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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relações amorosas: rupturas e elaborações]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this article is to reflect on the feelings that come out with the disruption of a loving relationship. We focused the losses effects of love for the woman in the place she occupies as mother and in face of complains to her partner. In such situations the passion becomes love perversion and the loss of the loved object resembles the loss of parts of herself, hindering the overcoming of pain. The theoretical contributions allow us to understand the conjugal dynamisms that take to the rupture of constructed relations according to the model of the infantile omnipotence narcissism, emphasizing the possibilities of elaboration or the aspects that make it impossible.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SE&Ccedil;&Atilde;O TEM&Aacute;TICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Rela&ccedil;&otilde;es amorosas: rupturas e elabora&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Loving relationships: ruptures and elaborations</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Lidia Levy<sup>I</sup>; Isabel Cristina Gomes<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Psicanalista; Professora PUC-Rio    <br> <sup>II</sup>Livre-Docente e Professora Associada IPUSP</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo deste artigo &eacute; refletir sobre os sentimentos que eclodem quando do rompimento de uma rela&ccedil;&atilde;o amorosa. Privilegiamos os efeitos da perda do amor para a mulher no lugar que ocupa como m&atilde;e e nas exig&ecirc;ncias feitas ao parceiro. Nesses casos a paix&atilde;o se torna pervers&atilde;o do amor e a perda do objeto amado assemelha-se &agrave; perda de partes de si, impedindo a supera&ccedil;&atilde;o da dor. As contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas nos permitem compreender os dinamismos conjugais que levam &agrave; ruptura de rela&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das segundo o modelo do narcisismo onipotente infantil, enfatizando-se as possibilidades de elabora&ccedil;&atilde;o ou os aspectos que a inviabilizam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> rela&ccedil;&atilde;o amorosa; amor; paix&atilde;o; elabora&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The aim of this article is to reflect on the feelings that come out with the disruption of a loving relationship. We focused the losses effects of love for the woman in the place she occupies as mother and in face of complains to her partner. In such situations the passion becomes love perversion and the loss of the loved object resembles the loss of parts of herself, hindering the overcoming of pain. The theoretical contributions allow us to understand the conjugal dynamisms that take to the rupture of constructed relations according to the model of the infantile omnipotence narcissism, emphasizing the possibilities of elaboration or the aspects that make it impossible.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> loving relationship; love; passion; elaboration.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rela&ccedil;&atilde;o conjugal &eacute; por vezes comparada a uma arena na qual o mundo interno de cada um &eacute; reencenado, onde necessidades e ansiedades se expressam na expectativa de respostas e solu&ccedil;&otilde;es. Fantasias inconscientes de cada membro do casal a respeito do funcionamento da conjugalidade e defesas compartilhadas possibilitam a tessitura de um la&ccedil;o atrav&eacute;s do qual pretendem responder &agrave;s necessidades do outro, assim como ter as suas igualmente atendidas. O amor &eacute; respons&aacute;vel pela ilus&atilde;o de encontrar, na realidade, o objeto do desejo supostamente capaz de reeditar o encontro m&iacute;tico com o objeto primordial. O desejo remete, portanto, ao objeto perdido e o amor constr&oacute;i ilus&otilde;es. O amor necessita que o objeto m&iacute;tico seja encarnado em uma pessoa e provoque a ilus&atilde;o de seu reencontro. Um interjogo fantasm&aacute;tico ocorre quando um parceiro corporifica o fantasma do outro, apresentando-se como o objeto que causa seu desejo (Levy &amp; Gomes, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio de um relacionamento amoroso, &eacute; comum que as qualidades do parceiro sejam amplificadas e se acredite poder modificar, durante o transcorrer do mesmo, as caracter&iacute;sticas