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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is structured upon the comprehension of modern education as a product of Iluminist interferences, synthesized in what we called Modernity. Scientific rationality and subjectivity metaphysics are the first reference of modern pedagogy. Subjectivity metaphysics incorporates the concept of epistemological subject to educational process. The comprehension of a universal subject, who owns a reason, and its universal and identical properties in every individual, becomes the ground on which pedagogical theories move. The educational process, influenced by scientific rationality, is surroundded by methodological pedagogy and teaching techniques as a way to assure the appropriation, by the epistemological subject, of the cultural contents reproduced by the school. In its approach, the present study searches in Kant&#8217;s, Rousseau&#8217;s and Herbart&#8217;s thoughts, the structural contents of the modern pedagogical speech, although it recognizes that it doesn&#8217;t present, in itself, an internal unity. The links between the compprehension of subject and the building of a pedagogical speech for the education to accomplish the tasks it got from modernity, are presented as object of this study which places itself in the field of philosophy of education.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>O sujeito, a racionalidadee o discurso pedag&oacute;gico da modernidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>The subject, rationality and the pedagogical speech of modernity</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Jo&atilde;o Francisco Lopes de Lima<sup><a name="Ia"></a><a href="#I">I</a></sup></b></font></p>     <p><font size=2 face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#enda">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr noshade size"1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo estrutura sua abordagem a partir da compreens&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o moderna como um produto das interfer&ecirc;ncias iluministas, sintetizadas no que se chamou Modernidade. Racionalidade cient&iacute;fica e metaf&iacute;sica da subjetividade s&atilde;o as refer&ecirc;ncias primeiras da pedagogia moderna. A metaf&iacute;sica da subjetividade in-corpora o conceito de sujeito epist&ecirc;mico ao processo educativo. A compreens&atilde;o de um sujeito universal, dotado de raz&atilde;o e de suas propriedades universais e id&ecirc;nticas em todo o indiv&iacute;duo, passa a ser o solo em que se movimentam as teorias pedag&oacute;gicas. O processo educativo, influenciado pela racionalidade cient&iacute;fica, &eacute; cercado pela pedagogia do m&eacute;todo e das t&eacute;cnicas de ensino como forma de assegurar a apropria&ccedil;&atilde;o, pelo sujeito epist&ecirc;mico, dos conte&uacute;dos culturais reproduzidos pela escola. Em sua abordagem, o presente estudo busca, no pensamento de Kant, Rousseau e Herbart, os conte&uacute;dos estruturantes do discurso pedag&oacute;gico moderno, embora reconhe&ccedil;a que ele n&atilde;o possua uma unidade interna. Os v&iacute;nculos entre a compreens&atilde;o de sujeito e de racionalidade e a formula&ccedil;&atilde;o de um discurso pedag&oacute;gico para que a educa&ccedil;&atilde;o possa dar conta das tarefas que recebeu da modernidade se apresentam como objeto deste estudo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Educa&ccedil;&atilde;o, Discurso pedag&oacute;gico, Modernidade, Racionalidade, Subjetividade.</font></p> <hr noshade size"1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article is structured upon the comprehension of modern education as a product of Iluminist interferences, synthesized in what we called Modernity. Scientific rationality and subjectivity metaphysics are the first reference of modern pedagogy. Subjectivity metaphysics incorporates the concept of epistemological subject to educational process. The comprehension of a universal subject, who owns a reason, and its universal and identical properties in every individual, becomes the ground on which pedagogical theories move. The educational process, influenced by scientific rationality, is surroundded by methodological pedagogy and teaching techniques as a way to assure the appropriation, by the epistemological subject, of the cultural contents reproduced by the school. In its approach, the present study searches in Kant&rsquo;s, Rousseau&rsquo;s and Herbart&rsquo;s thoughts, the structural contents of the modern pedagogical speech, although it recognizes that it doesn&rsquo;t present, in itself, an internal unity. The links between the compprehension of subject and the building of a pedagogical speech for the education to accomplish the tasks it got from modernity, are presented as object of this study which places itself in the field of philosophy of education.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Education, Pedagogical speech, Modernity, Rationality, Subjectivity.</font></p> <hr noshad size"1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>1. Situando o sentido da educa&ccedil;&atilde;o no contexto da modernidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea &eacute; tribut&aacute;ria da modernidade e das suas concep&ccedil;&otilde;es e entendimentos acerca do sujeito como objetivo de vidaindividual, e como fun&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o social. &Eacute; tribut&aacute;ria, ainda, da formula&ccedil;&atilde;o de um tipo de racionalidade que submete ao ju&iacute;zo cr&iacute;tico todos os preceitos que circundam esse sujeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A racionalidade moderna incorpora o conceito de sujeito epist&ecirc;mico ao processo educativo. A compreens&atilde;o de um sujeito universal, dotado de raz&atilde;o e de suas propriedades universais e id&ecirc;nticas em todo indiv&iacute;duo, passa a ser o solo em que se movimentam as teorias pedag&oacute;gicas. O processo educativo, influenciado pela racionalidade cient&iacute;fica, &eacute; cercado pela pedagogia do m&eacute;todo e das t&eacute;cnicas de ensino como forma de assegurar a apropria&ccedil;&atilde;o, pelo sujeito epist&ecirc;mico, dos conte&uacute;dos culturais reproduzidos pela escola.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dividida entre as interfer&ecirc;ncias do racionalismo cartesiano e do empirismo baconiano, a educa&ccedil;&atilde;o assume o aperfei&ccedil;oamento do g&ecirc;nero humano como sua tarefa pedag&oacute;gica de maior significado. A instaura&ccedil;&atilde;o de um sujeito aut&ocirc;nomo, como possibilidade de auto-consci&ecirc;ncia e supera&ccedil;&atilde;o da menoridade autoculpada, tal como descreveu Kant, revertese em aspecto program&aacute;tico irrecus&aacute;vel nas diferentes formula&ccedil;&otilde;es e teorias pedag&oacute;gicas derivadas desse nascedouro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A perspectiva de autoconstitui&ccedil;&atilde;o do sujeito &#150; como desenvolvimento da faculdade da raz&atilde;o que possibilita o ju&iacute;zo pr&oacute;prio &#150; referenda a subjetividade como recurso fundamental em favor da pretens&atilde;o emancipat&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o moderna. Habermas (2000) localiza no pensamento de Hegel a id&eacute;ia de subjetividade como princ&iacute;pio balizador da modernidade. A subjetividade simboliza a fisionomia dos tempos modernos como <i>liberdade</i> e <i>reflex&atilde;o</i> (p. 25). Na perspectiva da modernidade, a subjetividade pode ser compreendida em pelo menos quatro dimens&otilde;es: (1) <i>o individualismo</i>, como singularidade e particularidade de cada sujeito; (2) <i>o direito de cr&iacute;tica</i>, pois o mundo moderno exige o enfrentamento da legitimidade do que &eacute; dito; (3) <i>a autonomia da a&ccedil;&atilde;o</i>, pois &eacute; coerente com os tempos modernos responder pelo que se faz; (4) <i>a filosofia idealista</i> como obra moderna que vislumbra a possibilidade da filosofia apreender a id&eacute;ia que faz de si mesma.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O princ&iacute;pio da subjetividade est&aacute; claramente enunciado em eventos como a Reforma Protestante, no s&eacute;culo XVI, o Iluminismo e a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, no s&eacute;culo XVIII, como pontua Habermas (p. 26). A Re-forma Religiosa do s&eacute;culo XVI estabelece a f&eacute; religiosa como reflex&atilde;o, afirmando a &ldquo;soberania do sujeito&rdquo; a partir do exerc&iacute;cio do discernimento. O Iluminismo e a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa real&ccedil;am o princ&iacute;pio da liberdade da vontade como fundamento do Estado, trazendo para a vida comum o que antes era mandamento divino.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Afora isso, prossegue Habermas, a subjetividade determina outras manifesta&ccedil;&otilde;es, como a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia. O conhecimento objetivo pretende libertar o sujeito cognoscente, contestando os milagres e a tradi&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica medieval. Nessa perspectiva, &ldquo;a natureza &eacute; agora um sistema de leis conhecidas e reconhecidas&rdquo; e o homem &ldquo;&eacute; livre pelo conhecimento da natureza&rdquo; (p. 27).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, &ldquo;na modernidade, portanto, a vida religiosa, o Estado e a sociedade, assim como a ci&ecirc;ncia, a moral e a arte transformaram-se igualmente em personifica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da subjetividade&rdquo;, conclui Habermas (p. 27-28). A subjetividade aparece, como estrutura, tanto no <i>cogito ergo sum</i> de Descartes, quanto na figura da consci&ecirc;ncia de si, em Kant. Essa estrutura do sujeito cognoscente, que se dobra sobre si mesmo como objeto, faz da raz&atilde;o o supremo tribunal, ante o qual deve ser justificado &ldquo;tudo aquilo que em princ&iacute;pio justifica validade&rdquo; (p. 28).