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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A mulher, seu médico e o psicotrópico: redes de interfaces e a produção desubjetividade nos serviços de saúde]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The woman, her physician and the psychotropic drug: a web of inaterfaces and subjectivity production in public health services]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this paper is to investigate the meaning of and the function attributed to anxiolytic drugs by women users and medical general practitioners. It examines the relationship established between the woman, the physician that prescribes the drug, and the drug itself, in order to understand the construction of this relationship within the public health context. The study was conducted with sixteen women that were anxiolytic users and eight physicians that worked in different public health units of the city of Natal/RN. A semi-structured interview was conducted with the women to obtain information about: a) the reasons for using anxiolytic drugs; b) their expectations as a user, and c) the treatment as a solution to their problems. The interview with the health professionals focused on their view of the drug and the user, and included questions regarding user complaints, the proposed treatment, drug effectiveness, use of other treatment resources, and the dynamics of the physician-woman relationship.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align=right><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><B>ARTIGOS</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=4><b>A mulher, seu m&eacute;dico e o psicotr&oacute;pico: redes de interfaces e a produ&ccedil;&atilde;o desubjetividade nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de<a name=1a></a><a href=#1><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>The woman, her physician and the psychotropic drug: a web of inaterfaces and subjectivity production in public health services</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><b>L&uacute;cia de F&aacute;tima Carvalho<a name=Ia></a><a href=#I><sup>I</sup></a>; Magda Dimenstein<sup>*</sup><a name=IIa></a><a href=#II><sup>II</sup></a></b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>*Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Departamento de Psicologia. Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o </font></p>     <p><font size=2 face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif><a name=end></a><a href=#enda>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>O presente trabalho procura investigar o significado e a fun&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;dos ao uso de medicamentos ansiol&iacute;ticos, por mulheres usu&aacute;rias e m&eacute;dicos cl&iacute;nicos gerais. Tenta examinar a rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre a usu&aacute;ria do medicamento, o m&eacute;dico prescritor e o medicamento utilizado, a fim de compreender como esse significado &eacute; constru&iacute;do no &acirc;mbito da sa&uacute;de p&uacute;blica. A investiga&ccedil;&atilde;o foi realizada no servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de da cidade de Natal/RN com dezesseis mulheres usu&aacute;rias de medicamentos ansiol&iacute;ticos, atendidas em diferentes postos de sa&uacute;de do munic&iacute;pio, e com oito m&eacute;dicos cl&iacute;nicos gerais. Utilizamos como instrumento de pesquisa com as mulheres um roteiro de entrevista semi-estruturado focado nos seguintes eixos: os motivos do uso do medicamento, as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o a esse uso, a resolutividade dos problemas. Com os profissionais o roteiro esteve ancorado na vis&atilde;o do cl&iacute;nico a respeito do medicamento e da usu&aacute;ria. Procuramos abordar as queixas recebidas, o tratamento proposto, a efic&aacute;cia do rem&eacute;dio, os outros recursos utilizados al&eacute;m do medicamento e a din&acirc;mica existente na sua rela&ccedil;&atilde;o com a mulher usu&aacute;ria.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><b>Palavras-chave:</b> Psicotr&oacute;pico, Mulher, Subjetividade, Servi&ccedil;o de sa&uacute;de, M&eacute;dico.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>The purpose of this paper is to investigate the meaning of and the function attributed to anxiolytic drugs by women users and medical general practitioners. It examines the relationship established between the woman, the physician that prescribes the drug, and the drug itself, in order to understand the construction of this relationship within the public health context. The study was conducted with sixteen women that were anxiolytic users and eight physicians that worked in different public health units of the city of Natal/RN. A semi-structured interview was conducted with the women to obtain information about: a) the reasons for using anxiolytic drugs; b) their expectations as a user, and c) the treatment as a solution to their problems. The interview with the health professionals focused on their view of the drug and the user, and included questions regarding user complaints, the proposed treatment, drug effectiveness, use of other treatment resources, and the dynamics of the physician-woman relationship.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><b>Keywords:</b> Psychotropic, Woman, Subjectivity, Public health services, Physician.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Este estudo tem por objetivo analisar um fen&ocirc;meno que constitui hoje um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica em nosso pa&iacute;s, e vem sendo observado no cotidiano dos servi&ccedil;os, segundo estudos realizados em v&aacute;rias localidades brasileiras, como Sim&otilde;es e Farache Filho (1988) e Oliveira (2000). Trata-se do consumo excessivo de medicamentos psicotr&oacute;picos, do tipo ansiol&iacute;tico, por mulheres na rede b&aacute;sica de sa&uacute;de, e o abuso de prescri&ccedil;&atilde;o desses medicamentos pelos profissionais. Nesse sentido, nossa meta &eacute; investigar significado e fun&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;dos ao uso de medicamentos ansiol&iacute;ticos, pelas mulheres usu&aacute;rias da rede b&aacute;sica de sa&uacute;de de Natal/RN, quanto pelos cl&iacute;nicos gerais que as atendem &#150; profissional que mais prescreve medicamentos dentro das institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de &#150; seguindo concep&ccedil;&otilde;es de um modelo assistencial curativo.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Para um entendimento mais amplo do problema, tomamos como base a rela&ccedil;&atilde;o existente entre tr&ecirc;s eixos principais &#150; o lugar do medicamento nas pr&aacute;ticas de sa&uacute;de (mercadoria de consumo e s&iacute;mbolo de sa&uacute;de); o modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de; e as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero presentes na sociedade &#150; que possibilitar&atilde;o um melhor entendimento de como se processa a din&acirc;mica da prescri&ccedil;&atilde;o e do consumo de medicamentos ansiol&iacute;ticos, no sentido de contextualizar essa pr&aacute;tica e revelar as redes de interfaces que se estabelecem entre o servi&ccedil;o, o m&eacute;dico, o medicamento e a mulher. Consideramos tais elementos como constitutivos de um significado, que &eacute; constru&iacute;do no &acirc;mbito da sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>A presente investiga&ccedil;&atilde;o foi realizada no servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de da cidade de Natal/RN, com dezesseis mulheres usu&aacute;rias de medicamentos ansiol&iacute;ticos, atendidas em diferentes postos de sa&uacute;de do munic&iacute;pio<a name=2a></a><a href=#2><sup>2</sup></a>, e com oito m&eacute;dicos cl&iacute;nicos gerais<a name=3a></a><a href=#3><sup>3</sup></a>. Com as mulheres, utilizamos como instrumento de pesquisa um roteiro de entrevista semi-estruturado, focado nos seguintes eixos: os motivos do uso do medicamento, as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o a esse uso, a resolutividade dos problemas. O contato foi obtido por indica&ccedil;&atilde;o do profissional durante a consulta, e as entrevistas realizadas ap&oacute;s esse encaminhamento, em uma sala ao lado do consult&oacute;rio m&eacute;dico. Com os profissionais, o roteiro esteve ancorado na vis&atilde;o do cl&iacute;nico sobre o medicamento analisado e a usu&aacute;ria. Procuramos abordar as queixas recebidas, o tratamento proposto, a efic&aacute;cia do rem&eacute;dio, outros recursos utilizados al&eacute;m do medicamento, e a din&acirc;mica existente na sua rela&ccedil;&atilde;o com a mulher usu&aacute;ria.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Para analisar os dados obtidos nas entrevistas, tomamos como refer&ecirc;ncia a t&eacute;cnica de an&aacute;lise das pr&aacute;ticas discursivas apresentada por Spink, definida como &ldquo;linguagem em a&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, as maneiras a partir das quais as pessoas produzem sentidos e se posicionam em rela&ccedil;&otilde;es sociais cotidianas&rdquo; (1999, p. 45). Tal t&eacute;cnica enfoca as diferentes maneiras como as pessoas, por meio do discurso, produzem realidades psicol&oacute;gicas e sociais. Julgamos que uma an&aacute;lise concreta dos sentidos atribu&iacute;dos pela usu&aacute;ria dos medicamentos ansiol&iacute;ticos e pelos profissionais que a atende s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se os considerarmos inseridos em um discurso bastante amplo, no qual as lacunas, as contradi&ccedil;&otilde;es, e conseq&uuml;entemente a ideologia, possam ser detectadas. Dessa forma, entendemos que tais sentidos s&atilde;o produzidos historicamente e adquirem, no &acirc;mbito individual, um senti-do particular, relacionando-se com a vida e com os motivos de cada um.