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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O músico já nasce músico?: No litoral de música e psicanálise: questões]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Is the musician already born as such?: In the littoral of music and psychoanalysis: questions]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The author proposes in the present article, to discuss questions relating to music and to the development of musical aptitude, from the psychoanalytical view point, trying to answer some questions, such as: is the musician born as musician? What is the relation between the unconscious subject and his/her desire in musical creation? What is the relation between the subject fantasy (love-desire-enjoyment) and the subject´s creative musical act?]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O m&uacute;sico j&aacute; nasce m&uacute;sico? No litoral de m&uacute;sica e psican&aacute;lise:  quest&otilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Is the musician already born as such? In the littoral of music and psychoanalysis:    questions </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Messias Eust&aacute;quio Chaves</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#cor">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O autor prop&otilde;e, no presente artigo, discutir quest&otilde;es relativas    &agrave; m&uacute;sica e ao desenvolvimento da aptid&atilde;o musical, a partir    da teoria psicanal&iacute;tica, buscando responder a algumas perguntas, tais    como: o m&uacute;sico j&aacute; nasce m&uacute;sico? Qual a rela&ccedil;&atilde;o    do sujeito do inconsciente e de seu desejo com a cria&ccedil;&atilde;o musical?    Qual a rela&ccedil;&atilde;o da fantasia do sujeito (amor &#8211; desejo &#8211;    gozo) com o ato criativo musical do sujeito? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b>    Sujeito, Inconsciente, Desejo, Linguagem, M&uacute;sica.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Abstract</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The author proposes in the present article, to discuss questions relating to    music and to the development of musical aptitude, from the psychoanalytical    view point, trying to answer some questions, such as: is the musician born as    musician? What is the relation between the unconscious subject and his/her desire    in musical creation? What is the relation between the subject fantasy (love-desire-enjoyment)    and the subject&acute;s creative musical act?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords: </b>Subject, Unconscious, Desire, Language, Music. </font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A express&atilde;o &#8220;o m&uacute;sico j&aacute; nasce m&uacute;sico&#8221;    tornou-se conhecida e circula entre pessoas diferentes, em lugares diferentes,    em momentos diferentes, em &eacute;pocas diferentes. Parece um aforismo, soa    como uma frase musical de tr&ecirc;s compassos e produz uma dupla interroga&ccedil;&atilde;o:    trata-se de uma verdade absoluta ou da verdade de uma met&aacute;fora? A resposta    a essa pergunta, pela via da psican&aacute;lise, aponta para a exist&ecirc;ncia    de verdades metaf&oacute;ricas, inventadas e inscritas pelo simb&oacute;lico.    A verdade &eacute; sempre uma meia-verdade. A verdade absoluta, aquela que seria    do real, se ela existe, ela &eacute; inating&iacute;vel, inapreens&iacute;vel,    indiz&iacute;vel, incalcul&aacute;vel, imposs&iacute;vel de ser atingida e enunciada    como tal, em forma absoluta, pois todo &#8220;cientista&#8221; &eacute; antes    de tudo sujeito e, para a psican&aacute;lise, o sujeito &eacute; dividido, barrado    em sua subjetividade, em seu desejo, em sua intelig&ecirc;ncia, mesmo que seja    uma &#8220;mente brilhante&#8221;. A este real, cuja fun&ccedil;&atilde;o principal    &eacute; escapar de uma captura subjetiva, conseguimos abord&aacute;-lo, arranhando-o    com letras, fonemas, s&iacute;labas, palavras, transformando estes pedacinhos    de real em signos, em significantes, construindo o campo simb&oacute;lico da    linguagem, da representa&ccedil;&atilde;o, do sentido e da ordem cultural, no    campo dos seres falantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dizer algo como arranhar o real, esfacel&aacute;-lo, cort&aacute;-lo com dentes    e garras, pis&aacute;-lo e deixar marcas &#8211; men&ccedil;&otilde;es &agrave;    pr&eacute;-hist&oacute;ria humana, &agrave; entrada do homem na linguagem &#8211;,    s&atilde;o met&aacute;foras, tentativas de, pelo menos, poder dizer, apreendendo-o,    a este real, com ideias e pensamentos, com as fantasias e o fazer art&iacute;stico,    criando uma pintura, uma escultura, um texto, um poema, uma pe&ccedil;a teatral,    uma pe&ccedil;a musical, um filme. Enfim, as artes t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o    important&iacute;ssima na constru&ccedil;&atilde;o da cultura humana, de expressar    dizendo ou de dizer expressando (como na &oacute;pera, no teatro, no cinema)    o que &eacute; poss&iacute;vel de dizer desse real, desde sempre enigm&aacute;tico,    fugidio. A m&uacute;sica, por sua caracter&iacute;stica &eacute; &#8211; de    todas as artes, e para muitos autores &#8211;, a mais complexa e mais enigm&aacute;tica.    