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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[War has already been called a time of exception. It is, however, a time of excesses. Human beings have lived with war since forever; its effects are often expressed in different art forms. This essay highlights one example from poetry and one from painting, whose value and representativeness transcend temporal and geographical limits.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>EM PAUTA - EXCESSO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Tempo de excessos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A time of excesses</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Eva Maria Migliavacca<sup><a name="1"></a><a href="#1a">*</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo    <br> Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end"></a><a href="#end2">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A guerra j&aacute; foi chamada de tempo de exce&ccedil;&atilde;o. Contudo, caracteriza-se por ser tempo de excessos. O ser humano convive com guerras desde sempre; seus efeitos s&atilde;o muitas vezes expressos nas v&aacute;rias formas de arte. Esse texto destaca um exemplo da poesia e um da pintura, cujo valor e representatividade ultrapassam os limites temporais e geogr&aacute;ficos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave</b>: Guerra, Poesia, Pintura, Sef&eacute;ris, Goya.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">War has already been called a time of exception. It is, however, a time of excesses. Human beings have lived with war since forever; its effects are often expressed in different art forms. This essay highlights one example from poetry and one from painting, whose value and representativeness transcend temporal and geographical limits.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords</b>: War, Poetry, Painting, Sef&eacute;ris, Goya.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No final da d&eacute;cada de 30, o poeta grego Giorgos Sef&eacute;ris, ganhador do Pr&ecirc;mio Nobel de Literatura de 1963, acompanhou escava&ccedil;&otilde;es em um s&iacute;tio arqueol&oacute;gico em Assine, na regi&atilde;o do Peloponeso, e teve a oportunidade de assistir &agrave; descoberta de uma m&aacute;scara de ouro semelhante &agrave; mui conhecida suposta m&aacute;scara de Agam&ecirc;mnon, que est&aacute; no Museu Arqueol&oacute;gico de Atenas. Uma m&aacute;scara de ouro, oca. Inspirado, o poeta preenche o oco daquela m&aacute;scara com um de seus mais belos poemas, <i>O rei de Assine</i>. Aquele rei lutou em Troia, e sua presen&ccedil;a na guerra foi salva do esquecimento absoluto porque Homero o cita ao final do Cat&aacute;logo das Naus, na <i>Il&iacute;ada</i> (canto II, v. 560), sendo essa refer&ecirc;ncia "tudo o que resta de um rei e de um reino para sempre perdidos na escurid&atilde;o do passado" (Paes, 1985, p. 146). Sef&eacute;ris o recupera e o imortaliza na melancolia de sua poesia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tradutor de Sef&eacute;ris para o portugu&ecirc;s, o tamb&eacute;m poeta Jos&eacute; Paulo Paes (1985), ao comentar <i>O rei de Assine</i>, associa-o com a indaga&ccedil;&atilde;o de H&ouml;lderlin: "De que servem os poetas em tempos pusil&acirc;nimes?", ep&iacute;grafe do <i>Di&aacute;rio de Bordo I</i>, volume que inclui aquele poema. Tal pergunta, diz Paes, era sinistramente oportuna naqueles tempos &ndash; quando o poema foi composto<sup><a name="2"></a><a href="#2a">1</a></sup> &ndash; dias de pusilanimidade marcados pelo esp&iacute;rito do nefasto e equivocado Pacto de Munique<sup><a name="3"></a><a href="#3a">2</a></sup>, que contribuiu para pavimentar os campos da Segunda Guerra Mundial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando olhamos os acontecimentos da &eacute;poca atual, sem perder de vista o quanto eles se repetem ao longo da hist&oacute;ria passada e prevendo desdobramentos futuros, &eacute; inevit&aacute;vel considerar que a atormentada pergunta de H&ouml;lderlin, de Sef&eacute;ris e de Paes, tamb&eacute;m seja nossa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em artigo recente, traduzido e publicado pela <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i> em 10&#47;09&#47;2012 (Caderno <i>New York Times</i>, p. 2), Roger Cohen lembra o 75&ordm; anivers&aacute;rio da <i>Guernica</i>, de Picasso. Aquela pequena cidade foi bombardeada pelos nazistas, a pedido de Franco, que n&atilde;o tolerava oposi&ccedil;&atilde;o a seu regime de ferro. O horror do massacre mobilizou o mundo e Picasso fez, comenta Cohen, "o que todo grande artista faz: destilou emo&ccedil;&atilde;o em uma express&atilde;o eterna, atrav&eacute;s da imagina&ccedil;&atilde;o e do rigor formal. Ele pegou os mais de 1600 mortos e fez de sua morte em um ataque insensato uma imagem t&atilde;o atemporal que bem poderia expressar a matan&ccedil;a atual, por outro tirano, de civis s&iacute;rios em Alepo". Cohen cita e concorda com uma afirma&ccedil;&atilde;o de Picasso de que a grande arte &eacute; pol&iacute;tica. No entanto, diz ele, "'Guernica' falhou em um sentido. Ele foi pintado para despertar a consci&ecirc;ncia contra o fascismo e impedir sua dissemina&ccedil;&atilde;o. Mas dois anos depois, Hitler havia mergulhado a Europa na Segunda Guerra Mundial".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Guernica</i> foi apresentada em Paris em 1937 e depois levada para New York. Picasso teria ordenado que s&oacute; fosse transferida para a Espanha quando o pa&iacute;s estivesse sob regime democr&aacute;tico. Desde setembro de 1981 encontra-se exposta no Museo Reina Sofia, Madrid.