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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper is a study on the delirium and the artwork of Bispo do Rosario as ways to treat the Real, solutions that the subject might find when confronted with whatever seems to be inapprehensible. From the interviews made with the artist himself and the reading of his artworks, we propose a new approach to delirium, based on another inter pretation of Bispo's mission. Understanding this mission as the representation of "different materials existing on Earth for the use of humans", it was possible to highlight the address of this artwork not only towards God, as it is usually described, but also towards human beings. By highlighting the mundane destination of the objects he created, we demonstrate the ways through which his works acted as a supplement strategy of the delirium, allowing better possibilities of social bond. Far from reducing this artwork to delirium, we will aim at the complexity which defines the connection between them, in the specific case of Bispo do Rosario.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bispo do Rosario e a representa&ccedil;&atilde;o dos materiais existentes na Terra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bispo do Rosario and the representation of the materials on Earth</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Flavia dos Santos Corpas<sup>I</sup>; Marcus Andr&eacute; Vieira<sup>II</sup> </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Psicanalista; curadora de artes visuais e documentarista; doutoranda e bolsista da CAPES no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Cl&iacute;nica da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)    <br>   <sup>II</sup>Psicanalista; Prof. Dr. Adjunto do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Cl&iacute;nica da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); Doutor pela Universit&eacute; de Paris VIII, Fran&ccedil;a</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este trabalho aborda o del&iacute;rio e a obra de Bispo do Rosario como formas de tratamento do Real na psicose, solu&ccedil;&otilde;es encontradas pelo sujeito diante daquilo que &eacute; inapreens&iacute;vel. A partir de entrevistas concedidas pelo artista e da leitura de seus trabalhos, propomos um novo enfoque sobre o del&iacute;rio, baseado em outra leitura da miss&atilde;o que Bispo afirmava ter. Entendendo esta como a representa&ccedil;&atilde;o dos "materiais existentes na Terra para o uso do homem" &eacute; poss&iacute;vel destacar o endere&ccedil;amento desta obra tamb&eacute;m para os homens e n&atilde;o somente para Deus, como &eacute; comumente interpretada. Ao ressaltarmos o destino tamb&eacute;m mundano de seus objetos, demonstramos de que maneira esta obra funcionou para Bispo como estrat&eacute;gia suplementar ao del&iacute;rio, permitindo a ele maiores possibilidades no la&ccedil;o social. Longe de reduzir a obra ao del&iacute;rio, visamos apontar a complexidade que marca a rela&ccedil;&atilde;o entre eles no caso espec&iacute;fico de Bispo do Rosario.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Bispo do Rosario; arte; psicose; met&aacute;fora delirante.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This paper is a study on the delirium and the artwork of Bispo do Rosario as ways to treat the Real, solutions that the subject might find when confronted with whatever seems to be inapprehensible. From the interviews made with the artist himself and the reading of his artworks, we propose a new approach to delirium, based on another inter  pretation of Bispo's mission. Understanding this mission as the representation of "different materials existing on Earth for the use of humans", it was possible to highlight the address of this artwork not only towards God, as it is usually described, but also towards human beings. By highlighting the mundane destination of the objects he created, we demonstrate the ways through which his works acted as a supplement strategy of the delirium, allowing better possibilities of social bond. Far from reducing this artwork to delirium, we will aim at the complexity which defines the connection between them, in the specific case of Bispo do Rosario. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Bispo do Rosario; art; psychosis; delirious metaphor. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AO P&Eacute; DA LETRA: A MISS&Atilde;O COMO REPRESENTA&Ccedil;&Atilde;O </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quem foi Arthur Bispo do Rosario? Artista? Louco? Ou Jesus Cristo, tal como ele se dizia, guiado por seu del&iacute;rio? Bispo do Rosario n&atilde;o se considerava nem artista, nem louco. Ele acreditava ser Jesus e ter uma miss&atilde;o na Terra - fundamental na incans&aacute;vel produ&ccedil;&atilde;o de objetos que vieram a constituir sua obra. Sua cren&ccedil;a delirante, entretanto, n&atilde;o impediu que estes objetos, criados ao longo de v&aacute;rios anos de trabalho e interna&ccedil;&atilde;o, fossem considerados arte; uma das mais importantes, surpreendentes e debatidas cole&ccedil;&otilde;es de arte brasileira do s&eacute;culo XX.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo consta frequentemente na literatura sobre o artista, sua miss&atilde;o era reconstruir o mundo para mostr&aacute;-lo a Deus no dia do Ju&iacute;zo Final. Trata-se, contudo, de uma interpreta&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o ao que movia Bispo, elaborada pelos primeiros profissionais que se dedicaram &agrave; sua obra - Hidalgo (1996), Morais (1989b) e Quinet (1997) - e reproduzida, posteriormente, por muitos outros autores. Proporemos, neste texto, uma leitura distinta da miss&atilde;o de Bispo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Buscando ter sempre em mente a advert&ecirc;ncia de Lacan quanto ao que ouvimos do sujeito na psicose, aquele que chamamos louco, tomaremos "ao p&eacute; da letra" (Lacan, 1955-1956/1988: 235) o que Bispo nos conta. Recorremos a fontes distintas: &agrave;s obras de Bispo do Rosario, aos filmes de Hugo Denizart (1982) e Fernando Gabeira (1985) e &agrave; entrevista feita pela assistente social Concei&ccedil;&atilde;o Robaina (1988). Atrav&eacute;s de depoimentos gravados ou de escritos bordados em suas obras, Bispo nos conta sobre sua identidade messi&acirc;nica, adotada a partir de 1938, e sobre sua miss&atilde;o, recebida, provavelmente, em 1967 (Morais, 1989b).