<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0103-5835</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Jornal de Psicanálise]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[J. psicanal.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0103-5835</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Psicanalise da Sociedade Brasileira de Psicanalise de Sao Paulo]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0103-58352017000100028</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Breve introdução a algumas ideias de Bion]]></article-title>
</title-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo Instituto de Psicanálise Durval Marcondes ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[São Paulo ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>50</volume>
<numero>92</numero>
<fpage>341</fpage>
<lpage>344</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-58352017000100028&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0103-58352017000100028&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0103-58352017000100028&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>RESENHAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Breve introdu&ccedil;&atilde;o a algumas ideias de Bion</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"><b>Lu&iacute;s Fernando de N&oacute;brega</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif"> Membro filiado ao Instituto de Psican&aacute;lise "Durval Marcondes" da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo, SBPSP, S&atilde;o Paulo. <a href="mailto:luisfnobrega@terra.com.br">luisfnobrega@terra.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/jp/v50n92/a28fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Autor: Isaias Kirschbaum    <br> Editora: Blucher, S&atilde;o Paulo, 2017    <br> Resenhado por: Lu&iacute;s Fernando de N&oacute;brega, S&atilde;o Paulo</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O que podemos observar nesse livro &eacute; a oportunidade do primeiro contato com a obra de Bion, por meio de um profissional que tem essas ideias j&aacute; encarnadas, fazendo parte de sua pr&oacute;pria pessoa. Tamb&eacute;m podemos perceber que Isaias, com muitos anos de pr&aacute;tica, tem certas opini&otilde;es formadas, n&atilde;o como dogmas ou verdades estabelecidas, mas que funcionam muito mais como enquadres e balizamentos daquilo que ele considera seu campo de trabalho, o desconhecido.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O livro acompanha suas aulas, ministradas para profissionais jovens ou n&atilde;o, e d&aacute;-nos a oportunidade de sermos apresentados a v&aacute;rias ideias e concep&ccedil;&otilde;es que o autor tem da obra de Bion. Para os novatos, &eacute; uma introdu&ccedil;&atilde;o ao pensamento de Bion, para os outros, uma oportunidade de reflex&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Para n&oacute;s, psicanalistas, que temos a necessidade de nos submeter ao pr&oacute;prio processo, fica evidente que aquilo que descobrimos de n&oacute;s mesmos vai se tornando nosso instrumento de trabalho: principalmente nossa pr&oacute;pria pessoa. Numa an&aacute;lise deve surgir a pr&oacute;pria vida real.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Apresenta-nos o que tem sido chamado de "alfabetiza&ccedil;&atilde;o": a transforma&ccedil;&atilde;o de elementos beta em alfa e a introdu&ccedil;&atilde;o dos colegas estudantes na terminologia e conceitos de Bion.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">No cap&iacute;tulo "A in-digest&atilde;o mental", Isaias utiliza o modelo m&eacute;dico de como o alimento pode entrar na corrente sangu&iacute;nea, como o est&ocirc;mago, duodeno e p&acirc;ncreas precisam fazer seu trabalho neste processo, comparando-o com o processo psicanal&iacute;tico, e, com seu humor peculiar, nos d&aacute; a p&eacute;ssima not&iacute;cia de que n&atilde;o sabemos qual &eacute; a enzima que em psican&aacute;lise permite a "digest&atilde;o", ou seja, a elabora&ccedil;&atilde;o dos processos mentais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Apresenta-nos