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>Os ansiol&iacute;ticos e a medicaliza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Os medicamentos ansiol&iacute;ticos s&atilde;o os chamados calmantes, tranq&uuml;ilizantes e sedativos, que agem sobre o sistema nervoso central, exercendo uma a&ccedil;&atilde;o seletiva sobre a ansiedade. S&atilde;o os mais utilizados entre as subst&acirc;ncias psicoativas, vindo depois do &aacute;lcool e do tabaco. O uso dessas subst&acirc;ncias na atualidade ocorre geralmente de forma indiscriminada, sendo indicados e amplamente usados no combate &agrave; ins&ocirc;nia. Seu con-sumo pode acarretar altera&ccedil;&otilde;es no comportamento, levar &agrave; depend&ecirc;ncia ps&iacute;quica e/ou f&iacute;sica, resultando muitas vezes em complica&ccedil;&otilde;es pessoais e sociais graves. Sendo assim, faz-se necess&aacute;rio analisar os fatores determinantes desse uso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>O consumo dos BZD (Benzodiazep&iacute;nicos), classe dos ansiol&iacute;ticos mais vendida, assumiu uma propor&ccedil;&atilde;o preocupante. Pesquisas como a de Soares et al (1991), feitas no Hospital das Cl&iacute;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o Paulo (FMUSP) com pacientes psiqui&aacute;tricos e n&atilde;o psiqui&aacute;tricos, e a de Rozemberg (1994), realizada na regi&atilde;o serrana do Esp&iacute;rito Santo com lavradores, mostram um alto &iacute;ndice de uso desses medicamentos frente a transtornos emocionais: 88,4% e 88% respectivamente. No trabalho de Puebla et al (1985), realizado no Hospital Docente &ldquo;Dr. Salvador Allende&rdquo;, em Cuba, 70% dos 100 pacientes entrevistados usaram psicof&aacute;rmacos, entre os quais, 31% sem prescri&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Oliveira (2000) discute esse problema de forma profunda ao dissertar sobre o consumo do Diazepam (marca de ansiol&iacute;tico mais vendida atualmente) por mulheres acompanhadas pelo sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de do munic&iacute;pio de Sobral/CE. A incid&ecirc;ncia de uso desse medicamento por mulheres &eacute; preocupante, como mostra o levantamento preliminar feito no in&iacute;cio do referido estudo na cidade de Fortaleza/ CE junto a uma farm&aacute;cia do sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de: 72% dos consumidores do medicamento era constitu&iacute;do por mulheres. Tais dados foram comprovados em Sobral/CE, onde 75% dos consumidores da &uacute;nica farm&aacute;cia da rede p&uacute;blica de sa&uacute;de era do sexo feminino. Tais dados merecem uma reflex&atilde;o a respeito do que est&aacute; permeando esse tipo de pr&aacute;tica na vida das mulheres.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Sim&otilde;es e Farache Filho (1988), em estudo sobre o consumo de medicamentos em uma regi&atilde;o do estado de S&atilde;o Paulo, tamb&eacute;m observaram uma maior percentagem para o sexo feminino do que para o masculino: 23,5% e 16,5%, respectivamente, quanto ao uso com prescri&ccedil;&atilde;o. Para o uso sem prescri&ccedil;&atilde;o, a diferen&ccedil;a mostra-se mais acentuada na faixa dos 20 aos 49 anos, em que aparece o percentual de 20,8% para o sexo feminino e 8,1% para o masculino.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>A introdu&ccedil;&atilde;o dos BZD no mercado ocorreu no in&iacute;cio da d&eacute;cada de sessenta, e coincidiu com o aumento das drogas psicoativas como um todo (Soares et al, 1991). Substitu&iacute;ram, nessa d&eacute;cada, praticamente todas as drogas utilizadas no tratamento da ansiedade &#150; barbit&uacute;ricos, meprobamato, hidrato de cloral e outros &#150; que provocavam s&eacute;rios efeitos colaterais. Mostraram-se muitos superiores a todos esses agentes ansiol&iacute;ticos predecessores, sendo menos t&oacute;xicos, com menor potencialidade de provocar acidentes fatais e ainda com menor tend&ecirc;ncia para produzir toler&acirc;ncia farmacol&oacute;gica<a name=4a></a><a href=#4><sup>4</sup></a> (Karniol et al, 1986). Foi exatamente essa seguran&ccedil;a que criou uma certa irresponsabilidade generalizada no uso dos BZD, tanto por parte dos m&eacute;dicos, quanto dos pacientes e laborat&oacute;rios, a partir da d&eacute;cada de setenta.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Tais drogas, que antes apareciam como coadjuvantes no tratamento, hoje assumem o papel central, com o <i>status</i> de cura em si mesmas. Essa cura, por&eacute;m, representa apenas a elimina&ccedil;&atilde;o de sintomas que afligem seus usu&aacute;rios. Atualmente h&aacute; grande competi&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios tipos de marcas, as quais anunciam suas vantagens cientificamente provadas e suas a&ccedil;&otilde;es sobre os sintomas.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>No que se refere &agrave;s indica&ccedil;&otilde;es na pr&aacute;tica m&eacute;dica, h&aacute; uma concord&acirc;ncia geral de que os BZD devem ser usados no tratamento da ansiedade em curto prazo, n&atilde;o devendo exceder de dois a quatro meses, exceto em casos muito especiais. No entanto, o que se v&ecirc; na pr&aacute;tica &eacute; a continuidade de um uso que vai al&eacute;m de uma finalidade espec&iacute;fica, e com um tempo indeterminado, em que o medicamento passa a ocupar um lugar fundamental e imprescind&iacute;vel na vida de muitos indiv&iacute;duos. Isso ocorre porque o medicamento, ao eliminar os sintomas da ansiedade, passa a ser visto como a maneira mais f&aacute;cil e r&aacute;pida de enfrentar os problemas do cotidiano.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Quanto &agrave;s conseq&uuml;&ecirc;ncias do seu uso indiscriminado, muitos autores afirmam que o uso de BZD de maneira inadequada &eacute; capaz de trazer mais malef&iacute;cios do que benef&iacute;cios &agrave; sa&uacute;de, pois s&atilde;o subst&acirc;ncias que apresentam tamb&eacute;m efeitos indesej&aacute;veis. Pepe, Rosenfeld e Baesso (1991) e Rocha (1992), afirmam que grande parte dos<i> efeitos colaterais</i> &eacute; devida &agrave; depress&atilde;o do sistema nervoso central (SNC), como &eacute; o caso da sonol&ecirc;ncia, seda&ccedil;&atilde;o, fadiga, vis&atilde;o turva, comprometimento da <i>performance </i>psicomotora, dificuldade de mem&oacute;ria e comprometimento intelectual. Isto faz com que o desempenho de tarefas que exigem maior habilidade, vigil&acirc;ncia e reflexos r&aacute;pidos pode estar comprometido.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>A literatura sobre esse assunto afirma que nos dias de hoje a principal classe de medicamentos com potencial para ocasionar <i>depend&ecirc;ncia </i>f&iacute;sica e psicol&oacute;gica &eacute; a dos BZD. Esse fen&ocirc;meno &eacute; classicamente definido como uso continuado da medica&ccedil;&atilde;o, mesmo ap&oacute;s a resolu&ccedil;&atilde;o dos sintomas. Sougey et al (1987) afirmam que a depend&ecirc;ncia aos BZD est&aacute; associada a dois principais fatores: longa dura&ccedil;&atilde;o do uso e altas doses do produto<a name=5a></a><a href=#5><sup>5</sup></a>. Em fun&ccedil;&atilde;o disso, muitos autores recomendam uma campanha educativa entre os m&eacute;dicos, inclusive entre os psiquiatras, que possibilite um uso mais racional dos BZD.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Outro fen&ocirc;meno decorrente do abuso de BZD &eacute; a <i>s&iacute;ndrome de retirada</i> ou <i>s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia</i>, um desconforto gerado pela sua retirada abrupta, e a <i>toler&acirc;ncia</i>, que se caracteriza pela utiliza&ccedil;&atilde;o de doses cada vez maiores para obten&ccedil;&atilde;o dos efeitos anteriormente obtidos com doses menores. S&atilde;o dist&uacute;rbios fisiol&oacute;gicos, s&eacute;rios que muitas vezes comprometem a vida de quem utiliza esses medicamentos indiscriminadamente.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Oliveira (2000) discute mais profundamente o conceito de depend&ecirc;ncia, ampliando seu olhar para a dimens&atilde;o social desse fen&ocirc;meno. Segundo essa autora, &ldquo;a depend&ecirc;ncia deve ser vista dentro da perspectiva cultural e socialmente determinada, que envolve uma variedade de significados e fun&ccedil;&otilde;es, independentes das seq&uuml;elas fisiol&oacute;gicas que muitas defini&ccedil;&otilde;es apresentam&rdquo; (p. 72). Sua pesquisa com mulheres usu&aacute;rias de Diazepam aponta para a necessidade que elas t&ecirc;m em rela&ccedil;&atilde;o a algo ou algu&eacute;m: &ldquo;&eacute; um grupo que precisa de muitas coisas: emprego, educa&ccedil;&atilde;o, moradia, sal&aacute;rio justo, respeito, acolhimento, reconhecimento e solidariedade&rdquo; (p. 72). Ela afirma que essas mulheres vivem em um estado de depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica e social bem mais grave do que o estado de depend&ecirc;ncia aos tranq&uuml;ilizantes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, de forma geral, funcionam regidos por uma l&oacute;gica que estimula o uso abusivo de medicamentos. Rea&ccedil;&otilde;es e efeitos como os acima citados s&atilde;o menosprezados, como se n&atilde;o estiv&eacute;ssemos lidando com vidas humanas, com direito &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. Al&eacute;m disso, os medicamentos ora em pauta estimulam uma postura passiva do usu&aacute;rio diante daquilo que provoca seu sofrimento, e podem impossibilit&aacute;-lo de usar seus pr&oacute;prios recursos contra as adversidades que oacometem. &Eacute; poss&iacute;vel que os ansiol&iacute;ticos transformem-se em um verdadeiro &oacute;pio social, mascarando os sintomas emocionais, enquanto o contexto social continua inalterado, ou generalizando diferentes dist&uacute;rbios e protelando o diagn&oacute;stico correto da doen&ccedil;a subjacente.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Barros (1995) afirma que o fen&ocirc;meno da medicaliza&ccedil;&atilde;o foi refor&ccedil;ado duplamente: pelo racioc&iacute;nio mecanicista e pela l&oacute;gica capitalista de mercado. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia dessa l&oacute;gica, todos os bens e servi&ccedil;os de sa&uacute;de passaram a ser considerados mercadorias, que devem gerar lucro. Segundo ele, uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias mais significativas do incremento da medicaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; a intensifica&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia:</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>As pessoas pretendem, cada vez com maior freq&uuml;&ecirc;ncia, resolver seus problemas &#150; sejam ou n&atilde;o suscept&iacute;veis de serem classificados como &ldquo;problemas m&eacute;dicos&rdquo; &#150; recorrendo aos servi&ccedil;os oferecidos pelo sistema de sa&uacute;de. Isto n&atilde;o somente levou a uma hipervaloriza&ccedil;&atilde;o do papel da Medicina e de seu instrumental tecnol&oacute;gico, mas provocou, igualmente, progressivo aumento da perda da capacidade das pessoas na conquista de alternativas para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas ami&uacute;de vinculados a fatores de ordem extram&eacute;dica (p. 32-33).</font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>&Agrave; medida que o medicamento assume essa conota&ccedil;&atilde;o de mercadoria, assume tamb&eacute;m, de acordo com Barros (1983), um duplo papel, ao satisfazer ao mesmo tempo os interesses do capital, e do modelo de sa&uacute;de hegem&ocirc;nico que orienta a pr&aacute;tica m&eacute;dica. A partir da id&eacute;ia generalizada de <i>solu&ccedil;&atilde;o, </i>ele satisfaz as expectativas do paciente e do profissional, quando da prescri&ccedil;&atilde;o, momento que se transformou na parte mais importante da consulta.