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Duas passagens sintetizam a rela&ccedil;&atilde;o de Bispo com sua miss&atilde;o delirante. Para Robaina (1988), Bispo revelou que sua miss&atilde;o implicava o ato de "representar":</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>Robaina: <i>O senhor pode me falar dessa miss&atilde;o?</i></p>       <p>Bispo: <i>Minha miss&atilde;o &eacute; essa, &eacute; conseguir isto, o que eu tenho para no di a  pr&oacute;ximo, eu representar a exist&ecirc;ncia da Terra que ta&iacute;, tudo que eu fiz . </i></p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No filme de Denizart (1982), o artista fala sobre esta <i>representa&ccedil;&atilde;o</i>:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bispo: <i>Esse &eacute; material usado na Terra pro uso do homem que eu  represento.</i></p>       <p>Denizart: <i>E essas miniaturas s&atilde;o representa&ccedil;&otilde;es?</i></p>       <p>Bispo: &Eacute; o material existente na Terra do uso do homem.</p>       <p>Denizart: <i>E uma representa&ccedil;&atilde;o de tudo o que existe na Terra?</i></p>       <p>Bispo: &Eacute;, s&atilde;o trabalhos que existe.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A miss&atilde;o de Bispo era, portanto, representar "os materiais existentes na Terra para o uso do homem"<a name="1b"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a>. Neste contexto, o que seria "representar"? No senso comum, "representa&ccedil;&atilde;o" tende a remeter &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <i>mimesis</i>, ou seja, de imita&ccedil;&atilde;o. Superpor esta significa&ccedil;&atilde;o ao que visa Bispo com sua miss&atilde;o poderia ensejar interpreta&ccedil;&otilde;es redutoras, esvaziando seu car&aacute;ter de cria&ccedil;&atilde;o e inven&ccedil;&atilde;o (Miller, 2003). De fato, seus objetos n&atilde;o eram reprodu&ccedil;&otilde;es, mas verdadeiras recria&ccedil;&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es, como as vitrines que acumulavam objetos industrializados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, longe de afian&ccedil;ar leituras da obra de Bispo como de um "copiador" de imagens e objetos, consideramos que vale explorar a singularidade e originalidade que o termo <i>representa&ccedil;&atilde;o</i> comporta no discurso do artista, dando a ele um lugar central. Privilegiaremos este termo, na express&atilde;o "representar" os materiais existentes no mundo, em toda sua polissemia, em lugar de "reconstruir" o mundo ou de "apresent&aacute;-lo" a Deus. Trata-se de trazer para primeiro plano o significante produzido pelo pr&oacute;prio Bispo, como uma das formas de fazer valer a advert&ecirc;ncia lacaniana anteriormente aludida e trabalhar seus desdobramentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de "reconstru&ccedil;&atilde;o" n&atilde;o ser um termo do artista n&atilde;o impediria, necessariamente, sua utiliza&ccedil;&atilde;o<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a>. &Eacute; poss&iacute;vel pensar que a no&ccedil;&atilde;o de reconstru&ccedil;&atilde;o poderia at&eacute; mesmo evitar o tipo de imbr&oacute;glio sem&acirc;ntico acima referido, na medida em que porta o car&aacute;ter de inven&ccedil;&atilde;o j&aacute; citado e afasta a ideia da representa&ccedil;&atilde;o como reprodu&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria do objeto em quest&atilde;o. Sua desvantagem &eacute; que, pelo uso que dele foi feito, tal termo ficou aderido &agrave; ideia de que esta produ&ccedil;&atilde;o era endere&ccedil;ada somente a Deus, o que acabou obscurecendo outra caracter&iacute;stica fundamental: Bispo tamb&eacute;m produzia seus objetos visando os homens na Terra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfatizar este endere&ccedil;amento permite destacar uma caracter&iacute;stica essencial da intensa produ&ccedil;&atilde;o de objetos realizada por Bispo: a de que ela j&aacute; nascia em um campo de rela&ccedil;&otilde;es humanas, envolvendo de forma intr&iacute;nseca o meio em que eram gerados, o que muito provavelmente contribuiu para a acolhida de sua produ&ccedil;&atilde;o por parte da cr&iacute;tica no campo da arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale repetir: "representa&ccedil;&atilde;o" no discurso de Bispo deve ser tomada com &ecirc;nfase em sua singularidade (Miller, 2003). Ser Jesus Cristo e representar os materiais existentes na Terra implicava em uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es e medidas que se definem tanto em seus efeitos sobre Deus quanto sobre os homens<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a>. Esta dimens&atilde;o convoca um destino mundano ao fazer incans&aacute;vel do artista, que &eacute; essencial para a produ&ccedil;&atilde;o dos objetos que lhe deram um lugar no mundo e no campo da arte.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No escopo deste artigo, a &ecirc;nfase recair&aacute; sobre os aspectos desta miss&atilde;o dita delirante pela tradi&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica, envolvendo uma cosmologia imagin&aacute;ria que reconstitui uma nova realidade na qual a identidade do delirante &eacute; redefinida (Schneider, 1978). N&atilde;o discutiremos em nenhum momento se o del&iacute;rio &eacute; ou n&atilde;o patologia, pois partiremos do postulado freudiano de que o del&iacute;rio &eacute; sempre uma produ&ccedil;&atilde;o do sujeito, ou, em seus termos, uma "tentativa de cura" (Freud, 1924/1977), que como tal deve ser acolhida, mesmo que trabalhemos para que o sujeito encontre um caminho condizente com uma vida reconhecida e aceita pela comunidade em que se insere (Vieira, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nossa hip&oacute;tese &eacute; a de que, por ter sido incapaz de estabelecer um del&iacute;rio est&aacute;vel unicamente por meio desta recria&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria de si, Bispo recorreu &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de objetos que vinham sustent&aacute;-lo. &Eacute; o que se pode evidenciar a partir da sua ambival&ecirc;ncia quanto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre sua identidade como Jesus e o mundo dos homens<a name="4b"></a><a href="#4a"><sup>4</sup></a>. Embora Bispo tenha afirmado esta identidade por mais de 50 anos, ainda assim ele precisava que os homens o reconhecessem como Jesus. Os objetos constru&iacute;dos, as roupas bordadas ajudariam Bispo a ser reconhecido por eles no dia de sua