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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O grotesco, o estranho e a feminilidade na obra de Cindy Sherman]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-31062008000200016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0101-31062008000200016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0101-31062008000200016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O presente artigo traça um percurso, a partir das obras da artista plástica Cindy Sherman, no qual a feminilidade é repensada fora da dico tomia definidora dos campos masculino e feminino, em que os mesmos se articulam em torno da lógica fálico / castrado. Por meio do trajeto da artista, é possível aproximar o feminino do grotesco e, conseqüentemente, do estranho, conceito psicanalítico que aponta para uma região de fronteira, que escapa à possibilidade de circunscrição no âmbito do psíquico e do simbólico. Com isso, a feminilidade revela-se como outra via de subjetivação possível em nossos tempos, a ser perscrutada pelo campo psicanalítico.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present article traces a route, from visual artist Cindy Sherman&#8217;s work, in which femininity is reconsidered outside the dichotomy commonly used to define both masculine and feminine fields linked up with the phallic / castrated logic. Through the artist&#8217;s trajectory, it&#8217;s possible to approach feminine to grotesque and, therefore, to uncanny, a psychoanalytical concept that points out to a borderland that escapes from being confined within the psychic and simbolic spheres. Therewith, femininity reveals itself as another way to subjectivation in our present times, as well as a subject to be carefully examined by the psychoanalytical field.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>EM    PAUTA - ESTRANGEIRO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>O grotesco, o estranho e a feminilidade na obra de Cindy Sherman<sup><a name="1"></a><a href="#1a">*</a></sup></b></font></p>       <p>&nbsp;</p>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>The grotesque, the uncanny and the femininity within the work of Cindy Sherman</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Alessandra Monachesi Ribeiro<a name="2"></a><a href="#2a"><sup>**</sup></a></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Departamento de Psican&aacute;lise do Instituto Sedes Sapientiae    <br> Espa&ccedil;o Brasileiro de Estudos Psicanal&iacute;ticos     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Universidade Federal do Rio de Janeiro</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end"></a><a href="#end2">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente artigo tra&ccedil;a um percurso, a partir das obras da artista pl&aacute;stica   Cindy Sherman, no qual a feminilidade &eacute; repensada fora da dico tomia definidora   dos campos masculino e feminino, em que os mesmos se articulam   em torno da l&oacute;gica f&aacute;lico &#47; castrado. Por meio do trajeto da artista, &eacute; poss&iacute;vel   aproximar o feminino do grotesco e, conseq&uuml;entemente, do estranho, conceito   psicanal&iacute;tico que aponta para uma regi&atilde;o de fronteira, que escapa &agrave; possibilidade   de circunscri&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do ps&iacute;quico e do simb&oacute;lico. Com isso, a   feminilidade revela-se como outra via de subjetiva&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel em nossos tempos, a ser perscrutada pelo campo psicanal&iacute;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave</b>:    Cindy Sherman, Estranho, Feminilidade, Grotesco, Psican&aacute;lise.</font></p> <hr noshade size="1">     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The present article traces a route, from visual artist Cindy Sherman&rsquo;s   work, in which femininity is reconsidered outside the dichotomy   commonly used to define both masculine and feminine fields linked up with   the phallic &#47; castrated logic. Through the artist&rsquo;s trajectory, it&rsquo;s possible to approach   feminine to grotesque and, therefore, to uncanny, a psychoanalytical   concept that points out to a borderland that escapes from being confined within   the psychic and simbolic spheres. Therewith, femininity reveals itself as another   way to subjectivation in our present times, as well as a subject to be carefully examined by the psychoanalytical field. </font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords</b>:    Cindy Sherman, Uncanny, Femininity, Grotesque, Psychoanalysis.</font></p>   <hr noshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O feminino e a mulher pensados por uma l&oacute;gica f&aacute;lica</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando a psican&aacute;lise se debru&ccedil;a sobre o feminino,   &eacute; primeiramente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; castra&ccedil;&atilde;o que ela o faz.   Feminino e masculino aparecem, a princ&iacute;pio em seu discurso, quase   como sin&ocirc;nimos de mulher e homem respectivamente, ou seja,   como equivalentes &agrave;s distin&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero. Poder&iacute;amos entender   essa aproxima&ccedil;&atilde;o como sendo, em verdade, um paradoxo, j&aacute;   que &eacute; tamb&eacute;m nesse momento inaugural da psican&aacute;lise que masculino   e feminino ser&atilde;o entendidos como irredut&iacute;veis &agrave; anatomia,   na medida em que o humano transcende sua condi&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica ao se constituir enquanto um ser marcado pela sexualidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sexual, para Freud (1905&#47;1995j), n&atilde;o se confina &agrave;s diferen&ccedil;as   de g&ecirc;nero e nem mesmo ao puramente org&acirc;nico, ainda   que parta e se ap&oacute;ie neles. O conceito de puls&atilde;o, que ele desenvolver&aacute;   justamente ao propor o humano marcado por uma sexualidade   infantil perverso polimorfa, trata exatamente disso: o   que, no humano, escapa ao funcionamento instintivo, marcado   pela necessidade e carrega consigo um al&eacute;m, uma demanda de   trabalho, uma quota de esfor&ccedil;o exigida por termos um corpo   anat&ocirc;mico mapeado pelas injun&ccedil;&otilde;es do que transborda a necessidade   pura e simples: o outro, o desejo, o discurso, o simb&oacute;lico.   