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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text, presented at the 2008 annual journey of the Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul, aimed to propose a discussion about the origin of psychoanalysis and its intervention method: the talking cure. It was developed from a bibliographical review of the first cases of hysteria treated by Breuer and Freud. As the latter of which came to create the method called free association.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif><b>A cura pela fala<a name="1"></a><a href="#2"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The talking cure</b></font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Waleska Pessato Farenzena Fochesatto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico do Rio Grande do Sul</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name=end></a><a href=#cor>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size=1 noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse ensaio tem como objetivo descrever os prim&oacute;rdios da Psican&aacute;lise e seu m&eacute;todo de interven&ccedil;&atilde;o: a cura pela fala. Foi elaborado revisando a bibliogr&aacute;fica dos primeiros casos de histeria tratados por Breuer e Freud, a partir dos quais este &uacute;ltimo veio a formular o m&eacute;todo de associa&ccedil;&atilde;o livre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b>Psican&aacute;lise, Cura pela fala, Associa&ccedil;&atilde;o livre.</font></p> <hr size=1 noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This text, presented at the 2008 annual journey of the C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico do Rio Grande do Sul, aimed to propose a discussion about the origin of psychoanalysis and its intervention method: the talking cure. It was developed from a bibliographical review of the first cases of hysteria treated by Breuer and Freud. As the latter of which came to create the method called free association. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Psychoanalysis, Talking cure, Free association.</font></p> <hr size=1 noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Ouvir, para Freud, tornou-se mais do que uma arte, tornou-se um m&eacute;todo, uma via privilegiada para o conhecimento, &agrave; qual os pacientes lhe davam acesso </i>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   (GAY, p.80, 1989).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Falar, escutar...</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo de escrever sobre &#8220;a cura pela fala&#8221; se relaciona com o in&iacute;cio da minha trajet&oacute;ria na Psican&aacute;lise. Falar sobre esta quest&atilde;o &eacute; poder resgatar a Psican&aacute;lise na sua origem, buscando o alicerce no qual ela se funda. Foi preciso que Freud percorresse um caminho marcado pela escuta para que viesse a formular conceitos importantes como o de inconsciente, transfer&ecirc;ncia, resist&ecirc;ncia, dentre tantos outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Souza e Endo (2009), Freud nunca teve outro interesse em denominar a Psican&aacute;lise sen&atilde;o como a ci&ecirc;ncia do inconsciente. Entretanto, a pesquisa cient&iacute;fica da &eacute;poca demandava, para sua valida&ccedil;&atilde;o, a extrema objetividade e a observa&ccedil;&atilde;o imparcial. Na Viena do final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, os primeiros escritos de Freud foram recebidos com restri&ccedil;&otilde;es. Foi necess&aacute;ria certa dose de coragem, ousadia e determina&ccedil;&atilde;o da sua parte para que n&atilde;o desistisse de suas convic&ccedil;&otilde;es. Muito apegado &agrave; ci&ecirc;ncia mais evolu&iacute;da da sua &eacute;poca, Freud, segundo Roudinesco (2000), queria fazer da psicologia uma ci&ecirc;ncia natural. Dessa forma tentou, em 1895, num manuscrito