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<publisher-name><![CDATA[Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A feminização na psicose: empuxo-à-mulher e erotomania]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The trend towards feminization in psychoses is an issue to be dealt by psychoanalytical treatment. Entitled by Jacques Lacan as push towards woman, it is different from the position of the neurotic on the woman's category in the division of gender. The aim of this paper is to appraise the push towards woman and outline the destination that the delirium is able to grant it. The procedure consists in circumscribing the problematic of sexuality among human beings based on the Freudian theory and on Lacan's teaching about the subject inscription in the sexual partition. The cases Aimée and Schreber will be approached with the intention of delimiting the structure pressure on the push towards woman, the phenomenon emergency and its articulation with erotomania.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>SE&Ccedil;&Atilde;O LIVRE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>A feminiza&ccedil;&atilde;o na psicose: empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    e erotomania</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>The feminization in psychosis: the push towards    woman and erotomania</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Vanessa Campbell da Gama<sup>I</sup>; Ang&eacute;lica Bastos<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Psic&oacute;loga e Mestre em Teoria Psicanal&iacute;tica    pelo Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)    <br>   <sup>II</sup>Psicanalista; Professora Associada I no Programa    de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Teoria Psicanal&iacute;tica &#150; Universidade    Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bolsista de produtividade cient&iacute;fica    do CNPq</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="VERDANA"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A tend&ecirc;ncia &agrave; feminiza&ccedil;&atilde;o    nas psicoses constitui uma quest&atilde;o para a dire&ccedil;&atilde;o do tratamento    psicanal&iacute;tico. Denominada por Jacques Lacan de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    ela se distingue da posi&ccedil;&atilde;o do neur&oacute;tico no lado mulher    da divis&atilde;o dos sexos. Este trabalho tem por objetivo conceituar o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    e delinear o destino que o del&iacute;rio &eacute; capaz de lhe conferir. O    procedimento consiste em circunscrever a problem&aacute;tica da sexua&ccedil;&atilde;o    entre os humanos com base na teoria freudiana e no ensino de Lacan sobre a inscri&ccedil;&atilde;o    do sujeito na partilha sexual. Os casos Aim&eacute;e e Schreber ser&atilde;o    abordados com o intuito de delimitar a press&atilde;o da estrutura no empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    a emerg&ecirc;ncia do fen&ocirc;meno e sua articula&ccedil;&atilde;o com a erotomania.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras&#45;chave:</b> psicose, empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    erotomania, psican&aacute;lise.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The trend towards feminization in psychoses is    an issue to be dealt by psychoanalytical treatment. Entitled by Jacques Lacan    as push towards woman, it is different from the position of the neurotic on    the woman's category in the division of gender. The aim of this paper is to    appraise the push towards woman and outline the destination that the delirium    is able to grant it. The procedure consists in circumscribing the problematic    of sexuality among human beings based on the Freudian theory and on Lacan's    teaching about the subject inscription in the sexual partition. The cases Aim&eacute;e    and Schreber will be approached with the intention of delimiting the structure    pressure on the push towards woman, the phenomenon emergency and its articulation    with erotomania.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b> Keywords: </b>psychoses, push towards woman, erotomania,    psychoanalysis.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A tend&ecirc;ncia &agrave; feminiza&ccedil;&atilde;o    nas psicoses e o fen&ocirc;meno nomeado por Lacan (&#91;1973&#93; 2001) de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    (<I>pousse &agrave; la femme</I>), que lhe &eacute; correlato, constituem um    problema te&oacute;rico&#45;cl&iacute;nico na dire&ccedil;&atilde;o do tratamento    psicanal&iacute;tico. Esta experi&ecirc;ncia do empuxo n&atilde;o deve ser entendida    como inscri&ccedil;&atilde;o subjetiva no lado mulher da partilha sexual, mas    como a certeza delirante de transformar&#45;se em mulher ou de estar &agrave; merc&ecirc;    de um Outro que goza do sujeito como de um corpo de mulher. A express&atilde;o    empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, como veremos, contempla n&atilde;o apenas o fen&ocirc;meno    da feminiza&ccedil;&atilde;o, pois decorre de uma press&atilde;o inerente &agrave;    estrutura psic&oacute;tica, devido a impasses que o sujeito sofre no processo    de sexua&ccedil;&atilde;o. Em casos da literatura psicanal&iacute;tica, como    Aim&eacute;e (Lacan, &#91;1932&#93; 1987) e Schreber (&#91;1903&#93; 2006), bem como na cl&iacute;nica    contempor&acirc;nea, observa&#45;se que, quando convocados a responderem como homem    ou mulher, um impasse se apresenta. Uma paciente paranoica de nossa experi&ecirc;ncia    cl&iacute;nica afirma ser homem e mulher ao mesmo tempo, testemunhando aus&ecirc;ncia    de fronteira entre o masculino e o feminino. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na manifesta&ccedil;&atilde;o do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    o psic&oacute;tico experimenta&#45;se como objeto de gozo do Outro, um gozo ilimitado,    posi&ccedil;&atilde;o cuja rela&ccedil;&atilde;o com a erotomania assume formas    variadas. O presente trabalho visa definir o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher e discutir    o destino que o del&iacute;rio &eacute; capaz de lhe dar atrav&eacute;s da erotomania,    sem, no entanto, preconiz&aacute;&#45;lo como dire&ccedil;&atilde;o do tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Do ponto de vista do sujeito, a realidade &eacute;    ps&iacute;quica: embora a diferen&ccedil;a anat&ocirc;mica entre os sexos n&atilde;o    seja sem consequ&ecirc;ncias, n&atilde;o se nasce psiquicamente homem ou mulher.    A constitui&ccedil;&atilde;o sexuada do sujeito requer um posicionamento frente    &agrave; castra&ccedil;&atilde;o e, quando ele a inscreve, submete&#45;se &agrave;    l&oacute;gica f&aacute;lica, situando&#45;se do lado masculino ou do lado feminino.    