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ponto final da Segunda Guerra foi dado num espa&ccedil;o de tr&ecirc;s dias, 06 e 09 de agosto de 1945, em Hiroshima e Nagasaki, arremate de anos de horrores costurado com outras dezenas de milhares de mortes. Em fotos do Memorial de Hiroshima<sup><a name="4"></a><a href="#4a">3</a></sup>, moradias, hospitais, bancos, igrejas, universidades, todos os pr&eacute;dios ca&iacute;ram literalmente por terra em minutos. Em meio aos escombros, o infinito grito de dor de pessoas, cujas vidas abruptamente interrompidas se esva&iacute;ram em fuma&ccedil;a. Entre o come&ccedil;o e o fim, desastres sobre desastres. Dentre eles, os inomin&aacute;veis campos de concentra&ccedil;&atilde;o e exterm&iacute;nio, que t&ecirc;m em Primo Levi um de seus mais fortes testemunhos. Enxuta, direta, sem concess&otilde;es e sem apelos emocionais sup&eacute;rfluos, a voz de Levi em <i>&Eacute; isto um homem?</i>, de 1948, por exemplo, leva-nos a compor uma cena aproximada do que aconteceu, mas tamb&eacute;m nos leva &agrave; conclus&atilde;o de que ficamos muito longe de alcan&ccedil;ar a realidade daquela experi&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Erich Maria Remarque escreveu <i>Nada de novo no front</i>, pequeno livro, hoje, desconfio, pouco lembrado ou lido, no qual relata os estratagemas de sobreviv&ecirc;ncia nas trincheiras da assim chamada Grande Guerra. Na guerra, todas as refer&ecirc;ncias que organizam a vida modificam-se radicalmente. O relato de Remarque sobre o sentimento de estranheza ao retornar a casa, em um per&iacute;odo curto de licen&ccedil;a, prenuncia o desajuste absoluto a uma vida que perdeu o sentido. Esse mesmo sentimento encontra eco atual na arte cinematogr&aacute;fica em <i>Guerra ao terror</i>, filme de 2008, dirigido por Kathryn Bigelow: o jovem perito em desarmar bombas n&atilde;o consegue mais adaptar-se &agrave; vida caseira com sua bela esposa e gracioso filhinho. "O horror, o horror" (Conrad, 1984, p. 115) penetra as mol&eacute;culas e passa a ser o acompanhante constante. Todorov, em pref&aacute;cio a <i>I sommersi e i salvati</i>, tamb&eacute;m de Levi, escreve sobre a recorr&ecirc;ncia da guerra e das a&ccedil;&otilde;es humanas cru&eacute;is e alerta: "&#91;...&#93; se antes de indignar-se, &eacute; preciso esperar que o sofrimento humano alcance o &aacute;pice de Auschwitz, ent&atilde;o poder-se-&aacute; esperar ainda muito tempo e, com a consci&ecirc;ncia tranquila, fazer ouvidos moucos ao lamento dos homens e dos povos<sup><a name="5"></a><a href="#5a">4</a></sup>" (2007, p. VIII). Primo Levi, que, como tamb&eacute;m assinala Todorov, foi ficando cada vez mais melanc&oacute;lico, suicidou-se em 1987; que homem ou santo pode conden&aacute;-lo?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O s&eacute;culo XX carrega a coroa nada honrosa de s&eacute;culo das guerras (Ehrenreich, 2000). Sejam mil e seiscentos, cento e quarenta mil, seis milh&otilde;es, seja um n&uacute;mero que ainda n&atilde;o foi poss&iacute;vel fechar, ou aqueles que nos chegam hoje, no s&eacute;culo XXI, pelos notici&aacute;rios, esses c&aacute;lculos levam-nos a um estado pr&oacute;ximo da abstra&ccedil;&atilde;o; quase esquecemos que o desaparecimento de uma vida apenas j&aacute; &eacute; a morte definitiva e irrecuper&aacute;vel de um universo. Um dia chamado de "esporte dos reis"<sup><a name="6"></a><a href="#6a">5</a></sup>, qual ordem no mundo poderia realmente justificar as guerras, esse excesso dos excessos?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Ontem e sempre</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i>Il&iacute;ada</i> &eacute; o mais antigo texto liter&aacute;rio europeu. Not&aacute;vel fruto do esp&iacute;rito grego antigo, ela constitui-se como um poema nascido de excessos. Em seu centro, a ira de Aquiles, cuja retirada da batalha no cerco &agrave; cidade de Troia ocasiona uma sucess&atilde;o de acontecimentos sangrentos. Talhado para as a&ccedil;&otilde;es guerreiras, o her&oacute;i ofendido recusa-se a lutar; sua aus&ecirc;ncia estimula os troianos a avan&ccedil;ar e os dois ex&eacute;rcitos se enfrentam violentamente em combates selvagens. Ou ent&atilde;o, not&aacute;vel, a beleza de Helena que, por seu fasc&iacute;nio irresist&iacute;vel, arrasta milhares de homens &agrave; morte. Prisioneira das circunst&acirc;ncias que se desencadeiam por efeito de seu encanto, Helena exerce um poder do qual tamb&eacute;m &eacute; v&iacute;tima. &Eacute; pela boca dos anci&atilde;os de Troia, cidade que sofre o pior, que melhor se expressam os sentimentos que a presen&ccedil;a e a exist&ecirc;ncia, ou o pr&oacute;prio Ser de Helena, provocam: "N&atilde;o admira que Troianos e Aqueus de formosas grevas tenham, por tal mulher, padecido tanto tempo. Espantoso &eacute; ver como seu rosto semelha o rosto dos imortais. Entretanto, a despeito de sua beleza, melhor fora que tornasse aos navios e n&atilde;o continuasse aqui, flagelo para n&oacute;s e, ao depois, para nossos filhos" (Homero, 1961, canto III, p. 65); c&eacute;lebre elogio &agrave; beleza feminina no que ela cont&eacute;m de arrebatador e de mort&iacute;fero.