produ&ccedil;&atilde;o projetiva como um todo e na singularidade de cada sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acreditamos que o conhecimento cl&iacute;nico e te&oacute;rico da psican&aacute;lise poderia contribuir para o ensino de t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o da personalidade a partir de desenhos. No entanto an&aacute;lise das produ&ccedil;&otilde;es projetivas gr&aacute;ficas, valiosa ferramenta dentro do processo psicodiagn&oacute;stico, quando feita apenas baseada nos manuais de interpreta&ccedil;&atilde;o dos testes, sem utilizar o racioc&iacute;nio cl&iacute;nico do psic&oacute;logo que integra as informa&ccedil;&otilde;es obtidas e tendo como pano de fundo um conhecimento te&oacute;rico sobre o desenvolvimento e a personalidade, corre o risco de resultar em interpreta&ccedil;&otilde;es estereotipadas, perdendo seu car&aacute;ter de rica possibilidade de comunica&ccedil;&atilde;o, que pode contribuir para mapear as v&aacute;rias dimens&otilde;es presentes na constru&ccedil;&atilde;o da subjetividade do paciente, permitindo um melhor encaminhamento aos profissionais que trabalham no campo da inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pretendo expor neste trabalho o v&eacute;rtice encontrado para integrar estes aspectos e manter a confian&ccedil;a de que, como psicanalista, &eacute; poss&iacute;vel contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de psic&oacute;logos que utilizam o desenho no processo psicodiagn&oacute;stico da crian&ccedil;a. Esta proposta pretende contribuir para retirar a an&aacute;lise de desenhos do limbo no qual se encontram todas as t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, tratadas em algumas &aacute;reas acad&ecirc;micas como um conjunto de instrumentos que retiram o sujeito de sua condi&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se de lutar contra uma desconfian&ccedil;a gerada pela vulgariza&ccedil;&atilde;o, por vezes, demasiado simplista, dos modos de investiga&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, que correm o risco de catalogar a crian&ccedil;a e ao mesmo tempo defender a utiliza&ccedil;&atilde;o de desenhos como forma de aproxima&ccedil;&atilde;o e conhecimento do sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A perspectiva que propomos como reflex&atilde;o &eacute; considerar o desenho, n&atilde;o como um "teste", mas como uma forma poss&iacute;vel de di&aacute;logo com as crian&ccedil;as, introduzindo a ideia de que a produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica da crian&ccedil;a, a exemplo da produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica, &eacute; antes de tudo resultado de um trabalho ps&iacute;quico e de que qualquer busca de sentido s&oacute; ser&aacute; alcan&ccedil;ada, se este puder ser inserido em um di&aacute;logo e uma certa postura de escuta. Este v&eacute;rtice encontra eco em autores como Sigal (2000) e Mannoni (1981).</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>     <p>Os testes s&atilde;o para mim apenas um meio e n&atilde;o um fim. Utilizo-os num di&aacute;logo, durante o qual procuro apurar um sentido, um sentido, sem d&uacute;vida, em fun&ccedil;&atilde;o de certo esquema familiar. E &eacute;, pois, ao discurso do sujeito que vou prender-me sobretudo (Mannoni, 1981, p. 84)</p>       <p>Diagnosticar &eacute;, neste sentido, interpretar, construir hip&oacute;teses que nos permitam dar conta do trabalho simb&oacute;lico junto aos conflitos que se estruturam no caminho de constru&ccedil;&atilde;o da subjetividade, assim como abordar as forma&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias que se apresentam como armadilhas do desejo para a sua satisfa&ccedil;&atilde;o (Sigal, 2000, p. 30).</p> </blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &aacute;rea da investiga&ccedil;&atilde;o psicodiagn&oacute;stica est&aacute; repleta de testes de personalidade que utilizam o desenho como ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o e que, na maior parte das vezes, s&atilde;o acompanhados de pautas de interpreta&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos simb&oacute;licos associados &agrave;s diferentes partes dos desenhos (casa, &aacute;rvore, pessoa ou  fam&iacute;lia), tendendo a levar a uma postura de que &eacute; poss&iacute;vel decifrar um desenho. Ilus&atilde;o e tenta&ccedil;&atilde;o da busca de um sentido imediato prescindindo do di&aacute;logo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diatkine (2007) alerta que os sentidos atribu&iacute;dos &agrave;s produ&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a prov&ecirc;m do fato de que os afetos, em busca de representa&ccedil;&otilde;es ou liga&ccedil;&otilde;es, se articulem a elementos da trama do discurso do paciente, que podem ser percebidos  como ind&iacute;cios que mobilizam o psicanalista a construir um objeto de conhecimento. &Eacute; a partir de sua elabora&ccedil;&atilde;o interpretativa que este ind&iacute;cio pode ser transformado em signo e como tal um elemento de comunica&ccedil;&atilde;o emitido para que a crian&ccedil;a o receba.