Assumimos o pressuposto de que na psicose o sujeito n&atilde;o registrou a castra&ccedil;&atilde;o    e, por isso, n&atilde;o se inseriu na l&oacute;gica f&aacute;lica. Interrogamo&#45;nos,    ent&atilde;o, sobre os recursos de que pode valer&#45;se para situar&#45;se diante da    &#150; e n&atilde;o na &#150; divis&atilde;o dos sexos, posto que a diferen&ccedil;a sexual,    que n&atilde;o simbolizou, n&atilde;o lhe escapa. Nossa hip&oacute;tese &eacute;    de que o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, submetido a um trabalho ps&iacute;quico como    o del&iacute;rio, pode ser considerado uma forma de o sujeito responder por    sua condi&ccedil;&atilde;o sexuada &#150; em lugar de inscrever&#45;se na partilha &#150;    e alcan&ccedil;ar a estabiliza&ccedil;&atilde;o. Entendemos por estabiliza&ccedil;&atilde;o    o restabelecimento da realidade (Lacan, &#91;1957&#45;1958&#93; 1998). O del&iacute;rio,    reconhecido como tentativa de cura, &eacute; uma forma de reconstru&ccedil;&atilde;o    da realidade que, nos casos de paranoia, chega a produzir uma significa&ccedil;&atilde;o    alternativa &agrave; significa&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica que n&atilde;o    adveio. Assim, delimitamos nossa investiga&ccedil;&atilde;o ao empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    atrelado a uma significa&ccedil;&atilde;o delirante nas psicoses paranoicas,    tentativa de cura que n&atilde;o pretendemos erigir como paradigma bem&#45;sucedido    de supl&ecirc;ncia nas psicoses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>SEXUA&Ccedil;&Atilde;O E FORCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por n&atilde;o se nascer homem ou mulher, trata&#45;se,    para a psican&aacute;lise, de um processo, a sexua&ccedil;&atilde;o, que franqueia    identifica&ccedil;&otilde;es para o falante desprovido de identidade sexual <I>a priori</I>. Tanto para os meninos quanto para as meninas existe "apenas    um &oacute;rg&atilde;o genital, ou seja, o masculino. O que est&aacute; presente,    portanto, n&atilde;o &eacute; uma primazia dos &oacute;rg&atilde;os genitais,    mas uma primazia do falo" (Freud, &#91;1923&#93; 1996: 158). &Eacute; quando um    significante se diferencia de todos os outros que alguma l&oacute;gica pode    ser instaurada. Homem e mulher est&atilde;o referidos &agrave; l&oacute;gica    f&aacute;lica, ambos se posicionam na partilha dos sexos a partir da primazia    do falo, al&ccedil;ado &agrave; categoria de significante e fun&ccedil;&atilde;o    na qual o sujeito se inscreve.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O quadro em que Lacan (&#91;1972&#45;1973&#93; 1985) exp&otilde;e    as f&oacute;rmulas da sexua&ccedil;&atilde;o compreende o lado do homem, com </font><font>&#8707;</font><font size="2" face="verdana"><I>x </I><img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img01.gif" align="absmiddle"> e </font><font>&#8704;</font><font size="2" face="verdana"><I>x</I> </font><font>&#934;</font><font size="2" face="verdana"><I>x</I>, e o lado da mulher, com <img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img02.gif" align="absmiddle"> <img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img01.gif" align="absmiddle"> e <img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img03.gif" align="absmiddle"></font><font> &#934;</font><font size="2" face="verdana"><I>x</I>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No lado masculino, h&aacute; uma exce&ccedil;&atilde;o    que funda o conjunto dos homens, ou seja, h&aacute; um que n&atilde;o est&aacute;    submetido &agrave; castra&ccedil;&atilde;o, representado pela f&oacute;rmula: </font><font>&#8707;</font><font size="2" face="verdana"><I>x </I><img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img01.gif" align="absmiddle">. Este lugar de exce&ccedil;&atilde;o reporta&#45;se ao mito    do pai da horda descrito por Freud (&#91;1912&#93; 1996), segundo o qual havia um pai    que gozava de todas as mulheres, o "ao menos um" n&atilde;o submetido    &agrave; l&oacute;gica f&aacute;lica. O pai da horda funda, ao mesmo tempo,    a exce&ccedil;&atilde;o &agrave; castra&ccedil;&atilde;o e o conjunto dos homens,    enquanto inscritos de modo todo na l&oacute;gica f&aacute;lica. A exce&ccedil;&atilde;o    delimita o conjunto dos homens: </font><font>&#8704;</font><font size="2" face="verdana"><I>x</I> </font><font>&#934;</font><font size="2" face="verdana"><I>x</I>, o homem est&aacute; todo    submetido &agrave; castra&ccedil;&atilde;o: "O todo repousa, portanto,    aqui, na exce&ccedil;&atilde;o colocada" (Lacan, &#91;1972&#45;1973&#93; 1985: 107). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Do lado feminino n&atilde;o h&aacute; exce&ccedil;&atilde;o:    n&atilde;o h&aacute; nenhuma mulher que n&atilde;o esteja submetida &agrave;    castra&ccedil;&atilde;o, ou seja, que se exclua da fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica,    o que &eacute; representado por: <img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img02.gif" align="absmiddle"> <img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img01.gif" align="absmiddle">. N&atilde;o obstante,<img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img03.gif" align="absmiddle"></font><font> &#934;</font><font size="2" face="verdana"><I>x</I>, as mulheres est&atilde;o de modo "n&atilde;o&#45;todo" submetidas    &agrave; fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, porque n&atilde;o existe exce&ccedil;&atilde;o    que funde o conjunto. Pela refer&ecirc;ncia ao falo, a menina se constitui como    mulher, mas, como do lado feminino n&atilde;o h&aacute; exce&ccedil;&atilde;o,    o conjunto das mulheres n&atilde;o existe: elas s&oacute; podem ser contadas    uma a uma, por falta de um significante que as represente; da&iacute; o aforismo    lacaniano: A Mulher n&atilde;o existe. Ao mesmo tempo que todas as mulheres    s&atilde;o castradas, elas est&atilde;o n&atilde;o totalmente inscritas na l&oacute;gica    f&aacute;lica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A l&oacute;gica f&aacute;lica n&atilde;o d&aacute;    conta do que &eacute; ser uma mulher. Lacan postula que as mulheres possuem    um gozo suplementar ao f&aacute;lico, gozo Outro, n&atilde;o capturado pelo    significante. Este gozo feminino &eacute; imposs&iacute;vel de ser dito e sobre    ele "talvez ela n&atilde;o saiba nada a n&atilde;o ser que o experimenta    &#150; isto ela sabe" (Lacan, &#91;1972&#45;1973&#93; 1985: 100). Em seguida, ele assinala    que "Nada se pode dizer da mulher" (Lacan, &#91;1972&#45;1973&#93; 1985: 109).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A partir da formula&ccedil;&atilde;o de que A    Mulher n&atilde;o existe, e da inexist&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o sexual    que dela decorre, Miller (1998) cunha o conceito de forclus&atilde;o generalizada:    para todo sujeito falta significante. Trata&#45;se de uma falta estrutural inerente    &agrave; linguagem, com a qual todo falante se depara, configurando uma impossibilidade    de tudo inscrever com os significantes. O modo como neur&oacute;ticos e psic&oacute;ticos    respondem a este imposs&iacute;vel &eacute; diferente. Na neurose, com o Nome&#45;do&#45;Pai    inscrito, esta falta aparece de forma simb&oacute;lica nas forma&ccedil;&otilde;es    do inconsciente, especialmente no sintoma. Na psicose, com o Nome&#45;do&#45;Pai forclu&iacute;do,    conforme a teoriza&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria da primazia do simb&oacute;lico,    o que &eacute; recusado na ordem simb&oacute;lica reaparece no real, como significante    fora da cadeia e como gozo deslocalizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Nome&#45;do&#45;Pai &#150; significante que engendra a significa&ccedil;&atilde;o    f&aacute;lica &#150; passa a ser entendido como, mais que um recurso simb&oacute;lico,    uma supl&ecirc;ncia &agrave; falta estrutural, constituindo um sintoma, que    tem por fun&ccedil;&atilde;o domesticar o gozo. Quando ele n&atilde;o se apresenta,    o gozo n&atilde;o&#45;negativizado e n&atilde;o&#45;localizado retorna, provocando os    fen&ocirc;menos t&iacute;picos da psicose, como a experi&ecirc;ncia de feminiza&ccedil;&atilde;o    com o transbordamento de gozo que lhe &eacute; peculiar: o sujeito torna&#45;se    objeto de um gozo sexual excessivo, &agrave;s vezes inadmiss&iacute;vel e aviltante,    nas m&atilde;os do Outro que dele se apodera como, no seu entender, se faz com    uma mulher.