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i>Il&iacute;ada</i> &eacute; repleta de cenas de incompar&aacute;vel beleza, ainda que muitas vezes cruas e dolorosas. No entanto, por mais que suas descri&ccedil;&otilde;es sejam vivas e detalhadas, por mais que Homero exalte o hero&iacute;smo dos combatentes, suas qualidades e seu valor ou suas habilidades em sobrepujar o inimigo, em nenhum momento encontramos na <i>Il&iacute;ada</i>, poema da guerra por excel&ecirc;ncia, a apologia dessa mesma guerra. Homero retrata as devasta&ccedil;&otilde;es, o sofrimento, a morte, as dores e os horrores da guerra, sem jamais exalt&aacute;-la como algo desej&aacute;vel. A narrativa, &eacute;pica, vigorosa, marcante, tantas vezes elevada, mant&eacute;m todo o tempo um olhar que se resume em um de seus mais c&eacute;lebres versos: "n&atilde;o tem fratria, n&atilde;o tem lei, aquele que ama a guerra intestina, que gela de terror" (Homero, 1961, canto IX, p. 154). Cenas de horror como aquelas concentradas no Guernica povoam esse poema, ainda que seu desfecho extraordin&aacute;rio acentue a dor, a perda, o luto e a compaix&atilde;o. Na beleza do poema, aquele que foi e &eacute; conhecido como <i>O Poeta</i>, imprime as consequ&ecirc;ncias dolorosas da insensatez humana, impregnando-as de profundo amor pela Humanidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; do esp&iacute;rito grego tamb&eacute;m que nasce a no&ccedil;&atilde;o de <i>hybris</i>, modo de conceber um estar no mundo e viver a vida calcado na modera&ccedil;&atilde;o. <i>Hybris</i> n&atilde;o cont&eacute;m um v&eacute;rtice moral; cont&eacute;m, sim, a consci&ecirc;ncia de que toda a&ccedil;&atilde;o excessiva traz embutida, nela mesma, consequ&ecirc;ncias funestas inevit&aacute;veis. Expressa a convic&ccedil;&atilde;o de que todo ato que ultrapassa a medida traz em seu bojo a devasta&ccedil;&atilde;o &agrave; qual est&aacute; inarredavelmente atrelado, algo equivalente ao retorno do chicote.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, curiosa &eacute; a esp&eacute;cie &agrave; qual pertencemos. A presen&ccedil;a humana no mundo &eacute;, por experi&ecirc;ncia e por defini&ccedil;&atilde;o, contradit&oacute;ria. Constr&oacute;i e destr&oacute;i, arrasa e realiza. A Hist&oacute;ria ensina. Por exemplo, na mesma Atenas em que o fulgor da trag&eacute;dia lan&ccedil;ou seu facho imperec&iacute;vel, com sua original concep&ccedil;&atilde;o de um homem consciente de si e de sua responsabilidade no mundo, em que se consolidaram as bases da democracia moderna e de tantas institui&ccedil;&otilde;es atuais, fonte de quase todas as formas liter&aacute;rias, em que a arte atingiu um &aacute;pice espl&ecirc;ndido, naquela mesma Atenas ber&ccedil;o da filosofia, ali e na mesma &eacute;poca germinou a Guerra do Peloponeso que, por 30 anos, corroeu o "milagre" grego e abriu as portas para o enfraquecimento e derrocada definitiva da civiliza&ccedil;&atilde;o &agrave; qual tanto deve o mundo ocidental. Idealizadores da concep&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica das quatro grandes virtudes &ndash; "coragem, temperan&ccedil;a, justi&ccedil;a, sabedoria" (Bowra, 1985, p. 86) &ndash;, os gregos antigos ilustram bem a afirma&ccedil;&atilde;o de Festugi&egrave;re (1988) de que uma civiliza&ccedil;&atilde;o se assenta mais naquilo que concebe como ideal do que naquilo que consegue realmente realizar. Afirma&ccedil;&atilde;o inspiradora sim, mas que tangencia perigosamente o limite da complac&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A guerra intestina, que corr&oacute;i a vida e a sociedade humana em seu cerne, palco de atos tantas vezes classificados como heroicos e que, ao fim e ao cabo, t&ecirc;m como objetivo nada mais nada menos do que a sobreviv&ecirc;ncia, esse "esporte de reis", guerras atuais e antigas acompanham o homem em sua jornada na terra desde sempre.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Norberto Bobbio, um dos grandes pensadores do s&eacute;culo XX, falecido em 2004, em <i>O terceiro ausente</i>, apresenta muitos e bem articulados argumentos que derrubam e demolem qualquer justificativa para as guerras. Ele analisa as defini&ccedil;&otilde;es de guerra "justa", "mal menor", "mal necess&aacute;rio", "como um bem", "evento natural ou providencial", argumentando contra o que as sustenta de tal modo que qualquer aceno a eventuais ganhos que as guerras possam trazer caem fragorosamente por terra diante das imensas perdas e do custo humano, social e econ&ocirc;mico, assim como moral. A obje&ccedil;&atilde;o &agrave;s guerras, conclui, torna-se "um problema de consci&ecirc;ncia para todos" (Bobbio, 2009, p 25).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ehrenreich desenvolve sua tese sobre a origem das guerras como sendo a remota e onipresente rela&ccedil;&atilde;o presa-predador-presa entre homens e animais. Ela destaca o lado sanguin&aacute;rio presente n&atilde;o s&oacute; na natureza, como nas institui&ccedil;&otilde;es humanas, em especial as religiosas. Para ela, a guerra preserva "o rosto do predador que pens&aacute;vamos ter derrotado h&aacute; muito tempo" (Ehrenreich, 2000, p. 244). Solu&ccedil;&otilde;es para alterar o destino? Canalizar as emo&ccedil;&otilde;es que se mobilizam para e nas guerras a fim de refor&ccedil;ar os movimentos antiguerra. No entanto, &eacute; conhecida a pouca efic&aacute;cia que a indigna&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica tem nas decis&otilde;es dos governantes. Al&eacute;m disso, ela reconhece que, muitas vezes, a indigna&ccedil;&atilde;o que deveria ser dirigida contra a guerra, tem como alvo os guerreiros. Essa distor&ccedil;&atilde;o abre o campo para que o revolucion&aacute;rio de hoje seja o opressor de amanh&atilde; e se conduza de modo semelhante. A Hist&oacute;ria tamb&eacute;m est&aacute; coalhada de exemplos desse tipo. O tema &eacute; angustiante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bobbio, por sua vez, &eacute; um pensador amante do di&aacute;logo. Em bel&iacute;ssima p&aacute;gina autobiogr&aacute;fica, na qual reconhece as dificuldades de praticar essa arte sem ceder &agrave;s tenta&ccedil;&otilde;es da pol&ecirc;mica, prop&otilde;e que: "A capacidade de dialogar e de trocar argumentos, em vez de acusa&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas acompanhadas de insultos, est&aacute; na base de qualquer pac&iacute;fica conviv&ecirc;ncia democr&aacute;tica" (Bobbio, 1997, p. 10). &Eacute; l&uacute;cido, por&eacute;m, e