Ela nos traz quest&otilde;es &#8211; interessantes, profundas, instigantes &#8211;    que nos convidam &agrave; pesquisa, ao estudo e &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o    de um discurso que d&ecirc; conta de formular hip&oacute;teses na busca da constru&ccedil;&atilde;o    de um saber sobre o homem e seu inconsciente e, em seu inconsciente, o sujeito,    a fantasia e o desejo desse sujeito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; pelo menos uns cinquenta anos ouvimos falar sobre as teses concernentes    &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o da linguagem pelo homem. Em geral, elas se    concentram em dois seguimentos principais: a determina&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica,    por um lado, e a determina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, por outro lado,    cada uma defendendo o seu ponto de vista. A primeira concentra-se nos estudos    da biologia e da neuroci&ecirc;ncia, j&aacute; a segunda se concentra nos estudos    antropol&oacute;gicos, etnol&oacute;gicos, lingu&iacute;sticos, psicol&oacute;gicos    e sociol&oacute;gicos. H&aacute; cinquenta anos, alguns linguistas, apoiados    na determina&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, seguem a teoria da gram&aacute;tica    universal, segundo a qual a linguagem &eacute; inata no ser humano e j&aacute;    est&aacute; programada no c&eacute;rebro. Isto &eacute;, o nosso c&eacute;rebro,    desde a gesta&ccedil;&atilde;o, j&aacute; nos d&aacute; tudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na contram&atilde;o desta teoria, outros linguistas, antrop&oacute;logos e etn&oacute;logos,    apoiados na determina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, defendem a tese de    que a linguagem &eacute; um artefato criado e moldado pela cultura, pela cogni&ccedil;&atilde;o    e pela comunica&ccedil;&atilde;o entre os seres humanos. A humanidade sobreviveu    e evoluiu em seu percurso civilizat&oacute;rio, por ter conseguido se equipar    com a linguagem. Ela &eacute; uma ferramenta criada por n&oacute;s, que foi    descoberta com o uso da capacidade cerebral e corporal. A ferramenta mais importante,    pois &eacute; ela que nos faz humanos. Ela permite reconhecer que o outro &eacute;    capaz de pensar e falar como n&oacute;s, de entender, de responder.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo estudos de Richard Dawkins<sup><a name="1"></a><a href="#2">1</a></sup>, uns 200 mil anos atr&aacute;s, houve muta&ccedil;&atilde;o    no gene FOXP2, o que possibilitou o in&iacute;cio de uma grande transforma&ccedil;&atilde;o    gen&eacute;tica que preparou o caminho para que, entre uns 40 e 50 mil anos    atr&aacute;s, o &#8220;homo sapiens sapiens&#8221; &#8211; homo sapiens moderno    &#8211; pudesse se constituir como um ser de linguagem, facilitada pela forma&ccedil;&atilde;o    de uma garganta adequada para possibilitar a fala. O homo erectus n&atilde;o    podia falar e uma das raz&otilde;es &eacute; porque n&atilde;o tinha pleno desenvolvimento    do aparelho fonador. Restos f&oacute;sseis achados na Caverna de Dordonha, na    Fran&ccedil;a, mostraram evid&ecirc;ncias que levaram a datar o surgimento da    linguagem primitiva em torno de 50 mil anos atr&aacute;s. Este foi o salto para    os artefatos, as pinturas rupestres das cavernas, as marcas e tra&ccedil;os    de uma escrita primitiva nas paredes das cavernas, objetos art&iacute;sticos    feitos de barro e pedra, objetos musicais feitos de ossos e de madeira. Segundo    Dawkins, houve um grande salto com o desenvolvimento da linguagem, pois antes    n&atilde;o havia nenhum artefato. Isto sugere que o homem primitivo aprendeu    primeiro a desenhar o animal, para depois poder falar do animal. Aprendeu primeiro    a criar sons musicais, para depois poder falar de m&uacute;sica. Levou muito    tempo para construir o fazer social-cultural, para depois e ao mesmo tempo elaborar    um discurso sobre a cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na concep&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise<sup><a name="3"></a><a href="#4">2</a></sup>, o c&eacute;rebro e um feixe    de nervos n&atilde;o s&atilde;o suficientes para fazer o homem. O