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A forclus&atilde;o generalizada n&atilde;o invalida    a forclus&atilde;o do significante do Nome&#45;do&#45;Pai, formalizada por Lacan (&#91;1955&#45;1956&#93;    1985) para a psicose. Ao invocar o Nome&#45;do&#45;Pai, pela aus&ecirc;ncia deste recurso    simb&oacute;lico, o psic&oacute;tico pode responder com o desencadeamento. Uma    das formas de compensa&ccedil;&atilde;o &agrave; falta de significante &eacute;    a constru&ccedil;&atilde;o da met&aacute;fora delirante, que tem por fun&ccedil;&atilde;o    organizar o mundo de acordo com uma nova significa&ccedil;&atilde;o suscet&iacute;vel    de tratar o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, quando este se manifesta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O EMPUXO&#45;&Agrave;&#45;MULHER: UM EFEITO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sem acesso &agrave; fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica    para posicionar&#45;se sexualmente, o psic&oacute;tico pode inventar uma solu&ccedil;&atilde;o,    como o trabalho em torno do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher. Este pode emergir como algo    insuport&aacute;vel e, apesar disso, o sujeito trabalhar no sentido de conciliar&#45;se    com ele. Em outros casos, o sujeito defende&#45;se dele e busca outra solu&ccedil;&atilde;o    para sua condi&ccedil;&atilde;o sexuada. Dado que a fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica    limita e localiza o gozo, sua inoper&acirc;ncia d&aacute; lugar a um retorno    do gozo, que pode assumir a forma do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, correspondendo    &agrave; emerg&ecirc;ncia de um gozo sem limites. A forclus&atilde;o determina    a irrup&ccedil;&atilde;o do gozo que retorna no real, mas o ponto para o qual    o empuxo pressiona extrapola a mera invas&atilde;o de gozo, pois envolve a feminiza&ccedil;&atilde;o.    Por que o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, que n&atilde;o conduz &agrave; inclus&atilde;o    do psic&oacute;tico no lado mulher, constrange na dire&ccedil;&atilde;o da mulher?    &Eacute; importante marcar uma diferen&ccedil;a: embora a mulher seja n&atilde;o&#45;toda    inscrita na l&oacute;gica f&aacute;lica, como sublinha Maleval (2002), "o    gozo suplementar de uma mulher n&atilde;o deixa de estar limitado pelo gozo    f&aacute;lico" (Maleval, 2002: 296), e o que est&aacute; em quest&atilde;o    na psicose &eacute; precisamente a aus&ecirc;ncia deste limite. A defini&ccedil;&atilde;o    de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher liga&#45;se ao quantificador existencial do lado feminino,    ou seja, n&atilde;o existe nenhuma que n&atilde;o esteja submetida &agrave;    castra&ccedil;&atilde;o: "para se introduzir como metade a se dizer das    mulheres, o sujeito se determina a partir de que, n&atilde;o existindo suspens&atilde;o    na fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, tudo possa dizer&#45;se dela, mesmo que provenha    do sem raz&atilde;o" (Lacan, &#91;1973&#93; 2001: 466).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tudo se pode dizer das mulheres, porque, na aus&ecirc;ncia    de exce&ccedil;&atilde;o do lado feminino, n&atilde;o h&aacute; tra&ccedil;o    comum que fa&ccedil;a delas um conjunto. Segundo Miller (2003), afirmar que    tudo pode ser dito da mulher implica ao mesmo tempo o contr&aacute;rio, ou seja,    que nada se pode dizer sobre ela. Paradoxalmente, podemos dizer tudo da mulher,    pois, na falta de um conjunto l&oacute;gico e estrutural do lado mulher, nada    podemos dizer de seu ser feminino. Logo ap&oacute;s a referida passagem, Lacan    menciona o caso do presidente Schreber e teoriza o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Desenvolvendo a inscri&ccedil;&atilde;o que fiz      da psicose de Schreber por uma fun&ccedil;&atilde;o hiperb&oacute;lica, poderia      demonstrar, no que ele tem de sarc&aacute;stico, <I>o efeito de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher</I>,      que se especifica pelo primeiro quantificador, depois de precisar que &eacute;      pela irrup&ccedil;&atilde;o de Um&#45;pai como sem&#45;raz&atilde;o que se precipita,      aqui, o efeito sentido como de <I>for&ccedil;amento para o campo de um Outro      a ser pensado como o mais estranho a qualquer sentido</I> (Lacan, &#91;1973&#93; 2001:      466; grifos nossos).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A fun&ccedil;&atilde;o hiperb&oacute;lica remete    ao futuro assint&oacute;tico no qual se concluiria a transforma&ccedil;&atilde;o    de Schreber em mulher, ponto indicado, mas n&atilde;o alcan&ccedil;ado. O sarcasmo    que se depreende do empuxo especificado pelo quantificador existencial consiste    em tentar ocupar um lugar imposs&iacute;vel de exce&ccedil;&atilde;o, pois este    lugar ou &eacute; paterno (no lado homem), ou &eacute; logicamente imposs&iacute;vel    (no lado mulher). Mais sarc&aacute;stico ainda seria fundar o universal masculino    por meio da exce&ccedil;&atilde;o feminina. O empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher decorre    da aus&ecirc;ncia estrutural da fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica, ou seja,    resulta da posi&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;tico, e o ponto para o qual    ele &eacute; arrastado coincide com aquele em que falta significante para dizer    o sexo, onde o significante que representaria a mulher n&atilde;o existe. Ap&oacute;s    cunhar o conceito de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, Lacan volta a falar da neurose,    deixando&#45;nos a tarefa de desenvolver este conceito essencial para pensarmos    os impasses te&oacute;rico&#45;cl&iacute;nicos colocados pela feminiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Alguns psicanalistas dedicaram&#45;se &agrave; defini&ccedil;&atilde;o    de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher. De acordo com J. Santiago (2001), "a foraclus&atilde;o    do Nome&#45;do&#45;Pai &eacute; assinalada clinicamente pela antecipa&ccedil;&atilde;o,    pela irrup&ccedil;&atilde;o de um gozo infinito, gozo verdadeiramente in&eacute;dito,    supremo, cujo nome &eacute; o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher" (Santiago, 2001:    131). Ainda segundo o autor, Lacan postula que a "foraclus&atilde;o do    Nome&#45;do&#45;Pai tem como efeito fazer existir A mulher. E por isso mesmo o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    n&atilde;o assume o valor de mais um dado particular ao caso Schreber, mas,    sim, de um fato de estrutura para toda psicose. &Eacute; a lei universal do    gozo nas psicoses" (Santiago, 2001: 131).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quinet (2003) tamb&eacute;m parece sustentar    que o psic&oacute;tico faz existir A Mulher n&atilde;o&#45;barrada: "O del&iacute;rio    de Schreber inventa a mulher que n&atilde;o existe" (Quinet, 2003: 43).    Nesta mesma linha, encontram&#45;se Mahieu (2004) e Maleval (2002). Este &uacute;ltimo    afirma que "Um efeito da forclus&atilde;o do Nome do Pai &eacute; fazer    existir A Mulher, ou seja, a encarna&ccedil;&atilde;o de um gozo infinito"    (Maleval, 2002: 301). Este autor chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de    que, se A Mulher existisse, ter&iacute;amos que retirar a nega&ccedil;&atilde;o    presente acima do quantificador existencial, <img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img02.gif" align="absmiddle"> <img src="/img/revistas/pc/v22n1/a09img01.gif" align="absmiddle">, que significa    n&atilde;o existir uma que n&atilde;o esteja submetida &agrave; lei do falo.    Assim, Maleval (2002) frisa que, logicamente falando, A Mulher Toda se confunde    com o Pai Gozador, pois representa a exist&ecirc;ncia de um n&atilde;o submetido    &agrave; castra&ccedil;&atilde;o. Existindo A Mulher, n&atilde;o haveria distin&ccedil;&atilde;o    entre o lado masculino e o feminino, mas equival&ecirc;ncia entre eles, vale    dizer, a imposs&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o sexual. Cabe averiguar que    mulher, ent&atilde;o, &eacute; esta que o psic&oacute;tico inventaria, sem o    registro da castra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; preciso dizer que &eacute; imposs&iacute;vel    escrever A Mulher, pois n&atilde;o h&aacute; significante que a represente.    