apresenta&ccedil;&atilde;o. "Ningu&eacute;m pode encontrar a Cristo, agora vai encontrar porque eu vou me apresentar" (Denizart, 1982). Tal como no Apocalipse, a miss&atilde;o de Bispo parece ser uma revela&ccedil;&atilde;o para os homens ditada por Deus<a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a>. Os testes que fazia toda vez que algu&eacute;m queria ver suas obras eram tamb&eacute;m uma forma de medir seu reconhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tudo isso parece fazer da obra uma estrat&eacute;gia suplementar ao del&iacute;rio, aspecto que iremos explorar neste artigo. Isso n&atilde;o significa que estejamos afirmando que a obra se reduza ao del&iacute;rio, mas sim que h&aacute; articula&ccedil;&otilde;es entre eles. Como indicaremos, de forma breve, no final deste trabalho, a cria&ccedil;&atilde;o de objetos sustenta para o artista algo al&eacute;m da identidade delirante. Embora n&atilde;o seja nosso objetivo tratar aqui de tal dimens&atilde;o, &eacute; preciso ao menos indic&aacute;-la, pois ela sustenta a complexidade que marca a rela&ccedil;&atilde;o entre del&iacute;rio e obra em Bispo do Rosario<a name="6b"></a><a href="#6a"><sup>6</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BREVE RECAPITULA&Ccedil;&Atilde;O DA ABORDAGEM LACANIANA DA PSICOSE </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o das psicoses sempre foi do interesse de Lacan, desde sua tese de doutorado at&eacute; o final de seu ensino. Isso porque, para Lacan, era poss&iacute;vel aprender com a psicose; os psic&oacute;ticos ensinam algo aos analistas (Laurent, 2000; Vieira, 2007), assim como o fazem tamb&eacute;m os artistas (Brousse, 2008a; Lacan, 1965/2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O extenso percurso de Lacan com as psicoses rendeu uma rica abordagem que oferece diferentes ferramentas no trabalho com a loucura. Neste artigo, partiremos daquilo que o psicanalista desenvolveu em fun&ccedil;&atilde;o de sua retomada do cl&aacute;ssico estudo de Freud sobre a psicose. &Eacute; a partir do caso do presidente Schreber (Freud, 1911/1977) que Lacan tratar&aacute; da psicose em seu <i>Semin&aacute;rio 3</i> (1955-1956/1988), dedicando-se a pensar a fun&ccedil;&atilde;o do del&iacute;rio nesta estrutura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para compreender a teoria das psicoses em Lacan, &eacute; preciso, antes, retomar suas elabora&ccedil;&otilde;es a respeito da neurose. Tendo extra&iacute;do do texto freudiano a no&ccedil;&atilde;o de recalque, Lacan desenvolve os conceitos-chave para a reflex&atilde;o sobre as neuroses - o complexo de &Eacute;dipo e castra&ccedil;&atilde;o - a partir de outro conceito cunhado por ele: o Nome-do-Pai. Com isso retira do Complexo de &Eacute;dipo freudiano a import&acirc;ncia do progenitor masculino para nele destacar uma determinada fun&ccedil;&atilde;o do Pai, nomeada por ele como o Nome-do-Pai (Lacan, 1953/1988).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O &Eacute;dipo freudiano &eacute; retomado por Lacan (1957-1958/1999) como momento estruturante para o sujeito. Ele traduziria o fato de que boa parte dos seres falantes deve se estruturar na vida a partir do encontro com um enigma, chamado de desejo do Outro: o que esse Outro, da cultura, por exemplo, no qual sou mergulhado, e onde devo vir a ser, quer de mim? Aqueles ditos neur&oacute;ticos responder&atilde;o a esta pergunta com uma estrat&eacute;gia peculiar. Assumem que h&aacute; uma resposta ao enigma do desejo do Outro, encarnado como o desejo da m&atilde;e, e que a chave deste segredo encontra-se em poder do pai<a name="7b"></a><a href="#7a"><sup>7</sup></a> . Deste modo, a &ecirc;nfase se desloca: da satisfa&ccedil;&atilde;o que a presen&ccedil;a da m&atilde;e lhe proporciona para a m&atilde;e em si, e da m&atilde;e para o pai como capaz de definir as idas e vindas deste objeto primordial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, o Desejo da M&atilde;e como inc&oacute;gnita &eacute; substitu&iacute;do pelo Nome-do-Pai, instaurando o que Lacan denomina "significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica", que ordena o campo da linguagem. Esta opera&ccedil;&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o que articula o &Eacute;dipo &eacute; chamada por Lacan de met&aacute;fora paterna (Lacan, 1957-1958/1999). Quanto &agrave; significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, ela nada mais &eacute; do que uma "significa&ccedil;&atilde;o de significa&ccedil;&atilde;o" (Lacan, 1957-1958/1988: 545), uma suposi&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; algum sentido no enigma que nos determina, h&aacute; alguma l&oacute;gica no caos incerto do que s&atilde;o as nossas vidas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, a met&aacute;fora paterna concede ao neur&oacute;tico a possibilidade de uma certeza vazia, f&eacute; na ordem sustentada pelo pai, mesmo que essa ordem seja suposta, e n&atilde;o definida (Lacan, 1957-1958/1988). J&aacute; na psicose, Lacan sustentou a ideia de que o Nome-do-Pai n&atilde;o viria prover o Desejo da M&atilde;e da significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, ocorrendo o que chamou "foraclus&atilde;o" (Lacan, 1957-1958/1988) do Nome-do-Pai. No lugar da met&aacute;fora paterna, caracter&iacute;stica da neurose, haveria outras formas de posicionamento do psic&oacute;tico diante daquilo que no Outro &eacute; fora do sentido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu sentido mais geral, tanto neur&oacute;tico quanto psic&oacute;tico ou outros, Lacan reserva para o termo sujeito a seguinte defini&ccedil;&atilde;o: "aquilo que pode ser representado por um significante para outro significante" (Lacan, 1968-1969/2008: 21). O sujeito, como nome do mais &iacute;ntimo de si, se localiza no espa&ccedil;o entre significantes, pois s&atilde;o estes significantes de que disp&otilde;e o Outro para nome&aacute;-lo. A fra&ccedil;&atilde;o de seu ser que n&atilde;o encontra lugar na nomea&ccedil;&atilde;o do Outro s&oacute; poderia se aninhar em seus intervalos, sendo este espa&ccedil;o um vazio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso da paranoia, a rela&ccedil;&atilde;o entre os significante mais &iacute;ntimos da rede de significa&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em uma identidade ser&aacute; ocupada por uma hol&oacute;frase, ou seja, uma sequ&ecirc;ncia de ideias que, amarradas de modo r&iacute;gido, sem espa&ccedil;os, sustentam a verdade fundamental