homem &eacute;    o resultado de um enla&ccedil;amento entre a sua constitui&ccedil;&atilde;o    biol&oacute;gica, a sua constitui&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica e a sua constitui&ccedil;&atilde;o    social. Sob esta &oacute;tica, o que de fato determina e constr&oacute;i a humanidade    &eacute; o efeito de um la&ccedil;o biopsicossocial. Trata-se de uma amarra&ccedil;&atilde;o    estrutural que n&atilde;o privilegia o biol&oacute;gico em detrimento do psicol&oacute;gico    e nem o psicol&oacute;gico em detrimento do social. Ter&iacute;amos aqui uma    rela&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel com a elabora&ccedil;&atilde;o lacaniana    dos tr&ecirc;s registros: RSI &#8211; Real, Simb&oacute;lico e Imagin&aacute;rio.    Para Lacan<sup><a name="5"></a><a href="#6">3</a></sup>, n&atilde;o h&aacute; preval&ecirc;ncia de um registro sobre o outro.    O ser humano seria o resultado da amarra&ccedil;&atilde;o destes tr&ecirc;s,    cada um exercendo a sua fun&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o de um futuro beb&ecirc;,    na passagem de embri&atilde;o para feto, entre a 9&ordf; e 11&ordf; semanas,    espera-se que o aparelho auditivo j&aacute; esteja completamente formado e que    o feto escute os sons vindos do mundo interno (endops&iacute;quico) da m&atilde;e    e tamb&eacute;m do mundo externo, ressoando ao seu ouvido atrav&eacute;s do    l&iacute;quido amni&oacute;tico, excelente condutor de som. O feto ainda n&atilde;o    escuta o som mel&oacute;dico da fala da m&atilde;e ou de uma m&uacute;sica do    jeito que escutamos. Isso s&oacute; vai acontecer depois do nascimento. O que    chega ao seu aparelho auditivo &eacute; o som como mat&eacute;ria, apenas a    materialidade do som, a voz material do som, ressoando as &#8220;barulhagens&#8221;    internas e externas atrav&eacute;s do corpo da m&atilde;e: as batidas do cora&ccedil;&atilde;o    da m&atilde;e, sua respira&ccedil;&atilde;o, os movimentos do seu intestino    e de sua locomo&ccedil;&atilde;o, a materialidade de seu timbre vocal, as resson&acirc;ncias    de sua ansiedade e demais viv&ecirc;ncias emocionais, sons de carros, da natureza,    trens de ferro, avi&otilde;es, apitos, constru&ccedil;&otilde;es de pr&eacute;dios,    discos tocando, dentre outros sons.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se ao feto chegam os sons do timbre da voz da m&atilde;e, ele capta e registra    a materialidade desta voz, a voz como Coisa, produzindo uma plataforma material    (uma matriz), um peda&ccedil;o de real, fora da palavra, mas se colocando apto    a receb&ecirc;-la, ap&oacute;s o nascimento, no tempo da constitui&ccedil;&atilde;o    do sujeito (beb&ecirc;), no campo do Outro da linguagem e da fala materna neste    lugar. Segundo Lacan<sup><a name="7"></a><a href="#8">4</a></sup>, &#8220;a voz &eacute; este real do corpo que o sujeito    consente perder para falar; a voz &eacute; este objeto ca&iacute;do do &oacute;rg&atilde;o    da fala&#8221;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Viv&egrave;s, </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;<i>Conflito      entre o real da voz em sua dimens&atilde;o de apelo ao gozo (sendo a m&uacute;sica      tecno uma de suas formas poss&iacute;veis) e a voz, como vetor da fala, em      sua dimens&atilde;o de apelo a tornar-se (a vir-a-ser um sujeito). A m&uacute;sica      tecno convoca essa dimens&atilde;o do real. O timbre &eacute; o que escapa      ao poder de simboliza&ccedil;&atilde;o, aquilo que permanece intraduz&iacute;vel.      Ao tentarmos definir o timbre da voz, este sempre se esconde sob as palavras.      Esta &eacute; uma abordagem o mais pr&oacute;xima poss&iacute;vel do real      da Coisa sonora</i>&#8221;<sup><a name="9"></a><a href="#10">5</a></sup>.      </font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Torna-se necess&aacute;rio distinguir a voz ligada ao significante, &agrave;    palavra, por menor que seja (exemplo: o d&oacute;, o mi, etc, nomeado por um    sujeito), cujo som da voz implica na jun&ccedil;&atilde;o do timbre (a materialidade    da voz) com o significante d&oacute; ou mi, e a voz como puro timbre, pura mat&eacute;ria,    puro som gutural, ou puro som da materialidade de uma batida do cora&ccedil;&atilde;o    da m&atilde;e, de uma goteira batendo numa lata, de uma &aacute;rvore que quebra,    de um sax emitindo um f&aacute;, uma clarineta emitindo um l&aacute;. Este &eacute;    o som que chega ao ouvido do feto, no interior do corpo da m&atilde;e. Ap&oacute;s    nascer, estando no exterior do corpo da m&atilde;e e j&aacute; como beb&ecirc;,    a fala da m&atilde;e tem uma qualidade totalmente diferente, pois o som da voz    que agora lhe chega aos ouvidos &eacute; o resultado da jun&ccedil;&atilde;o    