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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O erro médico e o respeito às vítimas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Medical malpractice results from an inadequate professional conduct leading to damage to somebody´s life or health, due to some action or omission. Such a situation has become more and more common in the Brazilian scenario, and the respect and the concern for the victims are ignored. Thus, this study aims at identifying the ways the professionals involved in malpractice take the victim as a human being into consideration. An individual semi structured interview was performed with twelve individuals who had suffered malpractice. It was found out that the victims feel disrespected and deprived of rights, when they go through such a situation. Doctors didn't show willingness to help, nor they assumed the responsibility for their malpractice, which reinforces a impaired relationship. In Brazil the stigma of malpractice has a strong connection with imposed value judgments, which makes it more difficult to be accepted by both the victim and the professionals]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Erro médico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="add"></a>O erro m&eacute;dico e o respeito &agrave;s v&iacute;timas </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Medical malpractice and the respect for victims </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vitor Silva Mendon&ccedil;a<a href="#not1"><sup>*</sup></a>; Eda Marconi Cust&oacute;dio<a href="#not1"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo - SP - Brasil </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O erro m&eacute;dico adv&eacute;m de uma conduta profissional inadequada, capaz de produzir dano &agrave; vida ou agravo &agrave; sa&uacute;de de outrem, por a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o. Essa situa&ccedil;&atilde;o tem se tornado cada vez mais comum no cen&aacute;rio brasileiro e o respeito e considera&ccedil;&atilde;o &agrave;s v&iacute;timas ficam ignorados. Dessa maneira, este estudo tem objetivo de identificar de que modo os profissionais envolvidos com o erro levam em considera&ccedil;&atilde;o a pessoa da v&iacute;tima enquanto ser humano. Foi utilizada entrevista semiestruturada realizada com cada uma das 12 pessoas que passaram pela situa&ccedil;&atilde;o do erro m&eacute;dico. Verificou-se que as v&iacute;timas se sentem desrespeitadas e sem direitos, quando acometidas pelo erro. Os m&eacute;dicos respons&aacute;veis se mostraram pouco dispon&iacute;veis a ajudar e, menos ainda, a assumirem que erraram, refor&ccedil;ando uma rela&ccedil;&atilde;o desgastada. O estigma do erro m&eacute;dico no Brasil tem uma forte liga&ccedil;&atilde;o com os ju&iacute;zos de valores impostos, dificultando sua aceita&ccedil;&atilde;o para a v&iacute;tima e profissionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Erro m&eacute;dico; justi&ccedil;a; respeito; v&iacute;tima.</font></p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Medical malpractice results from an inadequate professional conduct leading to damage to somebody&acute;s life or health, due to some action or omission. Such a situation has become more and more common in the Brazilian scenario, and the respect and the concern for the victims are ignored. Thus, this study aims at identifying the ways the professionals involved in malpractice take the victim as a human being into consideration. An individual semi structured interview was performed with twelve individuals who had suffered malpractice. It was found out that the victims feel disrespected and deprived of rights, when they go through such a situation. Doctors didn't show willingness to help, nor they assumed the responsibility for their malpractice, which reinforces a impaired relationship. In Brazil the stigma of malpractice has a strong connection with imposed value judgments, which makes it more difficult to be accepted by both the victim and the professionals.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key words:</b> Medical malpractice; justice; respect; victim.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Medicina &eacute; uma das profiss&otilde;es mais antigas do mundo e a incid&ecirc;ncia do erro de quem a pratica tamb&eacute;m &eacute; igualmente antiga. Os povos da Antiguidade e Idade M&eacute;dia j&aacute; puniam os m&eacute;dicos que cometiam erros. Na Roma antiga, estabeleciam-se alguns delitos espec&iacute;ficos dos m&eacute;dicos, como abandono de pacientes e erros, nos quais o m&eacute;dico era obrigado a indenizar por conta desse erro, delineando-se, assim, a responsabilidade civil do m&eacute;dico. Nessa &eacute;poca, tamb&eacute;m, a responsabilidade j&aacute; dependia da convic&ccedil;&atilde;o de culpa e passava por avalia&ccedil;&atilde;o de um grupo de m&eacute;dicos, que determinavam, se o profissional da Medicina havia tido culpa ou n&atilde;o pelo mal resultado de sua a&ccedil;&atilde;o (Moraes, 2003; Undelsmann, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O erro m&eacute;dico pode ser entendido e conceituado como "<i>a conduta profissional inadequada que sup&otilde;e uma inobserv&acirc;ncia t&eacute;cnica, capaz de produzir dano &agrave; vida ou agravo &agrave; sa&uacute;de de outrem, mediante imper&iacute;cia, imprud&ecirc;ncia ou neglig&ecirc;ncia</i>" (Gomes, Drumond &amp; Fran&ccedil;a, 2001, p. 27). Giostri (2002, p. 136) entende o erro m&eacute;dico como "<i>uma falha no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o, do que adv&eacute;m um mau resultado ou um resultado adverso, efetivando-se atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o ou da omiss&atilde;o do profissional</i>". Seguindo uma tradi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, Souza (2006, p. 1) conceitua o erro m&eacute;dico como a <i>"responsabilidade civil do m&eacute;dico, por eventuais danos causados ao paciente</i>". O C&oacute;digo de &Eacute;tica M&eacute;dica n&atilde;o traz nenhuma defini&ccedil;&atilde;o a respeito do tema, entretanto, o art. 1º do Cap&iacute;tulo III destaca que &eacute; vedado ao m&eacute;dico "<i>causar dano ao paciente, por a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o, caracteriz&aacute;vel como imper&iacute;cia, imprud&ecirc;ncia ou neglig&ecirc;ncia</i>" (Brasil, 2009, p. 4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ocorr&ecirc;ncia dos erros m&eacute;dicos tem tomado grandes