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Dessa forma, deixa-se de ter uma vis&atilde;o ampla dos problemas e de seus determinantes, resultando na cren&ccedil;a generalizada de que n&atilde;o parece ser poss&iacute;vel enfrentar a doen&ccedil;a sem a presen&ccedil;a do arsenal terap&ecirc;utico oferecido pelo sistema m&eacute;dico-industrial. Tudo isso serve para diminuir as possibilidades de utiliza&ccedil;&atilde;o de outras alternativas no enfrentamento das enfermidades, principalmente as relacionadas aos aspectos psicol&oacute;gicos e sociais da vida do indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Al&eacute;m da concep&ccedil;&atilde;o de mercadoria, o medicamento tamb&eacute;m pode ser visto como s&iacute;mbolo de sa&uacute;de, de acordo com Lef&egrave;vre (1983). Isso se d&aacute; em fun&ccedil;&atilde;o do organismo humano ser visto como sede da sa&uacute;de. Segundo esse autor, por meio dessa vis&atilde;o &ldquo;biologizada&rdquo; da sa&uacute;de, &eacute; poss&iacute;vel propor como &ldquo;solu&ccedil;&atilde;o&rdquo; o consumo da mercadoria rem&eacute;dio. A vis&atilde;o do medicamento como s&iacute;mbolo de sa&uacute;de, a partir de uma concep&ccedil;&atilde;o biologizada do processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a, pressup&otilde;e que a enfermidade seja considerada como um fator org&acirc;nico, a ser enfrentada com o medicamento.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>A no&ccedil;&atilde;o (reificada) de sa&uacute;de, que geralmente est&aacute; presente na &oacute;tica desse autor, &eacute; de um estado org&acirc;nico, e o medicamento cont&eacute;m em si esse estado org&acirc;nico. Segundo Lef&egrave;vre &ldquo;os medicamentos s&atilde;o imita&ccedil;&otilde;es da vida enquanto fato org&acirc;nico, peda&ccedil;os de vida org&acirc;nica (sono, tranq&uuml;ilidade, pot&ecirc;ncia sexual etc) comprimidos em um comprimido, ou em uma gota, ou em um xarope&rdquo; (1983, p. 60). Concebida dessa forma, a sa&uacute;de est&aacute; &agrave; venda no mercado como uma mercadoria qualquer, por isso ela pode ser entendida em nossa sociedade como uma constela&ccedil;&atilde;o de mercadorias produtoras de sa&uacute;de. Essas mercadorias incorporam em si a sa&uacute;de, passando a represent&aacute;-la e a simboliz&aacute;-la; por outro lado, procuram apagar a doen&ccedil;a como indicador ou sintoma de problemas, tanto no &acirc;mbito pessoal como no social (Lef&egrave;vre, 1987).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>O modelo de aten&ccedil;&atilde;o no sistema de sa&uacute;de e a rela&ccedil;&atilde;o com o uso de ansiol&iacute;ticos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Nosso objetivo, neste item, &eacute; fazer uma breve discuss&atilde;o a respeito do modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, hegem&ocirc;nico no Brasil. Especificamente no servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de, deparamo-nos com o problema dos atendimentos, que se mostram cada vez mais ineficazes, perpetuando situa&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o longe de proporcionar melhor sa&uacute;de para quem necessita desses benef&iacute;cios.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>O Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) pode ser considerado como umadas principais inova&ccedil;&otilde;es da reforma do Estado brasileiro. &Eacute; fruto de um amplo processo de discuss&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de do pa&iacute;s, que envolveu o governo, profissionais de sa&uacute;de progressistas e a popula&ccedil;&atilde;o. A <i>VIII Conferencia Nacional de Sa&uacute;de</i>, ocorrida em 1986, representou um marco na luta pela melhoria do sistema de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de no Brasil, na medida em se constituiu como espa&ccedil;o de negocia&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o do SUS como pol&iacute;tica nacional.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Este sistema de sa&uacute;de pode ser traduzido por um conjunto de a&ccedil;&otilde;es, servi&ccedil;os e unidades que se integram, visando atividades de prote&ccedil;&atilde;o, promo&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. Tem como princ&iacute;pios fundamentais a universalidade da assist&ecirc;ncia, a integralidade das a&ccedil;&otilde;es e o controle social, dentre outros. Al&eacute;m disso, est&aacute; fundamentado em uma perspectiva ampliada de sa&uacute;de/doen&ccedil;a, a qual tem como fatores determinantes e condicionantes, por exemplo, a alimenta&ccedil;&atilde;o, o saneamento b&aacute;sico, as condi&ccedil;&otilde;es de moradia, educa&ccedil;&atilde;o, trabalho, lazer etc, de forma que os n&iacute;veis de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o expressam a organiza&ccedil;&atilde;o social e econ&ocirc;mica a que est&aacute; submetida. O SUS prop&otilde;e um novo modelo assistencial que supere a divis&atilde;o entre individual/coletivo, privado/p&uacute;blico, biol&oacute;gico/social, curativo/preventivo, que fundamenta o modelo biom&eacute;dico, bem como novos processos de trabalho orientados por equipes multiprofissionais, novas formas de gest&atilde;o e controle dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. A estrat&eacute;gia do Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF) foi constru&iacute;da para materializar todo esse ide&aacute;rio voltado para a produ&ccedil;&atilde;o social da sa&uacute;de, entendida como qualidade de vida.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Observamos que ao longo dos &uacute;ltimos anos muitas dificuldades se impuseram contra a consolida&ccedil;&atilde;o do SUS e a realiza&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica dos seus princ&iacute;pios gerais na maior parte do territ&oacute;rio nacional, principal-mente porque isso requer mudan&ccedil;as estruturais e institucionais, ainda n&atilde;o alcan&ccedil;adas completamente. Dentre essas dificuldades, podemos citar o predom&iacute;nio pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico do neoliberalismo, o desfinanciamento do setor sa&uacute;de, o sucateamento das instala&ccedil;&otilde;es e equipamentos, a falta de vontade e decis&atilde;o pol&iacute;ticas, a aus&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o popular, de organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os, a inadequa&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o profissional etc &#150; que se constituem como barreiras para o processo de transforma&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Isso n&atilde;o quer dizer que in&uacute;meros munic&iacute;pios brasileiros n&atilde;o tenham avan&ccedil;ado na implanta&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es baseadas nos princ&iacute;pios do SUS. Por&eacute;m, o que predomina no pa&iacute;s &eacute; o modelo biom&eacute;dico, que fundamenta pr&aacute;ticas &#150; na maioria das vezes inadequadas ao perfil e &agrave;s necessidades de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o &#150; e alimenta o sistema vigente, j&aacute; que refor&ccedil;a a dicotomia sa&uacute;de/doen&ccedil;a, o que implica em uma atua&ccedil;&atilde;o restrita, voltada exclusivamente para a enfermidade.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Esse modelo constitui o alicerce conceitual da moderna medicina cient&iacute;fica, guiando e fundamentando as pr&aacute;ticas referentes &agrave; sa&uacute;de. Ele &eacute; basicamente condicionado pelo paradigma cartesiano, &ldquo;que opera como se todos os entes constitu&iacute;ssem mecanismos ou organismos, sistemas com determina&ccedil;&otilde;es fixas, condicionada pela pr&oacute;pria posi&ccedil;&atilde;o de seus elementos&rdquo; (Paim e Almeida Filho, 2000). Essa r&iacute;gida estrutura conceitual considera o corpo como uma m&aacute;quina, que pode ser completamente entendida em termos da organiza&ccedil;&atilde;o e do funcionamento de suas pe&ccedil;as. Conseq&uuml;entemente, leva a uma abordagem t&eacute;cnica de sa&uacute;de, na qual a doen&ccedil;a &eacute; reduzida a uma avaria mec&acirc;nica, e a terapia m&eacute;dica &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Sem d&uacute;vida, a rigorosa divis&atilde;o cartesiana entre corpo e mente concentrou a pr&aacute;tica m&eacute;dica na &ldquo;m&aacute;quina&rdquo; corporal, e negligenciou os aspectos psicol&oacute;gicos, sociais e ambientais da doen&ccedil;a. Essa concep&ccedil;&atilde;o mecanicista faz com que a medicina concentre-se em partes cada vez menores do corpo, e perca de vista o paciente como ser humano integral. Reduz-se a sa&uacute;de a um funcionamento mec&acirc;nico e, com o enfoque t&eacute;cnico de sa&uacute;de, h&aacute; a cren&ccedil;a de que a cura da doen&ccedil;a requer alguma interven&ccedil;&atilde;o externa, como a do m&eacute;dico, que pode ser f&iacute;sica (por meio de cirurgia ou radia&ccedil;&atilde;o), ou qu&iacute;mica &#150; por meio de medicamentos (Capra, 1982). Essa vis&atilde;o n&atilde;o contempla o potencial curativo do paciente nem seu processo de busca de equil&iacute;brio.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>A constru&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de no Brasil foi alicer&ccedil;ada sobre bases que negam um compromisso com o indiv&iacute;duo, n&atilde;o considerando aspectos que s&atilde;o essenciais &agrave; aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de. Assim, o que se presencia &eacute; uma assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de ineficaz e com pouca resolutividade. Aos que t&ecirc;m um melhor poder aquisitivo, a assist&ecirc;ncia transformou-se em uma mercadoria paga, imputando &agrave; sa&uacute;de um valor de mercado, pela qual quem pode paga e quem n&atilde;o pode permanece sem uma assist&ecirc;ncia adequada. Segundo Oliveira (2000), uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias desse modelo excludente &eacute; a depend&ecirc;ncia das pessoas, que passam a crer que a solu&ccedil;&atilde;o de seus problemas de sa&uacute;de est&aacute; diretamente vinculada ao consumo do arsenal m&eacute;dico-industrial dispon&iacute;vel no mercado.