do timbre com a palavra, com a fala, com o discurso da m&atilde;e, do pai, dos    av&oacute;s, e outros humanos. Sabemos que &eacute; pouco a pouco que o beb&ecirc;    vai se constituindo como sujeito falante no campo da linguagem e da fala. Quando    o professor de m&uacute;sica toca o f&aacute; no piano e diz &#8220;essa &eacute;    a nota f&aacute;&#8221;, ele acaba de nomear, ele faz a jun&ccedil;&atilde;o    da voz com o significante em sua mente e em sua fala. No &uacute;tero materno    existe um tempo do registro da voz como Coisa (das Ding) e depois do nascimento    existe um tempo do registro dos significantes (amarrando o som das palavras    com o timbre da voz). Este tempo varia de crian&ccedil;a para crian&ccedil;a    e vai depender da amarra&ccedil;&atilde;o topol&oacute;gica do Real, Simb&oacute;lico    e Imagin&aacute;rio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Urania Tourinho Peres:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;<i>Um      bom exemplo do que estou dizendo podemos encontrar de uma maneira muito apropriada      em Mozart, quando ele descreve que na cabe&ccedil;a dele vem tudo junto, que      ele escuta tudo junto, ao mesmo tempo, e que &eacute; uma del&iacute;cia,      n&atilde;o podemos deixar de nos lembrar do j&uacute;bilo do beb&ecirc; ao      contemplar sua imagem unificada no espelho. Da&iacute;, a hip&oacute;tese      de um predom&iacute;nio do especular sonoro, em que simb&oacute;lico e real      ganham for&ccedil;a sobre o imagin&aacute;rio do sentido. A m&uacute;sica      n&atilde;o se prop&otilde;e a um sentido, mas pode estar aberta a qualquer      sentido. A m&uacute;sica, assim como a puls&atilde;o invocante, fala de uma      proximidade maior com o inconsciente</i>&#8221;<sup><a name="11"></a><a href="#12">6</a></sup>.</font></p> </blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme vimos anteriormente, os dois primeiros anos de vida de um beb&ecirc;    s&atilde;o extremamente importantes na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito    humano. A disposi&ccedil;&atilde;o heredit&aacute;ria para a linguagem, inegavelmente,    j&aacute; existe h&aacute; milhares de anos, mas ela sozinha n&atilde;o faz    a constitui&ccedil;&atilde;o da linguagem propriamente dita: o tra&ccedil;o    un&aacute;rio, a letra, o signo, o significante, a palavra, a escrita, a fala,    o discurso. Essa linguagem propriamente dita se constitui ou se constr&oacute;i    no campo do grande Outro, ou seja, no banho de linguagem de outros seres humanos    no entorno do beb&ecirc;. N&atilde;o s&oacute; a linguagem da palavra, da fala,    mas tamb&eacute;m a linguagem musical, a linguagem da dan&ccedil;a, a linguagem    do gesto, a linguagem do olhar, a linguagem afetiva, a linguagem figurada, e    outras mais. Se um beb&ecirc;, com o c&eacute;rebro bem formado e nenhuma les&atilde;o    na regi&atilde;o dita &#8220;localiza&ccedil;&atilde;o da linguagem no c&eacute;rebro&#8221;,    for isolado de qualquer ser humano, por muitos anos, ele n&atilde;o desenvolver&aacute;    a fala, seja a l&iacute;ngua qual for naquela regi&atilde;o da Terra. Restar&atilde;o    apenas os neur&ocirc;nios e a sua disposi&ccedil;&atilde;o heredit&aacute;ria.    Met&aacute;fora das sementes que &#8211; sem terra, &aacute;gua, calor e os    cuidados do homem &#8211; n&atilde;o passar&atilde;o de sementes com as suas    disposi&ccedil;&otilde;es heredit&aacute;rias, localizadas ou at&eacute; mesmo    numeradas e guardadas para sempre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o h&aacute; nada f&aacute;cil na formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica    das hip&oacute;teses e das descobertas cient&iacute;ficas j&aacute; realizadas    no per&iacute;odo da gesta&ccedil;&atilde;o do embri&atilde;o e do feto humano,    tanto quanto sobre o que acontece no primeiro ano de vida do beb&ecirc;. Cada    &aacute;rea de conhecimento costuma defender suas ideias com certo radicalismo    e at&eacute; mesmo com uma atitude preconceituosa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    outras &aacute;reas. Geralmente, se faz muita confus&atilde;o sobre &#8220;ci&ecirc;ncia&#8221;    e &#8220;cient&iacute;fico&#8221;, tomando ambos os termos como algo diferente:    um substantivo, o outro adjetivo. A defini&ccedil;&atilde;o de cient&iacute;fico    &eacute; aquilo que se refere &agrave; ci&ecirc;ncia, ou seja, que tem o rigor    da ci&ecirc;ncia; do m&eacute;todo cient&iacute;fico. Sublinhamos esta palavra    &#8220;m&eacute;todo&#8221;, pois &eacute; disso que se trata. N&atilde;o h&aacute;    ci&ecirc;ncia pura, pois o m&eacute;todo &eacute; criado e aplicado pelo sujeito    humano, um ser imperfeito. A psican&aacute;lise utiliza-se das contribui&ccedil;&otilde;es    da antropologia, da matem&aacute;tica, da l&oacute;gica formal e da topologia    como uma forma de dizer o indiz&iacute;vel do tempo l&oacute;gico na constitui&ccedil;&atilde;o    do inconsciente humano, tanto quanto do desejo e da fantasia do sujeito deste    inconsciente, subjugado &agrave;s leis da linguagem musical, da linguagem da    palavra, da linguagem da fala. Seria da conjun&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s    que surgiria a sonoridade do discurso?