A puls&atilde;o, portanto, vem demolir a id&eacute;ia de uma distin&ccedil;&atilde;o   entre masculino e feminino ancorada na anatomia, lembrando   sempre do que dali escapa e exige que o psiquismo se construa   e se articule para lidar com isso. Isso o que? Isso, precisamente.   O isso, o id, o que nos rege e nos escapa, ou que nos rege na medida em que nos escapa, ainda que n&atilde;o escapemos dele.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E se Freud apresentou-nos o mundo pulsional que nos   deslocou do puramente org&acirc;nico na tentativa de articula&ccedil;&atilde;o   daquilo que propriamente nos define e nos diferencia &– enquanto   humanos e, tamb&eacute;m, enquanto diferentes subsumidos   na mesma no&ccedil;&atilde;o de humanidade &– foi ele tamb&eacute;m quem prop&ocirc;s   que, para o que nos escapa, nos excede, nos governa e nos   define, o rastro principal que isso deixa no psiquismo &eacute; organizado   pelo complexo de &Eacute;dipo. Atrav&eacute;s do &Eacute;dipo &– porque &eacute;   de um atravessamento que se trata, mesmo &– tudo o que &eacute; puls&atilde;o   marcada, demanda de trabalho, movimento ps&iacute;quico de se   haver com isso... tudo se articula em torno da castra&ccedil;&atilde;o que, imperiosa, imp&otilde;e contorno e constrange o caos pulsional a ser vivido segundo certos par&acirc;metros. Esse movimento de delimita&ccedil;&atilde;o organiza o ps&iacute;quico, definindo o campo do realiz&aacute;vel e o do exclu&iacute;do, os prazeres poss&iacute;veis e os vetados, que se projetam para o futuro enquanto possibilidade disfar&ccedil;ada em ideal de eu.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O &Eacute;dipo, em 1905 proposto por Freud como organizador   do ps&iacute;quico &– estruturante, a bem dizer &– &eacute; aquele do menino   rebatido inteiramente para a menina que, destino ou condena&ccedil;&atilde;o   de sua anatomia, nem pode se contentar em, por meio dele,   aceder &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de uma ren&uacute;ncia que preserve sua integridade   narc&iacute;sica, j&aacute; que o que haveria a preservar foi, em seu   caso, perdido. A castra&ccedil;&atilde;o, circunscrita &agrave; presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia   de p&ecirc;nis e &agrave; amea&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo, condena a menina   &agrave; impossibilidade de sair de sua condi&ccedil;&atilde;o pulsional, de busca   de prazer, de funcionamento predominantemente prim&aacute;rio, ou   seja, de organiza&ccedil;&atilde;o marcada pela sexualidade infantil. Condena&ccedil;&atilde;o   ao narcisismo, quando muito: a possibilidade de investir   toda libido apenas em si mesma e no que sirva &agrave; sua satisfa&ccedil;&atilde;o.   Isso torna a mulher, para o Freud de 1914, frouxa em suas ren&uacute;ncias   e na condi&ccedil;&atilde;o de investimento verdadeiramente objetal,   em dificuldades para sustentar uma abertura para o mundo,   para o outro e para a constru&ccedil;&atilde;o de um ideal, bem como   em arcar com as restri&ccedil;&otilde;es e limites que a circunscri&ccedil;&atilde;o ed&iacute;pica imp&otilde;e por meio da constitui&ccedil;&atilde;o de um superego.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A mulher, a que ela renunciaria ao atravessar o &Eacute;dipo, se j&aacute;   de antem&atilde;o o traz perdido? Por isso, Freud nos textos de 1923,   1924 e 1925, se permitir&aacute; afirmar que, ao contr&aacute;rio do que acontece   com o menino e do que uma suposta equival&ecirc;ncia o permitira   afirmar de in&iacute;cio, aquilo que de mais importante ocorre para   a constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva de uma menina mora nos seus prim&oacute;rdios,   naquilo tudo que, com sorte, pode culminar com sua chegada   ao &Eacute;dipo. Aqui, ent&atilde;o, o complexo torna-se ponto de chegada   e n&atilde;o de partida, posto que a menina, para aceder a ele, ter&aacute;   que mudar o investimento maci&ccedil;o depositado em sua m&atilde;e &– primeiro   objeto de seu amor, tanto quanto do menino &– para seu pai   a quem, com ainda mais sorte, chegar&aacute; a eleger e a quem renunciar&aacute;,   frouxamente, na busca de uma restitui&ccedil;&atilde;o de sua perda ou de sua falha primordial calcada no desejo de ter um filho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Da m&atilde;e ao pai, do p&ecirc;nis ao filho, tal seria o trajeto da menina&#47; mulher na constru&ccedil;&atilde;o de um lugar subjetivo marcado pela castra&ccedil;&atilde;o. O que a define &eacute; a falta e seu percurso &eacute; aquele de uma restitui&ccedil;&atilde;o, preferencialmente simb&oacute;lica, do que lhe foi negado por seu destino anat&ocirc;mico. Impera, nessa leitura freudiana, exatamente aquilo que ele nomeia como uma l&oacute;gica t&iacute;pica do infantil, a l&oacute;gica f&aacute;lica que faz com que exista apenas um &oacute;rg&atilde;o &– o falo&#47;p&ecirc;nis masculino &– em oposi&ccedil;&atilde;o ao qual est&aacute; o ser castrado. A mulher e o feminino se definem pela negatividade, pelo que fica de fora dessa oposi&ccedil;&atilde;o f&aacute;lico&#47;castrado em torno da qual se distinguem os humanos. Ela &eacute; o resto, o que sobra dessa possibilidade subjetiva em que a equipara&ccedil;&atilde;o p&ecirc;nis &– falo &– masculino lhe destina uma posi&ccedil;&atilde;o de inexist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A mulher &#47; o feminino olhados atrav&eacute;s da l&oacute;gica f&aacute;lica no   lugar da castra&ccedil;&atilde;o. A leitura freudiana do &Eacute;dipo e da distin&ccedil;&atilde;o   anat&ocirc;mica entre os sexos. Haveria alguma outra via para se pens&aacute;-los fora dessa l&oacute;gica?