A inexist&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o sexual, evidenciada pela inexist&ecirc;ncia    d'A Mulher, &eacute; o que "n&atilde;o para de n&atilde;o se inscrever"    (Lacan, &#91;1972&#45;1973&#93; 1985: 127). Se o imposs&iacute;vel &eacute; o que "n&atilde;o    para de n&atilde;o se inscrever", o psic&oacute;tico n&atilde;o inscreve    A Mulher que, estruturalmente, n&atilde;o existe. O empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher n&atilde;o    corresponde &agrave; inscri&ccedil;&atilde;o no lado mulher; tampouco &agrave;    inscri&ccedil;&atilde;o de A Mulher; traduz uma press&atilde;o intr&iacute;nseca    &agrave; estrutura psic&oacute;tica, inerente &agrave; sua din&acirc;mica diante    da diferen&ccedil;a sexual n&atilde;o simbolizada. Ora, se n&atilde;o &eacute;    esta a Mulher que o psic&oacute;tico inventa, qual &eacute;? Ao mesmo tempo    que o psic&oacute;tico n&atilde;o chega, por uma impossibilidade l&oacute;gica,    a fazer existir A Mulher, ele tampouco pode ser <I>uma mulher</I>, que &eacute;    n&atilde;o&#45;toda inscrita na l&oacute;gica f&aacute;lica. Por conseguinte, se    o psic&oacute;tico inventa A Mulher Toda, n&atilde;o&#45;barrada, cabe frisar que    n&atilde;o &eacute; aquela que n&atilde;o existe do lado mulher das f&oacute;rmulas    da sexua&ccedil;&atilde;o. Podemos aventar a hip&oacute;tese de que, experimentando    o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, o sujeito &eacute; convocado a inventar n&atilde;o <I>o</I> lugar da exce&ccedil;&atilde;o, enquanto termo l&oacute;gico que funda    a regra, mas <I>uma</I> posi&ccedil;&atilde;o de exce&ccedil;&atilde;o, no sentido    em que, por n&atilde;o estar amparado por um discurso estabelecido, &eacute;    in&eacute;dita e absolutamente original.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A possibilidade de o sujeito vir a alcan&ccedil;ar    a estabiliza&ccedil;&atilde;o com o trabalho em torno do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    parece&#45;nos clinicamente mais relevante que a quest&atilde;o da inven&ccedil;&atilde;o    ou n&atilde;o de A Mulher n&atilde;o&#45;barrada. A articula&ccedil;&atilde;o entre    empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher e estabiliza&ccedil;&atilde;o deve ser examinada caso    a caso, pois em si o empuxo n&atilde;o &eacute; estabilizante; ele incide sobre    a dimens&atilde;o puramente objetal e &eacute; vivido pelo psic&oacute;tico    como uma for&ccedil;a que pressiona, que vem de fora, retornando do lugar do    Outro que goza de sua feminiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Soler (2007): "J&aacute; a no&ccedil;&atilde;o    de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher situa&#45;se claramente no n&iacute;vel da sexua&ccedil;&atilde;o    do sujeito: implica uma modalidade de gozo &#91;...&#93; aquele de quem dizemos n&atilde;o    que ele &eacute; mulher, mas que &eacute; impelido a s&ecirc;&#45;lo, que est&aacute;    em vias de se tornar mulher" (Soler, 2007: 228). Na impossibilidade de    se posicionar seja como homem, seja como mulher, o sujeito sofre, conforme j&aacute;    citado, um "for&ccedil;amento para o campo de um Outro a ser pensado como    o mais estranho a qualquer sentido" (Lacan, &#91;1973&#93; 2001: 466). A manifesta&ccedil;&atilde;o    do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher n&atilde;o significa que o sujeito v&aacute; se inscrever    do lado da mulher, mas que ser&aacute; empuxado, empurrado para o campo de um    Outro cuja estranheza ao sentido &eacute; superlativa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>SCHREBER: A MULHER DE DEUS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Anos ap&oacute;s uma crise de hipocondria durante    a qual conheceu Dr. Flechsig, Schreber volta a procur&aacute;&#45;lo com a sensa&ccedil;&atilde;o    de ser objeto de manobras mal&eacute;ficas. Quando se achava entre o sono e    a vig&iacute;lia, veio&#45;lhe &agrave; mente o pensamento de que deveria "ser    belo ser uma mulher e submeter&#45;se ao ato da c&oacute;pula", ideia germinal    do del&iacute;rio. Sua condi&ccedil;&atilde;o piora e, dessa vez, ele permanece    internado por nove anos, ao longo dos quais constr&oacute;i seu sistema delirante    e redige suas Mem&oacute;rias. Na ideia germinal do del&iacute;rio, Freud    (&#91;1911&#93; 1996) localiza a emerg&ecirc;ncia de um impulso homossexual e a causa    do desencadeamento da paranoia. A explica&ccedil;&atilde;o gira em torno desta    "fantasia de desejo homossexual" (Freud, &#91;1911&#93; 1996: 67). Contudo,    ele enfatiza que, na tentativa de repelir o desejo homossexual, o paciente responde    precisamente com "del&iacute;rios de persegui&ccedil;&atilde;o desta esp&eacute;cie"    (Freud, &#91;1911&#93; 1996: 67). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em um primeiro tempo, a ideia delirante de ser    transformado em mulher &eacute; inadmiss&iacute;vel: Schreber experimenta sofrimentos    terr&iacute;veis, pois seu corpo "devia ser transformado em um corpo feminino    e, como tal, entregue ao homem em quest&atilde;o para fins de abusos sexuais,    devendo finalmente ser 'deixado largado', e portanto abandonado &agrave; putrefa&ccedil;&atilde;o"    (Schreber, &#91;1903&#93; 2006: 67).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No efeito de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, a invas&atilde;o    de um gozo desmedido toma o sujeito como objeto de um Outro devastador.  Ele &eacute; submetido a terr&iacute;veis experi&ecirc;ncias corporais, dentre    as quais a mais abomin&aacute;vel &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o de    seu corpo em corpo de mulher. Neste primeiro tempo, a evira&ccedil;&atilde;o    era contr&aacute;ria &agrave; Ordem do Mundo. O corpo de Schreber seria utilizado    e abandonado como o de uma prostituta. Como sublinha Freud, "Era imposs&iacute;vel    para Schreber resignar&#45;se a representar o papel de uma devassa para com seu    m&eacute;dico" (Freud, &#91;1911&#93; 1996: 57), e Lacan (&#91;1966&#93; 2001) identifica    nesta rela&ccedil;&atilde;o de Schreber com Flechsig uma erotomania mort&iacute;fera. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Atrav&eacute;s do trabalho delirante, h&aacute;    uma passagem de Flechsig a Deus, o que culmina em uma reconcilia&ccedil;&atilde;o    com o pensamento de ser transformado em mulher. Na segunda etapa, a transforma&ccedil;&atilde;o    do sujeito em mulher passa a estar em conformidade com a Ordem do Mundo, &agrave;    qual o pr&oacute;prio Deus est&aacute; submetido. A transforma&ccedil;&atilde;o    de Schreber passa a ter um nobre e honroso objetivo: ser a Mulher de Deus e    dar origem a uma nova ra&ccedil;a de homens. O efeito de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    portanto, atrav&eacute;s do trabalho do del&iacute;rio, recebe um enquadramento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Houve altera&ccedil;&otilde;es no posicionamento    diante do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher. Se no in&iacute;cio este efeito era insuport&aacute;vel,    ao final ele consente em ser transformado em mulher. Embora o cerne do del&iacute;rio    permane&ccedil;a inalterado &#150; transforma&ccedil;&atilde;o em mulher &#150;, h&aacute;    uma mudan&ccedil;a entre o primeiro e o segundo tempos. A transforma&ccedil;&atilde;o,    que se resumia a sofrer abusos sexuais, ganha uma solu&ccedil;&atilde;o elegante:    ser a Mulher de Deus e, fecundado pelos raios divinos, dar origem a uma nova    humanidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Concordamos com Maleval (2002), que aponta duas    vertentes do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher: irrup&ccedil;&atilde;o de um gozo desatado    e possibilidade de refre&aacute;&#45;lo. Schreber recorre ao empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    para construir sua met&aacute;fora delirante. Se o empuxo &eacute; vivenciado    como um gozo mort&iacute;fero, atrav&eacute;s de um trabalho ps&iacute;quico    ele comporta possibilidade de estabiliza&ccedil;&atilde;o. Schreber conseguiu    inscrever o seu gozo como feminino e "Com isso se restabelece uma vers&atilde;o    sexuada do gozo" (Soler, 2007: 48).