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote> A crian&ccedil;a, por sua vez, n&atilde;o emite, intencionalmente, nenhuma mensagem codificada e o psicanalista n&atilde;o tem que lhe mostrar alusivamente que sabe decifrar enigmas... &Eacute; no transcurso que a crian&ccedil;a descobre o que tem para dizer e que por isso pode entrar no universo do discurso (Diatkine, 2007, p. 35) </blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o de imagens &eacute; uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o de afetos que, a partir daquele que a produz, estimula aquele que as observa a entrar em contato com elas, como uma esp&eacute;cie de linguagem. Como apreciador de uma arte, podemos simplesmente nos deixar levar por esta linguagem, mas como psicanalistas, temos muitas vezes a fun&ccedil;&atilde;o de  acolher este c&oacute;digo de linguagem e comunica&ccedil;&atilde;o e tentar encontrar um sentido. Assim como nos sonhos, temos imagens que se apresentam, &agrave;s vezes condensadas, distorcidas, aparentemente desconexas, mas que podem, a partir de um determinado modelo de escuta, adquirir um sentido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O sonho, o desenho ou o jogo apresentam-se ao psicanalista como uma esp&eacute;cie de linguagem cifrada, a ser decifrada por uma certa postura de observa&ccedil;&atilde;o; o grande enigma est&aacute; em como desenvolver os processos de decifra&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; sempre o perigo de trabalhar com c&oacute;digos un&iacute;vocos, onde cada s&iacute;mbolo corresponde a um outro, a ele relacionado diretamente, o que resulta em interpreta&ccedil;&otilde;es estereotipadas e empobrecidas da mente humana, n&atilde;o alcan&ccedil;ando uma vis&atilde;o din&acirc;mica do funcionamento da personalidade, al&eacute;m de desconsiderar o aspecto transferencial de um di&aacute;logo do qual ambos participam e no qual os personagens da dupla interagem modificando os personagens do desenho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tentaremos percorrer o caminho que a psican&aacute;lise nos oferece para pensar. Comecemos com Freud: apesar de incluir no relato do caso Hans o conhecido desenho das girafas (Freud 1909/1980) ele n&atilde;o trabalhou com desenhos, mas com as imagens dos sonhos. Al&eacute;m disso, ele tamb&eacute;m produziu um bel&iacute;ssimo texto no qual a partir de algumas obras e textos de Leonardo da Vinci (Freud, 1910/1980) tentou formular hip&oacute;teses sobre a personalidade do artista. Freud &eacute; pr&oacute;digo em exemplos de an&aacute;lise, de mitos, produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, etc., representando conflitos t&iacute;picos de todos n&oacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre os artistas e suas produ&ccedil;&otilde;es, Freud (1908/1980) aponta que a criatividade tem como uma de suas fontes o brincar infantil. O poeta criativo faz o mesmo que a crian&ccedil;a ao brincar, cria um mundo de fantasia que &eacute; levado muito a s&eacute;rio e no qual investe muita emo&ccedil;&atilde;o, sem confundir realidade com fantasia e nisto resulta o prazer destas experi&ecirc;ncias. S&atilde;o atividades levadas a s&eacute;rio, mas nas quais se desfruta de uma liberdade para vivenciar as fantasias, um dos fatores que tornam t&atilde;o fascinantes tanto os escritores criativos quanto crian&ccedil;as ao brincar. Ler um livro, ver um filme ou observar uma brincadeira ou desenho infantil satisfaz nosso anseio por vivenciar esta experi&ecirc;ncia de explora&ccedil;&atilde;o do mundo dos sentimentos e nos mostra como &eacute; poss&iacute;vel <i>brincar</i> com as fantasias, sem perder o contato com a realidade ou enlouquecer, muito pelo contr&aacute;rio, elas permitem crescer e enriquecer-se com tais experi&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; sempre instigante acompanhar uma crian&ccedil;a que se permite desenhar com liberdade, pois nos leva com ela para um passeio no universo das fantasias infantis. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos n&oacute;s mantemos dentro de n&oacute;s um caminho para a explora&ccedil;&atilde;o deste universo: o caminho dos sonhos, a via r&eacute;gia para o inconsciente (Freud, 1900/1980). Ele afirma que, todo sonho &eacute; uma realiza&ccedil;&atilde;o disfar&ccedil;ada de um desejo sexual infantil reprimido; uma forma&ccedil;&atilde;o do inconsciente que se utiliza predominantemente de imagens para expressar-se, uma linguagem mais pr&oacute;xima do inconsciente em seu modo mais prim&aacute;rio de funcionamento, poss&iacute;vel de surgir &agrave; mente durante o sono pela regress&atilde;o funcional ocasionada pelo estado de adormecimento. Esta condi&ccedil;&atilde;o, segundo Anzieu (1981) est&aacute; presente, em parte, tamb&eacute;m nas t&eacute;cnicas projetivas pela forma como s&atilde;o configurados os materiais projetivos e pelo tipo de atividade proposta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas evitando uma perspectiva reducionista sobre as contribui&ccedil;&otilde;es freudianas devemos destacar que, em seus estudos, Freud destacou a import&acirc;ncia do trabalho de forma&ccedil;&atilde;o dos sonhos, no qual est&atilde;o agindo concomitantemente, tanto a realiza&ccedil;&atilde;o dos desejos quanto a sua proibi&ccedil;&atilde;o, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica como um modo de express&atilde;o de desejos, que s&oacute; aparece predominantemente por imagens e enquanto dormimos ou alucinamos. Outra forma de express&atilde;o deste mesmo sonho se revela quando acordamos (elabora&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria), al&eacute;m de outras possibilidades como esquecer o sonho, quando este, apesar de poss&iacute;vel de ser sonhado, torna-se inacess&iacute;vel para a vida desperta ou ainda, os pesadelos que interrompem o sono, etc. O estudo do processo de sonhar permitiu a Freud elaborar a sua primeira formula&ccedil;&atilde;o sobre a constitui&ccedil;&atilde;o do aparelho ps&iacute;quico (Freud, 1900/1980). Este grande pre&acirc;mbulo pretende colocar em realce que, para al&eacute;m da mera decifra&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos dos sonhos, &eacute; primordial ao psicanalista estar atento &agrave; compreens&atilde;o do processo de forma&ccedil;&atilde;o deste sonho e, assim, poder ter acesso ao sonhador e n&atilde;o ao <i>inconsciente</i>. Esta &eacute; a perspectiva sob a qual sugerimos considerar o uso de desenhos no processo psicodiagn&oacute;stico. Tomar o desenho final como resultado de um trabalho ps&iacute;quico, que se inicia com as instru&ccedil;&otilde;es do teste que mobilizam as ang&uacute;stias do sujeito e que o resultado final do desenho refletir&aacute; a forma como este sujeito lidou com estes conte&uacute;dos, de acordo com suas capacidades eg&oacute;icas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A um analista engajado e consciente de nada serve um manual de interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos, pois se &eacute; verdade que o sonho utiliza certo simbolismo para expressar os desejos inconscientes, &eacute; tamb&eacute;m verdade que s&oacute; a an&aacute;lise do sonhador permitir&aacute; compreender, porque ele precisou sonhar este sonho, deste jeito. Assim deve-se considerar que al&eacute;m do conte&uacute;do simb&oacute;lico do sonho, a forma imag&eacute;tica na qual ele se apresenta, temos a forma como ele &eacute; lembrado e, nunca &eacute; demais ressaltar, temos as associa&ccedil;&otilde;es despertadas por cada um dos elementos deste sonho e o mesmo vale para as produ&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; intuito deste trabalho, alertar para o cuidado que devemos ter quando nos aproximamos de uma t&eacute;cnica projetiva gr&aacute;fica e dos manuais de interpreta&ccedil;&atilde;o. Os manuais s&atilde;o &uacute;teis para orientar o psic&oacute;logo a respeito dos principais aspectos simb&oacute;licos associados aos elementos destas produ&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao interpretar desenhos nos valemos dos significados dos s&iacute;mbolos derivados da psican&aacute;lise, dos folclores, dos estudos dos sonhos, dos mitos e das fantasias. Estes s&iacute;mbolos funcionam como engates a partir dos quais o inconsciente se vale para alcan&ccedil;ar o caminho da consci&ecirc;ncia e, disfar&ccedil;adamente, encontrar uma forma de express&atilde;o. Devemos tamb&eacute;m estar atentos aos mecanismos de deslocamento e condensa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de uma vasta gama de tratamentos poss&iacute;veis dados a estes s&iacute;mbolos para a forma&ccedil;&atilde;o de um desenho final.