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pensemos num coral de quatro vozes &#8211; baixo, bar&iacute;tono, mezzo-soprano,    soprano &#8211; quatro vozes diferentes, cada uma tendo um som t&iacute;pico    da sua altura e do seu timbre. Contudo, materialidade sozinha n&atilde;o faz    um discurso musical. Torna-se necess&aacute;rio que ao timbre se ligue a organiza&ccedil;&atilde;o    inteligente de notas musicais (criadas pelo compositor) e a organiza&ccedil;&atilde;o    da po&eacute;tica do canto (numa m&uacute;sica cantada), cuja sonoridade est&aacute;    embutida nas palavras, na rede de significantes, produzindo efeitos de significa&ccedil;&atilde;o.    O m&uacute;sico diz: &#8220;a voz do meu violino&#8221;, &#8220;a voz do meu    sax&#8221;, &#8220;a voz do meu viol&atilde;o&#8221;, etc. O que cada um diz    quando diz isso? Diz que seu instrumento tem voz, que cada nota &eacute; uma    voz, que h&aacute; v&aacute;rias notas, v&aacute;rias vozes. Isso pode ser comparado    a um feixe de nervos, sabendo que um feixe de nervos n&atilde;o faz um homem,    assim como as notas, tomando-as separadamente, n&atilde;o s&atilde;o suficientes    para fazer uma m&uacute;sica. As notas (vozes) precisam estar inteligentemente    organizadas numa linguagem musical (discurso), constru&iacute;das segundo a    l&oacute;gica dos sons, que est&atilde;o submetidos &agrave;s leis do tempo,    do espa&ccedil;o, da melodia, do ritmo, do modo, do fraseado, do acento, do    desenho harm&ocirc;nico, dos ornamentos e algumas coisas mais. Esses sons organizados    e estruturados numa m&uacute;sica (seja ela sem canto ou com canto) implicam    na presen&ccedil;a da voz, da letra, e dos significantes do sujeito compositor,    pois a m&uacute;sica &eacute; um efeito do sujeito que a criou, e sem ele n&atilde;o    existiria m&uacute;sica jamais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voz / Letra / Significante. Primeiro tempo, a materialidade do timbre da voz,    lugar do gozo da Coisa, das Ding. Segundo tempo, a puls&atilde;o invocante,    chamamento ou convoca&ccedil;&atilde;o &agrave; dan&ccedil;a e &agrave; letra,    lugar do litoral. Terceiro tempo, nascimento do significante, da fala, da palavra.    Segundo Freud: &#8220;a puls&atilde;o &eacute; um conceito entre o som&aacute;tico    e o ps&iacute;quico&#8221;<sup><a name="13"></a><a href="#14">7</a></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Lacan, </font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;<i>A letra    n&atilde;o seria o literal ao fundar o litoral? A letra n&atilde;o &eacute;,    em comum, litoral? A borda do buraco, como de abordagem da letra, n&atilde;o    seria o que ela desenha? A letra diz, &#8216;ao p&eacute; da letra&#8217;, quando    todas as suas interpreta&ccedil;&otilde;es se resumem ao gozo. Entre o gozo    e o saber, a letra constituiria o litoral</i>&#8221;<sup><a name="15"></a><a href="#16">8</a></sup>.</font></p>   </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alain Didier-Weill<sup><a name="17"></a><a href="#18">9</a></sup> fala do tempo da voz, do tempo da dan&ccedil;a e do tempo    da fala. A estas, acrescentamos o som junto ao tempo da voz, o ritmo junto ao    tempo da dan&ccedil;a e a melodia junto ao tempo da fala. Ao nascer, o grito    do beb&ecirc; &eacute; a sua primeira emiss&atilde;o de voz, do timbre da voz.    Com o tempo, a voz vai se associando &agrave;s primeiras letras (as vogais)    e, depois, &agrave;s consoantes, e depois come&ccedil;a a forma&ccedil;&atilde;o    de significantes (fonemas, s&iacute;labas, palavra, fala), e depois, de frases,    e depois, de discurso. Isso leva tempo. Tempo de desenvolvimento biopsicossocial.    Nossa hip&oacute;tese &eacute; a de que a m&uacute;sica, estruturada como tal,    s&oacute; seria poss&iacute;vel a partir do tempo da fala, quando o beb&ecirc;    come&ccedil;a a falar e cantar. Depois, ele passaria a inventar, a compor, sem    saber que est&aacute; compondo, criando ritmos mel&oacute;dicos e dan&ccedil;ando    estes ritmos. Isto o ajudaria no desenvolvimento da intelig&ecirc;ncia e das    aptid&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre o conceito    &#8211; puls&atilde;o invocante &#8211;, fundamental para o desenvolvimento    do nosso tema, Lacan teria dito apenas o suficiente, parecendo ter concedido    a honra de desenvolv&ecirc;-lo ao seu disc&iacute;pulo Alain Didier-Weill. Segundo    Lacan<sup><a name="19"></a><a href="#20">10</a></sup>, &#8220;<i>ela &eacute;    a &uacute;nica que tem o privil&eacute;gio de n&atilde;o poder se fechar</i>&#8221;.    