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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O inapanhável objeto do savoir-faire na análise]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Associação de Psicanálise Encore  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Over and above technical rules, know-how derives from an ethical position. Tact and receptiveness are its constituent parts. It finds expression in the rule of equally suspended attention which guards against a hasty understanding of what is said, preferring surprises as signs of the unconscious. The rule indicates also that know-how is linked to the notion of time and its handling as well as to the existence of lalangue.?Know-how however is not only in the realm of the analyst. The analysand too must find how to do with his fantasies and symptom. Finally, is know-how always to be attributed to a subjectivity, be it that of the analyst’s or the analysand’s, insofar as the unconscious is know-how with lalangue?]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Saber-fazer]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif><b>O inapanh&aacute;vel objeto do savoir-faire na an&aacute;lise</b><sup><a name="1"></a><a href="#2">1</a></sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The elusory object of know-how in analysis</b></font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Erik Porge</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Associação de Psicanálise Encore</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tradu&ccedil;&atilde;o:    Elisa Renn&oacute; dos Mares Guia-Menendez e Mariana Val&eacute;rio Orlandi</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name=end></a><a href=#cor>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size=1 noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m das    regras t&eacute;cnicas, o <i>savoir-faire</i> (saber-fazer) prov&eacute;m    de uma posi&ccedil;&atilde;o &eacute;tica. O tato, assim como a disponibilidade,    o constitui. Ele encontra sua express&atilde;o na regra da aten&ccedil;&atilde;o    igualmente em suspenso. Esta visa a impedir a compreens&atilde;o precipitada    e favorece a surpresa no discurso, sinais de uma passagem de inconsciente. Ela    tamb&eacute;m indica que o <i>savoir-faire</i> se encontra ligado ao tempo    e ao seu manejo, bem como &agrave; exist&ecirc;ncia da <i>lal&iacute;ngua</i>    (<i>lalangue</i>). No entanto, o <i>savoir-faire</i> n&atilde;o deve se    situar somente do lado do analista, mas tamb&eacute;m do analisante. A este    cabe aprender como lidar com seu fantasma e seu sintoma. Al&eacute;m disso,    o <i>savoir-faire</i> se refere sempre a uma subjetividade, seja ela do analista    ou do analisante, na medida em que o inconsciente &eacute; um <i>savoir-faire</i>    com a <i>lal&iacute;ngua</i>?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b>Saber-fazer, Aten&ccedil;&atilde;o, Lalangue.</font></p> <hr size=1 noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Over and above technical rules, know-how derives from an ethical position. Tact    and receptiveness are its constituent parts. It finds expression in the rule    of equally suspended attention which guards against a hasty understanding of    what is said, preferring surprises as signs of the unconscious. The rule indicates    also that know-how is linked to the notion of time and its handling as well    as to the existence of lalangue.?Know-how however is not only in the realm of    the analyst. The analysand too must find how to do with his fantasies and symptom.    Finally, is know-how always to be attributed to a subjectivity, be it that of    the analyst's or the analysand's, insofar as the unconscious is    know-how with lalangue?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Know-how, Attention, Lalange.</font></p> <hr size=1 noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Naquilo que concerne    &agrave; psican&aacute;lise, o <i>savoir-faire</i> pode ser visto de maneira    positiva ou negativa. O lado ruim: no sentido de uma manipula&ccedil;&atilde;o    indevida da transfer&ecirc;ncia. O lado bom: no sentido de uma justa aprecia&ccedil;&atilde;o    dos posicionamentos da transfer&ecirc;ncia. Esse aspecto bifacet&aacute;rio    do <i>savoir-faire</i>, no fundo, est&aacute; correlacionado com o da transfer&ecirc;ncia    em si, que &agrave;s vezes &eacute; um fator de resist&ecirc;ncia e tamb&eacute;m    motor de um querer dizer. A dupla face da transfer&ecirc;ncia nos mostra que    ela nunca &eacute; pura nem purific&aacute;vel, pois est&aacute; intricada com    a sugest&atilde;o. No entanto, &eacute; recomend&aacute;vel distingui-la. Mas    tal distin&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil e demanda a interven&ccedil;&atilde;o    de outras coordenadas. Freud identificou muito bem tal armadilha em seu artigo    <i>A din&acirc;mica da transfer&ecirc;ncia</i> e busca contorn&aacute;-la:    Buscamos preservar a independ&ecirc;ncia &uacute;ltima do paciente, utilizando    a sugest&atilde;o somente para faz&ecirc;-lo realizar o trabalho ps&iacute;quico,    que o conduzir&aacute; necessariamente a melhorar de maneira dur&aacute;vel    a sua condi&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica (FREUD, 1975).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fronteira entre uma sugest&atilde;o arbitr&aacute;ria, hipnotizante e uma    sugest&atilde;o a servi&ccedil;o do "trabalho ps&iacute;quico" pode    ser porosa, segundo o dito que os fins justificam os meios. Por isso, &eacute;    preciso admitir a exist&ecirc;ncia "de uma dimens&atilde;o de sugest&atilde;o    em toda transfer&ecirc;ncia" (PLON, 1989, p. 91). Nessa ocasi&atilde;o    Michel Plon tamb&eacute;m cita Lacan: </font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Nas condi&ccedil;&otilde;es      centrais, normais de uma an&aacute;lise, nas neuroses, a transfer&ecirc;ncia      &eacute; interpretada com o pr&oacute;prio instrumento da transfer&ecirc;ncia      e com base nela mesma. Portanto, ela poder&aacute; ser feita somente a partir      de uma posi&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; atribu&iacute;da na transfer&ecirc;ncia,      que o analista analise e intervenha na pr&oacute;pria transfer&ecirc;ncia.      Para ser sincero haver&aacute; uma margem irredut&iacute;vel de sugest&atilde;o,      um elemento que ser&aacute; sempre suspeito, que n&atilde;o se at&eacute;m      ao que se passa por fora &#8212; n&atilde;o h&aacute; como saber &#8212; e      sim a aquilo que a pr&oacute;pria teoria &eacute; capaz de produzir<sup><a name="3"></a><a href="#4">2</a></sup> (LACAN,      1992, p. 210).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se, de fato, a    transfer&ecirc;ncia pode ser interpretada somente com a pr&oacute;pria transfer&ecirc;ncia,    existe um c&iacute;rculo vicioso da transfer&ecirc;ncia e da sugest&atilde;o.    Da&iacute; ent&atilde;o a necessidade, para encontrar uma sa&iacute;da, de fazer    com que a transfer&ecirc;ncia dependa de outra alavanca te&oacute;rica (o ponto    fixo de Arquimedes que Descartes relembra em sua segunda <i>Medita&ccedil;&atilde;o</i>),    que foi finalmente nomeado por Lacan, em 1964, o sujeito suposto saber. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; tamb&eacute;m    por essa via que &eacute; poss&iacute;vel abordar a quest&atilde;o do <i>savoir-faire</i>    na an&aacute;lise. Um <i>savoir-faire</i> que n&atilde;o se relancear&aacute;    nos equivocados sulcos da transfer&ecirc;ncia e da sugest&atilde;o e que n&atilde;o    tomar&aacute; a m&aacute;scara de Janus. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Al&eacute;m    e aqu&eacute;m do saber e do fazer associados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A associa&ccedil;&atilde;o    destes dois verbos cria uma nova no&ccedil;&atilde;o, suplementar &agrave; adi&ccedil;&atilde;o    de cada um destes termos. A ordem n&atilde;o &eacute; indiferente, por&eacute;m    o <i>savoir-faire</i> (saber-fazer) n&atilde;o &eacute; inverso ao<i> faire-savoir</i>    (fazer-saber), express&atilde;o que tamb&eacute;m tem sua pertin&ecirc;ncia,    mas que concerne outro campo como o da psicose. E o savoir-faire n&atilde;o    precisa de faire-savoir. No "<i>savoir-faire</i>" existe uma determina&ccedil;&atilde;o    do fazer pelo saber, mas ela n&atilde;o se esgota. Longe disso, o sentido do    tra&ccedil;o da uni&atilde;o entre ambos &eacute; tamb&eacute;m um tra&ccedil;o    de separa&ccedil;&atilde;o. Mas se o saber determina o fazer, tal fato n&atilde;o    diz de qual saber nem de qual fazer se trata, nem que o fazer se origina do    saber. No que concerne ao resultado dessa associa&ccedil;&atilde;o de dois verbos,    ele pode provir seja de um fazer sem muito saber, seja um saber sem muito fazer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O exerc&iacute;cio    de um fazer pode produzir um saber, especialmente se o fazer possui valor de    ato, levando em considera&ccedil;&atilde;o que o gesto est&aacute; associado    a uma dimens&atilde;o significante &#8212; por exemplo, no caso de C&eacute;sar    atravessando o Rubic&atilde;o &#8212;, mesmo se durante o ato o sujeito n&atilde;o    perceba o que est&aacute; fazendo, pois ele est&aacute; dividido pelo ato, ele    o transforma, ele n&atilde;o &eacute; mais o mesmo antes e ap&oacute;s o ato.    A mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o do sujeito modifica a sua rela&ccedil;&atilde;o    com o saber. &Eacute; o paradigma do ato anal&iacute;tico, o qual Lacan definiu    como a passagem do analisante a analista. De maneira mais modesta, &eacute;    tamb&eacute;m o efeito de qualquer ato falho, de todo engano,<sup><a name="5"></a><a href="#6">3</a></sup> que produz uma    entrepercep&ccedil;&atilde;o (<i>entr'apercevoir</i>) de uma dimens&atilde;o    significante que at&eacute; ent&atilde;o o sujeito desconhecia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fazer pode tamb&eacute;m    encontrar sua origem no saber. &Eacute; o caso do discurso universit&aacute;rio    e de toda forma&ccedil;&atilde;o dita profissional, em que se coloca em pr&aacute;tica    um saber constitu&iacute;do. A partir desse ponto de vista, o <i>savoir-faire</i>    anal&iacute;tico &eacute; uma degluti&ccedil;&atilde;o de um saber aprendido    em e atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise pessoal. Trata-se, ent&atilde;o, de    uma concep&ccedil;&atilde;o livresca do saber, produzindo interpreta&ccedil;&otilde;es    prontas para serem usadas (<i>pr&ecirc;tes-&agrave;-porter</i>). Ele se op&otilde;e    a um saber proveniente de um agir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas a dimens&atilde;o    do ato deve ser transmitida atrav&eacute;s de um saber que confere a sua dimens&atilde;o    significante ao fazer e lhe permite ser reconhecido como tal. N&atilde;o saber&iacute;amos,    ent&atilde;o, estabelecer uma demarca&ccedil;&atilde;o clara entre essas duas    origens poss&iacute;veis de um <i>savoir-faire</i>. &Eacute; preciso se desvencilhar    de uma posi&ccedil;&atilde;o bin&aacute;ria entre saber e fazer, que &eacute;    demasiadamente generalizada. &Eacute; o que fez Lacan quando, ao escrever a    f&oacute;rmula do sujeito suposto saber, diferencia e articula o saber textual,    l&oacute;gico e topol&oacute;gico (o oito interior) e um saber referencial,    "latente", saber suposto, assim como o sujeito, nos significantes    deste, aonde o "n&atilde;o sabido se ordena como estrutura do saber"    (LACAN, 2003, p. 248-250).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal como Freud nos lembra, devemos abordar cada "novo caso como se nada    houv&eacute;ssemos adquirido de suas primeiras decifra&ccedil;&otilde;es"    (LACAN, 2003, p. 249). Em outro momento, mas nessa mesma dire&ccedil;&atilde;o,    ele anuncia que &eacute; "indispens&aacute;vel que o analista seja ao    menos dois. O analista, para que os efeitos possam surtir &eacute; o analista    quem, estes efeitos, os teoriza" (LACAN, 1974). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Permanecendo em    uma oposi&ccedil;&atilde;o entre saber e fazer, n&atilde;o saber&iacute;amos    encontrar a verdade do <i>savoir-faire</i>; ao mesmo tempo a no&ccedil;&atilde;o    cont&eacute;m uma originalidade e um valor que n&atilde;o devem ser perdidos    de vista. Possivelmente o la&ccedil;o entre o saber e o fazer n&atilde;o consiste    em um la&ccedil;o de dois termos, e &eacute; preciso ao menos poder at&aacute;-los    com um terceiro termo. Propomos introduzir neste ponto os termos de gozo e <i>lal&iacute;ngua</i>    (<i>lalangue</i>). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>savoir-faire</i>,    o saber e o fazer n&atilde;o podem ser isolados como duas entidades ou dois    elementos conjuntos que, de alguma maneira, complementariam um ao outro. Existe    uma aliena&ccedil;&atilde;o, seja um fazer que, por um lado, exclui o saber    e um saber que, por outro lado, exclui o fazer. Uma parcela do fazer excede    o saber, ou o antecipa, quando esse fazer produz um saber. Ao mesmo tempo, o    fazer pode se mostrar falho com rela&ccedil;&atilde;o ao saber. A transfer&ecirc;ncia    ao analista depende do significante terceiro, mediador, "sujeito suposto    saber", mas isso pode refor&ccedil;ar a repreens&atilde;o da falta de    <i>savoir-faire</i>. Mesmo se um <i>savoir-faire</i> &eacute; emprestado    ao analista, n&atilde;o &eacute; o que encontramos no princ&iacute;pio da transfer&ecirc;ncia.    N&atilde;o saber&iacute;amos estender de maneira natural a f&oacute;rmula do    sujeito suposto saber em uma f&oacute;rmula de um sujeito suposto saber fazer.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O lado    do ato e do fracasso (ratage)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de evocar    um <i>savoir-faire</i> em uma an&aacute;lise &#8212; e que ao faz&ecirc;-lo    a no&ccedil;&atilde;o de ato &eacute; convocada &#8212; implica um poss&iacute;vel    fracasso. O poss&iacute;vel seria, segundo Lacan, um cessar de se escrever.    Sabemos que, desde Arist&oacute;teles e sua contribui&ccedil;&atilde;o &agrave;    controv&eacute;rsia dos futuros contingentes, que o que h&aacute; de necess&aacute;rio    &eacute; o poss&iacute;vel. &Eacute; poss&iacute;vel que seja A ou B que ven&ccedil;a    a batalha naval amanh&atilde;, mas &eacute; necess&aacute;rio que seja ou um    ou outro. As altern&acirc;ncias ou pontua&ccedil;&otilde;es, do <i>cessar de    se escrever e do n&atilde;o cessar de se escrever</i> (assim como Lacan define    o necess&aacute;rio &#091;LACAN, 1982, p. 132) talvez sejam aquilo que separa a a&ccedil;&atilde;o    do sujeito suposto saber, como figura necess&aacute;ria, da do <i>savoir-faire</i>,    como figura do poss&iacute;vel da transfer&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contrariamente    &agrave; defini&ccedil;&atilde;o que busca que o <i>savoir-faire</i> seja    identificado como habilidade, a busca de obter sucesso naquilo que fazemos em    uma an&aacute;lise, o <i>savoir-faire</i> se aproxima do risco, de uma poss&iacute;vel    falha, a aproxima&ccedil;&atilde;o e o fracasso, dimens&otilde;es ligadas ao    ato anal&iacute;tico. Nesse sentido, o <i>savoir-faire</i> &eacute; exatamente    o contr&aacute;rio da aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de uma regra te&oacute;rica    universal. Ele n&atilde;o enaltece o saber e n&atilde;o equivale a nenhuma habilidade    t&eacute;cnica que seja, mesmo se tratando de algo bem-vindo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; tamb&eacute;m o caso de outros dom&iacute;nios e n&atilde;o somente    da an&aacute;lise, por exemplo, na arte. Fabricar um quadro n&atilde;o &eacute;    pintar (COLLINS, 2012).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em <i>Propos sur    la peiture du moine Citrouille-Am&egrave;re</i> (Anota&ccedil;&otilde;es sobre    a pintura do monge ab&oacute;bora-amarga), Shih T'ao exemplifica aquilo    que ele chama de "um tra&ccedil;o &uacute;nico do pincel", familiar    &agrave; caligrafia e &agrave; pintura, que vai bem al&eacute;m de regras t&eacute;cnicas    de execu&ccedil;&atilde;o. Ele representa um verdadeiro ascetismo:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Aonde se      encontra a regra? Ela reside em um s&oacute; tra&ccedil;o do pincel. Em um      s&oacute; tra&ccedil;o do pincel encontra-se o principio de todas as coisas,      a raiz de Dez Mil Fen&ocirc;menos, isto &eacute; revelado aos Esp&iacute;ritos,      mas escondido dos homens, e o s&eacute;culo o ignora. (...) A regra do tra&ccedil;o      &uacute;nico do pincel &eacute; a aus&ecirc;ncia de regra que produz a regra,      e assim a regra obtida abrange o universal. (T'AO, 1984, cap. I).</i></font></p>       <p><i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#091;...&#093;</font></i></p>       <p><i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute;      na uni&atilde;o entre o pincel e a tinta que se produz o ato de pintura: "A      tinta deve umedecer o pincel com a alma, o pincel deve utilizar a tinta com      o esp&iacute;rito. (...) Realizar a uni&atilde;o entre o pincel e a tinta,      &eacute; resolver a distin&ccedil;&atilde;o de yin e yun e se comprometer      a ordenar o caos" (T'AO, 1984 cap. V, VII).