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Esse modelo de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de est&aacute; relacionado com a forma neoliberal de produ&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de no nosso pa&iacute;s. De acordo com Campos (1992), seu funcionamento reproduz a forma mecanicista da pr&aacute;tica, a qual sobrevive articulando interesses empresariais com os de amplas parcelas de profissionais de sa&uacute;de, principalmente m&eacute;dicos e dentistas. Assentada nos moldes das concep&ccedil;&otilde;es do modelo neoliberal, a pr&aacute;tica de atendimentos na sa&uacute;de p&uacute;blica &eacute; voltada para a assist&ecirc;ncia individual. Como exemplo disso, temos o incentivo ao aspecto quantitativo: a produtividade traduzida em n&uacute;meros de procedimentos realizados<a name=6a></a><a href=#6><sup>6</sup></a>.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Tendo em vista que a mulher aparece como grande consumidora dos servi&ccedil;os e bens de sa&uacute;de, notamos que ela est&aacute; &agrave; merc&ecirc; de um atendimento longe de ser adequado para a resolu&ccedil;&atilde;o de seus problemas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Autores como Fonseca (1999) e Oliveira (2000) mostram que os servi&ccedil;os de sa&uacute;de geralmente se organizam para atender a mulher no seu ciclo grav&iacute;dico-puerperal, como no acompanhamento pr&eacute;-natal, assist&ecirc;ncia ao parto e puerp&eacute;rio, e mesmo assim de forma deficiente. Verificamos, ent&atilde;o, que o sistema de sa&uacute;de, da forma como funciona, n&atilde;o atende &agrave;s especificidades da mulher, na medida em que est&aacute; voltado somente para os aspectos f&iacute;sicos e biol&oacute;gicos, sem levar em conta sua subjetividade. N&atilde;o se percebe que as queixas recebidas &#150; na maioria das vezes expressas por sintomas f&iacute;sicos ou ps&iacute;quicos &#150; s&atilde;o decorrentes de problemas econ&ocirc;micos e sociais, de desajustes familiares, dentre outros, e devem ser entendidas de uma maneira mais abrangente. Sem saber lidar com esses problemas, lan&ccedil;a-se m&atilde;o da medica&ccedil;&atilde;o como &uacute;nico recurso dispon&iacute;vel e de f&aacute;cil acesso.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Analisando os discursos dos m&eacute;dicos prescritores de Diazepam, Oliveira (2000) conclui que esses profissionais:</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Comprovam que as pessoas de classes baixas e vitimadas por injusti&ccedil;as sociais utilizam o Diazepam como um amortecedor social, j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; pol&iacute;ticas efetivas, e para essas classes sociais &eacute; restrito o acesso aos bens sociais, entre os quais se inclui uma assist&ecirc;ncia de qualidade &agrave; sa&uacute;de (p. 107).</font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>A autora afirma tamb&eacute;m que os crit&eacute;rios adotados pelos profissionais m&eacute;dicos para prescri&ccedil;&atilde;o desses medicamentos s&atilde;o fr&aacute;geis, estimulados por um sistema de sa&uacute;de que sempre priorizou o lucro, deixando para segundo plano o sujeito em sua totalidade. Segundo ela, &ldquo;medicar o sofrimento e a dor do dia-a-dia, impregnados de problemas sociais, com tranq&uuml;ilizantes, &eacute; uma sa&iacute;da encontrada por um grande contingente de m&eacute;dicos, que se mostram passivos e coniventes com um adoecimento individual e coletivo&rdquo; (Oliveira, 2000, p. 108). Dessa forma, podemos dizer que a abordagem mais freq&uuml;ente na sa&uacute;de se distancia do que se entende por cuidado, ou seja, uma pr&aacute;tica terap&ecirc;utica n&atilde;o prescritiva, nem moralizante, mas acolhedora e para al&eacute;m do sintoma.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>A perspectiva de g&ecirc;nero e a quest&atilde;o do uso de ansiol&iacute;ticosentre as mulheres</b></font></p>     <p align=right><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>&ldquo;Pois a verdadeira doen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; estar doente, mas na    <br> cura, possuir rem&eacute;dios que ainda pertencem &agrave; doen&ccedil;a&rdquo;    <br> (Lapoujade, 2002, p. 85)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Fazer refer&ecirc;ncia &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero tamb&eacute;m se faz necess&aacute;rio para uma compreens&atilde;o mais abrangente a respeito do uso excessivo de ansiol&iacute;ticos, uma vez que as mulheres aparecem como as maiores consumidoras desse tipo de medicamento, de acordo com Bucher (1992), Barros (1983), dentre outros. Tendo em vista que essas rela&ccedil;&otilde;es identificam o tipo de vincula&ccedil;&atilde;o social que se estabelece entre homens e mulheres, podemos consider&aacute;-las como sendo um elemento importante na determina&ccedil;&atilde;o do comportamento apresentado. Indubitavelmente, as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero s&atilde;o permeadas por costumes e valores que determinam os pap&eacute;is que cada um assume, havendo liga&ccedil;&atilde;o direta com a forma&ccedil;&atilde;o da subjetividade e, portanto, com a forma de se ver e estar no mundo. Segundo Santana (2003):</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>O g&ecirc;nero possui uma perspectiva relacional que vai al&eacute;m da gram&aacute;tica. Ele existe para dar conta dos atributos espec&iacute;ficos que cada cultura imp&otilde;e ao masculino e ao feminino, partindo do princ&iacute;pio que os lugares sociais e culturais de cada um s&atilde;o constru&iacute;dos como a rela&ccedil;&atilde;o de poder entre homens e mulheres, ou seja, hierarquicamente. Usar o termo g&ecirc;nero &eacute;, por princ&iacute;pio, rejeitar o biologismo determinista impl&iacute;cito no termo sexo, rompendo dessa forma com conceitua&ccedil;&otilde;es essencialistas (Oliveira, 1999). Ou, como diz Hirata e Kergoat (1994), o g&ecirc;nero &eacute; o sexo social que tem no aspecto relacional a sua maior caracter&iacute;stica (p. 50).</font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>O aspecto que queremos destacar nesta discuss&atilde;o &eacute; o da divis&atilde;o sexual do trabalho, pautada na separa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico e da produ&ccedil;&atilde;o de bens como masculino, e o espa&ccedil;o privado, da reprodu&ccedil;&atilde;o, como feminino, o qual d&aacute; condi&ccedil;&otilde;es de esclarecer algumas quest&otilde;es a respeito da rela&ccedil;&atilde;o mulher-sa&uacute;de. Sabemos que hoje a mulher ocupa um importante lugar no mercado de trabalho, e tamb&eacute;m tem uma participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica cada vez mais atuante. No entanto, tamb&eacute;m sabemos que as condi&ccedil;&otilde;es de emprego s&atilde;o muitas vezes prec&aacute;rias e desiguais em rela&ccedil;&atilde;o aos homens, assim como as remunera&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m desses preju&iacute;zos, muitas mulheres assumiram um ac&uacute;mulo de atividades, com dupla jornada de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento de muitos problemas de sa&uacute;de. Sem d&uacute;vida, &eacute; muito alto o pre&ccedil;o pago pela mulher pela conquista de direitos b&aacute;sicos de cidad&atilde;, dado que colabora para o seu adoecimento. Dessa forma, a determina&ccedil;&atilde;o do seu processo de sa&uacute;de/doen&ccedil;a est&aacute; intimamente ligada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es enfrentadas por elas em seu cotidiano, e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es hierarquizadas de g&ecirc;nero &#150; ou seja, rela&ccedil;&otilde;es de poder, de conflito e viol&ecirc;ncia, seja na fam&iacute;lia no trabalho, ou nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Diante do contexto atual, percebemos que ocorreram mudan&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres no decorrer do tempo, que resultaram em uma diversifica&ccedil;&atilde;o de suas necessidades de aten&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, a assist&ecirc;ncia dirigida a elas n&atilde;o avan&ccedil;ou, n&atilde;o acompanhou a complexidade de sua inser&ccedil;&atilde;o na sociedade, e por isso, suas necessidades n&atilde;o est&atilde;o sendo atendidas de forma contextualizada. A maioria das mulheres tem um cotidiano sobrecarregado de demandas e tarefas, que n&atilde;o &eacute; levado em conta no momento do atendimento, e o resultado &eacute; um n&uacute;mero crescente de mulheres adoecendo e sendo submetidas ao uso de tranq&uuml;ilizantes como forma de suportar as dificuldades de seu dia-a-dia.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Al&eacute;m disso, devemos considerar as concep&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das social e culturalmente a respeito do que deve ser o comportamento do homem e da mulher, como determinantes para o consumo de ansiol&iacute;ticos, que &eacute; resultado das diferen&ccedil;as nas rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero presentes na sociedade. Oliveira (2000) analisa os discursos de m&eacute;dicos que atendem mulheres usu&aacute;rias de Diazepam. Segundo essa autora, a justificativa desses profissionais para o uso do medicamento &eacute; baseada na seguinte concep&ccedil;&atilde;o sobre a mulher, que n&atilde;o foge da que predomina na nossa sociedade: &ldquo;Mais fraca, mais fr&aacute;gil, conseq&uuml;entemente necessita de maiores cuidados de sa&uacute;de e vai em busca deles. S&atilde;o fracas, pois ficam em casa cuidando dos filhos, enquanto o homem &eacute; vislumbrado como mais forte, pois &eacute; quem traz o sustento da fam&iacute;lia&rdquo; (p. 109).</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>A l&oacute;gica expressa por esse profissional &eacute; de que a cacha&ccedil;a est&aacute; para o homem assim como o Diazepam est&aacute; para a mulher, ou seja, s&atilde;o vistos e utilizados como uma sa&iacute;da para muitos problemas. Dessa forma, a prescri&ccedil;&atilde;o desse medicamento &eacute; justificada de maneira preconceituosa, como sendo coisa de mulher, baseando-se em valores machistas, que infelizmente ainda alicer&ccedil;am as bases de nossa sociedade. Tendo em vista essa vis&atilde;o preconceituosa sobre as mulheres, o consumo de tranq&uuml;ilizantes passa a ser encarado pela sociedade como algo natural. Na medida em que s&atilde;o vistas como fracas, &eacute; criada a necessidade de uso de alguma coisa que venha devolver-lhes o equil&iacute;brio perdido, ajudando-as a se controlarem diante dos problemas do seu dia-a-dia.