inacabado, formular correla&ccedil;&otilde;es entre as estruturas cerebrais e o aparelho ps&iacute;quico. Entretanto, Freud percebeu rapidamente que isso n&atilde;o era poss&iacute;vel, dedicando-se, a partir de ent&atilde;o, a construir uma teoria puramente ps&iacute;quica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O m&eacute;todo proposto pela psican&aacute;lise tem sua origem na escuta do sujeito que sofre. Por isso &eacute; imprescind&iacute;vel que esta escuta anal&iacute;tica se desdobre numa escuta de si. Foi assim que a interpreta&ccedil;&atilde;o dos seus pr&oacute;prios sonhos, iniciada antes mesmo da an&aacute;lise dos sonhos de seus pacientes, permitiu a Freud adentrar na complexidade do inconsciente e seu funcionamento. Este fato, por si s&oacute;, j&aacute; constitui uma quebra de paradigma no campo das ci&ecirc;ncias, na medida em que ele pr&oacute;prio se implica no processo de constru&ccedil;&atilde;o da sua teoria, passando a olhar para dentro si mesmo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir dessa esp&eacute;cie de &#8220;auto-an&aacute;lise&#8221; empreendida por Freud e a partir de Anna O. &#8211; paciente de Breuer, cujo caso cl&iacute;nico foi publicado em 1895, na obra <i>Estudos sobre a Histeria </i>&#8211;, este m&eacute;todo de tratamento in&eacute;dito passa a tomar contorno. O caso citado fora tratado atrav&eacute;s da catarse e da ab-rea&ccedil;&atilde;o. Conforme o <i>Dicion&aacute;rio de Psican&aacute;lise</i> de Roudinesco (1998), o m&eacute;todo cat&aacute;rtico &eacute; o procedimento terap&ecirc;utico pelo qual um sujeito consegue eliminar seus afetos patog&ecirc;nicos e, ent&atilde;o, ab-reagi-los, revivendo os acontecimentos traum&aacute;ticos a eles ligados. A fala &eacute; o meio pelo qual estes afetos s&atilde;o eliminados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Ribeiro da Silva (1996), pela primeira vez na hist&oacute;ria, &eacute; dado &agrave; hist&eacute;rica o direito de usar a palavra e, apesar da impossibilidade de Freud traduzi-la, esse discurso jamais foi considerado coisa do diabo, como o era at&eacute; ent&atilde;o. &Eacute; prov&aacute;vel que, j&aacute; nesse momento, Freud estivesse escutando para al&eacute;m da moralidade, criando a primeira forma de conhecimento que tenha dado voz &agrave; loucura. A psican&aacute;lise tenta, a todo instante, afastar-se da ideia de que o sofrimento ps&iacute;quico resulta de uma falta de adapta&ccedil;&atilde;o ao meio, rompendo, desde a&iacute;, com o paradigma m&eacute;dico. Podemos pensar que Freud rompeu com a medicina de muitas outras formas, como por exemplo, colocando o saber no paciente, uma vez que eram as pacientes que forneciam a ele o que constitu&iacute;am os sintomas, e n&atilde;o o contr&aacute;rio. Segundo Siqueira (2007), quando Freud passou a ouvir a hist&eacute;rica e n&atilde;o apenas olh&aacute;-la, subverteu a ordem m&eacute;dica, j&aacute; que outra hist&oacute;ria era escutada al&eacute;m daquela que os pacientes contavam. E foi dessa forma que tirou a histeria do campo da medicina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao acessar conte&uacute;dos inconscientes atrav&eacute;s da fala, o paciente tem a oportunidade de tomar contato com o que Freud chamou de for&ccedil;a atuante da representa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ab-reagida. Ao permitir que o &#8220;afeto estrangulado&#8221; encontre uma sa&iacute;da atrav&eacute;s do discurso, esta representa&ccedil;&atilde;o &eacute; submetida a uma nova cadeia associativa. Assim, o efeito curativo de que Freud fala nos seus primeiros textos sobre a histeria (1893-1895), diz respeito a um afeto dissociado da ideia original recalcada. E &eacute; exatamente a re-significa&ccedil;&atilde;o deste afeto que a fala possibilita. No mesmo texto, ao falar de trauma ps&iacute;quico, Freud exp&otilde;e que, quando a rea&ccedil;&atilde;o &eacute; reprimida, o