</font></i></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu livro sobre    um dos maiores pintores chineses, Chu Ta (1626-1705), amigo de Shih T'ao,    Le g&eacute;nie du trait (<i>O g&ecirc;nio do tra&ccedil;o</i>), Fran&ccedil;ois    Cheng escreve:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Que se trate      de caligrafia ou de pintura, na China, o g&ecirc;nio criador se resume sempre      a este gesto &uacute;nico: tra&ccedil;ar o tra&ccedil;o. (...) Recordemos      que para os chineses o tra&ccedil;o n&atilde;o consiste em uma finalidade      em si. Da mesma forma com que ele n&atilde;o seria percebido como uma simples      linha. Ele &eacute;, ao contr&aacute;rio, uma entidade viva, implicada em      uma estrutura global que pretende tratar do universo em toda sua toda a integralidade      (CHENG, 1986, p. 36-39).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em fun&ccedil;&atilde;o das grandes mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas e familiares,    Shu Ta se fechar&aacute; em um mutismo absoluto, mas ele mostrar&aacute; ter    uma extraordin&aacute;ria energia criativa. Fran&ccedil;ois Cheng percebe que    para ele o tra&ccedil;o representa a "voz de dentro", ele "d&aacute;    a palavra &agrave; suas imagens" (CHENG, 1986, p. 39).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Du tait (de    taire) au trai il y a l'r.</i> (Do sil&ecirc;ncio ao tra&ccedil;o, existe    o r).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa experi&ecirc;ncia    &eacute; preciosa para abordarmos aquilo que Lacan chama de "lituraterra",    "a rasura de tra&ccedil;o algum que seja anterior" (LACAN, 2003,    p. 21), a mesma do tra&ccedil;o un&aacute;rio. Ele modifica aquilo que havia    apresentado em seu semin&aacute;rio <i>A identifica&ccedil;&atilde;o</i> (LACAN,    24 jan. 1962) formulando os tr&ecirc;s tempos no advento do significante: o    do tra&ccedil;o (do n&atilde;o), o da sua desmarca&ccedil;&atilde;o, e o da    anula&ccedil;&atilde;o da desmarca&ccedil;&atilde;o. Isso gera o advento do    significante "n&atilde;o": n&atilde;o h&aacute; tra&ccedil;o no    n&atilde;o. Em <i>Lituraterra</i>, Lacan conta somente dois tempos, mas ele    fala de uma rasura de tra&ccedil;o algum que seja anterior para apontar esse    momento inapanh&aacute;vel "da metade sem par em que o sujeito subsiste",    e &eacute; a caligrafia que o presentifica:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O escoamento      &eacute; o remate do tra&ccedil;o prim&aacute;rio e daquilo que o apaga. Eu      lhe disse: &eacute; pela conjun&ccedil;&atilde;o deles que ele se faz sujeito,      mas por a&iacute; se marcam dois tempos. &Eacute; preciso, pois, que se distinga      nisso a rasura. Rasura de tra&ccedil;o algum que seja anterior, &eacute; isso      que do litoral faz terra. Litura pura &eacute; o litoral. Produzi-la &eacute;      reproduzir essa metade &iacute;mpar com que o sujeito subsiste. Esta &eacute;      a fa&ccedil;anha da caligrafia. Experimentem fazer essa barra horizontal que      &eacute; tra&ccedil;ada da esquerda para a direita, para figurar com um tra&ccedil;o      o um un&aacute;rio como caractere, e voc&ecirc;s levar&atilde;o muito tempo      para descobrir com que apoio ela se empreende, com que suspens&atilde;o ela      se det&eacute;m. A bem da verdade, &eacute; sem chances para um ocidental.      &Eacute; preciso um embalo que s&oacute; consegue quem se desliga de seja      l&aacute; o que for que fa&ccedil;a tra&ccedil;o </i>(raye)<i>.</i></font></p>       <p><i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre centro      e aus&ecirc;ncia, entre saber e gozo, h&aacute; litoral que s&oacute; vira      literal quando, essa virada, voc&ecirc;s podem tom&aacute;-la, a mesma, a      todo instante. &Eacute; somente a partir da&iacute; que podem tomar-se pelo      agente que a sustenta. (LACAN, 2003, p. 21)</font></i></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vemos que o <i>savoir-faire</i>    n&atilde;o se reduz a uma habilidade t&eacute;cnica e que um <i>savoir-faire</i>    em diferentes dom&iacute;nios pode produzir efeitos an&aacute;logos, e nesse    ponto, uma virada entre saber e gozo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &eacute;    exatamente do que se trata o <i>savoir-faire</i>? Saber fazer uma curva entre    saber e gozo? N&atilde;o seria o gozo o terceiro termo que faria tra&ccedil;o    entre saber e fazer? O &uacute;nico tra&ccedil;o de pincel como o tra&ccedil;o    un&aacute;rio?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O savoir-faire    pode ser ensinado?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>savoir-faire</i>    &eacute; transmiss&iacute;vel como na arte ou no artesanato? Mais precisamente,    quais seriam os elementos do <i>savoir-faire</i> que poderiam constituir objeto    de uma transmiss&atilde;o? E como?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o me parece    contest&aacute;vel o fato de que o <i>savoir-faire</i> possa ser ensinado    durante uma an&aacute;lise, assim como tudo o que se encontra ao redor dela,    supervis&otilde;es, apresenta&ccedil;&otilde;es de paciente, cart&eacute;is,    passe... &Eacute; o que ent&atilde;o tornaria o <i>savoir-faire</i> indispens&aacute;vel,    mas limitado, pois a transmiss&atilde;o de um <i>savoir-faire</i> anal&iacute;tico    n&atilde;o &eacute; a transmiss&atilde;o da psican&aacute;lise, concebida como    um saber sobre a passagem da posi&ccedil;&atilde;o de analisante &agrave; posi&ccedil;&atilde;o    de analista. &Eacute; nesse sentido que o <i>savoir-faire</i> pode se converter    em uma sugest&atilde;o e, ent&atilde;o, reduzir a psican&aacute;lise a uma esp&eacute;cie    de psicoterapia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao publicar <i>A    interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos</i>, Freud esperava, entretempos, produzir    um "manual" de interpreta&ccedil;&atilde;o, um guia de <i>savoir-faire</i>    das interpreta&ccedil;&otilde;es dos sonhos, que poderia ser utilizado por qualquer    pessoa. &Eacute; por isso que ele buscar&aacute; da forma mais abrangente poss&iacute;vel    contribui&ccedil;&otilde;es de outros analistas, as quais foram inclu&iacute;das    ou n&atilde;o em sua obra, em uma hist&oacute;ria complicada (MARINELLI; MEYER,    2009). Por&eacute;m, rapidamente ele se dar&aacute; conta de que um manual n&atilde;o    poderia substituir uma an&aacute;lise pessoal, com um terceiro. Todavia, foi    preciso esperar 1918 para que Hermann Nunberg recomendasse de antem&atilde;o    a an&aacute;lise pessoal para exercer a psican&aacute;lise, e 1925 para que    a IPA tornasse tal recomenda&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria, o que inscreveria    o v&iacute;nculo entre a an&aacute;lise pessoal e a aquisi&ccedil;&atilde;o    de um <i>savoir-faire</i>. Ao mesmo tempo que Freud se sentia livre com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s regras enunciadas, ele declara que a psican&aacute;lise n&atilde;o    pode ser ensinada em livros (FREUD, 1974). Nos dias de hoje, a necessidade de    uma an&aacute;lise pessoal para exercer a psican&aacute;lise &eacute; um consenso,    embora as raz&otilde;es n&atilde;o sejam sempre as mesmas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o seria    quest&atilde;o de reduzir a an&aacute;lise do analista nem suas conex&otilde;es,    supervis&otilde;es, ao aprendizado de um <i>savoir-faire</i>. Conceber as    coisas dessa forma consistiria em permanecer em um modelo de an&aacute;lise    enquanto forma&ccedil;&atilde;o profissional. Mesmo sendo dif&iacute;cil para    cada um poder dizer em que a an&aacute;lise pessoal contribui para o aprendizado    do <i>savoir-faire</i>, ela ser&aacute; &uacute;til ao analisando se ele se    tornar analista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa foi uma quest&atilde;o    colocada durante um col&oacute;quio organizado em novembro de 2011 pela EPFCL<sup><a name="7"></a><a href="#8">4</a></sup>:    "Enquanto algu&eacute;m que pratica a psican&aacute;lise, o que voc&ecirc;    obteve do analista que Lacan foi para voc&ecirc;?"<sup><a name="9"></a><a href="#10">5</a></sup> Tentando responder    a essa quest&atilde;o, comecei ressaltando a dificuldade:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Quais pontos      eu irei distinguir em Lacan, irei ler em sua pr&aacute;tica para afirmar que      eles tiveram tal ou tal efeito na minha pr&aacute;tica? Seria eu capaz de      representar aquilo que opera na minha pr&aacute;tica? E simultaneamente relatar      alguma coisa precisa de minha an&aacute;lise com Lacan? Assim mesmo, quando      eu conseguir estabelecer esta rela&ccedil;&atilde;o de elementos, permanece      somente o conjunto de tra&ccedil;os que "recebi" com outros tra&ccedil;os      pr&oacute;prios que far&atilde;o com que tais tra&ccedil;os n&atilde;o possuam      mais o mesmo valor e n&atilde;o ser&atilde;o mais identific&aacute;veis enquanto      recebidos, ao menos que eu n&atilde;o me d&ecirc; conta.