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>De forma sucinta, queremos dizer que todas as rela&ccedil;&otilde;es sociais est&atilde;o permeadas por quest&otilde;es de g&ecirc;nero e poder. Se pensarmos, de acordo com a perspectiva foucaultiana, na institui&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de como um espa&ccedil;o de disciplina e adestramento dos corpos, isto &eacute;, de investimento do poder, podemos entender as condutas padronizadas dos profissionais, a homogeneiza&ccedil;&atilde;o das mulheres, e sua obedi&ecirc;ncia &agrave;s normas e prescri&ccedil;&otilde;es no sentido da manuten&ccedil;&atilde;o do <i>status quo</i>. Entre m&eacute;dicos e mulheres se estabelece, pois, uma complexa rede que articula classe, g&ecirc;nero e ra&ccedil;a/ etnia &#150; aspectos n&atilde;o aprofundados aqui &#150; de forma a ser uma cadeia reprodutora de desigualdades e assujeitamento, de uma &ldquo;verdade&rdquo; que aprisiona a mulher e requer forte resist&ecirc;ncia no seu enfrentamento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>Resultados e discuss&atilde;o </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><b>Discursos das mulheres usu&aacute;rias</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Os dados s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos das mulheres participantes desta pesquisa apontaram para o seguinte perfil: a idade variou entre 32 e 68 anos; s&atilde;o na maioria casadas; t&ecirc;m de um a tr&ecirc;s filhos; s&atilde;o origin&aacute;rias do interior do estado e t&ecirc;m incipiente escolaridade. S&atilde;o tamb&eacute;m, em grande parte, donas de casa ou trabalham fora do lar em atividades da economia informal &#150; como vendedoras, faxineiras, artes&atilde;s, lavadeiras. A renda individual e familiar &eacute; muito baixa, variando entre um e dois sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Utilizam o servi&ccedil;o p&uacute;blico como &uacute;nico recurso para tratar da sa&uacute;de, geralmente procurando esse atendimento uma a duas vezes por m&ecirc;s. Tais dados traduzem a dimens&atilde;o singular, expressa no seu modo de vida, nos comportamentos e na forma de enfrentar as dificuldades impostas pelas suas condi&ccedil;&otilde;es, e isso repercute diretamente na maneira como se expressa o seu processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>As queixas relatadas que motivaram o uso dos medicamentos psicotr&oacute;picos, segundo o relato das mulheres, s&atilde;o: ins&ocirc;nia, nervosismo, dor de cabe&ccedil;a, dificuldade financeira, depress&atilde;o, marido alcoolista. Esses fatores aparecem como pano de fundo e est&atilde;o permeando o uso do medicamento em quest&atilde;o. Tais motivos refletem os problemas enfrentados por essas mulheres no seu dia-a-dia, os quais se traduzem em sintomas diversos, e em mal-estar, resultado de suas condi&ccedil;&otilde;es de vida, por pertencerem a uma camada social mais desfavorecida. Essas condi&ccedil;&otilde;es, a nosso ver, favorecem de forma decisiva o uso desse tipo de medicamento.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Os motivos apontados fazem parte de seu cotidiano e resultam em rea&ccedil;&otilde;es que traduzem a n&atilde;o suportabilidade &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia impostas. Dessa forma, o medicamento aparece ocupando a fun&ccedil;&atilde;o de um importante instrumento para o equil&iacute;brio emocional. Algumas queixas aparecem nos discursos a seguir:</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Tomo o medicamento quando estou sentindo fortes depress&otilde;es, muita dor de cabe&ccedil;a, a&iacute; eu come&ccedil;o a me assustar. Eu acordo &agrave; noite como quem tenha tomado um susto, como se tivesse acontecido alguma coisa, eu acordo toda me tremendo, assustada, mesmo sem ter havido nada&rdquo; </i> (usu&aacute;ria de 68 anos).</font></p>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Se eu n&atilde;o tomar penso que vou ficar doente, que n&atilde;o vou dormir mais, por isso n&atilde;o vou deixar de tomar nunca, s&oacute; quando morrer&rdquo; </i> (usu&aacute;ria de 43 anos).</font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Podemos notar que h&aacute; um significado particular atribu&iacute;do ao uso desses medicamentos, relacionado &agrave; viv&ecirc;ncia subjetiva das situa&ccedil;&otilde;es de desconforto ou desequil&iacute;brio emocional, e tamb&eacute;m &agrave; impot&ecirc;ncia diante dos sintomas apresentados, muitas vezes devido &agrave; falta de compreens&atilde;o dos mesmos. Podemos perceber a presen&ccedil;a do fen&ocirc;meno da depend&ecirc;ncia, tanto fisiol&oacute;gica quanto psicol&oacute;gica, e a vis&atilde;o do medicamento como s&iacute;mbolo da tranq&uuml;ilidade que elas necessitam.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>O tempo de uso dos medicamentos na amostra variou de quatro meses a dezenove anos, mostrando que h&aacute; usos cr&ocirc;nicos com clara depend&ecirc;ncia, e casos recentes de uso. Sete das dezesseis mulheres entrevistadas utilizam-nos de um per&iacute;odo de quatro meses a quatro anos; seis delas, de oito a onze anos; tr&ecirc;s usam de quinze a dezenove anos. Isto significa que o medicamento passou a ocupar um lugar imprescind&iacute;vel na vida dessas mulheres, principalmente daquelas que o utilizam h&aacute; longo tempo.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Oliveira (2000), ao analisar a quest&atilde;o do tempo em sua pesquisa com mulheres usu&aacute;rias de Diazepam, afirmou que os dados revelaram a maneira como esses casos s&atilde;o tratados no servi&ccedil;o de sa&uacute;de, em que n&atilde;o h&aacute; um acompanhamento sistem&aacute;tico das pacientes por parte dos m&eacute;dicos. Com isso eles perdem de vista essas mulheres, que passam a utilizar tais medicamentos por longos per&iacute;odos, o que constitui um grave risco para a sa&uacute;de. H&aacute; um consenso na literatura especializada que os BZD deveriam ser administrados durante um per&iacute;odo que varia entre duas a doze semanas, e ser retirado gradualmente. No entanto, n&atilde;o parece ser isso o que acontece no &acirc;mbito da sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Os dados expostos revelam um quadro de enorme gravidade, no que se refere &agrave; medicaliza&ccedil;&atilde;o da mulher, com utiliza&ccedil;&otilde;es cr&ocirc;nicas, que podem trazer conseq&uuml;&ecirc;ncias graves para a sa&uacute;de. De fato, &eacute; no m&iacute;nimo assustador que seis (das dezesseis mulheres entrevistadas) utilizem drogas desse tipo por um per&iacute;odo que abrange de dez a dezenove anos. Infelizmente, essa &eacute; uma realidade presente, tamb&eacute;m de forma cr&ocirc;nica, nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de do nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>As expectativas criadas pela maioria das mulheres s&atilde;o de melhora dos sintomas, como dormir melhor, ter tranq&uuml;ilidade, ficar calma, relaxar, melhorar dos nervos, melhorar da cabe&ccedil;a. De fato, o discurso dessas mulheres usu&aacute;rias revela um poder extraordin&aacute;rio atribu&iacute;do ao medicamento, que vai al&eacute;m de possibilidades reais e concretas, como reflete a vis&atilde;o de duas mulheres nos relatos abaixo:</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Sem ele eu n&atilde;o vivo entende? Para mim s&oacute; tem ele que &eacute; a minha calma (...) Me sinto outra pessoa quando eu tomo o medicamento&rdquo; </i> (usu&aacute;ria de 43 anos).</font></p>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Eu tomo, pois tomando ele eu acho que eu vou ficar boa desses tro&ccedil;os que eu tenho. Quando eu p&aacute;ro de tomar &eacute; aquela tristeza, aquele des&acirc;nimo, eu n&atilde;o tenho &acirc;nimo para nada, eu fico sem for&ccedil;as&rdquo; </i> (usu&aacute;ria de 45 anos).</font></p>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Eu acho que ele seja uma companhia para mim, entende? (...) &eacute; como se fosse uma arma para mim, eu estou segura com ele&rdquo; </i> (usu&aacute;ria de 58 anos).</font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Os discursos apontam o medicamento como algo que representa a for&ccedil;a, a seguran&ccedil;a perdida, a coragem para enfrentar o dia-a-dia oufazer sumir os problemas. &Eacute; atribu&iacute;do um sentido que extrapola os prop&oacute;sitos que esse recurso disp&otilde;e.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Outro relato dessa usu&aacute;ria aponta para mudan&ccedil;as no comportamento, para que o mesmo venha a ser &ldquo;normal&rdquo; e socialmente aceit&aacute;vel:</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Tomo &eacute; para me comportar em qualquer lugar, pois sou muito agitada. &Eacute; para ficar tranq&uuml;ila a ponto de eu conseguir arranjar trabalho, levar uma vida normal, ter uma normalidade... Eu queria trabalhar, ter uma vida pr&oacute;pria, eu dependo dos outro&rdquo;. </i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Nessa dire&ccedil;&atilde;o, notamos nesses relatos a indica&ccedil;&atilde;o de algo perdido: a tranq&uuml;ilidade, a normalidade, que s&atilde;o devolvidas pelo medicamento. O que ficou no lugar da sa&uacute;de natural perdida foi a sa&uacute;de artificial, ou seja, o medicamento. Essa express&atilde;o parece demonstrar a id&eacute;ia de obten&ccedil;&atilde;o de outro estado para si, que &eacute; dado por meio do medicamento, o que lhe confere um alto grau de efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia simb&oacute;licas. Na interpreta&ccedil;&atilde;o de Lef&egrave;vre, &ldquo;Efic&aacute;cia simb&oacute;lica &eacute; ent&atilde;o o &lsquo;resultado&rsquo; do s&iacute;mbolo, a prova de que o significado do medicamento &eacute; mesmo igual a &lsquo;sa&uacute;de&rsquo;. Efici&ecirc;ncia simb&oacute;lica diz respeito ao processo de obten&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de&rdquo; (1991, p. 90).</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>De uma maneira geral, ele vem preencher a falta de alguma coisa, que muitas vezes essas mulheres n&atilde;o conseguem identificar claramente o que &eacute;. O fato &eacute; que uma pr&oacute;tese qu&iacute;mica &eacute; o &uacute;nico recurso de que disp&otilde;em para que haja uma garantia de continuidade de vida, na medida em que por meio do medicamento lhes &eacute; assegurado um certo grau de estabilidade para o enfrentamento dos problemas cotidianos. Podemos perceber que o ansiol&iacute;tico utilizado de forma cr&ocirc;nica passa a ter um sentido para essas mulheres, que se expressa sob a forma de necessidade. Por isso, o uso desse medicamento representa, para muitas delas, algo imprescind&iacute;vel no enfrentamento de seus problemas, o que justifica a continua&ccedil;&atilde;o do comportamento de adi&ccedil;&atilde;o. O ansiol&iacute;tico funciona, portanto, como um vigia permanente do desespero dessas mulheres, renovado a cada dia, passando a ser um instrumento na luta contra suas ang&uacute;stias e desequil&iacute;brios emocionais provocados pelas situa&ccedil;&otilde;es geradoras de tens&otilde;es. Ao ingerir o ansiol&iacute;tico, elas esperam que o medicamento venha, de alguma forma, agir sobre suas realidades e trazerlhes uma sensa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a. Junto com suas car&ecirc;ncias aparecem sentimentos de preocupa&ccedil;&atilde;o e ansiedade, que s&atilde;o amenizados pelo uso do medicamento.