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O texto de Freud "Uma lembran&ccedil;a infantil de Leonardo da Vinci" (1910/1980) pode ser &uacute;til para discutir os "<i>usos e abusos" </i>das t&eacute;cnicas projetivas. Ele traz, por um lado, uma valiosa contribui&ccedil;&atilde;o, revelando como a psican&aacute;lise pode, valendo-se das produ&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas e verbais do artista, alcan&ccedil;ar a compreens&atilde;o da sua personalidade, mas tamb&eacute;m nos ajuda a ficar atentos para o perigo de nos apegarmos a determinados conte&uacute;dos simb&oacute;licos no processo de constru&ccedil;&otilde;es de nossas hip&oacute;teses. Neste texto, Freud mostra como as obras de Leonardo da Vinci retratam sua rela&ccedil;&atilde;o conflituosa com sua m&atilde;e, enigm&aacute;tica e sedutora como a Mona Lisa, destacando n&atilde;o s&oacute; aspectos de conte&uacute;do das obras de Leonardo, mas tamb&eacute;m a vagarosidade de sua produ&ccedil;&atilde;o, a insatisfa&ccedil;&atilde;o com o resultado final, as modifica&ccedil;&otilde;es feitas nas obras at&eacute; chegar a sua conclus&atilde;o, a repeti&ccedil;&atilde;o de um certo modelo de sorriso nas obras posteriores e a contig&uuml;idade entre esta obra e uma outra (Sant'Ana com a Madonna e o menino) como exalta&ccedil;&atilde;o da maternidade. Mas a leitura deste texto tamb&eacute;m permite pensar sobre o que chamo de <i>abusos</i>, pois como mostra Strachey (editor ingl&ecirc;s da obra freudiana) em nota introdut&oacute;ria ao texto, Freud teria se apegado a um conte&uacute;do simb&oacute;lico de um determinado p&aacute;ssaro, que erroneamente &eacute; confundido com um s&iacute;mbolo mitol&oacute;gico eg&iacute;pcio para formular a teoria da m&atilde;e f&aacute;lica, mostrando o perigo de nos apegarmos a determinados elementos simb&oacute;licos no af&atilde; de corroborar nossas hip&oacute;teses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisas s&atilde;o important&iacute;ssimas para identificar possibilidades simb&oacute;licas desencadeadas por est&iacute;mulos como a casa, a &aacute;rvore, a pessoa, o telhado, a chamin&eacute;, os olhos, a boca, o cabelo, o tronco, etc., usados como est&iacute;mulos projetivos e na elabora&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas projetivas. Precisamos destas pesquisas para estimular nossas produ&ccedil;&otilde;es de hip&oacute;teses, mas h&aacute; outra pesquisa a ser feita em cada produ&ccedil;&atilde;o individual que se nos apresenta: a verifica&ccedil;&atilde;o de como esta pessoa espec&iacute;fica valeu-se destes s&iacute;mbolos poss&iacute;veis para produzir este desenho para aquela pessoa que a est&aacute; solicitando. Este trabalho deve ser feito para cada produ&ccedil;&atilde;o obtida pelo psic&oacute;logo que est&aacute; observando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante considerar toda produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica como um <i>trabalho</i> do inconsciente, um trabalho de inscri&ccedil;&atilde;o do desejo em composi&ccedil;&atilde;o com a censura da resist&ecirc;ncia que este desejo desperta e, a partir desta transa&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, surge o desenho final. As produ&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas ainda trazem a vantagem de permitir que o observador acompanhe o que se constr&oacute;i diante dele e os movimentos da crian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos resultados de suas produ&ccedil;&otilde;es e &agrave; presen&ccedil;a do observador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A interpreta&ccedil;&atilde;o deste processo din&acirc;mico pode vir da resposta para algumas quest&otilde;es. Como &eacute; tratada a folha de papel? Que rela&ccedil;&otilde;es a pessoa estabelece com a folha como espa&ccedil;o e como a usa? Preocupa-se em ocupar a folha ou &eacute; uma pseudo-ocupa&ccedil;&atilde;o de todas as folhas e l&aacute;pis que est&atilde;o a sua frente, sem poder realmente <i>desenhar</i>. Trata-se de pura descarga de tra&ccedil;os ou h&aacute; uma elabora&ccedil;&atilde;o no tra&ccedil;ado? O contato com o psic&oacute;logo ao longo dos encontros afeta de que maneira sua produ&ccedil;&atilde;o? H&aacute; uma vis&iacute;vel preocupa&ccedil;&atilde;o em n&atilde;o deixar espa&ccedil;os em branco, como se temessem o vazio, ou, ao contr&aacute;rio, restringem-se a um &uacute;nico espa&ccedil;o da folha? Em que parte da folha se colocam? Quais partes da folha n&atilde;o podem ocupar? H&aacute; alguma modifica&ccedil;&atilde;o ao longo do encontro conosco? Como muda seu desenho? Expande-se ou restringe-se? Torna-se mais colorido ou cada vez mais sombrio?