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o se converte na executora das promessas da modernidade: a forma&ccedil;&atilde;o de um sujeito capaz do exerc&iacute;cio pleno da liberdade, balizado unicamente pelo guia infal&iacute;vel da raz&atilde;o. Em suma, a modernidade acredita que, a partir do aperfei&ccedil;oamento moral de cada indiv&iacute;duo em particular seria poss&iacute;vel o melhoramento da humanidade como um todo. O ideal de progresso cont&iacute;nuo presente na racionaliza&ccedil;&atilde;o dos processos econ&ocirc;micos &eacute; apresentado como poss&iacute;vel para a educa&ccedil;&atilde;o por meio da racionaliza&ccedil;&atilde;o de seus procedimentos pedag&oacute;gicos. A racionalidade cient&iacute;fica semeia, no projeto pedag&oacute;gico moderno, a cren&ccedil;a de que &eacute; poss&iacute;vel assegurar o destino da educa&ccedil;&atilde;o, pois esta atua sobre as estruturas est&aacute;veis do sujeito epist&ecirc;mico. Portanto, as aprendizagens estar&atilde;o asseguradas se a clara observa&ccedil;&atilde;o dos procedimentos<a name="1a"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a> dados pelo m&eacute;todo cient&iacute;fico for o fundamento da atividade pedag&oacute;gica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2. A compreens&atilde;o da tarefa pedag&oacute;gica e o sentidoda educa&ccedil;&atilde;o: elementos do discurso pedag&oacute;gicoda modernidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Raz&atilde;o cient&iacute;fica e subjetividade s&atilde;o refer&ecirc;ncias obrigat&oacute;rias para compreender a educa&ccedil;&atilde;o como processo institucionalizado, que se organiza frente &agrave; necessidade de formar sujeitos que possuam uma condu&ccedil;&atilde;o de vida segundo padr&otilde;es seculares. Busco refer&ecirc;ncias para a constitui&ccedil;&atilde;o do discurso pedag&oacute;gico da modernidade no pensamento de Kant, Rousseau, Pestalozzi e Herbart.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kant acentua sua import&acirc;ncia como defesa do desenvolvimento das potencialidades da raz&atilde;o, ou seja, a educa&ccedil;&atilde;o do pensamento reflexivo como necess&aacute;rio ao desenvolvimento da autonomia do sujeito. Rousseau representa a defesa da educa&ccedil;&atilde;o como forma&ccedil;&atilde;o da virtude, reconfigura o conceito de inf&acirc;ncia e prop&otilde;e a id&eacute;ia de educa&ccedil;&atilde;o naturalista. Pestalozzi &eacute; buscado como considera&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o como direito de todos, uma vez que defende a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o e cria a id&eacute;ia de escola popular. Herbart, por sua vez, representa a id&eacute;ia de sujeito psicol&oacute;gico, e do ensino como instru&ccedil;&atilde;o, t&atilde;o caros &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>2.1. A educa&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento da faculdade da raz&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kant, na obra <i>Sobre a pedagogia</i><a name="2a"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>, apresenta alguns princ&iacute;pios educativos para a constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito dotado de raz&atilde;o e pass&iacute;vel de autoesclarecimento. A disciplina, a cultura e o desenvolvimento da moral reflexiva s&atilde;o conte&uacute;dos pedag&oacute;gicos presentes no projeto kantiano de educa&ccedil;&atilde;o moderna.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo ele, a id&eacute;ia de disciplina precisa ser tratada como elemento fundamental para que o indiv&iacute;duo n&atilde;o cause danos a si pr&oacute;prio e &agrave; comunidade. A disciplina externa, pr&oacute;pria da heteronomia das primeiras etapas, encaminha para a auto-disciplina, ponto-chave da autonomia do sujeito. Sem ela o indiv&iacute;duo n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de formar valores human&iacute;sticos superiores, nem de constituir a potencialidade plena da sua capacidade racional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pretens&atilde;o de um sujeito capaz de atitudes morais passa pela supera&ccedil;&atilde;o do controle externo presente na moralidade heter&ocirc;noma, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; autodisciplina da moralidade aut&ocirc;noma. Nela o sujeito atinge o est&aacute;gio da reflex&atilde;o e da liberdade, mas est&aacute; submetido a regras, evoluindo de uma sujei&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica a uma sujei&ccedil;&atilde;o moral, baseada em princ&iacute;pios (1996, p. 31). A id&eacute;ia de um desenvolvimento moral em est&aacute;gios evolutivos ser&aacute; retomada pelos estudos de Jean Piaget e Lawrence Kohlberg.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aliado ao processo que encaminha o sujeito para a autodisciplina, entendida como sujei&ccedil;&atilde;o moral, aparece a instru&ccedil;&atilde;o como correspondente ao processo que encaminha o indiv&iacute;duo &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o, possibilitando ao educando mover-se em um determinado contexto hist&oacute;rico e social, no qual se encontra inserido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O processo de aquisi&ccedil;&atilde;o da cultura desembrutece o homem e desenvolve suas disposi&ccedil;&otilde;es para o bem, e deve encaminh&aacute;-lo &agrave; civilidade e &agrave; prud&ecirc;ncia, aqui entendidas como a capacidade de usar bem suas habilidades. Estas devem conduzi-lo &agrave; sujei&ccedil;&atilde;o moral, que &eacute; a conduta do sujeito capaz de formular ju&iacute;zos morais racionais por conta pr&oacute;pria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i>moraliza&ccedil;&atilde;o</i>, processo de &ldquo;moldagem&rdquo; da conduta, desenvolve no jovem a consci&ecirc;ncia moral calcada na raz&atilde;o e na justi&ccedil;a. Conv&eacute;m que o homem seja capaz de escolher apenas os bons fins, diz Kant &#150; aqueles aprovados necessariamente por todos, e que podem ser, ao mesmo tempo, os fins de cada um. Essa quest&atilde;o da moraliza&ccedil;&atilde;o se apresenta por meio do imperativo categ&oacute;rico<a name="3a"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a> &ldquo;age apenas segundo uma m&aacute;xima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal&rdquo; (Kant, 1974, p. 223).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa formula&ccedil;&atilde;o de autogerenciamento do sujeito como uso pleno da liberdade por meio da faculdade da raz&atilde;o traduz um paradoxo para o discurso pedag&oacute;gico moderno, que &eacute; &ldquo;como educar para a liberdade sem coa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Diz Kant:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos maiores problemas da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o de poder conciliar a submiss&atilde;o ao constrangimento das leis com o exerc&iacute;cio da liberdade. Na verdade, o constrangimento &eacute; necess&aacute;rio! &Eacute; preciso habituar o educando a suportar que a sua liberdade seja submetida ao constrangimento de outrem e que, ao mesmo tempo, dirija corretamente a sua liberdade. Sem esta condi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o haver&aacute; nele sen&atilde;o algo mec&acirc;nico; e o homem, terminada a sua educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o saber&aacute; usar sua liberdade. &Eacute; necess&aacute;rio que ele sinta logo a inevit&aacute;vel resist&ecirc;ncia da sociedade, para que aprenda a conhecer o quanto &eacute; dif&iacute;cil bastar-se a si mesmo, tolerar as priva&ccedil;&otilde;es e adquirir o que &eacute; necess&aacute;rio para tornar-se independente (1996, p. 34).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Castro, pesquisadora mexicana, ao considerar as propostas kantianas sobre a educa&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter, sustenta que, atr&aacute;s das virtudes morais, deve estar uma motiva&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; cordialidade das rela&ccedil;&otilde;es humanas e ao apre&ccedil;o por valores aceitos em comum. A id&eacute;ia de dever e de obriga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem suplantar o cultivo dos sentimentos morais. Em Kant, a educa&ccedil;&atilde;o tem como fim &uacute;ltimo a forma&ccedil;&atilde;o moral e cabe direcionar o processo educativo para a conforma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia moral aut&ocirc;noma. Para a autora, esse fim &uacute;ltimo se consegue, na perspectiva kantiana, por meio do equil&iacute;brio entre dois princ&iacute;pios: &ldquo;a coa&ccedil;&atilde;o como obedi&ecirc;ncia ao dever, e a liberdade como autonomia da vontade&rdquo; (1999, p. 83).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para o desenvolvimento da autonomia moral &eacute; fundamental desenvolver estrat&eacute;gias de pensamento. Para isso, n&atilde;o basta inculcar conhecimentos racionais nos jovens. &Eacute; necess&aacute;rio desenvolver um pensamento estrat&eacute;gico que permita ao sujeito extrair regras gerais das situa&ccedil;&otilde;es e aplic&aacute;-las adequadamente em situa&ccedil;&otilde;es particulares, o que significa o adequado uso da raz&atilde;o frente &agrave;s inclina&ccedil;&otilde;es da vontade. Na perspectiva de Kant, &eacute; preciso formar sujeitos capazes de construir, por conta pr&oacute;pria, raz&otilde;es prudentes para agir frente a si mesmo e frente &agrave; coletividade. Atuar moralmente implica ser capaz de elaborar as raz&otilde;es das regras e questionar c&oacute;digos j&aacute; aprovados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O car&aacute;ter pode ser entendido &ldquo;como uma condi&ccedil;&atilde;o de firmeza de resolu&ccedil;&atilde;o na ades&atilde;o de certos princ&iacute;pios de ordem superior (...) uma forma consistente de atuar em conformidade com uma certa maneira de pensar&rdquo; (p. 88).