que pare&ccedil;am indesej&aacute;veis. Rassial (2003) articula a paix&atilde;o &agrave; posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paranoide, considerando que, inicialmente, tudo de bom est&aacute; no outro e se espera corrigir o "pequeno defeito" que possa haver atrav&eacute;s do encontro amoroso. Em um segundo tempo, como na posi&ccedil;&atilde;o depressiva, em decorr&ecirc;ncia da reconcilia&ccedil;&atilde;o do bom e do mau objeto, o sujeito deve renunciar &agrave; possibilidade de que o outro seja totalmente bom. Assim &eacute; que, no come&ccedil;o, espera-se ficar com o bom e curar magicamente o que &eacute; inaceit&aacute;vel. Quando se constata que os aspectos bons e maus s&atilde;o indissoci&aacute;veis, &eacute; comum ocorrerem depress&atilde;o e movimentos que oscilam entre a regress&atilde;o e a imposi&ccedil;&atilde;o; ou seja, for&ccedil;ar o parceiro a cumprir o pacto e corresponder &agrave;s fantasias idealizadas do in&iacute;cio da rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante de uma crise, os sujeitos procuram neg&aacute;-la, evitando confrontar-se com poss&iacute;veis desilus&otilde;es. Verifica-se que alguns ideais que estiveram presentes na constru&ccedil;&atilde;o do la&ccedil;o conjugal foram atingidos, deixando-o vulner&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando um casal se separa, diferentes emo&ccedil;&otilde;es de intensidades diversas atingem ambos os c&ocirc;njuges. Lemaire (2005) constata que alguns sujeitos buscam desesperadamente manter o modelo fusional presente nas etapas precoces da vida em cada rela&ccedil;&atilde;o amorosa que estabelecem e ficam incapacitados de fazer um trabalho de luto ap&oacute;s seu rompimento. Quando isto ocorre, vivem a dor de uma ferida narc&iacute;sica e colocam em quest&atilde;o sua capacidade de ser amado, duvidando de seu pr&oacute;prio valor. O ressentimento e o &oacute;dio pela perda das ilus&otilde;es depositadas no casamento ou no parceiro provocam um desejo de aniquilar o outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por se sentirem tra&iacute;dos e humilhados, vemos ex-c&ocirc;njuges, nutrindo sentimentos de vingan&ccedil;a, alimentarem nos filhos rea&ccedil;&otilde;es de repulsa e &oacute;dio para com o outro pai. Nos tribunais, em a&ccedil;&otilde;es de div&oacute;rcio ou separa&ccedil;&atilde;o, tem sido comum encontrarmos um genitor tentando obstaculizar ou destruir os v&iacute;nculos do(s) filho(s) com o outro genitor, inexistindo motivos reais que o justifiquem. Este quadro, denominado de "aliena&ccedil;&atilde;o parental", exemplifica o que nos propomos discutir neste artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nosso objetivo &eacute; refletir sobre os sentimentos que eclodem quando do rompimento de uma rela&ccedil;&atilde;o amorosa. Inicialmente, privilegiamos o "enlouquecimento" da mulher pela perda do amor e como isto se reflete tanto no lugar que ocupa como m&atilde;e quanto nas exig&ecirc;ncias feitas ao parceiro. Entretanto, partimos da premissa de que o jogo relacional n&atilde;o &eacute; completamente definido por apenas um dos parceiros, h&aacute; sempre uma coprodu&ccedil;&atilde;o, h&aacute; uma aceita&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua dos pap&eacute;is assinalados para cada um no cen&aacute;rio de uma rela&ccedil;&atilde;o. Ambos validam as regras do jogo at&eacute; o momento em que um deles questiona seu lugar no desejo do outro e com isso gera uma crise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um segundo momento, tendo verificado a frequ&ecirc;ncia com que os sujeitos, mesmo ap&oacute;s uma separa&ccedil;&atilde;o, alimentam o ressentimento em rela&ccedil;&atilde;o ao ex-parceiro, comentamos os movimentos que possibilitam ou inviabilizam sua supera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MEDEIA E A F&Uacute;RIA NARC&Iacute;SICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ang&uacute;stia experimentada pela mulher n&atilde;o est&aacute; referida &agrave; perda real do objeto, mas &agrave; perda do amor por parte do objeto (Freud, &#91;1926&#93; 1969). Ampliando esta afirma&ccedil;&atilde;o, Ligeiro e Barros (2008) enfatizam que o medo de ser abandonada pelo parceiro e perder seu amor &eacute; uma invari&aacute;vel na vida ps&iacute;quica feminina. Para as autoras, enquanto o homem est&aacute; submetido &agrave; fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, nela encontrando um apoio para atravessar os momentos de ang&uacute;stia, a mulher experimenta