sobre o enigma do desejo do Outro. &Eacute; o que Lacan nomeia, a partir de Cl&eacute;rambault, de postulado fundamental do del&iacute;rio (Lacan, 1964/1988). No lugar do vazio, que determinaria o sujeito, vem uma constru&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;pria do que seria o sentido maior do universo, um postulado (Vieira, 2011). O importante &eacute; frisar que esta formula&ccedil;&atilde;o &eacute; plena e n&atilde;o vazia. Ela &eacute; o que vem no lugar do incerto da vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, &eacute; comum nos casos de paranoia que o psic&oacute;tico n&atilde;o viva sua experi&ecirc;ncia como vazio indefinido, mas sim como uma certeza. O que se constitui nesta opera&ccedil;&atilde;o &eacute; um ego r&iacute;gido, n&atilde;o mais male&aacute;vel, tal qual o de Schreber (Freud, 1911/1977) ao adotar a identidade de "mulher de Deus". N&atilde;o estamos dizendo com isso que n&atilde;o haja sujeito na psicose, mas sim que o funcionamento no campo da linguagem est&aacute; ordenado de tal forma que o vazio que determina o sujeito precisa ser cavado, extra&iacute;do. &Eacute; preciso instituir aquilo que Lacan (1955-1956/1988) definiu como "ponto de basta" e Laurent (2008) chamou de pausa. A pausa introduz para o sujeito a possibilidade de "retornar sobre os significantes, isol&aacute;-los, separ&aacute;-los da cadeia, coloc&aacute;-los destacados da cadeia de significantes" (Laurent, 2008: 18), garantindo, assim, um espa&ccedil;o na hol&oacute;frase que antes determinava o sujeito psic&oacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Lacan (1957-1958/1988), a eclos&atilde;o do quadro cl&iacute;nico caracter&iacute;stico da psicose, seus sintomas ditos "produtivos", alucina&ccedil;&atilde;o e del&iacute;rio, por exemplo, se d&aacute;, justamente, devido ao fato de o sujeito ser chamado a responder a um chamado indefin&iacute;vel do Outro, que n&atilde;o pode ser respondido com as identifica&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias que via de regra nos permitem seguir pela vida agindo como os outros - um chamado que exija a significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, ou seja, que o sujeito sustente sua resposta apenas na cren&ccedil;a de que h&aacute; resposta, tal como Schreber teria necessitado quando de sua nomea&ccedil;&atilde;o, pelo Imperador, para a corte de apela&ccedil;&atilde;o de Dresden.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como a significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica est&aacute; foraclu&iacute;da para este sujeito, d&aacute;-se in&iacute;cio &agrave; cascata de remanejamentos dos significantes-mestre de sua hist&oacute;ria - de onde prov&eacute;m o desastre crescente em suas rela&ccedil;&otilde;es, at&eacute; que, diz Lacan "seja alcan&ccedil;ado o n&iacute;vel em que o significante e significado se estabilizam na met&aacute;fora delirante" (Lacan, 1957-1958/1988: 584). A met&aacute;fora delirante seria o pr&oacute;prio postulado holofr&aacute;sico, por exemplo, como o "ser a mulher de Deus" em Schreber; seria um tipo de resposta do sujeito diante do fato de n&atilde;o ter nada em que se apoiar, tal como a significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica provinda da met&aacute;fora paterna na neurose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, na psicose, quando o sujeito &eacute; solicitado a responder ou a agir em situa&ccedil;&otilde;es onde n&atilde;o h&aacute; como contar com o imagin&aacute;rio, algo em que se mirar, haveria uma "cat&aacute;strofe subjetiva". Diante desta cat&aacute;strofe, ou mesmo antes dela, alguns sujeitos poder&atilde;o formular algumas sa&iacute;das subjetivas poss&iacute;veis. Assim, no lugar da met&aacute;fora paterna, o sujeito poderia recorrer ao ato, &agrave; met&aacute;fora delirante ou &agrave; obra (Soler, 1989) como possibilidades de tr&acirc;nsito no campo do Outro. No caso de Bispo, o del&iacute;rio foi, durante algum tempo, uma sa&iacute;da encontrada. Entretanto, o artista acaba por lan&ccedil;ar m&atilde;o de outra solu&ccedil;&atilde;o: a constru&ccedil;&atilde;o de objetos, sua obra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O DEL&Iacute;RIO EM BISPO DO ROSARIO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bispo recebeu, em 1938, o diagn&oacute;stico de esquizofrenia-paranoide (Morais, 1989b). O del&iacute;rio apresentado por ele foi, provavelmente, o principal fator para a defini&ccedil;&atilde;o de tal diagn&oacute;stico. A esquizofrenia-paranoide equivalia, naquela &eacute;poca, na tradi&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica francesa, ao que Lacan chamava de paranoia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, veremos que, apesar de Bispo ter se organizado segundo uma refer&ecirc;ncia delirante, seu del&iacute;rio nunca foi organizado e generalizado; al&eacute;m disso, fen&ocirc;menos corporais estavam presentes, permitindo supor que, apesar de paranoico, ele n&atilde;o era um paranoico t&iacute;pico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora a hist&oacute;ria contada por Bispo n&atilde;o revele um fato desencadeador preciso, sabemos, por meio de declara&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio e de suas obras, que, na noite 22 dezembro de 1938, Bispo parece ter experimentado uma alucina&ccedil;&atilde;o. Ele relata que sete anjos desceram dos c&eacute;us, deixando-o no quintal de sua casa em Botafogo<a name="8b"></a><a href="#8a"><sup>8</sup></a>. A partir deste momento, passa a se intitular Jesus Cristo, o que nunca mais mudar&aacute;, muito embora, como veremos mais &agrave; frente, haja uma ambival&ecirc;ncia de Bispo em rela&ccedil;&atilde;o a esta identidade e a necessidade de sua confirma&ccedil;&atilde;o pelo Outro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Parece bastante plaus&iacute;vel supor que neste momento, em torno dos 29 anos, eclodiram as manifesta&ccedil;&otilde;es patentes de uma psicose. Bispo passa a sustentar que &eacute; Jesus e que veio ao mundo para julgar os vivos e os mortos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bispo havia sido marinheiro, entretanto foi desligado da institui&ccedil;&atilde;o em 1933, por indisciplina (Marinha do Brasil, 1925-1933)<a name="9b"></a><a href="#9a"><sup>9</sup></a>. Seis meses depois de sair da Marinha, emprega-se como lavador na companhia da Light. Embora promovido a vulcanizador, &eacute; demitido, "por n&atilde;o cumprir ordem da chefia", em 23 