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>As obras de Cindy Sherman</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando Cindy Sherman come&ccedil;a, na segunda metade da   d&eacute;cada de 70 e, principalmente, nos anos 80, a desenvolver seu   percurso art&iacute;stico em torno da fotografia como suporte das   muitas figuras pass&iacute;veis de serem retratadas a partir de sua pr&oacute;pria   pessoa, o que se entende de sua obra &– e aqui n&atilde;o vou nem   considerar as interpreta&ccedil;&otilde;es apressadas que tomam Sherman   como algu&eacute;m que fala sempre de si mesma, de suas muitas faces,   do narcisismo e outros clich&ecirc;s superficiais cong&ecirc;neres, psicanal&iacute;ticos   ou n&atilde;o &– &eacute; que a artista faz, por meio dela, uma den&uacute;ncia   dos lugares estereotipados destinados &agrave; mulher em   nossa sociedade. Por nossa sociedade, quero dizer o campo   mais abran gente de nossa cultura contempor&acirc;nea no Ocidente,   tendo em vista que se trata de uma artista norte-americana, que vive e produz em seu pa&iacute;s de origem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mulvey (1991&#47;2006), assim como outras cr&iacute;ticas de arte   &ldquo;antenadas&rdquo; e envolvidas com o movimento e o discurso feminista   da &eacute;poca, v&ecirc; na obra de Sherman a concretiza&ccedil;&atilde;o dessa   nova consci&ecirc;ncia feminista enquanto den&uacute;ncia desses lugares   de sujei&ccedil;&atilde;o e dessubjetiva&ccedil;&atilde;o que as mulheres ocupam. Das divas   hollywoodianas dos <i>Untitled Film Stills</i>, capturadas em um   &uacute;nico frame de suas sagas her&oacute;icas ou nos momentos privativos   descortinados a <i>la paparazzi</i>, passando pela vulnerabilidade   das mulheres encurraladas das <i>Centerfolds&#47;Horizontals</i>,   submetidas a um movimento da c&acirc;mera que as coloca nos &acirc;ngulos   e posi&ccedil;&otilde;es freq&uuml;entemente utilizados em revistas pornogr&aacute;ficas,   bem como pelo enlouquecimento progressivo das garotas   de moda da s&eacute;rie <i>Fashion</i>, at&eacute; chegar ao horror e ao   assustador dos monstros de contos de fada da s&eacute;rie <i>Fairy Tales</i>   e &agrave; completa dissolu&ccedil;&atilde;o da figura humana nos dejetos de <i>Disasters</i>,   o que temos, seguindo a linha de interpreta&ccedil;&atilde;o oferecida   predominantemente das obras da artista at&eacute; a d&eacute;cada de 90,   &eacute; o desvelamento progressivo das muitas m&aacute;scaras da mulher,   que culminam na aproxima&ccedil;&atilde;o com o vazio entendido como   castra&ccedil;&atilde;o. Ou seja, os lugares destinados &agrave; mulher, denunciados   e desconstru&iacute;dos, levariam a que se descobrisse a verdade &uacute;ltima   e o lugar essencialmente femi nino ao se revelar, quando todas as m&aacute;scaras caem, a mulher enquanto castrada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ide/v31n47/47a16f1.jpg"></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Figura 1 Cindy Sherman, Untitled #122, 1983. Color photograph 74    <br> 1&#47;2 x 45 3&#47;4 inches. Edition of 18. Cortesia da Artista e da Metro Pictures.</font></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; Rosalind Krauss (1999) quem aponta que essa leitura da   obra de Cindy Sherman resvala naquilo mesmo que critica &– a l&oacute;gica   f&aacute;lica prevalente no entendimento do que seja a mulher &–   quando atribui a verdade &uacute;ltima do feminino como o lugar da castra&ccedil;&atilde;o.   Na medida em que Mulvey entende o percurso de Sherman   como o desmascaramento da mulher enquanto, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia,   objeto fetiche, bem como manifesta&ccedil;&atilde;o da recusa em s&ecirc;-lo, j&aacute;   que &eacute; de cr&iacute;tica que se trata o seu trabalho, e se considerarmos os   apontamentos de Freud (1927&#47;1995e), para quem o objeto fetiche   serve para ocultar o corpo da mulher como castrada, o caminho a   que nos conduzem as obras de Sherman seria justamente esse do   desvelamento, da retirada dos objetos encobridores at&eacute; que n&atilde;o restasse nada al&eacute;m da verdade: a mulher definida pela falta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas, como bem aponta Krauss, as id&eacute;ias do v&eacute;u, do desvelamento   e da verdade tamb&eacute;m se subsumem a essa l&oacute;gica f&aacute;lica,   o que as torna mais um conjunto de m&aacute;scaras, mais uma farsa de   revela&ccedil;&atilde;o da verdade acerca do feminino, sacralizada a partir da   primazia do f&aacute;lico em nossa constitui&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, bem como em   nossa confor ma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-cultural. O pr&oacute;prio sistema do objeto   fetiche converte-se, assim, em outro v&eacute;u aliado &agrave; id&eacute;ia da mulher como ferida. E haveria algo al&eacute;m disso?