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os princ&iacute;pios de defesa do esclarecimento como possibilidade de auto-constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito como algu&eacute;m cr&iacute;tico, consciente de seu papel social, inserido propositivamente em seus contextos e dotado de autonomia moral e intelectual, tornam-se pautas centrais no discurso pedag&oacute;gico moderno, e constituem os recursos m&iacute;nimos para o cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o emancipat&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o escolar pelo sujeito transcendental kantiano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>2.2. A educa&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento da virtude</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pretens&atilde;o da modernidade de constituir um sujeito emancipado, dotado de capacidade racional e produtor de a&ccedil;&otilde;es pessoais e comunit&aacute;rias pautadas em a&ccedil;&otilde;es morais, &eacute; pontuada por Rousseau<a name="4a"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>, pensador indispens&aacute;vel para a compreens&atilde;o do sujeito e do ideal educativo gestado na modernidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ele compreende o sujeito com uma preocupa&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter moral, expressa na id&eacute;ia de educar o homem para &ldquo;vencer as inclina&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Isso como forma de tornar poss&iacute;vel o que denomina exerc&iacute;cio pleno da <i>virtude</i>. Para ele, a &uacute;nica possibilidade de superar as for&ccedil;as corruptoras da sociedade &eacute; evitar que essas ajam com sucesso sobre o indiv&iacute;duo que, acredita o fil&oacute;sofo, &eacute; bom por natureza.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i>autonomia moral </i>consiste em agir conforme a consci&ecirc;ncia, fazendo o que &eacute; certo, o que somente se torna poss&iacute;vel por meio do exerc&iacute;cio pleno da virtude, o qual exprime o conceito de liberdade para Rousseau. Para ele, liberdade, virtude e felicidade est&atilde;o interligados e se alcan&ccedil;am somente quando o indiv&iacute;duo age conforme o dever e, por meio do processo educacional, pode haver a reconcilia&ccedil;&atilde;o do homem com a sua pr&oacute;pria natureza. Assim, a educa&ccedil;&atilde;o moderna instala o sentido de que, desenvolvendo a raz&atilde;o, o melhoramento da virtude se instaura como apelo da pr&oacute;pria vida humana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na interpreta&ccedil;&atilde;o de Arizmendiarreta (1997) sobre o pensamento de Rousseau, a virtude aparece como uma unidade interna alcan&ccedil;ada ap&oacute;s o dom&iacute;nio das paix&otilde;es<a name="5a"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>. A supera&ccedil;&atilde;o das paix&otilde;es n&atilde;o naturais<a name="6a"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a> somente pode se dar por meio de uma virtude que consiga entremear coer&ecirc;ncia entre as a&ccedil;&otilde;es e as palavras, o que significa agir conforme o que se diz. Para conter as paix&otilde;es, capacidade atribu&iacute;da ao sujeito correto e virtuoso, espera-se que seja educada a capacidade de discernimento do indiv&iacute;duo, pot&ecirc;ncia sem a qual n&atilde;o se constitui um indiv&iacute;duo capaz de tomar decis&otilde;es por conta pr&oacute;pria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rousseau tem uma concep&ccedil;&atilde;o idealista do trabalho pedag&oacute;gico ao apostar nas possibilidades da autonomia, influ&ecirc;ncia que estendeu ao pensamento de Kant. Essa autonomia, que Rousseau compreende como independ&ecirc;ncia moral, aposta nas possibilidades de liberdade do sujeito. Para ele, somente &eacute; livre o indiv&iacute;duo que &eacute; capaz de colocar o bem comum acima do bem particular ou privado, seja ele individual ou de grupos. Portanto, sendo capaz de cumprir a vontade geral, que possui um car&aacute;ter equivalente ao valor do imperativo categ&oacute;rico kantiano como defini&ccedil;&atilde;o do ideal do homem p&uacute;blico moderno &#150; o cidad&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A forma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo como homem se vincula com uma integra&ccedil;&atilde;o consigo mesmo. J&aacute; a forma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo como cidad&atilde;o resulta de sua integra&ccedil;&atilde;o com o corpo social. A convers&atilde;o do homem em cidad&atilde;o acontece como decorr&ecirc;ncia da entrada do indiv&iacute;duo na idade da raz&atilde;o, e requer a exist&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es que integrem o homem ao corpo pol&iacute;tico, &ldquo;de maneira que tenha uma unidade e n&atilde;o seja uma mera agrega&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos que tenham como inten&ccedil;&atilde;o fazer prevalecer seus interesses em preju&iacute;zo dos demais&rdquo;, destaca Arizmendiarreta (1997, p. 122).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sublima&ccedil;&atilde;o das paix&otilde;es se torna poss&iacute;vel por meio da capacidade de discernir entre o certo e o errado, o bem e o mal, o justo e o injusto. A possibilidade de crit&eacute;rios adequados de avalia&ccedil;&atilde;o e de julgamento se tornam poss&iacute;veis, conduzindo o homem para educar a sua intelig&ecirc;ncia e aprimor&aacute;-la (Freitag, 1994, p. 35). Se h&aacute; uma consci&ecirc;ncia moral inata, esta n&atilde;o pode ser deturpada pelas influ&ecirc;ncias externas. Cabe, assim, educar os sentidos e a raz&atilde;o para o devido discernimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um princ&iacute;pio importante da pedagogia de Rousseau &eacute; a <i>a&ccedil;&atilde;o</i>. O autor acredita que agindo as crian&ccedil;as aprender&atilde;o, educar&atilde;o os sentidos em contato com a natureza, balizando a necessidade do mundo concreto. A sua compreens&atilde;o da inf&acirc;ncia como etapa natural e particular transforma a compreens&atilde;o da crian&ccedil;a como adulto em miniatura, vigente at&eacute; ent&atilde;o. Esses princ&iacute;pios de pensamento de Rousseau ser&atilde;o pontos centrais das pedagogias ativas do final do s&eacute;culo XIX e do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, e das reformas educativas em curso em v&aacute;rios pa&iacute;ses, inclusive no Brasil. &Eacute; na etapa das atividades que exploram os sentidos que se constr&oacute;i a base da aprendizagem intelectual, sem que tenha havido, efetivamente, uma educa&ccedil;&atilde;o moral.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Rousseau, a educa&ccedil;&atilde;o moral s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando o sujeito domina as id&eacute;ias abstratas. O pensador v&ecirc;, na passagem das sensa&ccedil;&otilde;es &agrave;s id&eacute;ias abstratas, a constru&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o intelectual. Nessa etapa, o jovem est&aacute; sob os cuidados educacionais do preceptor<a name="7a"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a> ou, em nosso tempo, sob os cuidados da escola. A tarefa educacional aparece como o necess&aacute;rio aux&iacute;lio &agrave; supera&ccedil;&atilde;o do apelo &agrave;s sensa&ccedil;&otilde;es para a estrutura&ccedil;&atilde;o vivenciada do pensamento abstrato, que possibilitar&aacute; ao sujeito chegar &agrave; idade da raz&atilde;o. A educa&ccedil;&atilde;o opera com um conceito de sujeito universal &#150; o sujeito epist&ecirc;mico, cujos est&aacute;gios evolutivos do pensamento &#150; at&eacute; atingir o n&iacute;vel da abstra&ccedil;&atilde;o, foram fundados por Rousseau e, mais tarde, aprimorados pelos estudos cl&iacute;nicos de Jean Piaget<a name="8a"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Rousseau, a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo natural, pautado pelo desenvolvimento interno do sujeito, por meio da a&ccedil;&atilde;o sensorial e n&atilde;o por a&ccedil;&atilde;o externa. Raz&atilde;o, consci&ecirc;ncia e livre-arb&iacute;trio s&atilde;o elementos fundamentais da pedagogia naturalista de Rousseau, com vistas ao sujeito capaz de priorizar a vontade geral no conv&iacute;vio coletivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>2.3. A educa&ccedil;&atilde;o como um direito de todos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O discurso pedag&oacute;gico moderno &eacute; devedor da obra de pensadores como Rousseau e Kant, mas tamb&eacute;m de Pestalozzi que, ao longo dos s&eacute;culos XVIII e XIX, contribuiu para os fundamentos da pedagogia cl&aacute;ssica. Pestalozzi<a name="9a"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>, como os demais pensadores de sua &eacute;poca, atribui &agrave; educa&ccedil;&atilde;o a tarefa do melhoramento individual, percebido por ele como o meio essencial de reforma social. Sustentando a id&eacute;ia de que era poss&iacute;vel a regenera&ccedil;&atilde;o moral de cada indiv&iacute;duo por meio do trabalho, da frugalidade e da perseveran&ccedil;a, sugere a educa&ccedil;&atilde;o como meio para a regenera&ccedil;&atilde;o social no &acirc;mbito coletivo (Monroe, 1979, p. 283).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pestalozzi trata, essencialmente, do desenvolvimento moral, mental e f&iacute;sico da crian&ccedil;a. Defende a universaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, a fim de promover a eleva&ccedil;&atilde;o do povo comum de sua ignor&acirc;ncia. Baseado nessa cren&ccedil;a, dedica a sua vida educacional ao trabalho com crian&ccedil;as pobres e segregadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos resumir a import&acirc;ncia dessas para a educa&ccedil;&atilde;o nas palavras de Luzuriaga:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pestalozzi &eacute;, com efeito, o criador da escola do povo, da escola popular, n&atilde;o em sentido puramente caritativo, sen&atilde;o em esp&iacute;rito social. A fam&iacute;lia &eacute;, para ele, o n&uacute;cleo primordial do qual surgem as demais institui&ccedil;&otilde;es sociais. Mas a fam&iacute;lia n&atilde;o &eacute; suficiente como agente educador; necessita do complemento da escola e das demais institui&ccedil;&otilde;es educacionais, que representam o meio vital social no qual cumpre educar a crian&ccedil;a (1980, p. 175).