afeto permanece vinculado &agrave; lembran&ccedil;a. Entende-se por &#8220;rea&ccedil;&atilde;o&#8221; todo tipo de &#8220;reflexos involunt&aacute;rios, das l&aacute;grimas aos atos de vingan&ccedil;a&#8221;. Prossegue dizendo que, quando a rea&ccedil;&atilde;o ocorre em grau suficiente, grande parte do afeto desaparece e faz uso de express&otilde;es cotidianas como &#8220;desabafar pelo pranto&#8221; ou &#8220;desabafar atrav&eacute;s de um acesso de c&oacute;lera&#8221;, a fim de explicar o processo terap&ecirc;utico realizado atrav&eacute;s da fala. Tudo isto, para refor&ccedil;ar sua tese de que a linguagem serve como substituta da a&ccedil;&atilde;o, ou seja, com a ajuda da linguagem, um afeto pode ser &#8220;ab-reagido&#8221; quase com a mesma efic&aacute;cia que uma vingan&ccedil;a, por exemplo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por meio da fala, &eacute; dada ao paciente a oportunidade de se conectar com ideias recalcadas que produzem os sintomas atuais. Assim, ele passa a ter uma nova compreens&atilde;o desta mem&oacute;ria. Sup&otilde;e-se que, na medida em que o paciente mant&eacute;m ideias recalcadas de eventos ligados ao passado, este passado torna-se presente, uma vez que &eacute; constantemente atualizado atrav&eacute;s dos sintomas. Quando a rea&ccedil;&atilde;o &eacute; reprimida, o afeto permanece ligado &agrave; lembran&ccedil;a e produz o sintoma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pertence a paciente Anna O. a express&atilde;o que d&aacute; o t&iacute;tulo a este trabalho, quando nomeou &#8220;a cura pela fala&#8221; e empregou o termo &#8220;limpeza de chamin&eacute;&#8221; ao referir-se ao tratamento que lhe foi dado por meio da palavra. Segundo Peter Gay (1989), um dos motivos que fizeram de Anna O. uma paciente t&atilde;o ilustre refere-se ao fato de que ela realizou sozinha grande parte do trabalho de imagina&ccedil;&atilde;o. Considerando a import&acirc;ncia que Freud atribuiria ao dom da escuta do analista, &eacute; cab&iacute;vel considerar que uma paciente tenha contribu&iacute;do para a forma&ccedil;&atilde;o da teoria psicanal&iacute;tica, quase tanto quanto seu terapeuta Breuer, ou o te&oacute;rico Freud. Mais tarde Breuer alegou que o tratamento desta paciente continha &#8220;a c&eacute;lula germinativa do conjunto da Psican&aacute;lise&#8221;. Foi a partir das conversas com Breuer sobre este caso que, para Freud, ouvir tornou-se um m&eacute;todo, uma via privilegiada para o conhecimento, a qual as pacientes lhe davam acesso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse processo de descoberta pode ser acompanhado atrav&eacute;s de seus textos: &#8220;por fim seus dist&uacute;rbios foram removidos pela fala&#8221; (FREUD, 1893-1895, p.70 &#8211; caso Anna O.). &#8220;Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir fica convencido de que os mortais n&atilde;o conseguem guardar nenhum segredo&#8221; (Ibidem, p.78 &#8211; caso Dora). &#8220;... uma ofensa revidada, mesmo que apenas com palavras, &eacute; recordada de modo bem diferente de outra que teve que ser aceita&#8221; (Ibidem, p.82).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fala mostrava reminisc&ecirc;ncias, concluiu Freud. Portanto, precisava ser anunciada como um segredo, patog&ecirc;nico ou inconsciente, que o deixava em estado de aliena&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi, tamb&eacute;m, em uma das sess&otilde;es com a paciente Emmy que Freud percebeu que deveria deix&aacute;-la falar livremente, quando ela pr&oacute;pria sugeria que ele a deixasse falar sem interromp&ecirc;-la com perguntas. Segundo Peter Gay (1989), foi essa paciente que permitiu a Freud ver que a hipnose era de fato &#8220;in&uacute;til e sem sentido&#8221;. At&eacute; o in&iacute;cio dos anos 90 do s&eacute;culo XIX, Freud tentara extrair, &agrave; maneira de Breuer, atrav&eacute;s da hipnose, as lembran&ccedil;as