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O decl&iacute;nio do patriarcado</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A l&oacute;gica f&aacute;lica, que define a mulher e o feminino por exclus&atilde;o   e a partir da castra&ccedil;&atilde;o, &eacute; tanto o que vigora na constitui&ccedil;&atilde;o   subjetiva marcada pela sexualidade infantil quanto o que   funciona, no campo social, como uma posi&ccedil;&atilde;o patriarcal de interpreta&ccedil;&atilde;o do mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Joel Birman (2006) mostra como o patriarcado como forma   de organiza&ccedil;&atilde;o subjetiva e social, durante os &uacute;ltimos 2000   anos da hist&oacute;ria do Ocidente, entra em decl&iacute;nio ap&oacute;s atingir seu   auge, na modernidade, com o homem da raz&atilde;o como ponto de   refer&ecirc;ncia e de organiza&ccedil;&atilde;o de todo o saber sobre o mundo.   O poder do pai, o homem da raz&atilde;o, fundado no poder de Deus,   entra em decl&iacute;nio na medida em que a ascens&atilde;o desse homem   racional ao seu trono colocar&aacute; em quest&atilde;o a pr&oacute;pria legitimidade de seu lugar de centro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A morte de Deus, na modernidade, prenuncia a morte do   pai como lugar de refer&ecirc;ncia e de organiza&ccedil;&atilde;o do dispo sitivo   social. Que a isso se siga uma crise do pai como refe r&ecirc;ncia de   estrutura&ccedil;&atilde;o do psiquismo, &eacute; apenas um dos efeitos esperados   desse estremecimento da l&oacute;gica f&aacute;lica (a verdade &uacute;ltima, o centro,   a ess&ecirc;ncia, a raz&atilde;o, o falo) e do qual nos traz not&iacute;cia Lacan   e sua desesperada tentativa de reaver a fun&ccedil;&atilde;o estruturante do   pai com sua &ecirc;nfase no lugar central da met&aacute;fora paterna para a   organiza&ccedil;&atilde;o do campo ps&iacute;quico. Segundo Birman, Lacan enuncia   que a emerg&ecirc;ncia da psican&aacute;lise como discurso se d&aacute; a partir,   e como conseq&uuml;&ecirc;ncia, da humilha&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o da figura   do pai no Ocidente. O discurso psicanal&iacute;tico, portanto, n&atilde;o   apenas traria not&iacute;cias dessa fal&ecirc;ncia, mas buscaria &– esse seria o   intuito de Lacan &– restaurar a figura do pai em seu posto de import&acirc;ncia no campo do ps&iacute;quico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Malograda a tentativa lacaniana, temos um esvaziamento   da met&aacute;fora paterna na contemporaneidade e o surgimento   de novas modalidades de dor e sofrimento &– bem como de novas   formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o &– imposs&iacute;veis de serem totalmente   circunscritas &agrave;s formas que essa l&oacute;gica patriarcal prop&otilde;e para   seu entendimento. O mal-estar da atualidade adv&eacute;m da fragiliza&ccedil;&atilde;o   da figura do pai e o que temos, como possibilidade subjetiva,   ter&aacute; que encontrar apoio em algo al&eacute;m disso. Ou seja, h&aacute;   algo que escapa &agrave; ordem patriarcal e aparece como sofrimento,   ou dor, ou possibilidade de constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva. E &eacute; por haver   essa terceira forma de apari&ccedil;&atilde;o, no que transborda dessa fal&ecirc;ncia,   que me parece necess&aacute;rio, ent&atilde;o, perscrutar essa sobra   que tem, por um de seus nomes, justamente o que ficou descartado no campo do pai, de Deus e do falo: o feminino.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, no atual estado de coisas da contemporaneidade,   vemo-nos instados a nos voltar para o que sobra, o que excede   &– como exce&ccedil;&atilde;o e como excesso &–, o que resta, o al&eacute;m, a fim de   nos aproximarmos de algo que nos diga sobre nosso tempo e   nossas condi&ccedil;&otilde;es de existir nesse tempo. Agora torno claro meu   interesse pela obra de Cindy Sherman e por aquilo que, nela, me   ajuda a pensar as condi&ccedil;&otilde;es para a subjetividade contempor&acirc;nea   a partir desse resto, excesso ou al&eacute;m, que &eacute; o campo f&eacute;rtil   para qualquer investiga&ccedil;&atilde;o sobre o ps&iacute;quico que leve em considera&ccedil;&atilde;o as vicissitudes de estarmos inseridos em um tempo, uma hist&oacute;ria e uma cultura espec&iacute;ficos e, conseq&uuml;entemente, marcados por tudo isso. Pois, se tomarmos a interpreta&ccedil;&atilde;o corrente de que Sherman fala sobre o feminino e olharmos para o conjunto de sua obra at&eacute; os dias atuais, temos que ela desdiz a cr&iacute;tica e desmascara a mulher enquanto castrada, o que nos permite procurar &– juntamente com a artista, se assim o quisermos &– alhures o que seja da ordem do feminino e que nos diga sobre a feminilidade mas, tamb&eacute;m, sobre a subjetividade contempor&acirc;nea. E na obra de Sherman h&aacute; um alhures, afortunadamente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>As m&aacute;scaras mascaram m&aacute;scaras</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nas s&eacute;ries realizadas por Sherman nos finais dos 80 e in&iacute;cios   dos 90, ap&oacute;s seu desvelamento &uacute;ltimo acabar, com o perd&atilde;o   do trocadilho, em desastre, temos uma produ&ccedil;&atilde;o que coloca   em evid&ecirc;ncia, de forma cada vez mais contundente, a   quest&atilde;o da farsa implicada na id&eacute;ia do desmascaramento. &Eacute; assim   que vemos se intensificar o seu uso expl&iacute;cito dos artif&iacute;cios   nas <i>History Portraits</i> at&eacute; o ponto em que a artista sai de cena,   deixando em seu lugar apenas um amontoado de bonecos, pr&oacute;teses,   manequins e m&aacute;scaras. <i>Civil War, Sex Pictures, Horror &amp;   Surrealist Pictures, Masks, Broken Dolls</i>... Abre-se lugar para o   inumano, o inc&ocirc;modo, o dejeto, o terr&iacute;vel, o abjeto, o inquietante,   o perturbador... o grotesco. Suas m&aacute;scaras deformadas se   superp&otilde;em umas &agrave;s outras. E o que encontramos em seu desmascaramento?   