<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0103-5665</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Psicologia Clínica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Psicol. clin.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0103-5665</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0103-56652005000200004</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diferença e igualdade nas relações de gênero: revisitando o debate]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Difference and equality in gender relations: revisiting the debate]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria de Fátima]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual Paulista  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<volume>17</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>41</fpage>
<lpage>52</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-56652005000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0103-56652005000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0103-56652005000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo retoma o histórico debate sobre a diferença e a igualdade e as mudanças ocorridas nas relações de gênero sob o impacto do feminismo, da crise da masculinidade e demais transformações econômicas, sociais e culturais em curso. Toma como referência os estudos de gênero que buscam compreender os processos de produção de novas formas de subjetividade masculina e feminina, distanciadas dos tradicionais estereótipos de gênero. Conclui que tais mudanças apontam para a possibilidade concreta da construção de relações de gênero mais democráticas, ideal perseguido desde a modernidade, no casamento e na família, em que o direito à igualdade e o respeito à diferença são as pedras angulares.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the historical debate on difference and equality and on the changes undergone by gender relations under the impact of feminism, of the masculinity crisis and of the other economic, cultural and social changes currently underway. It is based on gender studies which seek to understand the processes of production of new forms of male and female subjectivities which are distant from the traditional gender stereotypes. The paper concludes that these changes point at the concrete possibility of building more democratic gender relations, an ideal which has been pursued since the beginning of the modern era for marriage and family, and whose cornerstones are the right to equality and the respect of difference.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[diferença]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[igualdade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[relações de gênero]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[difference]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[equality]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[gender relations]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>SE&Ccedil;&Atilde;O TEM&Aacute;TICA    <br>   CONJUGALIDADE, PARENTALIDADE E G&Ecirc;NERO</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="4"><b>Diferen&ccedil;a e igualdade nas rela&ccedil;&otilde;es    de g&ecirc;nero: revisitando o debate </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Difference and equality in gender relations:    revisiting the debate</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Maria de F&aacute;tima Ara&uacute;jo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Doutora em Psicologia Social pela USP/SP; Professora    da Universidade Estadual Paulista/UNESP; Coordenadora do Grupo de Pesquisa "Viol&ecirc;ncia    e Rela&ccedil;&otilde;es de G&ecirc;nero" (CNPq)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1"noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b> </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo retoma o hist&oacute;rico debate    sobre a diferen&ccedil;a e a igualdade e as mudan&ccedil;as ocorridas nas rela&ccedil;&otilde;es    de g&ecirc;nero sob o impacto do feminismo, da crise da masculinidade e demais    transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e culturais em curso.    Toma como refer&ecirc;ncia os estudos de g&ecirc;nero que buscam compreender    os processos de produ&ccedil;&atilde;o de novas formas de subjetividade masculina    e feminina, distanciadas dos tradicionais estere&oacute;tipos de g&ecirc;nero.    Conclui que tais mudan&ccedil;as apontam para a possibilidade concreta da constru&ccedil;&atilde;o    de rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero mais democr&aacute;ticas, ideal perseguido    desde a modernidade, no casamento e na fam&iacute;lia, em que o direito &agrave;    igualdade e o respeito &agrave; diferen&ccedil;a s&atilde;o as pedras angulares.    </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> diferen&ccedil;a, igualdade,    rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero </font></p>  <hr size="1"noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b> </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">This paper discusses the historical debate on    difference and equality and on the changes undergone by gender relations under    the impact of feminism, of the masculinity crisis and of the other economic,    cultural and social changes currently underway. It is based on gender studies    which seek to understand the processes of production of new forms of male and    female subjectivities which are distant from the traditional gender stereotypes.    The paper concludes that these changes point at the concrete possibility of    building more democratic gender relations, an ideal which has been pursued since    the beginning of the modern era for marriage and family, and whose cornerstones    are the right to equality and the respect of difference. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> difference, equality, gender relations</font></p>  <hr size="1"noshade>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Dizer que as diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero    s&atilde;o constru&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o &eacute; nenhuma novidade.    