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A exclus&atilde;o do falo na psicose foi assim    assinalada no caso Schreber: "na impossibilidade de ser o falo que falta    &agrave; m&atilde;e, resta&#45;lhe a solu&ccedil;&atilde;o de ser a mulher que falta    aos homens" (Lacan, &#91;1957&#45;1958&#93; 1998: 572). O psic&oacute;tico n&atilde;o    pode ser o falo que falta &agrave; m&atilde;e porque, quando h&aacute; falta    f&aacute;lica na m&atilde;e, a castra&ccedil;&atilde;o est&aacute; simbolizada.    Ser a mulher que falta aos homens manifesta o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher ao mesmo    tempo que lhe d&aacute; um sentido. Ao elaborar a met&aacute;fora delirante,    Schreber construiu um lugar para ele no Outro e inscreveu Mulher de Deus como    uma posi&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel de ser sustentada, posi&ccedil;&atilde;o    que lhe valeu a estabiliza&ccedil;&atilde;o por alguns anos e cuja fragilidade    &eacute; apontada pela reca&iacute;da que sofreu anos depois.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Soler (2007) sublinha que, a partir do trabalho    do del&iacute;rio, Schreber "instaura uma quase rela&ccedil;&atilde;o sexual    com Deus, na qual Schreber menos &eacute; a Mulher que lhe falta do que a que    n&atilde;o lhe falta, porque ele a tem" (Soler, 2007: 48). Assim, o paranoico    ocupa o lugar de objeto que obtura o Outro, a quem nunca nada faltou, para que    nada lhe falte. O del&iacute;rio engendrou uma mudan&ccedil;a na posi&ccedil;&atilde;o    frente ao gozo maci&ccedil;o do Outro. Se Schreber era objeto de abusos do Outro,    passa a ser objeto indispens&aacute;vel ao Outro (Mu&ntilde;oz, 2005).    A&iacute; mesmo onde o sujeito &eacute; esmagado pelo Outro &eacute; que ele    tem de inventar uma regula&ccedil;&atilde;o. No in&iacute;cio de sua loucura,    Deus gozava de Schreber, no final Deus goza com Schreber. No &uacute;ltimo tempo    do del&iacute;rio, Schreber afirma que, se tem alguma parcela de prazer sensual    ao proporcionar o gozo de Deus, sente&#45;se "justificado a receb&ecirc;&#45;lo,    a t&iacute;tulo de um pequeno ressarcimento pelo excesso de sofrimentos e priva&ccedil;&otilde;es"    (Schreber, &#91;1903&#93; 2006: 219) que h&aacute; anos lhe &eacute; imposto. H&aacute;    uma passagem de "a mulher que falta aos homens" para a mulher que    (n&atilde;o) falta a Deus, sendo que Schreber adia a conclus&atilde;o de sua    transforma&ccedil;&atilde;o em mulher para um futuro assint&oacute;tico, tornando&#45;a    um ideal crucial para a estabiliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Que n&atilde;o haja um significante que represente    A Mulher n&atilde;o atesta a impot&ecirc;ncia do significante, mas a impossibilidade    de tudo dizer: o gozo transborda o sentido, ultrapassa o que o significante    pode abarcar. Se do lado mulher o gozo excede o sentido e coloca em jogo algo    que n&atilde;o acede ao significante, na psicose o gozo desmedido pr&oacute;prio    ao empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher &eacute; estranho ao sentido, pois o campo do Outro    configura&#45;se como puro campo de gozo. Portanto, a diferen&ccedil;a entre o psic&oacute;tico    e a mulher &eacute; que o gozo desta, embora n&atilde;o totalmente, est&aacute;    amparado na l&oacute;gica f&aacute;lica; o do psic&oacute;tico n&atilde;o. O    empuxo ao lugar de objeto de gozo do Outro n&atilde;o&#45;barrado remete &agrave;    erotomania, sugerindo uma rela&ccedil;&atilde;o entre os dois.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>EROTOMANIA E EMPUXO&#45;&Agrave;&#45;MULHER</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se o empuxo responde &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    estrutural, a erotomania emerge solid&aacute;ria &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    objetal do sujeito sem, no entanto, fazer&#45;se necessariamente acompanhar de feminiza&ccedil;&atilde;o    no plano dos fen&ocirc;menos. Sua caracter&iacute;stica fundamental reside no    fato de que a iniciativa parte sempre do Outro, nunca do sujeito, que se descobre    apassivado no amor de que &eacute; objeto. Freud assinala que, em casos de erotomania,    as afei&ccedil;&otilde;es come&ccedil;am "por uma percep&ccedil;&atilde;o    externa de ser amado" (Freud, &#91;1911&#93; 1996: 71).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Freud a causa do desencadeamento da psicose    de Schreber "foi a irrup&ccedil;&atilde;o de um impulso homossexual"    (Freud, &#91;1911&#93; 1996: 54). Articulando desejo homossexual e desencadeamento,    ele afirma que, ao menos em sujeitos do sexo masculino, "as principais    formas de paranoia conhecidas podem ser todas representadas como nega&ccedil;&atilde;o    da proposi&ccedil;&atilde;o &uacute;nica <I>eu</I> (um homem) <I>o amo</I> (um    homem)" (Freud, &#91;1911&#93; 1996: 71). Nas tr&ecirc;s formas de negar a proposi&ccedil;&atilde;o    fica bastante evidente que a iniciativa parte do outro e que o sujeito est&aacute;    em posi&ccedil;&atilde;o de objeto. No caso do del&iacute;rio erotoman&iacute;aco:    "Eu n&atilde;o o amo &#150; eu a amo, porque <I>ela</I> me ama" (Freud,    &#91;1911&#93; 1996: 71), embora o sujeito possa declarar o seu amor, foi o outro que    amou o sujeito primeiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">De acordo com Broca (1985), o termo erotomania    foi criado em 1810 pelo criminalista Zieller. &Eacute; Cl&eacute;rambault quem    define seus elementos fundamentais e "descreve a express&atilde;o pura    com suas tr&ecirc;s fases cl&aacute;ssicas de esperan&ccedil;a, despeito e rancor,    a partir de um postulado fundamental: '&Eacute; o Outro que me ama'" (Broca,    1985: 122). Como coloca Mez&ecirc;ncio (2004), foi Cl&eacute;rambault quem isolou,    na d&eacute;cada de 1920, o grupo das psicoses passionais, que ele distingue    das psicoses paranoicas. As primeiras englobam del&iacute;rio de reivindica&ccedil;&atilde;o,    del&iacute;rio de ci&uacute;me e erotomania, cujo del&iacute;rio ele sistematizou    como uma s&iacute;ndrome.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Cl&eacute;rambault, as caracter&iacute;sticas    da s&iacute;ndrome s&atilde;o: o postulado fundamental, ou seja, a iniciativa    partiu de um outro superior ao sujeito, e as dedu&ccedil;&otilde;es &#150; mais imaginativas    que interpretativas &#150; que indicam complementaridade entre o sujeito e o objeto.    Ademais, ele sublinha o car&aacute;ter contingente do platonismo (Mez&ecirc;ncio,    2004). Freud e Cl&eacute;rambault convergem ao enfatizarem a iniciativa do outro,    mas o primeiro isola uma posi&ccedil;&atilde;o subjetiva por meio da gram&aacute;tica    pulsional, enquanto o segundo busca a estrutura do fen&ocirc;meno: "De    Cl&eacute;rambault oferece a formula&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica do fen&ocirc;meno    enquanto Freud parte da causa da psicose, identificada com uma posi&ccedil;&atilde;o    libidinal, a partir da qual explicita o del&iacute;rio, produzido por uma gram&aacute;tica    transformadora" (Hanna, 2000: 18).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na erotomania, o sujeito sustenta a certeza de    que &eacute; amado, n&atilde;o experimentando necessariamente viv&ecirc;ncia    de feminiza&ccedil;&atilde;o. Como o fen&ocirc;meno do empuxo deve ser remetido    ao plano da estrutura, cabe investigar a posi&ccedil;&atilde;o subjetiva do    erot&ocirc;mano, como fez Lacan. Seu interesse pela erotomania remonta &agrave;    sua tese de doutorado, no caso chamado por ele de Aim&eacute;e (Amada), nome    de uma hero&iacute;na do primeiro romance escrito pela paciente. O pr&oacute;prio    nome atribu&iacute;do &agrave; paciente j&aacute; indica sua posi&ccedil;&atilde;o    erotoman&iacute;aca. Embora Lacan tenha designado este caso como "paranoia    de autopuni&ccedil;&atilde;o", em 1975 ele rev&ecirc; seu pr&oacute;prio    diagn&oacute;stico, destacando em Aim&eacute;e a erotomania (Mez&ecirc;ncio,    2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns psicanalistas relacionam o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    &agrave; erotomania. Broca se pergunta "se n&atilde;o &eacute; a partir    de uma posi&ccedil;&atilde;o feminina que o homem experimenta a erotomania.    