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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Impacto do diagnóstico precoce e tardio da dislexia - compreendendo esse transtorno]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Dyslexia is a learning disability that manifests itself in childhood and persists throughout the lifespan. In general, the diagnosis is made in the early academic years, however, many individuals with dyslexia symptoms do not receive a diagnosis or are diagnosed only in adult life. The aim of the present study was to compare the impact of dyslexia on the life of individuals who were diagnosed at different moments in their lifespan, in childhood or in adult life. Six participants, divided into two groups according to the time of diagnosis, answered a structured interview regarding the way they were affected by dyslexia and its diagnosis. Participants in both groups mentioned reading difficulties, low self-esteem, and a sense of relief after being diagnosed due to the fact that they could understand better their difficulties. Participants diagnosed in adulthood have had the greatest impact of dyslexia in their academic lives, with repetitions and interruption of studies. While the participants diagnosed in childhood mentioned that the relationship with the school changed after receiving the diagnosis, which provided the necessary supports during academic tests. The results of this study allowed a reflection on the importance of early diagnosis for dyslexia, which directs interventions and the implementation of appropriate strategies, supports and resources.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Dislexia]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Diagnóstico Precoce]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO    ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top"></a>Impacto    do diagn&oacute;stico precoce e tardio da dislexia - compreendendo esse transtorno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Impact of early    and late diagnosis of dyslexia - understanding this learning disorder</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Patricia Cristina    Pinto Carceres<sup>I</sup>; Priscila Covre<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Pedagoga,    Especialista em Psicopedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, S&atilde;o    Paulo, SP, Brasil    <br>   <sup>II</sup>Psic&oacute;loga, Doutora em Ci&ecirc;ncias pela UNIFESP. Professora    Convidada do curso de Especializa&ccedil;&atilde;o em Psicopedagogia da Universidade    Presbiteriana Mackenzie, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#corresp">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A dislexia &eacute;    um transtorno de aprendizagem que se manifesta na inf&acirc;ncia e persiste    ao longo da vida. Em geral, o diagn&oacute;stico &eacute; feito nas s&eacute;ries    iniciais do Ensino Fundamental, entretanto, muitos indiv&iacute;duos com sintomas    de dislexia n&atilde;o chegam a receber um diagn&oacute;stico ou s&atilde;o    diagnosticados somente na vida adulta. O objetivo do presente estudo foi comparar    o impacto da dislexia em indiv&iacute;duos que receberam o diagn&oacute;stico    em diferentes momentos da vida, na inf&acirc;ncia ou na vida adulta. Seis participantes,    divididos em dois grupos, em fun&ccedil;&atilde;o do momento do diagn&oacute;stico,    responderam a uma entrevista estruturada a respeito da maneira como foram afetados    pela dislexia e por seu diagn&oacute;stico. Os participantes dos dois grupos    mencionaram dificuldades de leitura, baixa autoestima e uma sensa&ccedil;&atilde;o    de al&iacute;vio ap&oacute;s receberem o diagn&oacute;stico, por compreenderem    melhor suas dificuldades. Os participantes diagnosticados na vida adulta sofreram    maior impacto da dislexia em suas vidas acad&ecirc;micas, com repet&ecirc;ncias    e interrup&ccedil;&atilde;o dos estudos. J&aacute; os participantes diagnosticados    na inf&acirc;ncia, ap&oacute;s receberem o diagn&oacute;stico, mencionaram que    mudaram sua rela&ccedil;&atilde;o com a escola, que forneceu os suportes necess&aacute;rios    durante a realiza&ccedil;&atilde;o das provas. Os resultados desse estudo permitiram    uma reflex&atilde;o a respeito da import&acirc;ncia do diagn&oacute;stico precoce    da dislexia, que direciona as interven&ccedil;&otilde;es e a implementa&ccedil;&atilde;o    de estrat&eacute;gias, apoios e recursos apropriados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Unitermos</b>:    Dislexia. Transtornos de Aprendizagem. Diagn&oacute;stico Precoce.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dyslexia is a learning    disability that manifests itself in childhood and persists throughout the lifespan.    In general, the diagnosis is made in the early academic years, however, many    individuals with dyslexia symptoms do not receive a diagnosis or are diagnosed    only in adult life. The aim of the present study was to compare the impact of    dyslexia on the life of individuals who were diagnosed at different moments    in their lifespan, in childhood or in adult life. Six participants, divided    into two groups according to the time of diagnosis, answered a structured interview    regarding the way they were affected by dyslexia and its diagnosis. Participants    in both groups mentioned reading difficulties, low self-esteem, and a sense    of relief after being diagnosed due to the fact that they could understand better    their difficulties. Participants diagnosed in adulthood have had the greatest    impact of dyslexia in their academic lives, with repetitions and interruption    of studies. While the participants diagnosed in childhood mentioned that the    relationship with the school changed after receiving the diagnosis, which provided    the necessary supports during academic tests. The results of this study allowed    a reflection on the importance of early diagnosis for dyslexia, which directs    interventions and the implementation of appropriate strategies, supports and    resources.