<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0006-5943</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Boletim de Psicologia]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Bol. psicol]]></abbrev-journal-title>
<issn>0006-5943</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação de Psicologia de São Paulo]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0006-59432012000200002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do pai da horda a Moisés: o ideal como articulador entre o sujeito e a cultura]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From the horde's father to Moses: the ideal as the articulator between subject and culture]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rocha]]></surname>
<given-names><![CDATA[Helenice de Fátima Oliveira]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Guarulhos - Guarulhos - SP - Brasil  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Guarulhos SP]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>62</volume>
<numero>137</numero>
<fpage>117</fpage>
<lpage>127</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0006-59432012000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0006-59432012000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0006-59432012000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Com o intuito de demonstrar a articulação entre ideal, sujeito e cultura, empreendemos um trajeto pelos textos sociais e políticos de Freud. De Totem e tabu, escrito em 1913 a Moisés e o monoteísmo, publicado em 1939, recortamos destes trabalhos a posição do líder enquanto ideal para o sujeito e para a massa. O esforço de Freud em nos mostrar que o psiquismo é o palco vivo da cultura revela que o vínculo social, representado pela aliança entre os irmãos, só pode sustentar-se pela submissão ao líder, demonstrada através do processo de identificação como uma das exigências do ideal em sua função de emprestar alívio ao desamparo original.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In order to demonstrate the link between the individual, ideal and culture, we followed a path through Freud's social and political texts. From Totem and taboo, written in 1913, to Moses and the monotheism, published in 1939, we select from these projects the position of the leader as the ideal for the subject and for the mass. Freud's effort in showing us that the psyche is culture's living stage reveals that the social link, represented by the tie among brothers can only be sustained by the submission to the leader, demonstrated through the process of identification as one of the ideal requirements in its function of lending relief to the original helplessness.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ideal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[sujeito]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[cultura]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Ideal]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[subject]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[culture]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="add"></a><b>Do pai da horda a Mois&eacute;s: o ideal como    articulador entre o sujeito e a cultura</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>From the horde's father to Moses: the ideal as the articulator between subject and culture</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Helenice de F&aacute;tima Oliveira Rocha<a href="#add1"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade Guarulhos - Guarulhos - SP - Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o intuito de demonstrar a articula&ccedil;&atilde;o entre ideal, sujeito e cultura, empreendemos um trajeto pelos textos sociais e pol&iacute;ticos de Freud. De <i>Totem e tabu</i>, escrito em 1913 a <i>Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo</i>, publicado em 1939, recortamos destes trabalhos a posi&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der enquanto ideal para o sujeito e para a massa. O esfor&ccedil;o de Freud em nos mostrar que o psiquismo &eacute; o palco vivo da cultura revela que o v&iacute;nculo social, representado pela alian&ccedil;a entre os irm&atilde;os, s&oacute; pode sustentar-se pela submiss&atilde;o ao l&iacute;der, demonstrada atrav&eacute;s do processo de identifica&ccedil;&atilde;o como uma das exig&ecirc;ncias do ideal em sua fun&ccedil;&atilde;o de emprestar al&iacute;vio ao desamparo original.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Ideal; sujeito; cultura.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT </b></font></p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">In order to demonstrate the link between the individual, ideal and culture, we followed a path through Freud's social and political texts. From <i>Totem and taboo</i>, written in 1913, to <i>Moses and the monotheism</i>, published in 1939, we select from these projects the position of the leader as the ideal for the subject and for the mass. Freud's effort in showing us that the psyche is culture's living stage reveals that the social link, represented by the tie among brothers can only be sustained by the submission to the leader, demonstrated through the process of identification as one of the ideal requirements in its function of lending relief to the original helplessness.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key words:</b> Ideal; subject; culture.