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Ao serem investigadas a respeito das melhoras obtidas a partir do consumo, confirmou-se a predomin&acirc;ncia dos aspectos positivos do medicamento. Doze das dezesseis mulheres afirmaram que sua sa&uacute;de melhorou. Elas se referiram a melhoras dos sintomas que as incomodavam. Em suas falas, referiram-se a mudan&ccedil;as como: dormir melhor, acalmar-se, tranq&uuml;ilizar-se, relaxar, passar a dor de cabe&ccedil;a, entre outros. Tr&ecirc;s responderam que o medicamento resolveu em parte o que as incomodava. Apenas uma das usu&aacute;rias afirmou n&atilde;o ter havido nenhuma melhora com o uso do medicamento, o que indica uma n&atilde;o resolutividade por meio do ansiol&iacute;tico. Alguns relatos podem esclarecer esse aspecto:</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Resolveu muito, eu era desesperada, chorava direto&rdquo; </i> (usu&aacute;ria de 58 anos).</font></p>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Quando eu n&atilde;o tomava sentia muita dor de cabe&ccedil;a, descontrolava a minha vida. Com ele mudou porque eu tomo conta da minha casa direito, dos meus filhos, resolve as minhas coisas&rdquo; </i> (usu&aacute;ria de 38 anos).</font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Vale lembrar que muito desses discursos colocam a elimina&ccedil;&atilde;o dos sintomas como sin&ocirc;nimo de solu&ccedil;&atilde;o dos problemas &#150; para tanto, muitas vezes o medicamento &eacute; visto como determinante principal. Percebemos uma posi&ccedil;&atilde;o de aliena&ccedil;&atilde;o e submiss&atilde;o ao ansiol&iacute;tico, o que pode deix&aacute;-las desatentas aos efeitos colaterais que podem ocorrer &#150; sonol&ecirc;ncia, seda&ccedil;&atilde;o, fadiga, vis&atilde;o turva &#150; os quais levam ao comprometimento de tarefas que exigem maior concentra&ccedil;&atilde;o e reflexos r&aacute;pidos. Talvez esses sinais sejam interpretados como algo positivo, e sentidos como &ldquo;ter o corpo relaxado&rdquo;, &ldquo;ficar calma&rdquo; etc. Al&eacute;m dis-so, a sensa&ccedil;&atilde;o de que o medicamento <i>&ldquo;transforma em uma outra pessoa&rdquo; </i> &#150; dito por uma usu&aacute;ria anteriormente &#150; indica o quanto esse objeto, na sua concep&ccedil;&atilde;o, &eacute; capaz de eliminar aspectos indesej&aacute;veis, negativos, presentes em si mesma.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Tentamos investigar a auto-medica&ccedil;&atilde;o entre as mulheres entrevistadas, perguntando-lhes se haviam sido aconselhadas por algu&eacute;m, que n&atilde;o o m&eacute;dico, a usar esse tipo de medicamento, ou se haviam usado o de outra pessoa. Percebemos uma obedi&ecirc;ncia &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico sobre as prescri&ccedil;&otilde;es, e um certo receio de que o uso sem orienta&ccedil;&atilde;o viesse a fazer mal.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Esses dados v&ecirc;m refor&ccedil;ar os j&aacute; existentes a respeito dos medicamentos ansiol&iacute;ticos. Dentro da popula&ccedil;&atilde;o estudada, nota-se claramente sua fun&ccedil;&atilde;o predominante de instrumento de al&iacute;vio do mal-estar, sem levar em conta aspectos variados e abrangentes que determinam a sa&uacute;de f&iacute;sica e emocional da mulher usu&aacute;ria. A forma como sua sa&uacute;de &eacute; vista e tratada &#150; uma vis&atilde;o biologizada que elege o medicamento como recurso principal &#150; faz com que os problemas emocionais decorrentes de fatores variados sejam tamb&eacute;m vistos e tratados de maneira restrita.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>Discurso dos m&eacute;dicos</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Nas entrevistas com os profissionais tentamos buscar sua vis&atilde;o a respeito desses medicamentos e da usu&aacute;ria, das queixas recebidas, do tratamento proposto, da efic&aacute;cia do rem&eacute;dio e da din&acirc;mica existente na rela&ccedil;&atilde;o entre eles e as usu&aacute;rias. Constatamos algumas semelhan&ccedil;as entre as entrevistas desses profissionais.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>As queixas trazidas pela mulher usu&aacute;ria, segundo eles, referem-se a sintomas de ang&uacute;stia, choro, irritabilidade, ins&ocirc;nia, palpita&ccedil;&otilde;es, tremores, labilidade emocional, problemas familiares. De acordo com a vis&atilde;o dos m&eacute;dicos, s&atilde;o decorrentes de problemas de ordem econ&ocirc;mica e social, como marido desempregado, filhos para criar, problemas no emprego, alcoolismo na fam&iacute;lia, doen&ccedil;a na fam&iacute;lia, morte etc. O seguinte relato de um m&eacute;dico retrata uma vis&atilde;o bastante comum entre a categoria:</font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;O problema &eacute; social, n&atilde;o tem nada a ver com sa&uacute;de. &Eacute; mais problema social. Ela tenta se esconder atr&aacute;s de um calmantezinho. O problema &eacute; de fam&iacute;lia, de desemprego. Se n&atilde;o tivesse nada disso, com certeza n&atilde;o ia tomar calmante, n&atilde;o ia ter ins&ocirc;nia, n&atilde;o ter nada disso&rdquo;. </i></font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Podemos perceber que mesmo apontando para um aspecto importante, que &eacute; o social, ocorre mais uma interpreta&ccedil;&atilde;o limitada diante das queixas, ou seja, o social aparece de uma forma naturalizada, na medida em que &eacute; identificado como algo dado na vida dessas mulheres, estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o de causa e efeito, desconsiderando a subjetividade da mulher usu&aacute;ria no processo, e sua maneira singular de viver tal realidade. Com efeito, ao analisarmos o problema do uso indiscriminado de ansiol&iacute;ticos, n&atilde;o podemos desconsiderar os elementos que dizem respeito &agrave; subjetividade de cada uma das mulheres e das rela&ccedil;&otilde;es que estabelecem com o contexto no qual est&atilde;o inseridas. Fica claro que no modelo de assist&ecirc;ncia oferecido, &eacute; dada pouca import&acirc;ncia &agrave; individualidade das mulheres usu&aacute;rias de ansiol&iacute;tico, desconsiderando seu sofrimento e suas ang&uacute;stias como fatores fundamentais para desencadear problemas de sa&uacute;de. Isto n&atilde;o significa que o profissional n&atilde;o tem consci&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia de tais aspectos: o problema &eacute; que a sua pr&aacute;tica n&atilde;o se amplia para que esses aspectos venham a ser contemplados.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>O resultado do atendimento s&atilde;o diagn&oacute;sticos que ignoram importantes elos, que n&atilde;o se encaixam na interpreta&ccedil;&atilde;o limitada do m&eacute;dico, muito embora nos relatos haja elementos riqu&iacute;ssimos, que se fossem considerados, poderiam favorecer uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais real do sintoma apresentado.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>No tratamento proposto, o tempo de retorno da usu&aacute;ria ao servi&ccedil;o varia de um m&ecirc;s a dois para acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o do tratamento, como mostram os seguintes relatos<i>: </i></font></p>     <blockquote>       <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;S&oacute; passo medica&ccedil;&atilde;o para um m&ecirc;s, que &eacute; para tentar, &eacute; aquela vigil&acirc;ncia bem pr&oacute;xima para ver se consigo soltar ela da medica&ccedil;&atilde;o&rdquo;. </i></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><i> &ldquo;Eu procuro marcar, agendar que ela venha com dez dias, quinze dias, s&oacute; que a maioria n&atilde;o vem. Elas usam o rem&eacute;dio e est&atilde;o se sentindo bem e v&ecirc;m quando o rem&eacute;dio acaba n&eacute;?&rdquo; </i></font></p> </blockquote>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>No entender desses profissionais, muitas usu&aacute;rias podem ser consideradas como dependentes dos medicamentos analisados. Mesmo consciente do problema da depend&ecirc;ncia ou de sua possibilidade, o m&eacute;dico n&atilde;o consegue evitar que ela muitas vezes ocorra. A nosso ver, isso acontece como conseq&uuml;&ecirc;ncia da mesma posi&ccedil;&atilde;o adotada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o assistida, ou seja, o profissional quase sempre recorre &agrave; prescri&ccedil;&atilde;o de tais medicamentos como &uacute;nico meio de enfrentamento dos problemas apresentados por tais mulheres.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Por outro lado, o medicamento representa, na rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico/ usu&aacute;ria, o poder que esse profissional exerce, na medida em que &eacute; ele &ldquo;quem sabe o que &eacute; bom&rdquo; para a paciente. Nessa rela&ccedil;&atilde;o existe geralmente uma submiss&atilde;o cega ao saber e &agrave; figura do m&eacute;dico como autoridade que n&atilde;o pode ser colocada em d&uacute;vida, principalmente se o profissional &eacute; aquele que a acompanha h&aacute; muito tempo.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Notamos que no atendimento prestado a essas mulheres h&aacute; uma prefer&ecirc;ncia por uma solu&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida e menos trabalhosa &#150; a prescri&ccedil;&atilde;o de ansiol&iacute;ticos &#150; e que desconsidera as causas das perturba&ccedil;&otilde;es apresentadas. A forma indiscriminada de uso dessas drogas estaria, na vis&atilde;o de Wortmann et al (1994), subestimando a capacidade dos indiv&iacute;duos em lidar com situa&ccedil;&otilde;es adversas, comuns aos processos vitais. Por esse motivo, achamos que devam ser direcionadas a&ccedil;&otilde;es que possibilitem uma discuss&atilde;o sobre os motivos que estimularam o consumo indiscriminado do ansiol&iacute;tico, pois o modo como as mulheres usu&aacute;rias s&atilde;o acolhidas n&atilde;o oferece uma interven&ccedil;&atilde;o de cunho mais conscientizador.