uma esp&eacute;cie de dissolu&ccedil;&atilde;o de si, perdendo as fronteiras do seu ser. Diante de um n&atilde;o saber sobre a pr&oacute;pria feminilidade, a mulher tentar&aacute; fazer supl&ecirc;ncia a essa falta por meio do amor e buscar&aacute; exclusividade no desejo de um homem. Assim sendo, o amor, sobretudo a perda do amor, &eacute; por ela sentida como uma devasta&ccedil;&atilde;o. Ela se perde ao perder o amor do homem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Zalcberg (2008), a necessidade de amor e a total depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao amado v&atilde;o se impondo historicamente como constitutivos da identidade feminina. O culto ao amor permanece at&eacute; hoje, pois a sa&iacute;da pela vertente do "ter" n&atilde;o soluciona sua quest&atilde;o, na medida em que as conquistas f&aacute;licas obtidas pela mulher na atualidade n&atilde;o superam a pend&ecirc;ncia identificat&oacute;ria na ordem do "ser". A mulher precisa ser amada para "ser"; assim, sua feminilidade &eacute; definida atrav&eacute;s da parceria com um homem. Ao abdicar de sua pr&oacute;pria vida em favor do amado, torna maior sua exig&ecirc;ncia amorosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Santos e Sartori (2007), a mulher estar amando &eacute; um v&iacute;cio, de modo que amar demais, enlouquecer de amor &eacute; uma vicissitude comum na vida er&oacute;tica feminina. Em seu "enlouquecimento", exige do parceiro "provas de amor" que, por vezes, transcendem os limites da lei.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um "complexo de Medeia" (Depaulis, 2008) &eacute; identificado em processos ajuizados nas Varas de Fam&iacute;lia, revelando um n&uacute;mero crescente de mulheres que usam os filhos como uma arma para atingirem os ex-maridos. Quest&otilde;es mal resolvidas no processo de separa&ccedil;&atilde;o, a inveja, sentimentos de solid&atilde;o, o abandono, a viv&ecirc;ncia da trai&ccedil;&atilde;o, entre outras motiva&ccedil;&otilde;es, provocam a animosidade, liberam o &oacute;dio, a vontade de vingan&ccedil;a e provocam destrui&ccedil;&atilde;o. Lago e Bandeira (2009) destacam que, cego de raiva e animado por um esp&iacute;rito de vingan&ccedil;a, o genitor alienador apresenta-se como superprotetor em rela&ccedil;&atilde;o aos filhos e como v&iacute;tima de uma injusti&ccedil;a provocada pelo genitor alienado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mito de Medeia designa em Lacan (1966) a "verdadeira mulher", ou seja, aquela que coloca o amor de um homem acima da maternidade. Medeia est&aacute; entre as figuras m&iacute;ticas de mulheres que tudo sacrificaram em nome de sua exig&ecirc;ncia de amor por um homem. Para obter o amor de Jas&atilde;o n&atilde;o hesitou em perpetrar todo tipo de transgress&atilde;o, inclusive matar os pr&oacute;prios filhos. Zalcberg (2008) nos lembra que este &eacute; um personagem que, para Lacan, corresponde &agrave; "verdadeira mulher", porque para ela ser mulher era superior a ser m&atilde;e. Diante da trai&ccedil;&atilde;o do amado, visava despoj&aacute;-lo de tudo, matar os filhos que com ele tivera, feri-lo no que lhe era mais caro. A autora compara a mulher freudiana, essencialmente f&aacute;lica, visto o filho ter um valor de compensa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, com a mulher em Lacan, que escolhe ser mais mulher que m&atilde;e, relegando sua condi&ccedil;&atilde;o materna a um segundo plano. &Eacute; o amor e n&atilde;o a crian&ccedil;a que possui um valor f&aacute;lico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Schaffa (2009: 52) tamb&eacute;m prop&otilde;e uma releitura de Medeia, reconhecendo na hero&iacute;na de Eur&iacute;pedes "a menininha freudiana, atormentada pelas for&ccedil;as das mo&ccedil;&otilde;es pulsionais que, fora do recalcamento, se erguem frente &agrave;s amea&ccedil;as da perda de amor". Como vimos anteriormente, a mulher anseia que o homem lhe destine sua castra&ccedil;&atilde;o e lhe forne&ccedil;a provas de amor. Constatar que estas s&atilde;o oferecidas a outra mulher desperta emo&ccedil;&otilde;es que podem chegar ao extremo de um crime passional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Barros e Silva (2002) nos lembra que Freud utiliza o termo <i>Verliebtheit</i>, paix&atilde;o amorosa, para uma emo&ccedil;&atilde;o que domina o sujeito sem o controle da raz&atilde;o, podendo chegar ao excesso de uma transgress&atilde;o ou de uma pervers&atilde;o. J&aacute; que a paix&atilde;o encerra uma ilus&atilde;o de