O ouvido est&aacute; sempre aberto ao som. Ele fazia a compara&ccedil;&atilde;o    com a puls&atilde;o oral (a boca abre e fecha), com a puls&atilde;o anal (o    &acirc;nus abre e fecha) e com a puls&atilde;o esc&oacute;pica (o olho abre    e fecha).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Qual seria a rela&ccedil;&atilde;o destes conceitos com a m&uacute;sica? O que    o pulso r&iacute;tmico tem a ver com a puls&atilde;o? O que a cria&ccedil;&atilde;o    musical tem a ver com o sujeito, o seu desejo, a sua fantasia, enfim, com a    subjetividade humana? A m&uacute;sica existiria sem que houvesse o sujeito humano,    o sujeito compositor? O que vem antes: a m&uacute;sica ou o sujeito?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Lacan,</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8220;No vivente humano, a puls&atilde;o &eacute; um gundbergriff, um conceito    fundamental. A puls&atilde;o (Trieb) n&atilde;o &eacute; o instinto e n&atilde;o    &eacute;, tamb&eacute;m, apenas o impulso (drang), pois al&eacute;m deste, a    puls&atilde;o possui mais tr&ecirc;s elementos, ou seja, a fonte (quelle), o    objeto (objekt) e o alvo (ziel). A puls&atilde;o re&uacute;ne estes quatro termos    nela mesma. Parece natural, mas n&atilde;o &eacute; t&atilde;o natural assim&#8221;<sup><a name="21"></a><a href="#22">11</a></sup>.</font></p>   </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A m&uacute;sica &#8211; como todas as artes &#8211; &eacute; um dos efeitos    de sujeito e do ato criativo deste sujeito. O sujeito do inconsciente vem antes    e a m&uacute;sica como efeito vem depois? Ou &eacute; o contr&aacute;rio? Ser&aacute;    que o desenvolvimento do aparelho auditivo e a capta&ccedil;&atilde;o dos sons    vieram antes e foram eles, os sons, que paralelamente ao desenvolvimento do    aparelho fonador, possibilitaram o desenvolvimento das palavras, do canto e    da m&uacute;sica? Alguma forma de m&uacute;sica certamente existe desde a origem    do &#8220;homo sapiens sapiens&#8221;, uns 50 mil anos atr&aacute;s. Provavelmente,    humanos tocaram em flauta feita de bambu, de osso de grandes aves e fizeram    sons r&iacute;tmicos com peda&ccedil;os de pau. Com o tempo foram descobrindo    cada vez mais novas formas de criar sons e organiz&aacute;-los na forma de m&uacute;sicas.    Certamente, improvisaram sons r&iacute;tmicos, dan&ccedil;aram e cantaram numa    linguagem ainda bastante primitiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tirar sons foi uma condi&ccedil;&atilde;o para desenvolver primeiro a linguagem    musical, possibilitando o advento da linguagem da palavra? Ou ao contr&aacute;rio,    primeiro houve a aquisi&ccedil;&atilde;o da fala, como pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o    &agrave; linguagem da m&uacute;sica? Ou ambas vieram juntas (como sugeriu Mozart),    topologicamente juntas, como resultado de um desenvolvimento de vozes, letras    e palavras, efeitos sonoros integrados, que numa constitui&ccedil;&atilde;o    em tempo l&oacute;gico, deram origem &agrave; linguagem como tal, tanto na cria&ccedil;&atilde;o    de m&uacute;sicas (estruturas musicais) quanto na cria&ccedil;&atilde;o da palavra    (estruturas de linguagem escrita e falada), sendo ambas, m&uacute;sica e palavra,    pertencentes a uma mesma linguagem, esta universal, que estrutura os sujeitos    humanos diversificadamente, encaminhando-os &agrave;s v&aacute;rias l&iacute;nguas    e &agrave;s v&aacute;rias escritas, conforme cada regi&atilde;o da sua origem    constituinte e estruturante como humano: africano, ind&iacute;gena, chin&ecirc;s,    &aacute;rabe, alem&atilde;o, franc&ecirc;s, ingl&ecirc;s, espanhol, portugu&ecirc;s,    russo, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No campo do ?rriscado &#8211; S(?) &#8211;, poder&iacute;amos concluir, de acordo    com nossa discuss&atilde;o at&eacute; o momento, que o m&uacute;sico se faz    ao ser convocado pela puls&atilde;o invocante e ao ser direcionado pela for&ccedil;a    do seu desejo. Isto implica em descobrir as tend&ecirc;ncias ou aptid&otilde;es    musicais presentes na disposi&ccedil;&atilde;o heredit&aacute;ria e, tamb&eacute;m,    ser movido pelo desejo de aprender, desenvolver este dom. O dom &eacute; algo    invis&iacute;vel e inaudito, que surge como um bot&atilde;o de flor, em atos    instant&acirc;neos, revelados em improvisos sonoros, de vozes-letras musicais,    esperando que o desejo de criar leve o sujeito a compor, a organizar os sons    em escalas e transform&aacute;-las numa pe&ccedil;a musical. Gostar de ouvir    m&uacute;sica nem sempre coincide com gostar de fazer. Acreditamos que o dom    viria atrav&eacute;s da disposi&ccedil;&atilde;o heredit&aacute;ria, mas sua    transforma&ccedil;&atilde;o em talento aconteceria no tempo da constitui&ccedil;&atilde;o    do sujeito do inconsciente, de seu desejo, de sua fantasia, de sua imagina&ccedil;&atilde;o.    