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords</b>:    Dyslexia. Learning Disorders. Early Diagnosis.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O transtorno espec&iacute;fico    da aprendizagem &eacute; um transtorno do neurodesenvolvimento, no qual um indiv&iacute;duo    sem defici&ecirc;ncia intelectual apresenta dificuldades persistentes e prejudiciais    nas habilidades acad&ecirc;micas fundamentais de leitura, escrita e/ou matem&aacute;tica<sup>1</sup>.    Dentre eles, o mais frequente &eacute; o transtorno espec&iacute;fico da aprendizagem    de leitura, tamb&eacute;m chamado de dislexia do desenvolvimento. De acordo    com a Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Dislexia, ela se caracteriza    por dificuldades na decodifica&ccedil;&atilde;o e flu&ecirc;ncia da leitura,    que, como consequ&ecirc;ncia, pode levar a dificuldades de compreens&atilde;o    da leitura e uma experi&ecirc;ncia reduzida de leitura<sup>2</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os sintomas da    dislexia se manifestam durante os primeiros anos da escolariza&ccedil;&atilde;o    formal e persistem ao longo da vida<sup>3</sup>. O curso e a express&atilde;o    cl&iacute;nica podem variar, a depender das intera&ccedil;&otilde;es entre as    exig&ecirc;ncias ambientais, da variedade e da gravidade das dificuldades individuais    de aprendizagem, das comorbidades, dos sistemas de apoio e das interven&ccedil;&otilde;es    dispon&iacute;veis<sup>1</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O impacto da dislexia    na vida varia de indiv&iacute;duo para indiv&iacute;duo, mas pode ser significativo    nas &aacute;reas acad&ecirc;micas e profissionais, levando &agrave; evas&atilde;o    escolar ou &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o dos estudos ap&oacute;s o 2<sup><u>o</u></sup>    grau, sendo que muitas pessoas com dislexia n&atilde;o chegam a completar a    faculdade<sup>3</sup>. A dislexia pode afetar tamb&eacute;m as experi&ecirc;ncias    emocionais e sociais ao longo da vida, sendo frequentes os relatos de baixa    autoestima entre as pessoas com esse diagn&oacute;stico<sup>4,5</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como os sintomas    se tornam evidentes durante a alfabetiza&ccedil;&atilde;o, o processo do diagn&oacute;stico    da dislexia costuma ocorrer nas s&eacute;ries iniciais do Ensino Fundamental.    Ao receber o diagn&oacute;stico de um transtorno espec&iacute;fico de aprendizagem,    o indiv&iacute;duo recebe um nome explicativo para o conjunto de sintomas que    apresenta e esse processo pode ter um impacto positivo ou negativo em sua vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O diagn&oacute;stico    permite uma melhor compreens&atilde;o das dificuldades apresentadas, a implementa&ccedil;&atilde;o    das altera&ccedil;&otilde;es ambientais necess&aacute;rias e a busca por um    tratamento apropriado<sup>6</sup>. Por outro lado, alguns autores apontam que    o diagn&oacute;stico tamb&eacute;m pode levar ao isolamento, &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o    e &agrave; estigmatiza&ccedil;&atilde;o de um indiv&iacute;duo, se o foco se    mantiver apenas nas dificuldades apresentadas<sup>7</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Riddick<sup>8</sup>    entrevistou crian&ccedil;as a respeito de suas experi&ecirc;ncias ao receberem    o diagn&oacute;stico de dislexia, as quais destacaram como aspectos positivos    a compreens&atilde;o das pr&oacute;prias dificuldades e o senso de pertencimento,    pois o fato de existir um diagn&oacute;stico significava para elas que outras    crian&ccedil;as tamb&eacute;m passavam pelas mesmas dificuldades. Contudo, elas    comentaram n&atilde;o apreciar que o termo fosse muitas vezes utilizado pelos    colegas e pelos professores, de maneira a isol&aacute;-las no contexto escolar,    como se suas habilidades ficassem reduzidas &agrave;s caracter&iacute;sticas    do transtorno.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, a dissemina&ccedil;&atilde;o    dos conhecimentos a respeito da dislexia nas escolas e para o p&uacute;blico    em geral &eacute; razoavelmente recente. A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira    de Dislexia<sup>9</sup>, conforme divulgado em seu site, foi fundada em 1980    e iniciou os primeiros diagn&oacute;sticos a partir de 1983, mas as pesquisas    nacionais na &aacute;rea s&oacute; ganharam for&ccedil;a a partir dos anos 2000.    Uma busca na literatura nacional, nas bases de artigos cient&iacute;ficos <i>Pepsic</i>    e <i>Scielo</i>, revelou que os primeiros artigos sobre dislexia no pa&iacute;s    foram publicados por volta de 2001.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No contexto nacional,    o diagn&oacute;stico precoce da dislexia, nos primeiros anos do Ensino Fundamental,    tem se tornado cada vez mais comum, bem como o diagn&oacute;stico de adultos    que n&atilde;o tiveram suas dificuldades identificadas ou compreendidas na inf&acirc;ncia.    O impacto de receber o diagn&oacute;stico na vida adulta tem sido menos estudado    na literatura, mas h&aacute; evid&ecirc;ncias de que promova al&iacute;vio,    por permitir uma compreens&atilde;o das pr&oacute;prias dificuldades e a busca    por tratamentos e estrat&eacute;gias apropriadas<sup>10</sup>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo do presente    estudo foi comparar o impacto da dislexia na vida de indiv&iacute;duos diagnosticados    em diferentes momentos da vida, quando crian&ccedil;as e como adultos. Por meio    de uma entrevista estruturada, foram investigados aspectos relacionados &agrave;    maneira como eles se sentiram afetados pelas dificuldades relacionadas &agrave;    dislexia e pelo diagn&oacute;stico em si.