<sup><a name="11"></a><a href="#12">6</a></sup> O recebido &eacute;      um re-sabido daquilo que n&atilde;o me dou conta (PORGE, 2012, p. 41).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Colocados tais    limites, retive, entretanto, certos tra&ccedil;os que poderiam entrar no quadro    daquilo que definiria um <i>savoir-faire</i>. Que fique entendido que n&atilde;o    &eacute; porque retivemos que os dominamos, e existe uma dist&acirc;ncia entre    aquilo que se representa de um <i>savoir-faire</i> e aquele que o opera. Vejamos,    resumidos, tr&ecirc;s desses tra&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um valor do savoir-faire que a an&aacute;lise me ensinou &eacute; a do tato.    Freud j&aacute; havia mencionado em "A psican&aacute;lise dita selvagem":    "Na psican&aacute;lise, essas regras estritas viriam substituir uma inapanh&aacute;vel    qualidade que exige um dom especial: o "tato m&eacute;dico" (FREUD,    1974, p. 41).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rudolph Loewenstein &eacute; um dos poucos a ter escrito um artigo inteiro consagrado    ao tato na an&aacute;lise. Ele nos alerta especialmente contra duas preocupa&ccedil;&otilde;es    que, por mais leg&iacute;timas que sejam, podem prejudicar o processo de an&aacute;lise:    uma curiosidade muito grande em conhecer os pequenos detalhes da hist&oacute;ria    do paciente e um zelo terap&ecirc;utico que o torna impaciente. Ele tamb&eacute;m    teve o m&eacute;rito de acrescentar:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Uma grande      parte das interven&ccedil;&otilde;es dos analistas, entre elas, as que pecam      contra o tato psicol&oacute;gico, possuem uma base em comum. &Eacute; a transgress&atilde;o      da terap&ecirc;utica anal&iacute;tica a um estado da psicoterapia mais primitiva,      aquela que age sobre os pacientes atrav&eacute;s de bons conselhos, pelo chamado      &agrave; vontade e pela persuas&atilde;o (LOEWENSTEIN, 1930-1931).</i></font></p>   </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, que fora analisante de Loewenstein, reconhecia tamb&eacute;m o valor    dessa qualidade, atribuindo-lhe a seguinte defini&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o    se apoiar muito nos significantes que fazem mal, manej&aacute;-los com discernimento    em sua literalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise    tamb&eacute;m me ensinou o valor de um <i>savoir-faire</i> com as rela&ccedil;&otilde;es    interior-exterior, sem abolir a distin&ccedil;&atilde;o entre privado-p&uacute;blico,    mas introduzindo nessa rela&ccedil;&atilde;o uma terceira dimens&atilde;o, uma    dimens&atilde;o analisante passando ao p&uacute;blico. Com Lacan, uma exterioridade    se mostrava convidativa no pr&oacute;prio consult&oacute;rio do analista. Ela    poderia ocorrer mesmo sem ele, mas ele poderia tamb&eacute;m &#8212; com seu    estilo inimit&aacute;vel, mas que ensinava atrav&eacute;s das surpresas que    ele provocava &#8212; model&aacute;-la, ou seja, demonstrar um <i>savoir-faire    avec</i> (saber-fazer com): isso acontecia no encontro com outros analisantes    no consult&oacute;rio do analista, por um trabalho comum com eles nas institui&ccedil;&otilde;es,    pela participa&ccedil;&atilde;o nos semin&aacute;rios e, sobretudo, nas apresenta&ccedil;&otilde;es    de paciente de Lacan e de outros analistas. Poder&iacute;amos dizer que isso    introduzia uma dimens&atilde;o de passe na pr&oacute;pria an&aacute;lise e instaurava,    assim, o analista como passador de um discurso, o que &eacute; uma maneira de    conceber que o analista seja ao menos dois.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, mas    a lista n&atilde;o &eacute; exaustiva, se existe uma coisa que a an&aacute;lise    pode ensinar e que alimenta um <i>savoir-faire</i>, &eacute; a <i>disponibilidade    do analista</i>, disponibilidade &agrave; demanda de escutar e &agrave; pr&oacute;pria    escuta, que ao encontro do valor da paci&ecirc;ncia, frequentemente subestimado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa disponibilidade    n&atilde;o &eacute; um dom, ela &eacute; uma disposi&ccedil;&atilde;o, ou seja,    uma <i>posi&ccedil;&atilde;o</i> do analista, que separa, diferencia, discerne    (o <i>dizer</i>).<sup><a name="13"></a><a href="#14">7</a></sup> A dis-posi&ccedil;&atilde;o do analista responde a uma su-posi&ccedil;&atilde;o    em que o objeto &eacute; o objeto que prepara a sua <i>de-su-posi&ccedil;&atilde;o</i>    do saber no final da an&aacute;lise. Por vezes, ela permite <i>pro-posi&ccedil;&otilde;es</i>    que s&atilde;o atos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A disponibilidade    do analista encontra sua express&atilde;o na regra fundamental enunciada por    Freud, a da aten&ccedil;&atilde;o igualmente em suspenso, a <i>gleichschwebende    Aufmerksamkeit</i>.<sup><a name="15"></a><a href="#16">8</a></sup> Nessa express&atilde;o,    o <i>gleich</i> implica uma continuidade (a aten&ccedil;&atilde;o) enquanto    o <i>schwebend</i> se aproxima mais de uma descontinuidade (o suspenso). &Eacute;    na verdade uma regra de in-aten&ccedil;&atilde;o, tal como entendeu Theodor    Reik em<i> Le psychologue surpris</i>. Relaxando a sua aten&ccedil;&atilde;o,    desviando-a de um ponto fixo, esperado, volunt&aacute;rio, colocando-se em estado    de inaten&ccedil;&atilde;o, o analista se torna receptivo ao <i>Einfall</i>,    &agrave; ideia s&uacute;bita, &agrave; surpresa que &eacute; caracter&iacute;stica    do inconsciente. "Este processo de relaxamento moment&acirc;neo da aten&ccedil;&atilde;o    e do desvio de interesse em outras dire&ccedil;&otilde;es com o retorno consecutivo    do objeto prepara a surpresa" (REIK, 1976, p. 75-78). A regra visa impedir    que possamos compreender muito r&aacute;pido os dizeres do analisante e coloc&aacute;-los    em pequenas caixas interpretativas j&aacute; prontas; a regra favorece a receptividade    da surpresa do discurso, inclusive as que v&ecirc;m do analista, como em caso    de lapso auditivo (<i>Verh&ouml;ren</i>) que revela o dizer no que foi ouvido    (CLAVURIER, 2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muito mais que    uma regra t&eacute;cnica, trata-se, podemos ver, de uma posi&ccedil;&atilde;o    &eacute;tica fundada no aparecimento repentino descont&iacute;nuo, ao imprevisto,    sem que esperemos, das forma&ccedil;&otilde;es do inconsciente. Elas aparecem    repentinamente e desaparecem logo que aparecem, na estrutura temporal da escans&atilde;o,    da batida de uma abertura (LACAN, 1979, p. 33). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A regra da aten&ccedil;&atilde;o    igualmente em suspenso se aproxima da regra &agrave; qual Descartes se submeteu,    de colocar em suspenso os saberes constitu&iacute;dos e de onde surgiu o <i>cogito</i>    enquanto uma esp&eacute;cie de <i>Einfall</i>, muito mais como um julgamento    dedutivo; &eacute; o que o torna vizinho do sujeito do inconsciente, permitindo    ser retomado por Lacan.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aten&ccedil;&atilde;o    igualmente em suspenso dos saberes constitu&iacute;dos &eacute;, ent&atilde;o,    um fundamento do <i>savoir-faire</i>. Neste sentido o <i>savoir-faire</i>    n&atilde;o se trata de uma soma de saberes de experi&ecirc;ncia. Ele visa o    contr&aacute;rio, ir contra as armadilhas da compreens&atilde;o ligada &agrave;    experi&ecirc;ncia. O <i>savoir-faire</i> se revela nessa dire&ccedil;&atilde;o    tal como um <i>savoir-ne-pas-faire</i> (saber-n&atilde;o-fazer), uma suspens&atilde;o    do <i>savoir-faire</i>. A aten&ccedil;&atilde;o igualmente em suspenso tem    uma fun&ccedil;&atilde;o de corte, logo, de pontua&ccedil;&atilde;o, que dar&aacute;    sentido ao discurso. Ela &eacute; a coloca&ccedil;&atilde;o em ato do sil&ecirc;ncio,    e ela &eacute; da mesma ordem da pontua&ccedil;&atilde;o na sess&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ressaltamos que Fran&ccedil;ois Jullien aproximou a disponibilidade freudiana    &agrave;quela que constitui a base da sabedoria chinesa, para quem a disponibilidade    &eacute; "uma disposi&ccedil;&atilde;o sem posi&ccedil;&atilde;o adotada",    que leva a um desprendimento progressivo. "O "conhecimento"    chin&ecirc;s &eacute; n&atilde;o tanto buscar ter uma ideia do que se torna    dispon&iacute;vel &agrave; "(cf. Xunzi, chap. "Jiebi")"    (JULLIEN, 2012, p. 36-42). A dist&acirc;ncia entre a psican&aacute;lise e a    sabedoria, chinesa ou n&atilde;o, continua preservada, mas a reconcilia&ccedil;&atilde;o    com esse ponto merece nossa aten&ccedil;&atilde;o... suspensa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A refer&ecirc;ncia    &agrave; aten&ccedil;&atilde;o igualmente suspensa nos permite afirmar que o    <i>savoir-faire</i> se apoia essencialmente no manejo do tempo assim como    no manejo do dizer. Os dois est&atilde;o relacionados (LACAN, 1977).