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tentativa de articula&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e a cultura a partir do ideal nos leva a iniciar o texto marcando que a teoria freudiana n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica capaz de tentar explicar o fen&ocirc;meno aqui abordado. Outros saberes, dentro do pr&oacute;prio campo psicanal&iacute;tico e de outros campos t&ecirc;m, evidentemente, muito a dizer sobre esta quest&atilde;o. Al&eacute;m disso, &eacute; prudente lembrar que o psiquismo, tal como &eacute; concebido e estudado pela psican&aacute;lise desde Freud, &eacute; uma forma&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria entre o corpo biol&oacute;gico e o campo social, de maneira que buscar compreend&ecirc;-lo s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se levarmos isto em considera&ccedil;&atilde;o. Outra maneira de dizer que o inconsciente, objeto de estudo por excel&ecirc;ncia das teses psicanal&iacute;ticas, n&atilde;o existe no vazio. No entanto, empreender esta articula&ccedil;&atilde;o s&oacute; nos parece poss&iacute;vel levando em conta os aspectos inconscientes bem como as for&ccedil;as ps&iacute;quicas que constituem o campo da idealidade. Assim, buscaremos nos mover dentro das engrenagens da metapsicologia freudiana para buscar tal articula&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Totem e tabu</i>, texto de 1913, &eacute; o trabalho inaugural de Freud sobre o social. Trabalho descentralizador, pois fez com que as teses psicanal&iacute;ticas at&eacute; ent&atilde;o constru&iacute;das - sobretudo as orientadas para a investiga&ccedil;&atilde;o do inconsciente atrav&eacute;s das psiconeuroses ou dos sonhos tomassem uma dire&ccedil;&atilde;o rumo &agrave; explora&ccedil;&atilde;o da cultura. No primeiro cap&iacute;tulo dessa obra, Freud retoma a quest&atilde;o do incesto, j&aacute; enunciada anteriormente como experi&ecirc;ncia estruturante do indiv&iacute;duo e das neuroses. Esse tema &eacute; explorado aqui para abarc&aacute;-lo tamb&eacute;m dentro da constitui&ccedil;&atilde;o do social. Ao demonstrar neste texto que o desejo de incesto est&aacute; presente em todas as sociedades e que &eacute; ele o fundador da lei da exogamia, Freud o coloca como centro organizador da cultura. Inovadora a partir dessas constata&ccedil;&otilde;es de Freud &eacute; a ideia que ele lan&ccedil;a da necessidade de haver uma for&ccedil;a repressora, uma interdi&ccedil;&atilde;o, ditada e mantida por uma inst&acirc;ncia capaz de manter essa lei e que funcionaria como um obst&aacute;culo para a descarga pulsional imediata. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para contar-nos a hist&oacute;ria, Freud partiu da descri&ccedil;&atilde;o da horda primeva de Darwin para construir o mito fundador da cultura. Conforme podemos ler neste texto, a horda era governada por um macho desp&oacute;tico e todo-poderoso que possu&iacute;a todas as f&ecirc;meas e expulsava os filhos na medida em que cresciam. Assim continua Freud (1913/1987, p. 170): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Certo dia, os irm&atilde;os que tinham sido expulsos retornaram juntos, mataram e devoraram o pai, colocando assim um fim &agrave; horda patriarcal ... O violento pai primevo fora sem d&uacute;vida o temido e invejado modelo de cada um do grupo de irm&atilde;os: e, pelo ato de devor&aacute;-lo, realizavam a identifica&ccedil;&atilde;o com ele, cada um deles adquirindo uma parte de sua for&ccedil;a. A refei&ccedil;&atilde;o tot&ecirc;mica, que &eacute; talvez o mais antigo festival da humanidade, seria assim uma repeti&ccedil;&atilde;o e uma comemora&ccedil;&atilde;o desse ato memor&aacute;vel e criminoso, que foi o come&ccedil;o de tantas coisas: da organiza&ccedil;&atilde;o social, das restri&ccedil;&otilde;es morais e da religi&atilde;o. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse rico par&aacute;grafo, muitas aberturas s&atilde;o poss&iacute;veis. Em primeiro lugar, Freud nos alerta para a necessidade de se pensar no nascimento da cultura a partir de um ato fundador, ou seja, a partir de um acontecimento real. Em seguida, remete-nos &agrave; ideia do nascimento, dentro da cultura, de uma reuni&atilde;o de irm&atilde;os identificados entre si pela impot&ecirc;ncia e pelo &oacute;dio ao pai tirano. Al&eacute;m disso, est&aacute; contida nesse trecho a confirma&ccedil;&atilde;o da ambival&ecirc;ncia frente ao pai primevo: pelo &oacute;dio o mataram, mas pelo amor o devoraram e o incorporaram. A quest&atilde;o da identifica&ccedil;&atilde;o com o pai fez-se poss&iacute;vel pela introje&ccedil;&atilde;o dele como ideal. Para ampliar essa quest&atilde;o, citamos Enriquez (1990, p. 31) a respeito da uni&atilde;o dos irm&atilde;os: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo deles &eacute; de conjurar sua impot&ecirc;ncia e de escapar &agrave; fascina&ccedil;&atilde;o &agrave; qual se submetem, bem como &agrave; admira&ccedil;&atilde;o e ao temor frente ao onipotente. Ao fazerem isso, eles se identificam uns com os outros, exprimem sua solidariedade e reconhecem o v&iacute;nculo libidinal que os une no &oacute;dio comum contra o pai ..., se &eacute; o &oacute;dio que transforma os seres submissos em irm&atilde;os, &eacute; seu assassinato que transforma o chefe da horda em pai. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas o rev&eacute;s desse ato memor&aacute;vel foi a culpa e o remorso que acometeram os irm&atilde;os a partir de ent&atilde;o, O pai agora morto, era mais forte do que enquanto vivo. Foi, portanto, na esteira da culpa, que os irm&atilde;os fizeram do pai um mito, na medida em que ele se transformou em totem. Mas n&atilde;o havia s&oacute; o desejo de minimizar a culpa atrav&eacute;s da mitifica&ccedil;&atilde;o. Segundo Freud (1913/1987, p.173), o desejo abarcava al&eacute;m da reconcilia&ccedil;&atilde;o com o pai, a busca de sua prote&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podiam tentar, na rela&ccedil;&atilde;o com esse pai substituto, apaziguar o causticante sentimento de culpa, provocar uma esp&eacute;cie de reconcilia&ccedil;&atilde;o com o pai. O sistema tot&ecirc;mico foi, por assim dizer, um pacto com o pai, no qual este lhes prometia tudo o que uma imagina&ccedil;&atilde;o infantil pode esperar de um pai - prote&ccedil;&atilde;o, cuidado e indulg&ecirc;ncia - enquanto que, por seu lado, comprometiam-se a respeitar-lhe a vida, isto &eacute;, n&atilde;o repetir o ato que causara a destrui&ccedil;&atilde;o do pai real. </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apreendemos tamb&eacute;m dessa obra freudiana que o v&iacute;nculo social s&oacute; pode se sustentar pela alian&ccedil;a formada entre os irm&atilde;os. O contrato selado entre eles, que impede o incesto e o parric&iacute;dio, faz desses dois crimes os desejos centrais do complexo de &Eacute;dipo. E mais, transformados nos dois tabus do totemismo, a ren&uacute;ncia a eles marcar&aacute; definitivamente a possibilidade de civiliza&ccedil;&atilde;o. Sobre a possibilidade da civiliza&ccedil;&atilde;o a partir desse mito, Enriquez (1990, p. 31-32) assim se expressa: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o existe jamais o pai real. O pai &eacute; sempre um pai morto, e o pai morto &eacute; sempre um pai m&iacute;tico. A partir do momento em que a fun&ccedil;&atilde;o paterna &eacute; reconhecida, os filhos s&atilde;o oprimidos. Eles est&atilde;o numa posi&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia, presos entre o desejo e a identifica&ccedil;&atilde;o. Sem a refer&ecirc;ncia paterna, nenhuma cultura &eacute; conceb&iacute;vel ... a mola da civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre de ess&ecirc;ncia conflituosa. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>Totem e tabu </i>(1913/1987), desenha-se a origem do humano a partir do estudo do incesto e do parric&iacute;dio, mas em todo o texto, o que vemos pulsando incessantemente e animando esses desejos, bem como incitando suas ren&uacute;ncias, &eacute; a dimens&atilde;o pulsional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No livro <i>Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego </i>(1921/1987), Freud estabelece ao longo de todo o texto, uma rela&ccedil;&atilde;o entre o sistema tot&ecirc;mico, considerado como fundamento do social e por ele estudado em 1913, e a Psicologia de massa. Se nesse estudo ele prioriza os la&ccedil;os libidinais como sustenta&ccedil;&atilde;o das massas a partir do desamparo original, nem por isso deixa de mencionar o sentimento de hostilidade que a ambival&ecirc;ncia dos la&ccedil;os sociais abriga. Assim, esse trabalho aproxima mais do que nunca a Psicologia individual e a Psicologia social, tentando demonstrar a constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito a partir das rela&ccedil;&otilde;es com as diferentes massas das quais ele faz parte. Freud utiliza, para tanto, o conceito de identifica&ccedil;&atilde;o como o processo privilegiado para demonstrar como tais rela&ccedil;&otilde;es ocorrem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Restringindo-nos &agrave; no&ccedil;&atilde;o de ideal do eu apresentada nesse texto, vemos que Freud, ao tratar do processo de identifica&ccedil;&atilde;o, situa o ideal como elemento de suma import&acirc;ncia para a compreens&atilde;o dos la&ccedil;os entre os indiv&iacute;duos de um grupo. J&aacute; no in&iacute;cio do cap&iacute;tulo dedicado &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o, Freud (1921/1987, p. 133) assim se expressa: "<i>A identifica&ccedil;&atilde;o &eacute; conhecida pela psican&aacute;lise como a mais remota express&atilde;o de um la&ccedil;o emocional com outra pessoa</i>". E um pouco mais adiante: "<i>Podemos apenas ver que a identifica&ccedil;&atilde;o esfor&ccedil;a-se por moldar o pr&oacute;prio ego de uma pessoa segundo o aspecto daquele que foi tomado como modelo</i>" (p. 134). Com essas afirma&ccedil;&otilde;es, Freud articula o processo de identifica&ccedil;&atilde;o com o complexo de &Eacute;dipo, ressaltando seu car&aacute;ter amoroso e hostil, em outras palavras, seu car&aacute;ter oral de incorpora&ccedil;&atilde;o. Ao comentar o referido texto, Enriquez (1990, p. 66) adverte para o que est&aacute; al&eacute;m dessa articula&ccedil;&atilde;o: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se o complexo de &Eacute;dipo n&atilde;o &eacute; somente o complexo estrutural do indiv&iacute;duo, mas tamb&eacute;m da humanidade, se a Psicologia individual &eacute; um ramo da Psicologia social, as forma&ccedil;&otilde;es coletivas s&oacute; s&atilde;o compreendidas se associadas ao mecanismo da identifica&ccedil;&atilde;o e, em particular, a certas formas de identifica&ccedil;&atilde;o primitivas. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito ao la&ccedil;o emocional entre os indiv&iacute;duos e em sua consequente submiss&atilde;o ao l&iacute;der, Freud (1921/1987, p. 136) comenta: </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; come&ccedil;amos a adivinhar que o la&ccedil;o m&uacute;tuo existente entre os membros de um grupo &eacute; da natureza de uma identifica&ccedil;&atilde;o desse tipo, baseada numa importante qualidade emocional comum, e podemos suspeitar que essa qualidade comum reside na natureza do la&ccedil;o com o l&iacute;der. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seguindo a pista do processo de identifica&ccedil;&atilde;o como a primeira forma de la&ccedil;o emocional com outro sujeito, Freud usa a experi&ecirc;ncia da fascina&ccedil;&atilde;o amorosa e da hipnose como exemplos desse processo. Postula ele que o estado vivido pelo sujeito que ama, repousa sobre o mesmo aspecto, a saber, aquele que diz respeito ao ideal do eu: "<i>Em muitas formas de escolha amorosa, &eacute; fato evidente que o objeto serve de suced&acirc;neo para algum inatingido ideal do ego de n&oacute;s mesmos</i>" (Freud, 1921/1987, p. 143). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E adiante, sobre a hipnose: "<i>Existe a mesma sujei&ccedil;&atilde;o humilde, que h&aacute; para com o objeto amado. H&aacute; o mesmo debilitar da iniciativa pr&oacute;pria do sujeito; ningu&eacute;m pode duvidar que o hipnotizador colocou-se no lugar do ideal do ego</i>" (Freud, 1921/1987, p. 144-145). Freud coloca em planos similares o fasc&iacute;nio amoroso e a hipnose, na medida em que em ambas as experi&ecirc;ncias, est&atilde;o presentes a mesma posi&ccedil;&atilde;o de humildade e porque n&atilde;o dizer, de humilha&ccedil;&atilde;o do sujeito hipnotizado e/ou enamorado. Essas ideias mostram-se fecundas, na medida em que aqui se pode estabelecer uma liga&ccedil;&atilde;o desses aspectos com outros enunciados feitos pelo autor em 1913, em seu trabalho <i>Totem e tabu</i>. Ao afirmar que os grupos, constitu&iacute;dos a partir de um ideal coletivo atrav&eacute;s do la&ccedil;o com o l&iacute;der, n&atilde;o diferem em ess&ecirc;ncia da ideia apresentada sobre a horda primeva, Freud (1921/1987, p. 161) aproxima essas forma&ccedil;&otilde;es: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O l&iacute;der do grupo ainda &eacute; o temido pai primevo; o grupo ainda deseja ser governado pela for&ccedil;a irrestrita e possui uma paix&atilde;o extrema pela autoridade ... O pai primevo &eacute; o ideal do grupo, que dirige o ego no lugar do ideal do ego." </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Retornando para melhor explorar o aspecto de submiss&atilde;o do sujeito ao hipnotizador, e a partir da semelhan&ccedil;a constatada por Freud entre o hipnotizador e o pai da horda, ele acrescentar&aacute; algo sobre o que ser&aacute; incitado no sujeito: "<i>o que &eacute; assim despertado &eacute; a ideia de uma personalidade predominante e perigosa, para com quem s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel ter uma atitude passivo-masoquista, a quem se tem de entregar a pr&oacute;pria vontade</i>" (Freud, 1921/1987, p. 161). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre a ideia de passividade e masoquismo sublinhada aqui, Enriquez (1990, p. 70) comenta: "<i>Passivo-masoquista, sem d&uacute;vida, neste contexto, faz alus&atilde;o &agrave; prematuridade da crian&ccedil;a, colocando-a em condi&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia tal, que ela deve suportar, num primeiro tempo, as situa&ccedil;&otilde;es de vida impostas pelo seu meio</i>." &Eacute; tamb&eacute;m sobre essa dimens&atilde;o do poder do outro frente ao desamparo da crian&ccedil;a que pouco adiante, o mesmo autor acrescenta: <i>"Segue-se, ent&atilde;o, que o dominado pode encontrar seu prazer na submiss&atilde;o &agrave; qual &eacute; for&ccedil;ado, e amar o autor de seu tormento (ainda mais que este pode, quando achar necess&aacute;rio, fazer o jogo da d&aacute;diva de amor)</i>" (Enriquez, 1990, p. 71). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A esse respeito, Roudinesco e Plon (1998) ressaltam que a instala&ccedil;&atilde;o de um mesmo objeto de amor no lugar de seu ideal do eu, constitui o eixo vertical entre os indiv&iacute;duos e que a identifica&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca entre eles, constitui o eixo horizontal: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desconfiando da explica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do fen&ocirc;meno da sugest&atilde;o, Freud evidencia, para esclarecer a transforma&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica do indiv&iacute;duo na massa, tr&ecirc;s mecanismos. A transforma&ccedil;&atilde;o, diz ele, &eacute; produto de uma limita&ccedil;&atilde;o do narcisismo aceita por todos os membros da massa. Essa limita&ccedil;&atilde;o resulta da instala&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der na posi&ccedil;&atilde;o de ideal do eu de cada um dos membros da massa. O v&iacute;nculo amoroso que se estabelece entre os membros desta age como uma compensa&ccedil;&atilde;o, em troca do ataque narc&iacute;sico feito (p. 614). </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui, onde vemos limita&ccedil;&atilde;o do narcisismo, podemos ler ren&uacute;ncia pulsional. Na sua esteira, vem a constru&ccedil;&atilde;o do ideal atrav&eacute;s da figura do l&iacute;der e o pr&ecirc;mio da satisfa&ccedil;&atilde;o libidinal alcan&ccedil;ada age como um alento para a ferida narc&iacute;sica incontorn&aacute;vel. Abrindo m&atilde;o de seu ideal em prol do ideal da massa, o sujeito vive a experi&ecirc;ncia narc&iacute;sica de realizar seu ideal atrav&eacute;s do objeto idealizado (o l&iacute;der). A massa &eacute;, em suma, o resultado dos la&ccedil;os identificat&oacute;rios entre os indiv&iacute;duos e deixa nestes, a marca de sua for&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outro trabalho, publicado em 1927, <i>O futuro de uma ilus&atilde;o</i>, Freud prop&otilde;e um estudo minucioso sobre a natureza da civiliza&ccedil;&atilde;o a partir das ideias religiosas ou, como salienta no texto, a partir de suas ilus&otilde;es. Dois aspectos presentes na civiliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o observados: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por um lado, inclui todo o conhecimento e capacidade que o homem adquiriu com o fim de controlar as for&ccedil;as da natureza e extrair a riqueza desta para a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas; por outro, inclui todos os regulamentos necess&aacute;rios para ajustar as rela&ccedil;&otilde;es dos homens uns com os outros e, especialmente, a distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza dispon&iacute;vel (Freud, 1927/1987, p.16). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas condi&ccedil;&otilde;es, absolutamente dependentes entre si, regem a constitui&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos sociais, pois se encontram em seu bojo, os regulamentos e as ordens que protegem a civiliza&ccedil;&atilde;o de seus inimigos, os indiv&iacute;duos. Pois se a civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; aquilo que se ergue acima dos instintos antissociais, ela &eacute; fruto da ren&uacute;ncia do desejo destrutivo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, Freud (1927/1987, p. 17-18) indaga nessa altura do texto: "<i>A quest&atilde;o decisiva consiste em saber se, e at&eacute; que ponto, &eacute; poss&iacute;vel diminuir o &ocirc;nus dos sacrif&iacute;cios instintuais impostos aos homens, reconcili&aacute;-los com aqueles que necessariamente devem permanecer e fornecer-lhes uma compensa&ccedil;&atilde;o.</i>" Salienta o autor a respeito dos ideais na cultura, que estes funcionam como um norte para os indiv&iacute;duos, e mais, que estes ideais se perpetuam de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o. No entanto, a despeito de qualquer consola&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo receba, seu autor nos adverte da perman&ecirc;ncia de um mal-estar que resiste. "<i>Tal como para a humanidade em geral, tamb&eacute;m para o indiv&iacute;duo a vida &eacute; dif&iacute;cil de suportar</i>." (Freud, 1927/1987, p. 27). &Eacute; a partir do desamparo, que vemos situada, neste texto, a origem das religi&otilde;es: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desamparo do homem, por&eacute;m permanece e, junto com ele, seu anseio pelo pai e pelos deuses. Estes mant&ecirc;m sua tr&iacute;plice miss&atilde;o: exorcizar os temores da natureza, re-conciliar os homens com a crueldade do destino, particularmente a que &eacute; demonstrada na morte, e compens&aacute;-los pelos sofrimentos e priva&ccedil;&otilde;es que uma vida civilizada em comum lhes imp&ocirc;s (Freud, 1927/1987, p. 29). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vislumbramos aqui tamb&eacute;m uma possibilidade de atrelar a essas considera&ccedil;&otilde;es freudianas, a dimens&atilde;o dos ideais. Pois se o amor pelo pai onipotente visa restituir a ilus&atilde;o de uma prote&ccedil;&atilde;o infinita, esse amor n&atilde;o &eacute; outra coisa sen&atilde;o o amor por um ideal, capaz de proteger o sujeito de seu desamparo original, capaz de compens&aacute;-lo com prote&ccedil;&atilde;o e zelo pela sua ren&uacute;ncia de ser ele mesmo onipotente, ou seja, o eu ideal. Segundo Enriquez (1990, p.87): </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se sempre de repor sua pr&oacute;pria vida nas m&atilde;os de uma (ou v&aacute;rias) imagem investida da capacidade de onipot&ecirc;ncia (deus, ancestral, chefe guerreiro, profeta, taumaturgo), com o objetivo de assegurar, como resposta, sua benevol&ecirc;ncia, sua prote&ccedil;&atilde;o e seu amor, ou seja, a certeza da salva&ccedil;&atilde;o. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poder&iacute;amos acrescentar que neste texto, Freud insinua a possibilidade de pensar uma civiliza&ccedil;&atilde;o transformada, sem ilus&otilde;es, uma civiliza&ccedil;&atilde;o repousando sobre a reflex&atilde;o cient&iacute;fica como salva&ccedil;&atilde;o. Ele chega a propor a ideia de que a religi&atilde;o, essa neurose obsessiva universal, daria lugar, no desenvolvimento da humanidade, a algo mais evolu&iacute;do e portanto, libertador. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu trabalho de 1930, <i>O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o,</i> Freud demonstrar&aacute; que as puls&otilde;es e os fantasmas, s&atilde;o na melhor das hip&oacute;teses, domestic&aacute;veis, pois, o antagonismo incontorn&aacute;vel entre, de um lado, a vida pulsional com sua exig&ecirc;ncia de satisfa&ccedil;&atilde;o, e, de outro, a civiliza&ccedil;&atilde;o com sua restri&ccedil;&atilde;o &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o, &eacute; o respons&aacute;vel pela infelicidade humana. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora a ideia por ele enunciada muitos anos antes - que o eu n&atilde;o era senhor em sua pr&oacute;pria casa - tenha desestabilizado qualquer ilus&atilde;o de dom&iacute;nio sobre o si mesmo, esse estudo vem se constituir como a tese irrefut&aacute;vel de que, al&eacute;m da precariedade de qualquer dom&iacute;nio, no centro da civiliza&ccedil;&atilde;o, no cora&ccedil;&atilde;o mesmo da cultura, est&aacute; a arena onde se encontram a puls&atilde;o de morte e a puls&atilde;o de vida. Desse encontro (ou confronto) v&ecirc;-se, seguindo a tese freudiana, a emerg&ecirc;ncia da civiliza&ccedil;&atilde;o e seu funcionamento e, no entanto e paradoxalmente, a amea&ccedil;a de sua destrui&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O confronto entre a morte e a civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; o que faz com que esta se encontre, permanentemente, amea&ccedil;ada, pois, a preval&ecirc;ncia do registro econ&ocirc;mico da puls&atilde;o de morte, dar&aacute; &agrave; atualiza&ccedil;&atilde;o desta, o car&aacute;ter de crueldade que pode se voltar contra a pr&oacute;pria civiliza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse trabalho, Freud nos adverte que a frustra&ccedil;&atilde;o de uma satisfa&ccedil;&atilde;o gera o desejo de agredir/ destruir o objeto que a impediu, de maneira que a n&atilde;o satisfa&ccedil;&atilde;o de um impulso er&oacute;tico, por si s&oacute;, n&atilde;o explicaria a agressividade, seria necess&aacute;rio algo mais, sendo este algo representado pela puls&atilde;o de morte que teria como alvo o objeto interditor da satisfa&ccedil;&atilde;o (Freud, 1930/1987). Assim, a exig&ecirc;ncia civilizat&oacute;ria em cuja m&aacute;scara Freud reconhece a puls&atilde;o de morte, engendra o pr&oacute;prio mal-estar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos cap&iacute;tulos iniciais desse texto, Freud invoca a tese do princ&iacute;pio do prazer para justificar a aspira&ccedil;&atilde;o humana &agrave; felicidade. No entanto, &eacute; muito pouco o material que ele exp&otilde;e sobre a busca e o encontro da felicidade. Freud se volta com todo o interesse para o estado de infelicidade, tentando desvend&aacute;-lo para al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, nossas possibilidades de felicidade sempre s&atilde;o restringidas por nossa pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o. J&aacute; a infelicidade &eacute; muito menos dif&iacute;cil de experimentar. O sofrimento nos amea&ccedil;a a partir de tr&ecirc;s dire&ccedil;&otilde;es: de nosso pr&oacute;prio corpo, condenado &agrave; decad&ecirc;ncia e &agrave; dissolu&ccedil;&atilde;o, e que nem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advert&ecirc;ncia; do mundo externo, que pode voltar-se contra n&oacute;s com for&ccedil;as de destrui&ccedil;&atilde;o esmagadoras e impiedosas; e, finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens (Freud, 1930/1987, p. 95). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; no cap&iacute;tulo V que Freud explicita o movimento da puls&atilde;o de morte no social. Ao refletir sobre o mandamento da sociedade civilizada - de amar o pr&oacute;ximo como a si mesmo - ele interpela o leitor com uma explica&ccedil;&atilde;o desse mandamento a partir da ideia de que a civiliza&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e severas condi&ccedil;&otilde;es &agrave;s satisfa&ccedil;&otilde;es sexuais, e mais, que ela tamb&eacute;m deve manter a vigil&acirc;ncia absoluta dos impulsos destruidores do homem. A esse respeito, diz Freud (1930/1987, p. 134): </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A exist&ecirc;ncia da inclina&ccedil;&atilde;o para a agress&atilde;o, que podemos detectar em n&oacute;s mesmos e supor com justi&ccedil;a que ela est&aacute; presente nos outros, constitui o fator que perturba nossos relacionamentos com o nosso pr&oacute;ximo e for&ccedil;a a civiliza&ccedil;&atilde;o a um t&atilde;o elevado disp&ecirc;ndio &#91;de energia&#93;. </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos m&eacute;todos utilizados na civiliza&ccedil;&atilde;o para manter o contrato social entre os homens e consequentemente manter a civiliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; o impedimento da express&atilde;o da agressividade entre os membros de uma mesma comunidade, agressividade esta que ser&aacute; prontamente manifestada contra outros grupos. Esse projeto s&oacute; pode funcionar (e funciona), na medida em que os processos identificat&oacute;rios se estabelecem entre os indiv&iacute;duos, j&aacute; que estes gravitam em torno de um mesmo ideal. Assim, os ideais promovem uma esp&eacute;cie de compensa&ccedil;&atilde;o &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es impostas pela civiliza&ccedil;&atilde;o, pois al&eacute;m de acenar para uma promessa de realiza&ccedil;&atilde;o futura, eles pacificam as tend&ecirc;ncias destrutivas existentes nas rela&ccedil;&otilde;es entre os homens. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud observa inclusive que, se a necessidade de inimigos remonta a um tempo primevo - lembremos aqui do mito enunciado em <i>Totem e tabu</i> (1913/1987) - os ideais em torno dos quais uma comunidade existe, permitem que outros sujeitos passem a funcionar como objeto de &oacute;dio e, portanto, pass&iacute;veis de destrui&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, os homens n&atilde;o necessitam apenas de inimigos, eles necessitam de l&iacute;deres. Tamb&eacute;m aqui n&atilde;o nos esque&ccedil;amos de <i>Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego </i>(1921/1987), pois &eacute; o l&iacute;der que desempenha o papel de refer&ecirc;ncia a um ideal e que, promovendo a identifica&ccedil;&atilde;o entre os indiv&iacute;duos, mant&eacute;m o la&ccedil;o social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enunciada n&atilde;o sem gerar controv&eacute;rsias, a ideia da exist&ecirc;ncia de uma puls&atilde;o que visa o retorno do ser vivo ao estado inorg&acirc;nico, ou dito de outra maneira, que o objetivo de toda vida &eacute; a morte (Freud, 1920/1987), a tese da exist&ecirc;ncia da puls&atilde;o de morte ser&aacute; retomada neste texto, para explicitar o maior impedimento que toda civiliza&ccedil;&atilde;o enfrenta. Ao falar da puls&atilde;o de morte desvinculada de qualquer inten&ccedil;&atilde;o sexual e aparecendo no social na forma da mais pura destrutividade, assim se expressa Freud (1930/1987, p. 144): "<i>n&atilde;o podemos deixar de reconhecer que a satisfa&ccedil;&atilde;o do instinto se faz acompanhar por um grau extraordinariamente alto de fun&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica, devido ao fato de presentear o eu com a realiza&ccedil;&atilde;o de antigos desejos de onipot&ecirc;ncia deste &uacute;ltimo</i>". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se no texto <i>Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego </i>(1921/1987) Freud destaca a import&acirc;ncia dos ideais, podemos vislumbrar em <i>O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o</i> (1930/1987), a import&acirc;ncia dada &agrave; inst&acirc;ncia superegoica, pois &eacute; o superego, mobilizador do sentimento de culpa que ajuda a manter a civiliza&ccedil;&atilde;o: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O superego cultural desenvolveu seus ideais e estabeleceu suas exig&ecirc;ncias. Entre estas, aquelas que tratam das rela&ccedil;&otilde;es dos seres humanos uns com os outros est&atilde;o abrangidos sob o t&iacute;tulo da &eacute;tica ... A &eacute;tica deve, portanto ser considerada como uma tentativa terap&ecirc;utica - como um esfor&ccedil;o para alcan&ccedil;ar, atrav&eacute;s de uma ordem do superego, algo at&eacute; agora n&atilde;o conseguido por meio de quaisquer outras atividades culturais (p. 167). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui, o superego cultural governado pelo elemento primevo do ideal (amar&aacute;s ao pr&oacute;ximo, ou seja, n&atilde;o matar&aacute;s o pr&oacute;ximo) e apoiado na amea&ccedil;a constante da perda de amor, ordena, aguarda e, se necess&aacute;rio, pune. Lembrando que a agressividade do superego deriva originalmente da agressividade do eu para com o objeto, ou seja, para com o objeto que lhe imp&otilde;e severas restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s satisfa&ccedil;&otilde;es pulsionais, o eu incorpora essa autoridade que da&iacute; por diante, pode legislar desde dentro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um de seus &uacute;ltimos trabalhos, <i>Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo</i>, publicado em 1939, Freud buscou rever as quest&otilde;es ligadas ao anti-semitismo a partir do pr&oacute;prio juda&iacute;smo. A despeito de todas as quest&otilde;es implicadas nessa empreitada freudiana, recortaremos aqui apenas os aspectos relacionados diretamente aos ideais, na tentativa de lig&aacute;-los aos textos que o precederam nesse trabalho, pois parece haver um fio articulador entre os textos <i>Mois&eacute;s</i> e <i>Totem e tabu</i> (1913/1987), <i>Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego </i>(1921/1987) e <i>O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o </i>(1930/1987). Trata-se precisamente de repensar o pai da horda primitiva, a figura do l&iacute;der e a ren&uacute;ncia pulsional, temas abordados de maneira central nos textos freudianos anteriores. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o ao pai da horda, veremos uma invers&atilde;o, na medida em que, se o pai da horda representava a pr&oacute;pria recusa do amor, Mois&eacute;s, ao contr&aacute;rio, </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&eacute; aquele que escolhe, que elege, que ama, que fornece as leis, que introduz os escravos no mundo da cultura ... ele &eacute; ao mesmo tempo o verdadeiro pai: aquele que fornece aos outros o sistema simb&oacute;lico que os permite existir e continuar sua obra (Enriquez, 1990, p. 123). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como o pai da horda, o destino do "grande homem" &eacute; o de ser morto. Assim, diz Freud (1939 &#91;1934-38&#93;/1987, p.109): "<i>O destino trouxera o grande feito e o malfeito dos dias primevos, a morte do pai, para mais perto do povo judeu, fazendo-o repeti-lo na pessoa de Mois&eacute;s, uma destacada figura paterna</i>". O grande homem personificado em Mois&eacute;s realiza a tarefa de ser tomado como chefe, como ideal do eu, e de mobilizar as manifesta&ccedil;&otilde;es de amor em toda a multid&atilde;o. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nem por um s&oacute; momento nos achamos &agrave;s escuras quanto a saber porque um grande homem se torna um dia importante. Sabemos que na massa humana existe uma poderosa necessidade de uma autoridade que possa ser admirada, perante quem nos curvemos, por quem sejamos dirigidos e, talvez, at&eacute; maltratados (Freud, 1939 &#91;193438&#93;/1987, p. 131). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sedu&ccedil;&atilde;o e o fasc&iacute;nio exercidos pelo l&iacute;der, como foi descrito em <i>Psicologia de</i> grupo<i> e a an&aacute;lise do ego</i> (1921/1987), s&atilde;o retomados neste trabalho freudiano para demonstrar que o desejo de seduzir, a fascina&ccedil;&atilde;o exercida e seu resultado imediato, que &eacute; o desejo de submeter-se, est&atilde;o presentes tamb&eacute;m na tese apresentada sobre Mois&eacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia j&aacute; enunciada em <i>O futuro de uma ilus&atilde;o </i>(1927/1987) da necessidade e do anseio pelo pai e pelos deuses, &eacute; aqui retomada na figura de Mois&eacute;s pelo ideal que ele encarna, ou como assinala Freud (1939 &#91;1934-38&#93;/1987, p.131): "<i>Trata-se de um anseio pelo pai que &eacute; sentido por todos, da inf&acirc;ncia em diante ... quem, sen&atilde;o o pai, pode ter sido 'o homem grande' na inf&acirc;ncia?</i>". Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ren&uacute;ncia pulsional, neste texto Freud tenta explicar porque o povo judeu renunciou, mais que qualquer outro, &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o das puls&otilde;es. A pista a seguir &eacute; aquela que conduz &agrave; hist&oacute;ria do assassinato de Mois&eacute;s. Se o povo judeu foi escolhido por Mois&eacute;s, este foi morto pelo povo eleito que o instituiu como pai. Os filhos por outro lado, escolheram ser filhos deste pai. A escolha s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se o intelecto prevalece sobre os sentidos: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a ordem social matriarcal foi sucedida pela patriarcal... Mas esse afastamento da m&atilde;e para o pai aponta, al&eacute;m disso, para uma vit&oacute;ria da intelectualidade sobre a sensualidade - isto &eacute;, para um avan&ccedil;o em civiliza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a maternidade &eacute; provada pela evid&ecirc;ncia dos sentidos, ao passo que a paternidade &eacute; uma hip&oacute;tese, baseada numa infer&ecirc;ncia e numa premissa. Tomar partido, dessa maneira, por um processo de pensamento, de prefer&ecirc;ncia a uma percep&ccedil;&atilde;o sens&oacute;ria, provou ser um passo momentoso (Freud, 1939 &#91;1934-38&#93;/1987, p. 136). </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme mostra Freud neste trabalho, aquilo que se ganha frente &agrave; ren&uacute;ncia pulsional, ou seja, o avan&ccedil;o em intelectualidade impede a volta &agrave; sensualidade, ao bezerro de ouro, &agrave; adora&ccedil;&atilde;o das imagens, em outras palavras, a um lugar comum. &Agrave; ren&uacute;ncia, sucede-se um ganho: ser o povo eleito. Dessa maneira, o pai garante aos filhos a prote&ccedil;&atilde;o e o amor sempre ansiados e a confian&ccedil;a na lei da qual ele &eacute; representante, garante a ades&atilde;o necess&aacute;ria dos filhos a uma religi&atilde;o ou a uma ideologia. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste texto, Freud conclui a hist&oacute;ria de Totem e tabu. Se o primeiro assassinato cria a civiliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso que ele seja finalizado por um outro (ou v&aacute;rios) "de acordo com a lei" (s&oacute; existe pai, quando morto), possibilitando o acesso &agrave; lei paterna. Deste modo, ainda que exista a repeti&ccedil;&atilde;o de um mesmo ato, n&atilde;o existe a repeti&ccedil;&atilde;o do id&ecirc;ntico, pois cada crime faz renascer um novo grupo (Enriquez, 1990, p. 132). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s esse percurso, pensamos ser imposs&iacute;vel encarar uma dicotomia entre ideais do indiv&iacute;duo e ideais de uma cultura, pois, se aquilo que mant&eacute;m o la&ccedil;o social, &eacute; o mesmo que mant&eacute;m a unidade do sujeito, a saber, a din&acirc;mica entre o eu ideal, os ideais e o superego, ela subsiste ruidosamente ou silenciosamente nos indiv&iacute;duos e da mesma maneira na cultura. Arriscar&iacute;amos inclusive, dizer que tanto mais silencia no sujeito, mais ru&iacute;do faz na cultura, sendo o contr&aacute;rio igualmente verdadeiro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a ren&uacute;ncia pulsional se faz dentro de casa, ela explode na rua. Se a dist&acirc;ncia entre o eu e o ideal se insinua al&eacute;m do suport&aacute;vel, o superego vir&aacute;, implacavelmente, desde o mais &iacute;ntimo do sujeito ou encarnado em algum aspecto cultural, cobrar a d&iacute;vida do sujeito com o risco da perda de amor. O psiquismo &eacute; o palco vivo da cultura e, para que o desejo sobreviva, &eacute; necess&aacute;rio encontrar o caminho dessas satisfa&ccedil;&otilde;es pulsionais de maneira que a civiliza&ccedil;&atilde;o seja mantida, ainda que seja sob o rumor da puls&atilde;o de morte. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A viol&ecirc;ncia que se busca combater no exterior se constitui em uma miragem necess&aacute;ria, em cuja servid&atilde;o volunt&aacute;ria todo sujeito se engaja de bom grado, desde que o inimigo seja mantido fora. Al Qaeda, Hizbollah e o anti-semitismo, por exemplo, fiam-se nesse preceito. Sob esse preceito tamb&eacute;m se elegeram como a encarna&ccedil;&atilde;o do mal os leprosos na Idade M&eacute;dia e os loucos que se constitu&iacute;ram como os inquilinos nos lepros&aacute;rios vazios. Nestes exemplos que revelam a for&ccedil;a massacrante dos ideais, o que vemos &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o do pulsional, que faz o homem se agarrar ao seu objeto idealizado. S&atilde;o incont&aacute;veis as manifesta&ccedil;&otilde;es do &oacute;dio humano e de seu poder. O poder dos ideais, por&eacute;m, n&atilde;o lhe fica atr&aacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para finalizar, citamos Lacan (1964/1988) que t&atilde;o bem enunciou essa dimens&atilde;o mort&iacute;fera do amor, ou precisamente, a dimens&atilde;o mort&iacute;fera dos ideais: </font></p>      <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a oferenda, a deuses obscuros, de um objeto de sacrif&iacute;cios, &eacute; algo a que poucos sujeitos podem deixar de sucumbir, numa captura monstruosa. A ignor&acirc;ncia, a indiferen&ccedil;a, para quem quer que seja capaz de dirigir para esse fen&ocirc;meno, um olhar corajoso - e, ainda uma vez, h&aacute; certamente poucos que n&atilde;o sucumbiriam &agrave; fascina&ccedil;&atilde;o do sacrif&iacute;cio em si mesmo - o sacrif&iacute;cio significa que, no objeto de nossos desejos, tentamos encontrar o testemunho da presen&ccedil;a do desejo desse Outro que eu chamo aqui o Deus obscuro (p. 259). </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enriquez, E. (1990). <i>Da horda ao estado: Psican&aacute;lise do v&iacute;nculo social.