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Participantes</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Participaram desse    estudo 8 adultos, 4 mulheres e 4 homens, com idades entre 23 e 48 anos, diagnosticados    com dislexia. Metade recebeu o diagn&oacute;stico de dislexia na inf&acirc;ncia,    at&eacute; os 10 anos de idade, e a outra metade somente na vida adulta, ap&oacute;s    os 20 anos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Entrevista Estruturada</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi formulado um    roteiro de entrevista, contendo 5 perguntas a respeito do impacto da dislexia    e de seu diagn&oacute;stico na vida dos participantes. As perguntas est&atilde;o    apresentadas no <a href="#t1">Quadro 1</a>.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psicoped/v35n108/05q1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Procedimentos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse estudo fez    parte do trabalho de conclus&atilde;o do curso realizado pela primeira autora    como requisito parcial para obten&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo de Especialista    em Psicopedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O projeto foi aprovado    pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa (CEP/UPM no 1393/09/2011 e CAAE    no 0089.0.272.000-11). Os participantes foram recrutados a partir da divulga&ccedil;&atilde;o    da pesquisa em m&iacute;dias sociais e diretamente para profissionais ou associa&ccedil;&otilde;es    que trabalhavam com indiv&iacute;duos com transtornos de aprendizagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As entrevistas    foram realizadas pessoalmente e foram gravadas com a autoriza&ccedil;&atilde;o    do participante, ap&oacute;s assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido    para participar da pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>An&aacute;lise    dos resultados</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os participantes    foram divididos em dois grupos, um com pessoas diagnosticadas na inf&acirc;ncia,    e outro, com pessoas diagnosticadas na vida adulta. A an&aacute;lise dos dados    visou comparar as respostas obtidas pelos indiv&iacute;duos de cada grupo. As    entrevistas foram transcritas e, em muitas das respostas fornecidas, os participantes    extrapolaram o que foi questionado nas perguntas da entrevista, apresentando    outros conte&uacute;dos pertinentes ao tema desse trabalho. Por exemplo, apesar    de n&atilde;o terem sido questionados a respeito do impacto da dislexia nos    aspectos emocionais na inf&acirc;ncia, todos os participantes mencionaram algo    a respeito desse tema.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim sendo, na    apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados, ao inv&eacute;s de agrupar as respostas    dos participantes em fun&ccedil;&atilde;o das perguntas feitas na entrevista,    optou-se por agrup&aacute;-las em fun&ccedil;&atilde;o dos t&oacute;picos abordados    pelos participantes em suas respostas. Os t&oacute;picos est&atilde;o descritos    na se&ccedil;&atilde;o dos Resultados juntamente com um resumo dos coment&aacute;rios    dos participantes a respeito deles.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>RESULTADOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Descri&ccedil;&atilde;o    dos participantes</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Duas participantes    apresentaram, al&eacute;m da dislexia, outras comorbidades. Uma, diagnosticada    na vida adulta, apresentava transtorno do d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o    e a outra, diagnosticada na inf&acirc;ncia, apresentava transtorno espec&iacute;fico    de aprendizagem para matem&aacute;tica (discalculia). Em seus relatos, n&atilde;o    era poss&iacute;vel dissociar as dificuldades e o impacto na vida vivenciado    por conta dislexia ou por conta das comorbidades. Para evitar que representassem    um fator de confus&atilde;o para a an&aacute;lise dos resultados, optou-se por    excluir as duas participantes das an&aacute;lises posteriores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim sendo, a    amostra final do estudo foi composta de 6 indiv&iacute;duos. Suas principais    caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas est&atilde;o resumidas na <a href="/img/revistas/psicoped/v35n108/05t1.jpg">Tabela    1</a>. Os participantes que receberam diagn&oacute;stico na inf&acirc;ncia foram    identificados com a letra I (I1, I2, I3) e os diagnosticados na vida adulta,    com a letra A (A1, A2 e A3).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dois grupos    diferiram com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o do sexo    e da faixa et&aacute;ria. A metodologia de recrutamento dos participantes, que    dependeu basicamente da indica&ccedil;&atilde;o dos volunt&aacute;rios por especialistas,    n&atilde;o permitiu que essas var&aacute;veis fossem controladas. Reconhecemos    que esses fatores t&ecirc;m potencial influ&ecirc;ncia sobre a forma como os    participantes analisam o impacto da dislexia e de seu diagn&oacute;stico em    sua vida. Contudo, por se tratar de um estudo explorat&oacute;rio e qualitativo,    optou-se por prosseguir com a an&aacute;lise dos resultados e considerar esses    aspectos na discuss&atilde;o dos dados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Respostas &agrave;    Entrevista</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As respostas fornecidas    pelos participantes foram agrupadas em fun&ccedil;&atilde;o dos t&oacute;picos    abordados por eles. A maioria dos t&oacute;picos coincidiu com as perguntas    feitas na entrevista, contudo, alguns foram extrapola&ccedil;&otilde;es das    perguntas realizadas. A <a href="/img/revistas/psicoped/v35n108/05t2.jpg">Tabela    2</a> descreve brevemente cada t&oacute;pico. Os coment&aacute;rios dos participantes    a respeito deles est&atilde;o