Este talento para a m&uacute;sica vai aparecer na inf&acirc;ncia, quando a crian&ccedil;a    brinca e improvisa com os sons, como fazia o menino Mozart, que ouviu &#8211;    desde o per&iacute;odo de gesta&ccedil;&atilde;o &#8211; o pai tocar instrumentos    musicais o dia inteiro: semelhante ao que aconteceu com v&aacute;rios outros    compositores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, estas manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o suficientes    em si mesmas para fazer um m&uacute;sico. &Eacute; preciso que al&eacute;m do    dom e da demonstra&ccedil;&atilde;o de talento musical, a crian&ccedil;a tenha    um forte desejo de aprender m&uacute;sica, buscando transformar seu dom e seu    talento numa obra de arte que seja sua, do seu desejo e da sua subjetividade.    A met&aacute;fora &eacute; a de que o bot&atilde;o de rosa seja o dom, e abrindo    em p&eacute;talas se constitua em saber musical multifacetado. Energia, desejo,    fantasia, a&ccedil;&atilde;o. O instrumento e o som, a palavra e a fala s&atilde;o    suas formas de comunica&ccedil;&atilde;o e de transmiss&atilde;o. O canto e    a m&uacute;sica s&atilde;o suas declara&ccedil;&otilde;es de amor po&eacute;ticas    e musicais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O    amor d&aacute; o tom &agrave; poesia</b>     <br>   e a m&uacute;sica encarna-o na sonoridade do dizer.    <br>   (Messias E. Chaves, no campo do ?rriscado)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DAWKINS, Richard.    <i>A grande hist&oacute;ria da evolu&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo:    Cia. das Letras, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402530&pid=S0102-7395201200020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, Sigmund.    A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos. <i>ESB</i>, v. IV e V. Rio de Janeiro:    Imago, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402532&pid=S0102-7395201200020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, Sigmund.    Totem e tabu. <i>ESB</i>, v. XIII. Rio de Janeiro: Imago, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402534&pid=S0102-7395201200020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, Sigmund.    Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego. <i>ESB</i>, v. XVIII. Rio de    Janeiro: Imago, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402536&pid=S0102-7395201200020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, Sigmund.    O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o. <i>ESB</i>, v. XXI. Rio de Janeiro:    Imago, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402538&pid=S0102-7395201200020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FREUD, Sigmund.    Mois&eacute;s e o monote&iacute;smo. In: <i>ESB</i>, v. XXIII. Rio de Janeiro,    Imago: 1974-1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402540&pid=S0102-7395201200020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, Jacques.    <i>O Semin&aacute;rio, livro 22: RSI</i> &#8211; ainda n&atilde;o publicado.    Texto transcrito de grava&ccedil;&otilde;es do semin&aacute;rio. Autor desconhecido.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402542&pid=S0102-7395201200020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, Jacques.    <i>O Semin&aacute;rio, livro 10: a ang&uacute;stia</i> (1962-1963). Rio de Janeiro:    Jorge Zahar, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402544&pid=S0102-7395201200020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, Jacques.    <i>O Semin&aacute;rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise</i>.    Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402546&pid=S0102-7395201200020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LACAN, Jacques.    <i>O Semin&aacute;rio, livro 18: de um discurso que n&atilde;o fosse semblante</i>.    Li&ccedil;&atilde;o sobre Lituraterra. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009, p.110    e 113.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402548&pid=S0102-7395201200020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PERES, Urania Tourinho.    Por que o menino Mozart brincava com os sons? In: <i>Dimens&otilde;es do despertar    na psican&aacute;lise e na cultura</i>. Denise Maurano, Hedoneida Neri, Marco    Antonio Coutinho Jorge (Org.). Rio de Janeiro: Contra Capa, 2011, p.95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402550&pid=S0102-7395201200020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VIV&Egrave;S, Jean-Michel.    