significativas que os pacientes relutavam em apresentar. As cenas trazidas &agrave; mente tinham frequentemente, um efeito cat&aacute;rtico. Mas, alguns pacientes n&atilde;o eram hipnotiz&aacute;veis e a fala sem censuras pareceu a Freud um meio de investiga&ccedil;&atilde;o muito superior. Ao abandonar, aos poucos, a hipnose, Freud caminhava para a ado&ccedil;&atilde;o de um novo modo de tratamento. Delineava-se a associa&ccedil;&atilde;o livre que, nos anos posteriores, passou a ser considerada a regra fundamental da Psican&aacute;lise. Segundo Freud, a livre associa&ccedil;&atilde;o permitia atingir com maior facilidade os elementos que estavam em condi&ccedil;&otilde;es de liberar os afetos, as lembran&ccedil;as e as representa&ccedil;&otilde;es. Segundo Roudinesco (1998), dessa forma Freud foi levado a escutar os sonhos que seus pacientes passaram a lhe contar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1912, no texto <i>Recomenda&ccedil;&atilde;o aos M&eacute;dicos que Exercem a Psican&aacute;lise</i>, Freud introduziu a no&ccedil;&atilde;o de uma escuta que n&atilde;o privilegiava nem um nem outro conte&uacute;do. &Eacute; a aten&ccedil;&atilde;o flutuante. Diz ele sobre isso: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Consiste em simplesmente n&atilde;o dirigir o reparo para algo espec&iacute;fico e em manter a mesma &#8216;aten&ccedil;&atilde;o uniformemente suspensa&#8217; em face de tudo que se escuta &#91;...&#93; Ver-se-&aacute; que a regra de prestar igual reparo a tudo constitui a contrapartida necess&aacute;ria da exig&ecirc;ncia feita ao paciente, de que comunique tudo o que lhe ocorra, sem cr&iacute;tica ou sele&ccedil;&atilde;o (FREUD, 1911, p.125-26).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud nos ensina que escutamos o paciente com o nosso inconsciente e, por isso, n&atilde;o devemos nos preocupar em memorizar o que o paciente diz. O analista, da mesma forma que o paciente, utiliza-se da associa&ccedil;&atilde;o livre como se naquele momento abrisse m&atilde;o de seu pensamento consciente. A escuta, assim como a fala, assume um lugar central na Psican&aacute;lise.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O inconsciente e o impacto de sua descoberta</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; dif&iacute;cil falar sobre a cura pela fala e a t&eacute;cnica da livre associa&ccedil;&atilde;o sem mencionar um dos pilares que balizam os estudos psicanal&iacute;ticos: a descoberta do inconsciente. Com a no&ccedil;&atilde;o de inconsciente, o discurso freudiano descentrou o sujeito do registro da consci&ecirc;ncia e do eu. Segundo Roudinesco (2000), Freud introduziu a no&ccedil;&atilde;o de &#8220;um lugar&#8221; desligado da consci&ecirc;ncia, povoado por imagens e paix&otilde;es e perpassado por discord&acirc;ncias. O sujeito freudiano &eacute; um sujeito livre, dotado de raz&atilde;o. Por&eacute;m, sua raz&atilde;o vacila no interior de si mesma. &Eacute; de sua fala e de seus atos, n&atilde;o de sua consci&ecirc;ncia alienada, que pode surgir o horizonte de sua pr&oacute;pria cura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Ogden (1996), Freud acreditava que a Psican&aacute;lise proporcionava uma transforma&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o do homem consigo mesmo, um &#8216;descentramento&#8217; que, de acordo com o pr&oacute;prio Freud, j&aacute; havia ocorrido de tr&ecirc;s maneiras diferentes na hist&oacute;ria moderna. A primeira, atrav&eacute;s da revolu&ccedil;&atilde;o copernicana, que deslocou como centro fixo do universo o homem (Terra), em torno do qual giravam, at&eacute; ent&atilde;o, o sol, a lua e os planetas. A segunda, por meio da reestrutura&ccedil;&atilde;o darwiniana das concep&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas vigentes, as quais estabeleciam para o homem uma posi&ccedil;&atilde;o distinta dos animais, acima e separado deles por ordem divina. A terceira forma e a mais perturbadora delas, segundo Freud, foi efetuada pela psican&aacute;lise, descentrando o homem de si mesmo, &#8220;solapando a ilus&atilde;o de identidade entre consci&ecirc;ncia e mente&#8221; (OGDEN, 1996, p.14).