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O interesse pedag&oacute;gico de Pestalozzi est&aacute; voltado, sobretudo, para a assist&ecirc;ncia &agrave;s camadas populares. Acredita, como Rousseau, que a natureza humana &eacute; pac&iacute;fica. Sendo assim, a educa&ccedil;&atilde;o conforme a natureza &eacute; um dos cernes da sua proposta de educa&ccedil;&atilde;o elementar. Por meio da educa&ccedil;&atilde;o moral, atingindo a consci&ecirc;ncia das pessoas, acredita na potencialidade de um mundo melhor, que possibilite a reconcilia&ccedil;&atilde;o de cada indiv&iacute;duo com as leis da natureza (Markert, 1994b, p. 48).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido, Markert organiza a id&eacute;ia de educa&ccedil;&atilde;o popular formulada por Pestalozzi a partir de dois fundamentos b&aacute;sicos: &ldquo;a educa&ccedil;&atilde;o das classes mais baixas para a pobreza, na qual se pode desenvolver de fato a &lsquo;humanidade com educa&ccedil;&atilde;o&rsquo; e a qualifica&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as das classes mais baixas para o trabalho industrial consciente e moral&rdquo; (p. 50).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pestalozzi aposta na moraliza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es sociais por meio da interfer&ecirc;ncia na situa&ccedil;&atilde;o individual das pessoas. Ao reconhecer que h&aacute; uma natureza comum a todas as pessoas, entende que &eacute; importante estender o processo de forma&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &agrave;s camadas menos favorecidas, elaborando um conceito de educa&ccedil;&atilde;o popular que deve, segundo Markert (p. 53), atentar para a diferencia&ccedil;&atilde;o das tend&ecirc;ncias entre as pessoas, de tal modo que os mais talentosos usem a dignidade de sua for&ccedil;a e envolvam os menores talentos, convertendo-se em condutores e guias, a fim de garantir ao indiv&iacute;duo a satisfa&ccedil;&atilde;o de perceber que se tornou aquilo que poderia se tornar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>2.4. A educa&ccedil;&atilde;o como instru&ccedil;&atilde;o e o sujeito psicol&oacute;gico</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Herbart<a name="10a"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a> &eacute; seguidor da tradi&ccedil;&atilde;o iniciada por Rousseau, Kant e Pestalozzi que, como ele, focaram as aten&ccedil;&otilde;es sobre os conte&uacute;dos morais do processo educativo. O pensador entende a virtude como o fim maior da educa&ccedil;&atilde;o, obtida essencialmente por meio da disciplina que dirige a forma&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter. Assim, Herbart se agrega com suas contribui&ccedil;&otilde;es ao discurso de forma&ccedil;&atilde;o de um sujeito correto e virtuoso, capaz de a&ccedil;&otilde;es boas e de promover o melhoramento social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; considerado o fundador da corrente cient&iacute;fica da Pedagogia. Formulou os passos formais da instru&ccedil;&atilde;o, que se referem aos diferentes momentos da exposi&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria instrutiva. As etapas do processo seriam:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">a) <i>Prepara&ccedil;&atilde;o</i>: momento em que as id&eacute;ias de uma li&ccedil;&atilde;o s&atilde;o trazidas promovendo o interesse pelo novo material;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">b) <i>Apresenta&ccedil;&atilde;o</i>: apreens&atilde;o e percep&ccedil;&atilde;o do mostrado em termos os mais concretos poss&iacute;veis;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">c) <i>Associa&ccedil;&atilde;o</i>: momento do enlace das representa&ccedil;&otilde;es j&aacute; existentes, de assimila&ccedil;&atilde;o da id&eacute;ia nova percebida pela antiga;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">d) <i>Generaliza&ccedil;&atilde;o</i>: momento conhecido como sistema, marcado pela ordena&ccedil;&atilde;o e pelo pensar sistem&aacute;tico que dever&aacute; ser capaz de formular poss&iacute;veis leis gerais tiradas da li&ccedil;&atilde;o.</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">e) <i>Aplica&ccedil;&atilde;o</i>: momento de desenvolvimento de m&eacute;todo, exerc&iacute;cio do novo conhecimento, e de refer&ecirc;ncia do adquirido &agrave; realidade, &agrave; pr&aacute;tica. A id&eacute;ia nova se torna uma parte da mente funcional (Luzuriaga, 1980, p. 206; Ghiraldelli, 2000, p. 44).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Pedagogia de Herbart, que n&atilde;o estabelece distin&ccedil;&atilde;o entre instruir e educar, reveste-se de uma miss&atilde;o humanista e humanit&aacute;ria: for-mar o homem do futuro, modelar o homem universal (o sujeito epist&ecirc;mico) por meio do desabrochar do individual, para que ele adquira autonomia moral. Para isso, apela para o despertar do interesse da crian&ccedil;a, &ldquo;p&ocirc;r a educa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o com a vida&rdquo;, isto &eacute;, com o &ldquo;mundo imediato da crian&ccedil;a, partindo da velha senten&ccedil;a de <i>n&atilde;o aprender para a escola, mas para a vida</i>&rdquo; (Luzuriaga, 1980, p. 206).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A originalidade de Herbart, conforme apontam Leif e Rustin (1968), est&aacute; no restabelecimento da import&acirc;ncia de um ensino sistem&aacute;tico de todas as ci&ecirc;ncias e &aacute;reas do conhecimento. Para ele, todo ensino tem por finalidade o desenvolvimento do esp&iacute;rito e a condu&ccedil;&atilde;o do homem ao caminho da virtude. Outro ponto central em suas id&eacute;ias &eacute; a concilia&ccedil;&atilde;o da individualidade e da universalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O homem universal, o sujeito epist&ecirc;mico da modernidade, n&atilde;o tem sexo, condi&ccedil;&atilde;o social ou temporalidade. No entanto, &eacute; preciso compreender que o homem seja uma pessoa real, concreta, sendo razo&aacute;vel que a educa&ccedil;&atilde;o respeite tanto quanto poss&iacute;vel a individualidade, e o educador exercite o reconhecimento das marcas particulares da conting&ecirc;ncia desse indiv&iacute;duo: a personalidade, a fam&iacute;lia e o nascimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, &ldquo;o pensamento livre e objetivo, orientado para a perfei&ccedil;&atilde;o absoluta, poder&aacute; desenvolver-se, sem perder as ra&iacute;zes no real e na vida, da qual, bem ao contr&aacute;rio, determinar&aacute; o sentido&rdquo; (Leif e Rustin, 1968, p. 87).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>3. Rela&ccedil;&otilde;es entre sujeito, racionalidade e discursopedag&oacute;gico no contexto da modernidade</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir das refer&ecirc;ncias esbo&ccedil;adas anteriormente, poder&iacute;amos pontuar alguns elementos centrais do discurso pedag&oacute;gico da modernidade secularizada:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a afirma&ccedil;&atilde;o plena da subjetividade e do conceito de sujeito epist&ecirc;mico, compreendido na sua possibilidade de autoconstitui&ccedil;&atilde;o transcendental como perspectiva orientadora das a&ccedil;&otilde;es educativas;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a interfer&ecirc;ncia do racionalismo e do empirismo na formula&ccedil;&atilde;o de uma pedagogia <i>cient&iacute;fica </i>e a conseq&uuml;ente cren&ccedil;a nos m&eacute;todos e prescri&ccedil;&otilde;es acerca do ensino como instru&ccedil;&atilde;o;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; o conceito de educa&ccedil;&atilde;o com base no interesse natural da crian&ccedil;a (contribui&ccedil;&atilde;o central de Rousseau) e na educa&ccedil;&atilde;o dos sentidos;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; o conceito de educa&ccedil;&atilde;o como um processo, baseado na <i>a&ccedil;&atilde;o</i> do sujeito &#150; da qual derivam muitos conte&uacute;dos pedag&oacute;gicos das pedagogias ativas e mesmo do construtivismo contempor&acirc;neo com a defesa de uma educa&ccedil;&atilde;o que atenda &agrave;s particularidades de cada sujeito;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a compreens&atilde;o da exist&ecirc;ncia de fases seq&uuml;enciais com caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias de matura&ccedil;&atilde;o que recomendam uma interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica condizente com cada etapa;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a reconfigura&ccedil;&atilde;o rousseauniana do conceito de inf&acirc;ncia como uma etapa com caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias no desenvolvimento do sujeito;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a id&eacute;ia de universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o formal que possibilitou o acesso das camadas populares &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o;</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a defini&ccedil;&atilde;o do crescimento moral, do cultivo da raz&atilde;o, da consci&ecirc;ncia e do livre-arb&iacute;trio do sujeito como objetivo de todo o processo educativo;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a educa&ccedil;&atilde;o como via de forma&ccedil;&atilde;o de um sujeito capaz de procurar o bem, optar por ele e estabelecer uma sociedade boa, e a compreens&atilde;o kantiana de que, para isso, a disciplina moral &eacute; fundamental;</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#8226; a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica como possibilidade teleol&oacute;gica, marcada pela idealiza&ccedil;&atilde;o do discurso pedag&oacute;gico moderno como cren&ccedil;a nas possibilidades advindas da educa&ccedil;&atilde;o do homem.