Em todo caso, Schreber o testemunha eloquentemente. A erotomania indicaria,    portanto, o momento do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher nas psicoses" (Mez&ecirc;ncio,    2004: 122). Soler (1991) tamb&eacute;m atrela a erotomania ao empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    no caso Schreber: "O efeito de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, produzido pela falta    de uma exist&ecirc;ncia que funda o universal da fun&ccedil;&atilde;o f&aacute;lica    como fun&ccedil;&atilde;o de castra&ccedil;&atilde;o, &eacute; o piv&ocirc;    estrutural da dita erotomania de Schreber" (Soler, 1991: 156). Ela    assinala que "O empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher schreberiano fornece o modelo do    que &eacute;, nas chamadas erotomanias, a mania de gozo" (Soler, 2007:    49) que predomina sobre a mania de amor. A autora sublinha que "A formula&ccedil;&atilde;o    correta do la&ccedil;o que une Schreber a seu Outro parece&#45;nos ser esta: Deus    goza de mim" (Soler, 2007: 46). A erotomania como forma de gozo na psicose    implica um alargamento do conceito:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Sua &uacute;ltima observa&ccedil;&atilde;o sobre      a erotomania, em 1975, observa&ccedil;&atilde;o de entrada surpreendente, que      qualifica Aim&eacute;e de erot&ocirc;mana &#150; quando em um sentido estrito os      poucos temas secund&aacute;rios desta ordem discern&iacute;veis em seu del&iacute;rio      de persegui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parecem autoriz&aacute;&#45;lo &#150;, parece      que tem de ser entendida como uma tentativa de extens&atilde;o do conceito de      erotomania, congruente com sua concep&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia      psic&oacute;tica (Maleval, 2002: 330).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Lacan (&#91;1955&#45;1956&#93; 1985) utiliza a express&atilde;o    erotomania divina para a rela&ccedil;&atilde;o de Schreber com Deus. Mais tarde    fala em "erotomania mort&iacute;fera" (Lacan, &#91;1966&#93; 2001), contemplando    a dimens&atilde;o do gozo. A erotomania "apenas mascara a presen&ccedil;a    do Outro gozador, sempre inclinado a converter o psic&oacute;tico em sua coisa"    (Maleval, 2002: 373). Ou ainda: "No curso do ensino de Lacan a erotomania    ser&aacute; precisada como uma erotomania mortificante na qual, mais al&eacute;m    do amor, o que est&aacute; posto em jogo &eacute; o gozo" (Tendlarz,    1999: 61).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos anos cinquenta, a problem&aacute;tica da    psicose era pensada atrav&eacute;s da l&oacute;gica significante e o desencadeamento    descrito em termos de rompimento da cadeia. Atrav&eacute;s do del&iacute;rio,    um gozo transexualista se define na rela&ccedil;&atilde;o de Schreber com Deus,    introduzindo a dimens&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o e o posicionamento    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sexua&ccedil;&atilde;o. A esta primeira teoriza&ccedil;&atilde;o    acrescenta&#45;se "Apresenta&ccedil;&atilde;o das<I> Mem&oacute;rias de um    doente dos nervos</I>" (Lacan, &#91;1966&#93; 2001: 221), na qual a express&atilde;o    "sujeito do gozo" define o paranoico como aquele que identifica o    gozo no lugar do Outro. Schreber situa o gozo no lugar do Outro ao conceber    um Deus que usufrui de seu corpo em vias de transforma&ccedil;&atilde;o em corpo    de mulher. A dimens&atilde;o do gozo articula erotomania e empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    respondendo pela dimens&atilde;o mortificante de ambas. A posi&ccedil;&atilde;o    de objeto remete tanto ao empuxo como &agrave; erotomania.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com Soler (2007), as erotomanias plat&ocirc;nicas    se distinguem por elidirem a dimens&atilde;o do gozo. "O parceiro eleito    por postulado ama, por&eacute;m n&atilde;o goza. &Eacute;, ao contr&aacute;rio,    o &uacute;ltimo recurso contra a amea&ccedil;a do gozo" (Soler, 2007: 50).    O platonismo, portanto, "surge como um recurso que elide o gozo, circunscrevendo&#45;o    no Outro, sob a forma de amor que dele emana" (Hanna, 2000: 139). Portanto,    a erotomania plat&ocirc;nica &eacute; um modo de prote&ccedil;&atilde;o contra    o gozo, &agrave; medida que o vela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A fun&ccedil;&atilde;o do amor &eacute; distinta    na neurose e na psicose. Enquanto na primeira ele vem suprir a aus&ecirc;ncia    da rela&ccedil;&atilde;o sexual, na segunda ele "&eacute; invocado para    resistir &agrave; imin&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o mort&iacute;fera"    (Soler, 2007: 51). A mania de gozo n&atilde;o limita o gozo que retorna no real,    mas torna&#45;se uma companhia compensadora, que Schreber designa de "indeniza&ccedil;&atilde;o"    para aplic&aacute;&#45;lo n&atilde;o ao amor, mas &agrave; parcela de gozo que lhe    cabe (Soler, 2007: 51).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A irrup&ccedil;&atilde;o do gozo ilimitado pode    encontrar na erotomania um recurso para trat&aacute;&#45;lo; tal como para o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    em si ela n&atilde;o tem um efeito apaziguador devido a seu eventual car&aacute;ter    mort&iacute;fero e persecut&oacute;rio. Na aus&ecirc;ncia de inscri&ccedil;&atilde;o    na partilha sexual, a erotomania vem a ser uma maneira de o psic&oacute;tico    lidar com o impasse colocado por sua condi&ccedil;&atilde;o sexuada. Empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    e erotomania se entrela&ccedil;am, na medida em que ambos dizem respeito ao    retorno do gozo que invade o sujeito, sendo que o primeiro concerne diretamente    &agrave; irrup&ccedil;&atilde;o do gozo desmedido, enquanto a segunda j&aacute;    se presta a moder&aacute;&#45;lo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O sujeito pode defender&#45;se do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    de outra forma. Briole (2003) relata o caso de um homem que forjou uma solu&ccedil;&atilde;o    nomeando&#45;se um Senhor. Ap&oacute;s a nomea&ccedil;&atilde;o, que o mantinha    longe das mulheres, ele se estabilizou: a solu&ccedil;&atilde;o para o impasse    na sexua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seguiu o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, que n&atilde;o    &eacute; a &uacute;nica resposta do psic&oacute;tico ao enigma sexual. O tratamento    do empuxo pela erotomania n&atilde;o configura uma solu&ccedil;&atilde;o para    todos. Aim&eacute;e, caso abordado a seguir, tratou o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    pela erotomania, mas estabilizou&#45;se quando foi considerada culpada perante a    lei por uma passagem ao ato homicida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>O CASO AIM&Eacute;E</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aim&eacute;e &eacute; internada aos 38 anos no    Asilo de Sainte&#45;Anne por ocasi&atilde;o de sua segunda crise psic&oacute;tica,    logo ap&oacute;s ser presa por cometer um atentado contra uma atriz. Durante    esta interna&ccedil;&atilde;o, Lacan encontra&#45;se com ela e acompanha&#45;a por cerca    de um ano e meio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Lacan (&#91;1932&#93; 1987) assinala que est&atilde;o    presentes no del&iacute;rio de Aim&eacute;e os temas de persegui&ccedil;&atilde;o    e de grandeza. Quanto aos &uacute;ltimos, destacam&#45;se as intui&ccedil;&otilde;es    de ter uma grande miss&atilde;o social, "idealismo reformista, enfim, numa    erotomania sistematizada sobre uma personagem da realeza" (Lacan, &#91;1932&#93;    1987: 155). Aos 28 anos de idade observa&#45;se o "come&ccedil;o dos dist&uacute;rbios    psicop&aacute;ticos de Aim&eacute;e" (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 155), quando    a paciente engravida. Todos come&ccedil;am a falar dela: colegas de trabalho,    transeuntes, jornais. Ela tem a convic&ccedil;&atilde;o de que querem a morte    de seu filho, certeza que constituiu o cerne do del&iacute;rio de persegui&ccedil;&atilde;o.    