Nada. Ou uma outra m&aacute;scara. O sexual   se revela oco, maqu&iacute;nico, os olhos presos aos rostos n&atilde;o s&atilde;o passagens   para a alma, mas um artif&iacute;cio, as bonecas mutiladas mostram o sexual como horror, dor, aniquila&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ide/v31n47/47a16f2.jpg"></p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Figura 2 Cindy Sherman, Untitled #316, 1995. Cibachrome    <br> 48 x 32 inches. Edition of 6. Cortesia da Artista e da Metro Pictures.</font></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A que nos remete Cindy Sherman se esse &eacute; o feminino do   qual nos traz not&iacute;cia? Se, no desvelamento do desvelamento   chegamos n&atilde;o &agrave; castra&ccedil;&atilde;o, mas ao horror, o que isso nos pode ensinar acerca da feminilidade?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na por&ccedil;&atilde;o final de sua obra, Freud (1931&#47;1995h,   1933&#47;1995f) nos aponta a impossibilidade de constranger feminilidade   &agrave; mulher e masculinidade ao homem, j&aacute; que anatomia   e condi&ccedil;&atilde;o subjetiva n&atilde;o se equivalem. A feminilidade associada   ao puramente org&acirc;nico, &agrave; mulher, &agrave; passividade e ao   masoquismo, ainda que guarde coer&ecirc;ncia com a l&oacute;gica freudiana   de aproxima&ccedil;&atilde;o com esses temas a partir do complexo de &Eacute;dipo, deixa algo intocado, inacess&iacute;vel por essa formula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan (1972-1973&#47;1985), ainda que marcado pela restaura&ccedil;&atilde;o   do pai, da met&aacute;fora paterna e do simb&oacute;lico como pontos   de ancoragem do ps&iacute;quico, apresenta a interessante id&eacute;ia do feminino   como algo que escapa &agrave; l&oacute;gica da castra&ccedil;&atilde;o. A mulher   &eacute; uma impossibilidade, j&aacute; que sua nomea&ccedil;&atilde;o enquanto tal s&oacute;   pode ser feita no campo da linguagem, ou seja, nos dom&iacute;nios   do simb&oacute;lico e a partir de uma l&oacute;gica f&aacute;lica, deixando de fora   algo do feminino no exato momento em que o diz como tal.   A mulher, dividida entre ser &lsquo;toda&rsquo; e &lsquo;n&atilde;o toda&rsquo;, a partir de uma   leitura que assume existir uma libido &uacute;nica masculina, da oposi&ccedil;&atilde;o   f&aacute;lico &#47; castrado e seus cong&ecirc;neres, n&atilde;o pode ser apreendida,   circunscrita pelo campo que a nomeia. E, uma vez que,   para dar testemunho do real do seu corpo ela tem que passar   pelo campo da linguagem &– ou, em outras palavras, submeter   o feminino ao significante, que define a falta a partir do ter, e o   feminino a partir do masculino &– n&atilde;o ser&aacute; que, para al&eacute;m daquilo   que do feminino se circunscreve &agrave; l&oacute;gica f&aacute;lica, isso de que   o real da mulher d&aacute; not&iacute;cias passa, principalmente, por aquilo que lhe escapa?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Temos, ent&atilde;o, que o que escapa &– entendido pela psican&aacute;lise   sob as v&aacute;rias alcunhas do corpo, da puls&atilde;o de morte, da   compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o, do excesso, do resto, ou do que n&atilde;o se   inscreve na ordem do ps&iacute;quico &– guarda parentesco estreito com o que transborda como feminino.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O feminino aproximado do grotesco e do estranho</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a obra de Cindy Sherman, o feminino se aproxima do   grotesco, e aqui este termo &eacute; utilizado conside rando o percurso   que dele tra&ccedil;a Wolfgang Kayser (1957), para quem o grotesco, na hist&oacute;ria da arte, traz o monstruoso como principal caracter&iacute;stica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O monstro &eacute; fonte de horror e riso. N&atilde;o se limita ao rid&iacute;culo   de uma gra&ccedil;a despreocupada, mas traz consigo o assombro   do absurdo, do assustador e do c&ocirc;mico misturados em   uma associa&ccedil;&atilde;o que desterritorializa seu espectador. O grotesco   desterra e angustia, provocando o riso nervoso vivido e testemunhado   por muitos daqueles que se deparam com as fotografias   de Cindy Sherman em sua crueza calculada, inquietante, aterradora. Nas palavras de Kayser:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mundo do grotesco &eacute; o nosso mundo &– e n&atilde;o o &eacute;. O horror,   mesclado ao sorriso, tem seu fundamento justamente na experi&ecirc;ncia de que nosso mundo confi&aacute;vel e aparentemente arrimado numa ordem bem firme, se alheia sob a irrup&ccedil;&atilde;o de poderes abismais, se desarticula nas juntas e formas e se dissolve em suas ordena&ccedil;&otilde;es (p. 40).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O grotesco, ent&atilde;o, que na obra de Sherman traz o feminino como absurdo, simulacro, revela&ccedil;&atilde;o da farsa da revela&ccedil;&atilde;o,   automatismo, maquin&aacute;rio, inumanidade mascarada de humano   e tudo o mais que seu desfile de horrores &eacute; capaz de produzir,   aproxima o feminino daquilo que, em Freud (1919&#47;1995d),   &eacute; mais um conceito que tenta cercar o que escapa, excede e, com isso, aterroriza: o estranho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estranho <i>unheimlich</i> de Freud diz do que nos &eacute; mais   alheio e pr&oacute;prio ao mesmo tempo. Fala do paradoxo entre dist&acirc;ncia   e fus&atilde;o, entre o que contorna o eu e o que se descarta como   n&atilde;o eu, paradoxo formulado pela conjun&ccedil;&atilde;o entre o &iacute;ntimo   familiar e o absurdo, o que n&atilde;o sou de modo algum, o outro.   Com isso, Freud joga luz em um campo no qual o horror se produz   precisamente pelo apagamento da linha divis&oacute;ria que distancia   o &lsquo;eu sou&rsquo; de um &lsquo;n&atilde;o sou eu&rsquo; desagrad&aacute;vel e inquietante,   a ser evitado a qualquer custo. O estranho &eacute; o estrangeiro que,   de passagem por nosso territ&oacute;rio, traz para muito perto tudo   aquilo que, com desprezo, procuramos evitar olhar como parte integrante da colcha de retalhos que nos forma.