apresentados de maneira resumida, seguidos de    uma compara&ccedil;&atilde;o entre os dois grupos de participantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&oacute;pico    1. Dificuldades na inf&acirc;ncia: aspectos cognitivos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os participantes    com diagn&oacute;stico na inf&acirc;ncia mencionaram problemas para aprender    a ler, com aquisi&ccedil;&atilde;o lenta (I1), tend&ecirc;ncia a trocar ou inverter    letras ou s&iacute;labas (I1 e I3), a pular linhas durante a leitura (I1), a    n&atilde;o compreender o que era lido (I1 e I3) e a ser menos fluente e lento    na leitura (I3). Um dos participantes relatou que as dificuldades de leituras    eram maiores quando precisava ler em voz alta em frente &agrave; sala de aula    (I2). Tamb&eacute;m foram relatados problemas na capacidade de concentra&ccedil;&atilde;o,    principalmente perante tarefas dif&iacute;ceis (I3). Todos os participantes    diagnosticados na vida adulta mencionaram dificuldades acad&ecirc;micas de uma    maneira geral, com problemas para compreender o que liam (A2, A3).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compara&ccedil;&atilde;o    entre os grupos: os participantes com diagn&oacute;stico na inf&acirc;ncia descreveram    suas dificuldades de uma maneira mais espec&iacute;fica, destacando caracter&iacute;sticas    t&iacute;picas da dislexia, enquanto o segundo grupo falou de suas dificuldades    de uma maneira mais generalizada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&oacute;pico    2. Dificuldades na inf&acirc;ncia: aspectos socioemocionais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No grupo com diagn&oacute;stico    na inf&acirc;ncia, foi relatado impacto acentuado na autoestima e no senso de    autoefic&aacute;cia, ambos rebaixados (I1, I2). Um dos participantes comentou    que se sentia exposto perante os colegas de classe, quando demorava para realizar    as atividades em sala de aula (I3). No grupo com diagn&oacute;stico na vida    adulta, foi relatado um sentimento de inferioridade em rela&ccedil;&atilde;o    aos colegas (A2, A3) e a percep&ccedil;&atilde;o de que os adultos os julgavam    como pregui&ccedil;osos ou burros (A1, A2). Uma das participantes relatou ter    compensado suas dificuldades mantendo bons relacionamentos interpessoais com    os colegas (A2), por&eacute;m outro participante declarou que sofria <i>bullying</i>    dos colegas por conta de suas dificuldades (A3).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os participantes    desse grupo repetiram de ano, dois deles mais de uma vez (A2, A3). Um deles    interrompeu os estudos no Ensino Fundamental II (A3) e outra optou por fazer    supletivo no Ensino M&eacute;dio, devido ao atraso em rela&ccedil;&atilde;o    aos pares (A2). Esta &uacute;ltima fez faculdade muitos anos depois de se formar    (A2). Uma participante relatou ter a sensa&ccedil;&atilde;o de que "n&atilde;o    aproveitou sua inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia" devido &agrave; necessidade    de estudar mais do que as outras pessoas para obter bons resultados (A1).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compara&ccedil;&atilde;o    entre os grupos: os participantes dos dois grupos relataram influ&ecirc;ncia    da dislexia sobre a autoestima. O grupo diagnosticado na vida adulta relatou    um impacto maior em suas vidas acad&ecirc;micas, sendo que todos repetiram de    ano e a maioria mais de uma vez.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&oacute;pico    3. Apoio da fam&iacute;lia na inf&acirc;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os participantes    diagnosticados na inf&acirc;ncia relataram receber apoio da fam&iacute;lia,    em especial das m&atilde;es. Um participante relatou que a m&atilde;e criava    exerc&iacute;cios para estimular a leitura em casa e que nunca o tratou como    um "coitado", reconhecendo e enfatizando suas qualidades positivas (I1). Outro    mencionou que a m&atilde;e trabalhava fora, mas ajudava quando tinha tempo (I3).    Um outro participante comentou que recebia muito apoio da m&atilde;e e do pai,    mas relembra uma situa&ccedil;&atilde;o em que levou uma bronca severa do pai    por ter escrito errado uma palavra. O pai, segundo o filho, se arrepende at&eacute;    hoje (I2). Somente uma das participantes diagnosticadas na vida adulta relatou    ter recebido aux&iacute;lio da fam&iacute;lia, especialmente de uma tia (A1).    Os outros participantes n&atilde;o mencionaram esse t&oacute;pico em suas respostas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compara&ccedil;&atilde;o    entre os grupos: esse t&oacute;pico foi mencionado pelos participantes diagnosticados    na inf&acirc;ncia, indicando que se sentiram apoiados e auxiliados por seus    familiares. A maioria dos participantes do outro grupo n&atilde;o mencionou    esse aspecto durante a entrevista.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&oacute;pico    4. Processo do diagn&oacute;stico</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A busca pelo diagn&oacute;stico    de todos os participantes do grupo diagnosticado na inf&acirc;ncia foi feita    pelos pais, motivados em compreender melhor as dificuldades dos filhos na escola.    Um deles foi a v&aacute;rios especialistas, dentre eles, neurologista, fonoaudi&oacute;logo,    psic&oacute;logo, at&eacute; receber o diagn&oacute;stico (I1). Os outros dois    foram diagnosticados em uma institui&ccedil;&atilde;o especializada (I2, I3).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre os participantes    diagnosticados na vida adulta, dois deles foram estimulados por um conhecido    que forneceu informa&ccedil;&otilde;es sobre a dislexia e a explica&ccedil;&atilde;o    sobre o tema fez sentido para eles (A1, A3). A outra participante foi estimulada    por uma amiga, cuja filha recebera recentemente o diagn&oacute;stico de transtorno    do d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o, a buscar uma avalia&ccedil;&atilde;o    (A2). Dois deles fizeram o processo diagn&oacute;stico em uma institui&ccedil;&atilde;o    especializada (A1, A3) e a outra participante o fez com profissionais especialistas    (A2).