completude, sua poss&iacute;vel perda pode levar a passagens ao ato de diferentes graus de destrutividade. Zalcberg (2008: 146) comenta que: "Tanto na cl&iacute;nica como na vida cotidiana se constata a presen&ccedil;a de manifesta&ccedil;&otilde;es de excesso na dial&eacute;tica pulsional feminina e que se apresentam de modo inversamente proporcional a uma resolu&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neri (2007), realizando um trabalho em institui&ccedil;&atilde;o prisional de mulheres, teoriza sobre a rela&ccedil;&atilde;o do feminino com o crime passional. A autora observa que o amor, o ci&uacute;me, a vingan&ccedil;a s&atilde;o fatores recorrentes na delinqu&ecirc;ncia feminina. Uma das hip&oacute;teses para o crime passional &eacute; que ele &eacute; cometido como rea&ccedil;&atilde;o por aquele que sente o outro como seu objeto de posse quando este opta por romper a rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A no&ccedil;&atilde;o de f&uacute;ria narc&iacute;sica, tal como desenvolvida por Kohut (1979), pode nos ajudar a entender alguns casos de aliena&ccedil;&atilde;o parental. Indiv&iacute;duos narcisicamente vulner&aacute;veis s&atilde;o acometidos por um sentimento de f&uacute;ria quando o objeto deixa de viver de acordo com as expectativas a ele dirigidas. A f&uacute;ria narc&iacute;sica &eacute; uma resposta a uma ferida narc&iacute;sica real ou antecipada e pode tomar a forma de uma necessidade de vingan&ccedil;a, de reparar uma afronta, marcada por uma compuls&atilde;o inexor&aacute;vel de perseguir esses objetivos sem dar tr&eacute;gua &agrave;quele identificado como o ofensor. Diante de qualquer possibilidade de conquistas obtidas pelo outro, tomado como o inimigo a quem se precisa destruir, o sujeito busca faz&ecirc;-lo passar pelos mesmos sofrimento e humilha&ccedil;&atilde;o vividos quando da separa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ruptura de uma rela&ccedil;&atilde;o apoiada na expectativa de evitar o desamparo provoca intensa emo&ccedil;&atilde;o e uma tentativa de manter um r&iacute;gido controle sobre o outro, n&atilde;o reconhecido em sua alteridade. A irracionalidade da atitude vingativa deixa entrever uma agressividade arcaica. As contrariedades vividas na rela&ccedil;&atilde;o e ap&oacute;s sua dissolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o sentidas como feridas ao narcisismo do sujeito e n&atilde;o apenas como diferen&ccedil;as e frustra&ccedil;&otilde;es existentes em qualquer rela&ccedil;&atilde;o humana. Assim &eacute; que, para Kohut, o inimigo que desperta a f&uacute;ria arcaica &eacute; aquele que provoca falhas numa realidade narcisicamente percebida. Constatar que o outro &eacute; independente e est&aacute; conseguindo gerenciar sua vida ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o &eacute; experimentado como ofensivo por aqueles que t&ecirc;m intensas necessidades narc&iacute;sicas e depositaram no casamento seus anseios fusionais (Levy, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o, o indiv&iacute;duo com uma fragilidade narc&iacute;sica percebe o parceiro como indispens&aacute;vel ao seu equil&iacute;brio. Assim, sua escolha pode se dar numa perspectiva eminentemente defensiva, ou seja, sua presen&ccedil;a colabora na luta contra o retorno de uma parte recalcada do sujeito e, neste sentido, faz com que a rela&ccedil;&atilde;o torne-se r&iacute;gida. O outro, enquanto objeto a ser possu&iacute;do e controlado, transforma-se em traidor pelo simples fato de existir fora da rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a paix&atilde;o pode levar &agrave; transgress&atilde;o e ao descontrole dos crimes passionais, o "amor bandido", tema recorrente na m&iacute;dia e tamb&eacute;m da ordem da paix&atilde;o, aponta para uma exalta&ccedil;&atilde;o emocional intensa que toma a forma de uma compuls&atilde;o e pode conduzir a uma violenta passagem ao ato. O "amor bandido" se apresenta como uma estrutura aditiva e conduz o sujeito &agrave; servid&atilde;o. Ele revela uma ang&uacute;stia diante do desamparo primordial. A tentativa de encontrar um outro a quem se entregar, se oferecer em uma situa&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o, indica, por um lado, uma sa&iacute;da desesperada para evitar o desamparo. Por outro lado, revela o temor de uma viv&ecirc;ncia de devasta&ccedil;&atilde;o diante da possibilidade de perd&ecirc;-lo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A paix&atilde;o, enquanto uma forma patol&oacute;gica da vida