de fevereiro de 1937, um ano ap&oacute;s ter sofrido um acidente de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse mesmo ano, Bispo passa a trabalhar como faxineiro e encarregado de servi&ccedil;os gerais na casa do advogado carioca Jos&eacute; Maria Leone, na Rua S&atilde;o Clemente, 301, Botafogo. L&aacute; se torna um fiel e resignado empregado, pronto a atender todas as ordens dos patr&otilde;es. Recusava-se a receber dinheiro, queria apenas casa e comida. Segundo Leone (Morais, 1989a), o &uacute;nico aspecto de Bispo que chamava aten&ccedil;&atilde;o era seu excesso de humildade diante dos patr&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As hist&oacute;rias encontradas nos registros da Marinha e da Light descrevem Bispo como um sujeito indisciplinado e insubordinado. Sabemos como as for&ccedil;as armadas e a sociedade em geral, do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, podem ter sido preconceituosas com um sujeito negro e nordestino, que parecia ter vontade pr&oacute;pria e n&atilde;o querer se deixar explorar. Seria a hip&oacute;tese da segrega&ccedil;&atilde;o suficiente para explicar sua inadapta&ccedil;&atilde;o &agrave; hierarquia? Mas o que dizer sobre como, ao come&ccedil;ar a trabalhar para os Leone, Bispo se torna um sujeito extremamente servil? O que teria acontecido com ele, a que se deveu tal mudan&ccedil;a?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sabemos que Leone defendeu os interesses de Bispo em um acordo com a Light, e que, um tempo depois, eclodiram os sintomas de sua psicose. Podemos supor o in&iacute;cio do desencadeamento como correlato do ganho obtido no acordo com a Light e de sua rela&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia Leone. H&aacute; uma mudan&ccedil;a representativa no comportamento de Bispo, al&eacute;m do que os aspectos de seu del&iacute;rio j&aacute; se mostram, nesta mesma &eacute;poca, em sua ideia de que Jos&eacute; Maria Leone seria Deus, Humberto Leone, filho de Jos&eacute; Maria, seria Jesus e Bispo do Rosario seria S&atilde;o Jos&eacute; (Morais, 1989a).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos supor que, antes de sua primeira interna&ccedil;&atilde;o, este arranjo delirante feito com a fam&iacute;lia Leone teve efeito sobre Bispo, mantendo-o, sem maiores problemas no la&ccedil;o social e evitando o que chamamos de "surto", o desencadeamento de sua psicose. Todavia, isso n&atilde;o parece ter sido suficiente, pois, em 22 de dezembro de 1938, Bispo tem a vis&atilde;o de 7 anjos azuis e a revela&ccedil;&atilde;o de que ele &eacute; o filho de Deus. Ele sai, ent&atilde;o, em peregrina&ccedil;&atilde;o pelas ruas do Rio de Janeiro rumo a uma igreja, no intuito de se apresentar como Jesus Cristo. Da igreja &eacute; enviado para o Hosp&iacute;cio Nacional de Alienados, na Praia Vermelha.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de ent&atilde;o, Bispo assume a identidade de Jesus, passando a afirmar que, atrav&eacute;s de suas a&ccedil;&otilde;es, a Terra seria arrasada em fogo, depois novamente reconstru&iacute;da e os homens, os vivos e os mortos, seriam julgados. Apenas as pessoas escolhidas por ele retornariam para habitar um novo mundo, feito de ouro, prata e brilhante, todo plano, sem abismos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No document&aacute;rio <i>O prisioneiro da passagem</i> (Denizart, 1982), Bispo revela ao diretor que &eacute; Jesus e descreve os inevit&aacute;veis acontecimentos aos quais a Terra e os homens seriam submetidos. Bispo nomeou tais acontecimentos como o dia de sua apresenta&ccedil;&atilde;o. Ele usou tamb&eacute;m as palavras <i>representa&ccedil;&atilde;o</i> e <i>transforma&ccedil;&atilde;o</i> como formas de falar deste dia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A identidade messi&acirc;nica assumida por Bispo parece tamb&eacute;m ter tido, durante algum tempo, efeito estabilizador, entendido aqui como aquilo que "localize a ang&uacute;stia e, com isso, reduza seu n&iacute;vel e, assim, favore&ccedil;a a vida e as rela&ccedil;&otilde;es" (Garcia, 2011: 19). Entre os anos 1940 e 1960, mesmo acreditando ser Jesus Cristo, ele saiu da Col&ocirc;nia por alguns per&iacute;odos, tendo exercido diferentes fun&ccedil;&otilde;es profissionais, contando sempre com a acolhida da fam&iacute;lia Leone, que n&atilde;o contrariava a ideia de Bispo de que ele era um ser m&iacute;stico (Hidalgo, 1996). O artista oscilava momentos de instabilidade e equil&iacute;brio, sempre mantendo a ideia de ser o Cristo. At&eacute; que em 1964, ap&oacute;s vir apresentando ideias extremamente r&iacute;gidas, sobretudo quanto ao comportamento feminino, Bispo &eacute; convidado, por um m&eacute;dico da Col&ocirc;nia, amigo de seu patr&atilde;o na &eacute;poca, a retornar ao hospital. O artista concorda e permanecer&aacute; l&aacute; at&eacute; sua morte em 1989.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Morais (1989b), foi ao retornar para Col&ocirc;nia que Bispo recebeu, provavelmente no ano de 1967, em uma das celas do hosp&iacute;cio, a sua miss&atilde;o: ele ouve uma voz que lhe ordena "representar a exist&ecirc;ncia da Terra" (Robaina, 1988).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CRISTO, PARA ALGUNS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora o artista tenha sustentado sua identidade messi&acirc;nica durante a maior parte de sua vida, Bispo sabia que algumas pessoas n&atilde;o o reconheciam como Jesus. Em muitos dos objetos produzidos por Bispo - como por exemplo seus fich&aacute;rios - o artista registrava os nomes das pessoas que ele conhecia e que o reconheciam como Jesus. Eram os eleitos que iriam retornar para viver no novo reino de Bispo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; fundamental observar que o artista revela, em v&aacute;rios trechos de <i>O prisioneiro da passagem</i>, que tudo o que ele diz e faz &eacute; "pra quem enxerga, quem conhece", &eacute; para quem o reconhece, &eacute; "pra quem &eacute; meu", ele afirma. Quando o diretor pergunta a Bispo se ele vai se transformar em Jesus Cristo, o artista responde: "Ah, n&atilde;o vou me transformar n&atilde;o, rapaz, voc&ecirc; est&aacute; falando com ele... mas pra quem enxerga, pra quem n&atilde;o enxerga n&atilde;o d&aacute; p&eacute;" (Denizart, 1982).