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compara&ccedil;&atilde;o    entre os grupos: Nos dois grupos, a procura por diagn&oacute;stico foi motivada    pelo interesse em compreender as dificuldades de aprendizagem. No caso dos participantes    diagnosticados na inf&acirc;ncia, a busca foi conduzida pelos pais, enquanto    aqueles diagnosticados na vida adulta fizeram a busca espontaneamente, ap&oacute;s    receberem informa&ccedil;&otilde;es a respeito da dislexia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&oacute;pico    5. Impacto do diagn&oacute;stico</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre os participantes    diagnosticados na inf&acirc;ncia, todos relataram um impacto positivo do diagn&oacute;stico,    por compreenderem o que estava por tr&aacute;s de suas dificuldades. O diagn&oacute;stico    tamb&eacute;m facilitou o acesso a informa&ccedil;&otilde;es para pesquisar    e aprender mais a respeito (I1), um deles ressaltou "vi que n&atilde;o era burro,    meu c&eacute;rebro apenas processava informa&ccedil;&otilde;es de maneira diferente"    (I2). Entretanto, esse mesmo participante relatou que, inicialmente, receber    o diagn&oacute;stico foi um processo dif&iacute;cil, pois a dislexia foi descrita    para ele como se fosse "uma doen&ccedil;a terminal" e ele foi orientado a esconder    o diagn&oacute;stico de seus colegas na escola, o que fez com que se sentisse    ainda mais confuso e solit&aacute;rio (I2).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os participantes    diagnosticados na vida adulta relataram al&iacute;vio ao saberem do diagn&oacute;stico.    Um deles ressaltou a possibilidade de compreender melhor suas dificuldades para    refletir sobre melhores estrat&eacute;gias para o dia-a-dia (A3), enfatizando    que "&eacute; muito ruim ter um problema e ningu&eacute;m saber o que &eacute;".    Uma das participantes, entretanto, relatou tamb&eacute;m um sentimento de tristeza    e revolta por n&atilde;o ter recebido esse diagn&oacute;stico antes, "ap&oacute;s    tantos anos vivendo com essas dificuldades e sendo considerada uma crian&ccedil;a    que n&atilde;o gostava de estudar; fico com pena de mim mesma" (A2).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compara&ccedil;&atilde;o    entre os grupos: os dois grupos destacaram os benef&iacute;cios do diagn&oacute;stico    por possibilitar uma melhor compreens&atilde;o das dificuldades de aprendizagem.    No relato dos participantes diagnosticados na vida adulta, ficou impl&iacute;cito    o impacto negativo por n&atilde;o terem recebido esse diagn&oacute;stico anteriormente.    O relato de um dos participantes diagnosticados na inf&acirc;ncia evidenciou    que a maneira como o diagn&oacute;stico &eacute; revelado &agrave; crian&ccedil;a    ou como ela o compreende naquele momento tamb&eacute;m pode ter impacto negativo    sobre a forma como ela lida com as dificuldades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&oacute;pico    6. Mudan&ccedil;as na vida ap&oacute;s o diagn&oacute;stico</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No grupo diagnosticado    na inf&acirc;ncia, os tr&ecirc;s participantes relataram que a rela&ccedil;&atilde;o    da escola com eles mudou ap&oacute;s saberem o diagn&oacute;stico. Dois deles    mencionaram o uso de recursos diferentes durante as provas, tais como, aumento    do tempo (I1), aux&iacute;lio de um leitor para as perguntas (I1, I2) e realiza&ccedil;&atilde;o    da prova em sala diferente da dos colegas (I2). Um deles utilizou os recursos    cab&iacute;veis tamb&eacute;m no vestibular (I2), mas nenhum dos participantes    solicitou recursos ou apoio na universidade, argumentando que queriam testar    suas habilidades (I2, I3) e criar suas pr&oacute;prias estrat&eacute;gias para    lidar com as dificuldades, como um preparo para o mercado de trabalho (I1).    Al&eacute;m disso, ap&oacute;s o diagn&oacute;stico, dois participantes relataram    mudan&ccedil;a na rotina de estudos. Um passou a fazer aulas de refor&ccedil;o    escolar (I1) e outro fez acompanhamento psicopedag&oacute;gico, com o qual desenvolveu    estrat&eacute;gias de estudos (I2).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No grupo diagnosticado    na vida adulta, uma das participantes estava na faculdade quando recebeu o diagn&oacute;stico    e passou a se beneficiar dos apoios e recursos oferecidos, como prova oral e    tempo adicional para a realiza&ccedil;&atilde;o das provas (A1). Duas participantes    fizeram acompanhamento especializado (A1, A2), aprendendo estrat&eacute;gias    de organiza&ccedil;&atilde;o para lidar com as dificuldades. Outro participante    n&atilde;o mencionou acompanhamento, mas relatou que passou a utilizar estrat&eacute;gias    de associa&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es para fixar melhor    os conte&uacute;dos que necessitava aprender no dia-a-dia, al&eacute;m de dar    prefer&ecirc;ncia a audiolivros na hora da leitura (A3).