Ela d&aacute; &agrave; luz um beb&ecirc; natimorto, o que refor&ccedil;a seu    del&iacute;rio: ela imputa a desgra&ccedil;a a seus inimigos, concentrando toda    a responsabilidade numa mulher que foi sua melhor amiga e que, de uma cidade    afastada, telefonou logo ap&oacute;s o parto em busca de not&iacute;cias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns meses depois, Aim&eacute;e engravida pela    segunda vez, sofrendo o retorno de um quadro depressivo. Com 30 anos d&aacute;    &agrave; luz um menino: "Ela se dedica &agrave; crian&ccedil;a com um ardor    apaixonado; ningu&eacute;m mais vai cuidar dela at&eacute; os cinco meses. &#91;...&#93;    Todos amea&ccedil;am seu filho" (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 156&#45;157). Ela afirma    que queria ir aos EUA para buscar o sucesso: almejava ser romancista. Ao mesmo    tempo que confessa ter abandonado seu filho, diz que foi por causa dele que    se lan&ccedil;ou nesta empreitada. Diz que a fam&iacute;lia fez um compl&ocirc;    contra ela: tiraram&#45;lhe o filho e a prenderam em uma casa de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aim&eacute;e vai trabalhar em Paris, onde constr&oacute;i    o del&iacute;rio que desemboca em uma passagem ao ato. Enquanto se perguntava    de onde vinham as amea&ccedil;as contra seu filho, escutou seus colegas de trabalho    falarem da Sra. Z. Desta forma, ela compreendeu que era a atriz que queria o    mal de seu filho. A paciente l&ecirc; no jornal "que seu filho ia ser morto    'porque sua m&atilde;e era caluniadora', era 'vil' e que se 'vingariam dela'"    (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 160) e, transtornada, fica sabendo que a atriz atuar&aacute;    em um teatro pr&oacute;ximo de sua casa. "&Eacute; para zombar de mim"    (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 160). Embora seja a principal, a Sra. Z n&atilde;o &eacute;    a &uacute;nica perseguidora. "Ela &eacute; o tipo da mulher c&eacute;lebre,    adulada pelo p&uacute;blico, bem&#45;sucedida, vivendo no luxo" (Lacan,    &#91;1932&#93; 1987: 161). Lacan chama aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que a pr&oacute;pria    Aim&eacute;e "desejaria ser uma romancista, levar uma grande vida, ter    uma influ&ecirc;ncia sobre o mundo" (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 161). A Sra. Z,    portanto, encarna o ideal de Aim&eacute;e.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante um curto per&iacute;odo, chamado por    Aim&eacute;e de "dissipa&ccedil;&atilde;o", ela acredita que "deve    ir aos homens". "Isto quer dizer que ela aborda os transeuntes ao    acaso e os entret&eacute;m com seu vago entusiasmo; &#91;...&#93; ela &eacute; levada    v&aacute;rias vezes aos hot&eacute;is, onde, contra a vontade ou n&atilde;o,    &eacute; preciso que ela se decida" (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 165). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao escrever sobre o caso, Lacan est&aacute; longe    de teorizar o efeito de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher. Ele cunha a express&atilde;o    em 1973, embora j&aacute; comentasse a feminiza&ccedil;&atilde;o na psicose.    Relendo Lacan a partir dele pr&oacute;prio, identificamos nesta passagem o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    em Aim&eacute;e e n&atilde;o a erotomania, que ela tamb&eacute;m chega a apresentar.    Como afirma Tendlarz: "Neste per&iacute;odo Aim&eacute;e se situa como    'a mulher que falta aos homens'. Ao dirigir&#45;se aos homens, um por um, busca    situar&#45;se no lugar da exce&ccedil;&atilde;o que lhe permite construir o universal    dos homens" (Tendlarz, 1999: 211). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&Agrave;s v&eacute;speras do atentado "um    tema se precisa, o de uma erotomania que tem como objeto o pr&iacute;ncipe de    Gales" (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 165), a quem escreve pequenas poesias apaixonadas.    N&atilde;o consta que ela tenha tentado alguma aproxima&ccedil;&atilde;o quando    o pr&iacute;ncipe esteve em Paris, mas enviou&#45;lhe seus sonetos por correio,    indicando que "O tra&ccedil;o maior do platonismo ali se mostra com toda    a nitidez desej&aacute;vel" (Lacan, &#91;1932&#93; 1987: 167).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mahieu (2004) coloca que o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    recebe na erotomania uma formula&ccedil;&atilde;o especial: "como nos fez    notar bem F. Gorog: na erotomania o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher se apresenta de um    modo particular, posto que &eacute; a&#45;mulher&#45;que&#45;falta&#45;a&#45;um&#45;s&oacute;&#45;homem    e n&atilde;o a&#45;mulher&#45;que&#45;falta&#45;a&#45;todos&#45;os&#45;homens" (Mahieu, 2004: 113).    O autor evidencia que parte substancial da no&ccedil;&atilde;o de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher    consiste em "ocupar uma posi&ccedil;&atilde;o de exce&ccedil;&atilde;o"    (Mahieu, 2004: 113) devido &agrave; associa&ccedil;&atilde;o com a erotomania. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao acreditar que deveria "ir aos homens",    Aim&eacute;e se posicionava como a mulher que falta aos homens; com o desenvolvimento    do del&iacute;rio erotoman&iacute;aco em dire&ccedil;&atilde;o ao pr&iacute;ncipe    de Gales, ela passa a ser a mulher que falta ao pr&iacute;ncipe; portanto, a    um s&oacute; homem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir de um n&atilde;o&#45;lugar na partilha sexual,    o sujeito constr&oacute;i um lugar Outro, uma posi&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita.    Schreber alcan&ccedil;ou a estabiliza&ccedil;&atilde;o gra&ccedil;as &agrave;    inven&ccedil;&atilde;o da met&aacute;fora Mulher de Deus; em uma nova posi&ccedil;&atilde;o    tecida pelo trabalho delirante, ele consente em realizar o querer do Outro.    O efeito de empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher, como enuncia Maleval (2002), n&atilde;o    se reduz &agrave; irrup&ccedil;&atilde;o de um gozo desatado, mas, ami&uacute;de,    facilita uma certa regula&ccedil;&atilde;o deste gozo. Existem, portanto, duas    vertentes do empuxo: uma mort&iacute;fera, que implica um gozo desmedido, e    outra apaziguante, na medida em que contribuiria como prote&ccedil;&atilde;o    a este gozo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A erotomania pode ter um papel importante rumo    &agrave; estabiliza&ccedil;&atilde;o, como em Schreber, na passagem de "a    mulher que falta aos homens" para "a mulher que (n&atilde;o) falta    a Deus". No final, ele n&atilde;o &eacute; objeto de amor de um outro qualquer    (um homem comum e mortal), mas o complemento do pr&oacute;prio Deus. Como "a    mulher que falta aos homens", Aim&eacute;e acreditava que deveria "ir    aos homens". Com a erotomania plat&ocirc;nica, ela passa a ser a mulher    que falta a um s&oacute; homem, o pr&iacute;ncipe. Em ambos, reconhecemos a    formula&ccedil;&atilde;o que recebe o empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher temperado pela    erotomania, ou seja, a passagem de "a mulher que falta aos homens"    para "a mulher que falta a um s&oacute; homem", criando uma posi&ccedil;&atilde;o    excepcional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com base nesses dois casos que n&atilde;o contaram    com a participa&ccedil;&atilde;o de um analista, a cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica    da psicose aposta que, na escuta das produ&ccedil;&otilde;es desses sujeitos    e no testemunho de que ali h&aacute; um tratamento do empuxo&#45;&agrave;&#45;mulher,    outras solu&ccedil;&otilde;es, talvez mais eficientes no tratamento do gozo,    sejam vislumbradas. Schreber, que s&oacute; se estabilizou ap&oacute;s nove    anos de muito trabalho e &#150; por que n&atilde;o diz&ecirc;&#45;lo? &#150; de muito sofrimento,    d&aacute; uma indica&ccedil;&atilde;o do lugar do analista no endere&ccedil;amento    do del&iacute;rio: "Se eu tentasse me explicar s&oacute; oralmente, dificilmente    poderia esperar que algu&eacute;m tivesse paci&ecirc;ncia de me ouvir numa exposi&ccedil;&atilde;o    demorada; menos ainda se considerariam esses pretensos absurdos dignos de uma    reflex&atilde;o" (Schreber, &#91;1903&#93; 2006: 117).