propor&ccedil;&otilde;es, principalmente pela influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia, que desencadeia uma forte press&atilde;o para se descobrir o culpado e a causa do erro (Giostri, 2002; Mendon&ccedil;a &amp; Cust&oacute;dio, 2016; Rosa &amp; Perini, 2003), deixando em segundo plano, ou mesmo de lado, a dimens&atilde;o experiencial da pr&oacute;pria v&iacute;tima do erro m&eacute;dico. Grande parte dos estudos desenvolvidos pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) est&aacute; voltada para a an&aacute;lise e levantamento do perfil profissional do denunciado e para caracter&iacute;sticas relacionadas com o erro m&eacute;dico, como as especialidades envolvidas, processos disciplinares julgados e penas aplicadas. Na verdade, esses estudos oferecem algumas interpreta&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas e n&atilde;o aprofundam a busca dos determinantes cient&iacute;ficos relativos &agrave; incid&ecirc;ncia do erro m&eacute;dico (Gomes, Drumond &amp; Fran&ccedil;a, 2001; Udelsmann, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao se fazer uma an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico e paciente, &eacute; poss&iacute;vel perceber que h&aacute; uma despersonaliza&ccedil;&atilde;o nesse processo, haja vista que a Medicina se socializou e ramificou ainda mais suas especialidades na arte m&eacute;dica, desaparecendo a figura cordial do "m&eacute;dico da fam&iacute;lia", em quem se depositava confian&ccedil;a irrestrita. N&atilde;o se deve olvidar, entretanto, que a atividade m&eacute;dica &eacute; de interesse social, que a prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de humana se imp&otilde;e como indispens&aacute;vel e o cidad&atilde;o, por sua vez, tem o direito de exigir do Estado a ado&ccedil;&atilde;o de medidas visando &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as e ao tratamento delas (Kfouri Neto, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito &agrave; refer&ecirc;ncia feita pelas pesquisas &agrave; condi&ccedil;&atilde;o dos pacientes (Fujita &amp; Santos, 2009; Rosa &amp; Perini, 2003; Udelsmann, 2002), percebe-se claramente que a comunidade m&eacute;dica est&aacute; se sentindo acuada, devido ao "fortalecimento" da cidadania, visto que despertou nos indiv&iacute;duos a no&ccedil;&atilde;o de seus direitos, o que, segundo os autores, tornou o paciente mais contestador e exigente. Essa rela&ccedil;&atilde;o de "poder" permite ao paciente recorrer &agrave;s a&ccedil;&otilde;es legais, quando percebe que foi lesado por um erro decorrente da assist&ecirc;ncia m&eacute;dica (Fujita &amp; Santos, 2009; Rosa &amp; Perini, 2003; Udelsmann, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pode ser por essa raz&atilde;o, ent&atilde;o, que muitos m&eacute;dicos tendem a n&atilde;o relatar o erro ao paciente. De acordo com Carvalho e Vieira (2002) evitar a diminui&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a do paciente, impedir o aumento de ansiedade no paciente e a possibilidade de enfrentar um processo legal s&atilde;o os motivos que levam alguns m&eacute;dicos a n&atilde;o revelarem seus erros. Portanto, argumenta Cernadas (2009) que, para o paciente, deve ser extremamente desconfort&aacute;vel e decepcionante ouvir do pr&oacute;prio m&eacute;dico que foi v&iacute;tima de um erro. O m&eacute;dico, n&atilde;o obstante, precisa ser sincero para lidar abertamente com esse assunto. Al&eacute;m disso, deve-se ressaltar que &eacute; responsabilidade do m&eacute;dico informar o ocorrido ao paciente, incluindo pedido formal de desculpa e, em alguns casos, oferta de recompensa material.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao paciente, independente do procedimento m&eacute;dico a ser realizado, s&atilde;o dados alguns direitos e deveres. O principal deles &eacute; o direito de recorrer ao Judici&aacute;rio para pleitear a repara&ccedil;&atilde;o de quaisquer danos que lhe tenham sido culposamente infligidos por obra do m&eacute;dico. Por&eacute;m, segundo Kfouri (2010), existem outras prerrogativas que est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do paciente, como o direito de acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es do seu hist&oacute;rico cl&iacute;nico, contendo todos os dados de exames, laudos, entre outros. O paciente ou seus familiares (c&ocirc;njuge ou filhos) t&ecirc;m o direito de gravar ou filmar os atos m&eacute;dicos que sobre ele recaiam. Para tanto, a melhor indica&ccedil;&atilde;o contra um m&eacute;dico negligente, imprudente ou descuidado &eacute; um paciente bem informado e conhecedor dos seus direitos e obriga&ccedil;&otilde;es. Dessa forma, "<i>o paciente deve ter a clara consci&ecirc;ncia de que n&atilde;o est&aacute; subordinado ao m&eacute;dico; que o m&eacute;dico &eacute; um profissional que recebe compensa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica para servi-lo</i>" (Kfouri Neto, 2010, p. 34).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda em rela&ccedil;&atilde;o aos deveres, o profissional m&eacute;dico deve informar, confirmar o esclarecimento e obter autoriza&ccedil;&atilde;o do paciente para proceder ao tratamento. Por isso, o m&eacute;dico deve solicitar a autoriza&ccedil;&atilde;o da pessoa para a realiza&ccedil;&atilde;o de determinada atua&ccedil;&atilde;o (Callegari &amp; Oliveira, 2010; Kfouri Neto, 2010). O consentimento informado &eacute; lei em diversos pa&iacute;ses. Na Corte de Cassa&ccedil;&atilde;o Italiana, o cirurgi&atilde;o deve obter o consentimento v&aacute;lido do paciente antes de proceder &agrave; opera&ccedil;&atilde;o e em palavras acess&iacute;veis. Na Fran&ccedil;a, o consentimento &eacute; obrigat&oacute;rio, livre e renovado para cada ato m&eacute;dico ulterior, ou seja, o consentimento &eacute; um pr&eacute;-requisito essencial de todo tratamento ou interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, caso contr&aacute;rio, o m&eacute;dico incorre em responsabilidade, conforme o caso julgado na Corte de Apela&ccedil;&atilde;o de Rennes no ano de 1994, ao condenar o m&eacute;dico que efetuou colonoscopia para retirada de um p&oacute;lipo, mas acabou perfurando o intestino, risco do qual a paciente n&atilde;o havia sido previamente informada. Fundamentou-se a condena&ccedil;&atilde;o na omiss&atilde;o dos dados, pois o profissional tinha a obriga&ccedil;&atilde;o de informar os riscos do tratamento a ser realizado (Kfouri Neto, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somado a isso, aqui no Brasil, tem-se a situa&ccedil;&atilde;o de que o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, que entrou em vigor no in&iacute;cio dos anos de 1990, conferiu um car&aacute;ter mais questionador ao paciente, de modo que garantiu um equil&iacute;brio maior na defesa de seus direitos. Sem contar, tamb&eacute;m, que na Medicina, a responsabilidade civil do m&eacute;dico &eacute; disciplinada por esse c&oacute;digo, como tamb&eacute;m, pelo C&oacute;digo Civil, conferindo ao cidad&atilde;o brasileiro mais seguran&ccedil;a para exigir um servi&ccedil;o de qualidade e mais recursos para que ele procure seus direitos, caso sinta-se lesado (Minossi, 2009; Murr, 2010).