a fun&ccedil;&atilde;o alfa, um nome para algo que n&atilde;o sabemos o que &eacute;, mas que trabalharia sobre os aspectos sensoriais e emocionais da experi&ecirc;ncia, fazendo uma esp&eacute;cie de "digest&atilde;o" dela. Os elementos, antes de esses processamentos ocorrerem, s&atilde;o chamados de elementos beta. Acontecendo a "digest&atilde;o-elabora&ccedil;&atilde;o", a pessoa poder&aacute; tamb&eacute;m armazenar e "esquecer" provisoriamente o que viveu, podendo recordar quando necess&aacute;rio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">No cap&iacute;tulo "Ler &eacute; preciso, entender n&atilde;o &eacute; preciso" &eacute; enfatizado que uma coisa &eacute; falar, discutir, conversar a respeito de psican&aacute;lise, outra &eacute; submeter-se &agrave; experi&ecirc;ncia, seja deitado no div&atilde;, ou sentado atr&aacute;s do cliente. Enfaticamente, Isaias nos diz: leiam, mas n&atilde;o fiquem querendo entender, apenas leiam. O que vai interessar no encontro dos alunos e Isaias s&atilde;o as associa&ccedil;&otilde;es, ideias, pensamentos e d&uacute;vidas que podem surgir. &Eacute; destacado que o que importa para Bion &eacute; a cl&iacute;nica. Sugest&atilde;o de Isaias: leiam os pacientes, deixem os livros de lado. Para encerrar esse cap&iacute;tulo, a diferen&ccedil;a operada por Bion: o elemento beta &eacute; consciente, a fun&ccedil;&atilde;o alfa transforma o elemento beta em alfa, que &eacute; inconsciente. O contr&aacute;rio de Freud, que considerava fazer o que &eacute; inconsciente ser consciente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Em "&Eacute; estranho? Observe, observe e observe", sinaliza que se voc&ecirc; notar no paciente uma palavra, um modo de respirar, um solu&ccedil;o, uma contra&ccedil;&atilde;o facial, enfim, algo estranho, isso &eacute; importante. O paciente est&aacute; sinalizando algo que precisa ser investigado. Surge uma situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica em que uma paciente conta que foi abusada pelo pai quando pequena. Isaias sugere a quest&atilde;o: o que o analista est&aacute; fazendo para que a cliente se lembre desse assunto? Est&aacute; comunicando que est&aacute; se sentindo abusada. Pode-se considerar que falar da intimidade de algu&eacute;m &eacute; um abuso e se poderia abrir uma possibilidade para se conversar sobre isso, dessa fantasia de que o terapeuta &eacute; um s&aacute;dico, produzindo sofrimento na paciente. A descoberta da fantasia por Freud, nos diz Isaias, &eacute; o marco do in&iacute;cio da psican&aacute;lise. O que precisa ser investigado s&atilde;o as fantasias, n&atilde;o os fatos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Se a "misteriosa fun&ccedil;&atilde;o alfa" (outro cap&iacute;tulo do livro) n&atilde;o opera, as coisas ficam no concreto, podendo aparecer o <i>acting out,</i> sintomas psicossom&aacute;ticos, ou identifica&ccedil;&otilde;es projetivas maci&ccedil;as. O mental est&aacute; fora da pessoa. Por exemplo, poder&iacute;amos deduzir de nossas observa&ccedil;&otilde;es que o paciente est&aacute; com ci&uacute;mes de outra pessoa. Assim, acompanhamos no livro os diversos conceitos que Bion traz, e o pr&oacute;ximo &eacute; o de <i>preconcep&ccedil;&atilde;o:</i> o beb&ecirc; tem uma preconcep&ccedil;&atilde;o do peito, ou seja, uma expectativa de algo que inicialmente o beb&ecirc; n&atilde;o sabe o que &eacute;. Encontrando o peito, o beb&ecirc; realiza aquilo que era expectativa. Temos aqui o conceito de Realiza&ccedil;&atilde;o: o encontro com o objeto que satisfaz.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Quando a m&atilde;e fala ao beb&ecirc; "a mam&atilde;e vai dar o peito", repetidas vezes, o beb&ecirc; forma uma Concep&ccedil;&atilde;o, ou um Conceito de peito. Se n&atilde;o encontra, ele se frustra, e pode tolerar ou n&atilde;o essa frustra&ccedil;&atilde;o. Se tolerar, criam-se pensamentos. Se n&atilde;o tolerar, formam-se elementos beta, que precisar&aacute; expulsar. Se a m&atilde;e puder "sonhar" a necessidade do beb&ecirc;, usar sua capacidade de <i>r&ecirc;verie,</i> ela cria um continente para poder conter, por exemplo, a ang&uacute;stia, o choro, o que propicia &agrave; fun&ccedil;&atilde;o alfa desenvolver-se, podendo processar os elementos beta. Temos segundo Isaias os termos "fun&ccedil;&atilde;o", "fator", "preconcep&ccedil;&atilde;o" e "realiza&ccedil;&atilde;o", com os quais podemos ler todos os trabalhos de Bion.