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Briole, M. H. (2003). Vers une "existence    de discours". <I>Mental &#150; Revue internationale de sant&eacute; mentale    et psychanalyse apliqu&eacute;e, 13</I>, 109&#45;115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618519&pid=S0103-5665201000010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Broca, R. (1985). Sobre la erotoman&iacute;a    de transferencia. In: <I>Psicosis y psicoan&aacute;lisis</I> (pp. 121&#45;131).    Buenos Aires: Ediciones Manantial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618521&pid=S0103-5665201000010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Freud, S. (1911/1996). Notas psicanal&iacute;ticas    sobre um relato autobiogr&aacute;fico de um caso de paran&oacute;ia. <I>Obras    completas</I>, ESB, v. XII. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618523&pid=S0103-5665201000010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Freud, S. (1912/1996). Totem e tabu. <I>Obras    completas</I>, ESB, v. XIII. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618525&pid=S0103-5665201000010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Freud, S. (1923/1996). A organiza&ccedil;&atilde;o    genital infantil (Uma interpola&ccedil;&atilde;o na teoria da sexualidade). <I>Obras completas</I>, ESB, v. XIX. Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618527&pid=S0103-5665201000010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Hanna, M. S. G. F. (2000). <I>A transfer&ecirc;ncia    na psicose: uma quest&atilde;o</I>. Tese de Doutorado, Curso de P&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o    em Teoria Psicanal&iacute;tica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio    de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618529&pid=S0103-5665201000010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lacan, J. (1932/1987). <I>Da psicose paran&oacute;ica    em suas rela&ccedil;&otilde;es com a personalidade.</I> Rio de Janeiro: Forense    Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618531&pid=S0103-5665201000010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lacan, J. (1955&#45;1956/1985). <I>O semin&aacute;rio,    livro 3: as psicoses.</I> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618533&pid=S0103-5665201000010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lacan, J. (1957&#45;1958/1998). De uma quest&atilde;o    preliminar a todo tratamento poss&iacute;vel da psicose. In: <I>Escritos</I> (pp. 531&#45;590). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618535&pid=S0103-5665201000010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lacan, J. (1966/2001). Apresenta&ccedil;&atilde;o    das <I>Mem&oacute;rias de um doente dos nervos</I>. In: <I>Outros escritos</I> (pp. 219&#45;223). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618537&pid=S0103-5665201000010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lacan, J. (1972&#45;1973/1985). <I>O semin&aacute;rio,    livro 20: mais, ainda.</I> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618539&pid=S0103-5665201000010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lacan, J. (1973/2001). O aturdito. In: <I>Outros    escritos</I> (pp. 448&#45;497). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618541&pid=S0103-5665201000010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Mahieu, E. T. (2004). <I>El empuje&#45;a&#45;la&#45;mujer    &#150; Formas, transformaciones y estructura</I>. C&oacute;rdoba: El espejo ediciones.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618543&pid=S0103-5665201000010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Maleval, J. C. (2002). <I>La forclusi&oacute;n    del Nombre del Padre: el concepto y su cl&iacute;nica</I>. Buenos Aires: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618545&pid=S0103-5665201000010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Mez&ecirc;ncio, M. S. (2004). Transfer&ecirc;ncia    na psicose: erotomania<I>. Revista de psicologia plural, 19/20</I>, 147&#45;169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618547&pid=S0103-5665201000010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Miller, J. A. (1998). Forclusi&oacute;n generalizada.    In: <I>Los signos del goce &#150; Los cursos de Jacques&#45;Alain Miller </I>(pp. 367&#45;381).    Buenos Aires: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618549&pid=S0103-5665201000010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Miller, J. (2003). Uma partilha sexual. <I>Clique    &#150; Revista dos Institutos Brasileiros de Psican&aacute;lise do Campo Freudiano,  2</I>, 13&#45;29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618551&pid=S0103-5665201000010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Mu&ntilde;oz, N. M. (2005). <I>Inventar o amor:    um desafio na cl&iacute;nica das psicoses</I>. Tese de Doutorado, Programa de    P&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o em Teoria Psicanal&iacute;tica, Universidade    Federal do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618553&pid=S0103-5665201000010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Quinet, A. (2003). <I>Teoria e cl&iacute;nica    da psicose</I>. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618555&pid=S0103-5665201000010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Santiago, J. (2001). O crime kakon: uma quest&atilde;o    sobre a lei do gozo nas psicoses. <I>Curinga,  17</I>, 128&#45;135.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618557&pid=S0103-5665201000010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Schreber, D. P. (1903/2006). <I>Mem&oacute;rias    de um doente dos nervos</I>. Rio de Janeiro: Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618559&pid=S0103-5665201000010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Soler, C. (1991). <I>Artigos cl&iacute;nicos:    a transfer&ecirc;ncia, a cura, a interpreta&ccedil;&atilde;o, a psicose</I>.    Salvador: Fator.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618561&pid=S0103-5665201000010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Soler, C. (2007). <I>O inconsciente a c&eacute;u    aberto da psicose</I>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618563&pid=S0103-5665201000010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Tendlarz, S. H. (1999). <I>Aim&eacute;e con Lacan    &#150; Acerca de la paranoia de autopunici&oacute;n</I>. Buenos Aires: Lugar Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1618565&pid=S0103-5665201000010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Recebido em 14 de fevereiro de 2009    <br>   Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em 14 de    maio de 2010</font></p>      ]]></body>
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