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim sendo, este artigo procura conhecer e elucidar como os profissionais envolvidos no erro tratam a pessoa v&iacute;tima do erro m&eacute;dico, a partir do olhar das v&iacute;timas. Ou seja, busca-se compreender como os m&eacute;dicos e os agentes que fiscalizam o erro (a justi&ccedil;a e o Conselho de Medicina) levam em considera&ccedil;&atilde;o a v&iacute;tima de um erro m&eacute;dico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta pesquisa, de car&aacute;ter qualitativo, foi realizada com 12 pacientes v&iacute;timas de erro m&eacute;dico no Brasil. Sete participantes s&atilde;o do sexo feminino e cinco do masculino. As v&iacute;timas t&ecirc;m idades entre 25 e 72 anos. De acordo com a proposta deste trabalho, n&atilde;o houve crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fico para participa&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, um &uacute;nico crit&eacute;rio exigido era a comprova&ccedil;&atilde;o do erro m&eacute;dico pela Justi&ccedil;a comum ou pelo Conselho Regional de Medicina, o que permitiria melhor rigor cient&iacute;fico aos dados e &agrave; pesquisa. Os participantes foram previamente convidados a participar da pesquisa e informados sobre os objetivos. As entrevistas ocorreram ao longo do ano de 2012, nas cidades de S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, em locais apropriados e de livre escolha do entrevistado, principalmente, devido &agrave; incapacidade de locomo&ccedil;&atilde;o de alguns.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensando na possibilidade de criar um espa&ccedil;o para que os participantes pudessem relatar suas experi&ecirc;ncias e expor suas percep&ccedil;&otilde;es sobre o fen&ocirc;meno, optou-se pelo recurso metodol&oacute;gico de relato oral. Foi utilizada uma entrevista semiestruturada com a seguinte quest&atilde;o disparadora "Fale-me como foi a sua experi&ecirc;ncia da descoberta do erro m&eacute;dico at&eacute; os dias de hoje". Essa quest&atilde;o permitiu um aprofundamento reflexivo do participante, a come&ccedil;ar por uma "provoca&ccedil;&atilde;o" que despertava seu depoimento. &Agrave; medida que o depoimento do participante foi sendo relatado, o pesquisador, por vezes, poderia fazer alguns pequenos questionamentos que pudessem responder a indaga&ccedil;&otilde;es outras sobre o tema que, por raz&otilde;es diversas, o participante poderia n&atilde;o ter relatado num primeiro momento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, entendeu-se que a situa&ccedil;&atilde;o de entrevista, a partir de um instrumento com enfoque metodol&oacute;gico de relato oral, poderia permitir um aprofundamento do participante em sua experi&ecirc;ncia como v&iacute;tima, no intuito de mobilizar seu discurso, segundo an&aacute;lises da viv&ecirc;ncia relatada. As narrativas das experi&ecirc;ncias foram registradas com aux&iacute;lio de um gravador, mediante a autoriza&ccedil;&atilde;o dos participantes. Posteriormente, as entrevistas foram transcritas e analisadas como meio de se articularem as possibilidades de compreens&atilde;o, a partir da busca de sentido. Os conte&uacute;dos obtidos foram organizados em n&uacute;cleos tem&aacute;ticos ou unidades de significa&ccedil;&atilde;o. Dessa maneira, algumas possibilidades do fen&ocirc;meno puderam ser reveladas, a partir da viv&ecirc;ncia de cada participante como ser v&iacute;tima de erro m&eacute;dico (Critelli, 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa foi registrada e aprovada no Comit&ecirc; de &Eacute;tica da Universidade de S&atilde;o Paulo, onde p&ocirc;de ser apreciado o compromisso &eacute;tico e cient&iacute;fico a que se prop&ocirc;s. Este estudo tamb&eacute;m obedeceu &agrave; Resolu&ccedil;&atilde;o nº 196/96, do Conselho Nacional de Sa&uacute;de ((Brasil, 1996), que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil, visando a assegurar os direitos em respeito aos participantes da pesquisa, como tamb&eacute;m a anu&ecirc;ncia de cada um deles ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, no qual se encontravam explicitados os objetivos, procedimentos e benef&iacute;cios da pesquisa. Cabe lembrar que a pesquisa foi iniciada no ano de 2011, por isso foi registrada de acordo com a resolu&ccedil;&atilde;o vigente &agrave; &eacute;poca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os verdadeiros nomes das pessoas e das institui&ccedil;&otilde;es, envolvidos nos casos descritos nesta pesquisa foram alterados para assegurar a privacidade de cada um, o respeito ao participante e &agrave;s normas de pesquisa com seres humanos no pa&iacute;s. Os nomes fict&iacute;cios dos participantes fazem refer&ecirc;ncia &agrave;s personalidades laureadas com o Pr&ecirc;mio Nobel da Paz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados da <a href="/img/revistas/bolpsi/v66n145/a02tab01.jpg">Tabela 1</a> fazem refer&ecirc;ncia &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas neste estudo e auxiliam na identifica&ccedil;&atilde;o de cada caso estudado neste trabalho, na tentativa de melhor visualiza&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da <a href="/img/revistas/bolpsi/v66n145/a02tab01.jpg">Tabela 1</a> pode ser observada a variabilidade dos tipos de erros m&eacute;dicos na amostra, bem como os quatro &uacute;ltimos casos ainda estavam ainda tramitando na justi&ccedil;a na &eacute;poca das entrevistas. Tamb&eacute;m se constata que tr&ecirc;s delas se referiram a cirurgias no membro ou &oacute;rg&atilde;o errado e duas a coloca&ccedil;&atilde;o incorreta de pr&oacute;teses, o que pode estar relacionado &agrave; atitude cl&iacute;nica do m&eacute;dico em rela&ccedil;&atilde;o aos pacientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A atitude cl&iacute;nica se refere &agrave; capacidade de ver, ouvir, captar, sintonizar e responder ao