capaz de reconhecer o quanto &eacute; dif&iacute;cil um di&aacute;logo verdadeiro. Um conflito da natureza das guerras poderia ser solucionado pacificamente pela media&ccedil;&atilde;o do que ele chama "um Terceiro no qual as partes confiem e ao qual se submetam" (Bobbio, 2009, p. 280). No entanto, esse Terceiro &ndash; uma federa&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses, uma institui&ccedil;&atilde;o social ou religiosa, um grupo n&atilde;o violento, isto &eacute;, uma for&ccedil;a externa &agrave;s partes, com suficiente autoridade moral para essa a&ccedil;&atilde;o &ndash;, ele reconhece, n&atilde;o existe. Al&eacute;m de angustiante, a tarefa &eacute; realmente formid&aacute;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como o esp&iacute;rito humano absorve seus efeitos para n&atilde;o sucumbir e continuar sua jornada de, talvez, alguns milh&otilde;es de anos? Convivemos com as guerras, das quais j&aacute; se disse que s&atilde;o tempos de exce&ccedil;&atilde;o; certamente s&atilde;o mais tempos de excessos. Suportamos. Ansiamos por seu fim. E procuramos modos de expressar os efeitos emocionais que sofremos, estejam elas mais pr&oacute;ximas ou mais distantes. Quando dotados daquela capacidade misteriosa que se chama talento, somado &agrave;s compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas, tais express&otilde;es tomam formas art&iacute;sticas. Pois pertencemos a uma curiosa esp&eacute;cie: capaz de cultivar &aacute;rvores vigorosas que nascem e frutificam em campos devastados. Tendo isso em vista, neste texto m&iacute;nimo, al&eacute;m de irregular, sobre um assunto imenso, farei um giro em dire&ccedil;&atilde;o ao que apresentei no in&iacute;cio, ainda que n&atilde;o de modo rigoroso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Arte</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em um de seus primeiros textos, Freud (1893&#47;1978a) empresta a observa&ccedil;&atilde;o de um poeta, que diz que o homem civilizou-se na primeira vez em que insultou um inimigo ao inv&eacute;s de mat&aacute;-lo. Desde ent&atilde;o, aquele homem civilizado vive um processo ininterrupto de perda e reconquista daquele instante iluminado e fugidio. A substitui&ccedil;&atilde;o de um ato destrutivo por uma a&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, que a representa, liberta o homem do determinismo exclusivo da natureza, e evidencia o nascer e possibilita o desenvolver da psique. No entanto, o ponto de chegada &eacute; novo ponto de partida, em um caminhar que reinicia a cada vez que nasce uma crian&ccedil;a, sem nunca chegar ao fim. Constitui-se assim uma din&acirc;mica cont&iacute;nua e incessante, ainda que n&atilde;o linear, na qual se revela o engenho humano em construir e expressar a experi&ecirc;ncia do viver em suas in&uacute;meras facetas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Talentos especiais, como na arte, possibilitam realiza&ccedil;&otilde;es que adquirem um valor social que ultrapassa limites temporais e geogr&aacute;ficos. S&atilde;o realiza&ccedil;&otilde;es com as quais nos identificamos, as quais preservamos e apreciamos por aquilo que cont&ecirc;m de verdadeiro quanto &agrave; capta&ccedil;&atilde;o e composi&ccedil;&atilde;o, no plano sensorial, da realidade n&atilde;o-sensorial e da vida em sua variedade infinita, fruto e alimento da vida ps&iacute;quica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As artes registram uma experi&ecirc;ncia humana particular e subjetiva, de significado espec&iacute;fico para o artista, mas que se estende no espa&ccedil;o e no tempo de forma a adquirir valor aos olhos dos homens de qualquer &eacute;poca e lugar. O artista representa de modo peculiar aspectos da realidade, como ele os capta. Nesse sentido, arte &eacute; mem&oacute;ria. Seja o movimento do mundo em que vive, seja sua viv&ecirc;ncia &iacute;ntima, ou ainda o fruto do confronto entre o fato e o significado que ele atribui ao fato, o resultado do ato art&iacute;stico torna-se mem&oacute;ria de sua pessoa, de sua exist&ecirc;ncia e experi&ecirc;ncia individual, e tamb&eacute;m de sua &eacute;poca. Valorizado ou n&atilde;o, aceito ou n&atilde;o pela sociedade sua contempor&acirc;nea, tal ato sempre &eacute; mem&oacute;ria. Muitas vezes s&oacute; adquire <i>status</i> de obra de arte bem depois da morte do artista.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acredito que isso serve para todas as formas de arte, as da escrita, as pl&aacute;sticas, as visuais, as musicais. Na pintura, por exemplo, todo quadro &eacute; tamb&eacute;m autorretrato do pintor; cada pincelada exp&otilde;e uma parcela de sua alma, de seu ser, ou antes, das transforma&ccedil;&otilde;es que ele fez das impress&otilde;es da realidade na qual est&aacute; inserido, impregnadas da vida imaginativa que o habita. Se ele retrata, consciente ou intuitivamente, como capta e vive os acontecimentos de seu tempo, sua obra torna-se um legado, mesmo que ele n&atilde;o tenha se proposto a isso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na tradi&ccedil;&atilde;o hesi&oacute;dica, as artes s&atilde;o presididas e inspiradas pelas Musas, filhas de Mnemosine. Mnemosine &eacute; Deusa. Mnemosine &eacute; Mem&oacute;ria. Ela n&atilde;o representa a mem&oacute;ria, mas &eacute; a pr&oacute;pria. Suas filhas Musas encarnam e expressam as v&aacute;rias realiza&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas: nelas est&aacute; contida, ainda que n&atilde;o s&oacute;, a mem&oacute;ria do passado, que nos ajuda a explicar o presente e conjeturar o futuro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mnemosine &eacute; mem&oacute;ria concreta, mem&oacute;ria de eventos e da exist&ecirc;ncia de indiv&iacute;duos dotados da capacidade de capt&aacute;-los