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compara&ccedil;&atilde;o    entre os grupos: todos os participantes descreveram a implementa&ccedil;&atilde;o    de novas estrat&eacute;gias para manejar as dificuldades, sendo que alguns fizeram    acompanhamento com um profissional especialista. O grupo diagnosticado na inf&acirc;ncia    utilizou recursos e apoios fornecidos pela escola nas avalia&ccedil;&otilde;es    e abriu m&atilde;o desses recursos durante a faculdade. O grupo diagnosticado    na vida adulta n&atilde;o teve essa oportunidade durante a inf&acirc;ncia, mas    a participante que recebeu o diagn&oacute;stico enquanto ainda estava na faculdade    beneficiou-se dos recursos para finalizar seus estudos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&oacute;pico    7. Impacto da dislexia atualmente (na vida adulta)</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os participantes    diagnosticados na inf&acirc;ncia mencionaram a tend&ecirc;ncia a cometer erros    na escrita hoje em dia, os quais t&ecirc;m impacto no trabalho (I1, I3) e para    se relacionar com as pessoas pela internet, o que na maior parte do tempo &eacute;    feito por escrito (I2). Entretanto, eles relataram utilizar estrat&eacute;gias    para minimizar os problemas, tais como, organiza&ccedil;&atilde;o e planejamento    (I1), uso de corretor autom&aacute;tico de textos (I2) e reler e refazer as    atividades em busca de poss&iacute;veis erros (I3). Al&eacute;m disso, um dos    participantes desse grupo fez uma reflex&atilde;o a respeito do impacto positivo    da dislexia em sua vida. Ele acredita que, por seu esfor&ccedil;o em superar    e driblar as dificuldades, tornou-se uma pessoa curiosa, autodidata, criativa    e comunicativa, o que lhe rendeu bons frutos tanto na &aacute;rea acad&ecirc;mica    quanto no trabalho (I2). Outro participante ressaltou que lida com as dificuldades    com leveza, faz piadas e "n&atilde;o fica se martirizando" (I1).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre os participantes    diagnosticados na vida adulta, duas participantes mencionaram a presen&ccedil;a    de erros na escrita (A1, A2) e a tend&ecirc;ncia a fazer anota&ccedil;&otilde;es    incompletas no trabalho (A2). Dois participantes mencionaram tamb&eacute;m as    dificuldades para ler (A2, A3), necessitando retomar v&aacute;rias vezes um    mesmo par&aacute;grafo para compreend&ecirc;-lo. Uma das participantes lamentou    que, por conta das suas dificuldades, leu poucos livros ao longo da vida e hoje    em dia sente-se em "defasagem cultural" em rela&ccedil;&atilde;o aos pares (A2).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compara&ccedil;&atilde;o    entre os dois grupos: ambos relataram presen&ccedil;a de erros na escrita, os    participantes diagnosticados na inf&acirc;ncia destacaram o uso de estrat&eacute;gias    para minimiz&aacute;-los e dois deles enfatizaram uma boa rela&ccedil;&atilde;o    com as dificuldades e o diagn&oacute;stico. Os participantes diagnosticados    na vida adulta mencionaram tamb&eacute;m as dificuldades de leitura e a tend&ecirc;ncia    a ler com menos frequ&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo    investigou a maneira como a dislexia afeta a vida das pessoas, com o intuito    de refletir sobre o impacto de receber um diagn&oacute;stico na inf&acirc;ncia    ou na vida adulta. Foram realizadas entrevistas estruturadas com dois grupos    de indiv&iacute;duos que diferiram em termos do momento em que foram diagnosticados    com dislexia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em muitos aspectos,    o impacto da dislexia foi similar para os dois grupos. Todos os participantes    relataram acentuada dificuldade para ler na inf&acirc;ncia e autoestima rebaixada    por conta disso. Descreveram sentir al&iacute;vio ao receber o diagn&oacute;stico,    argumentando que foi o que permitiu que compreendessem melhor as pr&oacute;prias    dificuldades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s o diagn&oacute;stico,    a maioria fez algum tipo de acompanhamento ou interven&ccedil;&atilde;o com    profissional especializado e todos reportaram a implementa&ccedil;&atilde;o    de novas estrat&eacute;gias para lidar com os problemas decorrentes da dislexia.    Al&eacute;m disso, eles relataram que algumas dificuldades se mantiveram na    vida adulta, como a presen&ccedil;a de erros na escrita ou dificuldades para    manter em mente o que foi lido, mesmo ap&oacute;s o tratamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses resultados    est&atilde;o de acordo com o esperado, j&aacute; que a dislexia &eacute; um    transtorno de aprendizagem relacionado &agrave; leitura, que por defini&ccedil;&atilde;o    &eacute; persistente e acompanha o indiv&iacute;duo ao longo da vida<sup>1</sup>.    Outros estudos demonstraram que &eacute; comum que indiv&iacute;duos com dislexia    possuam baixa autoestima<sup>4,5</sup>. Com rela&ccedil;&atilde;o ao diagn&oacute;stico,    destacaram-se os aspectos positivos relacionados &agrave; possibilidade de ampliar    o autoconhecimento, fazer tratamentos ou implementar estrat&eacute;gias mais    eficazes para minimizar as dificuldades<sup>6,8,10</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m foram    encontradas diferen&ccedil;as nas respostas dos participantes dos dois grupos.    Aqueles que receberam o diagn&oacute;stico na inf&acirc;ncia foram mais espec&iacute;ficos    ao descrever suas dificuldades de aprendizagem durante o per&iacute;odo escolar,    abordando as caracter&iacute;sticas mais t&iacute;picas da dislexia, enquanto    os participantes do outro grupo fizeram descri&ccedil;&otilde;es mais generalizadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma interpreta&ccedil;&atilde;o    poss&iacute;vel para essa diferen&ccedil;a &eacute; a hip&oacute;tese de que    o diagn&oacute;stico precoce tenha permitido uma compreens&atilde;o das dificuldades    desde os momentos iniciais, o que levou a uma recorda&ccedil;&atilde;o mais    organizada e um relato mais apurado no momento da entrevista. Entretanto, um    outro fator que tamb&eacute;m pode estar relacionado com essa diferen&ccedil;a    entre os grupos &eacute; a diferen&ccedil;a de idade entre eles. Os participantes    diagnosticados na vida adulta eram aproximadamente 15 a 20 anos mais velhos    que os diagnosticados na inf&acirc;ncia, o que os tornava mais distantes no    tempo de suas experi&ecirc;ncias na inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O impacto da dislexia    na &aacute;rea acad&ecirc;mica foi mais intenso no grupo diagnosticado na vida    adulta. Todos os participantes repetiram