paciente a partir de sua perspectiva, de modo que as condi&ccedil;&otilde;es de vida, o meio em que se insere, as rela&ccedil;&otilde;es familiares, as cren&ccedil;as e convic&ccedil;&otilde;es est&atilde;o presentes nas duas pontas da rela&ccedil;&atilde;o. A partir dessa fundamenta&ccedil;&atilde;o de Mello Filho e Burd (2010), &eacute; poss&iacute;vel afirmar que o m&eacute;dico tem um jeito de olhar, conduzir e reagir &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es mais diversas que ocorrem no ambiente de trabalho. Ou seja, cada profissional tem uma atitude cl&iacute;nica e as rea&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao erro m&eacute;dico tamb&eacute;m s&atilde;o particulares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada profissional tem um modo de se comportar ao se deparar com o erro m&eacute;dico, por&eacute;m n&atilde;o &eacute; de se estranhar que, em geral, os profissionais m&eacute;dicos tenham dificuldades em assumir um erro. E isso est&aacute; presente nas rea&ccedil;&otilde;es dos m&eacute;dicos aqui envolvidos, segundo as v&iacute;timas. A seguir ser&atilde;o apresentados alguns trechos dos depoimentos das v&iacute;timas para ilustrar melhor essas rea&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"A doutora V &#91;m&eacute;dica residente R1&#93; adulterou. Olha, eu n&atilde;o estou te contando a d&eacute;cima parte do caso. Abriram a sala do S &#91;m&eacute;dico que cuidou do caso ap&oacute;s o erro&#93; e roubaram o processo da sala dele. E adulteraram as p&aacute;ginas do prontu&aacute;rio, inclusive ela. O que ela escreveu no prontu&aacute;rio, depois do ocorrido, foi uma folha enorme com todo o ocorrido. Mas, para ela n&atilde;o colocar as pessoas em risco, eles roubaram da sala do S e adulteraram. </i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O m&eacute;dico que fez o parto veio discutir comigo, porque ele soube que eu ia levar o caso adiante. A&iacute;, ele me pegou e levou para uma sala s&oacute;, fechou a porta para conversar comigo, achando que eu fosse dar uma de bobinha. E eu falei: &lsquo;Meu amigo, voc&ecirc; n&atilde;o me conhece. Voc&ecirc; n&atilde;o vai me intimidar jamais. Voc&ecirc;, para mim, &eacute; um zero &agrave; esquerda. Voc&ecirc; n&atilde;o conhece a minha fam&iacute;lia e n&atilde;o sabe de onde eu venho. Voc&ecirc; n&atilde;o sabe quem eu sou'. E ele falou: &lsquo;Ah, mais &eacute; porque eu sou m&eacute;dico, mas sou gente tamb&eacute;m. Eu tenho irm&atilde;o e tenho uma tia que vive assim...'. Eu falei: &lsquo;Olha s&oacute;, voc&ecirc; que procure saber de direito a quem responsabilizar. Cada um que procure cuidar do seu caso. Eu estou vendo o meu caso. Deus te deu o direito de nascer em uma fam&iacute;lia, de ter educa&ccedil;&atilde;o e ter estudo, Deus n&atilde;o te deu o direito de tirar a vida de ningu&eacute;m' ... Ele me encontrou v&aacute;rias vezes para tentar abafar o caso. Ele me procurava na rua, minha vontade era partir para cima dele. Ele estava desesperado, j&aacute; preocupado que fosse ter a carteira cassada." </i><b>(Jane) </b></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O relacionamento entre o paciente e o profissional da sa&uacute;de &eacute; a base de todo o tratamento e procedimento m&eacute;dico. A comunica&ccedil;&atilde;o, fatores psicol&oacute;gicos e comportamentais fazem parte desse processo e qualquer dificuldade interfere diretamente nessa rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A base da comunica&ccedil;&atilde;o adequada &eacute; a empatia, pois permite se colocar na posi&ccedil;&atilde;o do outro, sentir o que sentiria, caso estivesse nessa situa&ccedil;&atilde;o e, assim, sintonizar e cooperar com o paciente, independente da verticalidade t&eacute;cnica do relacionamento. Mas &eacute; sabido que, na pr&aacute;tica, isso &eacute; quase impercept&iacute;vel ou posto em a&ccedil;&atilde;o. A fala de Jane retrata essa falta de empatia que os profissionais da sa&uacute;de n&atilde;o deveriam ter. E mais, muitos deles usam jarg&otilde;es extremamente t&eacute;cnicos que os pacientes n&atilde;o conseguem entender ou, ent&atilde;o, deixam o tecnicismo prevalecer sobre o aspecto humano, o que causa dor desnecess&aacute;ria ao transmitir uma m&aacute; not&iacute;cia, por exemplo, demonstrando a dificuldade na rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico e paciente (Mello Filho &amp; Burd, 2010; Straub, 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As rea&ccedil;&otilde;es dos m&eacute;dicos demonstram, de certa forma, como as rela&ccedil;&otilde;es estavam estabelecidas. No caso de Jane, foi poss&iacute;vel perceber a capacidade do m&eacute;dico de adulterar um prontu&aacute;rio e do outro profissional em recorrer &agrave; piedade da v&iacute;tima, para que o caso n&atilde;o fosse levado &agrave; Justi&ccedil;a. Os relatos a seguir s&atilde;o mais provas do cen&aacute;rio envolvendo a rela&ccedil;&atilde;o entre m&eacute;dico e paciente nos casos em que o erro &eacute; descoberto ou causado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"O senhor n&atilde;o ia operar a perna direita da minha filha? O senhor operou a perna errada! O que aconteceu?'. A&iacute; ele falou: &lsquo;N&atilde;o, m&atilde;e, n&atilde;o &eacute; assim. Eu operei a perna certa. A perna dela que estava com problema era essa'. A&iacute; ele chegou em mim, eu tava deitada na cama ainda e falou assim: &lsquo;Ai, Betty, n&atilde;o, desse jeito n&atilde;o. Assim voc&ecirc; est&aacute; me deixando sem ch&atilde;o. Assim, voc&ecirc; est&aacute; me deixando sem saber o que fazer. Porque eu operei sua perna certa. Voc&ecirc; falou para mim que era a perna esquerda'. Eu falei assim: &lsquo;Doutor, isso n&atilde;o existe. Quanto tempo tem que a gente... J&aacute; tem um ano que eu t&ocirc; me tratando com o senhor da perna direita'. Ele respondeu: &lsquo;N&atilde;o, mas, voc&ecirc; mandou! Voc&ecirc; falou que era para mim operar essa perna'. A&iacute;, eu falei assim: &lsquo;Ah, o senhor, como profissional, aceitaria se eu, como paciente, n&atilde;o tivesse em s&atilde; consci&ecirc;ncia, falasse que o senhor me operasse a cabe&ccedil;a, o senhor ia operar? Quer dizer, o que aconteceu?'