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A consecu&ccedil;&atilde;o das promessas de emancipa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo e da sociedade, pretendidas pela raz&atilde;o iluminista, desembocam na incorpora&ccedil;&atilde;o ao cotidiano educacional de concep&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas forte-mente influenciadas pelo modelo de racionalidade derivado das ci&ecirc;ncias emp&iacute;rico-matem&aacute;ticas. Essas sustentam o dom&iacute;nio dos sujeitos sobre os objetos, a ado&ccedil;&atilde;o de uma racionalidade dedutiva, o predom&iacute;nio de concep&ccedil;&otilde;es empiristas nos modelos de ensino, a exist&ecirc;ncia de curr&iacute;culos compartidos, racionalmente estruturados, seriados, burocratizados e a exist&ecirc;ncia de conte&uacute;dos nem sempre vinculados &agrave;s necessidades do mundo pr&aacute;tico, legitimados por si mesmos ou por mecanismos de reprodu&ccedil;&atilde;o social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como j&aacute; havia dito Kant, a pr&aacute;tica educativa &eacute; pr&oacute;pria dos seres humanos e visa ao sujeito em sua totalidade. A a&ccedil;&atilde;o operativa do sujeito cognoscente aparece como inerente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o humana e &agrave; sua forma de express&atilde;o. Sendo assim, tudo que se relacione com a&ccedil;&otilde;es humanas leva o selo da expressividade do sujeito que conhece, pois atr&aacute;s da a&ccedil;&atilde;o est&aacute; o corpo, a intelig&ecirc;ncia e as maneiras de compreender e perceber o mundo pr&oacute;prias de cada sujeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sujeito pretendido pela modernidade &eacute; aquele que age conforme a raz&atilde;o e, por meio da educa&ccedil;&atilde;o, desenvolve a intelig&ecirc;ncia (poder racional reflexivo do sujeito epist&ecirc;mico), racionaliza a vontade (sujeito moral) e se converte em cidad&atilde;o por meio da inser&ccedil;&atilde;o no mundo do trabalho (sujeito pol&iacute;tico).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A escola, como executora da promessa da modernidade, ou seja, respons&aacute;vel pela constitui&ccedil;&atilde;o de um sujeito aut&ocirc;nomo, livre, superior, correto, virtuoso e justo, representa a express&atilde;o da necessidade de educar alicer&ccedil;ada pelo Iluminismo (Prestes, 1996), e institu&iacute;da como uma fun&ccedil;&atilde;o de emancipa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo que, dotado do esclarecimento (<i>Aufkl&auml;rung</i>), seria capaz de melhorar tamb&eacute;m a sociedade como um todo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O discurso pedag&oacute;gico que se constitui a partir da modernidade, con-forme Prestes (1996), atribui &agrave; escola a fun&ccedil;&atilde;o de reprodutora dos conte&uacute;dos culturais da humanidade. Esses est&atilde;o continuamente entremeados pela tens&atilde;o entre perspectivas emancipat&oacute;rias e conservadoras (p. 55). A escola, por meio da educa&ccedil;&atilde;o formal, passa a reproduzir uma forma de compreender e dar sentido ao mundo, ao conhecimento e &agrave; pr&oacute;pria vida, ditados pela racionalidade do s&eacute;culo XVIII.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse car&aacute;ter antin&ocirc;mico da escola indica que ela participa, a um mesmo tempo, das esperan&ccedil;as e das utopias modernas, mas cont&eacute;m em si o contr&aacute;rio dessa pretens&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o do processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o do sistema escolar, pontua Prestes. A escola se torna subjugada a uma raz&atilde;o subjetiva, que abafa os poros de comunica&ccedil;&atilde;o com o mundo da vida, priorizando processos que, ao formalizar a compreens&atilde;o da tarefa pedag&oacute;gica, reduzem as possibilidades de sentido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A escola &eacute; um espa&ccedil;o genu&iacute;no de condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao entendimento e de considera&ccedil;&atilde;o dos apelos do mundo da vida, lembra Prestes (1996, p. 121-122). Por&eacute;m, as formas burocratizadas e estruturais de organiza&ccedil;&atilde;o, as hierarquias e apelos de poder perturbam e colonizam esse espa&ccedil;o. O mundo da vida &eacute; submetido a um universo de coa&ccedil;&otilde;es sist&ecirc;micas, fazendo com que as a&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas passem a ser dimensionadas prioritariamente pela racionalidade instrumental.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A rela&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o e sociedade n&atilde;o pode ser instrumental. Oelkers, pensador alem&atilde;o, pergunta qual finalidade poder&aacute; ser dada &agrave; educa&ccedil;&atilde;o quando esta n&atilde;o puder ser vinculada a uma utopia social. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um campo fecundo para as utopias, para uma configura&ccedil;&atilde;o teleol&oacute;gica da tarefa pedag&oacute;gica, uma meta suprema que possibilite uma maior felicidade aos sujeitos. O perigo e a contradi&ccedil;&atilde;o residem justamente na tentativa de planificar o que n&atilde;o &eacute; planific&aacute;vel, o que por si mesmo termina apenas na prolifera&ccedil;&atilde;o da burocracia (1993, p. 42, 45, 48).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A sociedade capitalista moderna esbo&ccedil;ou um desenvolvimento ideal da sociedade, como sistema de produ&ccedil;&atilde;o universal (Markert, 1994a, p. 29 e ss.), que promove a justa reparti&ccedil;&atilde;o da riqueza produzida a partir do justo crit&eacute;rio do m&eacute;rito individual e da capacidade, pois, como disse Adam Smith, o pai do Liberalismo Cl&aacute;ssico, o trabalho &eacute; a principal fonte de riqueza na sociedade moderna.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o moderna est&aacute; assentada no mito da ascens&atilde;o social por meio da escola. No bojo da modernidade havia aqueles que defenderam a educa&ccedil;&atilde;o fundamentalmente para atender o interesse pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico da burguesia em ascens&atilde;o, definindo o sentido pr&aacute;tico que ela deveria assumir. Se o interesse maior do Estado burgu&ecirc;s &eacute; assegurar o direito inalien&aacute;vel &agrave; propriedade, legitimada assim como um princ&iacute;pio pr&oacute;prio da racionalidade moderna, e a sociedade de classes como um sistema justo, a educa&ccedil;&atilde;o, como esfor&ccedil;o sistem&aacute;tico e institucional, assume a forma&ccedil;&atilde;o individual com a for&ccedil;a de um princ&iacute;pio unificador das oportunidades (Markert, 1994a, p. 17-18).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao possibilitar que o acesso ao legado cultural deixado pela humanidade seja universalizado por meio da escola, e ao permitir que todos conhe&ccedil;am, compreendam, exercitem e queiram cumprir seus direitos, haver&aacute; a possibilidade de que cada um desenvolva suas aptid&otilde;es, compet&ecirc;ncias e talentos, assegurando, assim, a verdadeira igualdade entre os cidad&atilde;os.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A modernidade implementou os sistemas escolares nacionais, geridos pelo poder p&uacute;blico, com a tarefa de criar oportunidades de equipara&ccedil;&atilde;o social, sendo um dos principais produtos pedag&oacute;gicos constitu&iacute;dos a partir da modernidade pelo Capitalismo Liberal. Se a fortuna n&atilde;o foi distribu&iacute;da de forma eq&uuml;itativa entre todos, os talentos e as compet&ecirc;ncias independem de classe social. Podem, portanto, ser a alavanca do progresso pessoal para a supera&ccedil;&atilde;o da desigualdade de posses. O pensamento moderno acredita na possibilidade da harmonia social, obtida pela supera&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia alienada da hierarquia social medieval e pela estrutura&ccedil;&atilde;o da hierarquia social como uma hierarquia de capacidades, universalmente distribu&iacute;das.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o deve ser um direito de todos, sem diferen&ccedil;a de origem e fortuna, desenvolvida com o foco centrado no aprimoramento das aptid&otilde;es e compet&ecirc;ncias individuais, libertando em cada indiv&iacute;duo o espectro de possibilidades que lhe habita. Assim, o sentido da educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; assegurado pela qualidade emancipat&oacute;ria das possibilidades humanas que, desenvolvidas, permitem o progresso pessoal e social. Ao universalizar o acesso &agrave; escola, diz Rouanet (1993, p. 22), as sociedades liberal-capitalistas generalizaram as oportunidades para que todos pudessem alcan&ccedil;ar a raz&atilde;o aut&ocirc;noma.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse ponto podemos inserir o alerta de Bourdieu (1998<a name="11a"></a><a href="#11"><sup>11</sup></a>), soci&oacute;logo franc&ecirc;s, ao analisar o peso das estruturas sociais na determina&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es dos sujeitos. O autor ataca o discurso da pretendida &ldquo;escola para todos&rdquo;, que possibilitaria a equaliza&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as sociais e a realiza&ccedil;&atilde;o plena das potencialidades humanas, por meio da universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o escolar, como pretendia o discurso pedag&oacute;gico moderno. Segundo ele, ao contr&aacute;rio do que se pretendia, o sistema escolar &ldquo;tende a mostrar que ele &eacute; um dos fatores mais eficazes de conserva&ccedil;&atilde;o social, pois fornece a apar&ecirc;ncia de legitimidade &agrave;s desigualdades sociais, e sanciona a heran&ccedil;a cultural e o dom social tratado como dom natural&rdquo; (p. 41).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sendo assim, o sistema escolar disfar&ccedil;a mal a sua pretensa neutralidade, servindo, antes disso, como mecanismo reprodutor das rela&ccedil;&otilde;es sociais e de poder vigentes do que propriamente servindo como equalizador das diferen&ccedil;as de origem. Bourdieu &eacute; pessimista quanto &agrave; possibilidade de romper com as estruturas de reprodu&ccedil;&atilde;o dos sistemas escolares, e aponta para a as teorias pedag&oacute;gicas como mecanismos de oculta&ccedil;&atilde;o do poder reprodutor do sistema, manuseado pelos educadores. O discurso pedag&oacute;gico representaria apenas uma igualdade formal, servindo como m&aacute;scara e justifica&ccedil;&atilde;o para as desigualdades reais (p. 53).