e express&aacute;-los em suas obras, sim; mas, acima de tudo, mem&oacute;ria de uma experi&ecirc;ncia emocional, est&eacute;tica e intelectual, a qual podemos supor sem jamais alcan&ccedil;ar integralmente. S&atilde;o obras que, ao mesmo tempo em que evidenciam experi&ecirc;ncias acontecidas no passado, adquirem um valor humano que transp&otilde;e limites temporais e geogr&aacute;ficos. Dentre tantos homens iluminados que passaram pela terra, escolho um bem pr&oacute;ximo ao tema desse texto, al&eacute;m de ser dos que mais admiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Goya</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Goya, primeiro e principal pintor da corte de Carlos IV da Espanha, ficou completa e irremediavelmente surdo aos 46 anos. Surdo, ele ouviu os gritos de dor, horror e desamparo das pessoas de seu tempo, retratando-os com bocas buracos em busca de consolo nos c&eacute;us<sup><a name="7"></a><a href="#7a">6</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em recente biografia do pintor, farta de informa&ccedil;&otilde;es, o cr&iacute;tico de arte Hughes, h&aacute; pouco falecido, tra&ccedil;a um panorama das convuls&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais pelas quais passou a Espanha do s&eacute;culo XVIII ao XIX, percorrendo as contradi&ccedil;&otilde;es do governo dos Bourbons em seus aspectos ben&eacute;ficos e perniciosos para as pessoas e o pa&iacute;s. Ele desenrola sob nossos olhos as vidas de homens e mulheres usando e sendo usados por circunst&acirc;ncias sempre mut&aacute;veis e incertas, soprando e sendo soprados pelos ventos das influ&ecirc;ncias e do poder. Hughes destaca os horrores decorrentes das Guerras Napole&ocirc;nicas e da Inquisi&ccedil;&atilde;o, com seus nefastos efeitos sobre a vida na Espanha, impondo um fardo de viol&ecirc;ncia, mortes, doen&ccedil;as, abandono, dor e medo. Se considerarmos a ascens&atilde;o de Franco no s&eacute;culo XX, pouco aprendeu a Espanha com seu passado. No entanto, isso est&aacute; longe de ser exclusividade sua: qual pa&iacute;s seria exce&ccedil;&atilde;o?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Francisco Goya y Lucientes (1746-1828) acompanha de perto e sofre diretamente o impacto daquelas convuls&otilde;es. Teve tempo para isso: viveu 82 anos, uma fa&ccedil;anha e tanto, j&aacute; que a expectativa de vida pouco ultrapassava os 50 anos mesmo entre os ricos, e dificilmente os 35 para os trabalhadores&#33;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos testemunhos, se &eacute; que podemos arriscar essa palavra, dos recortes de percep&ccedil;&atilde;o de Goya s&atilde;o as <i>Pinturas Negras</i>. Assim como na s&eacute;rie de gravuras <i>Desastres da guerra</i>, as <i>Pinturas Negras</i> foram mantidas por Goya longe do p&uacute;blico; ele as fez para si. Pintadas nas paredes de sua casa, s&atilde;o enigm&aacute;ticas como conjunto, quem sabe tivessem significados subjetivos impublic&aacute;veis, quem sabe fossem tentativas de solucionar problemas pict&oacute;ricos (um dos pontos altos de ang&uacute;stia de todo pintor, segundo Baxandall), ou ainda retratos de pesadelos de Goya. Como todo enigma, a resposta tem variantes, mesmo que todas convirjam para o mesmo ponto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Goya observa e v&ecirc; as atrocidades da guerra. O que ele v&ecirc; tem um efeito em seu esp&iacute;rito: expressa o que v&ecirc;, assim como o efeito que sofre, pela pintura. Como em <i>Duelo con garrotazos</i><sup><a name="8"></a><a href="#8a">7</a></sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ide/v35n55/55a10f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O quadro p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a for&ccedil;a, a viol&ecirc;ncia, o impulso dos contendores, em luta com bast&otilde;es. Pode-se prever um resultado sangrento. O rosto de um deles j&aacute; est&aacute; ensanguentado. Um dos aspectos mais impressionantes e significativos &eacute; o fato de que os lutadores n&atilde;o t&ecirc;m pernas, s&oacute; coxas e joelhos. Em geral, interpreta-se como os lutadores se afundando na lama e destinados a serem engolidos por ela, numa alus&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia aterrorizante que Goya presenciava na Espanha do vingativo e irrefre&aacute;vel Felipe VII. Podem-se fazer outras sugest&otilde;es: os contendores est&atilde;o nascendo da terra, brotando, saindo para o mundo da superf&iacute;cie, representa&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia sem controle j&aacute; prenunciada na gravura <i>El sue&ntilde;o de la raz&oacute;n produce monstros</i> (1796-7). A terra, m&atilde;e nutriz, tamb&eacute;m gera o monstruoso e o destrutivo. &Eacute; da terra que nascem as for&ccedil;as brutas e incontrol&aacute;veis. For&ccedil;as &agrave;s quais o homem est&aacute; submetido, as mais desconhecidas e tem&iacute;veis; que o levam a destruir a si mesmo e a seus semelhantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais ainda ele expressou tal viol&ecirc;ncia no pungente conjunto de gravuras <i>Desastres da guerra</i>, retratos da dor e do horror extremos que o homem &eacute; capaz de infligir ao homem. S&atilde;o gravuras que podemos afirmar com seguran&ccedil;a n&atilde;o terem nascido da imagina&ccedil;&atilde;o do pintor, mas sim de sua experi&ecirc;ncia real. Qualquer uma seria uma ilustra&ccedil;&atilde;o significativa. Pois ele faz uma obra que revela sua experi&ecirc;ncia particular, subjetiva, &uacute;nica &ndash; mas tamb&eacute;m comum aos homens desde sempre. Pertencemos a uma esp&eacute;cie capaz de muitas coisas admir&aacute;veis, mas tamb&eacute;m somos feras e de algum modo a viol&ecirc;ncia que nos habita h&aacute; de se expressar &ndash; nem sempre ao modo de Goya.