H&aacute; muito tempo o tema da "diferen&ccedil;a sexual" &eacute;    objeto de estudo das ci&ecirc;ncias sociais e da antropologia. A novidade n&atilde;o    est&aacute; na coloca&ccedil;&atilde;o da tem&aacute;tica, mas na perspectiva    de an&aacute;lise inaugurada pelas te&oacute;ricas feministas, ou seja, uma    perspectiva cr&iacute;tica que aponta para novas formas de interrogar e priorizar    a quest&atilde;o da diferen&ccedil;a e da igualdade n&atilde;o s&oacute; entre    homens e mulheres, mas entre mulheres e entre homens, categorias que n&atilde;o    s&atilde;o em si universais. Essa nova vertente anal&iacute;tica abre uma possibilidade    radical para pensar, simultaneamente, a diferen&ccedil;a e a igualdade na sua    universalidade e singularidade. Permite resgatar o processo de transforma&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero, apontando para as diferentes express&otilde;es    da masculinidade e da feminilidade. </font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>O USO DE "G&Ecirc;NERO" COMO CATEGORIA    DE AN&Aacute;LISE</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O termo "g&ecirc;nero", na sua acep&ccedil;&atilde;o    gramatical, designa indiv&iacute;duos de sexos diferentes (masculino/feminino)    ou coisas sexuadas, mas, na forma como vem sendo usado, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,    pela literatura feminista, adquiriu outras caracter&iacute;sticas: enfatiza    a no&ccedil;&atilde;o de cultura, situa-se na esfera social, diferentemente    do conceito de "sexo", que se situa no plano biol&oacute;gico, e assume    um car&aacute;ter intrinsecamente relacional do feminino e do masculino. Segundo    a historiadora Joan Scott (1995), as feministas americanas come&ccedil;aram    a usar o conceito de g&ecirc;nero para se referir &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o    social entre os sexos e s&oacute; mais tarde passaram a us&aacute;-lo para enfatizar    o car&aacute;ter fundamentalmente social das distin&ccedil;&otilde;es fundadas    sobre sexo e rejeitar o determinismo biol&oacute;gico impl&iacute;cito nos termos    "sexo" ou "diferen&ccedil;a sexual"<a name="sup01"></a><a href="#end01"><SUP>1</SUP></a>. A introdu&ccedil;&atilde;o    do car&aacute;ter relacional do g&ecirc;nero levou a uma revis&atilde;o dos    estudos centrados nas mulheres e apontou para a necessidade de estudos sobre    as <i>rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero</i>, uma vez que a hist&oacute;ria    das mulheres n&atilde;o pode ser vista separada da hist&oacute;ria dos homens.    O mundo das mulheres faz parte do mundo dos homens, n&atilde;o s&atilde;o esferas    separadas. Tom&aacute;-los como esferas separadas refor&ccedil;a o mito de que    a experi&ecirc;ncia de um sexo tem muito pouco ou nada a ver com o outro sexo.    Al&eacute;m disso, acrescenta Scott (1995), o uso do termo "g&ecirc;nero"    para designar rela&ccedil;&otilde;es sociais entre os sexos rejeita radicalmente    explica&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas que encontram um denominador comum    para diversas formas de subordina&ccedil;&atilde;o feminina. Para Scott, </font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">O termo "g&ecirc;nero" torna-se,      antes, uma maneira de indicar "constru&ccedil;&otilde;es culturais"      - a cria&ccedil;&atilde;o inteiramente social de id&eacute;ias sobre pap&eacute;is      adequados aos homens e &agrave;s mulheres. Trata-se de uma forma de se referir      &agrave;s origens exclusivamente sociais das identidades subjetivas de homens      e de mulheres. "G&ecirc;nero" &eacute;, segundo essa defini&ccedil;&atilde;o,      uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado. Com a prolifera&ccedil;&atilde;o      dos estudos sobre sexo e sexualidade, "g&ecirc;nero" tornou-se uma      palavra particularmente &uacute;til, pois oferece um meio de distinguir a      pr&aacute;tica sexual dos pap&eacute;is sexuais atribu&iacute;dos &agrave;s      mulheres e aos homens (Scott, 1995: 75). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2"> Na defini&ccedil;&atilde;o de Scott (1995),    g&ecirc;nero &eacute; <i>um elemento constitutivo das rela&ccedil;&otilde;es    sociais fundadas</i> <i>sobre as diferen&ccedil;as percebidas entre os sexos</i>    <i>e</i> tamb&eacute;m <i>um modo primordial de</i> <i>dar significado &agrave;s    rela&ccedil;&otilde;es de poder</i>. Para ela, essas duas proposi&ccedil;&otilde;es    est&atilde;o intrinsecamente relacionadas. As mudan&ccedil;as na organiza&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es sociais correspondem sempre a mudan&ccedil;as nas    representa&ccedil;&otilde;es de poder, mas a dire&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a    n&atilde;o segue necessariamente um &uacute;nico sentido. Embora g&ecirc;nero    n&atilde;o seja o &uacute;nico campo no qual o poder se articula, ele parece    ter constitu&iacute;do um meio persistente e recorrente de dar efic&aacute;cia    &agrave; significa&ccedil;&atilde;o do poder no Ocidente, nas tradi&ccedil;&otilde;es    judaico-crist&atilde; e isl&acirc;micas. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Essa leitura de Scott (1995) encontra apoio em    Pierre Bourdieu (1995), para quem a di-vis&atilde;o do mundo, fundada sobre    as diferen&ccedil;as biol&oacute;gicas, aquelas que se referem &agrave; divis&atilde;o    sexual do trabalho, da procria&ccedil;&atilde;o e da reprodu&ccedil;&atilde;o,    opera como a mais fundada das ilus&otilde;es coletivas. Estabelecidas como um    conjunto objetivo de refer&ecirc;ncias, as representa&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero    estruturam a percep&ccedil;&atilde;o e a organiza&ccedil;&atilde;o concreta    e simb&oacute;lica de toda a vida social. Na medida em que essas refer&ecirc;ncias    estabelecem distribui&ccedil;&otilde;es de poder (um controle ou um acesso diferencial    &agrave;s fontes materiais e simb&oacute;licas), o g&ecirc;nero torna-se envolvido    na concep&ccedil;&atilde;o e na constru&ccedil;&atilde;o do poder em si mesmo.    </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Scott (1995) historiciza o conceito de g&ecirc;nero    e busca encontrar as maneiras pelas quais o mesmo legitima e constr&oacute;i    as rela&ccedil;&otilde;es sociais. Na sua concep&ccedil;&atilde;o, esse &eacute;    o primeiro passo para compreender a natureza rec&iacute;proca do g&ecirc;nero    e da sociedade e as maneiras particulares e situadas dentro de contextos espec&iacute;ficos,    pelos quais a pol&iacute;tica constr&oacute;i o g&ecirc;nero e o g&ecirc;nero    constr&oacute;i a pol&iacute;tica. A pol&iacute;tica &eacute; um dos dom&iacute;nios    nos quais o g&ecirc;nero pode ser utilizado para a an&aacute;lise hist&oacute;rica.    </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> O uso de g&ecirc;nero como categoria de an&aacute;lise    surgiu como algo renovador nos estudos feministas, mas, na pr&aacute;tica, h&aacute;    algumas tens&otilde;es na sua aplicabilidade. H&aacute; diverg&ecirc;ncias entre    os autores na utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito. A principal delas refere-se    ao estatuto cognitivo do conceito. Questiona-se, com base em diferentes premissas,    se g&ecirc;nero &eacute; uma <i>categoria emp&iacute;rica</i> ou se &eacute;,    antes, uma <i>categoria anal&iacute;tica</i>. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> Scott (1995), no seu artigo "G&ecirc;nero:    uma categoria &uacute;til de an&aacute;lise hist&oacute;rica", defende    o uso do conceito como uma <i>categoria hist&oacute;rica</i> e <i>instrumento    metodol&oacute;gico</i>. Baseada na observa&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o    social de g&ecirc;nero, ela operacionaliza g&ecirc;nero como uma <i>categoria    anal&iacute;tica</i>, n&atilde;o descrevendo os componentes de um instrumental    metodol&oacute;gico abstratamente constru&iacute;do, mas de um fen&ocirc;meno    hist&oacute;rico, substrato emp&iacute;rico do seu conceito de g&ecirc;nero.    Nesse artigo, a autora critica o car&aacute;ter descritivo dos estudos sobre    a hist&oacute;ria das mulheres, como tamb&eacute;m o uso de g&ecirc;nero como    substituto de "mulheres", e prop&otilde;e o uso do conceito, tal como    o define, como um potente instrumento metodol&oacute;gico e te&oacute;rico,    politicamente &uacute;til para ultrapassar a simples descri&ccedil;&atilde;o    da hist&oacute;ria das mulheres. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Outra defensora do uso de g&ecirc;nero como    categoria anal&iacute;tica &eacute; a historiadora francesa Louise Tilly (1994).    Assim como Scott (1995), ela critica o car&aacute;ter excessivamente descritivo    dos estudos sobre a hist&oacute;ria das mulheres e defende a necessidade de    se tomar o g&ecirc;nero como uma verdadeira categoria de an&aacute;lise, atrav&eacute;s    de uma conceitualiza&ccedil;&atilde;o que possa questionar os conceitos dominantes    da disciplina hist&oacute;rica. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">J&aacute; a antrop&oacute;loga brit&acirc;nica    Marilyn Strathern (1988) recusa o estatuto anal&iacute;tico do g&ecirc;nero.    Para ela, g&ecirc;nero &eacute; apenas um meio de aglutinar, em uma determinada    sociedade, o modo como se organizam as pr&aacute;ticas e as id&eacute;ias em    torno dos sexos e dos objetos sexuados. Portanto, &eacute; uma categoria emp&iacute;rica,    que assinala uma descontinuidade entre corpos, objetos, eventos etc de uma determinada    ordem simb&oacute;lica particular. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para a soci&oacute;loga brasileira Heleieth Saffiotti    (1997), g&ecirc;nero, assim como ra&ccedil;a/etnia e classe, n&atilde;o s&atilde;o    apenas categorias de an&aacute;lise. Antes de serem concebidos como constructos    intelectuais, operam na realidade emp&iacute;rica enquanto categorias hist&oacute;ricas.    Concordando com as proposi&ccedil;&otilde;es de Scott (1995), Tilly (1994) e    Saffiotti (1997), entendemos que g&ecirc;nero &eacute; uma categoria emp&iacute;rica    e hist&oacute;rica e, como tal, pode ser usado como uma categoria anal&iacute;tica.    Apreendido da realidade emp&iacute;rica, ele expressa as rela&ccedil;&otilde;es    hist&oacute;ricas e as formas de exist&ecirc;ncia da realidade social. </font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>IGUALDADE E DIFEREN&Ccedil;A</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Al&eacute;m de categoria hist&oacute;rica, o    conceito de g&ecirc;nero pode ser empregado tamb&eacute;m como uma categoria    pol&iacute;tica para analisar a quest&atilde;o da igualdade e da diferen&ccedil;a,    apontando para uma nova perspectiva de interpreta&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o    da realidade social. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> A quest&atilde;o da diferen&ccedil;a entre os    seres humanos &eacute; parte da hist&oacute;ria da humanidade. Est&aacute; presente    nos mais diversos discursos - filos&oacute;fico, religioso, biol&oacute;gico/cient&iacute;fico,    psicol&oacute;gico, antropol&oacute;gico e social. Mas &eacute; na modernidade    que esse tema ganha maior relev&acirc;ncia como objeto de an&aacute;lise. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Segundo Pierucci (1990), a certeza de que os    seres humanos n&atilde;o s&atilde;o iguais, porque n&atilde;o nascem iguais    e como tal n&atilde;o podem ser tratados como iguais, quem primeiro apregoou    foi a direita, mais exatamente a ultradireita do final do s&eacute;culo XVIII    e primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX, como rea&ccedil;&atilde;o ao    ideal de igualdade e fraternidade cultuados pela Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa.    Portanto, a bandeira da defesa das diferen&ccedil;as, hoje empunhada &agrave;    esquerda pelos "novos" movimentos sociais (das mulheres, dos negros,    dos homossexuais etc), foi na origem - e permanece fundamentalmente - o grande    signo das direitas, velhas ou novas, extremas ou moderadas. Funcionando no registro    da evid&ecirc;ncia, as diferen&ccedil;as explicam as desigualdades de fato e    reclamam a desigualdade (leg&iacute;tima) de direito. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Ao tematizar o "direito &agrave; diferen&ccedil;a",    esses movimentos sociais prop&otilde;em novos imperativos categ&oacute;ricos    para o "respeito &agrave;s diferen&ccedil;as", a "preserva&ccedil;&atilde;o    das particularidades culturais", a "irredutibilidade das experi&ecirc;ncias    de g&ecirc;nero" e assim por diante. Para Pierucci (1990), essas reivindica&ccedil;&otilde;es    do "direito &agrave; diferen&ccedil;a" trazem em si mesmas uma grande    cilada<a name="sup02"></a><a href="#end02"><SUP>2</SUP></a> por sua ambig&uuml;idade, uma vez que, por mais de duzentos    anos, o amor &agrave; diferen&ccedil;a foi alimentado pelo pensamento ultraconservador.    </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> Ao longo da hist&oacute;ria, o debate da diferen&ccedil;a    entre os sexos desenvolveu-se principalmente entre duas perspectivas: a essencialista    e a culturalista. O discurso essencialista exalta a "diferen&ccedil;a sexual"    e defende a exist&ecirc;ncia de uma "ess&ecirc;ncia feminina". Psicologizando    ou biologizando as constata&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas e culturais    historicamente produzidas, realizam afirma&ccedil;&otilde;es universalistas    que aprisionam a feminilidade em modelos estruturados, ainda que ideologicamente    valorizados (mulher como m&atilde;e e esposa). Sup&otilde;e um feminismo universal    e acaba justificando a discrimina&ccedil;&atilde;o das mulheres em fun&ccedil;&atilde;o    da ess&ecirc;ncia feminina. Na perspectiva culturalista, as diferen&ccedil;as    sexuais prov&ecirc;m da socializa&ccedil;&atilde;o e da cultura. Sob esta &oacute;tica,    a supera&ccedil;&atilde;o da ordem e das leis patriarcais eliminaria as diferen&ccedil;as    sexuais. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Uma terceira perspectiva, desenvolvida pela    feminista francesa Fran&ccedil;oise Collin (1992), a partir do conceito de pluralidade    de Hannah Arendt, re&uacute;ne os conceitos antag&ocirc;nicos de igualdade e    diferen&ccedil;a na constitui&ccedil;&atilde;o de uma categoria que n&atilde;o    s&oacute; respeita as diferen&ccedil;as como necessita delas. Collin prop&otilde;e    pensar a diferen&ccedil;a em tr&ecirc;s n&iacute;veis: entre o sujeito-mulher    e a sua condi&ccedil;&atilde;o de mulher; entre as mulheres; e entre as mulheres    e o mundo dos homens. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a entre    o sujeito mulher e a sua condi&ccedil;&atilde;o de mulher, lembra que uma mulher    n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma mulher. Um sujeito mulher n&atilde;o se reduz    &agrave; sua feminilidade; ao contr&aacute;rio, &eacute; um sujeito heterog&ecirc;neo.    Sobre a diferen&ccedil;a entre as mulheres, aponta para a necessidade de construir    um novo tipo de sociabilidade entre elas, que incorpore e articule as diferen&ccedil;as.    Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diferen&ccedil;as entre as mulheres e o    mundo dos homens, ressalta a necessidade de uma nova forma de compreens&atilde;o    dessa rela&ccedil;&atilde;o. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Para Collin (1992), a diferen&ccedil;a sexual    n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o te&oacute;rica, mas sim uma quest&atilde;o    da pr&aacute;xis. A diferen&ccedil;a sexual s&oacute; aparece na experi&ecirc;ncia    do di&aacute;logo que confronta uma mulher e um homem, mulheres e homens, um    sujeito-mulher (ou homem) e a sua condi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero, no    espa&ccedil;o p&uacute;blico, social ou privado. A proposta de Collin incorpora,    em um di&aacute;logo cont&iacute;nuo, a igualdade e as diferen&ccedil;as sem    neg&aacute;-las, num constante jogo dial&eacute;tico em que a pluralidade e    o di&aacute;logo s&atilde;o os princ&iacute;pios fundamentais. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> A desconstru&ccedil;&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o    bin&aacute;ria igualdade/diferen&ccedil;a tamb&eacute;m &eacute; defendida por    Scott (1988), &agrave; luz de Derrida. Segundo ela, a pr&oacute;pria ant&iacute;tese    <i>igualdade-versus-diferen&ccedil;a</i> oculta a interdepend&ecirc;ncia dos    dois termos, uma vez que a igualdade n&atilde;o &eacute; a elimina&ccedil;&atilde;o    da diferen&ccedil;a e a diferen&ccedil;a n&atilde;o impede a igualdade. Desconstru&iacute;da    essa ant&iacute;tese, diz Scott, ser&aacute; poss&iacute;vel n&atilde;o s&oacute;    dizer que os seres humanos nascem <i>iguais mas diferentes,</i> como tamb&eacute;m    sustentar que <i>a igualdade reside na diferen&ccedil;a</i>. Para a autora,    o uso do discurso da <i>diferen&ccedil;a macho-f&ecirc;mea</i> envolve uma outra    cilada: oculta as diferen&ccedil;as entre as mulheres (e entre homens), no comportamento,    no car&aacute;ter, no desejo, na subjetividade, na sexualidade, na identifica&ccedil;&atilde;o    de g&ecirc;nero e na experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica. H&aacute; uma enorme    diversidade de identidades de mulheres e homens, que supera essa classifica&ccedil;&atilde;o    masculino/feminino; a categoria macho/f&ecirc;mea suprime as diferen&ccedil;as    dentro de cada categoria. A &uacute;nica alternativa &eacute;, pois, recusar    a oposi&ccedil;&atilde;o igualdade/diferen&ccedil;a e insistir continuamente    nas diferen&ccedil;as como a condi&ccedil;&atilde;o das identidades individuais    e coletivas, como o verdadeiro sentido da pr&oacute;pria identidade. Na proposta    desconstrucionista de Scott, a <i>diferen&ccedil;a bin&aacute;ria</i> daria    lugar &agrave; <i>diferen&ccedil;a m&uacute;ltipla</i>, &uacute;nica forma de    fugir das armadilhas da disjun&ccedil;&atilde;o igualdade ou diferen&ccedil;a.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>A LUTA FEMINISTA PELA<i> IGUALDADE NA DIFEREN&Ccedil;A</i></b>    </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> No in&iacute;cio do movimento feminista, a luta    pela igualdade se sobrep&ocirc;s &agrave; quest&atilde;o da diferen&ccedil;a.    Foi somente na segunda metade da d&eacute;cada de 70 e no decorrer dos anos    80 que o debate sobre a <i>igualdade-versus-diferen&ccedil;a</i> tornou-se o    centro das discuss&otilde;es. Atribuindo &agrave; diferen&ccedil;a uma val&ecirc;ncia    positiva, as feministas direcionaram sua luta em prol da<i> igualdade na diferen&ccedil;a</i>.    Passou-se ent&atilde;o a falar de <i>diferen&ccedil;a cultural</i>, <i>cultura    feminina</i>, <i>experi&ecirc;ncia</i> <i>feminina</i>, <i>reconhecimento da    diversidade cultural de g&ecirc;nero</i> e assim por diante. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Na an&aacute;lise de Oliveira (1993), em <i>Elogio    da diferen&ccedil;a</i>, o feminismo transgrediu a ordem que atribu&iacute;a    ao masculino o direito de definir o feminino como seu avesso. A id&eacute;ia    da igualdade entre os sexos foi o primeiro est&aacute;gio dessa transgress&atilde;o.    As mulheres tentaram ultrapassar as fronteiras do mundo dos homens, mas "na    luta pela igualdade trope&ccedil;aram na diferen&ccedil;a" (p. 72). Durante    muito tempo, a diferen&ccedil;a foi usada como sin&ocirc;nimo de desigualdade    dentro da hierarquia imposta pela domina&ccedil;&atilde;o masculina. Mas a luta    pela igualdade j&aacute; nasceu capenga, diz Oliveira, uma vez que as mulheres    se esfor&ccedil;avam para assimilar os modelos masculinos. Elas queriam ocupar    os espa&ccedil;os dos homens, comportando-se, agindo, sentindo e falando como    eles. E, assim, acabaram se defrontando com uma crise de identidade, ao perceberem    que com esses comportamentos supervalorizavam as qualidades consideradas masculinas,    em detrimento das femininas, denotando um forte sentimento de inferioridade    internalizado. Isso trouxe muita ambig&uuml;idade &agrave;s mulheres e resultou    em um grande "mal-estar", que levou a uma revis&atilde;o do feminino.    </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Revistas as estrat&eacute;gias de luta, no final    dos anos 80, as mulheres passaram a defender a igualdade n&atilde;o mais em    nome da capacidade de se assemelharem aos homens, mas, sobretudo, pelo direito    de ser diferentes deles. "O feminismo da diferen&ccedil;a, desdobramento    do feminismo da igualdade, introduziu um questionamento mais radical,    trazendo a promessa de uma contribui&ccedil;&atilde;o sociocultural in&eacute;dita    e subversiva" (Oliveira, 1993: 73). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para Oliveira (1993), os valores s&atilde;o o    fundamento da diferen&ccedil;a. As mulheres s&atilde;o diferentes dos homens,    porque no centro de sua exist&ecirc;ncia est&atilde;o outros valores: a &ecirc;nfase    no relacionamento interpessoal, a aten&ccedil;&atilde;o e o cuidado com o outro,    a prote&ccedil;&atilde;o da vida, a valoriza&ccedil;&atilde;o da intimidade    e do afetivo, a gratuidade das rela&ccedil;&otilde;es. A identidade feminina    prov&eacute;m da intera&ccedil;&atilde;o com os outros. Da&iacute; serem as    mulheres mais intuitivas, sens&iacute;veis e emp&aacute;ticas. Da&iacute; tamb&eacute;m    vem o terr&iacute;vel sentimento de divis&atilde;o em que mergulham, quando,    no percurso de acesso ao espa&ccedil;o p&uacute;blico, se v&ecirc;em obrigadas    a confrontar seu modo de ser com as exig&ecirc;ncias de sucesso no mundo dos    homens, marcado por agressividade, competitividade, objetividade e efici&ecirc;ncia.    </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> No nosso entender, a an&aacute;lise de Oliveira    (1993) retrata o grande n&oacute; do discurso feminista: ao levantar a bandeira    da <i>igualdade na diferen&ccedil;a</i> e propor uma valoriza&ccedil;&atilde;o    do feminino, acaba caindo no velho dualismo feminismo/masculino, atribuindo    valores e caracter&iacute;sticas diferentes para cada sexo. Quando se universalizam    essas diferen&ccedil;as, obscurecem-se outras possibilidades de homens e mulheres    se diferenciarem dos modelos r&iacute;gidos e estereotipados. Muitas das caracter&iacute;sticas    atribu&iacute;das ao masculino e ao feminino n&atilde;o s&atilde;o determinadas    apenas pelo g&ecirc;nero, s&atilde;o influenciadas tamb&eacute;m pela classe    social, pela cultura, pela educa&ccedil;&atilde;o, bem como por caracter&iacute;sticas    individuais de personalidade - nem todos os homens s&atilde;o agressivos, objetivos,    seguros de si etc, da mesma forma que nem todas mulheres s&atilde;o inseguras,    pouco agressivas e sem objetividade. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o obstante, a grande conquista do projeto    feminista <i>igualdade na diferen&ccedil;a</i> foi a possibilidade de mudan&ccedil;a    nas rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero, na medida em que as mulheres (e    os homens) puderam se libertar dos velhos estere&oacute;tipos e construir novas    formas de se relacionar, agir e se comportar. Essa possibilidade tem permitido    aos homens se libertarem do peso do machismo e &agrave;s mulheres se libertarem    do imperativo do feminino, ambos podendo ser sens&iacute;veis, objetivos, fortes,    inseguros, dependentes, independentes, com liberdade e autonomia, e n&atilde;o    seguirem imperativos categ&oacute;ricos determinados pelo g&ecirc;nero. &Eacute;    assim que se concretiza a id&eacute;ia de g&ecirc;nero como constru&ccedil;&atilde;o    social. Nessa perspectiva, a reconstru&ccedil;&atilde;o do feminino leva necessariamente    &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o do masculino. Essa rela&ccedil;&atilde;o    nunca ser&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o sem conflito; ao contr&aacute;rio,    ser&aacute; sempre um espa&ccedil;o de luta e tens&atilde;o dial&eacute;tica,    onde est&atilde;o em jogo diferentes poderes e desejos. Por isso, &eacute; importante    que homens e mulheres, nas suas experi&ecirc;ncias subjetivas, possam exercitar    a l&oacute;gica, a raz&atilde;o, a intui&ccedil;&atilde;o e a sensibilidade    para construir novos valores e novas formas de se relacionar na vida afetivo-sexual,    no casamento , na fam&iacute;lia, no trabalho, enfim, em todas as rela&ccedil;&otilde;es    sociais. </font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>A CRISE DA MASCULINIDADE E AS NOVAS RELA&Ccedil;&Otilde;ES    DE G&Ecirc;NERO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> As mudan&ccedil;as provocadas pelo feminismo    desestabilizaram o modelo masculino tradicional e colocaram a necessidade de    sua revis&atilde;o. Desde a d&eacute;cada de 70, a <i>quest&atilde;o</i> <i>masculina</i>    tem sido objeto de muitos estudos, em diferentes pa&iacute;ses, como Estados    Unidos, Canad&aacute;, Fran&ccedil;a, Brasil, Peru (Tolson, 1977; Carrigan,    Connel & Lee, 1985; Bly, 1991; Badinter, 1993; Nolasco, 1993, Fuller, 1997).    Tendo como preocupa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica "repensar o masculino"    e compreender os processos de mudan&ccedil;a por que passam os homens, tais    estudos adotam em suas an&aacute;lises a perspectiva social e/ou relacional    de g&ecirc;nero. Como diz Badinter: "longe de ser pensada como absoluta,    a masculinidade, atributo do homem, &eacute; relativa e reativa. Tanto que,    quando a feminilidade muda - em geral, quando as mulheres querem redefinir sua    identidade - a masculinidade se desestabiliza" (Badinter, 1993: 11). Repensar    o masculino sup&otilde;e rever modelos de comportamentos, teorias e discursos    que, ao longo da hist&oacute;ria, t&ecirc;m sido usados para explicar a masculinidade    (Connel, 1995), Nolasco (1995), Jablonski (1995), Fuller (1997), Oliveira (1998),    Welzer-Lang (2001). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> A discuss&atilde;o sobre a <i>quest&atilde;o    masculina</i> retoma caminhos semelhantes aos percorridos pelo <i>feminismo</i>.    Polariza-se entre os determinismos biol&oacute;gico e social e questiona a id&eacute;ia    de uma masculinidade universal. Ap&oacute;ia-se em estudos da antropologia social    e cultural, que confirmam a exist&ecirc;ncia de uma multiplicidade de masculinidades,    conforme observou Mead (1971) em diferentes culturas. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> A crise da masculinidade ganhou mais evid&ecirc;ncia    nos &uacute;ltimos anos, mas ela tem precedentes nos s&eacute;culos XVII e XVIII,    na Inglaterra e na Fran&ccedil;a. Nesses dois pa&iacute;ses, onde a educa&ccedil;&atilde;o    era mais refinada, as mulheres gozavam de mais liberdade que em outros lugares.    Segundo Badinter (1993), foram as "preciosas francesas" quem primeiro    questionaram a identidade masculina e o papel dos homens na sociedade, e seus    questionamentos tiveram grande repercuss&atilde;o. </font></p>      <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">Consideradas as primeiras feministas, as "preciosas"      - mulheres da aristocracia e alta burguesia, solteiras, independentes economicamente      -, defendiam a igualdade entre os sexos, o direito ao amor e ao prazer sexual,      o acesso &agrave; mesma educa&ccedil;&atilde;o intelectual dada aos homens.      Questionando a institui&ccedil;&atilde;o casamento e os pap&eacute;is de esposa      e m&atilde;e como destino da mulher, elas inverteram os valores sociais da      &eacute;poca. Apesar de seus opositores, elas conseguiram algumas mudan&ccedil;as      (Badinter, 1993: 12). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O apogeu do "preciosismo" franc&ecirc;s    ocorreu por volta de 1650 e 1660. Na Inglaterra, segundo Kimel (1987, citado    por Badinter, 1993), a verdadeira crise da masculinidade ocorreu entre 1688    e 1714, &eacute;poca em que houve muitos esfor&ccedil;os de negocia&ccedil;&atilde;o    dos pap&eacute;is do homem e da mulher no casamento, na fam&iacute;lia e na    sexualidade. Tudo isso ganhou corpo com a id&eacute;ia do amor rom&acirc;ntico    que se gestava, na preocupa&ccedil;&atilde;o com a felicidade, no desenvolvimento    do individualismo e outras mudan&ccedil;as radicais que surgiam com a modernidade.    </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Contraditoriamente, a Revolu&ccedil;&atilde;o    Francesa acabou com essa evolu&ccedil;&atilde;o. Negou &agrave;s mulheres o    direito de cidad&atilde;s e retomou a tradicional separa&ccedil;&atilde;o entre    os sexos, que durou por mais de 100 anos. S&oacute; no s&eacute;culo XX o movimento    de mulheres voltou a ganhar for&ccedil;a na luta pelo direito ao voto, &agrave;    cultura e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, &agrave; igualdade nas condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho, enfim, lutando pela igualdade em todas as inst&acirc;ncias antes    dominadas pelos homens. Mas &eacute; na d&eacute;cada de 60, sob a &eacute;gide    do feminismo, que a luta das mulheres ganha visibilidade e se fortalece como    um movimento social respons&aacute;vel por mudan&ccedil;as radicais nos valores,    nos costumes, nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho e na fam&iacute;lia. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Portanto, pode-se dizer que o movimento das    mulheres, assim como o movimento dos homens, &eacute; resultado das condi&ccedil;&otilde;es    hist&oacute;ricas decorrentes das grandes transforma&ccedil;&otilde;es sociais,    econ&ocirc;micas e culturais iniciadas no s&eacute;culo XVII. O capitalismo,    na sua evolu&ccedil;&atilde;o, enfraqueceu o patriarcado e, &agrave; medida    que o poder paterno declinava, as mulheres foram ocupando espa&ccedil;o na esfera    p&uacute;blica, tanto para atender &agrave;s necessidades do mercado de trabalho    quanto da pr&oacute;pria fam&iacute;lia, uma vez que o homem j&aacute; n&atilde;o    dava conta do seu papel de provedor. Com a necessidade de trabalhar - seja para    complementar a renda familiar, seja por realiza&ccedil;&atilde;o pessoal -,    a mulher se defronta com novas quest&otilde;es, como o controle contraceptivo    diante da decis&atilde;o de ter ou n&atilde;o filhos, e a necessidade de dividir    tarefas e responsabilidades, na esfera dom&eacute;stica. Conseq&uuml;entemente,    todas essas quest&otilde;es tiveram implica&ccedil;&otilde;es na vida dos homens.    O que n&atilde;o quer dizer, como lembra Nolasco (1993), que a transi&ccedil;&atilde;o    vivida pelos homens seja simplesmente decorr&ecirc;ncia do movimento das mulheres,    uma vez que o movimento dos homens tem caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias.    A mudan&ccedil;a das mulheres e a mudan&ccedil;a dos homens expressam a crise    do individualismo vivenciada como crise do sentimento de identidade. Nolasco    insiste em separar o movimento das mulheres do movimento dos homens. Para ele,    a crise de identidade dos homens se inicia com a crise do mundo do trabalho    e da fam&iacute;lia e n&atilde;o com o feminismo. No nosso entender, essas quest&otilde;es    n&atilde;o s&atilde;o excludentes, ambos os movimentos s&atilde;o decorr&ecirc;ncia    de um processo de transforma&ccedil;&atilde;o mais amplo, iniciado com a ascens&atilde;o    do capitalismo na Europa, que levou a enormes mudan&ccedil;as nos valores dominantes    no mundo do trabalho, na fam&iacute;lia e nas rela&ccedil;&otilde;es afetivo-sexuais.    </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Como resultado dessas transforma&ccedil;&otilde;es,    pode-se observar, nos &uacute;ltimos anos, o crescimento do n&uacute;mero de    homens que buscam formas alternativas de subjetividade distanciadas do modelos    sexistas. Segundo Nolasco (1993), nessa trajet&oacute;ria reflexiva os homens    est&atilde;o tomando consci&ecirc;ncia das tens&otilde;es e conflitos impostos    pelo machismo e descobrindo a possibilidade de, livres dos grilh&otilde;es estereotipados,    reconhecer as suas reais necessidades afetivas e buscar meios de satisfaz&ecirc;-las    sem se sentirem menos "machos" por isso. E, assim, podem descobrir    o prazer de amar e se relacionar de outra forma, em que a abertura para intimidade,    a troca afetiva e o contato com os sentimentos s&atilde;o experi&ecirc;ncias    valorizadas. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Concluindo, pode-se dizer que, nos dias de hoje,    pelo menos nas sociedades ocidentais, homens e mulheres est&atilde;o se distanciando    dos modelos estereotipados de g&ecirc;nero e desenvolvendo novas formas de subjetividade,    livres do imperativo das divis&otilde;es tra&ccedil;adas pelas representa&ccedil;&otilde;es    sociais at&eacute; ent&atilde;o vigentes. A id&eacute;ia de que existe um modelo    masculino ou feminino universal n&atilde;o se sustenta mais. Sob a &eacute;gide    da pluralidade e da singularidade, surgem diferentes <i>modos de ser</i> da    masculinidade e da feminilidade que convivem, de forma j&aacute; n&atilde;o    t&atilde;o conflituosa, com as matrizes hegem&ocirc;nicas de g&ecirc;nero ainda    existentes. Neste cen&aacute;rio, conforme j&aacute; apontamos em outro estudo    (Ara&uacute;jo, 1999), abre-se a possibilidade <i>concreta</i> de construir    rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero mais democr&aacute;ticas, nas quais o    direito &agrave; igualdade e o respeito &agrave; diferen&ccedil;a s&atilde;o    as pedras angulares. N&atilde;o &eacute; demais afirmar que esse continua sendo    o <i>ideal</i> de relacionamento perseguido no casamento e na fam&iacute;lia    desde a modernidade. </font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b>    </font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ara&uacute;jo, M. F. (1999). <i>Casamento e sexualidade</i>.    A revis&atilde;o dos mitos na perspectiva de g&ecirc;nero. Tese de Doutorado.    Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Social. Universidade    de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575957&pid=S0103-5665200500020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Badinter, E. (1992/1993). <i>XY - Sobre a identidade    masculina</i> (M. I. D. Estrada, Trad.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575958&pid=S0103-5665200500020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bly, R. (1991). <i>Jo&atilde;o de Ferro</i>.    Rio de Janeiro: Campus. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575959&pid=S0103-5665200500020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bourdieu, P. (1995). A domina&ccedil;&atilde;o    masculina. <i>Educa&ccedil;&atilde;o & Realidade</i>, 20 (2), 133-184. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575960&pid=S0103-5665200500020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Carrigan, T; Connel, B. & Lee, J. (1985).    Toward a new sociology of masculinity. Em <i>Theory and Society</i>, 14 (5),    551-603. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575961&pid=S0103-5665200500020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Collin, F. (1992). <i>Pr&aacute;xis de la diff&eacute;rence</i>.    Paris: Les Cahiers du Grief<i>.</i> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575962&pid=S0103-5665200500020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Connel, R. W. (1995). Pol&iacute;ticas de masculinidade.    <i>Educa&ccedil;&atilde;o & Realidade,</i> 20 (2), 185-206. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575963&pid=S0103-5665200500020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fuller, N. (1997). <i>Identidades masculinas</i>.    Lima: Fondo Editorial de la Pontificia Universidad Cat&oacute;lica del Per&uacute;.    </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575964&pid=S0103-5665200500020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jablonski, B. (1995). A dif&iacute;cil extin&ccedil;&atilde;o    do bo&ccedil;alossauro. Em Nolasco, S. (Org.). <i>A desconstru&ccedil;&atilde;o    do masculino</i> (pp. 156-165). Rio de Janeiro: Rocco. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575965&pid=S0103-5665200500020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mead, M. (1949). <i>Macho e f&ecirc;mea</i>.    (M. M. Moura, Trad.). Rio de Janeiro: Vozes, 1971. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575966&pid=S0103-5665200500020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nolasco, S. (1993). <i>O mito da masculinidade</i>.    Rio de Janeiro: Rocco. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575967&pid=S0103-5665200500020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. (1995). A desconstru&ccedil;&atilde;o    do masculino: uma contribui&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica &agrave; an&aacute;lise    de g&ecirc;nero. Em Nolasco, S. (Org.). <i>A desconstru&ccedil;&atilde;o do    masculino</i> (pp. 15-29). Rio de Janeiro: Rocco. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575968&pid=S0103-5665200500020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Oliveira, R. D. (1993). <i>Elogio da diferen&ccedil;a.    O feminino emergente</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575969&pid=S0103-5665200500020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Oliveira, P. P. (1998). Discursos sobre a masculinidade.    <i>Estudos Feministas</i>, 6 (1), 91-112. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575970&pid=S0103-5665200500020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pierucci, A. F. (1990). Ciladas da diferen&ccedil;a.    <i>Tempo Social</i>, 2 (2), 7-33. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575971&pid=S0103-5665200500020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Saffiotti, H. I. B. (1992). Rearticulando g&ecirc;nero    e classe social. Em Costa, A. O. & Bruschini, C. (Org.). <i>Uma quest&atilde;o    de g&ecirc;nero</i> (pp. 183-215)<i>.</i> Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575972&pid=S0103-5665200500020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. (1997). <i>Influ&ecirc;ncias do p&oacute;s-modernismo    nas teorias feministas</i>. Trabalho apresentado no XXI Congresso da ALAS/Associa&ccedil;&atilde;o    Latino-Americana de Sociologia. S&atilde;o Paulo. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575973&pid=S0103-5665200500020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Scott, J. (1988). <i>Gender and the politics    of history</i>. New York: Columbia University Press. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575974&pid=S0103-5665200500020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. (1995). G&ecirc;nero: uma categoria &uacute;til    de an&aacute;lise hist&oacute;rica. <i>Educa&ccedil;&atilde;o & Realidade</i>,    20 (2), 71-99. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575975&pid=S0103-5665200500020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Strathern, M. (1988). <i>The gender of the gift</i>.    California: Berkeley University of California Press. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575976&pid=S0103-5665200500020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tilly, L. A. (1994). G&ecirc;nero, hist&oacute;ria    das mulheres e hist&oacute;ria social. <i>Cadernos Pagu</i>, 3, 29-62. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575977&pid=S0103-5665200500020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tolson, A. (1977). <i>Os limites da masculinidade</i>.    Lisboa: Ass&iacute;rio Alvim. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575978&pid=S0103-5665200500020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Welzer-Lang, D. (2001). A constru&ccedil;&atilde;o    do masculino: domina&ccedil;&atilde;o das mulheres e homofobia. <i>Estudos Feministas</i>,    9 (2), 460-481. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1575979&pid=S0103-5665200500020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>NOTAS</b> </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> <a name="end01"></a><a href="#sup01">1</a> &Eacute;    importante assinalar que existe outra postura, que recusa a utiliza&ccedil;&atilde;o    do conceito de g&ecirc;nero. Michele Ferrand (1989), em extenso levantamento    da literatura feminista francesa, verificou o amplo uso do conceito <i>rela&ccedil;&otilde;es    sociais de sexo</i>. Para muitas feministas francesas, o pr&oacute;prio sexo    n&atilde;o se inscreve puramente no terreno biol&oacute;gico, mas sofre uma    elabora&ccedil;&atilde;o social, que n&atilde;o se pode negligenciar sob pena    de <i>naturalizar</i> processos hist&oacute;ricos (cf. Saffiotti, 1992: 183).    <br>   <a name="end02"></a><a href="#sup02">2</a> O uso ideol&oacute;gico da diferen&ccedil;a,    lembra Pierucci (1990), pode ser visto no <i>Caso</i> <i>Sears,</i> ocorrido    nos Estados Unidos em 1979, quando a <i>Equal Employment Opportunities Comission    (EEOC</i>), do governo americano, moveu um processo criminal contra a <i>Sears</i>    por discrimina&ccedil;&atilde;o sexual em sua pol&iacute;tica de contrata&ccedil;&atilde;o    de pessoal. O julgamento teve como protagonistas duas feministas: Alice Kessler,    respons&aacute;vel pela acusa&ccedil;&atilde;o com base no direito &agrave;    igualdade, e Rosalind Rosenberg, respons&aacute;vel pela defesa com base no    direito &agrave; diferen&ccedil;a. Sobre o <i>Caso Sears</i>, ver Milkman. R.    Women's (1986) History and the Sears Case<i>. Feminist Studies.</i> New York,    12 (2), 375-400. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido 20 de dezembro de 2004    <br>   Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em 29 de mar&ccedil;o de 2005</font></p>       ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Casamento e sexualidade: A revisão dos mitos na perspectiva de gênero]]></source>