. &lsquo;N&atilde;o, pelo amor de Deus... Que num sei o que' &#91;diz o m&eacute;dico&#93;. Foi quando ele... sabe? &lsquo;E voc&ecirc;, voc&ecirc; tem problemas nas duas pernas. Seu problema &eacute; um problema bilateral. N&oacute;s operamos a esquerda agora, porque achamos que ela tava mais danificada. Daqui a um m&ecirc;s, um m&ecirc;s e meio, voc&ecirc; retorna que a gente opera a direita' &#91;disse o m&eacute;dico&#93;, querendo desconversar. Eu falei: &lsquo;Como &eacute; que &eacute;?' N&atilde;o, olha o que o cara tinha em mente... O m&eacute;dico, depois, chamou meu esposo na sala e falou que daria todo o atendimento e assist&ecirc;ncia que precisasse, e que eu n&atilde;o precisava me preocupar com nada, que ia me dar todo o acompanhamento, toda a fisioterapia, tudo o que fosse necess&aacute;rio." </i><b>(Betty)</b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Segundo o m&eacute;dico, a culpa foi da equipe de Enfermagem. Quando ele chegou no centro cir&uacute;rgico, a perna j&aacute; estava preparada, ele s&oacute; fez a cirurgia. Mas, meu pai falou: &lsquo;Voc&ecirc; era o chefe da cirurgia. Voc&ecirc; tinha que ter conferido tudo, a responsabilidade n&atilde;o &eacute; sua?'. Mas ele botou a culpa na equipe. E, logo em seguida, ele demitiu a equipe inteira. Mas eu acho que mais para n&atilde;o ter ningu&eacute;m que a gente pudesse procurar para questionar sobre a cirurgia. E a gente n&atilde;o conseguiu mesmo, n&atilde;o conseguiu encontrar enfermeiro, instrumentador, nem pro processo, meu pai n&atilde;o conseguiu encontrar ningu&eacute;m, ningu&eacute;m." </i><b>(Shirin) </b></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas atitudes s&oacute; confirmam que, al&eacute;m de todo o desconforto emocional que a v&iacute;tima passa a ter, o seu sofrimento &eacute; agravado pela falta de apoio, compreens&atilde;o, respeito e &eacute;tica por parte do profissional respons&aacute;vel pelo seu tratamento. Dessa maneira, precisamos concordar com Mello Filho e Burd (2010) que afirmam que as rela&ccedil;&otilde;es m&eacute;dico e paciente apresentam formas t&iacute;picas, como ordens e amea&ccedil;as, li&ccedil;&otilde;es de moral e tamb&eacute;m ignorar o problema do paciente, atender de modo impessoal e t&eacute;cnico, entre outras. Mas, negar percep&ccedil;&otilde;es &eacute; a que mais se adapta &agrave; situa&ccedil;&atilde;o do erro m&eacute;dico, haja vista que seria ignorar um quadro cl&iacute;nico com complica&ccedil;&otilde;es que envolvam claramente o erro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao contr&aacute;rio das rea&ccedil;&otilde;es dos m&eacute;dicos envolvidos nos casos aqui narrados, um estudo desenvolvido na Universidade da Filad&eacute;lfia, com a finalidade de explorar o impacto emocional de um erro na vida de um m&eacute;dico, mostrou que, de 40 m&eacute;dicos entrevistados 23 admitiram que j&aacute; cometeram pelo menos um erro, e cinco n&atilde;o tinham certeza se cometeram. A pesquisa afirma que os erros podem acontecer para todos, mas nem todos conseguem admiti-los, o que corrobora negativamente o aspecto emocional do profissional da Medicina (Newman, 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o m&eacute;dico e o seu paciente, Shirin e Barack trazem no discurso a sensa&ccedil;&atilde;o de desrespeito e falta do compromisso profissional com a pessoa atendida.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Eu entendo, como um profissional, que voc&ecirc; pode cometer um equ&iacute;voco, voc&ecirc; pode cometer um erro, mas o que eu acho que vale muito mais &eacute; sua honestidade com o seu paciente. Ent&atilde;o, voc&ecirc; sentar e &lsquo;Oh, olha s&oacute;, aconteceu isso assim, eu posso resolver assim'. O profissional, ele tem que criar pelo menos um v&iacute;nculo de absoluto respeito com o paciente, porque ningu&eacute;m procura nenhum profissional, se realmente n&atilde;o tiver absolutamente necessitado daquilo. Ent&atilde;o, voc&ecirc; tem que ter pelo menos um compromisso de respeito com aquele paciente." </i><b>(Shirin)</b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Eu sei que ali est&aacute; um ser humano, pass&iacute;vel de erro. Todo mundo tem o direito de errar, todo mundo erra, n&eacute;? Acho que nem por isso ele vai deixar de ser m&eacute;dico. Talvez, se ele errou, ele oferecesse o acolhimento certo, talvez eu estaria com ele at&eacute; hoje. Talvez ele estaria... Tentar consertar o erro, n&atilde;o. Mas d&aacute; uma amenizada. &Eacute; voc&ecirc; admitir e reparar. Talvez voc&ecirc; n&atilde;o vai consertar um erro desse, principalmente emocionalmente, mas voc&ecirc; pode amenizar, coisa que ele n&atilde;o fez". </i><b>(Barack)</b> </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Miranda-S&aacute; Junior (2013), o aperfei&ccedil;oamento t&eacute;cnico tem provocado uma desumaniza&ccedil;&atilde;o na Medicina, de modo que a sua ado&ccedil;&atilde;o n&atilde;o privilegia m&eacute;dicos, pacientes e nem a sociedade. A compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica &eacute; t&atilde;o almejada e colocada em pr&aacute;tica que sobressai sobre as compet&ecirc;ncias &eacute;tica e humana, por&eacute;m essa &uacute;ltima precisa prevalecer. A vincula&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria deve ser a t&ocirc;nica da rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico e paciente, mesmo sabendo que o desenvolvimento tecnol&oacute;gico acentua o compromisso com a t&eacute;cnica e a ci&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o advento da Bio&eacute;tica, na d&eacute;cada de 1970, a rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico e paciente passou a ser mais estudada e a autonomia individual do paciente mais valorizada. Nesse contexto, os profissionais da sa&uacute;de n&atilde;o podem deduzir cientificamente qual tratamento &eacute; mais adequado para um paciente baseado somente em fatos m&eacute;dicos. O corpo, a dor, a doen&ccedil;a e o sofrimento s&atilde;o pr&oacute;prios de cada pessoa e violar a sua autonomia significa trat&aacute;-la como meios e n&atilde;o como fins em si mesma. A partir disso, o consentimento livre e esclarecido surge como rompimento com o tradicional poder decis&oacute;rio do m&eacute;dico (Guz, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Consentimento Livre e Esclarecido foi introduzido no Brasil pela Bio&eacute;tica, na d&eacute;cada de 1990, e n&atilde;o pelo Direito, como aconteceu nos Estados Unidos. O Estado de S&atilde;o Paulo apresenta legisla&ccedil;&atilde;o pioneira no que se refere &agrave; autonomia do paciente como direito do usu&aacute;rio nos servi&ccedil;os e a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de (Lei Estadual nº. 10.241, de 1999). Ele pode ser compreendido como um processo compartilhado de tomada de decis&atilde;o, no qual