</i> (T. C. Carreteiro &amp; J. Nasciutti, trad.) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470726&pid=S0006-5943201200020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1987). Al&eacute;m do princ&iacute;pio de prazer. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud. </i>(Vol. XVIII, pp. 13-85; J. Salom&atilde;o, trad. e rev.). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Original publicado em 1920).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470728&pid=S0006-5943201200020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1987). Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud. </i>(Vol. XXIII, pp. 13-161; J. Salom&atilde;o, trad. e rev.). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Original publicado em 1939 &#91;1934-38&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470730&pid=S0006-5943201200020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->). </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1987). O futuro de uma ilus&atilde;o. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud. </i>(Vol. XXI, pp. 13-71; J. Salom&atilde;o, trad. e rev.). Rio de Janeiro: Imago Editora. (original publicado em 1927).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470732&pid=S0006-5943201200020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1987). O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud. </i>(Vol XXI, pp. 75-171; J. Salom&atilde;o, trad. e rev.). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Original publicado em 1930).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470734&pid=S0006-5943201200020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1987). Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud.</i> (Vol. XVIII, pp. 89-179; J. Salom&atilde;o, trad. e rev.). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Original publicado em 1921).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470736&pid=S0006-5943201200020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1987). Totem e tabu. In: S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud. </i>(Vol. XIII, pp. 13-191; J. Salom&atilde;o, trad. e rev.). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Original publicado em 1913).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470738&pid=S0006-5943201200020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1988). Os quatro conceitos fundamentais em psican&aacute;lise. In: J. Lacan, <i>O semin&aacute;rio: Livro 11. </i>(M. D. Magno, trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. (Original publicado em 1964).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470740&pid=S0006-5943201200020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Roudinesco, E. &amp; Plon, M. (1998). <i>Dicion&aacute;rio de psican&aacute;lise. </i>(V. Ribeiro &amp; L. Magalh&atilde;es, trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470742&pid=S0006-5943201200020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 15/12/11    <br>Revisto em 30/07/12     <br>Aceito em 02/08/12 </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="add1"></a><a href="#add">*</a> Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia: Rua Antonieta Aguirre de Moraes Barros, 258, Vila Augusta. Guarulhos - SP. CEP: 07025-011. Telefone: (11) 2461-3811. E-mail: <a href="mailto:helenice.o.rocha@uol.com.br">helenice.o.rocha@uol.com.br</a> </font></p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Enriquez]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carreteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[T. C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nasciutti]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Da horda ao estado: Psicanálise do vínculo social]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Jorge Zahar Editor]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Além do princípio de prazer]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salomão]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1987</year>
<volume>XVIII</volume>
<page-range>13-85</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Moisés e o monoteísmo]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salomão]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1987</year>
<volume>XXIII</volume>
<page-range>13-161</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O futuro de uma ilusão]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salomão]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1987</year>
<volume>XXI</volume>
<page-range>13-71</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O mal-estar na civilização]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salomão]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1987</year>
<volume>XXI</volume>
<page-range>75-171</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Psicologia de grupo e a análise do ego]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salomão]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1987</year>
<volume>XVIII</volume>
<page-range>89-179</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Totem e tabu]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salomão]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1987</year>
<volume>XIII</volume>
<page-range>13-191</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lacan]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Lacan]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Magno]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O seminário: Livro 11]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Jorge Zahar Editor]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Roudinesco]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Plon]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Magalhães]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dicionário de psicanálise]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Jorge Zahar Editor]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