<sup><a name="17"></a><a href="#18">9</a></sup> N&atilde;o    basta que uma interven&ccedil;&atilde;o na an&aacute;lise seja exata, justa.    Ela deve ocorrer no bom momento e ser colocada de uma boa maneira. Sabemos que    Freud nos lembra o prov&eacute;rbio dizendo que o le&atilde;o salta somente    uma vez (FREUD, 1975, p. 234); todavia, n&atilde;o se trata de todas as interpreta&ccedil;&otilde;es,    trata-se daquelas que s&atilde;o "violentas" na quest&atilde;o da    fixa&ccedil;&atilde;o de um termo na an&aacute;lise (o que Freud fizera com    o <i>Homem dos lobos</i>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo sem se tomar por um le&atilde;o, o analista sabe que o efeito de uma interven&ccedil;&atilde;o    de sua parte depende de sua posi&ccedil;&atilde;o na transfer&ecirc;ncia e do    tempo l&oacute;gico em que ele se situa. O termo suspenso nos leva diretamente    ao tempo l&oacute;gico, pois &eacute; ap&oacute;s duas escans&otilde;es suspensivas    que a asser&ccedil;&atilde;o de uma certeza pode ser enunciada. Ela &eacute;    ent&atilde;o antecipada na pressa, no momento de concluir que est&aacute; articulado    ao instante de ver e ao tempo por compreender (ao qual podemos assimilar a perlabora&ccedil;&atilde;o    freudiana).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a compreens&atilde;o    daquilo que &eacute; dito em an&aacute;lise deve ser colocada em suspenso, &eacute;    porque, assim como no tempo l&oacute;gico, ela se funda em uma n&atilde;o compreens&atilde;o,    que encontrar&aacute; o seu t&eacute;rmino somente na antecipa&ccedil;&atilde;o,    na pressa do momento de concluir. Ela acontece no <i>apr&egrave;s-coup</i>    do momento de concluir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o basta    pronunciar a palavra <i>kairos</i> para saber captar o bom momento da interpreta&ccedil;&atilde;o.    Existem v&aacute;rios <i>kairos</i> no tempo l&oacute;gico. O le&atilde;o    salta v&aacute;rias vezes, de maneira diferente, segundo os tempos l&oacute;gicos    e a topologia que correspondem a ele, o que Lacan identificou &agrave; garrafa    de Klein (LACAN, 1965). Na rela&ccedil;&atilde;o do sujeito ao Outro, em que    a garrafa de Klein oferece uma costura poss&iacute;vel, o espa&ccedil;o se encontra    em duas dimens&otilde;es, e o tempo, em tr&ecirc;s. A sincronia do momento de    ver &eacute; a da linguagem como sistema; a diacronia do tempo para compreender    &eacute; a da progress&atilde;o circular da demanda em torno daquilo que produz    um furo, progress&atilde;o onde o sentido se inverte em um momento; enfim, o    momento de concluir em torno do furo &eacute; aquele de uma identifica&ccedil;&atilde;o    que n&atilde;o se encontra fundada numa identidade em si, mas o contr&aacute;rio,    numa incomensurabilidade ao um.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O suspenso que determina o tempo da intervers&atilde;o da an&aacute;lise opera    tamb&eacute;m, necessariamente, em sua maneira de dizer. Ele n&atilde;o deve    dizer muito, nem de uma maneira qualquer; a interpreta&ccedil;&atilde;o deve    ser &aacute;gil. </font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Em nenhum      caso uma interven&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica deve ser te&oacute;rica,      sugestiva, ou seja, imperativa, ele deve ser equivocada. A interpreta&ccedil;&atilde;o      anal&iacute;tica n&atilde;o &eacute; feita para ser compreendida; ela &eacute;      feita para produzir ondas. Ent&atilde;o devemos buscar ser discretos e nos      lembrar que &eacute; melhor calar-se; basta somente escolher (LACAN, 1976,      p. 35).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m do senso, a interpreta&ccedil;&atilde;o nos remete &agrave; distin&ccedil;&atilde;o    do dito e do dizer. "Eu n&atilde;o te fa&ccedil;o diz&ecirc;-lo. N&atilde;o    reside a&iacute; um m&iacute;nimo de interven&ccedil;&atilde;o interpretativa?"    (LACAN, 2003, p. 492).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s a introdu&ccedil;&atilde;o    do termo <i>lal&iacute;ngua</i> em novembro de 1971,<sup><a name="19"></a><a href="#20">10</a></sup>    Lacan cerne ainda mais a maneira pela qual os analistas podem intervir. <i>Lal&iacute;ngua</i>    tece as palavras e os sintomas, ela &eacute; composta do "integral dos    equ&iacute;vocos que uma hist&oacute;ria deixa persistir" de uma l&iacute;ngua    entre outras assim que de uma parte de gozo f&aacute;lico (LACAN, 11 jun. 1974).<i>    Lal&iacute;ngua</i> inclui a dita l&iacute;ngua materna com uma parcela estritamente    individual. &Eacute; por essa raz&atilde;o que "a interpreta&ccedil;&atilde;o    deve sempre &#8212; da parte do analista &#8212; levar em conta que naquilo    que &eacute; dito, existe o sonoro, e que este sonoro deve consonar com aquilo    que dele &eacute; de inconsciente" (LACAN, 1976, p. 50).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De outra maneira,    &eacute; em fun&ccedil;&atilde;o da <i>lal&iacute;ngua</i> que em <i>Les    non-dupes errent</i> Lacan situa novamente a aten&ccedil;&atilde;o igualmente    em suspenso:</font></p>       <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#091;&#8230;&#093;      colocarmo-nos neste estado dito pudicamente de aten&ccedil;&atilde;o flutuante      que faz com que justamente quando o parceiro, l&aacute;, o analisante, ele      mesmo emite um pensamento, n&oacute;s podemos ter um outro, o que &eacute;      um feliz azar de onde se produz um flash; &eacute; justamente l&aacute; onde      a interpreta&ccedil;&atilde;o pode se produzir; quer dizer que, devido ao      fato de termos uma aten&ccedil;&atilde;o flutuante, n&oacute;s escutamos o      que ele diz muitas vezes do fato de uma esp&eacute;cie de equ&iacute;voco,      quer dizer, de uma equival&ecirc;ncia material. N&oacute;s percebemos o que      ele disse &#8212; percebemos, pois somos submetidos a isso &#8212; que isto      que ele disse poderia ser escutado de forma completamente atravessada. E &eacute;      justamente o escutando de forma completamente atravessada que permitimos que      ele perceba de onde v&ecirc;m seus pensamentos, sua semi&oacute;tica, de onde      ela emerge: ela emerge de nada al&eacute;m do que a ex-ist&ecirc;ncia (ek-sistence)      da <b>lal&iacute;ngua</b>. Lalingua ex-iste, ex-iste em outros lugares      al&eacute;m dos quais ele acredita ser seu mundo (LACAN, 11 jun. 1974)</i></font></p>       <p>&nbsp;</p>   </blockquote>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Savoir-faire    do analisante, savoir-faire com a lal&iacute;ngua</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Chegando neste    ponto, devemos nos perguntar se n&atilde;o deformamos nossa aproxima&ccedil;&atilde;o    do <i>savoir-faire</i> privilegiando a parte do analista e desse fato favorecendo    uma linha muito pr&oacute;xima de uma habilidade deste &uacute;ltimo em passar    sua "dire&ccedil;&atilde;o" da cura para o progresso da an&aacute;lise,    a fim de obter aquilo que Freud chama de "a convic&ccedil;&atilde;o certa    da exist&ecirc;ncia do inconsciente" (FREUD, 1975, p. 264) e para "realizar    o trabalho ps&iacute;quico que ir&aacute; conduzir &#091;o paciente&#093; necessariamente    a melhorar de maneira dur&aacute;vel sua condi&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica"    (FREUD, 1975, p. 58).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>savoir-faire</i>    tamb&eacute;m n&atilde;o deve se situar do lado do analisante ? E, al&eacute;m    disso, n&atilde;o seria de situ&aacute;-lo do lado de uma subjetividade, seja    ela do analisante ou seja ela do analista?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que temos que    aprender com o analisante de seu pr&oacute;prio <i>savoir-faire</i> &eacute;,    na verdade, o que Lacan evoca in&uacute;meras vezes. Por exemplo, em suas confer&ecirc;ncias    nos Estados Unidos:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#091;...&#093; &eacute;      com meus analisantes que aprendo tudo, que aprendo o que &eacute; a psican&aacute;lise.      Eu empresto a eles minhas interven&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o meus ensinamentos,      exceto se eu sei que eles sabem perfeitamente o que isto quer dizer (LACAN,      1976, p. 34).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu semin&aacute;rio sobre os problemas cruciais da psican&aacute;lise,    ele &eacute; ainda mais preciso: </font></p>       <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Trazer o      paciente a seu fantasma original, n&atilde;o &eacute; faz&ecirc;-lo aprender:      &eacute; aprender dele como fazer. O objeto a e sua rela&ccedil;&atilde;o,      em um caso determinado, &agrave; divis&atilde;o do sujeito &eacute; o paciente      que sabe fazer e n&oacute;s estamos no lugar dos resultados na medida em que      os favorecemos (LACAN, 19 maio 1965).