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ide/v35n55/55a10f2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Goya - Grande haza&ntilde;a. Con muertos. Desastres da guerra<sup><a name="9"></a><a href="#9a">8</a></sup>, l&acirc;mina 39. 1810-1815</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O in&iacute;cio do s&eacute;culo XX viu outros artistas, como Dix e Grosz, ou Segall, que deixaram suas impress&otilde;es e veementes protestos em quadros inesquec&iacute;veis, espelhos das atrocidades da Primeira Guerra Mundial. E, em tempos mais recentes, no campo da fotografia, Sebasti&atilde;o Salgado, fot&oacute;grafo brasileiro conhecido internacionalmente, registrou o medonho conflito entre Tutsis e Hutus em Ruanda, em 1980. Excelentes como fotografias e terr&iacute;veis em seu retrato inequ&iacute;voco do corpo humano destro&ccedil;ado quando a vida do esp&iacute;rito se apaga, s&atilde;o cenas que fazem com que deixemos de ter qualquer d&uacute;vida quanto &agrave;s pinturas de Goya serem reais &ndash; se &eacute; que as t&iacute;nhamos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No campo social como na vida individual, o problema assinalado por Freud em 1893 descobre a natureza humana e cobra do homem uma a&ccedil;&atilde;o e uma express&atilde;o. O homem responde, como grupo ou como indiv&iacute;duo. A resposta pode dar vaz&atilde;o &agrave; destrutividade ou a realiza&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter integrador, contribui&ccedil;&otilde;es para o incremento do acervo de valores humanos. As solu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o pessoais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O homem e o mundo vivem mergulhados em guerras e viol&ecirc;ncia desde sempre. O rebelde cont&eacute;m em si o ditador. Aqueles que derrubaram o rei e a aristocracia na Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa instauraram, por sua vez, o reinado do terror; a flor de lis deu lugar &agrave; guilhotina. A derrubada da dinastia Romanov abriu caminho para que baixasse a Cortina de Ferro. No Brasil, o temor &agrave; opress&atilde;o colocou a ditadura opressora no poder. S&atilde;o in&uacute;meras as raz&otilde;es que levaram a essas e tantas outras mudan&ccedil;as, tema esse, na verdade, mais do escopo do historiador e do soci&oacute;logo do que do psicanalista. No entanto, o homem repete-se. Bem o soube Freud (1914&#47;1978b), quando p&ocirc;s &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos psicanalistas o conceito de compuls&atilde;o &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o, <i>insight</i> dos mais not&aacute;veis em sua obra, que decidiu o rumo metodol&oacute;gico da pr&aacute;tica cl&iacute;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contradi&ccedil;&otilde;es e incongru&ecirc;ncias coexistem no esp&iacute;rito de cada indiv&iacute;duo. Podem expressar-se no grupo ou serem estimuladas pelo grupo. Conseguir separar-se intimamente desses aspectos e fazer uma reflex&atilde;o ou mesmo express&aacute;-los de algum modo requer desenvolvimento de recursos internos, recursos esses ainda de dif&iacute;cil defini&ccedil;&atilde;o e precis&atilde;o. Talvez essa tarefa, sim, caiba ao psicanalista mais do que a qualquer outro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Poesia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Giorgos Stilian&oacute;s Seferiadis nasceu em 1900 e morreu em 1971. Nomeado adido do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores em 1926, exerceu, at&eacute; 1962, fun&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas como c&ocirc;nsul e embaixador em pa&iacute;ses da Europa e do Oriente M&eacute;dio. Sua poesia cont&eacute;m o tema das guerras em todo seu absurdo. Se durante a Primeira Guerra ele era um adolescente, durante a Segunda era um homem feito com experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica. H&aacute; anos ele portava dentro de si o que chamou "mal da Gr&eacute;cia", dor nascida do contraste entre um passado fulgurante e "a presente realidade de mis&eacute;ria e decad&ecirc;ncia" (Paes, in Sef&eacute;ris, 1995, p. 12, pref&aacute;cio), que, transformada em versos, escapa e se estende para o mundo, oferta gratuita a todos os passageiros da vida, que somos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pois, ainda que os homens n&atilde;o cessem de guerrear a m&aacute; guerra, os poetas continuam a cantar seu canto e deixam um registro da vida do esp&iacute;rito. A poesia apresenta o homem a si mesmo, em um movimento sem fim. Ela ret&eacute;m, como tamb&eacute;m o fazem outras formas de arte, como a pintura de Goya ou a de Picasso, a mem&oacute;ria da experi&ecirc;ncia humana no mundo. A palavra do poeta seria o fogo vivo pelo qual a mem&oacute;ria da exist&ecirc;ncia e dos acontecimentos perpetua-se no tempo e nunca se apaga.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ent&atilde;o, &agrave; pergunta "para que servem os poetas seja em tempos pusil&acirc;nimes, seja em tempos her&oacute;icos?", o pr&oacute;prio Paes extrai do poema de Sef&eacute;ris uma resposta iluminadora. Os poetas, e tamb&eacute;m, como n&atilde;o?, os pintores e outros artistas, servem "para impedir que o tempo passe em v&atilde;o, que a m&aacute;scara da Hist&oacute;ria fique vazia de presen&ccedil;a humana e que o mundo termine num quase inaud&iacute;vel <i>guincho de morcego"</i> (Paes, 1985, p. 148).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O rei de Assine</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ass&iacute;ne te...</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Il&iacute;ada</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A manh&atilde; toda olhamos em redor da fortaleza    <br> a come&ccedil;ar do lado da sombra, s&iacute;tio em que    <br> o verde mar sem brilhos, arn&ecirc;s de pav&atilde;o morto,    <br> nos acolheu como um tempo sem lacunas.