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Em "Transforma&ccedil;&atilde;o em K x Transforma&ccedil;&atilde;o em O", chegamos ao conceito de Transforma&ccedil;&atilde;o. Para Bion, diz Isaias, transfer&ecirc;ncia &eacute; como o paciente transforma em sua mente a rela&ccedil;&atilde;o entre ele e o terapeuta, e exp&otilde;e os diferentes tipos de transfer&ecirc;ncia que Bion considera. Quando observamos ao paciente que ele est&aacute; expressando ci&uacute;mes, podemos ter uma transforma&ccedil;&atilde;o em conhecimento. O paciente &eacute; apresentado a algo dele mesmo que ele n&atilde;o conhecia. Isso &eacute; um degrau nesse processo de conhecimento. O outro degrau &eacute; "ser". Bion chama isso de Transforma&ccedil;&atilde;o em "O". O desafio em psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; conhecer a si mesmo, &eacute; ser.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Em "Fantasia e realidade", Isaias considera que o mundo mental funciona em dois registros, em dois planos, fantasia e realidade, o tempo todo! Com o cliente fazemos uma hip&oacute;tese, que &eacute; a nossa fantasia, e precisamos testar essa nossa hip&oacute;tese. Isto pode levar a um aprendizado, que faz com que o cliente sinta que vale voltar para outra sess&atilde;o. &Eacute; a busca da verdade, que Bion considera o alimento da mente, a verdade daquela pessoa em particular, que pode ser utilizada para crescer.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Em "Fantasia e elemento on&iacute;rico", Isaias estuda como processamos as experi&ecirc;ncias emocionais, por meio da fun&ccedil;&atilde;o alfa, seja acordados ou dormindo, para se transformarem em elementos on&iacute;ricos. O elemento on&iacute;rico &eacute; utilizado para fantasiar. Isaias aponta aqui uma discord&acirc;ncia entre Bion e Klein, pois, para esta, a capacidade de fantasiar &eacute; inata e, em Bion, &eacute; preciso que a fun&ccedil;&atilde;o alfa esteja operando, provavelmente logo nas primeiras semanas de vida. A capacidade de fantasiar depende da fun&ccedil;&atilde;o alfa, e para o indiv&iacute;duo desenvolver esta fun&ccedil;&atilde;o precisar&aacute; de uma rela&ccedil;&atilde;o inicial, que &eacute; a m&atilde;e ou quem possa fazer a fun&ccedil;&atilde;o de contin&ecirc;ncia e nomea&ccedil;&atilde;o das viv&ecirc;ncias iniciais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Formas de apresenta&ccedil;&atilde;o de hostilidade ed&iacute;pica" traz o conceito de peito, que &eacute;, em Klein, aquilo que cuida do beb&ecirc;, alimenta e nomeia o que ele experimenta. O p&ecirc;nis seria a conten&ccedil;&atilde;o, aquilo que d&aacute; consist&ecirc;ncia ajudando no desenvolvimento. O &oacute;dio &eacute; provocado pelo sentimento de depend&ecirc;ncia, depender de quem se ama, de quem me cuida.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Em "Continuidade e diferen&ccedil;as do eixo Freud&rarr;Klein&rarr;Bion", sua opini&atilde;o &eacute; que Bion continua o trabalho dos precursores, e o expande. H&aacute; a necessidade de que os conte&uacute;dos mentais sejam contidos e transformados para estarem dispon&iacute;veis ao pensamento, como alimento para a mente. Na expans&atilde;o de Bion, o que importa &eacute; qual a verdade da pessoa, e tentarmos apresent&aacute;-la a ela mesma. Realidade, verdade e amor, em psican&aacute;lise, s&atilde;o sin&ocirc;nimos, diz Isaias. O m&eacute;todo utilizado &eacute; ajudar o paciente a fantasiar. Neste processo faremos desconstru&ccedil;&otilde;es das teorias do paciente, do que ele acha que sabe, e isso d&oacute;i. O desenvolvimento naturalmente produz sofrimento, a dor &eacute; inerente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Um assunto que ocupa o autor, j&aacute; h&aacute; certo tempo, &eacute; a