</i> </font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se existe um <i>savoir-faire</i>    do analista, ele consiste em favorecer o resultado, que &eacute; o analista,    resultado do <i>savoir-faire</i> do analisando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passando do fantasma    ao sintoma, Lacan considera em seguida o fim da an&aacute;lise como um <i>savoir-faire</i>    do analisante, um "saber fazer com o seu sintoma", um "saber    lidar com ele, saber manipul&aacute;-lo", "algo que corresponde    ao que o homem faz com a sua imagem" (LACAN, 2004, p. 49-50). "Manipul&aacute;-lo":    ainda &eacute; preciso tato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; um <i>savoir-faire</i>    com o seu sintoma que encontra o limite de uma identifica&ccedil;&atilde;o ao    sintoma, que se pode definir como o limite que encontra a an&aacute;lise do    sintoma, seja ele um limite &agrave;s substitui&ccedil;&otilde;es que d&atilde;o    suporte ao sintoma como met&aacute;fora. &Eacute; um limite aos confins do simb&oacute;lico    e do real; ele chega at&eacute; a an&aacute;lise do sintoma e faz borda no real    do tra&ccedil;o un&aacute;rio, quer dizer, no "mesmo", nisso que    ocupa o mesmo lugar, que se sobrep&otilde;e, segundo o fecho duplo (<i>la double    boucle</i>) deste. L&aacute; se efetua, entre gozo e saber, uma transforma&ccedil;&atilde;o    de litoral a litoral com um dep&oacute;sito, uma precipita&ccedil;&atilde;o    da letra do sintoma (PORGE, 2010, p. 118-119, 128-129, 133, 154).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <i>virada</i>    nesse passe &eacute; o pr&oacute;prio lugar do <i>savoir-faire</i>. E l&aacute;    ele tem algo a fazer com a <i>lal&iacute;ngua</i>:</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Lal&iacute;ngua      &eacute; o que permite o querer (anseio), consideramos que n&atilde;o &eacute;      por acaso que assim seja o quer de querer, terceira pessoa do indicativo,      que o n&atilde;o (non) negativo e o nome (nom) nominativo tamb&eacute;m n&atilde;o      s&atilde;o por acaso; nem que deles (d'eux) (d apostrofo antes deste      eles &#091;eux&#093; que designa aqueles dos quais se fala) seja feito da mesma maneira      que o numero dois (deux), tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; por acaso e muito      menos arbitr&aacute;rio, como diz Saussure. O que se deve conceber a&iacute;      &eacute; o dep&oacute;sito, o aluvi&atilde;o, a petrifica&ccedil;&atilde;o      que se marca a partir do manejo por um grupo de sua experi&ecirc;ncia inconsciente      (LACAN, 1974, p. 189).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existe uma quest&atilde;o    importante, que curiosamente n&atilde;o perguntamos nunca, que &eacute; esta    do significado deste "n&atilde;o &eacute; por acaso", que Lacan    repete tamb&eacute;m em um outro texto.<sup><a name="21"></a><a href="#22">11</a></sup> Ele n&atilde;o volta a uma etimologia    comum. Ent&atilde;o o qu&ecirc;? Se n&atilde;o &eacute; por acaso, &eacute;    porque h&aacute; uma raz&atilde;o. Qual raz&atilde;o? A <i>r&eacute;son</i>,    esta que ressoa, segundo as palavras de Francis Ponge, revisitado por Lacan    que vai at&eacute; questionar: "Isto que ressoa &eacute; a origem da re    (<i>res</i>) com a qual fazemos a realidade?" (LACAN, 2011, p. 93).    Um eco, uma resson&acirc;ncia primitiva, uma unidade que seria fixada e multiplicada    em v&aacute;rias palavras. Um eco<sup><a name="23"></a><a href="#24">12</a></sup> teria enviado uma resson&acirc;ncia <i>comum</i>    (<i>comme une</i>) a v&aacute;rias palavras, a v&aacute;rios sons. Trata-se    de um processo que nos faz pensar naquele de Jean-Pierre Brisset (que inspira    Marcel Duchamp). Em <i>A ci&ecirc;ncia de Deus ou a cria&ccedil;&atilde;o do    homem</i>, ele escreve que "a origem de cada l&iacute;ngua est&aacute;    nesta l&iacute;ngua mesma e define assim "a grande Lei ou chave do discurso":</font></p>        <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Existem no      discurso in&uacute;meras Leis, desconhecidas at&eacute; agora, entre as quais      a mais importante &eacute; a que um som ou uma cadeia de sons id&ecirc;ntica,      intelig&iacute;vel e clara, possa exprimir coisas diferentes, por uma modifica&ccedil;&atilde;o      na maneira de escrever ou de compreender esses nomes ou palavras. Todas as      ideias enunciadas com sons semelhantes t&ecirc;m uma mesma origem e se relacionam      todas, dentro de seu princ&iacute;pio, a um mesmo objeto.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     S&atilde;o eles os seguintes sons:    <br>     Les dents, la bouche (os dentes, a boca)    <br>     Les dents la bouchent. (os dentes a entopem)    <br>     L'aidant la bouche. (ajudando a boca)    <br>     L'aide en la bouche. (a ajuda na boca)    <br>     Laides en la bouche. (feios na boca)    <br>     Laid dans la bouche. (feio na boca)    <br>     Lait dans la bouche. (leite na boca)    <br>     L'est dam le &agrave; bouche. (&eacute; a barragem &agrave; boca)    <br>     Les dents-l&agrave; bouche (os dentes la na boca)<sup><a name="25"></a><a href="#26">13</a></sup>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     BRISSET, 2001, p. 702)</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mudan&ccedil;a    para a ci&ecirc;ncia-fic&ccedil;&atilde;o aparece quando Brisset afirma que    a origem do discurso &eacute; feita apenas da cria&ccedil;&atilde;o do homem    e que "pela an&aacute;lise das palavras iremos ent&atilde;o escutar falar    dos ancestrais que vivem em n&oacute;s e por quem vivemos", estes ancestrais    sendo os sapos e as r&atilde;s que coaxam, o <i>co&aacute;, co&aacute;</i>    transformando-se no <i>quoi? quoi?</i> (o qu&ecirc;? O qu&ecirc;?) humano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como nota Michel Foucault, "estamos no oposto do processo que consiste    em procurar uma mesma raiz para v&aacute;rias palavras: trata-se, por uma unidade    atual, de ver proliferar os estados anteriores que vieram cristalizar-se nela".    "A pesquisa de sua origem, segundo Brisset, n&atilde;o cinge a l&iacute;ngua:    ela a decomp&otilde;e e a multiplica por ela mesma". &Eacute; um princ&iacute;pio    de prolifera&ccedil;&atilde;o.</font></p>       <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Uma palavra      &eacute; o paradoxo, o milagre, o maravilhoso azar de um mesmo som que, por      raz&otilde;es diferentes, por pessoas diferentes, vivendo coisas diferentes,      &eacute; retido ao longo de uma hist&oacute;ria. &Eacute; a s&eacute;rie improv&aacute;vel      do dado que, sete vezes seguidas, cai do mesmo lado. Pouco importa quem fala,      e, quando fala, por que fala, e utilizando qual vocabul&aacute;rio: os mesmos      barulhos, invariavelmente, retidos (FOUCAULT, 2001, p. 604-606).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ex-ist&ecirc;ncia    (ek-sistence) dessa <i>lal&iacute;ngua</i> faz borda com o del&iacute;rio.    Este pode encontrar seu suporte mas tamb&eacute;m uma forma de limite se nos    referimos a Schreber, que quer tornar as vozes dos p&aacute;ssaros milagrosos    como um sentimento aut&ecirc;ntico fazendo-os entrar no painel da homofonia,    ou ainda a Louis Wolfson, que se serve tamb&eacute;m da <i>lal&iacute;ngua</i>    (o entrel&iacute;nguas) para tentar, e conseguir relativamente, fazer barragem    &agrave;s suas vozes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa fun&ccedil;&atilde;o    de limite ou de borda da <i>lal&iacute;ngua</i> n&atilde;o &eacute; sem rela&ccedil;&atilde;o    com a fun&ccedil;&atilde;o da letra como Lacan a faz evoluir, especialmente    no que faz mudan&ccedil;a no litoral, entre saber e gozo, literalmente (LACAN,    2003, p. 16). Precisamente, na passagem citada acima, Lacan fala de "dep&oacute;sito"    e de "petrifica&ccedil;&atilde;o" em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    <i>lal&iacute;ngua</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo "dep&oacute;sito"    j&aacute; aparecia no <i>L'&eacute;tourdit</i> (LACAN, 2003, p. 490).    Ele se relaciona com a "precipita&ccedil;&atilde;o" da letra, que    tamb&eacute;m aparece na <i>La troisi&egrave;me</i>: "N&atilde;o h&aacute;    letra sem a <i>lal&iacute;ngua</i> &#091;...&#093;. Como &eacute; que a <i>lal&iacute;ngua</i>    pode se precipitar na letra? Isto continua como quest&atilde;o" (LACAN,    1974, p. 194).