pelo menos um ano escolar, um interrompeu    os estudos no Ensino Fundamental II, outro fez supletivo no Ensino M&eacute;dio    e outro relatou "ter perdido a inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia" pela necessidade    de estudar mais que os colegas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    nenhum participante diagnosticado na inf&acirc;ncia relatou ter repetido de    ano e todos comentaram que a rela&ccedil;&atilde;o com a escola mudou ap&oacute;s    o diagn&oacute;stico, passando a disponibilizar apoios e recursos na realiza&ccedil;&atilde;o    das provas. Al&eacute;m disso, os participantes que receberam diagn&oacute;stico    precocemente relataram contar com apoio familiar na inf&acirc;ncia, o que foi    mencionado por apenas uma participante diagnosticada na vida adulta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma poss&iacute;vel    interpreta&ccedil;&atilde;o para esses achados est&aacute; no momento do diagn&oacute;stico.    Infere-se que o diagn&oacute;stico precoce tenha permitido uma melhor compreens&atilde;o    das dificuldades e a busca de interven&ccedil;&otilde;es, estrat&eacute;gias,    recursos e apoios apropriados, os quais minimizaram o impacto da dislexia na    vida acad&ecirc;mica dos participantes diagnosticados ainda na inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo, outros    fatores tamb&eacute;m podem ter influenciado esses resultados, como o apoio    familiar e poss&iacute;veis diferen&ccedil;as entre os grupos quanto &agrave;    gravidade da dislexia, ao n&iacute;vel de habilidade nas diversas fun&ccedil;&otilde;es    cognitivas e aos recursos psicol&oacute;gicos individuais para enfrentar as    adversidades. A diferen&ccedil;a de idade entre os grupos tamb&eacute;m &eacute;    uma vari&aacute;vel importante, pois implica em que eles tenham frequentado    o ambiente escolar em per&iacute;odos distintos, nos quais o n&iacute;vel de    conhecimento dos professores e o treinamento para lidar com crian&ccedil;as    com transtornos de aprendizagem podem ter variado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A busca pelo diagn&oacute;stico    foi feita pelos pais e pelos pr&oacute;prios participantes, respectivamente,    no grupo diagnosticado na inf&acirc;ncia e na vida adulta. Foi o acesso a informa&ccedil;&otilde;es    a respeito da dislexia que motivou essa busca nos dois grupos, o que aponta    para a relev&acirc;ncia da divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    sobre os transtornos de aprendizagem nos mais diversos meios.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O impacto de receber    o diagn&oacute;stico foi avaliado como positivo pelos participantes dos dois    grupos, mas um deles, diagnosticado na inf&acirc;ncia, comentou sobre a dificuldade    no momento inicial devido &agrave; forma como o a dislexia lhe foi descrita    (segundo ele, "como uma doen&ccedil;a terminal"). Essa fala ressalta a import&acirc;ncia    de fazer uma reflex&atilde;o sobre a maneira como o diagn&oacute;stico &eacute;    revelado ao indiv&iacute;duo, principalmente quando ocorre na inf&acirc;ncia.    Mais do que estabelecer um r&oacute;tulo &agrave; crian&ccedil;a, &eacute; importante    verificar se ela compreendeu o que foi dito, pois muitas vezes as terminologias    utilizadas pelos profissionais de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o podem    ser confusas e de dif&iacute;cil compreens&atilde;o para um indiv&iacute;duo    que j&aacute; est&aacute; se sentindo vulner&aacute;vel por suas dificuldades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os participantes    diagnosticados na vida adulta relataram se sentirem prejudicados por n&atilde;o    terem recebido o diagn&oacute;stico anteriormente. No per&iacute;odo escolar,    n&atilde;o se sentiam compreendidos pelos adultos, sendo julgados como "burros    ou pregui&ccedil;osos". Uma das participantes foi enf&aacute;tica em mencionar    sentimentos de raiva e tristeza por tudo o que passou devido ao fato de n&atilde;o    saber o que se passava com ela. Os participantes diagnosticados na inf&acirc;ncia,    por outro lado, pareceram descrever com maior leveza sua rela&ccedil;&atilde;o    com a dislexia. Um deles atribuiu muitas caracter&iacute;sticas positivas de    sua personalidade ao fato de ter um transtorno de aprendizagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses dados est&atilde;o    de acordo com Riddick<sup>6</sup>, a qual defende que, ainda que sejam necess&aacute;rios    cuidados com o r&oacute;tulo fornecido pelo diagn&oacute;stico, crian&ccedil;as    com sintomas de dislexia, que n&atilde;o recebem um diagn&oacute;stico, costumam    receber r&oacute;tulos "informais", como pregui&ccedil;osas, burras ou desinteressadas,    os quais s&atilde;o devastadores para a forma&ccedil;&atilde;o do autoconceito    e para o impacto da dislexia em suas vidas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dados apresentados    nesse artigo s&atilde;o frutos de um estudo descritivo e explorat&oacute;rio,    que permitiu o levantamento de algumas hip&oacute;teses a respeito do impacto    do diagn&oacute;stico de dislexia em fun&ccedil;&atilde;o do momento em que    ele ocorre na vida de um indiv&iacute;duo. Esse estudo apresentou algumas limita&ccedil;&otilde;es,    as quais ser&atilde;o descritas a seguir, para que possam ser controladas ou    consideradas em estudos futuros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dois grupos    diferiram em termos de faixa et&aacute;ria. A dificuldade em parear os grupos    por idade se deveu &agrave; maneira como foi feito o recrutamento dos participantes,    que foram indicados por profissionais e institui&ccedil;&otilde;es especializadas    no diagn&oacute;stico de dislexia. Al&eacute;m disso, a diferen&ccedil;a de    idade reflete os momentos em que os diagn&oacute;sticos de dislexia passaram    a ser mais comuns no Brasil, sendo que indiv&iacute;duos cuja inf&acirc;ncia    ocorreu at&eacute; o in&iacute;cio dos anos 1980 tiveram menor tend&ecirc;ncia    a receber seus diagn&oacute;sticos, enquanto nos anos 1990 esse diagn&oacute;stico    j&aacute; era mais comum.