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Exatamente a partir deste referencial, &#8220;o ego n&atilde;o &eacute; amo em sua pr&oacute;pria morada&#8221; (FREUD apud OGDEN, 1996), &eacute; que Freud d&aacute; outro lugar &agrave;s palavras e vai al&eacute;m delas, buscando aquilo que &eacute; dito, mas, tamb&eacute;m, aquilo que &eacute; n&atilde;o dito. As palavras falam de algo que o sujeito quer falar e, tamb&eacute;m, daquilo que ele quer esconder. Assim, a escuta em Psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; qualquer escuta. Segundo Siqueira (2007), o psicanalista se prop&otilde;e escutar o que n&atilde;o ouve, ir al&eacute;m do que se v&ecirc;, escutando o conflito, o sofrimento humano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao redigir esse texto, lembro-me de um paciente que diz v&aacute;rias vezes, nas sess&otilde;es: &#8220;Vou lhe ser franco&#8221;. Diz isso sempre que est&aacute; prestes a falar algo que o perturba, que reluta em saber. Fala dirigindo-se a mim, mas, tamb&eacute;m, como se falasse pela primeira vez de suas dores para si mesmo. Outras quest&otilde;es se encontram latentes na sua fala, tais como, por exemplo, o lugar onde esse paciente me coloca. Por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; a transfer&ecirc;ncia que nos interessa aqui. O que importa trazer, atrav&eacute;s deste exemplo, &eacute; o fato de que, na rela&ccedil;&atilde;o comigo e atrav&eacute;s da fala, ele d&aacute; voz ao sofrimento que o acompanha desde a inf&acirc;ncia, podendo, aos poucos, apropriar-se de sua vida e de sua hist&oacute;ria, bem como tomar contato com conte&uacute;dos recalcados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ogden, em <i>Os Sujeitos da Psican&aacute;lise</i> (1996), faz uma analogia entre a quest&atilde;o sem solu&ccedil;&atilde;o da referida obra de Shakespeare e o tema inicial da Psican&aacute;lise, que segue sem resolu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da sua hist&oacute;ria no &uacute;ltimo s&eacute;culo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos primeiros momentos da cena de abertura de Hamlet, escuta-se um som vindo da escurid&atilde;o fora dos muros do pal&aacute;cio. O guarda indaga, &#8220;Quem est&aacute; a&iacute;?&#8221; Como um acorde dissonante inicial de uma obra musical, a pergunta, &#8220;Quem est&aacute; a&iacute;?&#8221; reverbera sem solu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de toda obra (p.11).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E n&atilde;o &eacute;, justamente, esta quest&atilde;o que atravessa e constitui o processo de an&aacute;lise? N&atilde;o importa se estamos na posi&ccedil;&atilde;o de paciente ou de analista, &#8220;quem est&aacute; a&iacute;?&#8221; &eacute; o que volta e meia nos perguntamos. Segundo Ogden (1996), o tema da &#8220;cis&atilde;o da consci&ecirc;ncia&#8221; e a quest&atilde;o do sujeito dentro dessa &#8220;dupla consci&ecirc;ncia&#8221; t&ecirc;m reverberado durante todo esse s&eacute;culo de pensamento anal&iacute;tico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Breves considera&ccedil;&otilde;es acerca da escuta em Melanie Klein e Lacan</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Parece adequado tratar, sucintamente, a import&acirc;ncia da fala e da escuta anal&iacute;tica em abordagens posteriores, dentre elas as de Melanie Klein e Jacques Lacan, os quais puderam ampliar conceitos freudianos a ponto de construir novos paradigmas nos campos te&oacute;rico e cl&iacute;nico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Klein expandiu o conceito de fantasia inconsciente com &ecirc;nfase