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> As estrias da rocha desciam l&aacute; do alto:    <br> vinha nua e torcida, seus m&uacute;ltiplos sarmentos    <br> reviviam ao toque da &aacute;gua e o olho a acompanh&aacute;-los    <br> lutava por escapar ao fatigante embalo    <br> cuja for&ccedil;a ia sempre declinando.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pelo lado do sol, uma longa praia aberta    <br>   e a luz a lapidar diamantes na muralha.    <br>   Nenhum ser vivo: as pombas, fugitivas,    <br>   e o rei de Assine, que h&aacute; dois anos procur&aacute;vamos,    <br>   ignoto, esquecido de todos, e de Homero    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   uma s&oacute; palavra na <i>Il&iacute;ada</i>, mas d&uacute;bia,    <br>   ali deixada qual f&uacute;nebre m&aacute;scara d'ouro.    <br>   Tocaste-a &ndash; lembras o som? &ndash; vazio dentro da luz,    <br>   jarro seco no ch&atilde;o escavado,    <br>   e o mesmo som no mar aos nossos remos.    <br>   O rei de Assine, um oco sob a m&aacute;scara,    <br>   em toda parte conosco, conosco sempre, sob um nome:    <br> "Ass&iacute;ne te... Ass&iacute;ne te..."</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">e seus filhos est&aacute;tuas    <br>   e suas &acirc;nsias um tatalar de asa de p&aacute;ssaro e vento    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   soprando-lhe entre as cismas, seus navios    <br>   ancorados em porto indiscern&iacute;vel,    <br> por sob a m&aacute;scara, um oco</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m dos olhos grandes, da curva dos l&aacute;bios, dos an&eacute;is dos cabelos    <br>   inscrito no ouro que nos cobre a exist&ecirc;ncia,    <br>   um ponto tenebroso viaja como peixe    <br>   em meio &agrave; calma matinal do mar, e ali o v&ecirc;s:    <br>   vai um vazio conosco a toda parte.    <br>   E a ave que se foi de    <br>   asa quebrada    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   a um ref&uacute;gio de vida no outro inverno    <br> e a mo&ccedil;a que fugiu para folgar    <br> entre os dentes caninos do ver&atilde;o,    <br> e a alma lamentosa buscando o mundo &iacute;nfero,    <br> e o s&iacute;tio, larga folha de pl&aacute;tano que o sol leva no seu fluxo    <br> com os velhos monumentos e o pesar coevo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E o poeta que se atrasa a contemplar as pedras pergunta a si pr&oacute;prio:    <br>   acaso subsiste,    <br>   entre estas arestas confusas, picos e cimos, ocos e curvas,    <br>   acaso subsiste    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   neste passo da chuva, do vento, da ru&iacute;na,    <br>   subsiste o trejeito do rosto, a forma dos afetos    <br>   daqueles que estranhamente minguaram em nossa vida,    <br>   que ficaram como sombra nas vagas, pensamento no mar infindo?    <br>   Nem isso talvez deles sobrasse; nada, al&eacute;m do peso    <br>   ou nostalgia do peso de uma exist&ecirc;ncia viva,    <br>   aqui onde ora estamos incorp&oacute;reos, pensos    <br>   como os ramos de um salgueiro terr&iacute;vel, tombado sobre o v&atilde;o    <br>   &#91;do desespero,    <br>   enquanto, citrino e lento, o rio arrasta para o lodo juncos    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   &#91;extirpados,    <br>   forma feita em pedra em amargor perp&eacute;tuo, pertinaz.    <br> O poeta, um vazio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com seu escudo, o sol ascende, combatendo,    <br>   e do fundo da caverna um p&aacute;vido morcego    <br>   inflete contra a luz qual seta contra o escudo &ndash;    <br>   "Ass&iacute;ne te... Ass&iacute;ne te": ali estava o rei de Assine    <br>   que nesta acr&oacute;pole com tal &acirc;nsia procuramos,    <br> nossos dedos lhe aflorando os rastros sobre as pedras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(G. Sef&eacute;ris, 1995, p. 115-117)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Baxandall, M. (2006). <i>Padr&otilde;es de inten&ccedil;&atilde;o &ndash; a explica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica dos quadros</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bobbio, N. (2009). <i>O terceiro ausente &ndash; ensaios e discursos sobre a paz e a guerra</i>. S&atilde;o Paulo: Manole.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bobbio, N. (1997). <i>Tempo de mem&oacute;ria &ndash; De senectude e outros escritos autobiogr&aacute;ficos</i>. Rio de Janeiro: Campus.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bowra, C. M. (1985). <i>The Greek experience</i>. London: Weidenfeld and Nicolson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164247&pid=S0101-3106201300010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Buchanan, J. P. (2009). <i>Churchill, Hitler e a "Guerra Desnecess&aacute;ria"</i>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164249&pid=S0101-3106201300010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cohen, R. (2012, 10 de setembro). O horror da guerra &eacute; atemporal. <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>, S&atilde;o Paulo, Caderno New York Times, p. 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164251&pid=S0101-3106201300010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conrad, J. (1984). <i>O cora&ccedil;&atilde;o da treva</i>. S&atilde;o Paulo: Global.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164253&pid=S0101-3106201300010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ehrenreich, B. (2000). <i>Ritos de sangue &ndash; um estudo sobre as origens da guerra</i>. Rio de Janeiro: Record.