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artista tinha formas de testar esse reconhecimento pelo Outro, como a c&eacute;lebre pergunta "qual a cor de minha aura?" (Hidalgo, 2011; Magalh&atilde;es, s/d.). Eram eleitas as pessoas que diziam ver a cor de sua aura ou, segundo outro teste, aquelas que diziam ver uma cruz marcada em suas costas ou ainda quem simplesmente concordasse com ele, quando ele dizia ser Jesus. Ao que tudo indica, no primeiro teste a cor em si n&atilde;o interessava, parecia n&atilde;o haver uma cor certa, o que faz pensar que o realmente importante era se a pessoa dizia ver sua aura, ou seja, se o reconheciam como Jesus. Nos fich&aacute;rios onde registrava os nomes das pessoas que o reconheciam, h&aacute; tamb&eacute;m a cor vista, que era vari&aacute;vel. O registro da cor atribu&iacute;da, veremos adiante, pode ser pensado como a prova deste reconhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bispo admitia: algumas pessoas n&atilde;o o viam como Jesus Cristo. Quando duvidavam disso, como acontecia, o artista se mostrava muito contrariado, tendo atitudes que surpreendiam (Hidalgo, 2011). Havia em Bispo uma oscila&ccedil;&atilde;o entre a necessidade de confirma&ccedil;&atilde;o da identidade de Cristo ou n&atilde;o. Seu comportamento diante das respostas negativas dos outros, sua necessidade de impor &agrave;s pessoas o teste da cor, ou outros que comprovassem que ele era reconhecido como Jesus, e at&eacute; mesmo pelo fato de ele admitir que algumas pessoas n&atilde;o o reconheciam como tal sustentam essa hip&oacute;tese. &Agrave;s vezes ele precisava de uma garantia de reconhecimento que deveria vir do Outro, que neste caso n&atilde;o era Deus, mas sim os homens.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>UM LUGAR NA CULTURA </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora possamos falar que o del&iacute;rio concedeu a Bispo, durante um per&iacute;odo de sua vida, alguma estabilidade, n&atilde;o podemos afirmar que este del&iacute;rio fosse baseado em uma certeza inabal&aacute;vel, em um ego r&iacute;gido, que nos permita falar no estabelecimento de uma met&aacute;fora delirante, como o que ocorreu no caso Schreber.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A no&ccedil;&atilde;o de met&aacute;fora delirante implica em uma ordena&ccedil;&atilde;o do mundo fundada em uma significa&ccedil;&atilde;o fixa. Na psicose o sujeito &eacute; acometido por uma conjun&ccedil;&atilde;o de significados. Os elementos dessa met&aacute;fora valem mais pela significa&ccedil;&atilde;o que ela sustenta, por exemplo, "mulher de Deus", do que pelas variadas possibilidades de significado que possuem em seu uso comum. Esse postulado, nas palavras de Cl&eacute;rambault, se apoia nos sentidos disponibilizados pela cultura, como Jesus Cristo, em alguns casos, mas dar&aacute; a eles um sentido fixo, que cristaliza as leituras poss&iacute;veis para os enigmas do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, no caso de Bispo, aquilo que promove uma ancoragem entre os nomes e o Real (Vieira, 2011), esse ponto de basta aludido por Lacan (1955-1956/1988), n&atilde;o p&ocirc;de advir de forma metaf&oacute;rica no interior do del&iacute;rio, &iacute;ndice para Lacan de uma sa&iacute;da imagin&aacute;ria constru&iacute;da como forma de lidar com o Real imposs&iacute;vel de representar. N&atilde;o foi atrav&eacute;s da assun&ccedil;&atilde;o da identidade de Jesus Cristo constru&iacute;da como certeza inabal&aacute;vel que Bispo estabeleceu sua forma singular de caber no mundo. Dada a instabilidade do del&iacute;rio, os objetos produzidos pelo artista vieram a se constituir como alternativa a esta sa&iacute;da. Isso n&atilde;o significa dizer que a obra venha no lugar do del&iacute;rio. Assim sendo, qual a natureza da articula&ccedil;&atilde;o entre eles?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o poderemos, no &acirc;mbito deste artigo, desenvolver nossa hip&oacute;tese, apenas assinal&aacute;-la &agrave; guisa de conclus&atilde;o com base em um exemplo: j&aacute; c&eacute;lebre, o artista seleciona o texto da publicidade de uma nova edi&ccedil;&atilde;o da b&iacute;blia publicada na revista <i>Veja</i> e o borda em uma de suas obras afirmando que aquela, dentre tantas mat&eacute;rias j&aacute; feitas sobre ele, era a &uacute;nica "reportagem" que importava. Este exemplo destaca como parece haver a necessidade de produzir um objeto que ateste o reconhecimento que em seu del&iacute;rio seria advindo deste an&uacute;ncio. &Eacute; o que realizaria o bordar do texto da revista. Essa produ&ccedil;&atilde;o por&eacute;m, mais do que pedir reconhecimento, o produz. Esse gesto art&iacute;stico parece complementar e estabilizar sua vers&atilde;o delirante de si, n&atilde;o tanto pelo reconhecimento direto dos homens, mas pelo reconhecimento de sua produ&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o estamos dizendo que Bispo "no fundo" visava reconhecimento, como se essa fosse a inten&ccedil;&atilde;o que presidisse seu gesto, mas sim que - afastada a ideia de que deveria necessariamente haver uma inten&ccedil;&atilde;o a presidir a cria&ccedil;&atilde;o do que quer que seja (Lacan, 1962-1963/2005; Miller, 2005) - a presen&ccedil;a n&atilde;o apenas de Deus, mas igualmente dos homens como "interlocutores" de seu del&iacute;rio inseriam, de sa&iacute;da, a si mesmo e a sua produ&ccedil;&atilde;o em seu meio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deste modo, se, por um lado, o del&iacute;rio parece justificar e comandar a obra, por outro, esta obra estabiliza o del&iacute;rio, d&aacute; a Bispo outra possibilidade de tr&acirc;nsito na cultura, acrescentando-lhe um <i>plus </i>de la&ccedil;o social. A constru&ccedil;&atilde;o desta obra sustentou uma nova forma de rela&ccedil;&atilde;o de Bispo com o Outro social, que pode ser pensada, por exemplo, a partir do v&iacute;nculo que ele veio a estabelecer com pacientes, familiares e funcion&aacute;rios como forma de viabilizar sua obra. A obra estabiliza o del&iacute;rio e, ao fazer isso, cria tamb&eacute;m algo a mais, engendra uma vida a partir dela mesma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, os objetos criados por Bispo produziram ainda outro efeito, a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia do artista, como tal, na cultura, o que nos permite falar de uma autonomia da obra em rela&ccedil;&atilde;o ao del&iacute;rio, ainda que o del&iacute;rio fa&ccedil;a parte desta configura&ccedil;&atilde;o, o que institui diferentes tem&aacute;ticas para a reflex&atilde;o, dentre as quais aquelas que justificam o interesse da psican&aacute;lise pela arte. &Eacute; esta obra que cava um lugar na cultura para Bispo, permitindo a ele se constituir como sujeito e tamb&eacute;m lhe dando um nome na hist&oacute;ria.