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa perspectiva de alerta, Sacrist&aacute;n (1999) lembra que a reprodu&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos culturais precisa alcan&ccedil;ar a produ&ccedil;&atilde;o do sujeito cultivado, n&atilde;o do sujeito que sabe repetir o texto que representa o objeto cultural. Esse limite da forma&ccedil;&atilde;o recairia no que Adorno denominou como semiforma&ccedil;&atilde;o<a name="12a"></a><a href="#12"><sup>12</sup></a>. A densidade cultural exige significa&ccedil;&atilde;o do aprendido, poss&iacute;vel pelo exerc&iacute;cio da consci&ecirc;ncia reflexiva, atributo da subjetividade emancipada pretendida pelos modernos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A den&uacute;ncia do estruturalismo reprodutivista de Bourdieu alertanos que o acesso &agrave; cultura objetivada em saberes escolares ocorre de forma desigual, pois existem obst&aacute;culos de origem que comprometem a atua&ccedil;&atilde;o dos alunos. O autor utiliza o conceito de capital cultural para designar o n&iacute;vel cultural global da fam&iacute;lia e que tem rela&ccedil;&atilde;o direta sobre o &ecirc;xito escolar, funcionando como uma diferen&ccedil;a inicial que esvazia a pretensa equaliza&ccedil;&atilde;o de oportunidades por meio da escola.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os alunos das classes com melhores recursos econ&ocirc;micos aderem mais fortemente aos valores escolares e convertem &ecirc;xito social em prest&iacute;gio cultural. Nesse sentido, as classes populares, justamente as menos favorecidas no acesso aos bens econ&ocirc;micos, ficam prejudicadas. Bourdieu entende que a a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica imp&otilde;e um determinado arbitr&aacute;rio cultural, que &eacute; a concep&ccedil;&atilde;o cultural dos grupos e classes dominantes, homogeneizada socialmente por meio do ensino, funcionando como uma inculca&ccedil;&atilde;o. Essa imposi&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria da cultura dos grupos dominantes estabelece uma l&oacute;gica mercantil que universaliza um determinado pressuposto ou vis&atilde;o de mundo por meio do trabalho escolar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na perspectiva de Bourdieu, a expans&atilde;o do acesso ao sistema de ensino, gerando um ensino de massa como via equalizadora das diferen&ccedil;as sociais, seria vi&aacute;vel apenas a partir de uma transforma&ccedil;&atilde;o profunda do sistema escolar. Fora dessa condi&ccedil;&atilde;o, ao absorver alunos que n&atilde;o disp&otilde;em do capital cultural necess&aacute;rio para enfrentar as demandas da cultura convertida em saberes escolares, o sistema escolar entra em crise. Essa crise se efetiva no que poderia chamar de &ldquo;queda de n&iacute;vel&rdquo;, fato que se evidencia quando o sistema escolar passa a receber &ldquo;um n&uacute;mero cada vez maior de educandos que n&atilde;o dominam mais, no mesmo grau de seus predecessores&rdquo; (p. 57). O resultado disso s&atilde;o os elevados &iacute;ndices de reprova&ccedil;&atilde;o que, via de regra, resultam em evas&atilde;o escolar, especialmente entre as classes populares.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A racionalidade moderna introduziu pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas que n&atilde;o levam em conta as conting&ecirc;ncias do processo educativo e, em particular, dos sujeitos envolvidos no processo, gerando transtornos e problemas a serem enfrentados com interven&ccedil;&otilde;es nem sempre adequadas, revestindo-se de um car&aacute;ter exclusivamente classificat&oacute;rio, que exibe escores, limitando-se a premiar quem &eacute; bom e punir (ou mesmo excluir) quem n&atilde;o o &eacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses mecanismos de funcionamento do sistema educacional representam, na compreens&atilde;o de S&uuml;nker (1994, p. 90), uma degenera&ccedil;&atilde;o do processo educativo, convertido em f&oacute;rmula vazia ao interpretar a tarefa pedag&oacute;gica como convers&atilde;o de seres humanos em &ldquo;<i>experts</i>&rdquo;, refor&ccedil;ando a burguesia como elite no mundo do trabalho. Essa perspectiva funcionalista, que acentua a inser&ccedil;&atilde;o no mundo do trabalho como tarefa primeira da forma&ccedil;&atilde;o, retirou muito do conte&uacute;do cr&iacute;tico social da educa&ccedil;&atilde;o. A socializa&ccedil;&atilde;o, como possibilidade pedag&oacute;gica, teve sua compreens&atilde;o reduzida ao aspecto do trabalho, e a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o conseguiu acolher, conservar e desenvolver um &iacute;mpeto cr&iacute;tico-social. S&uuml;nker lembra que, na formula&ccedil;&atilde;o da modernidade, o apelo subjetivista veio antes do objetivismo. A raz&atilde;o instrumental ganhou predom&iacute;nio diferente do que prometia na origem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o moderna, chancelada pela racionalidade cient&iacute;fica como crit&eacute;rio de verdade e validade, encontra assentamento em conte&uacute;dos &eacute;ticos e emancipat&oacute;rios da raz&atilde;o iluminista. A tarefa educacional torna-se um mecanismo de liberta&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vis&atilde;o estreita que lhe imp&otilde;em a fam&iacute;lia e suas paix&otilde;es, e disponibiliza ao sujeito o conhecimento advindo da capacidade racional. A escola se torna o lugar de ruptura com o meio de origem para alcan&ccedil;ar o progresso, o ve&iacute;culo de transi&ccedil;&atilde;o entre a esfera privada da fam&iacute;lia e a esfera p&uacute;blica dada pela sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o, a partir do s&eacute;culo XVIII, aparece como um esfor&ccedil;o intencional para converter os prop&oacute;sitos iluministas em realidade. A pedagogia que deriva desse nascedouro exige a consolida&ccedil;&atilde;o e universaliza&ccedil;&atilde;o das conquistas obtidas a partir da racionaliza&ccedil;&atilde;o e desmistifica&ccedil;&atilde;o do mundo. Por&eacute;m, verificamos dois resultados distintos dessa inten&ccedil;&atilde;o. De um lado o atrelamento pedag&oacute;gico a uma compreens&atilde;o equivocada do sujeito individual e, de outro, o discurso n&atilde;o esclarecido sobre o que &eacute; ci&ecirc;ncia e conhecimento. Ambos acabam promovendo um desengate entre a racionalidade que penetra o discurso pedag&oacute;gico e o mundo pr&aacute;tico em que ele se insere.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A raz&atilde;o moderna acaba sufocando os conte&uacute;dos de liberdade &eacute;tica, emancipa&ccedil;&atilde;o e melhoramento da humanidade que pretende cultivar. O conte&uacute;do esperan&ccedil;oso da educa&ccedil;&atilde;o vai sendo, aos poucos, subsumido pela evolu&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria racionalidade moderna que, ao aprimorar os seus mecanismos de cientificidade, acaba apressando uma perspectiva de car&aacute;ter funcionalista para a educa&ccedil;&atilde;o escolar. A metaf&iacute;sica da subjetividade colocou a raz&atilde;o sobreposta &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sico-teol&oacute;gica, ampliando a seculariza&ccedil;&atilde;o do mundo e estendendo o dom&iacute;nio da t&eacute;cnica sobre o pr&oacute;prio homem e sobre a natureza.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A modernidade rompe com a unidade integradora de sentido dada pela tradi&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sica e teol&oacute;gica com a implementa&ccedil;&atilde;o do mecanismo causal para a compreens&atilde;o do mundo (Hermann, 1999, p. 22), n&atilde;o sendo mais poss&iacute;vel assegurar um sentido &eacute;tico, j&aacute; que a racionalidade moderna n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de definir os conte&uacute;dos da moral como aspecto normativo. O que lhe &eacute; poss&iacute;vel, e que constitui sua pretens&atilde;o maior, &eacute; apostar na possibilidade de discernimento do sujeito e acreditar na raz&atilde;o como possibilidade de aperfei&ccedil;oamento moral (p. 32). Um mundo essencialmente &eacute;tico, cercado pela id&eacute;ia de bem como car&aacute;ter universal (p. 36). O discurso da educa&ccedil;&atilde;o da virtude confere o sentido da a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, que se vincula a uma compreens&atilde;o da unidade e da universalidade do sujeito como possibilidade de autoconstitui&ccedil;&atilde;o, dentro dos pressupostos dados pela metaf&iacute;sica da subjetividade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, no &acirc;mbito da racionalidade moderna, passa a ser encarada como uma a&ccedil;&atilde;o teleol&oacute;gica de car&aacute;ter estrat&eacute;gico, ou seja, atuando sobre um sujeito universal, o sujeito epist&ecirc;mico. Nessa perspectiva, basta que sejam determinadas as condutas e definidas as conting&ecirc;ncias, a partir da organiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica das condi&ccedil;&otilde;es de refor&ccedil;o sucessivo, para que se alcance a modelagem de comportamento esperada. Os objetivos educacionais dizem respeito aos comportamentos esperados e n&atilde;o ao desenvolvimento das capacidades desse sujeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sacrist&aacute;n sublinha que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel analisar a a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica do ponto de vista meramente instrumental, sem ver os envolvimentos do sujeito e as conseq&uuml;&ecirc;ncias que isso tem para a sua subjetividade. O car&aacute;ter pessoal da a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o impede que se compreenda essa a&ccedil;&atilde;o imbricada nas a&ccedil;&otilde;es de outros sujeitos. A a&ccedil;&atilde;o do sujeito, diz Sacrist&aacute;n (1999, p. 31-32), &eacute; sempre social, porque concerne a um processo interativo com outros sujeitos, em uma conjun&ccedil;&atilde;o de atividades. Os envolvimentos psicossociais das a&ccedil;&otilde;es indicam que existe um ambiente de cultura intersubjetiva derivado do contexto da iniciativa de cada sujeito. Os sujeitos compartilham entre si as propriedades comuns a um determinado grupo, formulando estilos de a&ccedil;&atilde;o compartilhada que os diferencia, por sua vez, de outros grupos, constituindo uma