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Comporta-se em rela&ccedil;&atilde;o a seu desenho na folha como se o espa&ccedil;o dispon&iacute;vel fosse muito menor do que aquele que a folha parece oferecer, ocupando m&iacute;nimas propor&ccedil;&otilde;es da mesma, ou seu desenho parece transbordar o espa&ccedil;o efetivo da folha? Ele se d&aacute; conta disso ou desconsidera? Qual elemento do desenho &eacute; reduzido ou ampliado? Como trabalha este espa&ccedil;o? A folha parece dividida em duas partes distintas (cima/baixo ou direita/esquerda)?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que h&aacute; de invariante nestas caracter&iacute;sticas formais? &Eacute; poss&iacute;vel detectar varia&ccedil;&otilde;es destas caracter&iacute;sticas ao longo da produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica do sujeito e como articul&aacute;-las ao tema do desenho ou ao tra&ccedil;ado ou mesmo &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com o psic&oacute;logo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como est&atilde;o as cores, grada&ccedil;&otilde;es de intensidade crom&aacute;tica? Com que partes do desenho ele parece insatisfeito, como lida com esta insatisfa&ccedil;&atilde;o (apaga, retoca, refor&ccedil;a) e qual &eacute; o resultado final deste trabalho de <i>acertar</i> este desenho? </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Queremos salientar que n&atilde;o se trata de excluir toda refer&ecirc;ncia aos conte&uacute;dos tem&aacute;ticos, mas integr&aacute;-los aos aspectos expressivos. H&aacute; um ambiente-folha no qual o paciente vai atrav&eacute;s de seu l&aacute;pis se colocar (Van Kolck, 1984) e a forma como o sujeito a utiliza poder&aacute; revelar a forma como se coloca no mundo. Estas quest&otilde;es visam investigar como &eacute; feita esta abordagem ao ambiente, usando o instrumento (l&aacute;pis) do qual disp&otilde;e. Hammer (1991) coloca que estes aspectos expressivos traduzem as atitudes b&aacute;sicas do indiv&iacute;duo em rela&ccedil;&atilde;o a si mesmo e ao ambiente assim como a forma como lida com seus impulsos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rios autores como Hammer (1991) e Rodulfo (1992) falam de uma <i>escritura</i> que se revela por detr&aacute;s de nossos tra&ccedil;os no papel ou tra&ccedil;os corporais. O que nos fornece esta escritura no desenho s&atilde;o estes aspectos estruturais do desenho: tamanho; press&atilde;o e qualidade da linha; posi&ccedil;&atilde;o na folha; precis&atilde;o e grau de completude do desenho; detalhamento; simetria; propor&ccedil;&otilde;es; perspectiva; sombreamentos; refor&ccedil;os; corre&ccedil;&otilde;es e retoques.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Grassano de Piccolo (1974) e Grassano (1977) apresentam trabalhos na &aacute;rea diagn&oacute;stica, e tentam demonstrar como os principais mecanismos de defesa podem aparecer nas produ&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas. Grande parte das caracter&iacute;sticas levantadas pela autora se referem a aspectos como: organiza&ccedil;&atilde;o guest&aacute;ltica do desenho (organiza&ccedil;&atilde;o, coer&ecirc;ncia, harmonia), perspectiva (como forma de express&atilde;o do tempo), preenchimento dos espa&ccedil;os na folha, limites dos desenhos, tipo de tra&ccedil;ado, dist&acirc;ncia, proximidade ou separa&ccedil;&atilde;o entre os personagens, tamanho, refor&ccedil;amentos,  detalhamentos ou retoques; mostrando a riqueza do trabalho com estes elementos expressivos do desenho. A autora tamb&eacute;m apresenta algumas caracter&iacute;sticas do conte&uacute;do dos desenhos, mas este &eacute; um excelente exemplo de um racioc&iacute;nio cl&iacute;nico sobre as caracter&iacute;sticas estruturais dos desenhos como reveladoras de um modo de se organizar frente aos impulsos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Al&eacute;m disso, deve-se considerar, frente a uma crian&ccedil;a, que est&aacute; em um processo de desenvolvimento e de constru&ccedil;&atilde;o de sua estrutura de personalidade, que o uso do desenho como linguagem e express&atilde;o tamb&eacute;m passa por um processo de constitui&ccedil;&atilde;o. Do momento inicial no qual  apropria-se  do instrumento l&aacute;pis, que lhe permite o prazer da inscri&ccedil;&atilde;o de um tra&ccedil;o ou uma marca &agrave; possibilidade de usar sua escrita como comunica&ccedil;&atilde;o, de um  lado uma descarga motora de prazer do gesto  e de outro a possibilidade de inscri&ccedil;&atilde;o permanente (M&egrave;redieu, 1974; Teixeira, 1991).