amorosa caracterizada pela impossibilidade de coexist&ecirc;ncia das duas subjetividades, &eacute; entendida por Rocha (2002) como uma pervers&atilde;o do amor. Da mesma forma, Barros e Silva (2002) nos indica que a paix&atilde;o amorosa implica em uma emo&ccedil;&atilde;o que domina o sujeito, diante da qual n&atilde;o h&aacute; controle, podendo chegar ao excesso de uma transgress&atilde;o ou de uma pervers&atilde;o. Verifica-se, nestas situa&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o se est&aacute; mais na ordem do desejo, mas na ordem da necessidade, ou seja, necessidade de fazer perdurar a rela&ccedil;&atilde;o arcaica de fus&atilde;o e de submiss&atilde;o &agrave;s figuras parentais tidas como onipotentes. Se o objeto da paix&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio, a rela&ccedil;&atilde;o revela seu car&aacute;ter imperioso, pr&oacute;ximo &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es aditivas. Neste sentido, o objeto &eacute; sentido como insubstitu&iacute;vel, e sua perda implicaria no aniquilamento do sujeito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Aulagnier (1990), a atra&ccedil;&atilde;o particular que a paix&atilde;o exerce sobre a mulher pode servir-lhe de porta de entrada no registro da pervers&atilde;o. Os argumentos de que toda paix&atilde;o &eacute; uma pervers&atilde;o e de que a mulher alimenta o sonho de se tornar objeto de paix&atilde;o, se tornar uma exig&ecirc;ncia vital para o desejo do outro, n&atilde;o bastam para falar de pervers&atilde;o, mas indicam a via pela qual o desejo pode perverter-se.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O amor bandido &eacute; da ordem da paix&atilde;o; paix&atilde;o articulada topicamente ao ego ideal, portanto funcionando a partir das leis do processo ps&iacute;quico prim&aacute;rio. O apaixonado projeta no objeto de sua paix&atilde;o o ego ideal, forjado segundo o modelo onipotente do narcisismo infantil. Lembremos que o amor prim&aacute;rio &eacute; selvagem, quer devorar, possuir, controlar o objeto, negar qualquer diferen&ccedil;a. Ao mesmo tempo, a plenitude do narcisismo prim&aacute;rio exerce um fasc&iacute;nio, uma atra&ccedil;&atilde;o irresist&iacute;vel. Ilus&atilde;o de plenitude a ser reassegurada em um movimento compulsivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESSENTIMENTO, LUTO E REPARA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tomando de empr&eacute;stimo as palavras de Khel (2004), entendemos o ressentido como algu&eacute;m que busca alcan&ccedil;ar um efeito retroativo sobre a passagem do tempo e anular a constata&ccedil;&atilde;o da evid&ecirc;ncia da falta no campo do Outro. O ressentido n&atilde;o reconhece sua responsabilidade no fato do qual se queixa, n&atilde;o admite ser deslocado do lugar de v&iacute;tima para implicar-se no que o faz sofrer. Ele mant&eacute;m uma atitude amarga diante da vida e, preso ao passado, permanece impossibilitado de super&aacute;-lo. Segundo Khel, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer que o ressentido tenha perdido um objeto, o que ele perdeu foi um lugar, um lugar que julga ser seu de direito. O que ele reivindica &eacute; o reconhecimento de um suposto valor ou o exerc&iacute;cio de um direito do qual acredita ter sido privado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Andrade (2009) indica que a destitui&ccedil;&atilde;o de valor do objeto amoroso parece ser fundamental para que os sujeitos em lit&iacute;gio possam efetuar um desinvestimento afetivo no ex-parceiro da rela&ccedil;&atilde;o amorosa anteriormente vivida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud (&#91;1917&#93; 1969), objetivando diferenciar o luto da melancolia, afirma que esta &uacute;ltima se constitui como rea&ccedil;&atilde;o a uma perda de natureza mais ideal que ocorre n&atilde;o apenas pela morte de um objeto amado. Ilustra tal perda com a situa&ccedil;&atilde;o de uma noiva que tenha sido abandonada e, mesmo sabendo quem perdeu, n&atilde;o sabe o que perdeu nesse algu&eacute;m. No caso do melanc&oacute;lico, uma exacerbada autocr&iacute;tica &eacute; constatada, pois este se degrada perante todos e dirige a si pr&oacute;prio uma s&eacute;rie de acusa&ccedil;&otilde;es. Freud constata que uma parte de seu ego volta-se contra a outra, por&eacute;m as autorrecrimina&ccedil;&otilde;es s&atilde;o, de fato, recrimina&ccedil;&otilde;es feitas ao objeto amado, deslocadas deste para o ego do sujeito. Incapacitado de fazer trabalho de luto, o sujeito repete de forma infind&aacute;vel os ataques a sua pr&oacute;pria pessoa. Levanta-se a hip&oacute;tese de que a escolha objetal tenha sido efetuada numa base narcisista, o que leva Freud a afirmar (&#91;1927&#93; 1969: 284): "Se o amor pelo objeto - um amor que n&atilde;o pode ser renunciado, embora o pr&oacute;prio amor o seja - se refugiar na identifica&ccedil;&atilde;o narcisista, ent&atilde;o o &oacute;dio entra em a&ccedil;&atilde;o nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfa&ccedil;&atilde;o s&aacute;dica de seu sofrimento".