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Talvez o estranho seja o inconsciente, o recalcado, o pulsional,   o outro em n&oacute;s, o sexual, o n&atilde;o inscrito, a repeti&ccedil;&atilde;o, a   puls&atilde;o de morte... Ou o feminino, como mais um nome daquilo   que nos escapa e retorna e nos perturba porque escapado   e fugidio. Parafraseando Lacan (1972-1973&#47;1985) ao se referir ao sexual, aquilo que n&atilde;o cessa de n&atilde;o se inscrever.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O feminino, tomado por essa perspectiva do grotesco e   do estranho aos quais nos remete a produ&ccedil;&atilde;o de Cindy Sherman,   mostra-se como aquilo que est&aacute; fora e que denuncia o   que jaz al&eacute;m da perspectiva f&aacute;lica. Um real que dissolve o que   &eacute; da ordem do represent&aacute;vel. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que Lacan, na segunda   metade de sua obra, se debru&ccedil;a sobre o real de maneira   an&aacute;loga a Freud se debru&ccedil;ando, tamb&eacute;m em um segundo   momento, sobre a puls&atilde;o de morte como o que jaz para al&eacute;m   do princ&iacute;pio do prazer. Ser&aacute; nesse segundo momento que, tanto   um quanto o outro, ao falarem sobre o que escapa, nos remeter&atilde;o ao feminino.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; &agrave; toa que, na contemporaneidade temos,   para os psicanalistas, uma reflex&atilde;o cl&iacute;nica que se ocupa do real,   do traum&aacute;tico e da repeti&ccedil;&atilde;o como vi&eacute;ses que buscam dar voz   ao que permaneceu estrangeiro &agrave; possibilidade de inclus&atilde;o no   campo do ps&iacute;quico por excel&ecirc;ncia, resto t&atilde;o freq&uuml;entemente   presente na cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica, nas formas de sofrimento e   mal-estar individuais e coletivos, bem como na pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o   das subjetividades. Como abord&aacute;-lo se ele diz do que escapa   &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de inscrever-se? Talvez esta aproxima&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise   ao campo das artes pl&aacute;sticas tenha, como objetivo,   justamente encontrar material e vocabul&aacute;rio para se dizer sobre   isso, que se encontra t&atilde;o bem dito em diversas manifesta&ccedil;&otilde;es da   arte contempor&acirc;nea, nas quais Cindy Sherman emerge como uma interlocutora poss&iacute;vel para esta autora que aqui escreve.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A feminilidade marca a diferen&ccedil;a e, por isso, pode ser   aproximada ao estranho familiar. Ela &eacute; a fonte de uma experi&ecirc;ncia   ps&iacute;quica marcada pelo horror, precisamente na medida   em que coloca em quest&atilde;o o autocentramento da subjetividade   baseado no referencial f&aacute;lico. Joel Birman (1999, 2006) apresenta   a id&eacute;ia de que, se a distin&ccedil;&atilde;o entre os sexos se constr&oacute;i a   partir desse referencial, pensar sobre a femi nilidade &eacute; deslocarse   para o lado de fora do mesmo e de suas constru&ccedil;&otilde;es, colocando-nos em outro registro quanto &agrave; sexualidade. Onde antes   vigorava o nome-do-pai como significante de exce&ccedil;&atilde;o &– constitutivo   da cadeia de significantes, do inconsciente e do desejo,   tudo o que forma o ps&iacute;quico em sua ess&ecirc;ncia &– e gerador, entre   outras coisas, de uma hierarquia entre as condi&ccedil;&otilde;es masculina   e feminina, a resist&ecirc;ncia feminina de uma circunscri&ccedil;&atilde;o ao &lsquo;toda   f&aacute;lica&rsquo;, por meio do &lsquo;n&atilde;o toda f&aacute;lica&rsquo;, semeou o terreno para   se perscrutar esse mais al&eacute;m do qual o feminino nos traz not&iacute;cias. Onde a masculinidade seria ponto de origem, organiza&ccedil;&atilde;o   e refer&ecirc;ncia, segundo o signo do patriarcado, a feminilidade poderia   advir como origin&aacute;ria, ou enquanto o caldo informe, amorfo e abjeto do qual as formas brotam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Birman (2006), ainda segundo Freud (1937&#47;1995b),   a feminilidade traria como categorias pelas quais pensar as condi&ccedil;&otilde;es   para nossa subjetividade contempor&acirc;nea, desterrada de   Deus, do pai e da raz&atilde;o, as id&eacute;ias de desamparo e do masoquismo   er&oacute;geno, possibilidades vindas de alhures, com as quais   criar&iacute;amos condi&ccedil;&otilde;es de subjetiva&ccedil;&atilde;o. Haveria, portanto, uma   via de exist&ecirc;ncia pelo feminino. Cindy Sherman nos traria essa mesma esperan&ccedil;a?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Os palha&ccedil;os riem de si mesmos e nos metem medo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As m&aacute;scaras de Sherman nos levam &agrave; impossibilidade de   um ponto de origem, masculino e f&aacute;lico ou feminino, masoquista   e desamparado. A origem da m&aacute;scara &eacute; outra m&aacute;scara   que &eacute; outra m&aacute;scara que &eacute; outra, desconstruindo tudo ao n&iacute;vel do simulacro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Perdidas as refer&ecirc;ncias, a artista traz, em suas obras mais   recentes, a figura do <i>clown</i>, o palha&ccedil;o que copia, cuja possibilidade   de exist&ecirc;ncia enquanto palha&ccedil;o reside na sua condi&ccedil;&atilde;o   de imita&ccedil;&atilde;o do outro, tal qual um <i>Zelig</i> dos tempos presentes,   aquele personagem camale&ocirc;nico do filme hom&ocirc;nimo de Woody Allen.