no mundo interno do paciente, escutou a fantasia como o representante ps&iacute;quico da puls&atilde;o. Tamb&eacute;m postulou que a an&aacute;lise de crian&ccedil;as era poss&iacute;vel, inaugurando a t&eacute;cnica do brincar como ferramenta de escuta do inconsciente infantil. Segal (1975) coloca que, na escuta kleiniana, &eacute; importante analisar as rela&ccedil;&otilde;es do ego com os objetos internos (submetidos &agrave;s fantasias Ics) e externos, e que, com essa compreens&atilde;o, o analista pode vislumbrar o ponto de urg&ecirc;ncia traduzido na ang&uacute;stia e no sadismo voltado para si mesmo ou para o objeto. Ao compreender essas fantasias, pode-se interpretar, de maneira substancial, as opera&ccedil;&otilde;es defensivas do ego em termos de emo&ccedil;&otilde;es e comportamentos. Para Klein, a fantasia n&atilde;o &eacute;, simplesmente, uma fuga da realidade, mas uma constante e inevit&aacute;vel intera&ccedil;&atilde;o entre experi&ecirc;ncias reais e mundo interno, um modo de conceber as demandas pulsionais inconscientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, segundo Roudinesco (1998), para escutar o inconsciente, apoiou-se n&atilde;o mais num modelo biol&oacute;gico (darwinista), mas num modelo lingu&iacute;stico. Al&eacute;m disso, Lacan reformulou a metapsicologia freudiana, articulando a teoria do sujeito com conceitos como o real, o imagin&aacute;rio, o est&aacute;dio do espelho na constitui&ccedil;&atilde;o do eu e o simb&oacute;lico. O real designa uma realidade fenom&ecirc;nica que &eacute; imanente &agrave; representa&ccedil;&atilde;o e imposs&iacute;vel de simbolizar. Utilizado no contexto de uma t&oacute;pica, o real &eacute; insepar&aacute;vel dos outros dois componentes, o imagin&aacute;rio e o simb&oacute;lico. Ainda segundo Roudinesco (1998), o imagin&aacute;rio, no sentido lacaniano, define-se como o lugar do eu por excel&ecirc;ncia. O simb&oacute;lico nos fala de um sistema de representa&ccedil;&atilde;o baseado na linguagem, ou seja, signos e significa&ccedil;&otilde;es que determinam o sujeito, permitindo-lhe referir-se a ele, consciente ou inconscientemente, ao exercer sua faculdade de simboliza&ccedil;&atilde;o. Resumidamente, para Lacan, o simb&oacute;lico foi definido como o lugar do significante e da fun&ccedil;&atilde;o paterna; o imagin&aacute;rio, como o lugar das ilus&otilde;es do eu, da aliena&ccedil;&atilde;o e da fus&atilde;o com o corpo da m&atilde;e; e o real como um resto imposs&iacute;vel de simbolizar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta comunica&ccedil;&atilde;o procurei situar a origem e o m&eacute;todo de tratamento psicanal&iacute;tico. Entretanto, uma quest&atilde;o se faz presente a todo instante: que lugar ocupa a Psican&aacute;lise num contexto cada vez mais imediatista, no qual a singularidade &eacute; cada vez menos considerada? Parece-me claro que vivemos numa &eacute;poca onde o sujeito que sofre n&atilde;o tem lugar social. Grande paradoxo, pois sabemos que o sofrimento &eacute; inerente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o humana. Birman, na obra <i>O Mal-Estar na Atualidade</i> (2001), cita, a partir das ideias dos fil&oacute;sofos Lasch e Debord, duas formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o vigentes na atualidade - a cultura do narcisismo e a sociedade do espet&aacute;culo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que justamente caracteriza a subjetividade na cultura do Narcisismo &eacute; a impossibilidade de poder admirar o outro em sua diferen&ccedil;a radical, j&aacute; que n&atilde;o consegue se descentrar de si mesma. Referido sempre a seu pr&oacute;prio umbigo e sem poder enxergar um palmo al&eacute;m do pr&oacute;prio nariz, o sujeito da cultura do espet&aacute;culo encara o outro apenas como um objeto para seu usufruto. Seria apenas no horizonte macabro de um corpo a ser infinitamente manipulado para o gozo que o outro se apresenta para o sujeito no horizonte da atualidade p.25).