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A melancolia indica que um trabalho de luto n&atilde;o p&ocirc;de ser feito, ou seja, a libido n&atilde;o foi retirada do objeto amado, o que impede qualquer outro investimento libidinal. Guardadas as devidas propor&ccedil;&otilde;es, percebemos que tamb&eacute;m os sujeitos em lit&iacute;gios mantidos durante anos n&atilde;o conseguem realizar um trabalho de elabora&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, n&atilde;o conseguem desinvestir o ex-parceiro e a ele (n&atilde;o ao pr&oacute;prio ego) dirigem seu &oacute;dio, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfa&ccedil;&atilde;o s&aacute;dica de seu sofrimento. Percebemos ainda que, ao projetarem no ex-parceiro a causa de todo seu sofrimento, n&atilde;o se responsabilizam por sua pr&oacute;pria participa&ccedil;&atilde;o no conflito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pinheiro, Jord&atilde;o e Martins (1998) estudam a no&ccedil;&atilde;o de perd&atilde;o, um tema at&eacute; ent&atilde;o pr&oacute;ximo ao universo religioso, mas que, segundo os autores, ultrapassa a l&oacute;gica da repara&ccedil;&atilde;o e tem uma afinidade com o trabalho anal&iacute;tico. Perdoar, para estes autores, n&atilde;o &eacute; hom&oacute;logo a se reconciliar nem significa esquecer, pois implica em se desobrigar de permanecer numa determinada posi&ccedil;&atilde;o. Implica o reconhecimento do pr&oacute;prio desamparo e o do outro e, sendo isso "da ordem do humano, poder sair do crivo uniformizador narc&iacute;sico, abrindo m&atilde;o da onipot&ecirc;ncia" (Pinheiro, Jord&atilde;o &amp; Martins, 1998: 170).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partindo de outra vertente te&oacute;rica, a articula&ccedil;&atilde;o de momentos cr&iacute;ticos de um casamento com a posi&ccedil;&atilde;o depressiva kleiniana, como visto anteriormente no texto de Rassial (2003), tamb&eacute;m permite pensar nos caminhos diante de perdas amorosas. A onipot&ecirc;ncia conferida pelo encontro amoroso num primeiro momento come&ccedil;a a ser questionada e o "bom objeto" revela-se com seus "maus aspectos". A ansiedade de perder o objeto amado aumenta a avidez e as cobran&ccedil;as. Quando a ansiedade &eacute; suprema, o ego tende a negar as situa&ccedil;&otilde;es que a geram. Inicia-se um processo no qual se procura controlar o objeto de amor, ao mesmo tempo que o sujeito se confronta com a possibilidade de "danific&aacute;-lo". Espera-se que, gradualmente, seja poss&iacute;vel uma atitude mais realista diante da frustra&ccedil;&atilde;o. Enfim, crises s&atilde;o esperadas e necess&aacute;rias no processo de matura&ccedil;&atilde;o, quando o sujeito deveria ser capaz de reparar internamente o objeto danificado pelos seus ataques de &oacute;dio. N&atilde;o se trata de reparar por meio de uma nova rela&ccedil;&atilde;o ou de um recasamento, pois, assim fazendo, o sujeito geralmente se defronta com um novo fracasso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A capacidade de repara&ccedil;&atilde;o depende, segundo Cleavely (1994), da maturidade dos sujeitos e de sua possibilidade de separar os conflitos relativos a seus mundos internos dos conflitos decorrentes de experi&ecirc;ncias compartilhadas. Neste sentido, a ruptura da rela&ccedil;&atilde;o poder&aacute; gerar solu&ccedil;&otilde;es criativas em lugar de intensificar movimentos destrutivos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Iniciamos este artigo abordando a paix&atilde;o que leva algumas mulheres &agrave; pervers&atilde;o do amor, seja ele de natureza conjugal ou parental. Se a mulher precisa ser amada para "ser", a falta de amor do parceiro e o rompimento da rela&ccedil;&atilde;o provocam rea&ccedil;&otilde;es de intensa carga destrutiva. A personifica&ccedil;&atilde;o de Medeia em crimes passionais e em processos tramitando em Varas de Fam&iacute;lia ilustra seu "enlouquecimento" diante da perda do amor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vimos, em