a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; transmitida ao paciente, certificando-se o m&eacute;dico de que foi bem entendida e discutida para melhor alternativa do tratamento e diagn&oacute;stico, o que representa mudan&ccedil;a e transforma&ccedil;&atilde;o de paradigma na rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico e paciente (Callegari &amp; Oliveira, 2010; Guz, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Toda essa conjuntura que contempla uma pr&aacute;tica m&eacute;dica ruim favorece a abertura de processos e den&uacute;ncias nos competentes legais, aqui, leia-se Judici&aacute;rio e Conselhos de Medicina, respectivamente. Nos casos aqui estudados n&atilde;o foi diferente. Todos eles deram entrada no julgamento de seus processos e/ou den&uacute;ncias para apura&ccedil;&atilde;o do erro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, a morosidade do processo, o desconforto das discuss&otilde;es e embates nas audi&ecirc;ncias, e o resultado do julgamento - advert&ecirc;ncias p&uacute;blica - s&oacute; refor&ccedil;am a sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade e desrespeito &agrave;s v&iacute;timas. Para elas a necessidade de ver algo na condena&ccedil;&atilde;o que de fato "sa&iacute;sse do bolso" do m&eacute;dico condenado, serviria como uma possibilidade de reflex&atilde;o e aprendizado, e claro, como maneira de recompensa ao que foi perdido, n&atilde;o s&oacute; materialmente falando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Responsabilizar um profissional que infringiu as regras fundamentais da sua profiss&atilde;o &eacute; um direito da sociedade e dever do Estado. E como acontece com os m&eacute;dicos? Em suas atividades profissionais, os m&eacute;dicos est&atilde;o sujeitos a tr&ecirc;s esferas de responsabilidade: civil, penal e &eacute;tico-profissional. Essas esferas t&ecirc;m plena independ&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o, embora o resultado de uma possa influir nas demais. O erro m&eacute;dico, fundamentado no contrato entre paciente e m&eacute;dico, estaria restrito &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o civil. Os atos il&iacute;citos e dolorosos, por exemplo, a omiss&atilde;o de socorro, estariam ligados &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o penal, e as infra&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e disciplinares cometidas pelos m&eacute;dicos s&atilde;o de responsabilidade dos Conselhos de Medicina, &agrave; luz do C&oacute;digo de &Eacute;tica M&eacute;dica (Correia-Lima, 2012; Marques Filho &amp; Hossne, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; preciso deixar claro que a obriga&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica &eacute;, em geral, de meio e n&atilde;o de resultado. Assegurar pr&eacute;vio resultado n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, porque os fatores que envolvem o exerc&iacute;cio da Medicina o tornam incerto. E essa incerteza faz com que o m&eacute;dico n&atilde;o possa garantir o resultado de forma efetiva (Correia-Lima, 2012). Por isso, deve-se tomar cuidado ao afirmar que um m&eacute;dico cometeu um erro ou se, de fato, o resultado final n&atilde;o estava dentro das expectativas do paciente, mas era uma possibilidade dentro das probabilidades futuras do tratamento ou procedimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A realidade francesa, no que diz respeito &agrave;s leis e ao contexto do erro m&eacute;dico, difere um pouco do sistema brasileiro. Na Fran&ccedil;a, no dia 4 de mar&ccedil;o de 2002, foi publicada a lei intitulada <i>Os direitos dos pacientes e a qualidade de sistema de sa&uacute;de</i>. Essa lei aparece como um texto maior do direito franc&ecirc;s relativo &agrave; sa&uacute;de, tanto no plano qualitativo quanto no quantitativo. Entre outros assuntos, a lei destaca dispositivos relativos &agrave; informa&ccedil;&atilde;o do paciente, como as normas e condi&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica e seu estado de sa&uacute;de. Enfatiza tamb&eacute;m disposi&ccedil;&otilde;es essenciais na responsabilidade m&eacute;dica e na indeniza&ccedil;&atilde;o dos acidentes sanit&aacute;rios (Fran&ccedil;a, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A atua&ccedil;&atilde;o, fiscaliza&ccedil;&atilde;o e julgamento dos Conselhos dividem as opini&otilde;es das v&iacute;timas, principalmente no quesito julgamento, pois elas n&atilde;o percebem puni&ccedil;&otilde;es severas para os m&eacute;dicos. Alguns destacam at&eacute; o fato de serem corporativistas demais. Segundo Marques Filho e Hossne (2009), uma puni&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico que comete um erro com a exclus&atilde;o da atividade profissional &eacute; necess&aacute;ria para a prote&ccedil;&atilde;o da sociedade, por&eacute;m os erros e danos j&aacute; cometidos antes do processo que levou &agrave; cassa&ccedil;&atilde;o v&atilde;o permanecer, do ponto de vista bio&eacute;tico. Contudo, n&atilde;o podemos esquecer que os danos e erros de m&eacute;dicos que n&atilde;o tiveram o registro cassado, como a grande maioria dos casos aqui estudados, tamb&eacute;m permanecem nas mem&oacute;rias e lembran&ccedil;as das v&iacute;timas e seus familiares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, destacamos duas situa&ccedil;&otilde;es frequentes nos casos aqui estudados. Primeiro, diz respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de hierarquia m&eacute;dica, pois um m&eacute;dico &eacute; pouco questionado ou indagado pela equipe, sobre uma atitude incorreta sua. Se o m&eacute;dico que conduz o procedimento est&aacute; errado em suas atitudes, o que impede que outros profissionais, como o t&eacute;cnico de Enfermagem, sinalize o equ&iacute;voco? Ser&aacute; que, dentro de uma sala de cirurgia, todos s&atilde;o tomados pelo erro? &Eacute; uma indaga&ccedil;&atilde;o que fica pertinente nos dias de hoje, principalmente quando vemos cirurgias de troca de membros, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo ponto, que vem como consequ&ecirc;ncia do anterior, se refere ao fato de o profissional ser conivente com o erro do outro. Quanto vale ficar quieto, saber que o seu colega de trabalho est&aacute; errado e voc&ecirc; n&atilde;o falar nada? S&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es que trazem indaga&ccedil;&otilde;es, mas respostas para todas essas perguntas s&atilde;o dif&iacute;ceis, haja vista que, por quest&otilde;es &eacute;ticas e de sigilo, muitas informa&ccedil;&otilde;es