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Brousse, M. H. (2008a). Confer&ecirc;ncias de Marie-H&eacute;l&egrave;ne Brousse. <i>Arquivos da Biblioteca, 5</i>,15-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453553&pid=S0101-4838201200020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Brousse, M. H. (2008b). O objeto de arte na &eacute;poca do fim do belo: do objeto ao abjeto. <i>Op&ccedil;&atilde;o lacaniana, 52</i>,173-177.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453555&pid=S0101-4838201200020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Brousse, M. H. (2010). Quando os artistas ensinam os psicanalistas ou um tratamento do mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o pela ironia. <i>Carta de S&atilde;o Paulo, 3</i>,27-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453557&pid=S0101-4838201200020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Denizart, H. (1982). <i>O prisioneiro da passagem</i>. DVD (30'22''). son., color. M&eacute;dia-metragem.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453559&pid=S0101-4838201200020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1911/1977). Notas psicanal&iacute;ticas sobre um relato autobiogr&aacute;fico de um caso de paran&oacute;ia. <i>Obras completas, ESB</i>, v. XIV. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453561&pid=S0101-4838201200020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Freud, S. (1924/1977). Neurose e psicose. <i>Obras completas, ESB</i>, v. XIX. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453563&pid=S0101-4838201200020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gabeira, F. (1985). S&eacute;rie V&iacute;deo-Cartas: O bispo. DVD. (09'08''). son., color. Curta-metragem.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453565&pid=S0101-4838201200020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Garcia, M. (2011). &Iacute;ndice tem&aacute;tico sobre a estabiliza&ccedil;&atilde;o em Lacan. In: <i>Caminhos de estabiliza&ccedil;&atilde;o na psicose</i> (pp. 17-21). Rio de Janeiro: ICP-RJ/Subverso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453567&pid=S0101-4838201200020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hidalgo, L. (1996). <i>Arthur Bispo do Ros&aacute;rio: o senhor do labirinto</i>. Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453569&pid=S0101-4838201200020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hidalgo, L. (2011). <i>Arthur Bispo do Ros&aacute;rio: o senhor do labirinto</i>. Rio de Janeiro: Rocco. Edi&ccedil;&atilde;o revista.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453571&pid=S0101-4838201200020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1953/1998). Fun&ccedil;&atilde;o e campo da fala e da linguagem. <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453573&pid=S0101-4838201200020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1955-1956/1988). <i>O semin&aacute;rio, livro 3:as psicoses</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453575&pid=S0101-4838201200020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1957-1958/1988). De uma quest&atilde;o preliminar a todo tratamento poss&iacute;vel da psicose. <i>Escritos.</i> Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453577&pid=S0101-4838201200020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1957-1958/1999). <i>O semin&aacute;rio, livro 5:as forma&ccedil;&otilde;es do inconsciente</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453579&pid=S0101-4838201200020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1962-1963/2005). <i>O semin&aacute;rio, livro 10: a ang&uacute;stia</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453581&pid=S0101-4838201200020001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1964/1988). <i>O semin&aacute;rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453583&pid=S0101-4838201200020001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1965/2003). Homenagem a Marguerite Duras pelo arrebatamento de Lol V. Stein. <i>Outros escritos</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453585&pid=S0101-4838201200020001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1968-1969/2008). <i>O semin&aacute;rio, livro 16:de um Outro ao outro</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453587&pid=S0101-4838201200020001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lacan, J. (1969-1970/1992). <i>O semin&aacute;rio, livro 17:o avesso da psican&aacute;lise</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453589&pid=S0101-4838201200020001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Laurent, E. (2000). H&aacute; algo de novo nas psicoses. <i>Curinga, 14</i>,152-163.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453591&pid=S0101-4838201200020001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Laurent, E. (2008). Interpretar a psicose no cotidiano. <i>Entrev&aacute;rios ,2</i>,9-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453593&pid=S0101-4838201200020001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Magalh&atilde;es, R. M. (s/d.). <i>Relat&oacute;rio de est&aacute;gio</i>. Mimeo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453595&pid=S0101-4838201200020001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MARINHA DO BRASIL. (1925-1933). Caderneta de registro de Arthur Bispo do Rosario, pp. 29-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453597&pid=S0101-4838201200020001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Miller, J.-A. (2003). A inven&ccedil;&atilde;o psic&oacute;tica. <i>Op&ccedil;&atilde;o Lacaniana, 36</i>,6-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453599&pid=S0101-4838201200020001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Miller, J.-A. (2005). Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; leitura do Semin&aacute;rio da Ang&uacute;stia de Jacques Lacan. <i>Op&ccedil;&atilde;o Lacaniana, 43</i>,7-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453601&pid=S0101-4838201200020001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Morais, F. (1989a). <i>Entrevista com Humberto Leone</i>. 19 de outubro de 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453603&pid=S0101-4838201200020001000026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Morais, F. (1989b). A reconstru&ccedil;&atilde;o do universo segundo Arthur Bispo do Rosario. In: <i>Cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o Registros de minha passagem pela Terra</i>. Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453605&pid=S0101-4838201200020001000027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Morais, F. (1990). Uma biografia em curso. In: <i>Cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o Registros de minha passagem pela Terra</i>. S&atilde;o Paulo: MAC/USP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453607&pid=S0101-4838201200020001000028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quinet, A. (1997). Bispo, o entalhador de letras: cria&ccedil;&atilde;o e sintoma. In: <i>Teoria e cl&iacute;nica da psicose</i> (pp. 220-238). Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453609&pid=S0101-4838201200020001000029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Robaina, C. (1988). <i>Entrevista de Bispo a Concei&ccedil;&atilde;o Robaina</i>. Mimeo. Dispon&iacute;vel no Museu Bispo do Ros&aacute;rio Arte Contempor&acirc;nea.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453611&pid=S0101-4838201200020001000030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Schneider, K. (1978). <i>Psicopatologia cl&iacute;nica</i>. S&atilde;o Paulo: Mestre Jou.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453613&pid=S0101-4838201200020001000031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soler, C. (1989). <i>El trabajo de la psicosis: estudios sobre las psicosis</i>. Buenos Aires: Manantial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453615&pid=S0101-4838201200020001000032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vieira, M. A. (2007). <i>Li&ccedil;&otilde;es da psicose</i>. Rio de Janeiro. In&eacute;dito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453617&pid=S0101-4838201200020001000033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vieira, M. A. (2011). Estabilizar? In: <i>Caminhos de estabiliza&ccedil;&atilde;o na psicose</i> (pp. 135-139). Rio de Janeiro: ICP-RJ/Subverso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4453619&pid=S0101-4838201200020001000034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b"><sup>1</sup></a> Esta mesma vers&atilde;o da miss&atilde;o foi registrada ainda no relat&oacute;rio de Rosangela Maria Magalh&atilde;es, que atendeu Bispo do Rosario entre 1981 e 1983, quando esta era estagi&aacute;ria de psicologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2a"></a><a href="#2b"><sup>2</sup></a> Se pensarmos na rela&ccedil;&atilde;o entre representa&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o em termos de S1, significante-mestre a partir do qual todas as poss&iacute;veis significa&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o surgir, e S2, as poss&iacute;veis significa&ccedil;&otilde;es (Lacan, 1969-1970/1992), podemos dizer que a representa&ccedil;&atilde;o &eacute; o S1, enquanto a reconstru&ccedil;&atilde;o &eacute; um S2. Mas n&atilde;o &eacute; um S2 de Bispo do Rosario, mas sim produzido por aqueles que fizeram leituras de suas obras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3a"></a><a href="#3b"><sup>3</sup></a> Este endere&ccedil;amento aos homens pode ser pensado ainda em articula&ccedil;&atilde;o com outras quest&otilde;es como, por exemplo, a autonomia da obra em rela&ccedil;&atilde;o ao del&iacute;rio e a abordagem da obra enquanto letra, problem&aacute;ticas que pretendemos retomar em outras oportunidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="4a"></a><a href="#4b"><sup>4</sup></a> A rela&ccedil;&atilde;o que Bispo estabeleceu com Ros&acirc;ngela Maria Magalh&atilde;es tamb&eacute;m nos permite pensar no endere&ccedil;amento de Bispo aos homens.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="5a"></a><a href="#5b"><sup>5</sup></a> S&atilde;o ineg&aacute;veis as semelhan&ccedil;as entre o discurso de Bispo e as imagens fornecidas ao longo de todo o texto do Apocalipse, no Novo Testamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="6a"></a><a href="#6b"><sup>6</sup></a> Ao propormos tal articula&ccedil;&atilde;o estamos interessados em pensar as fun&ccedil;&otilde;es do del&iacute;rio e da obra como sa&iacute;das encontradas por Bispo diante do mal-estar que o encontro com o Real implicou para este sujeito. Trata-se de aprender com o artista sobre a psicose. Por outro lado, sabemos tamb&eacute;m que a obra de Bispo pode nos ensinar ainda sobre outras tem&aacute;ticas que justificam o recorrente encontro e interesse m&uacute;tuo entre arte e psican&aacute;lise nos dias atuais, como nos indicam as investiga&ccedil;&otilde;es de Marie-H&eacute;l&egrave;ne Brousse (2008a, 2008b, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="7a"></a><a href="#7b"><sup>7</sup></a> Para todo ser falante, a quest&atilde;o do Desejo da M&atilde;e &eacute; um enigma que precisa ser equacionado. O Desejo da M&atilde;e &eacute; o termo utilizado por Lacan para sintetizar o desamparo freudiano, outras vezes traduzido como falta-a-ser. O fato de sermos seres lan&ccedil;ados no mundo sem que o plano de nossas exist&ecirc;ncias esteja escrito em nossos genes exige que os sujeitos construam as formas como v&atilde;o se posicionar diante dos enigmas que estar no mundo nos demanda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="8a"></a><a href="#8b"><sup>8</sup></a> Esta descri&ccedil;&atilde;o foi retirada do depoimento de Bispo do Rosario para Hugo Denizart (1982) no filme <i>O prisioneiro da passagem</i> e de uma de suas obras, intitulada postumamente como "Eu preciso destas palavras. Escrita". Hidalgo (1996) e Morais (1990) nos d&atilde;o outra vers&atilde;o, de que Bispo do Rosario teria visto Jesus Cristo descer no quintal de sua casa. Parece-nos que a diferen&ccedil;a entre as vers&otilde;es se justifica pelo fato de Bispo do Rosario falar de sua vida e experi&ecirc;ncias tanto na primeira pessoa do singular quanto na terceira, fen&ocirc;meno comum nas psicoses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="9a"></a><a href="#9b"><sup>9</sup></a> Consta que Bispo do Rosario teria sido boxeador e que a Marinha era contra esta sua atividade (Robaina, 1988), por isso ele teria sido preso por insubordina&ccedil;&atilde;o e considerado indisciplinado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em 03 de agosto de 2012    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em 17 de setembro de 2012</font></p>      ]]></body>
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