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Festugi&egrave;re, A. (1988). <i>Gr&eacute;cia e Mito</i>. Lisboa: Editora 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164256&pid=S0101-3106201300010001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1978a). Sobre o mecanismo ps&iacute;quico dos fen&ocirc;menos hist&eacute;ricos. In S. Freud. <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i> (J. Salom&atilde;o, trad., vol. III, pp. 35-50). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1893).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164258&pid=S0101-3106201300010001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1978b). Recordar, repetir, elaborar. In S. Freud. <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i> (J. Salom&atilde;o, trad., vol. XII, pp. 208-220). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1914).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164260&pid=S0101-3106201300010001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hes&iacute;odo (1991). <i>Teogonia &ndash; a origem dos deuses</i>. S&atilde;o Paulo: Iluminuras.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Homero (1961). <i>Il&iacute;ada</i>. S&atilde;o Paulo: DIFEL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164263&pid=S0101-3106201300010001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hughes, R. (1995). <i>Goya</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164265&pid=S0101-3106201300010001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Levi, P. (1988). <i>&Eacute; isto um homem?</i>. Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164267&pid=S0101-3106201300010001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Levi, P. (2007). <i>I sommersi e i salvati</i> (pref&aacute;cio de T. Todorov). Torino: Einaudi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164269&pid=S0101-3106201300010001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paes, J. P. (1985). <i>Gregos e Baianos &ndash; ensaios</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Remarque, E. M. (2010). <i>Nada de novo no front</i>. Porto Alegre: LPM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164272&pid=S0101-3106201300010001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sef&eacute;ris, G. (1995). <i>Poemas</i> (J. P. Paes, trad.). S&atilde;o Paulo: Nova Alexandria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1164274&pid=S0101-3106201300010001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end2"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/ide/v35n55/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o   para correspond&ecirc;ncia</a>    <br> <b>EVA MARIA MIGLIAVACCA</b>    <br> Rua Joaquim Antunes, 226&#47;12B    <br> 05441-040 &ndash; Pinheiros - S&atilde;o Paulo    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> tel.: 11 3062-3177    <br> E-mail: <a href="mailto:emiglia@usp.br">emiglia@usp.br</a></font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido: 01&#47;10&#47;2012    <br> Aceito: 26&#47;10&#47;2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1a"></a><a href="#1">*</a></sup> Membro efetivo da SBPSP e Professora Titular do Instituto de Psicologia da USP.    <br> <sup><a name="2a"></a><a href="#2">1</a></sup> Entre 1938 e 1940.    <br> <sup><a name="3a"></a><a href="#3">2</a></sup> Acordo pelo qual Inglaterra e Fran&ccedil;a concordaram com a anexa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o montanhosa dos Sudetos, muro protetor da Tchecoslov&aacute;quia, pela Alemanha, na cren&ccedil;a de que Hitler tamb&eacute;m desejava a paz. Os eventos subsequentes mostraram at&eacute; onde iam as ambi&ccedil;&otilde;es de Hitler. Considerado o maior desastre diplom&aacute;tico da Hist&oacute;ria e um grande fracasso estrat&eacute;gico, o Pacto de Munique derrubou Chamberlain e al&ccedil;ou Churchill ao governo ingl&ecirc;s (Buchanan, 2009).    <br> <sup><a name="4a"></a><a href="#4">3</a></sup> Evento "Hiroshima e Nagasaki em S&atilde;o Paulo: testemunho, inscri&ccedil;&atilde;o e mem&oacute;ria das cat&aacute;strofes". Instituto de Psicologia da USP. De 11&#47;09 a 21&#47;09&#47;2012.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup><a name="5a"></a><a href="#5">4</a></sup> Tradu&ccedil;&atilde;o minha.    <br> <sup><a name="6a"></a><a href="#6">5</a></sup> Teria sido dito pelo rei Carlos XII da Su&eacute;cia a Pedro, o Grande, mas perdi a refer&ecirc;ncia. Pedro, que preferia n&atilde;o guerrear, venceu a Grande Guerra do Norte e submeteu a Su&eacute;cia.    <br> <sup><a name="7a"></a><a href="#7">6</a></sup> Como em <i>A peregrina&ccedil;&atilde;o de San Isidro</i>, de 1837.    <br> <sup><a name="8a"></a><a href="#8">7</a></sup> Em 1874, o Bar&atilde;o Fr&eacute;d&eacute;ric d'Erlanger, rico franc&ecirc;s apreciador das artes, comprou a Quinta del Sordo, casa em que Goya viveu algum tempo ao final de sua vida. O bar&atilde;o adiou seus neg&oacute;cios e esperou dois anos antes de demolir a casa, at&eacute; que o reboco das <i>Pinturas Negras</i>, feitas a &oacute;leo, fosse retirado das paredes e remontado em telas. Enviou-as, ent&atilde;o, para serem expostas na Exposition Universelle de 1878, em Paris, mas a fria e at&eacute; indiferente recep&ccedil;&atilde;o o fez devolv&ecirc;-las &agrave; Espanha, onde est&atilde;o at&eacute; hoje como uma das joias maiores do Museu do Prado. Considerando que d'Erlanger era um comerciante imobili&aacute;rio, h&aacute; muito que agradecer &agrave; sua generosidade. <i>Duelo com Garrotazos</i> &eacute; parte desse conjunto.    <br> <sup><a name="9a"></a><a href="#9">8</a></sup> S&eacute;rie de 83 gravuras &aacute;guas-fortes realizadas provavelmente entre 1810 e 1815. S&oacute; vieram a p&uacute;blico em 1863. Museo Nacional del Prado, Madrid.</font></p>      ]]></body>
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