que acontecem dentro de um centro cir&uacute;rgico permanecem por l&aacute;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O erro m&eacute;dico pode ser consequ&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o estabelecimento da boa rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico e paciente baseada no respeito &agrave; pessoa da v&iacute;tima, poderia evitar sua ocorr&ecirc;ncia e a maioria dos processos judiciais. A concretiza&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica, que permite a confian&ccedil;a n&atilde;o s&oacute; entre m&eacute;dicos e seus pacientes, mas tamb&eacute;m com suas fam&iacute;lias, pode ser o caminho para evitar situa&ccedil;&otilde;es inseguras e o aumento das ocorr&ecirc;ncias de erros m&eacute;dicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Oferecer ajuda e n&atilde;o dar satisfa&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o ocorrido, dizer que o paciente foi o respons&aacute;vel por indicar o membro a ser operado e negar a percep&ccedil;&atilde;o do que aconteceu na sala de cirurgia s&atilde;o os exemplos aqui trazidos que indicam a defici&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es. O m&eacute;dico que est&aacute; no comando de uma cirurgia corre, evidentemente, riscos. No entanto, a ilus&atilde;o de onipot&ecirc;ncia pode provocar a nega&ccedil;&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o de um quadro cl&iacute;nico adverso. E ao m&eacute;dico tamb&eacute;m, cabe o respeito e considera&ccedil;&atilde;o com seu paciente, independente de se houver erro ou n&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de tornar a decis&atilde;o um car&aacute;ter menos individualizado no m&eacute;dico e mais aut&ocirc;nomo para o paciente, durante o tratamento, provoca no profissional o saber lidar com algo inesperado, uma vez que o paciente pode recusar a realiza&ccedil;&atilde;o de determinado procedimento ou consentir no tratamento alternativo e n&atilde;o naquele que o m&eacute;dico previa ser o principal. No entanto, isso n&atilde;o aconteceu nos casos relatados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aumento do n&uacute;mero de casos de erros m&eacute;dicos pode ser entendido como uma consequ&ecirc;ncia da grave situa&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de sa&uacute;de no pa&iacute;s. As rela&ccedil;&otilde;es sociais se massificaram, distanciando o m&eacute;dico do seu paciente. Tudo isso sob a &oacute;tica de uma sociedade de consumo, cada vez mais consciente de seus direitos e mais exigente quanto aos resultados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, h&aacute; uma grande dificuldade em assumir o erro, o que impede a a&ccedil;&atilde;o de tomada de consci&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao problema. No Brasil, o erro precisa ser encarado como um fato intr&iacute;nseco &agrave; realidade m&eacute;dica, para que a sua forma de aceita&ccedil;&atilde;o, tratamento e conduta tenham um peso e culpa menores. Erros sempre v&atilde;o acontecer, por&eacute;m minimiz&aacute;-los requer, primeiramente, a aceita&ccedil;&atilde;o de sua exist&ecirc;ncia. Para isso, os profissionais da Medicina precisam acatar sua responsabilidade no erro, pois, cada vez mais, existe a busca desenfreada de procedimentos m&eacute;dicos, que marcam uma gera&ccedil;&atilde;o de grande medicaliza&ccedil;&atilde;o da vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das limita&ccedil;&otilde;es do estudo diz respeito &agrave; amostra da pesquisa, que representou uma pequena parte de todos os muitos erros m&eacute;dicos ocorridos no Brasil. Desta forma, n&atilde;o s&atilde;o representativos de todos os casos do pa&iacute;s. Mas, este estudo representou um progresso na ci&ecirc;ncia brasileira, porque nenhuma pesquisa tinha enquanto sujeito de estudo, as v&iacute;timas de erros m&eacute;dicos e suas narrativas, o que refor&ccedil;a a necessidade de mais pesquisas na &aacute;rea para melhor difus&atilde;o do assunto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Brasil. (1996). <i>Resolu&ccedil;&atilde;o n º 196, de 10 de outubro de 1996</i>. Aprova as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Di&aacute;rio Oficial &#91;da&#93; Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, Bras&iacute;lia. Acesso em 06 agosto, 2008, de <a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1996/res0196_10_10_1996.html" target="_blank">http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1996/res0196_10_10_1996.html</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484740&pid=S0006-5943201600020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Brasil. (2009). <i>Resolu&ccedil;&atilde;o Conselho Federal de Medicina nº 1931, de 17 de setembro de 2009</i>. Aprova o c&oacute;digo de &eacute;tica m&eacute;dica. Di&aacute;rio Oficial &#91;da&#93; Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, Bras&iacute;lia. Retirado em 04 julho, 2011, de <a href="http://www.cremesp.or.br" target="_blank">http://www.cremesp.or.br</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484741&pid=S0006-5943201600020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Callegari, D. C., &amp; Oliveira, R. A. (2010). Consentimento livre e esclarecido na anestesiologia. <i>Revista Bio&eacute;tica, 18</i>(2), 363-372.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484742&pid=S0006-5943201600020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carvalho, M., &amp; Vieira, A. A. (2002). Erro m&eacute;dico em pacientes hospitalizados. <i>Jornal de Pediatria, 78</i>(4), 261-268. Acesso em 18 de agosto de 2009, <a href="http://www.uff.br/saudecultura/artigos-encontro-11/Texto23.pdf" target="_blank">http://www.uff.br/saudecultura/artigos-encontro-11/Texto23.pdf</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484744&pid=S0006-5943201600020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cernadas, J. M. C. (2009). Participaci&oacute;n de los pacientes y los padres em la prevenci&oacute;n de los errores en medicina. <i>Archivos Argentinos de Pediatr&iacute;a, 107</i>(2), 97-98. Acesso em 18 agosto de 2009, de <a href="http://www.scielo.org.ar/pdf/aap/v107n2/v107n2a01.pdf" target="_blank">http://www.scielo.org.ar/pdf/aap/v107n2/v107n2a01.