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso,    tamb&eacute;m n&atilde;o foram controlados nesse estudo outros fatores que podem    ter influenciado as respostas dos participantes, tais como, o grau de gravidade    da dislexia, o n&iacute;vel intelectual dos participantes, a maneira como foram    feitos os diagn&oacute;sticos e a presen&ccedil;a de comorbidades. Inclusive,    a identifica&ccedil;&atilde;o de comorbidades com o transtorno do d&eacute;ficit    de aten&ccedil;&atilde;o e a discalculia em dois participantes levou &agrave;    necessidade de exclus&atilde;o dos mesmos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em suma, o presente    estudo demonstrou que a dislexia leva a dificuldades acad&ecirc;micas, mas tamb&eacute;m    impacta aspectos relacionados ao autoconceito. Tanto na inf&acirc;ncia quanto    na vida adulta, receber o diagn&oacute;stico de dislexia mostrou-se &uacute;til    por possibilitar uma melhor compreens&atilde;o das dificuldades, a realiza&ccedil;&atilde;o    de interven&ccedil;&otilde;es apropriadas e a implementa&ccedil;&atilde;o de    estrat&eacute;gias para minimizar os problemas no dia-a-dia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando o diagn&oacute;stico    foi realizado na inf&acirc;ncia, houve a possibilidade de melhorar o relacionamento    do indiv&iacute;duo com sua escola e de fazer uso de recursos e apoios que permitiram    uma avalia&ccedil;&atilde;o mais apropriada do desempenho acad&ecirc;mico. Quando    o diagn&oacute;stico foi tardio, realizado somente na vida adulta, o impacto    da dislexia foi maior sobre os fatores socioemocionais, levando a repet&ecirc;ncias    e evas&atilde;o escolar em um dos casos. De maneira geral, os dados aqui levantados    indicaram que o diagn&oacute;stico precoce da dislexia &eacute; relevante para    minimizar seu impacto na vida acad&ecirc;mica, na autoestima e na rela&ccedil;&atilde;o    do indiv&iacute;duo com suas pr&oacute;prias dificuldades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. American Psychiatric    Association. Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais    - DSM-5. 5&ordf; ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398177&pid=S0103-8486201800030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. International    Dyslexia Association. Definition consensus Project, 2012. [acesso 2018 Ago 14].    Dispon&iacute;vel em: <a href="https://dyslexiaida.org/definition-consensus-project/" target="_blank">https://dyslexiaida.org/definition-consensus-project/</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398179&pid=S0103-8486201800030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Moojen SMP,    Bass&ocirc;a A, Gon&ccedil;alves HA. Caracter&iacute;sticas da dislexia de desenvolvimento    e sua manifesta&ccedil;&atilde;o na idade adulta. Rev Psicopedag. 2016;33(100):50-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398180&pid=S0103-8486201800030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. McNulty MA.    Dyslexia and the life course. J Learn Disabil. 2003;36(4):363-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398182&pid=S0103-8486201800030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. Terras MM, Thompson    LC, Minnis H. Dyslexia and psycho-social functioning: an exploratory study of    the role of self-esteem and understanding. Dyslexia. 2009;15(4):304-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398184&pid=S0103-8486201800030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Riddick B. An    examination of the relationship between labelling and stigmatisation with special    reference to dyslexia. Disability Soc. 2000;15(4):653-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398186&pid=S0103-8486201800030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Gallagher JJ.    The sacred and profane uses of labels. Except Child. 1976;45:3-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398188&pid=S0103-8486201800030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. Riddick B. Dyslexia    and development: An interview study. Dyslexia. 1995;1(2)63-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398190&pid=S0103-8486201800030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Associa&ccedil;&atilde;o    Brasileira de Dislexia, s/d. [acesso 2018 Ago 14]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dislexia.org.br/quem-somos" target="_blank">http://www.dislexia.org.br/quem-somos</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398192&pid=S0103-8486201800030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. Kong SY. The    emotional impact of being recently diagnosed with dyslexia from the perspective    of chiropractic students. J Further Higher Educ. 2012;36(1):127-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4398193&pid=S0103-8486201800030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#top" name="corresp"><img src="/img/revistas/psicoped/v35n108/seta.jpg" border="0"></a>    <b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b>:    <br>   Priscila Covre    <br>   Rua Maranh&atilde;o, 554 cj 53 - Higien&oacute;polis    <br>   S&atilde;o Paulo, SP, Brasil - CEP 01240-904    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   E-mail: <a href="mailto:priscilacovre@gmail.com">priscilacovre@gmail.com</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo recebido:    22/8/2018    <br>   Aprovado: 9/9/2018</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trabalho realizado    na Universidade Presbiteriana Mackenzie, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil.    <br>   Conflito de interesses: Os autores declaram n&atilde;o haver.</font></p>      ]]></body>
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