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seus <i>clowns</i> riem um esgar aterrador, fazendo emergir   suas figuras grotescas de fundos virtuais intensamente coloridos,   caricaturas de uma pretensa felicidade perdida da inf&acirc;ncia,   ironizando os &ldquo;bons tempos felizes&rdquo; como ponto de origem e   de refer&ecirc;ncia do que quer que seja. Eles nunca existiram. O que existe &eacute; o que imita, ausente de subst&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que sobra, se considerarmos o percurso de Sherman   e o lugar para onde o mesmo aponta, a fim de enriquecer   nossa reflex&atilde;o sobre a contemporaneidade e as condi&ccedil;&otilde;es da   subjetividade na mesma, &eacute; um estado de suspens&atilde;o que chamarei,   parafraseando Cort&aacute;zar (2005), de &ldquo;o aberto&rdquo;. E citoo   para que ele o diga melhor do que eu, e sem aprision&aacute;-lo em um conceito:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">que far&iacute;amos sem a senhora, sem Dama Ci&ecirc;ncia, falo a s&eacute;rio,   muito a s&eacute;rio, mas al&eacute;m disso h&aacute; o aberto, a noite ruiva, as unidades   da desmedida, a qualidade de palha&ccedil;o e de fun&acirc;m bulo e de   son&acirc;mbulo do cidad&atilde;o m&eacute;dio, o fato de que ningu&eacute;m o convencer&aacute;   de que seus limites precisos s&atilde;o o ritmo da cidade mais feliz   ou do campo mais ameno; a escola far&aacute; a parte dela, e o ex&eacute;rcito e   os padres, mas isso que eu chamo enguia ou via-l&aacute;ctea pernoita na   mem&oacute;ria racial, num programa gen&eacute; tico que o professor Fontaine   n&atilde;o imagina, e por isso a revo lu&ccedil;&atilde;o no seu momento, a arremetida   contra o objetivamente inimigo ou abjeto, o soco delirante para   deitar abaixo uma cidade podre, por isso as primeiras etapas do reencontro com o homem inteiro (p.89).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O aberto &eacute; impossibilidade de origem e de conclus&atilde;o e nos acena com o que possibilita naquilo que nos impede.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fiquemos com o aberto ao qual o percurso de Cindy Sherman   parece nos apontar. O palha&ccedil;o do presente momento de   sua obra &eacute;, ainda, uma m&aacute;scara e nessa repetida impossibilidade   de revela&ccedil;&atilde;o, marcada e remarcada a cada s&eacute;rie de fotografias,   a artista consegue, a meu ver, escapar da dicotomia f&aacute;lico &#47;   castrado em sua discuss&atilde;o sobre a feminilidade. Em seu trabalho   de desconstru&ccedil;&atilde;o, Sherman n&atilde;o recoloca o que seria da ordem   da ess&ecirc;ncia a ponto de podermos afirmar com ela: &eacute; isso o   feminino. Cada foto nos confronta com essa outra l&oacute;gica, que   chamo &ldquo;do aberto&rdquo;, em que o pensamento &eacute; instado a se desterritorializar   por um vocabul&aacute;rio desconhecido e estranho, esse   das m&aacute;scaras. Como se a ess&ecirc;ncia residisse na condi&ccedil;&atilde;o mais superficial e o segredo se encontrasse na din&acirc;mica da farsa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aquilo que a artista traz como aporte para o pensamento   psicanal&iacute;tico reside, justamente, nesse seu modo sofisticado   e simples de convidar-nos ao contato com esse estranhamento   que suscita uma mudan&ccedil;a de registro, um escape &agrave; dicotomia   do referencial f&aacute;lico, a fim de podermos, conforme encontremos   modos e meios para isso, darmos not&iacute;cias dessa sobra, desse   lado de fora ao qual n&oacute;s, psicanalistas, tanto acorremos no   ensejo de nos aproximarmos das condi&ccedil;&otilde;es de subjetiva&ccedil;&atilde;o   existentes em nossa contemporanei dade. Um transitar pelas   bordas e perscrutar terras estrangeiras: ser&aacute; esse o convite que essas obras de arte nos fazem?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Reitero, ent&atilde;o, o aceite ao convite: fiquemos no aberto e   na suspens&atilde;o das refer&ecirc;ncias vivida no contato com a obra de Cindy Sherman e vejamos a que isso nos poder&aacute; levar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Birman, J. (1999). <i>Cartografias do feminino</i>. S&atilde;o Paulo: Ed.34.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141394&pid=S0101-3106200800020001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Birman, J. (2006). <i>Arquivos do mal-estar e da resist&ecirc;ncia</i>. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141395&pid=S0101-3106200800020001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cort&aacute;zar, J. (2005). <i>Prosa do observat&oacute;rio</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141396&pid=S0101-3106200800020001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995a). Algumas conseq&uuml;&ecirc;ncias ps&iacute;quicas da distin&ccedil;&atilde;o anat&ocirc;mica   entre os sexos. In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard das obras psicol&oacute;gicas   completas de Sigmund Freud</i>. (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 19, pp.273- 288). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1925).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141397&pid=S0101-3106200800020001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995b) An&aacute;lise termin&aacute;vel e intermin&aacute;vel. In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>. (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 23, pp.225-274). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1937).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141398&pid=S0101-3106200800020001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995c). A dissolu&ccedil;&atilde;o do complexo de &Eacute;dipo. In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o   standard das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>. (J. Salom&atilde;o,   trad., Vol. 19, pp.193-202). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1924).