identidade, seja por g&ecirc;nero, etnia, grupo social ou profissional sem que as singularidades se apaguem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Sacrist&aacute;n, &ldquo;a educa&ccedil;&atilde;o reveste-se inexoravelmente da condi&ccedil;&atilde;o humana, aproveita-se dela, afeta a mesma, &eacute; constitu&iacute;da por ela&rdquo; (p. 32). E &eacute; justamente pelo fato de as a&ccedil;&otilde;es educativas serem condicionadas pelo seu contexto social e subjetivo que n&atilde;o podemos apostar demais em procedimentos de aprecia&ccedil;&atilde;o objetiva que transcorram &agrave; margem dessa conting&ecirc;ncia. Os motivos pessoais e sociais, ao serem compartilhados, constituem alguma possibilidade de sentido &agrave; educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A a&ccedil;&atilde;o teleol&oacute;gica &eacute; inerente &agrave;s pr&aacute;ticas educativas, funcionando como sua for&ccedil;a motriz, especialmente, e diante de desafios que se colocam no cotidiano educacional e que exigem respostas comprometidas. Por&eacute;m, a a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica n&atilde;o pode ficar restrita ao ponto de vista instrumental. A raz&atilde;o que liberta e constitui o sujeito, superando o mito da tradi&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sico-teol&oacute;gica, instrumentaliza-se e corr&oacute;i os conte&uacute;dos pr&oacute;prios dessa liberdade que pretendia criar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ARIZMENDIARRETA, Beatriz Sierra y. (1997). <i>Dos formas de libertad en J. J. Rousseau</i>. Pamplona: Ediciones Universidad de Navarra I.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261786&pid=S1413-2907200200020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BOURDIEU, Pierre. (1998).<i> Escritos de Educa&ccedil;&atilde;o</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261787&pid=S1413-2907200200020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BORDIN, Luigi. (1994). Raz&atilde;o P&oacute;s-Moderna. In: H&Uuml;HNE, Leda Miranda (org.). <i>Raz&otilde;es</i>. Rio de Janeiro: Uap&ecirc;.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261788&pid=S1413-2907200200020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CASTRO, Ana Maria Salmer&oacute;n. (1999). Consideraciones en torno a la filosofia educativa de Kant. <i>Perfiles</i>. M&eacute;xico, vol. XXI, n. 83-84, p. 82-92.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261789&pid=S1413-2907200200020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FREINET, C&eacute;lestin. (1995). <i>Para uma escola do povo.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261790&pid=S1413-2907200200020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FREITAG, B&aacute;rbara<i>.</i> (1994).<i> O indiv&iacute;duo em forma&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261791&pid=S1413-2907200200020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GHIRALDELLI Jr., Paulo. (2000). <i>Did&aacute;tica e teorias educacionais</i>. Rio de Janeiro: DP&    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261792&pid=S1413-2907200200020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->A.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GILES, Thomas Ranson. (1987). <i>Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: EPU.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261794&pid=S1413-2907200200020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HABERMAS, J&uuml;rgen. (2000). <i>O discurso filos&oacute;fico da Modernidade</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261795&pid=S1413-2907200200020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HERMANN, Nadja. (1999)<i>. Validade em Educa&ccedil;&atilde;o</i>: intui&ccedil;&otilde;es e problemas na recep&ccedil;&atilde;o de Habermas. Porto Alegre: EDIPUCRS.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261796&pid=S1413-2907200200020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">KANT, Immanuel. (1996). <i>Sobre a Pedagogia. </i>Piracicaba: UNIMEP.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261797&pid=S1413-2907200200020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">________. (1974). <i>Fundamenta&ccedil;&atilde;o da metaf&iacute;sica dos costumes</i>. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural. (Os Pensadores).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261798&pid=S1413-2907200200020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LEIF, J. e RUSTIN, G. (1968). <i>Pedagogia Geral</i>: pelo estudo das doutrinas pedag&oacute;gicas. S&atilde;o Paulo: Companhia Editora Nacional.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261799&pid=S1413-2907200200020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LUZURIAGA, Lorenzo. (1980). <i>Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o e da Pedagogia. </i>S&atilde;o Paulo: Companhia Editora Nacional.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261800&pid=S1413-2907200200020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MARKERT, Werner. (1994a). Conceitos de forma&ccedil;&atilde;o do homem como manifesta&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o burguesa: a rela&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o, propriedade de progresso t&eacute;cnico. In: ___ (org.). <i>Teorias de Educa&ccedil;&atilde;o do Iluminismo, conceitos de trabalho e do sujeito</i>: contribui&ccedil;&otilde;es para uma teoria cr&iacute;tica da forma&ccedil;&atilde;o do homem. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261801&pid=S1413-2907200200020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">________. (1994b). A mudan&ccedil;a de fun&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o burguesa do princ&iacute;pio antifeudal emancipat&oacute;rio &agrave; &ldquo;autonomia pedag&oacute;gica&rdquo;. In: (org.). <i>Teorias de Educa&ccedil;&atilde;o do Iluminismo, conceitos de trabalho e do sujeito</i>: contribui&ccedil;&otilde;es para uma teoria cr&iacute;tica da forma&ccedil;&atilde;o do homem. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MONROE, Paul. (1979). <i>Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia Editora Nacional.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261803&pid=S1413-2907200200020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MONTESSORI, Maria. (1965). <i>Pedagogia Cient&iacute;fica</i>: a descoberta da crian&ccedil;a. Rio de Janeiro: Flamboyant.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261804&pid=S1413-2907200200020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">OELKERS, J&uuml;rgen. (1993). El fin de la educaci&oacute;n socialista: apreciaciones sobre la relaci&oacute;n entre utop&iacute;a y realidad en la pedagog&iacute;a. <i>Educaci&oacute;n</i> &#150; Colecci&oacute;n Semestral de Aportaciones Alemanas Recientes en las Ciencias Pedag&oacute;gicas, T&uuml;bingen, vol. 47, p. 42-61.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261805&pid=S1413-2907200200020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PEUKERT, Helmut. (1994). Educaci&oacute;n de la modernidade y el presente. <i>Educaci&oacute;n</i> &#150; Colecci&oacute;n Semestral de Aportaciones Alemanas Recientes en las Ciencias Pedag&oacute;gicas, T&uuml;bingen, vol. 49-50, p. 21-40.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261806&pid=S1413-2907200200020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PEUKERT, Helmut. (1996). Problemas b&aacute;sicos de uma teoria cr&iacute;tica da educa&ccedil;&atilde;o. <i>Educa&ccedil;&atilde;o & Sociedade</i>. Campinas, ano XVII, n. 56, p. 412-430, dezembro.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261807&pid=S1413-2907200200020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PIAGET, Jean. (1973). <i>A epistemologia gen&eacute;tica</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261808&pid=S1413-2907200200020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PRESTES, Nadja Hermann. (1996). <i>Educa&ccedil;&atilde;o e racionalidade</i>: conex&otilde;es e possibilidades de uma raz&atilde;o comunicativa na escola. Porto Alegre: EDIPUCRS.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261809&pid=S1413-2907200200020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ROUANET, S&eacute;rgio Paulo. (1993). <i>Mal-estar na Modernidade.</i> S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261810&pid=S1413-2907200200020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ROUSSEAU, Jean-Jacques. (1995). <i>Em&iacute;lio ou da Educa&ccedil;&atilde;o</i>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261811&pid=S1413-2907200200020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SACRIST&Aacute;N, J. Gimeno. (1999). <i>Poderes Inst&aacute;veis em Educa&ccedil;&atilde;o</i>. Porto Alegre: Artmed.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261812&pid=S1413-2907200200020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">S&Uuml;NKER, Heinz. (1994). Educacion e ilustracion o: La Pedagogia vs la postmodernidade?. <i>Educaci&oacute;n</i> &#150; Colecci&oacute;n Semestral de Aportaciones Alemanas Recientes en las Ciencias Pedag&oacute;gicas, T&uuml;bingen, vol. 49-50, p. 89-109.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1261813&pid=S1413-2907200200020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="enda"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/inter/v7n14/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>    <br> Jo&atilde;o Francisco Lopes de Lima    <br> Rua Pereira da Silva, 492/703 &#150; Bloco B &#150; 22221-140 &#150; Laranjeiras &#150; Rio de Janeiro/RJ    <br> E-mail: <a href="mailto:jfdlima@yahoo.com.br">jfdlima@yahoo.com.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 20/04/02    <br> Aprovado em 27/11/02</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Notas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="I"></a><a href="#Ia">I</a></sup>Mestre em Educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.    <br> <sup><a name="1"></a><a href="#1a">1</a></sup>Como exemplo derivado dessa compreens&atilde;o da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica encontramos, em especial, a proposta de Maria Montessori. Ela pretende uma interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica a partir de uma organiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do meio, apresentado em seq&uuml;&ecirc;ncias est&aacute;veis e cont&iacute;nuas, id&ecirc;nticas para todos os indiv&iacute;duos, com a pretens&atilde;o de assegurar resultados ao atuar sobre um sujeito universal. Para uma vis&atilde;o geral do seu pensamento ver: Montessori, 1965. H&aacute; ainda os trabalhos de C&eacute;lestin Freinet e todos os produtos pedag&oacute;gicos advindos da pedagogia ativa. Esses produtos organizam os trabalhos a partir da refer&ecirc;ncia de um sujeito psicol&oacute;gico universal e apostam no otimismo do progresso da humanidade a partir dos pressupostos oferecidos pela ci&ecirc;ncia moderna. Sobre a pedagogia freinetiana recomendo Freinet (1995).    <br> <sup><a name="2"></a><a href="#2a">2</a></sup>Esse livro cont&eacute;m as prele&ccedil;&otilde;es de Kant na Universidade de K&ouml;nigsberg, reunidas por Theodor Rink, seu disc&iacute;pulo. Esses cursos foram ministrados em 1776/77, 1783/84 e 1786/87 (Cf. Fontanella, no pref&aacute;cio &agrave; edi&ccedil;&atilde;o brasileira, em 1996, da obra <i>Sobre a pedagogia</i>). Publicada em 1803 com o t&iacute;tulo <i>&Uuml;ber P&auml;dagogik </i>(<i>Sobre a pedagogia</i>), &ldquo;a obra tematiza a necessidade de criar o homem livre e aut&ocirc;nomo, tendo por base a vida racional frente &agrave; pretens&atilde;o de ensinar ao aluno a autonomia do julgamento e da capacidade de pensar&rdquo; (Prestes, 1996, p. 36).    <br> <sup><a name="3"></a><a href="#3a">3</a></sup>Imperativo categ&oacute;rico, para Kant, se traduz como um princ&iacute;pio da racionalidade presente no sujeito, um mandamento da raz&atilde;o. Representa uma a&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria por si mesma, sem rela&ccedil;&atilde;o com outra finalidade. &Eacute; uma a&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel como boa e por isso necess&aacute;ria em si, &ldquo;independente de qualquer inten&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Kant, 1974, p. 218-9).    <br> <sup><a name="4"></a><a href="#4a">4</a></sup>Jean Jacques Rousseau (1712-1778) nasceu em Genebra, na Su&iacute;&ccedil;a, oriundo de uma fam&iacute;lia de origem francesa. Entre suas obras importantes temos o <i>Discurso sobre as ci&ecirc;ncias e as artes </i>(1750) e o <i>Discurso sobre a origem da desigualdade </i>(1755), o <i>Contrato social</i> (1762) e <i>Em&iacute;lio </i>(1762). Rousseau freq&uuml;entou poucos anos a escola. Teve uma vida desregrada, movida mais por impulsos, caprichos e sentimentos e menos pelos apelos da raz&atilde;o. Talvez se deva a isso sua tend&ecirc;ncia e apego ao sentimentalismo e sensualidade, e seus ideais de educa&ccedil;&atilde;o. Diz Monroe (1979, p. 255): &ldquo;Em sua vida e em suas teorias, dominam as emo&ccedil;&otilde;es mais do que a raz&atilde;o; os instintos e desejos naturais presidem a tudo. Mais tarde, baseado na experi&ecirc;ncia de sua vida, ensina que as id&eacute;ias morais e religiosas n&atilde;o se podem desenvolver na inf&acirc;ncia e que mais se aprende em contato com a natureza do que da comunh&atilde;o com livros ou da intelig&ecirc;ncia de outros; que o desenvolvimento apropriado s&oacute; pode vir removendo-se todas as restri&ccedil;&otilde;es e deixando as tend&ecirc;ncias naturais manifestaremse livremente&rdquo;. Rousseau, al&eacute;m de suas contribui&ccedil;&otilde;es para a educa&ccedil;&atilde;o, teve importante papel no processo revolucion&aacute;rio do s&eacute;culo XVIII, fornecendo fermento para a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, especialmente em sua fase jacobina, com suas teorias sobre a desigualdade e sobre a legitimidade das decis&otilde;es pol&iacute;ticas.    <br> <sup><a name="5"></a><a href="#5a">5</a></sup>As paix&otilde;es, segundo Rousseau, dizem respeito ao amor a si mesmo e ao amor pr&oacute;prio. O primeiro, amor de si, &eacute; inato e perene, &ldquo;sempre bom e sempre conforme a ordem&rdquo; (1995, p. 235), respons&aacute;vel pela pr&oacute;pria conserva&ccedil;&atilde;o do homem e por transformar instinto em satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades de sobreviv&ecirc;ncia. Transforma-se em &ldquo;orgulho nas grandes almas, vaidade nas pequenas&rdquo; (p. 238). O segundo, o amor pr&oacute;prio, &eacute; aquele que &ldquo;se compara, nunca est&aacute; satisfeito&rdquo;, sentimento em que o indiv&iacute;duo prefere a si pr&oacute;prio, estando em constante compara&ccedil;&atilde;o com os outros &ldquo;e o que o torna essencialmente mau &eacute; ter muitas necessidades e atentar muito para a opini&atilde;o&rdquo; (p. 237).    <br> <sup><a name="6"></a><a href="#6a">6</a></sup>Paix&otilde;es n&atilde;o naturais, no pensamento de Rousseau, s&atilde;o aquelas derivadas do amor pr&oacute;prio e que, portanto, n&atilde;o concorrem para o aprimoramento da virtude que conduzir&aacute; o homem a uma vida feliz.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup><a name="7"></a><a href="#7a">7</a></sup>Rousseau defendia a instru&ccedil;&atilde;o particular, por meio de preceptores. Desenvolve uma id&eacute;ia de educa&ccedil;&atilde;o longe dos sistemas oficiais de ensino. Para ele, a natureza da crian&ccedil;a e o seu crescimento determinam o processo, enquanto que os meios s&atilde;o determinados pela experi&ecirc;ncia da crian&ccedil;a.    <br> <sup><a name="8"></a><a href="#8a">8</a></sup>Ver a esse respeito a obra <i>A epistemologia gen&eacute;tica</i>, de Jean Piaget (1973), na qual defende a id&eacute;ia de que o conhecimento n&atilde;o pode ser concebido como algo predeterminado nas estruturas internas do indiv&iacute;duo, nem nas caracter&iacute;sticas dos objetos, mas como resultado de uma constru&ccedil;&atilde;o efetiva e cont&iacute;nua da media&ccedil;&atilde;o dessas estruturas com as caracter&iacute;sticas dos objetos. Piaget v&ecirc; no conhecimento uma elabora&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do sujeito.    <br> <sup><a name="9"></a><a href="#9a">9</a></sup>Johan Heinrich Pestalozzi (1746-1827) nasceu em Zurique, na Su&iacute;&ccedil;a. Foi um pensador da educa&ccedil;&atilde;o profundamente influenciado pelas id&eacute;ias de Rousseau, especialmente por Em&iacute;lio. Teve numerosa produ&ccedil;&atilde;o para a literatura educacional, sendo <i>Leonardo e Gertrudes</i> (publicado pela primeira vez em 1781) o escrito que causou maior influ&ecirc;ncia. Conforme Monroe (1979) e Giles (1987), essa obra, escrita primeiro como novela, narra como Gertrudes venceu obst&aacute;culos para educar os filhos e livrar o marido, Leonardo, do alcoolismo. O epit&aacute;fio colocado em seu t&uacute;mulo, expressa, conforme Luzuriaga (1980, p. 175), a s&iacute;ntese da sua obra educativa: &ldquo;Salvador dos pobres de Neuhof; pregador do povo em <i>Leonardo e Gertrudes</i>; em Stanz, pai dos &oacute;rf&atilde;os; em Bugdorf e M&uuml;nchenbuchsee, fundador da escola prim&aacute;ria; em Iverdon, educador da humanidade. Homem, crist&atilde;o, cidad&atilde;o. Tudo para os outros, nada para si. Paz a suas cinzas&rdquo;.    <br> <sup><a name="10"></a><a href="#10a">10</a></sup>Johan Friedrich Herbart (1776-1841), nascido em Oldenburg, na Alemanha, teve forma&ccedil;&atilde;o superior e iniciou suas atividades educacionais como preceptor aos vinte e um anos. Ocupou, mais tarde, uma c&aacute;tedra na Universidade de G&ouml;ttingen (1805). Teve contato e influ&ecirc;ncia com as id&eacute;ias de Pestalozzi, a quem conheceu pessoalmente. Conforme Luzuriaga (1980), ningu&eacute;m antes de Herbart assumiu t&atilde;o claramente a tarefa de construir uma ci&ecirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o. Herbart formula uma pedagogia marcadamente intelectualista e individualista e defende a educa&ccedil;&atilde;o pela instru&ccedil;&atilde;o. Seus dois livros fundamentais s&atilde;o: <i>Pedagogia Geral deduzida do fim da Educa&ccedil;&atilde;o</i> (1806) e <i>A psicologia como ci&ecirc;ncia </i>(1824/25).    <br> <sup><a name="11"></a><a href="#11a">11</a></sup>Os textos de Pierre Bourdieu utilizados aqui s&atilde;o de diferentes per&iacute;odos e est&atilde;o reunidos no livro <i>Escritos de educa&ccedil;&atilde;o</i>, publicado em 1998 pela Editora Vozes, sob a organiza&ccedil;&atilde;o de Maria Alice Nogueira e Afr&acirc;nio Catani.    <br> <sup><a name="12"></a><a href="#12a">12</a></sup>O conceito de semiforma&ccedil;&atilde;o &eacute; desenvolvido por Adorno no ensaio <i>Teoria da Semicultura</i>, conclu&iacute;do em 1959. Nesse texto, o autor fala dos sintomas de colapso da forma&ccedil;&atilde;o cultural pelo avan&ccedil;o da racionalidade t&eacute;cnica e denuncia as insufici&ecirc;ncias das alternativas existentes no campo educacional. Para ele, a aus&ecirc;ncia de emotividade e o distanciamento que oblitera a possibilidade intersubjetiva tem v&iacute;nculo direto com a t&eacute;cnica e com o isolamento do objeto na an&aacute;lise cient&iacute;fica. A perspectiva cientificista reduziu a raz&atilde;o a um fim em si mesma. Assim, a semiforma&ccedil;&atilde;o consiste na danifica&ccedil;&atilde;o do processo formativo a partir da simplifica&ccedil;&atilde;o do processo de conhecimento, que descontextualiza o saber, tratando o legado cultural como mero verniz informativo, afastando o processo de reflex&atilde;o e economizando o esfor&ccedil;o intelectual do sujeito no processo de aquisi&ccedil;&atilde;o cultural. A cultura se converteu em um valor dissociado de nexo com a consci&ecirc;ncia, um bem em si mesmo, congelado em categorias fixas, mera erudi&ccedil;&atilde;o que perde o v&iacute;nculo &eacute;tico e converte o saber em mercadoria de consumo. A semiforma&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre um estado informativo que pode ser borrado por outras informa&ccedil;&otilde;es. O contr&aacute;rio da semiforma&ccedil;&atilde;o seria a reflex&atilde;o cr&iacute;tica profunda, dialetizada, que possibilite o desenvolvimento completo do processo de compreens&atilde;o.</font></p>      ]]></body>
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