seguida, algumas contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que nos ajudam a compreender o caminho para a supera&ccedil;&atilde;o das dores de amor e de uma separa&ccedil;&atilde;o conjugal e aspectos que a inviabilizam. Freud, em "Luto e melancolia" (&#91;1917&#93; 1969), indica a necessidade de um tempo determinado para o trabalho de luto ser conclu&iacute;do e o ego se ver novamente livre e desinibido para novas investidas libidinais. O desinvestimento amoroso sobre o ex-parceiro se faz concomitantemente com a recupera&ccedil;&atilde;o das partes de si que foram projetadas no outro; e isso s&oacute; pode vir acompanhado por uma possibilidade de integra&ccedil;&atilde;o egoica de cada um dos envolvidos, o que significa quebrar com a idealiza&ccedil;&atilde;o do modelo fusional de relacionamento. Com isto, a energia libidinal pode ser direcionada para novos objetos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ruptura de uma rela&ccedil;&atilde;o amorosa demanda um trabalho ps&iacute;quico, a travessia de um processo de luto, no qual quest&otilde;es referentes &agrave; subjetividade de cada parceiro precisam ser elaboradas. A dificuldade de superar o ressentimento decorrente do t&eacute;rmino de uma rela&ccedil;&atilde;o amorosa, principalmente nas rela&ccedil;&otilde;es fusionais, confirma novamente a indiferencia&ccedil;&atilde;o eu/outro e a perda vivida como uma perda de si mesmo. O ego ideal projetado no outro como tentativa de evitar a ang&uacute;stia do desamparo e recriar o estado de onipot&ecirc;ncia infantil provoca o aprisionamento do parceiro, que deixa de ser considerado em sua alteridade. A rela&ccedil;&atilde;o se mant&eacute;m enquanto ambos correspondem ao que deles se espera e &eacute; amea&ccedil;ada quando a ilus&atilde;o se rompe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concluindo, em diversas situa&ccedil;&otilde;es observamos que a incapacidade de elaborar a ferida narc&iacute;sica decorrente do fim da rela&ccedil;&atilde;o dificulta que cada parceiro assuma sua parte de responsabilidade na hist&oacute;ria que vinha sendo conjuntamente escrita. A dor s&oacute; pode ser vivida pela "culpabiliza&ccedil;&atilde;o" do outro, cada um assumindo posi&ccedil;&otilde;es extremadas, preso a uma l&oacute;gica bin&aacute;ria na qual s&oacute; existem o bom e o mau, o inocente e o culpado, a v&iacute;tima e o algoz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Andrade, C. R. (2009). Os lit&iacute;gios conjugais &agrave; luz da psican&aacute;lise: da repeti&ccedil;&atilde;o sintom&aacute;tica &agrave; responsabiliza&ccedil;&atilde;o subjetiva na pr&aacute;tica da media&ccedil;&atilde;o de conflitos. Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado) defendida na PUC-Minas, Belo Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447546&pid=S0101-4838201100010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aulagnier, P. (1990). Observa&ccedil;&otilde;es sobre a feminilidade e suas transforma&ccedil;&otilde;es. In: Clavreuil, J. (org.). <i>O desejo e a pervers&atilde;o</i> (pp. 67-111). S&atilde;o Paulo: Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447548&pid=S0101-4838201100010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Barros e Silva, M. H. (2002). <i>A paix&atilde;o silenciosa: uma leitura psicanal&iacute;tica sobre as paix&otilde;es amorosa</i>s. S&atilde;o Paulo: Escuta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447550&pid=S0101-4838201100010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cleavely, E. (1994). Relationships: interaction, defences, and transformation. In: Ruszczynski, S. (org.). <i>Psychotherapy with couples: theory and practice at the Tavistock Institute of Marital Studies</i> (pp. 55-69). 2ªed. London: Karnac Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447552&pid=S0101-4838201100010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depaulis, A. (2008). <i>Le complexe de M&eacute;d&eacute;e. Quand une m&egrave;re prive le p&egrave;re de ses enfants</i>. Leuven: DeBoeck Universit&eacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447554&pid=S0101-4838201100010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1917/1969). Luto e melancolia. <i>Obras completas, ESB</i>, v. XIV. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447556&pid=S0101-4838201100010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1926/1969). Inibi&ccedil;&otilde;es, sintomas e ang&uacute;stia. <i>Obras completas, ESB</i>, v. XX. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447558&pid=S0101-4838201100010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Khel, M. R. (2004). <i>Ressentimento</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447560&pid=S0101-4838201100010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kohut, H. (1979). Thoughts on narcissism and narcissistic rage. In: Kohut, H. <i>The search for the self: selected writings of Heinz Kohut</i>, v. 2 (pp. 615-658). New York: International Universities Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447562&pid=S0101-4838201100010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1966).  <i>&Eacute;crits</i>. Paris: Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447564&pid=S0101-4838201100010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lago, V. M. &amp; Bandeira, D. R. (2009). A psicologia e as demandas atuais do Direito de Fam&iacute;lia. <i>Psicologia, Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o, 29</i>(2), 290-305.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447566&pid=S0101-4838201100010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lemaire, J.-G. (2005). <i>Comment faire avec la passion</i>. Paris: Payot &amp; Rivages.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447568&pid=S0101-4838201100010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Levy, L. &amp; Gomes, I. C. (2010). Casamentos e recasamentos: diferentes tempos de um encontro amoroso. <i>Cadernos de Psican&aacute;lise - SPCRJ, 26</i>(29), 19-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447570&pid=S0101-4838201100010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Levy, L. (2011). A vingan&ccedil;a ser&aacute; maligna: um estudo sobre a aliena&ccedil;&atilde;o parental. In: F&eacute;res-Carneiro, T. (org.). <i>Casal e fam&iacute;lia: conjugalidade, parentalidade e psicoterapia</i> (pp. 95-106). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447572&pid=S0101-4838201100010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ligeiro, V. M. &amp; Barros, R. M. M. (2008). Viol&ecirc;ncia e poder: repercuss&otilde;es no feminino - A viol&ecirc;ncia do abandono na mulher. &lt;<a href="http://www.fundamentalpsychopathology.org/8_cong_anais/MR_395a.pdf" target="_blank">www.fundamentalpsychopathology.org/8_cong_anais/MR_395a.pdf</a>&gt;. Acessado em janeiro de 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447574&pid=S0101-4838201100010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neri, H. (2007). O feminino e o crime passional. <i>Psican&aacute;lise & Barroco - Revista de Psican&aacute;lise, 5</i>(2), 7-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447576&pid=S0101-4838201100010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pinheiro, T.; Jord&atilde;o, A. &amp; Martins, K. (1998). A certeza de si e o ato de perdoar. <i>Cadernos de Psican&aacute;lise</i> - <i>SPCRJ, 14</i>(17), 160-175.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447578&pid=S0101-4838201100010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rassial, J. J. (2003). Do amor que n&atilde;o seja semblante. <i>Revista da Associa&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica de Curitiba, 7</i>(7), 68-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447580&pid=S0101-4838201100010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rocha, Z. (2002). <i>A paix&atilde;o silenciosa: uma leitura psicanal&iacute;tica sobre as paix&otilde;es amorosas.</i> S&atilde;o Paulo: Escuta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447582&pid=S0101-4838201100010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Santos, T. C. &amp; Sartori, A. P. (2007). Loucos de amor! Neuroses narc&iacute;sicas, melancolia e erotomania feminina. <i>Tempo Psicanal&iacute;tico, 39</i>, 13-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447584&pid=S0101-4838201100010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Schaffa, S. (2009). Medeia, o feminino. <i>Jornal de Psican&aacute;lise, 42</i>(76), 51-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447586&pid=S0101-4838201100010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Zalcberg, M. (2008). <i>Amor paix&atilde;o feminina</i>. Rio de Janeiro: Elsevier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4447588&pid=S0101-4838201100010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em abril de 2011    <br> Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em maio de 2011</font></p>      ]]></body>
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