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141399&pid=S0101-3106200800020001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995d) O estranho. In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard das obras psicol&oacute;gicas   completas de Sigmund Freud</i>. (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 17, pp.235- 276). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1919).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141400&pid=S0101-3106200800020001600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995e). Fetichismo. In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard das obras psicol&oacute;gicas   completas de Sigmund Freud</i>. (J. Salom&atilde;o, trad.,   Vol. 21, pp.141-162). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1927).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141401&pid=S0101-3106200800020001600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995f ) Novas confer&ecirc;ncias introdut&oacute;rias &agrave; psican&aacute;lise:   Confer&ecirc;ncia XXXIII: Feminilidade In S. Freud, Edi&ccedil;&atilde;o standard das   obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud. (J. Salom&atilde;o, trad., Vol.   22, pp.113-132). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1933).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141402&pid=S0101-3106200800020001600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995g). A organiza&ccedil;&atilde;o genital infantil (uma interpola&ccedil;&atilde;o   na teoria da sexualidade). In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard das obras psicol&oacute;gicas   completas de Sigmund Freud</i>. (J. Salom&atilde;o, trad.,   Vol. 19, pp.155-164). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1923).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141403&pid=S0101-3106200800020001600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995h) A sexualidade feminina. In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o   standard das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>.   (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 21, pp.231-254). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1931).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141404&pid=S0101-3106200800020001600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995i). Sobre o narcisismo: uma introdu&ccedil;&atilde;o. In S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o   standard das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>. (J. Salom&atilde;o,   trad., Vol. 14, pp.77-110). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1914).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141405&pid=S0101-3106200800020001600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1995j). Tr&ecirc;s ensaios sobre a teoria da sexualidade. In S. Freud,   <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>.   (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 7, pp.119-232). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1905).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141406&pid=S0101-3106200800020001600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kayser, W. (1957). <i>O grotesco</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141407&pid=S0101-3106200800020001600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Krauss, R. E. (1999). The destiny of the informe. In Y.-A Bois. &amp; R. E. Krauss, <i>Formless: A user&rsquo;s guide</i> (pp. 235-252). New York: Zone Books.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan, J. (1985). <i>O semin&aacute;rio. Livro 20. Mais, ainda</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1972-1973).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141409&pid=S0101-3106200800020001600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mulvey, L. (2006). A phantasmagoria of the female body. In <i>Cindy Sherman</i>   (pp. 284-303). Paris: Flammarion. (Trabalho original publicado em 1991).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1141410&pid=S0101-3106200800020001600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end2"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/ide/v31n47/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o  para correspond&ecirc;ncia</a>    <br>   Alessandra Monachesi Ribeiro    <br>   Rua Mario Amaral 343 &– Para&iacute;so    <br>   04002-021 &– S&atilde;o Paulo &– SP    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Tel.: (11) 3885-8755    <br>   E-mail: <a href="mailto:alemonachesi@uol.com.br">alemonachesi@uol.com.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido: 06&#47;04&#47;2008    <br> Aceito: 13&#47;05&#47;2008</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1a"></a><a href="#1">*</a></sup> Artigo baseado em apresenta&ccedil;&atilde;o feita sobre o tema no II Col&oacute;quio de Psicologia da Arte do Laborat&oacute;rio de Estudos em Psicologia da Arte do Instituto de   Psicologia da USP, 2007, bem como na tese de doutorado de minha autoria que est&aacute; sendo desenvolvida junto ao Programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Teoria   Psicanal&iacute;tica da UFRJ, para a qual conto com uma bolsa de estudos da CAPES.    <br> <sup><a name="2a"></a><a href="#2">**</a></sup> Psicanalista, membro do Departamento de Psican&aacute;lise do Instituto Sedes Sapientiae e do Espa&ccedil;o Brasileiro de Estudos Psicanal&iacute;ticos, doutoranda pelo Programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em teoria psicanal&iacute;tica da UFRJ, mestre em Psicologia Cl&iacute;nica pela PUC-SP. Autora do livro <i>Em busca de um lugar: Itiner&aacute;rio de uma psicanalista pela cl&iacute;nica das psicoses</i>, publicado pela editora Via Lettera, 2007.</font></p>      ]]></body>
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