banaliza&ccedil;&atilde;o. A p&oacute;s-modernidade tem-nos trazido cada vez mais a situa&ccedil;&atilde;o de que a vida ficou algo sem import&acirc;ncia, sem sentido, sem valor... a quantidade de est&iacute;mulos &eacute; enorme e, para que sejam processados, &eacute; necess&aacute;ria a rela&ccedil;&atilde;o, o relacionamento pessoa com pessoa. Aqui entram os nossos encontros na sala de consult&oacute;rio, em que tamb&eacute;m temos a vida, embora com limita&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Chegamos a "Mem&oacute;ria e experi&ecirc;ncia n&atilde;o processada", em que &eacute; enfatizado o apego ao princ&iacute;pio do prazer, e como este ignora a realidade. O ser humano &eacute; muito primitivo, e muitos de seus recursos n&atilde;o se desenvolveram ou talvez nunca possam desenvolver-se. O &oacute;dio surge desde os in&iacute;cios da vida p&oacute;s-natal, o amor precisa ser desenvolvido gradativamente, podendo atingir a gratid&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Express&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es de transtornos de pensamento" come&ccedil;a com o humor de Isaias, que brinca com o fato de a certeza ser um transtorno de pensamento. Brinca a respeito de uma situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, dizendo que, se o paciente souber como controlar a ansiedade, poder&aacute; contar ao analista como fazer...</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">"Preconcep&ccedil;&atilde;o e pensamento" apresenta a retomada por Bion do texto de Freud a respeito do impulso de ir para uma a&ccedil;&atilde;o, diretamente, um <i>acting out</i> ou, ao contr&aacute;rio, permitir o aparecimento de um pensamento, protelando a impulsividade. Bion destaca a diferen&ccedil;a entre pensar e pensamento. Pensamento &eacute; o que j&aacute; existe. Pensar &eacute; criar um pensamento, que &eacute; uma abstra&ccedil;&atilde;o, um s&iacute;mbolo, e define que s&atilde;o os pensamentos que for&ccedil;am a constitui&ccedil;&atilde;o de um aparelho para pensar. Uma invers&atilde;o nas ideias cl&aacute;ssicas a respeito, que consideram ser o pensar algo pronto para lidar com os pensamentos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">O pensamento vem da aus&ecirc;ncia, do n&atilde;o encontro com a satisfa&ccedil;&atilde;o e com o objeto que satisfaz. A concep&ccedil;&atilde;o &eacute; prazerosa, surge do encontro com o objeto que satisfaz. Isso deixa em destaque a ideia do aprender com a experi&ecirc;ncia em Bion, e evidencia como a capacidade de tolerar ou n&atilde;o a frustra&ccedil;&atilde;o &eacute; individual.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Isaias passeia ainda pelo "pensamento inconsciente" (com a verdade, embora dolorosa, a pessoa vai poder fazer alguma coisa, com as mentiras n&atilde;o), fala-nos da tela beta (como o paciente usa as pessoas), a possibilidade de sonhar os acontecimentos da sess&atilde;o, a fragilidade e a vulnerabilidade diante do desconhecido, a cesura... at&eacute; chegar mais recentemente &agrave; detec&ccedil;&atilde;o, na obra de Bion, de uma inst&acirc;ncia moral primitiva, moralista, n&atilde;o derivada de experi&ecirc;ncias e nomeada como "consci&ecirc;ncia moral primitiva", diferentemente do que Freud j&aacute; havia apontado e chamado de superego, que &eacute; baseado em c&oacute;digos morais estabelecidos pela cultura vigente e baseado nas experi&ecirc;ncias reais da pessoa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Termino com a observa&ccedil;&atilde;o de que podemos acompanhar ao longo do tempo da exist&ecirc;ncia humana que, em tempos antigos e iniciais, o indiv&iacute;duo era levado e orientado pelos deuses. A partir de Shakespeare, h&aacute; o conflito interno, entre as for&ccedil;as internas no indiv&iacute;duo, e, com a psican&aacute;lise, especificamente com Bion, a possibilidade de abrir-se para o novo, o desconhecido.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,Arial,Helvetica,sans-serif">Recebido em: 5/5/2017    <br> Aceito em:  5/5/2017</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>

</article>