<year>1999</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Badinter]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Estrada]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. I. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[XY: Sobre a identidade masculina]]></source>
<year>1992</year>
<month>/1</month>
<day>99</day>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Fronteira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bly]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[João de Ferro]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Campus]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bourdieu]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A dominação masculina]]></article-title>
<source><![CDATA[Educação & Realidade]]></source>
<year>1995</year>
<volume>20</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>133-184</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carrigan]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Connel]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lee]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Toward a new sociology of masculinity]]></article-title>
<source><![CDATA[Theory and Society]]></source>
<year>1985</year>
<volume>14</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>551-603</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Collin]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Práxis de la différence]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Les Cahiers du Grief]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Connel]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Políticas de masculinidade]]></article-title>
<source><![CDATA[Educação & Realidade]]></source>
<year>1995</year>
<volume>20</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>185-206</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fuller]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Identidades masculinas]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lima ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fondo Editorial de la Pontificia Universidad Católica del Perú]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jablonski]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A difícil extinção do boçalossauro]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Nolasco]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A desconstrução do masculino]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>156-165</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rocco]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mead]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Moura]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Macho e fêmea]]></source>
<year>1971</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nolasco]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O mito da masculinidade]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rocco]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nolasco]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A desconstrução do masculino: uma contribuição crítica à análise de gênero]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Nolasco]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A desconstrução do masculino]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>15-29</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rocco]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Elogio da diferença: O feminino emergente]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Discursos sobre a masculinidade]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Feministas]]></source>
<year>1998</year>
<volume>6</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>91-112</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pierucci]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ciladas da diferença]]></article-title>
<source><![CDATA[Tempo Social]]></source>
<year>1990</year>
<volume>2</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>7-33</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Saffiotti]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. I. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Rearticulando gênero e classe social]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. O.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bruschini]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uma questão de gênero]]></source>
<year>1992</year>
<page-range>183-215</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rosa dos Tempos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Saffiotti]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. I. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Influências do pós-modernismo nas teorias feministas]]></source>
<year>1997</year>
<conf-name><![CDATA[XXI Congresso da ALAS/Associação Latino-Americana de Sociologia]]></conf-name>
<conf-loc>São Paulo </conf-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scott]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gender and the politics of history]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scott]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gênero: uma categoria útil de análise histórica]]></article-title>
<source><![CDATA[Educação & Realidade]]></source>
<year>1995</year>
<volume>20</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>71-99</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Strathern]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The gender of the gift]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[California ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Berkeley University of California Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tilly]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gênero, história das mulheres e história social]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos Pagu]]></source>
<year>1994</year>
<volume>3</volume>
<page-range>29-62</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tolson]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os limites da masculinidade]]></source>
<year>1977</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Assírio Alvim]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Welzer-Lang]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Feministas]]></source>
<year>2001</year>
<volume>9</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>460-481</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