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484745&pid=S0006-5943201600020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Correia-Lima, F. G. (2012). <i>Erro m&eacute;dico e responsabilidade civil</i>. Bras&iacute;lia: Conselho Federal de Medicina, Conselho Regional de Medicina do Estado do Piau&iacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484747&pid=S0006-5943201600020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Critelli, D. M. (1996). <i>Anal&iacute;tica do sentido: Uma aproxima&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o do real de orienta&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica</i>. S&atilde;o Paulo: EDUC Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484749&pid=S0006-5943201600020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fran&ccedil;a. (2002). <i>Loi du 4 mars 2002</i>. Relativa aos direitos dos pacientes e a qualidade do sistema de sa&uacute;de. Acesso em 21 julho, 2013, de <a href="http://www.sante.gouv.fr" target="_blank">www.sante.gouv.fr</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484751&pid=S0006-5943201600020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fujita, R. R., &amp; Santos, I. C. (2009). Den&uacute;ncias por erro m&eacute;dico em Goi&aacute;s. <i>Revista da Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Brasileira, 55</i>(3), 283-289. 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Curitiba: Juru&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484753&pid=S0006-5943201600020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gomes, J. C. M., Drumond, J. G. F., &amp; Fran&ccedil;a, G. V. (2001). <i>Erro m&eacute;dico. </i>(3&ordf; ed.). Montes Claros: Ed. Unimontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484755&pid=S0006-5943201600020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Guz, G. (2010). O consentimento livre e esclarecido na jurisprud&ecirc;ncia dos tribunais brasileiros. <i>Revista de Direito Sanit&aacute;rio, 11</i>(1), 95-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484757&pid=S0006-5943201600020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kfouri Neto, M. (2010). <i>Responsabilidade civil do m&eacute;dico</i> (7&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Editora Revista dos Tribunais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484759&pid=S0006-5943201600020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->* </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marques Filho, J., &amp; Hossne, W. S. (2009). An&aacute;lise bio&eacute;tica das infra&ccedil;&otilde;es cometidas pelos m&eacute;dicos condenados &agrave; cassa&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio profissional no Estado de S&atilde;o Paulo. <i>Revista Bio&eacute;tica, 17</i>(3), 451-462.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484761&pid=S0006-5943201600020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mello Filho, J., &amp; Burd, M. (2010). <i>Psicossom&aacute;tica hoje</i>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484763&pid=S0006-5943201600020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mendon&ccedil;a, V., &amp; Cust&oacute;dio, E. M. (2016). Being a victim of medical error in Brazil: An (un)real dilemma. <i>Health Psychology Research, 4</i>, 38-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484765&pid=S0006-5943201600020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Minossi, J. G. (2009). Preven&ccedil;&atilde;o de conflitos m&eacute;dico-legais no exerc&iacute;cio da Medicina. <i>Revista do Col&eacute;gio Brasileiro de Cirurgi&otilde;es, 36</i>(1), 90-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484767&pid=S0006-5943201600020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Miranda-S&aacute; Junior, L. S. (2013). <i>Uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Medicina</i>. Bras&iacute;lia: CFM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484769&pid=S0006-5943201600020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Moraes, I. N. (2003). <i>Erro m&eacute;dico e a justi&ccedil;a.</i> (5&ordf;ed.). S&atilde;o Paulo: Editora Revista dos Tribunais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484771&pid=S0006-5943201600020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Murr, L. P. (2010). A invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova na caracteriza&ccedil;&atilde;o do erro m&eacute;dico pela legisla&ccedil;&atilde;o brasileira. <i>Revista Bio&eacute;tica, 18</i>(1), 31-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484773&pid=S0006-5943201600020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Newman, M. C. (1996). The emotional impact of mistakes on family physicians. <i>Archives of Family Medicine, 5</i>, 71-75. Acesso em 14 agosto, 2014, de <a href="http://www.archfammed.com" target="_blank">www.archfammed.com</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484775&pid=S0006-5943201600020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rosa, M. B., &amp; Perini, E. (2003). Erros de medica&ccedil;&atilde;o: Quem foi? <i>Revista da Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Brasileira, 49</i>(3), 335-341.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484776&pid=S0006-5943201600020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Souza, N. T. C. (2006). Erro m&eacute;dico: conceitos jur&iacute;dicos. <i>Revista &Acirc;mbito Jur&iacute;dico, 9</i>(32), 1-2. Acesso em 10 julho, 2011, de <a href="http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=3258" target="_blank">http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=3258</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484778&pid=S0006-5943201600020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Straub, R. O. (2005). <i>Psicologia da sa&uacute;de</i>. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484779&pid=S0006-5943201600020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Udelsmann, A. (2002). Responsabilidade civil, penal e &eacute;tica dos m&eacute;dicos. <i>Revista da Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Brasileira, 48</i>(2), 172-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=484781&pid=S0006-5943201600020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 30/05/15    <br> Revisto em 15/09/16     <br>Aceito em 25/09/16 </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="add1"></a><a href="#add">*</a> Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia: Av. Prof. Mello Moraes, 1721. Cidade Universit&aacute;ria, S&atilde;o Paulo - SP. CEP: 05508-030. E-mail: Eda: <a href="mailto:edamc@cebinet.com.br">edamc@cebinet.com.br</a> ; Vitor: <a href="mailto:vitorpsi@yahoo.com.br">vitorpsi@yahoo.com.br</a> </font></p>      ]]></body>
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