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Percebemos tamb&eacute;m, de forma clara, uma rela&ccedil;&atilde;o de poder estabelecida pelo complexo m&eacute;dico-industrial sobre a mulher usu&aacute;ria, por meio da imposi&ccedil;&atilde;o do medicamento, que como foi mostrado, tem no m&eacute;dico seu maior representante. Este, por sua vez, ancora-se no modelo de sa&uacute;de vigente, que n&atilde;o permite uma postura diferenciada frente aos problemas de sa&uacute;de, a n&atilde;o ser por meio do ato de prescrever. Al&eacute;m disso, a figura do m&eacute;dico &eacute; vista e tratada como uma autoridade, com um saber inquestion&aacute;vel e inabal&aacute;vel, a quem se deve respeito e obedi&ecirc;ncia. Por outro lado, o saber da usu&aacute;ria &eacute; desconsiderado por esta, o que faz com que a palavra e o conhecimento de si sejam oferecidos ao m&eacute;dico, que visto como onipotente, saber&aacute; fornecer a solu&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica para seu problema.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Dois dos oito m&eacute;dicos entrevistados disseram preferir encaminhar para o especialista (psiquiatra) a paciente que procura o servi&ccedil;o pela primeira vez querendo a receita do rem&eacute;dio. Acham que esse profissional tem mais condi&ccedil;&otilde;es de julgar a necessidade ou n&atilde;o do uso. No entanto, um deles afirmou renovar a receita de usu&aacute;rias que come&ccedil;aram o tratamento com o psiquiatra, contribuindo para a perpetua&ccedil;&atilde;o do uso.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Outra quest&atilde;o colocada para os profissionais m&eacute;dicos diz respeito &agrave; efic&aacute;cia dos medicamentos ansiol&iacute;ticos. A vis&atilde;o deles &eacute; que o rem&eacute;dio &eacute; apenas um paliativo ou um coadjuvante de crises mais agudas. Parecem ter consci&ecirc;ncia de que o mesmo n&atilde;o resolve o problema apresentado, mas apenas alivia os sintomas a ele relacionados. No entanto, o que predomina em sua pr&aacute;tica &eacute; a prescri&ccedil;&atilde;o, mostrando que a mesma est&aacute; t&atilde;o impregnada na cl&iacute;nica e na cultura m&eacute;dica, que o profissional n&atilde;o consegue atuar de maneira diferenciada.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Podemos perceber que tanto o m&eacute;dico quanto o paciente s&atilde;o convertidos &agrave;s normas de atendimento e tratamento do modelo hegem&ocirc;nico, e ao mesmo tempo convertidos &agrave;s normas sociais da classe dominante. Em fun&ccedil;&atilde;o disso, devemos atentar para o car&aacute;ter ideol&oacute;gico das pr&aacute;ticas educativas em sa&uacute;de (ensinamentos dos m&eacute;dicos sobre cuidados com o corpo, com a sa&uacute;de, com a preven&ccedil;&atilde;o e tratamento das doen&ccedil;as).</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Para Ramos et al &ldquo;tais pr&aacute;ticas baseiam-se nas teorias que tomam a educa&ccedil;&atilde;o como instrumento, seja de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; ordem social, seja formando &lsquo;boas consci&ecirc;ncias&rsquo;, bons cidad&atilde;os para, assim, aperfei&ccedil;oar a sociedade&rdquo;. Segundo eles, a educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de &ldquo;teria por fun&ccedil;&atilde;o mudar comportamentos, cren&ccedil;as e atitudes prejudiciais &agrave; sa&uacute;de, man-tendo a popula&ccedil;&atilde;o no interior das normas estabelecidas pela ordem m&eacute;dica&rdquo; (1989, p. 151). Isso se traduz em uma forma de ocultar as contradi&ccedil;&otilde;es presentes nas rela&ccedil;&otilde;es sociais.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Investigamos ainda com os m&eacute;dicos que outros recursos poderiam ser utilizados quando o medicamento apresentasse limites. Houve uma op&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime para a psicoterapia, que segundo eles seria uma outra forma de ajudar essas mulheres. Geralmente as encaminham por conceberem os problemas emocionais e comportamentais como n&atilde;o trat&aacute;veis na sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser por meio do medicamento. Apenas um dos profissionais entrevistados ressaltou a import&acirc;ncia do di&aacute;logo do m&eacute;dico com o paciente, em que este deve ser um &ldquo;conselheiro para os problemas familiares do paciente&rdquo;. A op&ccedil;&atilde;o de encaminhar para o psic&oacute;logo n&atilde;o se configura apenas como uma outra forma de ajudar tais mulheres, mas demonstra tamb&eacute;m a falta de preparo desse profissional para acolher as pacientes, mostrando-se incapacitado em ouvir queixas que n&atilde;o estejam relacionadas a sintomas do corpo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Podemos apontar algumas conclus&otilde;es a respeito da din&acirc;mica existente na rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico/usu&aacute;ria: o profissional at&eacute; consegue ter uma vis&atilde;o ampla dos problemas da mulher usu&aacute;ria dos medicamentos ansiol&iacute;ticos, na medida em que os reporta aos aspectos sociais e econ&ocirc;micos determinantes, mas restringe a quest&atilde;o apenas ao aspecto social. Isso foge da sua possibilidade de atua&ccedil;&atilde;o, pois no entendimento da maioria desses profissionais, as quest&otilde;es sociais n&atilde;o lhes diz respeito. O social aparece de uma maneira totalmente naturalizada, como se todas as mulheres vivenciassem esses eventos da mesma forma, desconhecendo a marca&ccedil;&atilde;o subjetiva que faz parte da viv&ecirc;ncia de cada uma e resultando em um entendimento limitado dela.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Reportando os problemas advindos dessas mulheres &agrave; quest&atilde;o social, esses profissionais acreditam que sua abordagem seja mais ampliada, mais contextualizada. No entanto, notamos que a descontextualiza&ccedil;&atilde;o se perpetua, pois o significado particular que cada experi&ecirc;ncia representa para cada mulher n&atilde;o &eacute; escutado. Tal fato ocorre porque eles n&atilde;o levam em conta a subjetividade das usu&aacute;rias, as quest&otilde;es que as mobilizam a usarem esses medicamentos, e assim acabam por atuar de forma reducionista.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>&Eacute; preciso considerar as quest&otilde;es relacionadas &agrave; cidadania e &agrave; subjetividade dessas mulheres como elementos importantes na an&aacute;lise que propomos. Para uma compreens&atilde;o abrangente da problem&aacute;tica estudada, &eacute; preciso uma articula&ccedil;&atilde;o desses elementos, como forma de apontarmos sa&iacute;das consistentes, calcadas na realidade apresentada, e que visem uma transforma&ccedil;&atilde;o social. Podemos considerar que o lugar ocupado por essas mulheres &#150; da n&atilde;o cidadania, da aus&ecirc;ncia de direitos, da exclus&atilde;o social &#150; contribui para que o medicamento adquira um significado importante, vital para elas. Torna-se necess&aacute;rio n&atilde;o perder de vista as implica&ccedil;&otilde;es das rela&ccedil;&otilde;es sociais da mulher usu&aacute;ria na constru&ccedil;&atilde;o da sua subjetividade.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>&Eacute; preciso observar de que maneira a sexualidade, as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas de poder entre o masculino e o feminino, a rela&ccedil;&atilde;o com as institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, a divis&atilde;o sexual do trabalho, a falta de oportunidades, entre outros, s&atilde;o importantes para uma melhor compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno que envolve o uso de ansiol&iacute;ticos.</font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Considerando esta realidade como profissional de sa&uacute;de, podemos pensar de que forma, na nossa pr&aacute;tica, seria poss&iacute;vel romper essa linha de a&ccedil;&atilde;o padronizada e massificada direcionada &agrave; mulher usu&aacute;ria do servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de, e em especial &agrave; usu&aacute;ria de ansiol&iacute;ticos. Como podemos colaborar, como trabalhadores comprometidos, para mudan&ccedil;as consistentes na assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de? Como podemos romper essa viol&ecirc;ncia institucional, fundada em um modelo dominante, que acaba refor&ccedil;ando uma posi&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o a esse aparato que &eacute; tamb&eacute;m pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico? Tendo em vista tais objetivos, &eacute; necess&aacute;rio que mudemos de posi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; nossa pr&aacute;tica profissional, e alteremos os pressupostos te&oacute;ricos que a fundamentam. Importante investir na cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es, de espa&ccedil;os, para que possam ser adquiridas novas significa&ccedil;&otilde;es na postura dessas mulheres diante de seu processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a. &Eacute; preciso possibilitar uma expans&atilde;o do seu campo subjetivo, a fim de que possam perceber de que forma se instaura seu adoecimento, e n&atilde;o somente atribuir a fatores externos esse adoecer, sem que haja uma compreens&atilde;o do porqu&ecirc; do seu surgimento. Isso significaria uma tomada de consci&ecirc;ncia, no sentido de entender e procurar solu&ccedil;&otilde;es para os pr&oacute;prios problemas que as fazem adoecer, tornando-as verdadeiros sujeitos de mudan&ccedil;as, o que seria resultante da constru&ccedil;&atilde;o de uma significa&ccedil;&atilde;o pessoal para suas queixas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>BARROS, M. B (1983). <i>Sa&uacute;de e classe social</i>: um estudo sobre morbidade e consumo de medicamentos. Tese (Doutorado). Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto, USP. Ribeir&atilde;o Preto.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263247&pid=S1413-2907200300010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>BARROS, J. A. C. (1995<i>). Propaganda de medicamentos, atentado &agrave; sa&uacute;de? </i>S&atilde;o Paulo: Hucitec.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263248&pid=S1413-2907200300010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>BUCHER, R. (1992<i>). Drogas e drogadi&ccedil;&atilde;o no Brasil. </i>Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263249&pid=S1413-2907200300010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>CAPRA, F. (1982).<i> O ponto de muta&ccedil;&atilde;o</i>. 10. ed. S&atilde;o Paulo: Cultrix.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263250&pid=S1413-2907200300010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>CAMPOS, G. W. S. (1992). <i>Reforma da reforma</i>: repensando a sa&uacute;de. S&atilde;o Paulo: Hucitec.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263251&pid=S1413-2907200300010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>DIMENSTEIN, M. D. B. (1998). <i>O psic&oacute;logo no contexto do sistema &uacute;nico de sa&uacute;de (SUS)</i>: perfil profissional e perspectivas de atua&ccedil;&atilde;o nas unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de (UBSs). Tese (Doutorado). Instituto de Psiquiatria, UFRJ. Rio de Janeiro.