Por que os adolescentes preferem escutar m&uacute;sica tecno a escutar seus    pais? In: <i>Dimens&otilde;es do despertar na psican&aacute;lise e na cultura</i>.    Rio de Janeiro: Contra Capa, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402552&pid=S0102-7395201200020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WEILL, Alain-Didier.    <i>Invoca&ccedil;&otilde;es</i>. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2402554&pid=S0102-7395201200020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="cor"></a><img src="/img/revistas/reverso/v34n63/seta.gif" border=0><a href="#end">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a>:    <br>   Rua Domingos Vieira, 348/803 &#8211; Santa Efig&ecirc;nia     <br>   30150-240 &#8211; BELO HORIZONTE/MG    <br>   Tel.: (31)3241-6837    <br>   E-mail: <a href="mailto:mesquioves@gmail.com">mesquioves@gmail.com</a></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RECEBIDO EM: 28/03/2012    <br>   APROVADO EM: 04/05/2012</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sobre o Autor</b></font></p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Messias Eust&aacute;quio Chaves</b>    <br>   Psic&oacute;logo. Psicanalista. Membro do Circulo Psicanal&iacute;tico de Minas    Gerais (CPMG). Autor de v&aacute;rios artigos publicados na revista Reverso    do C&iacute;rculo Psicanal&iacute;tico de Minas Gerais. Aluno de M&uacute;sica    da Funda&ccedil;&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica (FEA),    a partir de fevereiro de 2006. Autor de 52 composi&ccedil;&otilde;es (MPB),    das quais 13 foram arranjadas e apresentadas nas XXVII, XXVIII e XXIX Jornadas    do F&oacute;rum de Psican&aacute;lise do CPMG, no Col&eacute;gio Padre Machado,    na Faculdade de Psicologia da Newton Paiva, e no Unibh, respectivamente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="2"></a><a href="#1">1</a></sup>    DAWKINS, Richard. <i>A grande hist&oacute;ria da evolu&ccedil;&atilde;o</i>.    S&atilde;o Paulo: Cia. das Letras, 2004.    <br>   <sup><a name="4"></a><a href="#3">2</a></sup> FREUD, Sigmund. Interpreta&ccedil;&atilde;o    dos Sonhos, Totem e Tabu, Psicologia das Massas, Mal-Estar na Civiliza&ccedil;&atilde;o,    Mois&eacute;s e o Monote&iacute;smo. In: <i>ESB</i>. Rio de Janeiro, Imago:    1974-1977.    <br>   <sup><a name="6"></a><a href="#5">3</a></sup> LACAN, Jacques. <i>O Semin&aacute;rio,    Livro 22: RSI</i> &#8211; ainda n&atilde;o publicado. Texto transcrito de grava&ccedil;&otilde;es    do semin&aacute;rio. Autor desconhecido.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup><a name="8"></a><a href="#7">4</a></sup> LACAN, Jacques. <i>O Semin&aacute;rio,    Livro 10: A ang&uacute;stia</i> (1962-1963). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.    <br>   <sup><a name="10"></a><a href="#9">5</a></sup> VIV&Egrave;S, Jean-Michel. Por    que os adolescentes preferem escutar m&uacute;sica tecno a escutar seus pais?    In: <i>Dimens&otilde;es do despertar na psican&aacute;lise e na cultura</i>.    Rio de Janeiro: Contra Capa, 2011.    <br>   <sup><a name="12"></a><a href="#11">6</a></sup> PERES, Urania Tourinho. Por    que o menino Mozart brincava com os sons? In: <i>Dimens&otilde;es do despertar    na psican&aacute;lise e na cultura</i>. Denise Maurano, Hedoneida Neri, Marco    Ant&ocirc;nio Coutinho Jorge (Org.). Rio de Janeiro: Contra Capa, 2011, p.95.    <br>   <sup><a name="14"></a><a href="#13">7</a></sup> LACAN, Jacques. <i>O Semin&aacute;rio,    Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise</i>. Rio de    Janeiro: Jorge Zahar, 1985.    <br>   <sup><a name="16"></a><a href="#15">8</a></sup> LACAN, Jacques. <i>O Semin&aacute;rio,    Livro 18: de um discurso que n&atilde;o fosse semblante</i>. Li&ccedil;&atilde;o    sobre Lituraterra. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009, p.110 e 113.    <br>   <sup><a name="18"></a><a href="#17">9</a></sup> WEILL, Alain-Didier. <i>Invoca&ccedil;&otilde;es</i>.    Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 1999.     <br>   <sup><a name="20"></a><a href="#19">10</a></sup> LACAN, Jacques. <i>O Semin&aacute;rio,    Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise</i>. Rio de    Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.190.    <br>   <sup><a name="22"></a><a href="#21">11</a></sup> LACAN, Jacques. <i>O Semin&aacute;rio,    Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican&aacute;lise</i>. Rio de    Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.160-161.</font></p>      ]]></body>
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