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez a resposta    se encontre na <i>Confer&ecirc;ncia de Genebra sobre o sintoma</i>: Lacan    recorre &agrave; met&aacute;fora do coador (j&aacute; presente em Kant) que    peneira o escoamento da &aacute;gua da lal&iacute;ngua, depositando os detritos,    os peda&ccedil;os de significantes aos quais a linguagem se amarra, o coador    causando as precipita&ccedil;&otilde;es de letras, de tra&ccedil;os un&aacute;rios    na <i>lal&iacute;ngua</i>. A passagem de uma l&iacute;ngua a outra, o passe,    seria varia&ccedil;&otilde;es do coador da letra, que por seus buracos deixa    passar o Um, o S<sub>1</sub>, o tra&ccedil;o un&aacute;rio incarnado na <i>lal&iacute;ngua</i>    e que continua indeciso entre fonema, palavra, frase ou em todo o pensamento,    este Um que o peda&ccedil;o de barbante de um n&oacute; borromeu suporta (LACAN,    1982, p. 131).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final de seu    <i>Semin&aacute;rio Mais, ainda</i>, Lacan j&aacute; avan&ccedil;ava que:</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>A linguagem      sem duvida &eacute; feita da lal&iacute;ngua. &Eacute; uma elocubra&ccedil;&atilde;o      de saber sobre a lal&iacute;ngua. Mas o inconsciente &eacute; um saber, um      savoir-faire com a lal&iacute;ngua. E isto que sabemos fazer com a lal&iacute;ngua      ultrapassa de muito o que podemos nos dar conta a t&iacute;tulo de linguagem      (LACAN, 1982, p. 127).</i></font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse ponto de    vista, podemos dizer que Louis Wolfson procede a uma tentativa de domar a <i>lal&iacute;ngua</i>    e que ele tem sucesso ao identific&aacute;-la a seu sintoma (WOLFSON, 1970).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Isto que    sabemos fazer com a <i>lal&iacute;ngua</i>" pertence tanto ao analisante    quanto ao analista, e mesmo mais ao analisante que ao analista, pois &eacute;    ele quem fala. O analista pode querer se dar conta a t&iacute;tulo da linguagem,    mas ele ser&aacute; sempre ultrapassado pela <i>lal&iacute;ngua</i> do analisante.    E se ele mesmo fala, ele torna-se novamente analisante. Um analisante que pode    eventualmente produzir do analista... para o analisante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>savoir-faire    &eacute; atado ao parl&ecirc;tre</i>, esse que fala sem ser, pois seu ser s&oacute;    se ret&eacute;m &agrave; palavra. A an&aacute;lise permite ao analista aprender    algo de um <i>savoir-faire</i> do analisando, do <i>savoir-faire</i> com    a <i>lal&iacute;ngua</i> que ele (o analista) escuta e age (o analisante).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>savoir-faire</i>    &eacute; poss&iacute;vel, mas esse poss&iacute;vel se mostra necess&aacute;rio;    seu objeto &eacute; esquivo, ele &eacute; um fio com o qual se delimita o objeto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Longe de ser herdeiro    da experi&ecirc;ncia, o <i>savoir-faire</i> vai contra a experi&ecirc;ncia,    ele &eacute; antes de qualquer coisa um saber-n&atilde;o-fazer e um n&atilde;o    saber fazer ligado &agrave; experi&ecirc;ncia. Ele &eacute; uma suspens&atilde;o    do saber e do fazer, momento de sua escans&atilde;o. Ele &eacute; um saber des-fazer    (o que &eacute; chamado de an&aacute;lise). Desfazer a submiss&atilde;o ao sentido.    Ele &eacute; o que de mais &iacute;ntimo da pr&aacute;tica toca ao mais real    do inconsciente como o imposs&iacute;vel a dizer nos dizeres que falam dele.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRISSET, J.-P.    La science de Dieu ou la cr&eacute;ation de l'homme (1900). In: ______.    <i>&#338;uvres compl&egrave;tes</i>. Dire&ccedil;&atilde;o de M. D&eacute;cimo.    Dijon: Les presses du r&eacute;el, 2001. p. 702.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821275&pid=S0100-3437201300020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRISSET, J.-P.    Repris dans Les origines humaines (1913). In: ______. <i>&#338;uvres compl&egrave;tes</i>.    Dire&ccedil;&atilde;o de M. D&eacute;cimo. Dijon: Les Presses du R&eacute;el,    2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821277&pid=S0100-3437201300020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CHENG, F. <i>Le    g&eacute;nie du trait</i>. Paris: Ph&eacute;bus, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821279&pid=S0100-3437201300020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CLAVURIER, V. Psychopathologie    de la vie quotidienne et savoir-faire (h&ouml;ren) de l'analyste. In:    <i>Essaim</i>, n. 11. Toulouse: Er&egrave;s, printemps 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821281&pid=S0100-3437201300020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COLLINS, W. <i>La    robe noire</i>. Paris: &Eacute;d. du Masque, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821283&pid=S0100-3437201300020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FOUCAULT, M. "7    propos sur le 7e ange" (1970). In: D&Eacute;CIMO, M. <i>Jean-Pierre Brisset,    prince des penseurs, inventeur, grammairien et proph&egrave;te</i>. Dijon:    Les Presses du R&eacute;el, 2001. p. 604-606.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821285&pid=S0100-3437201300020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. A din&acirc;mica    da transfer&ecirc;ncia (1912). In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira    das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>. Dire&ccedil;&atilde;o-geral    da tradu&ccedil;&atilde;o de Jayme Salom&atilde;o. Rio de Janeiro, Imago, 1974,    v. XII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821287&pid=S0100-3437201300020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, S. An&aacute;lise    termin&aacute;vel e intermin&aacute;vel (1937). In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o    standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>.    Dire&ccedil;&atilde;o-geral da tradu&ccedil;&atilde;o de Jayme Salom&atilde;o.    Rio de Janeiro: Imago, 1975, v. XXIII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821289&pid=S0100-3437201300020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JULLIEN, F. <i>Cinq    concepts propos&eacute;s &agrave; la psychanalyse</i>. Paris: Grasset, 2012.    p. 36 e p. 42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821291&pid=S0100-3437201300020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. Conf&eacute;rence    &agrave; Gen&egrave;ve sur le sympt&ocirc;me. In: <i>Le bloc-notes de la psychanalyse</i>,    n. 5. Gen&egrave;ve, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821293&pid=S0100-3437201300020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. Conf&eacute;rences    et entretiens dans les universit&eacute;s nord-am&eacute;ricaines. <i>Scilicet</i>    6/7. Paris: Le Seuil, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821295&pid=S0100-3437201300020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>Je    parle aux murs</i>. Paris: Le Seuil, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821297&pid=S0100-3437201300020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>L'identification</i>,    1961-1962. Semin&aacute;rio in&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821299&pid=S0100-3437201300020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>L'insu    que sait de l'une-b&eacute;vue s'aile &agrave; mourre. L'Uneb&eacute;vue</i>,    Paris, n. 21, Ecole Lacanienne de Psychanalyse, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821301&pid=S0100-3437201300020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. La troisi&egrave;me,    <i>Lettres de l'&Eacute;cole Freudienne</i>. Boletim interno da &Eacute;cole    Freudienne de Paris, n. 16, nov. 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821303&pid=S0100-3437201300020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>Le    moment de conclure</i> (1977). In&eacute;dito: "Le dire a affaire avec    le temps".    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821305&pid=S0100-3437201300020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>Seminario    Les non-dupes errent</i> (1974). In&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821307&pid=S0100-3437201300020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. Lituraterra.    In: ______. <i>Outros escritos</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Vera Ribeiro.    Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 15-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821309&pid=S0100-3437201300020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>O    semin&aacute;rio, livro 11: Os quatros conceitos fundamentais da psican&aacute;lise</i>.    Rio de Janeiro: Zahar, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821311&pid=S0100-3437201300020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>O    semin&aacute;rio, livro 20: mais, ainda</i> (1975). Rio de Janeiro: Zahar,    1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821313&pid=S0100-3437201300020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>O    semin&aacute;rio, livro 8: a transfer&ecirc;ncia</i> (1960-1961). Rio de Janeiro:    Zahar, 1992. (Aula de 1&ordm; mar. 1961).