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A posterior conquista do desenho de c&iacute;rculo que al&eacute;m da fa&ccedil;anha motora, tamb&eacute;m remete a conte&uacute;dos simb&oacute;licos ligados a este elemento. &Eacute; poss&iacute;vel encontrar na literatura cient&iacute;fica (Dolto, 1984; Rodulfo, 1992), refer&ecirc;ncias que destacam o elemento gr&aacute;fico circular, como representativo do corpo materno e das primeiras concep&ccedil;&otilde;es sobre o pr&oacute;prio corpo e sua interioridade, al&eacute;m da no&ccedil;&atilde;o de continente e contido, o que aponta para a import&acirc;ncia de tal representa&ccedil;&atilde;o no processo de individua&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a. Por&eacute;m &eacute; importante ressaltar a necessidade de articular tais elementos &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es verbais obtidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Procuramos neste trabalho destacar a import&acirc;ncia dos elementos expressivos na an&aacute;lise das produ&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas do sujeito e o cuidado na utiliza&ccedil;&atilde;o dos aspectos simb&oacute;licos do desenho para a elabora&ccedil;&atilde;o do racioc&iacute;nio cl&iacute;nico do profissional. A fundamenta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica permite pensar a produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica como resultado de um trabalho ps&iacute;quico que, tal como o sonho, pode dar acesso a aspectos importantes da personalidade do sujeito. Considerar os desenhos como um todo, como destaca Silva (2008b), muito mais do que como mera somat&oacute;ria de sinais ou caracter&iacute;sticas, contribui para valorizar a utiliza&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas projetivas gr&aacute;ficas dentro do processo psicodiagn&oacute;stico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal perspectiva n&atilde;o exclui a import&acirc;ncia das pesquisas que fundamentem cientificamente as pautas gerais de interpreta&ccedil;&atilde;o mas, como destacam Saur e Pasian (2008), Silva (2008a) e Trinca (1999), a utiliza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica destes instrumentos exige uma aten&ccedil;&atilde;o ao preparo do cl&iacute;nico que as utiliza para permitir uma melhor significa&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o dos dados obtidos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Anzieu, D. (1978). <i>Os M&eacute;todos Projetivos. </i>(M. L. E. Silva, trad.). Rio de Janeiro: Campus. (Original publicado em 1961).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468318&pid=S0006-5943201100020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diatkine, R. (2007). As linguagens da crian&ccedil;a e a psican&aacute;lise. <i>Ide: Psican&aacute;lise e Cultura, 45</i>, 35-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468320&pid=S0006-5943201100020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dolto, F. (1984). <i>No jogo do desejo.</i> (V. Ribeiro, trad.). Rio de Janeiro: Zahar Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468322&pid=S0006-5943201100020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1900/1980). A psicologia dos processos on&iacute;ricos. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud.</i> (J. Salom&atilde;o, trad.; vol.V; pp.361-543). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1900).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468324&pid=S0006-5943201100020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1908/1980). Escritores criativos e devaneio (1908). ). In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud.</i> (J. Salom&atilde;o, trad.; vol.IX; pp. 147-160). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1910).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468326&pid=S0006-5943201100020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1909/1980). An&aacute;lise de uma fobia em um menino de cinco anos. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud.</i> (J. Salom&atilde;o, trad.; vol. X; pp. 15-154). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1909).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468328&pid=S0006-5943201100020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1910/1980). Leonardo da Vinci e uma lembran&ccedil;a da sua inf&acirc;ncia. (1910) In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud.</i> (J. Salom&atilde;o, trad.; vol. XI; pp. 53-124). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1910).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468330&pid=S0006-5943201100020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Grassano de Piccolo, E. (1974). Los tests gr&aacute;ficos. In: M.L.S. Ocampo e cols., <i>Las t&eacute;cnicas proyetivas y el proceso psicodiagn&oacute;stico</i>. (Tomo II; pp 235-388). Buenos Aires: Nueva Visi&oacute;n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468332&pid=S0006-5943201100020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Grassano, E. (1996). <i>Indicadores psicopatol&oacute;gicos nas t&eacute;cnicas projetivas.</i> (L. S. L. C. Tardivo, trad.). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo. (Original publicado em 1977).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468334&pid=S0006-5943201100020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hammer, E.F. (1991). <i>Aplica&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas dos desenhos projetivos.</i> (E. Nick, trad.) S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo. (Original publicado em 1980).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468336&pid=S0006-5943201100020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mannoni (1981). <i>A primeira entrevista em psican&aacute;lise.</i> (R. C. Lacerda, trad.). Rio de Janeiro: Ed. Campus Ltda. (Original publicado em 1965).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468338&pid=S0006-5943201100020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&egrave;redieu, F. (1974). <i>O desenho infantil.</i> S&atilde;o Paulo: Editora Cultrix. (Original publicado em 1974).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468340&pid=S0006-5943201100020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rodulfo, M (1992). <i>El nin&otilde; del dibujo: Estudio psicanal&iacute;tico del grafismo y sus funciones en la construcci&oacute;n temprana del cuerpo</i>. Buenos Aires: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468342&pid=S0006-5943201100020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Saur A.M. &amp; Pasian S.R. (2008). O desenho da figura humana na investiga&ccedil;&atilde;o da imagem corporal: Alcances e limites. In: A. E. Villemor-Amaral &amp; B. S. G.Werlang (Org.), <i>Atualiza&ccedil;&otilde;es em m&eacute;todos projetivos para avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica.</i> (pp. 225-243). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468344&pid=S0006-5943201100020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sigal, A.M. (2000). Considera&ccedil;&otilde;es sobre o psicodiagn&oacute;stico: Provocando o inconsciente <i>Revista Psican&aacute;lise e Universidade, 12-13</i>, 27-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468346&pid=S0006-5943201100020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Silva, M.C.V.M. (2008a). T&eacute;cnicas projetivas gr&aacute;ficas e desenho infantil. In: A. E. Villemor-Amaral &amp; B. S. G. Werlang (Org.),<i> Atualiza&ccedil;&otilde;es em m&eacute;todos projetivos para avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica.</i> (pp. 195-203). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468348&pid=S0006-5943201100020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Silva, M.C.V.M. (2008b). A t&eacute;cnica da Casa - &Aacute;rvore - Pessoa (HTP). In: A. E. Villemor-Amaral &amp; B. S. G. Werlang (Org.)<i>, Atualiza&ccedil;&otilde;es em m&eacute;todos projetivos para avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica.</i> (pp. 247-265). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468350&pid=S0006-5943201100020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Teixeira, A.R.T. (Org). (1991). <i>O mundo a gente tra&ccedil;a</i>. Salvador: Ed. &Aacute;galma.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468352&pid=S0006-5943201100020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trinca, W (1999). <i>Psican&aacute;lise e expans&atilde;o da consci&ecirc;ncia: Apontamentos para o novo mil&ecirc;nio.</i> S&atilde;o Paulo: Vetor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468354&pid=S0006-5943201100020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Van Kolck, O.L. (1984). <i>Testes projetivos gr&aacute;ficos no diagn&oacute;stico psicol&oacute;gico.</i> S&atilde;o Paulo: EPU.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468356&pid=S0006-5943201100020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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