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Coloca, ainda, que por interm&eacute;dio destas categorias, torna-se poss&iacute;vel supor o que est&aacute; no fundamento das psicopatologias atuais. Deste modo, faz-se necess&aacute;rio que tamb&eacute;m a escuta em Psican&aacute;lise esteja sens&iacute;vel aos movimentos do contempor&acirc;neo, para que possa escutar estas novas demandas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, segundo Roudinesco (2000), o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico &eacute; um tratamento baseado na fala, um tratamento em que o fato de se verbalizar o sofrimento, de encontrar palavras para express&aacute;-lo, permite, sen&atilde;o cur&aacute;-lo, ao menos tomar consci&ecirc;ncia de sua origem e, portanto, assumi-lo. E hoje, parece que a Psican&aacute;lise se encontra em constante desafio, na tentativa de compreender novos sintomas e patologias. Mesmo assim, seu m&eacute;todo permanece centrado na escuta da condi&ccedil;&atilde;o humana, dando voz &agrave;quilo que, por a&ccedil;&atilde;o do recalcamento, n&atilde;o pode aparecer, mas despende energia para manter certo modo de funcionamento produtor de sintoma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Penso que &eacute; pretensioso vislumbrar a psican&aacute;lise como a solu&ccedil;&atilde;o de todos os problemas. Entretanto, parece-me que, nos v&iacute;nculos sociais observados na contemporaneidade, predomina a puls&atilde;o de morte e o desligamento da for&ccedil;a promotora dos la&ccedil;os afetivos, incrementando ang&uacute;stias que n&atilde;o podem ser nomeadas. Neste sentido, a Psican&aacute;lise se coloca como uma oportunidade das pessoas entrarem em contato com suas &#8220;moradas internas&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A t&iacute;tulo de ilustra&ccedil;&atilde;o, trago a seguir uma ideia de Fabr&iacute;cio Carpinejar (2004) que me remete ao processo de an&aacute;lise, assim como ao mito de F&ecirc;nix. F&ecirc;nix era uma ave maravilhosa e seu mito tinha muita import&acirc;ncia no antigo Egito. Sua representa&ccedil;&atilde;o estava ligada ao culto ao sol e ficou conhecida entre os gregos como Heli&oacute;polis. O mito conta que a ave n&atilde;o podia reproduzir-se, apenas recriar-se. No fim da vida, recolhia-se num ninho de ervas arom&aacute;ticas para atear-se fogo e nada lhe restar al&eacute;m de cinzas, de onde renasceria com mais esplendor e for&ccedil;a. F&ecirc;nix significa morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, metamorfose e evolu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, &eacute; preciso aceitar o desafio de ressignificar as perdas, compreender que somos capazes de morrer v&aacute;rias vezes em vida e renascer num processo de re-inven&ccedil;&atilde;o de n&oacute;s mesmos.</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> N&atilde;o diferencio os cogumelos    <br>   venenosos dos sadios,    <br>   os in&ccedil;os das ervas curativas.    <br>   Como descobrir    <br>   o que mata    <br>   sem morrer um pouco por vez?    <br>   (Carpinejar, 2004)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BASTOS, A. B. I. A escuta psicanal&iacute;tica e a educa&ccedil;&atilde;o. <i>Psic&oacute;logo informa&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: ano 13, n.13, p.91-97, dez./2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815743&pid=S0100-3437201100030001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BIRMAN, J. <i>Mal-estar na atualidade &#8211; a psican&aacute;lise e as novas formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o</i>. 3 ed. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815745&pid=S0100-3437201100030001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CARPINEJAR, F. <i>Cogumelos </i>(2004). <a href="http://pensador.uol.com.br/frase/NTc2ODYy/">http://pensador.uol.com.br/frase/NTc2ODYy/</a>. Acesso em jul./2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815747&pid=S0100-3437201100030001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OGDEN, T. H. <i>Os sujeitos da psican&aacute;lise</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815749&pid=S0100-3437201100030001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. Estudos sobre a histeria (1893-1895). In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud.</i> Rio de Janeiro: Imago, 1996, v.II.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815751&pid=S0100-3437201100030001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. O caso de Schereber, artigos sobre a t&eacute;cnica e outros trabalhos (1911). In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o Standard Brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud.</i> Rio de Janeiro: Imago, 1996, v.XII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815753&pid=S0100-3437201100030001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GAY, P. <i>Freud, uma vida para nosso tempo</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815755&pid=S0100-3437201100030001600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RIBEIRO DA SILVA, A. F. Notas para uma hist&oacute;ria da histeria.<i> Estudos de Psican&aacute;lise</i>, Belo Horizonte, n.19, p.9-18, set./1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815757&pid=S0100-3437201100030001600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ROUDINESCO, E. <i>Dicion&aacute;rio de psican&aacute;lise.</i> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815759&pid=S0100-3437201100030001600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ROUDINESCO, E. <i>Por que a psican&aacute;lise?</i> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815761&pid=S0100-3437201100030001600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SIQUEIRA, E. O sentido da escuta. In: Siqueira, A. J. (organizador) <i>Palavra, sil&ecirc;ncio e escuta</i>. Textos psicanal&iacute;ticos. Recife: UFPE, 2007, p.73-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815763&pid=S0100-3437201100030001600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SEGAL, H. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; obra de Melanie Klein</i>. Rio de Janeiro: Imago, 1975.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815765&pid=S0100-3437201100030001600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SOUZA, E. e ENDO,    P. <i>Sigmund Freud</i>. Porto Alegre: L-PM, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=815767&pid=S0100-3437201100030001600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="cor"></a><img src="/img/revistas/ep/n36/seta.gif" border="0"><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>    <br>   Rua Dr. Jos&eacute; Montaury, 325/107 &#8211; Centro    <br>   95330-000 &#8211; Veran&oacute;polis/RS    <br>   Tel.: (54)9143-6293     <br>   E-mail: <a href="mailto:waleska.pessato@terra.com.br">waleska.pessato@terra.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Recebido: 01/08/2011    <br>   Aprovado: 08/09/2011</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sobre a Autora</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Waleska Pessato Farenzena Fochesatto</b>    <br>   Psic&oacute;loga. Mestre em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de pela PUCRS. Candidata &agrave; psicanalista pelo C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico do Rio Grande do Sul. Pesquisadora do &#8220;Projeto Veran&oacute;polis: Envelhecimento com Qualidade de Vida&#8221;. Atua em cl&iacute;nica na cidade de Veran&oacute;polis/RS.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <sup><a name="2"></a><a href="#1">1</a></sup> Trabalho apresentado na jornada anual do CPRS em 2008.</font></p>      ]]></body>
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