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821315&pid=S0100-3437201300020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>Probl&egrave;mes    cruciaux pour la psychanalyse</i>, 1965. Semin&aacute;rio in&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821317&pid=S0100-3437201300020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. Proposi&ccedil;&atilde;o    de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola. In: ______. <i>Outros    escritos</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Vera Rbeiro. Rio de Janeiro: Zahar,    2003. p. 248-264.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821319&pid=S0100-3437201300020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, J. <i>O    Semin&aacute;rio RSI</i> (1974). In&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821321&pid=S0100-3437201300020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LOEWENSTEIN, R.    Remarques sur le tact dans la technique psychanalytique. In: <i>Revue fran&ccedil;aise    de psychanalyse</i>, 1930-1931, republicado em Figures de la psychanalyse,    n. 15. Toulouse: Er&egrave;s, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821323&pid=S0100-3437201300020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARINELLI, L. et    MEYER, A. <i>R&ecirc;ver avec Freud</i>. L'histoire collective de L'interpr&eacute;tation    du rev&ecirc;. Paris: Aubier, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821325&pid=S0100-3437201300020000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PLON, M. "Au-del&agrave;"    et "en de&ccedil;&agrave;" de la suggestion.<i> Fr&eacute;n&eacute;sie</i>,    n. 8. Paris: &Eacute;d. Fr&eacute;n&eacute;sie, automne 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821327&pid=S0100-3437201300020000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PORGE, E. Jacques    Lacan, psychanalyste et passeur de discours. In: <i>Revue de psychanalyse</i>,    n. 11, Paris, &Eacute;cole de Psychanalyse des Forums du Champ Lacanien, mai    2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821329&pid=S0100-3437201300020000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PORGE, E. <i>Lettres    du sympt&ocirc;me</i>. Versions de l'identification. Toulouse: Er&egrave;s,    2010. p. 118-119, 128-129, 133, 154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821331&pid=S0100-3437201300020000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PORGE, E. <i>Voix    de l'&eacute;cho</i>. Toulouse: Er&egrave;s, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821333&pid=S0100-3437201300020000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> REIK, T. <i>Le    psychologue surpris</i>. Paris: Deno&euml;l, 1976. p. 75-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821335&pid=S0100-3437201300020000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">T'AO, Shih.    <i>Propos sur la peinture du moine Citrouille-Am&egrave;re</i>. Trad. Pierre    Ryckmans. Paris: Hermann, 1984, chap. I.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821337&pid=S0100-3437201300020000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WOLFSON, L.<i>    Le schizo et les langues</i>. Paris: Gallimard, 1970.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=821339&pid=S0100-3437201300020000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="cor"></a><img src="/img/revistas/ep/n40/seta.gif" border="0"><a href="#end">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a>    <br>   1, Rue Mizon    <br>   75015 - Paris/Fran&ccedil;a     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Tel. (33)1 43 22 14 44    <br>   E-mail: <a href="mailto:erikporge@hotmail.fr">erikporge@hotmail.fr</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido: 12/09/2013    <br>   Aprovado: 20/09/2013</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SOBRE O AUTOR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Erik Porge</b>    <br>   Psicanalista em Paris. Foi membro da EFP (Ecole Freudienne de Psychanalyse)    at&eacute; a sua dissolu&ccedil;&atilde;o. Membro da Associa&ccedil;&atilde;o    de Psican&aacute;lise <i>Encore</i>. Foi respons&aacute;vel por um CMP (Centro    M&eacute;dico Psicol&oacute;gico) para crian&ccedil;as e adolescentes. Autor    de v&aacute;rios livros, traduzidos em outros pa&iacute;ses, dirige a revista    <i>Essaim</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="2"></a><a href="#1">1</a></sup>    T&iacute;tulo original: L'insaisissable objet du <i>savoir-faire dans    l'analyse</i>. In: <i>Essaim</i>. Er&egrave;s, 2013/1, n. 30, p. 9-23.    <br>   <sup><a name="4"></a><a href="#3">2</a></sup> Em 1 de mar&ccedil;o de 1961,    p. 210. Ele recoloca a quest&atilde;o em seu semin&aacute;rio <i>L'insu    que sait de l'une-b&eacute;vue s'aile &agrave; mourre</i>, em 17    maio 1977 (LACAN, 2004, p. 124).    <br>   <sup><a name="6" id="6"></a><a href="#5">3</a></sup> Termo em franc&ecirc;s    <i>b&eacute;vue</i>, que significa engano cometido por ignor&acirc;ncia. (N.T.).    <br>   <sup><a name="8"></a><a href="#7">4</a></sup> Ecole de Psychanalyse des Foruns    du Champ Lacanien.    <br>   <sup><a name="10"></a><a href="#9">5</a></sup> Publicado em: <i>Champ Lacanien,    Revue de Psychanalyse</i>, Paris, n. 11, maio 2012, &Eacute;cole de Psychanalyse    des Foruns du Champ Lacanien.    <br>   <sup><a name="12"></a><a href="#11">6</a></sup> Termo em franc&ecirc;s <i>insu</i>    significa "sem se dar conta". (N.T.).    <br>   <sup><a name="14"></a><a href="#13">7</a></sup> Em franc&ecirc;s <i>dis</i>.    (N.T.).    <br>   <sup><a name="16"></a><a href="#15">8</a></sup> Para esta tradu&ccedil;&atilde;o    e seu coment&aacute;rio, cf. PORGE, E. <i>Des fondements de la clinique psychanalytique</i>.    Toulouse: Er&egrave;s, 2008, chap. V.    <br>   <sup><a name="18"></a><a href="#17">9</a></sup> <i>Le moment de conclure</i>,    15 nov. 1977. In&eacute;dito: <i>Le dire a affaire avec le temps</i>.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup><a name="20"></a><a href="#19">10</a></sup> LACAN, J. <i>S&eacute;minaire    Le savoir du psychanalyste</i> (O saber do psicanalista). Esse semin&aacute;rio    foi feito na capela de Sainte-Anne, no mesmo ano mas em altern&acirc;ncia com    o <i>Semin&aacute;rio &#8230;Ou pire</i>, que aconteceu na Faculdade de Direito    do Panth&eacute;on. Jacques-Alain Miller achou melhor publicar, no Seuil, em    2011, uma parte do <i>Savoir du psychanalyste</i>, &agrave; parte, sob o t&iacute;tulo    <i>Je parle aux murs</i> (Eu falo aos muros) e de incluir o outro no <i>Semin&aacute;rio    &#8230;Ou pire</i>, o que mistura as pistas de leitura para os dois semin&aacute;rios.    C.f; editorial no site de <i>Essaim</i>. Por um estudo das quest&otilde;es    levantadas sobre o termo <i>"lalangue"</i>, cf. Dominique Simonney,    <i>"Lalangue en questions"</i>, Essaim, n. 29, outono 2012. Esse    n&uacute;mero se intitula precisamente <i>Ce qu'on doit &agrave; lalangue</i>    (O que devemos &agrave; <i>lalingua</i>) e cont&eacute;m v&aacute;rios outros    artigos sobre o tema, de Jean-Pierre Cl&eacute;ro, Fr&eacute;d&eacute;ric Pellion,    Simone Wiener, Mary McLoughlin, Paul Henry, Paul Al&eacute;rini.    <br>   <sup><a name="22"></a><a href="#21">11</a></sup> LACAN, J. Conf&eacute;rence    &agrave; Gen&egrave;ve sur le sympt&ocirc;me (Confer&ecirc;ncia &agrave; Genebra    sobre o sintoma), <i>Le bloc-notes de la psychanalyse</i>, n. 5, Gen&egrave;ve,    1985, p. 12: "Ce n'est pas du tout au hasard que dans lalangue quelle    qu'elle soit dont quelqu'un a re&ccedil;u la premi&egrave;re empreinte,    un mot est &eacute;quivoque. Ce n'est certainement pas par hasard qu'en    fran&ccedil;ais le mot <i>ne</i> se prononce d'une fa&ccedil;on &eacute;quivoque    avec le mot <i>n&#339;ud</i>. Ce n'est pas du tout par hasard que le    mot <i>pas</i>, qui en fran&ccedil;ais redouble la n&eacute;gation contrairement    &agrave; bien d'autres langues d&eacute;signe aussi <i>un pas</i>".    <br>   <sup><a name="24"></a><a href="#23">12</a></sup> Cf. PORGE, E. <i>Voix de l'&eacute;cho</i>.    Toulouse: Er&egrave;s, 2012.    <br>   <sup><a name="26"></a><a href="#25">13</a></sup> BRISSET, J.-P. La science de    Dieu ou la cr&eacute;ation de l'homme (1900), dans <i>&#338;uvres compl&egrave;tes</i>,    sous la direction de M. D&eacute;cimo, Dijon, Les Presses du R&eacute;el, 2001,    p. 702. Repris dans <i>Les origines humaines</i> (1913), dans &#338;uvres    compl&egrave;tes, op. cit., p. 1130.</font></p>      ]]></body>
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