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263252&pid=S1413-2907200300010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>FONSECA, R. M. G. S. (1999). Mulher, direito e sa&uacute;de: repensando o nexo coesivo<i>. Sa&uacute;de e sociedade</i>. 8(2): 3-32.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263253&pid=S1413-2907200300010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>KARNIOL, I. G.; NEURY, J. B.; MACIEL,R.R.; AMARAL MOREIRA, M. E.; CAPITANI, E. M.; MADUREIRA, P. R.; OLIVEIRA, J. F.; PORTELA, V.; VIEIRA, R. J. (1986). Uso e abuso de benzodiazep&iacute;nicos no Brasil. <i>Revista ABPAPAL</i>. 8(1): 30-35.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263254&pid=S1413-2907200300010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>LAPOUJADE, D. (2002). O corpo que n&atilde;o ag&uuml;enta mais. In: LINS, D.; GADELHA, S. (orgs). <i> Nietzche e Deleuze</i>: o que pode o corpo. Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;; Fortaleza: Secretaria da Cultura e Desporto.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263255&pid=S1413-2907200300010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>LEF&Egrave;VRE, F. (1983). A fun&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica dos medicamentos. <i>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>. 17: 500-503.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263256&pid=S1413-2907200300010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>__________(1987). A oferta e a procura de sa&uacute;de atrav&eacute;s do medicamento: proposta de um campo de pesquisa. <i>Revista Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>. 21: 64-67.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263257&pid=S1413-2907200300010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>___________ (1991). <i>O medicamento como mercadoria simb&oacute;lica. </i>S&atilde;o Paulo: Cortez.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263258&pid=S1413-2907200300010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>OLIVEIRA, E. N. (2000<i>). Sa&uacute;de mental e mulheres</i>: sobreviv&ecirc;ncia, sofrimento e depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica. Sobral: Edi&ccedil;&otilde;es UVA.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263259&pid=S1413-2907200300010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>PAIM, J. S.; FILHO, N. A. (2000). <i>A crise da sa&uacute;de p&uacute;blica e a utopia da sa&uacute;de coletiva. </i>Salvador: Casa da Qualidade.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263260&pid=S1413-2907200300010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>PEPE, V.L.E.; ROSENFELD, S.; BAESSO, M.G. (1991). Tratamento da ansiedade: estudo da oferta de medicamentos e do mercado benzodiazep&iacute;nico. <i>Jornal Brasileiro de Psiquiatria</i>. 40(1): 35-42.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263261&pid=S1413-2907200300010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>PUEBLA, M. A. C.; MORRIS, M. R.; PE&Ntilde;ALVER, P. C.; GONZALEZ, C. P. (1985). Consumo inadecuado de medicamentos. <i>Rev Cub Med</i>. 24: 436-442.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263262&pid=S1413-2907200300010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>RAMOS, C. L.; MELO, J. A. C.; SOARES, J. C. R. S. (1989). Quem educa quem? Repensando a rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-paciente. In: COSTA, N. R.; RAMOS, C. L.; MINAYO, M. C. S.; STOTZ, E. N. (orgs). <i>Demandas populares, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</i>. Cole&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de e realidade brasileira. Petr&oacute;polis: Vozes. vol. II, p. 145-163.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263263&pid=S1413-2907200300010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>ROCHA, F. L. (1992). Ansiedade e ansiol&iacute;ticos na pr&aacute;tica cl&iacute;nica. <i>Arquivos Brasileiros de Medicina</i>. 66(2): 161-9.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263264&pid=S1413-2907200300010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>ROZEMBERG, B. (1994). O consumo de calmantes e o &ldquo;problema de nervos&rdquo; entre lavradores. <i>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>. 28(4): 300-308.</font></p>     <!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>SANTANA, M. V. (2003). <i>As condi&ccedil;&otilde;es e o sentido do trabalho dom&eacute;stico realizado por adolescentes que residem no local de emprego</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado). Departamento de Psicologia, UFRN.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263266&pid=S1413-2907200300010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>SIM&Otilde;ES, M. J. S.; FARACHE F&ordm;, A. (1988). Consumo de medicamentos em regi&atilde;o do estado de S&atilde;o Paulo (Brasil), 1985. <i>Revista de Sa&uacute;de Publica</i>. 22(6): 494-499.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263267&pid=S1413-2907200300010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>SOARES, C. N.; SOARES, M. B. M.; ASBAHR, F. R.; BERNIK, M. A. (1991). Perfil de uso de benzodiazep&iacute;nicos em pacientes psiqui&aacute;tricos e n&atilde;o-psiqui&aacute;tricos. <i>Jornal Brasileiro de Psiquiatria</i>. 40(4): 191-198.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263268&pid=S1413-2907200300010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>SOUGEY, E. B.; CUNHA, M. C. V.; BARRETO, J. A. V.; ACIOLI, M. D. (1987). Sugest&otilde;es preventivas da depend&ecirc;ncia na prescri&ccedil;&atilde;o de benzodiazep&iacute;nicos. <i>Jornal Brasileiro de Psiquiatria</i>. 36(6): 325-328.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263269&pid=S1413-2907200300010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>SPINK, M. J. P. (org). (1999). <i>Pr&aacute;ticas discursivas e produ&ccedil;&atilde;o de sentidos no cotidiano: </i>aproxima&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas. S&atilde;o Paulo: Cortez.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263270&pid=S1413-2907200300010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>WORTMANN, A. C.; GR&Uuml;DTNER, M. C.; FIALHO, A. F.; JARDIM NETO, J. C.; SCHAEFER, L. G.; SEHN, F.; PECHANSKL, F.; SOIBELMAN, M. (1994). Consumo de benzodiazep&iacute;nicos em Porto Alegre. <i>Rev Ass Med Brasil</i>. 40(4): 265-270.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1263271&pid=S1413-2907200300010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=2 face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif><a name=enda></a><a href=#end><img src="img/revistas/inter/v8n15/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>    <br> L&uacute;cia de F&aacute;tima Carvalho    <br> Rua Monte Sinai, 1872  &#150; Cidade Jardim    <br> 59078-360  Natal - RN    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> E-mail: <a href=mailto:lucifatima@uol.com.br>lucifatima@uol.com.br</a></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Magda Dimenstein    <br> Av. Praia de Genipabu, 2100 / 1402/N &#150; Ponta Negra    <br> 59094-010  Natal - RN    <br> E-mail: <a href=mailto:magdad@uol.com.br>magdad@uol.com.br</a></font></p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2>Recebido em 23/10/02    <br> Aprovado em 24/04/03</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=3><b>Notas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face=Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif size=2><sup><a name=I></a><a href=#Ia>I</a></sup> Psic&oacute;loga da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Natal; Mestre em Psicologia pelo Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da UFRN.    <br> <sup><a name=II></a><a href=#IIa>II</a></sup> Professora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o do Departamento de Psicologia da UFRN; Doutora em Sa&uacute;de Mental pelo IPUB/UFRJ; Pesquisadora do CNPq.    <br> <sup><a name=1></a><a href=#1a>1</a></sup> Trabalho elaborado a partir da Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado intitulada <i>Depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica em mulheres</i>: um estudo sobre consumo de medicamentos ansiol&iacute;ticos no servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de de Natal/RN, apresentada pela primeira autora e orientada pela segunda ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da UFRN, 2001. Esse estudo contou com o apoio financeiro da CAPES.    <br> <sup><a name=2></a><a href=#2a>2</a></sup> Pelo levantamento bibliogr&aacute;fico realizado, percebemos que a maior parte dos estudos que discutem depend&ecirc;ncia de medicamentos entre mulheres tomaram como sujeitos de pesquisa popula&ccedil;&otilde;es que freq&uuml;entam o servi&ccedil;o p&uacute;blico de sa&uacute;de. N&atilde;o foram encontradas pesquisas que abordassem esse problema entre mulheres que freq&uuml;entam o setor privado de sa&uacute;de ou entre classes mais favorecidas. No entanto, gostar&iacute;amos de ressaltar que o uso indiscriminado de ansiol&iacute;ticos n&atilde;o &eacute; caracter&iacute;stico de uma determinada classe social, estando presente na sociedade como um todo.    <br> <sup><a name=3></a><a href=#3a>3</a></sup> A pesquisa e a apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados seguiram rigorosamente as determina&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas pautadas no consentimento dos sujeitos (usu&aacute;rias e profissionais), e no sigilo das informa&ccedil;&otilde;es e identidade dos participantes.    <br> <sup><a name=4></a><a href=#4a>4</a></sup> Esse fen&ocirc;meno se caracteriza pela utiliza&ccedil;&atilde;o de doses cada vez maiores do medicamento para obten&ccedil;&atilde;o dos efeitos anteriormente obtidos com doses menores.    <br> <sup><a name=5></a><a href=#5a>5</a></sup> No entanto, esses autores afirmam que mesmo em doses terap&ecirc;uticas, a depend&ecirc;ncia pode ocorrer.    <br> <sup><a name=6></a><a href=#6a>6</a></sup> Dimenstein (1998), tratando especificamente dos psic&oacute;logos na sa&uacute;de p&uacute;blica, aponta para o fato de que h&aacute; no servi&ccedil;o p&uacute;blico &ldquo;uma prioriza&ccedil;&atilde;o do modelo assistencial individual, de forma que no c&aacute;lculo rendimento-hora (produtividade/ incentivo SUS), n&atilde;o s&atilde;o considerados atendimentos em grupo, nem aqueles ligados &agrave; assist&ecirc;ncia indireta, como as visitas domiciliares, aos equipamentos sociais das comunidades&rdquo; (p. 88).</font></p>      ]]></body>
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